segunda-feira, setembro 13, 2010

Guebuza não

Canal de Opinião: por Carlos Cardoso (1997) (*)

Via Ripua, mais uma vez passamos a conhecer assuntos intestinais do partido Frelimo, discutidos, em surdina lá dentro.
Desta vez, é a sucessão de Chissano. Ripua quer Guebuza. Já o tinha proposto Primeiro-Ministro. Na nossa opinião Guebuza não. O nosso parecer assenta em dois factores:
1. As pessoas têm medo de Guebuza.
2. Ele foi, talvez por uma razão de causa e efeito o primeiro factor, um dos ministros mais incompetentes a passar pela governação da Frelimo. Onde tocou, estragou.
Vamos à questão do medo.
É verdade que Chissano tem gerido a presidência com grau de hesitação, por vezes prejudicial para o país. Mas com ele na presidência desde 1986, Moçambique foi praticando níveis de liberdade de expressão. E hoje está bem evidente quanto melhorou na governação a pauta aduaneira por exemplo, fruto do uso crescente dessa liberdade.
Via debate, o país foi encurtando o caminho para consensos e assim se arranjaram algumas soluções.
Moçambique precisa, pois, de um presidente, cuja personalidade, ainda que menos hesitante do que a de Chissano seja pelo menos tão aberta ao diálogo como a dele. Guebuza tem sido o contrário disso. As pessoas calam-se por causa dele. Não tem nem um décimo da postura de Chissano no tocante a aceitação de crítica contra ele. A governação do país ficaria seriamente prejudicada com um presidente inspirador de-temor-e revolta-entre os cidadãos.
Em segundo, mas não menos importante, lugar, a questão da incompetência. Armando Guebuza tem sido mau gestor da coisa pública.
Como Governador de Sofala pôs em perigo o relacionamento com Portugal.
Como ministro do Interior, adoptou para a operação produção, um método que anulou qualquer hipótese para a concretização das intenções que lhe deram vida (pese as responsabilidades do presidente Samora Machel numa conceptualização apressada do programa).
E nos transportes Guebuza cruzou os braços perante o alastramento impetuoso do roubo e da corrupção, levando entre outros males, a uma quebra terrível do tráfego via porto de Maputo e ao desmoronamento quase irreversível da LAM.
No partido Frelimo há outros sucessores possíveis para Chissano, apesar de nenhum deles, depois da morte de Samora Machel, ter defendido o país, contra a pilhagem desenfreada das nossas riquezas, tem no seu CV muitos mais méritos do que Guebuza para o cargo do PR.
Por outras palavras, a transição pós-Chissano pode ser pacífica. Mas, a escolha final é a dos eleitores. Pelo menos enquanto Guebuza não for PR.

(In «Metical» de 15 de Julho de 1997)

(*) Publicação a título póstumo. O autor foi assassinado a 22 de Novembro de 2000

Fonte: Canal de Mocambique - 27.03.2008

Reflectindo: Esta foi a profecia de Carlos Cardoso.

domingo, setembro 12, 2010

Para não se dizer que não falei de flores...*

A talhe de foice

Por Machado da Graça

Do rio, que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem.
Bertolt Brecht

Há dias, conversando com um amigo, ele comentava a grande quantidade, e qualidade, de análise sobre a situação nacional a que foi possivel assistir nos debates televisivos. Isto comparado com a mediocridade das declarações oficiais, incapazes de analisar as causas dos acontecimentos e reduzindo as consequências aos aspectos de violência e vandalismo, deixando de lado o significado político e económico do protesto.
Comentava esse meu amigo que alguns dos nossos ministros, individualmente, um a um, até produziam reflexões interessantes mas, em conjunto, era aquela tristeza... Pouco mais tiveram a dizer para além de que está tudo no plano quinquenal, como se este fosse um livro sagrado, indiscutível. Pelo qual, como acontece muitas vezes nesses casos, se justificou o uso pela Polícia de armas de guerra com as quais foram mortos 13 cidadãos.

Prof. Castel-Branco Critica Medidas Governamentais

As medidas anunciadas destinam-se apenas a apaziguar a população

Um prestigiado professor universitário moçambicano diz que a resposta do governo não trata das causas das causas da crise social que esteve na origem das manifestações da semana passada em Maputo. O Prof. Carlos Nuno Castel-Branco, da Universidade Eduardo Mondlane, em entrevista à VOA, comenta que as medidas anunciadas, há poucos dias, e afirma que estas se destinam apenas a apaziguar a população, como aconteceu há dois anos atrás por ocasião das manifestações de 5 de Fevereiro de 2008.

Escute aqui

Fonte: Voz da América in Debates e devaneios

Revolta popular em Moçambique vai levar governo a acções na área social

De acordo com Eduardo Castro, correspondente Empresa Brasil de Comunicação (EBC) na África, o escritor moçambicano Mia Couto acredita que a revolta popular da semana passada vai levar o governo de Moçambique a tomar medidas na área social, que há muito tempo rolam nas gavetas dos governantes do país. Segundo o jornalista, Mia Couto afirmou em entrevista à EBC que alguém da comunidade doadora lhe dizia que, de repente, coisas que estavam sendo discutidas há anos passaram a ser simples de serem aceitas pelo governo.
Assim, as mudanças podem incluir o fortalecimento de programas sociais, que não saem do papel por falta de infraestrutura para aplicação e fiscalização. Mas o escritor acha que é preciso ter claro que os passos serão cuidadosamente acompanhados.

sábado, setembro 11, 2010

As Acções do Grupo de choque

Tenho experiência da acção de campanha do grupo de choque. Desde 2002 que fui activo no Imensis. que providencia ou providenciava os melhores serviços aos internautas moçambicanos, senão a todos os falantes da língua portuguesa.
Na Comunidade imensis há diferentes fóruns para diferentes assuntos. Até início 2007 não era necessário registar-se para participar dos debates ou lançar/editar um tema. Mesmo nos comentário das notícias, o Imensis não fazia moderação/censura. Eu adorava aquele espaço.
Entretanto, a partir dum certo momento, provavelmente em 2005, após as eleições gerais de 2004, começou uma campanha de sabotagem e ela consistia em insultos, discursos racistas, insinuações e falsificação de nicks sobretudo daqueles utentes que eram alvos do grupo de choque. O Imensis foi tomando medidas que visavam acabar com a campanha, mas pareceu-me que o efeito foi da morte daquele valioso espaço - comunidade imensis. Felizmente, o espaço para comentários das notícias está ainda muito vivo.
Sei que o grupo de choque tentou fazer sombra ao imensis, mas que acabou não logrando nada.
Talvez tenha sido pelo esmorecimento da Comunidade Imensis que muitos blogs dedicando-se à discussão da vida política e social de Moçambique se desenvolveram. Porém, não tardou que uma guerra na blogsfera eclodisse.
Após as eleições gerais de 2009, o grupo de choque lançou uma campanha contra o Reflectindo sobre Moçambique, lançando insultos, discursos racistas e ou de Nós e os Outros, insinuações e falsificação de nicks, inclusivé, o grupo de choque chegou de criar um blog com o meu nome para com ele fazer passar comentários sem nexo em meu nome.

Manifestações: quando “o cimento” tapa o sol com a peneira

Escrito por Félix Filipe

Aquilo foi vandalismo. As pessoas do cimento são passivas demais. Tiveram medo de dar a cara. A protecção policial foi mais forte na cidade. Nós pautamos pelo civismo. Ao longo das avenidas e casas de pasto da zona urbana de Maputo perguntámos a vários indivíduos por que razão “o cimento” não aderiu às manifestações de 1 e 2 de Setembro. As expressões acima foram o denominador comum.
“Apesar do custo de vida ser implacável para todos, a maior parte das pessoas do cimento não quer protestar dando a cara”, afirma um cidadão com quem conversámos no Sindicato Nacional de Jornalistas e que falou na condição de anonimato para preservar a sua carreira profissional. “Não dou a minha identidade porque sou um funcionário do Estado, mas posso tecer alguma opinião sobre o assunto”, disse.

LDH presta assistência jurídica a 57 vítimas de manifestações de 1 e 2 de Setembro

NOS JULGAMENTOS QUE DECORREM NAS CIDADES DE MAPUTO E MATOLA

A Liga Moçambicana dos Direitos Humanos (LDH) está a prestar assistência jurídica a 57 cidadãos vítimas das atrocidades dos agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) cometidas durante as manifestações populares dos passados dias 1 e 2 de Setembro de 2010, nas cidades de Maputo e Matola, contra o agravamento dos preços de produtos alimentares, água, pão e energia eléctrica. A assistência está a ser dada durante os julgamentos que estão a ser feitos pelos tribunais judiciais daquelas cidades, segundo Ricardo Teixeira, da LDH, realçando que caso as vítimas queiram, a LDH poderá providenciar “assistência jurídica aos familiares dos perecidos e feridos graves e ligeiros quando abrirem processos crime contra o Estado moçambicano reclamando indemnizações pelas mesmas atrocidades, destruições e saques dos seus bens”.
Dados, entretanto, do Ministério da Saúde (MISAU) indicam que a actuação policial provocou a morte de, pelo menos, 14 pessoas durante as manifestações dos dias 1 e 2 de Setembro, em Maputo e Matola, mas outras informações em poder do Correio da manhã apontam que o número de óbitos ascende a 18, para além de centenas de feridos, entre graves e ligeiros.

Exigências do CIP

Enquanto isso, o Centro de Integridade Pública (CIP) exige a criação de uma comissão de inquérito parlamentar integrando elementos da sociedade civil moçambicana para apurar os “contornos da reacção brutal da Polícia e encontrar os principais responsáveis políticos e reais condições de operacionalidade da nossa Polícia”.
A mesma organização da sociedade civil moçambicana exige igualmente que o Estado moçambicano indemnize rapidamente as vítimas da actuação policial, tendo em atenção os factos danosos ocorridos, como perda de vidas humanas e ferimento em particulares que não estiveram envolvidos na desobediência civil e também ao facto de ter havido “vítimas devido à falta de preparação policial e emprego de meios letais”.
Por último, o CIP sugere às organizações da sociedade civil moçambicana que actuam na defesa dos direitos humanos para começarem a fazer um levantamento das vítimas da actuação policial e intentar contra o Estado uma acção de responsabilidade civil.

Fonte: Correio da Manhã in Diário de um sociólogo

Há uma luta entre os filhos e o "pai" Armando Guebuza

Escrito por Sofia Lorena

Houve "um sismo social" e, hoje, Carlos Serra quer ouvir o que os jovens universitários têm a dizer. O sociólogo moçambicano vai participar num debate na Faculdade de Medicina, dias depois de o Governo ter anunciado o congelamento dos preços cujos aumentos levaram milhares a manifestar-se em toda a periferia de Maputo e de Matola, cidade dormitório, aqui ao lado.

Politização de cargos públicos impede desenvolvimento

– afirma Manuel de Araújo, presidente do Centro de Estudos Moçambicanos e Internacionais (CEMO), que imputa responsabilidades ao elenco do presidente da República,
A nomeação de pessoas para cargos públicos com base na confiança política, e não na competência, impede o desenvolvimento do país e deixa muitos moçambicanos desmotivados na contribuição do crescimento do país. Quem o afirma é o académico e presidente do Centro de Estudos Moçambicanos e Internacionais (CEMO), Manuel de Araújo, para quem este problema foi trazido pela administração de Armando Guebuza.

sexta-feira, setembro 10, 2010

Os sem vergonha ainda se atrevem a chamar a isto desenvolvimento?

Por Noé Nhantumbo

É preciso conseguir olhar para o cenário nacional e determinar o que está sendo feito e como está sendo feito.
Não se pode pretender desenvolver um país quando tudo o que se faz nele resulta da pressão e imposição de agendas que na sua generalidade estão contra os genuínos interesses de um país.
O alinhamento total do governo nacional para com as pretensões dos investidores estrangeiros numa perspectiva de obtenção de um desenvolvimento económico rápido e centrado na implementação de mega-projectos tem conseguido apresentar resultados estatísticos impressionantes. Mas nada disso se traduziu numa melhoria da qualidade de vida e do poder aquisitivo da larga maioria dos moçambicanos.

Quando o Governo se distancia do povo!

Editatorial do Diário Independente

O que aconteceu no passado dia 1 de Setembro é, num outro ponto de vista, a cabal manifestação da distância social, económica e política que separa o povo moçambicano do seu Governo.
Por outras palavras, o gigantesco fosso entre os poucos moçambicanos que vivem demasiadamente bem, e os muitos moçambicanos que apenas sobrevivem, chegou a tal magnitude que os últimos nada têm a perder com o apedrejamento de tudo e todos aqueles que lhes parecem ser a razão da sua desgraça.

Como salvar a pátria da crise?

Por ser insustentável para um país em falência técnica, sugiro que o Governo renuncie a organização dos jogos africanos. Assim, evitaríamos gastos acima de 250 milhões de dólares pelos investimentos em infra-estruturas para o efeito.

Que o nosso país está em crise sem precedentes, ninguém duvida e nunca houve dúvidas. As medidas tomadas esta semana pelo Governo só vieram confirmar aquilo que ninguém ao nível do próprio Governo queria assumir, mesmo ao nível do Banco de Moçambique. O estado moçambicano entrou em crise muito antes da gente imaginar que a crise financeira internacional podia reflectir-se nocivamente sobre nós. A boa coisa é que tivemos um Governo tão bondoso quanto falso, que sempre veio, mesmo se apercebendo que o barco estava a afundar, tranquilizar- nos que nós somos um mundo à parte e que a conjuntura internacional não se reflectia sobre nós.

quinta-feira, setembro 09, 2010

Ao dizer que o governo não tinha ordenado o bloqueio do serviço de SMS,s Paulo Zucula mentiu!

- uma ordem do INCM, exigindo a interrupção temporária do serviço de SMS,s foi enviada às operadoras na segunda-feira, altura em que circulavam, com insistência, mensagens convocando a novos protestos contra o custo de vida
Afinal o ministro dos Transporte e Comunicações, Paulo Zucula, mentiu quando disse que o governo não tinha dado qualquer ordem no sentido de as duas operadoras móveis bloquearem os serviços de mensagens de texto (sms) como forma de evitar o retorno às manifestações populares contra o elevado custo de vida no território nacional.
É que, uma carta do Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM), órgão regular do sector de telecomunicações no país, enviada, na tarde desta segunda-feira, as duas operadoras, dá instruções claras no sentido de a mcel e a Vodacom suspenderem o serviço de SMS para todos os clientes.
O INCM é tutelado pelo Ministério dos Transportes e Comunicações.

Ao que o SAVANA/mediaFAX apurou, as duas operadoras aderiram à instrução na convicção de que a mesma havia sido tomada pelo Governo como uma decisão enquadrada na segurança do Estado. Na segunda e terça-feira, o serviço das sms estava bloqueado nas duas operadoras, deixando os clientes com os nervos à flor da pele. A Vodacom registava problemas no pré e pós pago.
A mCel tinha apenas problemas no prépago, pacote com maior número de clientes, sobretudo, os de renda baixa.
O SAVANA/mediaFAX soube que ao aperceber-se de que a mCel não havia suspendido o serviço das sms,s nos pós-pago, o concorrente da amarela protestou junto do regulador. Perante os protestos, o regulador concordou que a segunda operadora de telefonia móvel a entrar no mercado moçambicano também poderia facilitar o atendimento aos clientes pós-pagos.
Soubemos que a interrupção dos serviços da sms estava a provocar problemas e congestionamento graves, que poderia resultar na queda da rede e interrupção dos serviços de telecomunicações nas duas operadoras. Contudo, o regulador insistiu que os serviços de sms deviam continuar suspensos para a base de clientes pré-pagos de modo a não por em causa a segurança do Estado, num país em que oficialmente não foi declarado um Estado de sítio.
Dados do INCM apontam que em Moçambique mais de 27% da população tem telemóvel, com o pacote pré-pago a ocupar uma posição de peso. O último censo populacional indica que Moçambique possui cerca de 21 milhões de habitantes.
A maioria dos manifestantes que deram corpo aos protestos de 1 e 2 de Setembro são de renda baixa e usa os serviços de telefonia pré-pago. O telemóvel foi a principal arma usada para convocar os protestos, contra a galopante subida do custo de vida em Moçambique. Nesta quinta-feira, os serviços de sms,s nas duas operadoras estavam paulatinamente a regressar à normalidade, mas com alguma timidez.

MEDIA FAX – 10.09.2010 in Mocambique para todos

Reflectindo: 1) quanto prejuízo e quantos prejudicados nesta atitude de violação aos direitos humanos. Eu que tenho a minha mãe grave, preciso de sms desde domingo último o que minimizaria os gastos, a custa da vida. Porém a atitude do governo de Guebuza agravou ainda mais o custo da minha vida, dos meus familiares. Quantos moçambicanos se encontram na mesma situação que a minha? 2) governantes mentirosos? Pacheco diz que a polícia não usou balas verdadeiras, mas a saúde desmente-o. Zucula diz que o governo não mandou bloquear os serviços de sms, mas o Media Fax desmente-o. 3) Herminío dos Santos e Afonso Dhlakama cercados. Os servicos de SMS bloqueados. É num Estado de Direito Democrático.

Fidel Castro: "O modelo cubano não serve nem para nós"

O ex-presidente cubano Fidel Castro considera que o modelo económico de Cuba "deixou de servir", revelou ontem o jornalista Jeffrey Goldberg, da revista norte-americana "The Atlantic", no seu blogue .
"O modelo cubano não serve nem para nós", afirma Castro, que fez 84 anos a 13 de agosto e reapareceu na vida pública da ilha no início de julho, depois de quatro anos a convalescer de uma doença grave, que o obrigou a transmitir a presidência para o seu irmão, Raúl.
Ao ouvir agora aquela afirmação, Goldberg teve dúvidas sobre o que tinha escutado, pelo que consultou Julia Sweig, uma analista do Conselho de Relações Externas (um centro de reflexão norte-americano, que publica a revista "Foreign Affairs"), que o acompanhou na conversa com o ex-dirigente cubano.

Reformas a caminho?

Segundo Goldberg, Sweig matizou as declarações de Castro, dizendo que este "não estava a recusar as ideias da revolução", mas a reconhecer "que o Estado, sob 'o modelo cubano', tem um papel excessivo na vida económica do país".
O jornalista entende que um efeito possível desta leitura de Castro seria a criação de condições para o atual presidente e seu irmão, Raúl Castro, porem em marcha "as reformas necessárias face à resistência, que será certa, dos comunistas ortodoxos dentro do partido comunista e dos burocratas".
A 1 de agosto, Raúl Castro anunciou o alargamento do trabalho por conta própria e a redução progressiva das fábricas estatais, o que qualificou como sendo medidas de "mudança estrutural e de conceito">>>

Fonte: Expresso - 09.09.2010

Ainda sobre as manifestações: Estado deve indemnizar as vítimas da actuação brutal da Polícia

– considera o CIP em documento que produziu a reportar e condenar a forma como a Polícia reagiu às manifestações da semana passada em Maputo
A actuação da Polícia (PRM), durante as manifestações populares dos dias 01 e 02 de Setembro corrente, deve ser investigada por uma comissão parlamentar de inquérito, integrando membros da sociedade civil. As vítimas que sofreram com as atrocidades da Polícia devem ser indemnizadas pelo Estado. Esta é a recomendação do Centro de Integridade Pública, uma organização da sociedade civil moçambicana.

Cip Attacks Police Behaviour, Calls for Inquiry

The anti-corruption NGO, the Centre for Public Integrity (CIP), on Wednesday issued a damning report on the behaviour of the Mozambican police force during the riots against price rises that shook Maputo and Matola last week.
Describing the police as "unprepared, ill-trained and corrupt", the CIP report says that the police did not obey the basic rules for the use of anti-riot equipment such as tear gas and rubber bullets, and violated human rights when they used live ammunition against the crowds.

quarta-feira, setembro 08, 2010

Os “marginais” pressionaram e o Governo cedeu!

Por Lázaro Mabunda

O Governo não precisava de revolta popular para que tomasse as medidas ontem anunciadas, colocando a nu as suas fraquezas e abrindo um precedente perigoso para o futuro quanto aos possíveis reajustamentos dos preços.
O Governo anunciou, ontem, várias medidas visando minimizar a carestia de vida no país, das quais o congelamento dos preços de pão, água, electricidade, além de redução dos preços de arroz, das taxas de instalação de energia eléctrica, água, entre outras. São medidas que, de facto, irão minimizar o custo de vida no país. neste momento, não interessa se são as mais adequadas ou não. Eram medidas popularmente esperadas, ainda que tivessem sido tomadas tarde, além de terem sido antecedidas por declarações polémicas do ministro do Interior, que considerou os manifestantes como marginais e vândalos.

Polícia agride mulher em Moçambique !!!



Fonte: aqui

“É preciso aprofundar a democracia em Moçambique”

Pelo bem-estar do povo moçambicano

– Dom Jaime Gonçalves, falando no âmbito do 7 de Setembro em que se comemora o Acordo de Lusaka pela Independência Nacional
“Moçambique deve seguir a consciência profunda por que se pautam os africanos, alargando as liberdades e direitos humanos, por forma a que futuramente os moçambicanos usufruam dos progressos do Estado de direito”. São palavras do Arcebispo da Beira, Dom Jaime Pedro Gonçalves, no quadro das festividades de 7 de Setembro, assinalado ontem em todo o País.

Afinal, Cahora Bassa não é nossa, Senhor Presidente?

Por Lázaro Mabunda

O esclarecimento de Namburete transmite-nos a ideia de que: o Presidente da República desconhecia que a HCB só seria “verdadeiramente nossa quando fazermos um investimento de 1.8 bilião de dólares, para construir a linha de transporte Tete-Maputo...”

terça-feira, setembro 07, 2010

Depois das manifestações populares Governo congela aumentos de preços

No dia em que se comemoram os 36 anos da assinatura dos Acordos de Lusaka, entre a FRELIMO e o Governo colonial português, o Governo moçambicano, liderado pelo Presidente Armando Guebuza, decidiu em Conselho de Ministros extraordinário, congelar todos os últimos aumentos dos preços dos bens de primeira necessidade: nomeadamente do pão, na energia eléctrica e da água.
Falando em conferência de imprensa esta terça-feira em Maputo, o Ministro da Planificação e Desenvolvimento Aiuba Cuereneia, apresentou as medidas de impacto imediato na vida dos moçambicanos que o Governo tomou para fazer face ao elevado custo de vida:

Serviço de SMS´s fora de funcionamento em Moçambique

Os moçambicanos que são utilizadores das redes de telefonia móveis existentes no país foram confrontados esta segunda-feira com o não funcionamento do Serviço de Mensagens de texto, vulgo SMS. As operadores de telefonia móvel não confirmam a existência de nenhum problema relacionado com o serviço de mensagens porém o facto é que não se conseguiu enviar ou receber SMS´s entre a tarde de segunda-feira e as primeiras horas desta terça-feira. A nossa redação recebeu imensas reclamações de leitores que não conseguem enviar SMS´s.
Recorde-se que a cidade de Maputo esteve paralisada por manifestações populares contra o aumento do custo de vida, nos dias 1 e 2 de Setembro, que começaram com apelos anónimos a uma greve geral via SMS.
Com cerca de 6 milhões de utilizadores em Moçambique, os telemóveis, e particularmente as SMSs, foram a meio do povo mobilizar-se e manter-se informado sobre o que ia acontecendo pela cidade capital do país.

Fonte: @verdade - 07.09.2010

Reflectindo: o que isto pode significar?

“Presidências abertas”: Gastos em helicópteros por Guebuza devem ser repensados

– afirma Lutero Simango, chefe da bancada do MDM, na Assembleia da República
Os gastos do erário público com aluguer de helicópteros para suportar as “presidências abertas” do chefe do Estado ainda vão dar de falar. E já há quem diga que é hora de mostrar a tabela dos gastos para se poder ver quanto dinheiro o Estado drena para as “presidências abertas” de Armando Guebuza, que para além de ser o chefe de Estado é também presidente do Partido Frelimo. O chefe da bancada parlamentar do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), na Assembleia da República (AR), é dessa opinião.

Descobrir petróleo é uma boa nova?

Por Ricardo Reis*

Descobrir petróleo em Moçambique pode mudar a vida a uma elite. Mas o cidadão médio moçambicano terá ainda poucas razões para celebrar Esta semana foi descoberto petróleo no Norte de Moçambique. Num dos países mais pobres do mundo, a notícia foi recebida com óbvio agrado.
No entanto, se olharmos para um mapa, veremos que os países com petróleo abundante são tudo menos modelos a emular. O México, a Nigéria e a Venezuela são pobres, até em relação aos seus vizinhos que não têm petróleo. A Arábia Saudita tem um PIB per capita alto, mas muitos hesitariam em incluí-la na lista dos países desenvolvidos. A desigualdade de rendimentos é enorme, o que se reflecte num ambiente político e de respeito pelos direitos humanos difícil. Por fim, do Iraque nem vale a pena falar.

segunda-feira, setembro 06, 2010

Uma história estranha: A Polícia baleou Hermínio dos Santos

Polícia atingiu líder dos desmobilizados de guerra Hermínio dos Santos. segundo o CanalMoz, Hermínio dos Santos contou que o polícia que o baleou fazia-se transportar numa viatura de patrulha e logo de seguida pôs-se em fuga deixando-o estatelado no chão.
Na altura do sucedido, o edil da Matola, Arão Nhancale, estava ao seu lado, pois pessoalmente acompanhava o decurso da agitação popular. Hermínio dos Santos disse-nos ainda que não foi socorrido por Nhancale que estava a visitar os estabelecimentos assaltados. Ele afirmou também que quando se fez à rua para comprar crédito, a agitação, no seu bairro, estava aparentemente calma. Assegurou-nos que foi por essa razão que se fez à rua. Estranhamente, refere, a Polícia abriu fogo em sua direcção e acabou por atingi-lo no pé. Após tal suceder o polícia pôs-se em fuga.

Reflectindo: Uma história estranha. Será que Hermínio dos Santos continua na mira da polícia.

Acusados de mobilizar a população para manifestar-se na cidade de Nampula

Polícia já prendeu seis cidadãos

- um dos detidos é um menor de 15 anos
- entretanto, o grupo nega a acusação policial e diz que reuniu-se apenas para mobilizar a população para uma assembleia que visava eleger o novo Secretário da Mobilização e Propaganda da Renamo no bairro de Natikiri.

SÓ NÃO HÁ MANIFESTAÇÕES NAS DITADURAS

Por Gento Roque Chaleca Jr.

Passados quase trinta e seis anos da assinatura do misterioso “Acordo de Lusaka”, os direitos consagrados do povo moçambicano continuam a ser, infelizmente, hipotecados em prol de interesses obscuros de uma minoria elitista e empresarial dos auto-proclamados “libertadores da pátria”. E, para mais, tal como cantou o falecido músico beirense ‘Taz’ “à caça mandam o cão, mas é o gato quem come a carne. E como agradecimento recebe um pontapé no traseiro!”

A escassos dias do país celebrar o 36° aniversário do misterioso “Acordo de Lusaka” (que se assinala amanhã) que pôs fim à guerra travada pela Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) contra a dominação colonial portuguesa, acarrentando consigo o sonho de um Moçambique verdadeiramente democrático, eis que as populações das cidades de Maputo, Matola e Chimoio, respectivamente, sairam à rua para denunciar a “febre hemorrágica” da carestia de vida no país.

Lições de um e dois de Setembro de 2010

Por Olívia Massango

A descarga emocional deu-se porque o homem recuperou o seu instinto natural, porque a sociedade não o ajuda a realizar-se. E aqui reside o perigo, porque, com um comportamento natural, este pode dissolver a sociedade. E esta é uma grande lição Sr. Presidente.
“Contra a inimizade do povo um príncipe jamais pode estar garantido”, Maquiavel
“Se houver demasiadas pessoas pobres e apenas algumas pessoas ricas, não podemos acabar com os ladrões, não podemos acabar com os roubos. A maneira de acabar com isso é com uma sociedade onde toda a gente tenha o suficiente para satisfazer as suas necessidades e ninguém acumule desnecessariamente só por ganância”, Osho

A pobreza sai muito caro

Por Mia Couto

“A pobreza sai muito caro. Ser pobre custa muito dinheiro. Os motins da semana passada comprovam este parodoxo. Jovens sem presente agrediram o seu próprio futuro. Os tumultos não tinham uma senha, uma organização, uma palavra de ordem. Apenas a desesperada esperança de poder reverter a decisão de aumento de preços”.

Governo reage à revolta popular

O ministro da Indústria e Comércio, António Fernando, explica que neste momento a grande preocupação do governo é restabelecer a rede comercial a nível dos pontos afectados pelas manifestações. Assim sendo, a responsabilização pelos danos fica para a posterior

Quais são os prejuízos causados pelas manifestações de 1 e 2 de Setembro corrente na área de indústria e comércio?

Maputo a Arder

A talhe de foice

Por Machado da Graça

O que tinha que acontecer, aconteceu mesmo.
No momento em que escrevo as cidades de Maputo e Matola estão em pé de guerra. Veículos e pneus ardem, lojas e armazéns são saqueados, lojas, bancos e escolas estão fechados, os transportes públicos não circulam, as estradas de entrada e saída nas cidades estão bloqueadas, há postos de abastecimento de gasolina a arder e, pior que tudo, muitíssimo pior do que tudo, já há vários mortos e feridos a lamentar.
E, principalmente, a angústia é não saber como isto tudo vai parar.

domingo, setembro 05, 2010

PARTILHAR IMPACTO PELOS DIFERENTES ESTRATOS, REDUZIR DESPESAS, CONTRATO SOCIAL ROMPIDO

PARTILHAR IMPACTO PELOS DIFERENTES ESTRATOS - AFIRMA NOBRE CANHANGA, ACADÉMICO

PARA o académico Nobre Canhanga, as manifestações trouxeram para o debate público o questionamento sobre o sentido efectivo do discurso político da redução da pobreza em Moçambique e até quanto este se adequa ao sentimento generalizado da maioria da população.
Afirmou que um significado evidente é de que existe um descompasso entre o discurso político e a realidade vivida pelos cidadãos. “Se queremos encontrar uma solução efectiva dos problemas que estão na origem das manifestações não deveremos concentrar a nossa análise na legitimidade do fenómeno. Sob este ângulo de análise, encontramos um certo valor legítimo expresso ou manifesto pelos populares. Porque? Veja-se que maior parte dos indivíduos envolvidos nas demonstrações foram mulheres, jovens e crianças que em qualquer canto do mundo sofrem directamente o impacto dos choques políticos, económicos ou financeiros”, disse.
Segundo Nobre Canhanga, estes grupos demográficos são os mais vulneráveis às questões de desemprego, da falta de habitação, urbanização, transporte, falta de pão, água, fome, sede e outros, daí que seja erróneo considerar que as manifestações foram ilegais e ignorar a legitimidade do fenómeno e o sentimento que aqueles grupos populacionais expressaram através das manifestações.
Defendeu que uma outra questão que é necessário verificar é o facto de que aqueles grupos vulneráveis têm dificuldades de se relacionar com o Estado e as instituições. Para o académico, tal deriva do facto de que os mecanismos de formulação de demandas, apoios públicos, intermediação e diálogo entre o Estado e os diferentes sectores estão a falhar ou não estão a funcionar adequadamente.
“Estes grupos vulneráveis não têm com que mediar o volume das preocupações que enfrentam no dia-a-dia. Por isso, é necessário questionar se as instituições que deveriam representar os interesses daqueles grupos vulneráveis e se as políticas financeiras funcionam em prol dos grupos vulneráveis ou não. Acho que se os mecanismos de intermediação entre o Estado e os diferentes grupos sociais funcionassem de forma efectiva, as preocupações dos manifestantes teriam sido acolhidas e medidas apropriadas teriam sido tomadas antes que as manifestações atingissem as proporções verificadas”, afirmou.
De acordo com a fonte, as organizações da sociedade civil e os partidos políticos que deveriam intermediar as vontades dos cidadãos com o Estado deixaram de funcionar ou de exercer o seu papel efectivo. Por isso, num contexto de frustração, desespero insatisfação, aqueles grupos vulneráveis recorrem a meios ou mecanismos violentos como forma de manifestar o seu descontentamento em relação às políticas e às instituições, quer sejam elas públicas ou privadas. É necessário entender que quando isto ocorre pode significar que os cidadãos estejam a retirar a magnitude da sua confiança em relação ao papel do Estado, dos sindicatos, dos intelectuais, das organizações da sociedade civil, incluindo mesmo as igrejas e os partidos políticos.
Nobre Canhanga disse que o Governo optou pelo uso da força desproporcional para conter os manifestantes. Entretanto, afirmou, nem a Polícia, nem o Exército, muito menos o excessivo controlo do Estado e das forças de segurança podem evitar que as manifestações voltem a acontecer num futuro imediato.
“É preciso reconhecer que o cidadão comum entende e percebe que o país vive dificuldades económicas e financeiras derivadas da conjuntura internacional. Os cidadãos querem que o impacto dessas políticas seja partilhado pelos diferentes estratos políticos, económicos e sociais. Os cidadãos e contribuintes querem saber que políticas financeiras o Estado está a tomar para garantir o equilíbrio na distribuição das despesas públicas. Os cidadãos querem saber como o Estado vai fazer a contenção de gastos, para que todos partilhemos o impacto da crise económica”, afirmou.

REDUZIR DESPESAS

O ACADÉMICO e analista Francisco da Conceição defende que as únicas medidas que podem amainar os ânimos dos manifestantes são de carácter paliativo. Uma dessas medidas, segundo afirmou, é a redução das despesas dos ministérios.
“O Governo tem que mostrar que também consente sacrifícios. Neste momento, está numa encruzilhada. O Governo tem que ter uma grande capacidade técnica de leitura dos sinais de forma a atenuar a situação. As dificuldades ainda vêm aí. O país vive de doações. O sentimento que existe é que o Governo está numa boa e a população a passar mal. Na minha opinião, tem que haver medidas para atenuar as dificuldades, sob pena de ruptura do contrato social”, disse, ajuntando que a estratégia de comunicação se revelou bastante fraca.
Francisco da Conceição afirmou que quando as instituições formais não respondem às demandas da população, gera-se uma rebelião. Considerou incomportável para a maioria da população a subida de uma única vez dos preços de água, energia e pão, sabendo-se que parte considerável é desempregada.

CONTRATO SOCIAL ROMPIDO

O PRESIDENTE do Centro de Estudos Moçambicanos e Internacionais (CEMO), Manuel de Araújo, condenou a violência registada nas manifestações, mas disse que do ponto de vista sociológico elas são perfeitamente compreensíveis, dada a pressão no seio da população.
“O que acontece é que há hegemonia de um único partido que acaba se descuidando dos processos de tomada de decisão. Muita coisa não funciona. O Conselho de Estado, por exemplo, não se reúne ou poucas vezes se reúne. Outrossim, não temos sindicatos nem partidos políticos que possam articular o sentimento da sociedade. O resultado disso é a explosão social. Veja que os trabalhadores foram envolvidos ou afectados mas os sindicatos não se pronunciaram. É estranho. Há que repensar no contrato social, que foi rompido. Para mim, tratou-se de uma revolta popular e nunca ouvi falar em nenhuma parte do mundo de uma revolta popular que é legal”, disse, ajuntando que o que se verifica é uma “erosão” dos sistemas de comunicação e afirmação política, em resultado da maioria.


Fonte: Jornal Notícias - 06.09.2010

Reflectindo: deliberadamente não passei aqui o que Ana Rita Sithole, Boaventura Zitha, Khalid Sidat e Policarpo Tamele por lhes achar que a atitude destes é precisamente o provocou e provoca este tipo de manifestacões.

Nampula: Polícia prende seis pessoas

A Polícia moçambicana anunciou hoje, domingo, a detenção de seis pessoas em Nampula, no norte do país, a quem acusa de estarem a mobilizar a população para manifestações na cidade.
Segundo Inácio Dina, chefe das Relações Públicas do comando provincial da Polícia moçambicana (PRM), os seis detidos confessaram às autoridades que a manifestação deveria começar no mercado do Resta, bairro de Natikiri, e teria como fundamento o protesto pelo aumento do custo de vida em Moçambique.
Na quarta e quinta-feira, em Maputo, manifestações contra o aumento do custo de vida resultaram em confrontos entre população e polícia, dos quais resultaram 10 mortos e cerca de quatro centenas de feridos.
Na capital da província de Manica, Chimoio (centro), houve também confrontos na sexta-feira, dos quais resultaram seis feridos.
Segundo a polícia de Nampula, três dos seis indiciados tinham com eles 500 gramas de droga, cannabis sativa (em Moçambique conhecida como suruma), que supostamente serviria para fornecer às pessoas que estivessem na manifestação, de modo a dar-lhes mais coragem.
Falando aos jornalistas, um dos detidos confirmou ser vendedor de suruma, enquanto os outros dois disseram que eram apenas consumidores desse tipo de droga.
Os outros três detidos disseram aos jornalistas que eram membros do partido RENAMO (oposição em Moçambique) e que, na altura da detenção, estavam a mobilizar a população para participar numa reunião que tinha como agenda a apresentação da nova direcção política do partido, a nível da cidade de Nampula, e não de uma manifestação, como alega a polícia.

Fonte: Angop in Notícias Sapo - 05.09.2010

Como conter uma explosão social

EDITORIAL DO Savana

Nada que não estivesse previsto, exceptuando o momento da sua ocorrência. O que torna surpreendente a maneira como as autoridades policiais e o governo em geral enfrentaram (ou foram incapazes de enfrentar) os tumultos da última Quarta-Feira nas cidades de Maputo e Matola.
Um custo de vida em crescendo não é algo que uma população grosseiramente empobrecida pode aguentar por muito tempo. Em determinado momento, a corda já não pode esticar mais, e rebenta.
É por isso que será errado considerar os tumultos de 1 de Setembro um evento. Eles foram um processo que foi sendo construído ao longo de meses, com uma sucessão de eventos políticos e de decisões governamentais que apesar de serem necessárias, revelavam um espírito de arrogância, prepotência, irreflexão e falta de cultura de diálogo intoleráveis numa sociedade democrática.

Sinais ignorados pelo Governo

Por Torres

Vários sinais foram sendo ignorados pelo Governo, não apenas desde 2008 aquando do 5 de Fevereiro, mas desde que o actual PR chegou ao poder em Fevereiro de 2005.

1. DIALOGO
O PR actual praticamente rompeu o diálogo com as forças vivas da sociedade, fora da sua Frelimo. O Conselho de Estado praticamente foi convocado muito poucas vezes. Os presidentes dos partidos da oposição nunca mais se encontraram com o PR, salvo dias depois da posse deste, num acto tipicamente cínico. O PR preferiu dividir os moçambicanos em gerações, numa artimanha cuja intenção era, primeiro, legitimar as acções de certos jovens bajuladores, e depois, premia-los com benesses e cargos.

A opinião pública foi suficientemente forte, que hoje tal discurso das gerações ficou confinada a pessoas da Frelimo e certos membros do Governo. O povo comum simplesmente faz graça da expressão “geração da viragem”. O PR acredita que falando muito, gritando, vai acabar com a pobreza. Não há nenhuma evidencia empírica, nem teórica desse modelo de desenvolvimento assente em “gerações” e em “discursos”.

De resto, o PR preferiu dialogar com os membros do seu partido, tanto em intermináveis reuniões de nível central, como em comícios disfarçados de presidências abertas, nos distritos. É a esses que ele prefere ouvir, esquecendo-se que a maioria dos moçambicanos nem sequer tem partidos e nem milita em formações politicas.

sábado, setembro 04, 2010

CM reúne para contabilizar mortos e prejuízos

Ainda na manhã de quinta-feira, o Conselho de Ministros reuniu na sua 1ª Sessão Extraordinária simplesmente para avaliar o impacto da “agitação”. Foi um renovar de esperanças por parte das pessoas que tanto queriam ouvir algumas medidas do executivo face à situação. Nenhum dado novo pareceu na mensagem veiculada pelo porta-voz do executivo. Foi quase uma reprodução do discurso do Chefe do Estado. A novidade era o balanço oficial: sete mortos, 288 feridos, 23 estabelecimentos danificados
e saqueados, 12 autocarros vandalizados sendo um totalmente destruído, dois vagões contendo milho e cimento saqueados, cinco viaturas e duas motorizadas queimadas, quatro postes de transformação de energia queimados e duas bombas de combustível vandalizadas. Todos os prejuízos contabilizam aproximadamente 122 milhões de meticais. O executivo diz que as perdas representam um retrocesso na luta contra a pobreza e promoção do bem estar dos moçambicanos.
Soluções? – “O Conselho de Ministros reitera o seu compromisso de continuar a trabalhar lado a lado com o povo, para a reposição da ordem e tranquilidade públicas. Reitera ainda a sua determinação de prosseguir com a implementação do Programa Quinquenal, instrumento fundamental para o combate a pobreza”, fim da solução.
Lembrar que foi com este tipo de discursos proferidos ontem que a população voltou à rua exigindo medidas concretas.

Fonte: SAVANA, edicão de 03.09.2010, in Diário de um sociólogo

Em Inhambane: Líderes Religiosos ou Engraxadores do Poder

Diz-se que líderes religiosos de Inhambane, nomeadamente o "pastor” Aníbal Ventura Cuamba e “líder da comunidade muçulmana de Vilankulo”, Badrudine Badrú condenam vandalismo“ nas manifestações populares. Mas que vandalismo? Vandalismo para os “líderes religiosos” é apenas a destruição de bens materiais não se incluindo a destruição de vidas como por exemplo a do Hélio Rute, uma criança de apenas 12 de idade? Pelos relatos, sabe-se que alguns dos atingidos pelas balas da “polícia” são crianças. Sim, crianças inocentes de que Cuamba e Badrú não lhes interessam.
Suponho eu que religiosos pertencem à sociedade civil cuja credibilidade em Moçambique esmoreceu.
Cresci na era de D. Manuel Vieira Pinto e aprendi que os religiosos têm que ficar no lado da sociedade civil, dos fracos, mesmo que os riscos sejam grandes. D. Manuel Vieira Pinto foi expulso de Moçambique pelo governo colonial por assumir abertamente que Moçambique tinha o direito à independência. Apesar de tanta hostilidade da Frelimo à religião e em particular à igreja católica, D. Manuel Vieira Pinto nunca retaliou, antes pelo contrário escolheu o caminho de sinceridade à Frelimo, Samora Machel e mesmo ao Chissano. Foi essa sinceridade que com a colaboração de D. Jaime Gonçalves, pelo que sei, alcançamos a paz.

Apelo aos cidadãos Anibal Ventura Cuamba e Badrudine Badrú para deixarem de engraxar assassinos em nome de que religião for.

Amnistia Internacional desaconselha uso de balas verdadeiras

A Amnistia Internacional apelou às autoridades policiais moçambicanas para não recorrerem ao uso de balas verdadeiras na tentativa de dispersar os manifestantes que protestaram na quarta e quinta-feiras contra o elevado custo de vida nas cidades de Maputo e Matola.
O apelo da Amnistia Internacional surgiu depois de informações de que sete pessoas (dado oficial), entre elas duas crianças, tinham sido mortas pela Polícia durante as manifestações.
“Embora se reconheça que a Polícia esteja a tentar conter protestos violentos, balas vivas — que se resumem em força mortífera — não devem ser usadas excepto quando for estritamente para proteger vidas”, disse Muluka-Anne Miti, responsável da Amnistia Internacional para Moçambique.
O apelo daquela organização de defesa dos Direitos Humanos era no sentido da polícia moçambicana ter à sua disposição meios não-letais de controlo da situação e de dispersão dos manifestantes.
Um relatório recente da organização dava conta de que 46 pessoas teriam sido ilegalmente mortas pela Polícia em Moçambique entre Janeiro de 2006 e finais de 2009.
A Amnistia Internacional apela ainda ao Governo para que conduza uma investigação independente sobre as circunstâncias em que se registaram as sete mortes desta semana, havendo necessidade de processar judicialmente os responsáveis pelas mortes.
A organização queixa-se de que apesar de repetidos pedidos nesse sentido, as autoridades moçambicanas nunca se predispuseram a dar informações detalhadas sobre mortes causadas pela Polícia.
Faz ainda notar que padrões internacionais requerem que investigações detalhadas sejam realizadas em todos os casos de morte ou lesão resultante do uso de arma pela Polícia.

Fonte: SAVANA, edicão de 03.09.2010, in Diário de um sociólogo

Reflectindo: O que é que Amnistia Internacional fazer agora é desaconselhar o uso de balas verdadeiras ou exigir uma investigacão independente para apurar em que circunstâncias as balas verdadeiras foram usadas? Afinal a Amnistia Internacional não tinha dito o mesmo depois do massacre de Montepuez? Lembremo-nos que José Pacheco afirmou o seguinte: a polícia tem apelado à ordem, mas, quando se justifica, acciona o gás lacrimogéneo e balas de borracha. Essas balas podem matar em situações em que os alvos se encontram próximas do atirador.. Não podem a Amnistia Internacional, a Sociedade Civil em Mocambique, os partidos políticos, a comunidade internacional sobretudo os doadores exigirem uma investigacão independente para sabermos se o ministro disse verdades ou mentira?

Depois de Maputo: Tumultos atingem Manica

SEIS feridos, dois dos quais em estado grave, duas lojas danificadas, igual número de viaturas com vidros quebrados, bloqueio de rodovias com barricadas, instituições públicas, escolares, estabelecimentos comerciais, bancários e de serviços encerrados e 68 detenções é o balanço preliminar dos tumultos que ontem sacudiram as cidades de Chimoio e Manica.Maputo, Sábado, 4 de Setembro de 2010:: Notícias
Entre os feridos constam duas crianças que foram atingidas por balas disparadas pelos elementos da lei e ordem quando tentavam dispersar manifestantes no bairro Francisco Manyanga. Os feridos graves estão internados no Hospital Provincial de Chimoio.
Entre os 68 detidos para averiguação pelo seu envolvimento directo na agitação popular figura Tânger Maria de Jesus, membro sénior do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), que foi recolhido alegadamente por ter sido visto, um dia antes, a mobilizar pessoas para aderir à manifestação.

Policia também saqueou

No segundo dia das manifestações, alguns agentes da PRM circulavam à paisana e em viaturas disfarçadas, disparando indiscriminadamente contra pessoas que circulavam nas vias públicas.
Mesmo assim, a Policia não conseguia dispersar os manifestantes.
No Benfica, policias fardados foram vistos na noite de quinta-feira pela população a carregar sacos de arroz e bidons de 25 litros de óleo alimentar para parte incerta. No primeiro dia das manifestações, ainda no Benfica, uma viatura da Polícia foi vista carregada de sacos de arroz, depois de agentes da lei e ordem terem dispersado manifestantes que saqueavam um armazém.
Ainda no Benfica, uma das zonas mais agitadas ao longo da Av. De Moçambique, dois policias ficaram sem munições no meio de manifestantes. Estes descobriram e partiram para cima deles. Só uma negociação – os manifestantes exigiram para que a Policia não disparasse - foi possível evitar que as armas ficassem nas mãos dos manifestantes.
Os prejuízos resultantes dos dois dias das manifestações são tão enormes e ultrapassam de longe os 122 milhões de meticais que o Conselho de Ministros comunicou ontem. No lugar de tomar medidas e dar respostas que os manifestantes exigiam, o CM apressou-se em fazer as contas da manifestação, quando no terreno o saque e vandalização de propriedades públicas e privadas prosseguiam. Algumas estradas vão precisar de obras de resselagem para corrigir os desníveis causados por pneus queimados. São disso exemplo as avenidas de Moçambique, de Angola, Acordos de Lusaka e EN4.
Fora a paralisação dos serviços, a manifestação afectou a FACIM que teve que encerrar as portas por dois dias. Alguns empresários internacionais que se dirigiam a feira ficaram retidos no Aeroporto Internacional de Maputo. Todos os voos foram cancelados. Os gestores da FACIM prorrogaram para dia 7 (próxima terça-feira) o término da feira.
As autoridades da educação deverão fazer um esforço para conseguir cumprir com os currículas escolares em face de três dias de aulas paralisadas.
Alguns hospitais da capital ressentiram-se da falta de pessoal que não conseguiu sai das casas para o trabalho.
Diferentemente do 5 de Fevereiro, as manifestações desta semana pararam sem uma resposta por parte do executivo.

Fonte: SAVANA, edicão de 03.09.2010 in Diário de um sociólogo

Telemóvel: o novo sindicalista

Por Emídio Beúla

Na ausência de sindicatos legitimados pela massa laboral, as manifestações desta semana foram convocadas via telemóvel. As mensagens começaram a circular dois dias antes. Os serviços de segurança do Estado, a Polícia e o próprio Governo, não foram apanhados de surpresa, tal como aconteceu nas manifestações de 5 de Fevereiro de 2008. E as causas não variaram: subida do preço de combustível, de pão, de energia, de água…
O porta-voz do Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique, Pedro Cossa, apareceu na noite de terça-feira a anunciar que quarta-feira seria um dia normal e que não haveria, portanto, nenhuma manifestação. A justificação era que nenhum pedido de manifestação tinha dado entrada no Ministério do Interior, conforme manda a lei.
A FEMATRO, a Federação das Associações dos Transportadores Rodoviários, também apareceu na noite de terça-feira a acalmar os munícipes das cidades de Maputo e de Matola. Falando à imprensa, Luís Munguambe, vice-presidente da FEMATRO, disse que não haveria nenhuma manifestação na quarta-feira e, por via disso, apelou aos transportadores a operarem.
Logo pela madrugada, Maputo e Matola estavam povoadas de agentes da PRM. O Comando-Geral colocou estrategicamente e em pontos de maior concentração de pessoas brigadas policiais armadas para reprimir qualquer sinal de manifestação.

Actuação da Polícia

Tirando a forte presença policial, Maputo e Matola pareciam as cidades normais prometidas por Cossa e Munguambe. Carros a circular, incluindo os transportes público e semi-colectivo (chapas), crianças e jovens a caminho da escola, trabalhadores dirigindose aos seus locais de trabalho, serviços formais e informais a funcionar. Por detrás da aparente calma, os manifestantes preparavam-se para o terreno. Nem a forte presença policial serviu para conter os ânimos. Os manifestantes fizeram-se às ruas, os autocarros retiraram-se das estradas, os serviços ficaram paralisados, as escolas, bancos, restaurantes, mercados, farmácias, bombas de combustível, lojas, padarias, supermercados fecharam.
A Polícia, mais uma vez, demonstrou que não está preparada para responder a este tipo de manifestação. Respondeu com tiros. A FIR (Força de Intervenção Rápida), um dos braços mais temidos da PRM, só tinha um carro de assalto a circular nas duas cidades. Outros elementos daquela força circulavam em viaturas normais, disparando contra os manifestantes balas de borracha. A equipa do SAVANA só conseguiu contar um agente da FIR que trazia escudo. Os restantes estavam equipados como quem vai a uma guerra.
Os agentes da Polícia de Protecção – cinzentinhos – portavam armas com balas verdadeiras. Supõe-se que a maior parte das vítimas mortais e outros feridos graves foram atingidos por balas verdadeiras disparadas pela Policia de Protecção.

Quinta-feira

Na manhã desta quinta-feira, Maputo acordou com duas faces, qual cidade do colono cortada ao meio, magistralmente grafada por Frantz Fanon. Na periferia – a cidade de má fama de Fanon – a população continuava a protestar não só contra o custo de vida, mas também contra as intervenções das autoridades moçambicanas. No centro da cidade, - a cidade farta e indolente de Fanon – Maputo fingia alguma calma. Era uma cidade de serviços mínimos: poucos carros a circular, alguns postos de combustíveis a abastecer, pequenas lojas e alguns restaurantes abertos. Mas o grosso de actividades e serviços estavam paralisados.
A fúria popular de quinta-feira não visava apenas o custo de vida, mas também os discursos dos dirigentes do país consideradas insultuosas e vazias de sentido. Primeiro foi Edson Macuácua, o secretário de Propaganda e Mobilização da Frelimo, como que a substituir o governo, veio a público apelar à calma e à cultura de trabalho e de diálogo. Como se a manifestação fosse contra o trabalho e o diálogo. Segundo, foi o ministro de Interior, José Pacheco, que depois de conotar os manifestantes como criminosos, disse que a situação estava sob controlo. A sua intervenção foi intercalada em reportagens televisivas que mostravam uma Polícia mal preparada e que não conseguia conter os ânimos dos revoltosos. Terceiro foi o discurso do Chefe do Estado que não veiculou nenhuma esperança. O discurso de Armando Guebuza era o mais esperado, pois acreditava-se que o mais alto magistrado da Nação, para além de apelar à calma, podia ser mais objectivo e concreto.
O Chefe do Estado lamentou, apelou à calma e agradeceu os que o escutaram. Logo pela manhã de quinta-feira, os manifestantes incluíam no seu coro reivindicativo uma resposta do executivo e alegavam que “Guebuza nos ofendeu, chamou-nos de preguiçosos”. Queremos justiça, repetiam em coro, movimentando-se pela Avenida Acordos de Lusaka.

Fonte: SAVANA, edicão de 03.09.2010 in Dário de um sociólogo

sexta-feira, setembro 03, 2010

Partidos políticos da oposição: Manifestações são legítimas

PARTIDOS políticos da oposição mostraram-se ontem solidários às manifestações realizadas nos últimos dois dias nas cidades de Maputo e Matola por considerarem que as reivindicações feitas são legítimas e oportunas, embora condenem veementemente os actos de violência, destruição e pilhagem que se verificaram um pouco por todo o lado, durante o levantamento.
Para as nossas fontes, nada justifica os actos de violência que, de acordo com dados preliminares avançados pela Polícia da República de Moçambique, resultaram em seis mortos, dezenas de feridos, para além de devastação e saque de lojas, estações de serviços, apedrejamento de viaturas, dentre carros privados e de transporte público de passageiros, entre outros.

Manifestação 1/09/10 Maputo

Filmado na Av. de Angola

Fonte: aqui e aqui

Governo levou o povo ao desespero e o povo respondeu com violência!

Por Lázaro Mabunda

Os Bons governantes nunca aparecem para pedir calma a um povo faminto e desgastado pelas péssimas condições de vida. Governantes sensíveis aparecem, nestes momentos, para revelar decisões de fundo para minimizar o sofrimento do seu povo. Dizia numa das opiniões que o Governo devia ter em consciência que uma das maiores “subtilezas da arte de governar é nunca levar o povo ao desespero. Um povo desesperado é igual a um militar levado ao desespero por um inimigo”. Aconteceu. O Governo levou o seu povo ao desespero e o povo respondeu com violência. Aconteceu o que há muito se esperava, apesar de ter sido um pouco tarde.

QUANDO A ARROGÂNCIA GOVERNATIVA VIROU A MARCA REGISTADA DE UM GOVERNO...

Por Noé Nhantumbo

Falhanço do Black Economic Empowerment?... É preciso olhar para além do óbvio...

As características dos regimes políticos instalados em Maputo e Pretória só diferem de dimensão e de língua oficial utilizada. Pode haver de facto outras diferenças quanto aos manuais de procedimentos mas na essência estamos vivendo sob o signo de dirigentes políticos nacionais mas com a suas economias completamente dominadas por outras pessoas ou corporações que vão ditando o que se faz ou deixa de fazer na esfera económica. Quem governa supunha que entregando de mão beijada tudo ao capital internacional teria todos os problemas resolvidos.

Presidente do MDM apela ao diálogo e respeito mútuos entre Governo e manifestantes

O presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, teceu ontem duras críticas à governação chegando mesmo a afirmar que “a crise evidencia os limites e as fraquezas que o Governo de Moçambique tem em construir um Moçambique para Todos”.
O orador convidou, ao princípio da tarde de ontem, a comunicação social na Beira, para apelar para o diálogo. Face às manifestações violentas que ocorrem nas cidades de Maputo, Matola, e timidamente, nas cidades de Macia, Chibuto, Chókwè, Maxixe, Beira e Nampula, Daviz Simango defende que se deve encontrar uma plataforma de entendimento tendo em vista ultrapassar o impasse, privilegiando-se o diálogo, respeito mútuo e valorização da vida humana.
Segundo o presidente do MDM, o Governo do dia deve encontrar mecanismos para atenuar o custo de vida, particularmente dos produtos de primeira necessidade, através de medidas de alívio da carga fiscal.
O MDM, pela voz do seu presidente, defende ainda a a redução das despesas públicas, políticas agrárias claras e que se leve a sério a promoção de infraestruturas vitais para a produção de alimentos e a sua comercialização.
Também defende que se deve aproveitar os recursos internos, como o gás, para consumo público a preços acessíveis, adoptando-se igualmente medidas urgentes para a sua transformação interna em energia designadamente eléctrica.
Daviz Simango,que para além de presidente do MDM é presidente do Conselho Municipal da Beira, invocou que os fundos de reversão de Cahora Bassa sejam bem utilizados e renegociados os preços de exportação de energia de que beneficiam os grandes projectos como a Mozal, Sasol, areias pesadas, etc..
O líder do MDM pediu aos manifestantes para não vandalizarem os bens públicos, privados e dos cidadãos e, ao mesmo tempo, pediu que a Polícia prescinda de utilizar balas reais para a manutenção da ordem pública.
Defendeu ainda a necessidade de capacitação dos agentes da polícia para eventualidades futuras do género.
O presidente do MDM recomenda que se rompa com a artificial separação das chamadas “áreas” social e económica. “Não se pode esperar que a área social resolva o problema da pobreza enquanto a área política continua a promover a exclusão”.
“O combate à pobreza implica necessariamente um amplo e sustentável processo de distribuição da riqueza”, disse Daviz Simango.
O presidente do MDM lamentou a perda de vidas humanas e lamentou que esteja a haver vítimas com os acontecimentos violentos em curso. Afirmou que o MDM continua atento ao desenrolar dos protestos dos manifestantes e prometeu que exercerá o seu papel para que o desenvolvimento social de todos os moçambicanos seja uma realidade.
Todavia, Simango não deixou de lançar críticas ao Governo. Falou das políticas macroeconomias e para além de referir que têm sido mal sucedidas disse ainda que não estão à altura das responsabilidades e dinâmicas que a crise impõe.
“O Governo revela-se incapaz de criar uma estratégia para o relançamento da economia moçambicana, pois o mesmo sempre se recusou a desenvolver políticas comuns para defender o emprego, dinamizar as pequenas e médias empresas, a agricultura e melhorar a protecção social das famílias mais desfavorecidas”, disse a certa altura o presidente do MDM.
Acrescentou que “a crise evidencia os limites e as fraquezas que o Governo de Moçambique tem em construir um Moçambique para Todos”.
Daviz Simango criticou a ausência de medidas da parte do Governo para assegurar a satisfação das necessidades básicas dos cidadãos, bem como para a transformação da energia e água em catalisadores por excelência do desenvolvimento económico e social, tendo em conta tratar-se do tal “Made in Mozambique”.
Simango também deplorou a lentidão na construção de infraestruturas para dinamizar o desenvolvimento e escoamento dos produtos agrícolas para os mercados, a imposição dos preços dos combustíveis e a arrogância dos membros do executivo no tratamento das motivações dos manifestantes. (Adelino Timóteo)

Fonte: CanalMoz - 03.09.2010

quinta-feira, setembro 02, 2010

Resposta do Governo à manifestação da população




Fonte: Video Sapo.Moz

Governo não cede aos manifestantes

O Governo não deu respostas concretas para minimizar, a curto-prazo, o alto custo de vida, tendo destacado que “o Plano Quinquenal do Governo indica programas” específicos que podem “nos levar a sair da pobreza”.
O porta-voz do Governo e vice-ministro da Justiça, Alberto Nkutumula, replicou o argumento do Chefe de Estado, Armando Guebuza, ao defender que a solução para travar a subida de preços passa pelo aumento da produção e produtividade.
Explicou ainda que a saída para devolver a estabilidade à economia depende do “trabalho de todo nós”, e que “não podemos deixar o barco afundar a espera das ordens do comandante”, neste caso o presidente da República, Armando Guebuza.
No Conselho de Ministros, que se realizou hoje, o Governo apresentou ainda o balanço dos prejuízos das manifestações: sete mortos, 288 feridos, 12 autocarros vandalizados, 2 vagões saqueados, quatro postes derrubados, entre outros danos.
Em dinheiro, os prejuízos totalizam 122 milhões de Meticais, valor que pode criar, de acordo com o Governo, criar mais de 3 200 empregos.
“Devemos nos unir e não dividir. Estamos a destruir os bens que resolvem a situação de pobreza”, disse o porta-voz do Governo, perante a insistência dos jornalistas.

Fonte: O País online - 02.09.2010

Pensar Diferente: Práticas discursivas e a desqualificação do outro


Leia o artigo na integra aqui.

Barricadas ameaçam de novo a calma em Maputo. Conselho de Ministros reunido de emergência

Novas barricadas e um tiroteio ameaçam, hoje, quinta-feira, a calma restaurada durante a noite nas ruas da capital moçambicana, Maputo. O Conselho de Ministros moçambicano está reunido de emergência.
Barricadas, tiroreios e pneus queimados estão a ameaçar novamente a normalidade restaurada durante a noite, depois dos confrontos de ontem em Maputo que segundo a Agência de Informação de Moçambique fizeram 10 mortos e cerca de 80 feridos.
Informações não confirmadas dão conta de mais um morto e vários feridos nos confrontos registados hoje, quinta-feira. Um forte tiroteio registou-se hoje manhã em Maputo, na Avenida Julius Nyerere, entre Magoanine e Xiquelene. No local está um grande contingente policial, da Polícia da República de Moçambique (PRM) e da Força de Intervenção Rápida.
Na periferia da capital moçambicana, há notícia de desacatos pontuais, mas que estarão a ser controlados e vigiados pelos agentes da polícia.
Em Maputo, não circulam transportes públicos, não há venda de rua e quase não se vêem pessoas.
Decorre a esta hora um Conselho de Ministros Extraordinário, do qual deverão sair medidas para fazer face à actual situação de instabilidade.

Fonte: Rádio Moçambique - 02.09.2010

Reflectindo: Só depois de reuniões do partidão é que o Presidente da República reune o Conselho de Ministros. Jeremias Langa e outros observadores têm razão: "inaceitável sobreposição que se continua a fazer do partido Frelimo em relação ao Estado e ao governo...no auge da crise, quando todos ansiavam por uma palavra de conforto do mais alto magistrado da nação, foi o porta-voz do partido Frelimo que veio falar primeiro, em pose de estadista. Seguiu-se o ministro do Interior e, finalmente, numa lógica tão inaceitável quanto intrigante, o Chefe de Estado, bem já ao princípio da noite, quando o caldo há muito estava entornado! É inacreditável!" (Langa, Jeremias)

Porquê 5 de Fevereiro? E porquê agora 1 de Setembro?

Por Jeremias Langa

O 5 de Fevereiro e o 1 de Setembro devem obrigar-nos a reflectir por que dizemos, todos os dias, que estamos a fragilizar a pobreza absoluta, quando fenómenos como o de ontem nos mostram que, afinal, há um desencanto enorme entre os cidadãos.
A pretexto do alto custo de vida, Maputo voltou, ontem, a ser sacudido por violentas manifestações, que se saldaram em perda de várias vidas humanas, muitos feridos, saques de estabelecimentos e enorme destruição de bens de cidadãos inocentes.
Por mais argumentos que se possam levantar, não há nada que justifique uma reacção com a violência que se assistiu, no dia de ontem, para manifestar o que quer que seja, sobretudo porque a manifestação é um direito constitucionalmente reconhecido a todos os cidadãos deste país. Basta requerê-lo para dele usufruir.
Uma manifestação com violência atinge pessoas inocentes, como sucedeu ontem, e essas pessoas são tão assoladas pelo aumento do custo de vida quanto os seus agressores. E isso tudo era perfeitamente evitável. Por esse facto, do ponto de vista da forma, estas manifestações são absolutamente condenáveis e intoleráveis!
Mas por dentro da forma, há sempre o conteúdo. Por isso, neste exercício analítico, é importante que não ignoremos o “porquê” destas manifestações; que nos interroguemos, permanentemente, sobre as reais motivações das mesmas; que nos questionemos por que grupos de pessoas, aparentemente isoladas, por meio de simples sms´s, conseguem organizar levantamentos em vários bairros suburbanos da cidade de Maputo e, com uma eficácia inesperada, sitiar a capital em poucas horas.

quarta-feira, setembro 01, 2010

David Aloni (RENAMO) sobre arrogância de Guebuza

O académico e quadro sénior do partido Renamo com a pasta de ministro “sombra” da Indústria e Comércio e membro do Conselho de Estado, Doutor David Aloni, numa longa entrevista ao MAGAZINE, quebrou o “silencio” ao acusar o Presidente da República de ser prepotente e arrogante, cujo comportamento “vai incendiar Moçambique a qualquer momento”. Aloni recorda os momentos críticos da Frente de Libertação de Moçambique sem deixar de manifestar a sua preocupação em relação ao estágio actual do País, pois para ele, Moçambique está a mudar para o abismo. “Se continuarem fechados, empurrando o diálogo para o lixo, o que não acontecia na governação de Joaquim Chissano, a situação vai ficar feia”, avisa Aloni para quem dirigir a Renamo não faz parte da sua agenda, pelo que prefere deixar o lugar para os jovens. Siga os trechos mais significativos da conversa concedida ao jornal MAGAZINE INDEPENDENTE.

Continue a ler a entrevista na íntegra aqui

Reflectindo: leia também este artigo: “Quénia é uma surpresa?”

Frelimo reúne-se, Pacheco chama de “bandidos” os manifestantes e diz que situação está controlada

O ministro do Interior, José Pacheco, disse que a manifestação popular nas cidades de Maputo e Matola “está sob controlo” da Polícia da República de Moçambique – PRM – e que os distúrbios estão a ser provocados por “bandidos”.
José Pacheco garantiu, há pouco, na Televisão de Moçambique – TVM -, que a polícia “está agora a controlar os focos de violência” e que não será “admitida a manifestação”.
“Esta relativa ordem deve-se ao posicionamento estratégico da polícia. Há baixas humanas, mas ainda é prematuro lançar dados”, disse.
O Governante explicou que durante o confronto com os manifestantes, a polícia tem apelado à ordem, mas, quando se justifica, acciona o gás lacrimogéneo e balas de borracha.
Essas balas, segundo Pacheco, podem matar em situações em que os alvos se encontram próximas do atirrador.
Até aqui, há relatos de três mortes, incluindo duas crianças, que foram atingidas por balas da polícia. Um número importante de pessoas continua a afluir às unidades sanitárias em busca de socorro.
Pacheco sublinhou que as manifestações estão a ser protagonizadas por pessoas “instrumentalizadas”, e que maior parte da população não é a favor dos tumultos.
A Frelimo, partido no poder, reuniu-se de emergência para encontrar uma saída face ao caos. Edson Macuácua, porta-voz do partido, disse que a Frelimo repudia as manifestações e pede calma.

Fonte: O País online - 01.09.2010

Manifestacão contra o custo de vida em Maputo?


Também a RDP-África está noticiando nas suas edições de hoje.

Yoweri Museveni quer 30 anos no poder

Concorrendo a um quarto mandato nas eleições a terem lugar no próximo ano

O presidente do Uganda, Yoweri Museveni, diz que pretende estender a sua liderança no país para 30 anos, concorrendo a um quarto mandato nas eleições a terem lugar no próximo ano. Museveni disse que vai procurar a representação do partido no poder, o Movimento de Resistência Nacional.
Esta força política vai se reunir no próximo mês de Setembro para escolher o seu candidato ao próximo mandato presidencial de 5 anos.
Museveni liderou uma insurreição para tomar o poder em 1986.

Fonte: O País online - 31.08.2010

Reflectindo: e como Museveni ainda não manipulou bem o povo para transformar a República do Uganda em Reino Museveni, ele precisa de mais tempo. Por vezes, atitudes como a de Yewori Museveni só nos obrigam a reflectir sobre os seus obreiros, os que as condicionam. Note-se que a Museveni deve ter se agarrado ao poder devido aos grandes elogios dos primeiros anos da sua governação.