Mostrar mensagens com a etiqueta governação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta governação. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, abril 03, 2017

Frelimo acusa edilidade de Daviz de inoperância e diz que MDM deve abandonar gestão municipal

A bancada da Frelimo na Assembleia Municipal da Beira (AMB) acusa a edilidade de Daviz Simango de inoperância e aponta, como exemplo, a dificuldade de recolha de lixo na urbe.
Na primeira sessão da Assembleia Municipal da Beira, havida na sexta-feira, a Frelimo apelou à bancada maioritária do MDM a abandonar a gestão daquele município.
“A bancada do partido Frelimo apela à edilidade a abandonar a gestão do município da Beira e admitir a fragilidade da sua má gestão”, disse Carlos Lino, da bancada minoritária da Frelimo. Para esta bancada, o MDM está a transformar Beira em pior cidade. “A Frelimo volta a insistir, para o bem dos munícipes, que é preciso abandonar o cartão-de-visita da urbe, caracterizado por lixo, águas paradas, crateras, mendicidade, entre outros males”, advertiu Lino.
Reagindo às questões levantadas pela Frelimo, o MDM reconheceu alguns dos problemas apontados na sessão ordinária e diz que já estão a ser tomadas medidas para minimizar o problema. “É verdade que tem havido acumulação de lixo no chão, que até, por vezes, ocupa a estrada. A situação deve-se às obras que decorrem em alguns pontos e, por causa dos trabalhos em curso, tivemos que remover alguns contentores. O lixo é preocupação para nós”, disse José Manuel, vereador do Saneamento do Meio.
Há 15 anos que Daviz Simango dirige os destinos daquela cidade, situada no centro do país.

Fonte: O País – 03.04.2017

domingo, abril 14, 2013

Um país governado em contramão!


Por Lázaro Mabunda

Quando iniciou a sua governação em Fevereiro de 2005 (...) disse, quer no discurso de tomada de posse como no seu primeiro discurso no Comité Central, que queria eliminar o burocratismo, o “espírito de deixa andar”, a corrupção, o clientelismo, a pobreza, entre outros. Nove anos depois, o que temos notado é que o Presidente da República não só não conseguiu combater nenhum dos males como também os institucionalizou.

Quando um amigo me disse que a escolta presidencial costuma andar em contramão, na cidade de Maputo, nas horas de ponta, achei que estivesse a divertir-se comigo. Em Dezembro tirei as dúvidas disso, quando, num engarrafamento entre o Bairro de Jardim e 25 de Junho, de outra faixa de rodagem ouvi barulho de sirenes de motorizadas a afastar os automobilistas que vinham no sentido Benfica-Jardim. Demorei aperceber-me do que estava a acontecer, porque as motorizadas iam no sentido contrário (Jardim-Benfica). A seguir foi uma coluna de viaturas no mesmo sentido, paralisando todas as viaturas que vinham do sentido Benfica-Jardim. Perguntei ao meu irmão o que estava a acontecer. A resposta dele não podia ser tão bizarra: “É Presidente Guebuza a andar em contramão”. Quando ainda queria perceber melhor estava já a passar a viatura do Presidente da República e todo o seu aparato, à alta velocidade, em contramão. Ler mais

domingo, dezembro 23, 2012

Escute aqui

Em Moçambique, um estudo agora divulgado sobre o nível de satisfação pública em relação às políticas governativas indica haver uma fraca satisfação comunitária em relação aos serviços prestados pelo governo nos últimos dez anos.

Mais um ano de prantos e ranger de dentes

Editorial (@Verdade)

Mais um ano moribundo caminha para o seu crepúsculo. O cenário actual do país é aterrador e a esperança, essa, foi a primeira a morrer. Com ela foi o futuro trucidado pelas engrenagens da auto-estima e da inexorável força da mudança. Realmente mudamos muito, mas muito poucos podem gritar a plenos pulmões que este foi um ano positivo.

quinta-feira, dezembro 06, 2012

MDM promete emagrecer máquina governativa se chegar ao poder

O segundo dia do congresso do MDM foi marcado pela discussão e aprovação do programa do partido e da revisão dos estatutos, dois documentos que traçam as linhas de orientação do partido para os próximos cinco anos. O programa, ora aprovado, vai servir de base para a elaboração dos manifestos eleitorais para as eleições autárquicas, de 2013, e gerais, de 2014.

terça-feira, maio 08, 2012

As Sondagens de Gallup

No VOA aparece como título: Eduardo dos Santos é o líder menos popular de África
Presidente Armando Guebuza em 14º lugar com índice positivo de aprovação. No títuto da Gallup é: Most African Leaders Enjoy Strong Support” (tradução livre: A maior parte dos líderes africanos gozam de forte apoio).

O título da Gallup sugere uma reflexão ” Most African Leaders Enjoy Strong Support” - Electoral, judicial confidence; local economy key to leader's scorecard”

segunda-feira, abril 23, 2012

“Há falta de comunicação entre Itai Meque e sua população”

O comício de Armando Guebuza foi dominado pelas queixas de 59 funcionários da extinta empresa Água Rural da Zambézia. Estes estão sem salários há 36 meses. Ouvindo os factos, Guebuza diz que a solução está nas mãos do governo de Itai Meque. A falta desta, só revela falta de comunicação.

segunda-feira, março 19, 2012

Malawi: Religiosos e políticos querem Mutharika fora do poder

Líderes religiosos e políticos do Malawi pediram esta quinta-feira ao Presidente Bingu wa Mutharika para se demitir dentro de dois meses devido a alegada má-governação do país.
Caso não aceite resignar, eles propõem a realização de um referendo dentro de três meses para perguntar ao povo se o Presidente da República deverá governar ou não depois deste ano.

segunda-feira, março 05, 2012

Banalização da injustiça perpetua pobreza em Moçambique – Mia Couto

O escritor moçambicano Mia Couto alertou para uma eventual "banalização da injustiça" que pode tornar "invisível a miséria material e moral", considerando que perpetua a pobreza e paralisa a história de Moçambique.
Falando na semana passada numa aula inaugural da Escola de Comunicação e Artes, da Universidade Eduardo Mondlane, intitulada "Da cegueira colectiva à aprendizagem da insensibilidade", Mia Couto citou o exemplo do transporte semi-coletivo (vulgo chapa) que "circula superlotado com dezenas de pessoas que se entrelaçam apinhadas num equilíbrio inseguro e frágil" em Maputo.

segunda-feira, outubro 31, 2011

Administrador do Chinde: a arrogância, a prepotência e o tribalismo simbolizados num servidor público

Funcionários do Estado no distrito de Chinde, na Zambézia, estão agastados com o comportamento nada abonatório do seu administrador distrital, José Saize. Acusam-no de ser tribalista e de privilegiar relações étnicas no ambiente de trabalho. Pesam também acusações de arrogância, prepotência e gestão danosa, entre outras práticas que consideram-nas como factores que não contribuem para o desenvolvimento do distrito e tolhem o sonho da unidade nacional.

quarta-feira, dezembro 29, 2010

OS “CAMARADAS” JÁ NÃO SATISFAZEM OU ESTÃO ESGOTADOS?

Por Noé Nhantumbo

Trata-se simplesmente de incapacidade de aproveitar as condições existentes? Pode ser tudo isso ou simplesmente uma questão de fim de estrada?... Os “camaradas” trouxeram a independência, mas também trouxeram novos cancros sócio-políticos de difícil tratamento.

Aquela pujança discursiva que até convencia multidões, com que se apresentavam “os camaradas” nos primeiros anos pós-independência está esmorecendo a uma velocidade incrível. O discurso de tantas vezes repetido perdeu sentido sobretudo quando os cidadãos aprenderam a comparar o dito com o feito.

terça-feira, outubro 26, 2010

Não Será Este Um Governo De ‘Tiriricas’?

Por: Gento Roque Chaleca Jr., em Bruxelas

Durante as lições caseiras aos meus sobrinhos, não falta o seguinte aviso: Em política como na vida em geral, apoiar uma determinada posição ou ser panegirista desta, deve ser antecedido de um exercício mental profundo e exaustivo. Por isso importa, acima de tudo – e no meio de todo este terror social que vivemos –, conhecer o outro lado da moeda (o que se opõe).

segunda-feira, setembro 27, 2010

Carvalho Muária ordena regresso imediato de alunos e professores às aulas

A directora distrital de Educação, Leonor Langa, diz que quando foi tomada a decisão de interrupção das aulas para dar lugar à recepção do governador, ela não estava no distrito.
O governador interino da província de Sofala, Carvalho Muária, insurgiu-se, semana passada, contra os dirigentes do sector de educação do distrito do Búzi, pelo facto de terem orientado os estudantes de diferentes níveis de ensino a deslocarem-se à praça dos heróis local, para a recepção do número um da província, o que implicou a paralisação das aulas.

Estudo realça “declínio das normas de governação democrática” em Moçambique

Maputo (Canalmoz) - Um estudo recentemente publicado na Inglaterra pela Chatham House, aliás já citado nesta mesma edição sobre o tema de tráfico de drogas, considera que “o ritmo do processo de redução da pobreza em Moçambique parece estar a abrandar”, o que pode estar “associado ao declínio das normas de governação democrática e política.” Na realidade, salienta o estudo, “há indicações de que o espaço democrático tem estado a ser monopolizado, à medida que um elemento da elite do partido principal, a FRELIMO, vai consolidando a sua retenção política e económica do poder, em prejuízo dos elementos reformadores do partido e também de outros grupos da oposição, o que tem um impacto potencial sobre a segurança (humana).”

sábado, maio 22, 2010

Doadores chumbam Governo no pilar de governação

Depois de “apontar o dedo” aos doadores, o Governo também viu as suas fraquezas destapadas na avaliação feita pelos Parceiros de Apoio Programático, que compõem o grupo dos 19 países que apoiam directamente o Orçamento do Estado. Nos cinco pilares avaliados, nomeadamente, Gestão Macroeconómica e Pobreza, Governação, Capital Humano, Desenvolvimento Económico e Assuntos Transversais, a nota negativa do Executivo foi para a Governação, que não registou melhorias durante os últimos anos, aos olhos dos doadores.
Dos nove indicadores da matriz do Quadro da Avaliação de Desempenho, quatro metas foram atingidas, três não foram atingidas, mas registaram progressos. Um indicador não foi atingido e, em relação ao indicador sobre percentagem dos processos-crime esclarecidos, ainda não existe consenso.

sábado, maio 01, 2010

Tortura de reclusos: Suspensa direcção da BO

A direcção da cadeia de máxima segurança, vulgarmente conhecida por BO, acaba de ser suspensa, em razão da confirmação de ter sonegado informações relativas a torturas de reclusos registados entre os dias 31 de Março e 7 de Abril naquele estabelecimento prisional. Juntamente com o director e o comandante da força que guarnece aquelas instalações, cessaram funções sete guardas prisionais que trabalharam nos dias das ocorrências dos maus-tratos.
As suspensões da direcção liderada por Renato Jaime e dos guardas, seguidas da instauração de procedimentos disciplinares e criminais, são o resultado da primeira fase do inquérito que está a ser levado a cabo pelo Ministério da Justiça desde o surgimento dos primeiros relatos da ocorrência de maus-tratos na BO nos meados do mês passado, trazidas a público pela Liga dos Direitos Humanos (LDH) e comunicação social.
Uma direcção provisória foi destacada para aquele centro prisional, enquanto decorrem as investigações da equipa suspensa.
A Ministra da Justiça, Benvinda Levi, que ontem apresentou estes dados em conferência de Imprensa, disse que a comissão de inquérito apurou a tortura de apenas dois prisioneiros, não tendo detectado nenhum sinal de maus-tratos nos restantes sete reclusos que também se queixaram- de terem sido vítimas de sevícias por parte dos guardas prisionais.
Segundo a governante, ainda não há dados que provem que os maus-tratos tenham sido ordenados pela direcção da cadeia, mas apurou-se que tanto o director como o comandante da guarda prisional souberam do que acontecera aos reclusos e não reportaram aos seus superiores hierárquicos.
Só para ilustrar os maus procedimentos adoptados pela direcção da cadeia, o comandante da guarda soube do caso de tortura registado a 4 de Abril, mas só o comunicou ao director do estabelecimento cinco dias após, isto é a 9 de Abril.
Para além destas medidas administrativas e criminais, Benvinda Levi disse que a comissão de inquérito é pela adopção de medidas correctivas transparentes nas cadeias, no sentido de cada recluso saber quais serão os castigos a estar sujeito em caso do cometimento de uma determinada infracção.
A ocorrência de maus-tratos na BO veio a público através da Imprensa a 13 de Abril, mas a Ministra da Justiça disse que a sua instituição havia recebido uma denúncia por parte da LDH no dia anterior, tendo, imediatamente, iniciado um trabalho com vista a apurar os contornos do cenário descrito.
Em reconhecimento do papel da LDH na vigilância das condições prisionais, Benvinda Levi convidou outras instituições da sociedade civil a assinarem memorandos de entendimento com vista a exercerem o papel de fiscalizadores do sistema prisional nacional, denunciando todos casos anómalos, tal como este último da BO.
Esclareceu que os resultados ontem apresentados referem-se à primeira fase, devendo dentro de 15 dias trazer mais esclarecimentos sobre a tortura de prisioneiros na BO.

Fonte: Jornal Notícias - 01.05.10

Reflectindo: mais uma vez a imprensa, e, desta vez uma organizacão da sociedade civil, nomeadamente a LDH, sob lideranca de Alice Mabota, fizeram o seu papel no Estado que pretendemos de Direito Democrático. Pessoalmente elogio a pronta resposta Sra Benvinda Levi à preocupacão levantada pela imprensa e LDH.  

segunda-feira, abril 26, 2010

Guebuza volta à carga contra os adversários da sua política

No encerramento da presidência aberta na cidade de Maputo

O Presidente da República, Armando Guebuza, voltou à carga contra os críticos do seu Governo, classificando-os como estando a sofrer de “conflito interno”. Num encontro que manteve com jovens, na manhã do último sábado, no pavilhão do clube “Estrela Vermelha”, Guebuza desviou-se dos problemas da juventude para atacar aqueles que contestam o seu “estilo de governação”, alegando que estes procuram “exteriorizar o seu conflito interno para atingir outras pessoas a influenciar o seu trabalho, para serem vistos como heróis”.
Não é a primeira vez que o Presidente da República ataca directamente os adversários da política do seu Governo. Na abertura da II Sessão Extraordinária do Comité Central da Frelimo, em 2008, que serviu para preparar as eleições autárquicas do mesmo ano, Guebuza havia apelidado os críticos da sua política como “apóstolos da desgraça”. E no encerramento da “presidência aberta”, em 2009, antes das eleições que o reconduziram ao poder em Outubro de 2009, o chefe do Estado insurgiu-se contra os que criticam os custos das “presidências abertas”, afirmando, em resposta, que “este modelo de governação é para continuar”.
O encontro do chefe do Estado com os jovens, neste último sábado, acabou por servir apenas para atacar os adversários do regime, uma vez que os jovens que foram seleccionados para apresentarem os seus problemas ao chefe do Estado, nomeadamente os da OJM, ou seja os da Frelimo, nada disseram de concreto inerente aos problemas que afligem a juventude em geral.
Aliás, tudo quanto se ouviu pela parte destes foi: “Viva a Frelimo, viva Guebuza!”, como de costume, embora alegadamente o encontro fosse com o Presidente da República. Entre um ou outro interveniente que falou dos problemas da juventude, gastou-se mais tempo a bajular o chefe do Estado do que a apresentar questões concretas. Foram raros os que falaram de desemprego, de falta de habitação, de insuficiência de vagas no ensino, nomeadamente o Superior, que constituem problemas centrais da juventude de hoje.
No discurso da tomada de posse, Guebuza havia assegurado que “haverá respeito pelo pensar diferente”.
As críticas às ideologias de Guebuza começaram com as prioridades escolhidas para combater a pobreza absoluta, e vieram a adensar-se sobretudo com a distribuição, pelos distritos, dos não menos famosos “sete milhões” – que agora é muito mais –, alegadamente para acabar com a pobreza. De entre políticas e críticas, tudo acabou num baptismo público, em que aos que pensavam diferente lhes coube o epíteto de “apóstolos da desgraça”.
No presente mandato, as críticas não pararam, e tiveram ainda mais motivos com as propostas do Orçamento do Estado para ano de 2010 e do Plano Económico Social (PES) submetidas à Assembleia da República, e que foram aprovadas pelo voto maioritário da bancada parlamentar da Frelimo. Basicamente foram são criticados os critérios que o Governo da Frelimo usou para fazer a distribuição orçamental.
É que as áreas prioritárias para o combate à pobreza como a agricultura e a educação, por exemplo, voltaram a ser marginalizadas. E os sectores improdutivos voltaram a encaixar altas verbas do Orçamento de Estado (OE). As críticas não demoraram, e vieram de todos os quadrantes: da AR, da imprensa e da opinião pública. Todos questionaram se de facto o OE visava combater a pobreza absoluta. E como resposta, eis que isso agora é chamado um “conflito interno” de quem não aplaude esta política.

(Borges Nhamirre e Matias Guente)

Fonte: CanalMoz - 26.04-2010

Reflectindo: 1) Presidente da República que não sabe ( para bem dizer que não quer)  distinguir entre o que é partido e do partido e o que é Estado e do Estado é contra o Estado de Direito Democrático.
2) Exteriorizar os seus problemas? Fala de quem? Um cidadão nacional ou estrangeiro? Se um cidadão nacional critica um governante nacional exterioriza o quê? É o problema donde para onde? Se ele estivesse a falar isso para quem critica questões meramente partidárias ou da Frelimo não sendo membro desse partido eu concordaria com ele. 
3) Jovens que continuam ou passam a ser mestres em lambebotismo são obstáculos na construcão do futuro. Espero ver os nomes dos jovens bajuladores.

terça-feira, março 16, 2010

Lugar de dirigentes que não cumprem as suas promessas devia ser na prisão

afirma Mo Ibrahim, em palestra na cidade de Maputo

Maputo (Canalmoz) – Os dirigentes políticos que não cumprem as suas promessas de governação, sobretudo as promessas de alívio do sofrimento dos seus povos (pobreza, doenças, falta de meios de produção) não deviam ter um novo mandato, porque os mesmos não o merecem. O lugar destes dirigentes devia ser na prisão. Quem exprimiu esta opinião foi o magnata Mo Ibrahim, presidente da Fundação com o mesmo nome que se encontra em Maputo fazendo-se acompanhar de Bono, o famoso músico dos U2.
Mo Ibrahim considera que os dirigentes que não usam os recursos ou a riqueza gerada pelo Estado para satisfazer as necessidade dos seus povos não mais deviam estar no poder, porque, no seu entender, presidentes desta estirpe promovem, com os seus actos, autênticas carnificinas.
Ibrahim fez estas afirmações durante uma palestra realizada, ontem, em Maputo, e que contou com a presença de governantes, de antigos primeiros-ministros, ministros, directores-gerais e também de professores universitários e estudantes.
A palestra foi organizada pela Fundação Joaquim Chissano cujo patrono fez parte do painel principal. A mesma versou sobre a integração económica de África. Mas, durante o debate, a questão da governação constituiu a tónica dominante.

Africanos devem fazer nova África

Mo Ibrahim disse que a sua geração falhou muito naquilo que se chama a responsabilidade da nova geração para a construção de uma África renovada. Tudo depende da actual liderança, pois, no seu entender, o empenho da actual geração de dirigentes na causa comum poderá ditar o futuro de África. “Precisamos, em África, de uma liderança que deve caminhar para a frente”, afirmou Ibrahim.

Não são as ajudas que acabam com a pobreza

Ibrahim explicou que não são as ajudas que acabam com os problemas de pobreza nos países africanos, mas sim a reforma na maneira de gerir os recursos que vêm como ajuda. Segundo o orador, um Estado é digno de ajuda quando sabe gerir os seus recursos internos: “Mesmo com ajudas, não é possível acabar com os problemas, enquanto não mudarmos a mentalidade”. Aquele magnata disse ainda que existem mecanismos que podem fazer a África sair da pobreza, como é o caso do aumento da produção através da agricultura. Mas, segundo ele, o que o que acontece é que os dirigentes preferem investir em coisas que não ajudam a desenvolver, tendo citado como exemplo o seu próprio país de origem: “Estamos mais empenhados em fomentar e sustentar guerras. Nisso, somos muito inteligentes”.

Estados Unidos da África e o futuro

Falando dos Estados Unidos da África e da integração económica, questão levantada por muitos dirigentes moçambicanos durante o debate, Mo Ibrahim disse que é um sonho muito bom e com muitas vantagens, mas o problema está na lentidão do processo. Disse que o processo da materialização dos Estados Unidos de África está a ser muito burocrático, por isso é preciso caminhar mais depressa rumo à criação de uma verdadeira União. No seu entender, há que parar com “politiquices desnecessárias”, porque o que as pessoas querem é ter comida na mesa e as suas vidas melhoradas.
Para Ibrahim, a criação dos Estados Unidos da África poderia ajudar na contenção de despesas em África. Como exemplo, disse que “nos Estados Unidos da África não precisaríamos de tantos diplomatas que vivem em casas caras, com carros caríssimos e com muitas outras mordomias, enquanto temos uma África real de fome e miséria”.

Quem é Mo Ibrahim

Mo Ibrahim é um britânico de origem sudanesa, empenhado no desenvolvimento do continente africano. A fundação que tem o seu nome instituiu, em 2007, o Prémio Mo Ibrahim, que distingue com cinco milhões de dólares um ex-chefe de Estado africano que tenha abandonado voluntariamente o poder cujo exercício tenha sido marcado pelo compromisso com os valores do Estado de Direito.
No primeiro ano da sua criação, o Prémio Mo Ibrahim foi atribuído a Joaquim Chissano, que foi Presidente da República de Moçambique entre 1986 e 2004.

(Matias Guente)

Fonte: CanalMoz - 16.03.2010

sexta-feira, março 05, 2010

Um ponto de vista de Mouzinho de Alburquerque (1)

Inhambane não é uma excepção

SAMORA Machel disse uma vez em Cuba, perante centenas de estudantes moçambicanos naquele país da América Central, que seria estupidez que ele ouvisse que entre eles havia tribalismo e regionalismo, pois foi na perspectiva de combater isso que o governo decidiu enviar os estudantes de todo Moçambique para lá.
Este pronunciamento que sempre retive e continuarei a reter, já foi aqui referido alguma vez e prefiro repetir tendo em conta o seu grande ensinamento e apelo para a necessidade de os moçambicanos trabalharem cada vez mais para a consolidação da sua união.
É por isso que disse na crónica sobre a governação de Nampula, estampada neste cantinho, que quer aceitemos quer não, a questão da governação no nosso país continua a não ser aparentemente compreendida, no sentido de que esta nação é de todos, somos um povo unido.
Quase todos os dias são proferidos discursos que apelam para a necessidade de valorizarmos e consolidarmos a unidade nacional, porque só assim é que nunca estaremos preocupados em procurar saber se o nosso novo governador provincial nomeado pelo Presidente da República é de cá ou de lá, isto é, se ele é chope ou não, é macua ou não, é changana ou não, é ronga ou não, é maconde ou não, assim por diante.
Destaquei. Igualmente, o facto de ser imprudente e perigoso e não ter qualquer razão os que continuam a propalar, talvez insensatamente que os que nasceram aqui (referindo-se a sua própria terra) sentem-se frustrados, porque só servem para andar às ordens e serem dirigidos pelos de fora.
Ou sentem-se frustrados porque a alegam tradição (?), não aceitam serem dirigidos por um que vem de fora. Quer aceitemos quer nao, esta mentalidade tribalista e regionalista que preciso combater continua cultivada na sociedade moçambicana.
Isto vem a propósito de ter lido e ouvido com alguma tristeza e estranheza, depois de anúncio do novo executivo formado pelo Presidente Amando Guebuza, algumas “lamentações” que acho um tanto quanto descabidas, de que a província de Inhambane sempre recebeu governadores novos e sem experiência de governação, isto é, aprendizes, que no entender dos que lamentam acabam estragando as “coisas”.
Leio e ouço com estranheza porque isso não constitui verdade, compatriotas! Do que se tem conhecimento é que alguns desses “aprendizes” da governação fizeram um bom trabalho naquela província. E quase todas as províncias, em cada novo mandato de governação do país, depois da realização de eleições, recebem novos governadores e nunca houve aparentes lamentações ou questionamentos e porque Inhambane deve ser uma excepção?
Quero acreditar que na essência o problema não esteja aí, mas sim, nos preconceitos tribais e regionalistas que algumas pessoas teimam em preservá-los, mesmo que dominem a ciência e a técnica e sabendo, em certos casos, que um da sua tribo ou família foi nomeado pela primeira vez para o cargo de governador de uma província do nosso país.
Porém, antes de mais, eu já deveria ter manifestado a minha perplexidade pelo facto de alguém evocar, igualmente, factores sócio-culturais e económicos para se ser governador da província de Inhambane. Mas porque optarmos pelo provincianismo incompatível com os tempos de hoje? Inhambane é uma qualquer província como as outras deste país.
Isso não só mostra que as pessoas estão completamente fora da actual realidade do nosso país, como já não parecem ter capacidade de análise sobre a responsabilidade que lhes cabe, também na educação da sociedade para a necessidade de combate ao tribalismo e regionalismo. Ainda bem que essas pessoas estão ficando cada vez mais sós.
Se o Presidente da República tivesse em conta esses factores, na nomeação de governadores provinciais, acredito que nenhum estaria em condições de exercer essa função numa província onde não fosse natural e já foi visto que não precisamos de governadores naturais, porque isso além de diluir a unidade nacional tem outras desvantagens.
É verdade que para alguns compatriotas pode não ser fácil fazer tanto em pouco tempo, isto é, em 35 anos de independência, no combate a este tipo de situações anómalas, com a consciência de que somos um país que durante a colonização estrangeira, o tribalismo e regionalismo estiveram muito enraizados, fomentados pelos colonizadores, mas já é tempo de se ultrapassarem estes males.
Portanto, penso que vale a pena recordar que se o discurso do estadista Samora Machel nos orgulha, o presente faz-nos sentir que o futuro está aí. É muito mau termos a ilusão de que os naturais das províncias é que devem ser governadores, porque alegadamente conhecem a realidade sócio-cultural e económica. Mas qual cultura?

sábado, dezembro 12, 2009

Parlamento Juvenil quer fiscalizar Governo no próximo quinquénio

Para garantir cumprimento das promessas eleitorais
O Parlamento Juvenil (PJ) pretende fiscalizar o Governo que for formado como resultado das eleições de 28 de Outubro passado, no âmbito do cumprimento ou não das promessas feitas a jovens durante a campanaha eleitoral.
Para lograr os seus intentos, os jovens estão a arrolar todas as promessas feitas pela Frelimo e pelo seu candidato presidencial, Armando Guebuza, no que tange à habitação, educação e emprego, por sinal áreas que inquietam em grande medida a chamada “Seiva da Nação”. Aliás, a Frelimo colocou a juventude como o centro das suas atenções, daí que os jovens entendem haver legitimidade para que aquela formação política honre com as promessas.
Falando na ocasião, o presidente do PJ, Salomão Muchanga, disse que “a juventude está acordada e vai exigir os seus direitos, principalmente nas áreas que são as mais problemáticas. Todas as promessas que foram feitas devem ser cumpridas pelo governo eleito’’, disse Muchanga.
Esta discussão aparece numa altura em que o PJ diz empreender esforços para que as condições de jovens melhorem, pois segundo ele, as condições desta camada estão aquém do desejável.

JOVENS DEVEM SER EXIGENTES

No encontro, o académico e pesquisador, João Pereira, sublinhou que juventude deve ser mais ousada e insurreta na exigência dos seus direitos aos governantes, pois “o governo é instituído para servir os interesses da maioria e não para gerar mordomias e gastos desnecessários’’. O mesmo avançou ainda que o que mais o espanta são os custos que o Estado gasta para manter a elite política. Assim, para Pereira, o governo devia reformular a sua super estrutura, de modo a criar uma política positiva, criando assim condições para um dinamismo económico.
“Os custos que o estado faz com a eleite política são estonteantes, pois não é justificável para um país como o nosso, um ministério ter, por exemplo, seis assessores’’, disse Pereira, para mais tarde acrescentar que “ é preciso que se olhe como é que o governo usa os fundos externos para libertar-se da condição de pedinte. Deve usar esses fundos não para continuar a depender, mas para tornar-se livre’’.

DESAFIOS PARA 2010

Em relação ao próximo ano, o PJ definiu as áreas que as considerou prioritárias para o desenvolvimento do país, sobretudo a Educação, Habitação, Saúde, e Desenvolvimento Rural.