quinta-feira, setembro 14, 2023

Central African Republic: President Touadéra meets Macron in France

French President Emmanuel Macron receives his Central African counterpart Faustin-Archange Touadéra on Wednesday against a backdrop of relaunching bilateral relations after years of tension due to the rise of the Russian Wagner militia in this country.

https://www.africanews.com/2023/09/13/central-african-republic-president-touadera-meets-macron-in-france/

quarta-feira, agosto 09, 2023

Zambézia: Tribunal do distrito de Morrumbala condena 40 professores por ilícitos eleitorais

Quarenta professores foram condenados por se terem recenseado no perímetro do município de Morrumbala apesar de residirem fora. Os professores faziam parte das listas de prioridade da Frelimo dadas às brigadas de recenseamento.

Além disso, o tribunal condenou três supervisores de brigadas por registarem indevidamente os professores. Em Mopeia, uma cidadã foi condenada por se ter registado em Morrumbala. A juíza do Tribunal Judicial do Distrito de Morrumbala, Soraia Ibrahimo, condenou todos os envolvidos nos ilícitos à penas que variam de três a cinco meses de prisão. As penas foram convertidas em multas correspondentes a três e cinco salários mínimos.

quinta-feira, maio 25, 2023

Public servants in Namacurra denounce the collection of identity cards for Quelimane

Some public servants in Namacurra, in Zambézia, accuse the Frelimo Party of obliging them to hand over their identity cards to be taken to Quelimane. The purpose of taking the documents is not known, but it is suspected that these people will be registered as voters in Quelimane.

In Alto Molócuè, our correspondents are reporting cases of members of the Frelimo Party stepping up the collection of voter cards in the neighbourhoods.

Fonte: Mozambique Elections 82, 83 and 85 - 24 May 2023

domingo, maio 21, 2023

Críticos acusam oposição moçambicana de desorganização

 "A oposição pode-se criticar, tem as suas limitações, tem a sua culpa, mas não tenhamos amnésia: lembremo-nos das contestações, das mortes que têm acontecido em virtude de a oposição reivindicar que esses processos sejam genuínos", sublinha.

O académico lembra que quando a oposição reivindica irregularidades, sobretudo nos pleitos eleitorais, a FRELIMO usa a força do Estado para intimidar, perseguir e matar os opositores.


sexta-feira, maio 19, 2023

“O cerco está fechado” e “o inimigo está aflito”

“CIP Eleições” revela o esquema para excluir eleitores da oposição na Beira para beneficiar a Frelimo

A coordenação é feita no grupo do Watsaap denominado “STAE Supervisor Beira”, administrado pelo director distrital do STAE da Beira, Nelson Carlos do Rosário, cuja queixa-crime o MDM já deu entrada na Procuradoria Provincial de Sofala. Nas mensagens trocadas entre os elementos do grupo percebese que a morosidade no atendimento, algumas avarias de máquinas, a rejeição de testemunhas e de outros documentos oficiais, como a cédula ou declarações de bairros, são propositadas e fazem parte do esquema para cansar o eleitorado da oposição e beneficiar a Frelimo. É um filme com episódios grotescos.

O grupo de Watsaap foi criado pelo director distrital justamente no dia em que iniciou o recenseamento eleitoral (20 de Abril), mas só começou a adicionar os supervisores a partir do dia 24 de Abril.

A primeira medida de bloqueio aos eleitores da oposição foi tomada às 13.46 horas do dia 25 de Abril, quando o director distrital do STAE orientou aos supervisores para rejeitarem as reclamações dos fiscais da oposição. “Não assinem nem aceitem as reclamações dos fiscais, não podemos facilitar.” A orientação do director foi mesmo para dificultar, o máximo possível, o recenseamento dos que apelidam de “inimigo”. “A missão”, segundo Nelson Carlos do Rosário “é abater o inimigo”. O inimigo é o eleitor da oposição.

“Bater forte no inimigo foram as palavras do nosso chefe, estado-maior. Hoje estamos a aplicar”- comenta o supervisor Nhanombe TF, que propõe aos colegas que usem o esquema que ele já vem utilizando para bloquear aos que ele chama de “macacos”: “Para mim (é preciso?) reconhecer cédula, cartão de eleitor de todos os camaradas com confirmação de um dos fiscais da FRELIMO e dos membros da brigada. Dos macacos (oposição) um e outro, para não bandeirar, aceita, mas a maioria Para subscrever a edição em Inglês https://cipeleicoes.org/eng/ e a versão em português https://www.cipeleicoes.org/ Eleições 2023-2024 - Boletim Sobre o Processo Político em Moçambique 78 – 17 de Maio de 2023 2 não.” Ou seja, a sugestão de Nhanombe (o nome dele é Gito Tomás Nhanombe) é no sentido de os brigadistas apenas reconhecerem e receberem documentos provenientes da Frelimo e recusar os que são apresentados pelos eleitores da oposição. Aliás, aos membros e eleitores da oposição apenas se deve aceitar um e outro para não criar condições de espaço para contestação e tumultos.

Um dos supervisores adoptou um sistema só seu de bloqueio. O sistema consiste em exigir mais documentos aos eleitores do seu posto de recenseamento, localizado na zona Industrial. “Tenho até exigido cartão de trabalho para quem diz estar a trabalhar no Porto ou CFM” - congratula-se pela estratégia e afirma com orgulho: “O cerco está apertado” para oposição. A Gizela Patrício compara o método de bloqueio que usa às interrogações do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC): “No meu posto a entrevista fica a parecer que trabalhamos no SERNIC”.

Uma outra mensagem, escrita pela supervisora Linete Ucama, dirigida ao director do STAE e aos colegas, refere que apareceram no seu posto de recenseamento, “os ditos chefes de postos do MDM Manga sem crachás” a procura de “três formados do INE que já iam ao internato. Andaram com eles até no portão”. De seguida, acrescenta, “perguntaram: quem vos mandou recensear”, “se não apareceu um carro com jovens de Buzi” e se os jovens estavam hospedados no internato local. Nessa altura, vinha “um fiscal nosso (Frelimo). Ligou para o comandante e assim estão detidos”. Não está claro se os detidos são os chefes de postos ou os jovens.

A resposta do director distrital do STAE foi: “Bem feito. Família, estamos de parabéns, o inimigo está aflito, mas precisamos de continuar atacando” - e dá uma orientação: “aceitem testemunhas e cédulas só se for para nos beneficiar, caso contrário, não”.

Um outro interveniente alerta aos colegas para que estejam “sempre atentos e alinhados”, porque esta “é a nossa vez”. João Ernesto, outro membro do grupo, aprova a ideia e aplaude: “Isssoooo mesmo... Vamos a isso…na guerra não se atira rebuçados…pulga arranca-se e sangra. Vamos extrair matequenha. Agora somos nós…a força da mudança”.

Numa das mensagens, a supervisora Gizela Patrício manifesta preocupação por ter havido o recenseamento de um número considerável de eleitores num dos postos e desabafa: “Espero que que pelo menos 90% sejam nossos cdas (camaradas), que se recensearam, se for o contrário estamos lixados”.

Os supervisores e os respectivos directores chegam a celebrar os bloqueios que fazem aos potenciais eleitores da oposição. Um dos supervisores orgulha-se de ter devolvido cédula de um dos eleitores. Paulino Tato Luís comunica ao Director Distrital do STAE que “Quero mandar prender o secretário do 1º bairro Macuti. Está sempre a sondar o meu posto”. Em resposta, Nelson Carlos de Rosário autoriza: “Faça isso chefe”.

https://www.cipeleicoes.org/wp-content/uploads/2023/05/Boletim-das-eleicoes-78.pdf  


quinta-feira, maio 18, 2023

Reino Unido e Suécia injectam mais de MZN 192 milhões para energias renováveis em Moçambique

 Governos do Reino Unido e da Suécia assinaram, hoje, um acordo para injectar 2,4 milhões de libras, o equivalente a mais de 192 milhões de Meticais, ao programa de energias renováveis em Moçambique, que está em curso desde 2019 e tem o fim previsto para 2024, abrangendo 1,9 milhões de pessoas.

O acesso à energia eléctrica ainda não atingiu 50% da população moçambicana e a meta do Governo é levar energia a toda população até 2030. E as energias renováveis são uma das apostas para o alcance dessa meta, por isso, esta quarta-feira, os representantes dos governos do Reino Unido e da Suécia em Moçambique assinaram, em Maputo, um acordo para adicionar mais dinheiro ao programa “Brilho”, em implementação desde 2019 em todo país. 

 https://opais.co.mz/reino-unido-e-suecia-injectam-mais-de-mzn-192-milhoes-para-energias-renovaveis-em-mocambique/

sexta-feira, maio 12, 2023

Quando havia ética - Temos algo para RESGATAR, compatriotas.

Antes da introdução do sistema nacional de educação, todas as classes do então ensino primário faziam exames nacionais em cada fim do ano lectivo. Os exames eram elaborados em Maputo e bem selados a cera, eram enviados para todas as províncias e as províncias enviam-nos aos distritos e os distritos nas mãos dos júri indicados ou dos directores chegavam nas escolas. Os júris eram compostos por um presidente e dois vogais.

Os membros dos júris eram movimentados duma escola para outra. No caso dos exames da terceira e quarta-classes, os professores que compunham os júris eram normalmente de outros postos administrativos e quanto mais perto, vinham de outras ZIPs.
Na hora do início dos exames, o júri ia à frente dos alunos com o envelope, levantava-o mostrando-o a todos e muito mais aos alunos que o envelope mantinha-se selado a cera. Se não fosse um dos vogais, muitas vezes, chamava-se a um dos alunos para abri-lo. Depois é que se seguia à distribuição dos mesmos.
Nota: 1) O mais interessante, é que naquela altura, mesmo sem meios de transporte, os exames chegavam à hora a quase todas escolas.
2) Raramente se relatavam problemas de violação dos envelopes ou fraudes. Violação dos envelopes e fraude eram um ESCÂNDALO e tomavam-se medidas rigorosas, independentemente de quem o cometeu.
3) Na altura, até posso dizer que não havia compaixão com quem fosse fraudulento. A título de exemplo, em 1981, o então director da Escola Primária de Netia-Sede, distrito de Monapo, por sinal meu colega e amigo, violou os exames da quarta-classe e deu as soluções/correccões ao seu sobrinho que vivia com ele. Ele pessoalmente, havia sido destacado para examinar no Itoculo-Sede, minha escola na altura. Durante os exames, o sobrinho do director fazia-nos rapidamente e na correcção, era 100% igual às soluções. Nisto os examinadores desconfiaram e tinha que questioná-lo ao que confirmou que havia estudado antes as soluções. Informada a direcção distrital, a polícia foi deter o então, director da escola que nunca mais voltou a ser professor.
4) Fora disto, tenho mais um exemplo de um colega da sexta-classe na Escola Secundária de Nacala, por sinal também meu amigo, que vivendo com o nosso professor de português, seu primo, trocara a sua prova com 100% da proposta de correcção do professor. O professor anunciou publicamente a medida que a nota dele naquela prova era igual a ZERO e isso implicava a uma reprovação e repetição da classe.
TEMOS ALGO PARA RESGATAR.
Feliz sexta-feira.

sexta-feira, maio 05, 2023

O milho e um provérbio macua

Interprete este provérbio macua. 

Hiyo na palixi, onthumeliya etala: nós somos como a farinha de milho que só se compra no tempo de fome.

sábado, abril 29, 2023

Eleição indirecta e as amarras partidárias vs a liberdade dos candidatos

Do SAVANA de 22.04.2023 lê-se que a tentativa de se introduzir eleição presidencial por cabeça de lista, ora recusada pela CRED para seu material de reflexão, há sectores jurídicos-legais que sugerem o modelo angolano e sul-africano, para uniformização do presidente do município e do governador.
Sobre a sugestão desses sectores jurídicos-legais, questiono-me se fizeram algum ESTUDO que prova a satisfação da maioria pelo modelo da eleição indirecta de edis e governadores. DUVIDO.
Tanto quanto tenho lido ou ouvido (nos chapas, nas ruas) é que a eleição por cabeça de lista é um às AMARRAS PARTIDÁRIAS e no nosso caso, onde tudo é partidarizado, viola os princípios de estado de direito democrático. Só para dar um exemplo, Samito aka Samora Machel Jr, da Frelimo, foi chamado ao partido Frelimo para responder por ter se candidatado num outro partido.
O caso do Samito, prova que o modelo de cabeça de lista, num país como o nosso, só vale para amarras partidárias, o que na minha opinião, é perigoso para o país porque pode ser um factor de conflito.
O nosso modelo actual tem vantagens porque permite CANDIDATURAS INDEPENDENTES e parece-me que estamos mais preparados hoje que em 1994 ou 1999.

Nota: 1) Essas brincadeiras, os supostos sectores jurídicos-legais, só anunciam que mudança em Mocambique só será possível com um golpe militar.
2) Tarde ou cedo e enquanto não se evitar, haverá golpe de estado em Mocambique. Isso será por culpa da forca política que governa, a mesma que não sabe que o lugar dos militares é o quartel.


segunda-feira, março 20, 2023

Sobre os Cancelamentos - Mr Brown

Não se cancela apenas por não ter-se ido ao velório, mas por se ser cúmplice do sistema de opressão, exclusão, exploração e todo o mal que o Azagaia denunciava e por isso constituir a razão de marginalizá-lo.

Negue-se ou não, os excluídos conhecem os seus heróis.
Do meu ponto de vista, o cancelamento DEVE estar a estender-se aos familiares e amigos cúmplices que têm se exibido ao lado dos opressores. Quando estou em Mocambique tenho estado muito atencioso nos chapas, nas ruas, nos mercados, revistando o Diário de um Sociólogo, o Carlos Serra.

quarta-feira, fevereiro 08, 2023

Nyusi promete estrada em Memba

A construção das estradas Memba-Alua (85 quilómetros) e Memba- Nacala Velha (57 quilómetros) figura no topo das prioridades do candidato presidencial da Frelimo, Filipe Nyusi, para o distrito de Memba,  em Nampula.

Filipe Myusi escalou esta manhã os distritos da Ilha de Moçambique e Memba. Foi neste último que assegurou a construção de estradas e pontes como forma de facilitar a circulação de pessoas e bens.

Actualmente para se chegar a Memba, a partir da capital provincial, existem duas entradas – Nacala-a-Velha e Alua, no distrito de Eráti, na  Estrada Nacional Número 1. No entanto, estas rodovias sofrem interrupções no tempo chuvoso, o que dificulta a vida da população.

Filipe Nyusi prometeu melhorar as vias de acesso caso saia vitorioso nas eleições 15 de Outubro.

Depois de Memba Filipe Nyusi rumou para o vizinho distrito de Chiúri, na província de Cabo Delgado.


Fonte: Jornal Domingo, 09.10.2019

sábado, janeiro 28, 2023

Debater I

Pode ser que antes eu sabia debater com os amigos, mas já que não era de forma organizada e muito menos numa reunião com moderador, prefiro chamar de discutir. Debater na verdade aprendi no centro de formação de professores primários de Momola, em 1978 e agradeço muito por ter tido aquela oportunidade. Ali e pelo menos naqueles primeiros cursos forjava-se o homem para saber construir opinião e argumento.

Tínhamos frequentemente reunões de grupos, de turma e gerais. Discutíamos casos de violação de regulamento tanto pelos alunos (instuendos) como pelos formadores (instrutores) de forma aberta em reuniões gerais, quando fosse necessário. Havia vezes que esse tipo de reunião começava às 19:00 ou 20:00 horas, se bem que me recordo, para termirar às 7:00 do dia seguinte, altura que Isaias Mahache, o director (responsável político) dizia com o seu sotaque: “No meu “lerógio” são sete holas”.

O mais interessante é que as nossas particularidades, os nossos espíritos, se notabilizavam nesse processo de formação de um professor novo, em particular e de um cidadão, em geral. Havia alunos e muitos que aprendiam e aperfeiçoavam o sentido crítico, havia os que pareciam indiferentes ou com receio de manifestar as suas opiniões sobre alguns assuntos, havia os chamados reguilas ou indisciplinados e por último, outros em número muito pequeno, mas muito visíveis e barulhentos que tudo que diziam estava bem estudado para agradar à direcção do centro. Estes últimos são do tipo que hoje em dia chamamos de bajuladores, embora esta palavra não seja nova. O mais notável bajulador, era o J.P., um que falava tipo o Mafundisse da RM e nós sabiamos o que ia dizer sempre que levantasse, daí que se gritava “Lééénine”. Se ele pensava que era elogio porque estava à altura do político Vladimir Lénine, para nós era o mesmo que dizer: bajulador, lambebota. Já que nunca havia relação de proximidade entre os instrutores e instruendos, os primeiros deviam ter pensado que viamos o J.P., como um cidadão politicamente formado ou maduro.

Havia um outro, J.T. que quando fosse sobre alguma violação do regulamento propunha medidas severas como a de cavar trincheira. As violações mais notáveis eram de ir à população e comprar mandioca e ou amendoim para comer, colher laranja ou mesmo abandonar (fugir) o curso ou namorar. Namorar era raro porque praticamente não havia oportunidade. Quem fugisse do curso devia evitar de ser visto na cidade de Nampula para não ser recolhido ao centro com ajuda da polícia. Uma vez, trouxeram de volta, um colega que por sinal era do grupo de Nacala, o meu. Na reunião de apresentação do fugista, J.T. sugeriu as medidas muito severas como de rapar-lhe o cabelo, tendo em conta que naquela altura era estranho ver alguém com cabeça rapada, e, cavar trincheira. Uma semana depois, era o próprio J.T. a fugir para sempre.

Os reguilas, faziam tudo por tudo para serem expulsos do centro de formação, mas era a coisa impossível naquele tempo. No lugar de expulso era ser reprovado por indisciplina e obrigado a repetir o ano. Os, mais notáveis eram o P.T. e T. o T. até negou de dar aulas na escola anexa. P.T. que havia repetido o ano por insdiciplina era muito alegre para com os colegas, mas sempre dava respostas secas aos instrudores.

sábado, setembro 03, 2022

O lugar dos países africanos sob olhar de Prince Mashele

 Prince Mashele, do THE SOWETAN TIMES, escreveu sobre o pós-apartheid da África do Sul e faz a seguinte pergunta: O que podemos fazer a respeito?

“Em meio à confusão política que tomou conta de nosso país, muitas pessoas se perguntam se chegamos ao fim da África do Sul.
A resposta é simples: a coisa chamada "fim" não existe, não em relação a um país. SA estará lá muito depois que Jacob Zuma se for.
O que Zuma fez foi fazer-nos perceber que o nosso é apenas mais um país africano, não um país excepcional no extremo sul do continente africano.
Durante a presidência de Nelson Mandela e Thabo Mbeki, alguns de nós acreditavam que os negros da África do Sul são melhores do que os de outros países africanos.
Devemos todos agradecer a Zuma por revelar nosso verdadeiro caráter africano; que a ideia de Estado de Direito não faz parte de quem somos, e que o constitucionalismo é um conceito muito à frente de nós como povo.
De que outra forma podemos explicar os milhares de pessoas que se aglomeram nos estádios para bater palmas por um presidente que violou a constituição de seu país? Essas pessoas não têm ideia do constitucionalismo.
Agora que recuperamos nosso lugar como outro país africano, devemos refletir sobre e chegar a um acordo com nosso caráter real e imaginar o que nosso futuro pressagia.
Em um país africano típico, as pessoas comuns não esperam muito dos políticos, porque as pessoas se cansam de repetidas promessas vazias.
Em um país africano típico, as pessoas não têm ilusões sobre a unidade da moralidade e da governança. As pessoas sabem que aqueles que têm poder, o têm para si mesmas e para seus amigos e familiares.
A ideia de que o Estado é um instrumento para o desenvolvimento das pessoas, é um conceito ocidental, e tem sido copiado por bolsos de países asiáticos.
Os africanos e seus líderes não gostam de copiar do Ocidente. Eles estão felizes em permanecer africanos e fazer as coisas "do jeito africano".
O modo africano é governado por reis, chefes e indunas, em um ambiente de regras não escritas. Alguém já viu um livro de leis consuetudinárias africanas?
A ideia de que um plebeu possa levantar questões sobre o dinheiro público gasto na residência de um rei não é africana. Os parlamentares do ANC que têm defendido Zuma são verdadeiros africanos.
Pedir a um governante para ser responsável é uma ideia estrangeira - ocidental. Em uma situação em que há conflito entre um governante e as leis, os africanos simplesmente mudam as leis para proteger o governante. É por isso que nenhuma pessoa branca pediu que o rei Dalindyebo fosse libertado da prisão.
O problema com os negros espertos é que eles pensam que vivem na Europa, onde as ideias de democracia foram refinadas ao longo dos séculos.
O que precisamos fazer é voltar à realidade e aceitar que o nosso é um típico país africano. Esse retorno à realidade nos dará um uma ideia bastante boa de como será o futuro do SA .
Este país não se parecerá com a Dinamarca. Pode ser parecido com a Nigéria, onde os cruzados anticorrupção são uma raridade. Por ser um país africano, o nosso não se parecerá com a Alemanha. A África do Sul pode parecer o Quênia, onde o tribalismo impulsiona a política.
As pessoas não devem alimentar a ilusão de que chegará o dia em que a África do Sul se parecerá com os EUA. Nosso futuro está mais do lado do Zimbábue, onde um governante é mais poderoso do que o resto da população. Mesmo que Julius Malema se tornasse presidente, ainda seria o mesmo.
Os líderes africanos não gostam da ideia de uma população instruída, pois pessoas inteligentes são difíceis de governar. Mandela e Mbeki eram eles próprios corrompidos pela educação ocidental. (Admissão: este colunista também é corrompido por tal educação.)
Zuma continua africano. Sua mentalidade está de acordo com Boko Haram. Ele desconfia de pessoas educadas; o que ele chama de "negros espertos". Lembre-se de que Boko Haram significa "Contra a educação ocidental".
As pessoas que pensam que chegamos ao fim da SA, não percebem que realmente chegamos ao início de um verdadeiro país africano, longe das ilusões ocidentais de excepcionalismo. Aqueles que estão incomodados com esse verdadeiro personagem africano precisam de ajuda. O melhor que podemos fazer por eles é pedir-lhes que olhem para o norte do rio Limpopo, para aprender mais sobre governança na África.
O que inquieta a maioria das pessoas quanto ao futuro da África do Sul é que elas têm em mente os modelos ocidentais, esquecendo que o nosso é um país africano.
A ideia de que um presidente pode renunciar simplesmente porque um tribunal proferiu uma sentença adversa é ocidental. Apenas o primeiro-ministro da Islândia faz isso. Os governantes africanos nunca farão isso.
Analisada cuidadosamente, a noção de SA chegando ao "fim" é uma expressão de um sistema de valores ocidental - de responsabilidade, moralidade política, razão e assim por diante.
Todas essas são ideias elevadas de Sócrates, Kant, Hegel e assim por diante. Eles não são africanos.
Todos nós devemos agradecer a Jacob Zuma por nos apresentar a verdadeira República Africana da África do Sul, não algum posto avançado de valores europeus. "

sexta-feira, agosto 26, 2022

Reflectindo sobre eleicões livres, justas e transparentes em África

No caso de Angola

Meus caros compatriotas, caros africanos (pretos, brancos, amarelos, claros, escuros - ser africano não é por cor da pele), custa-nos com A e B dizer que um processo eleitoral decorre de forma livre, justa e transparente ou não?

Ora, os resultados de votos depositados nas eleicões de Angola PODEM ter aproximado à realidade. Mas elas foram mesmo livres, justas e transparentes? Para apurarmos a isso, precisamos primeiro definir claramente os três conceitos.
Digo aqui que dói-me muito ler posts ou comentários miseráveis de alguns ditos estudados (académicos) que daqueles analfabetos que escuto nos chapas ou nas aldeias recônditas. Mas também percebo do porquê os tais estudados, mesmo que amigos, evitam-me quando estou em Mocambique. EU CRITICO o que é mau severa e rigorosamente.
Liberdade, Justeza e Transparência em eleicões não significa determinar com antecedência quem ganha ou não, mas que o resultado reflicta nos três conceitos. A prior em África, muitos partidos no poder banem pública e impunemente os três conceitos até na hora de eleições. Repito, os partidos no poder banem a liberdade, justeza e transparência até na hora de depósito dos votos. Nessa altura, já lá estão os ditos observadores internacionais. Na verdade, até aquela hora, a maior fraude já foi consumada, incluindo a não credênciacão de observadores nacionais que lutam pela transparência. Infelizmente, pela facilidade que esses internacionais tiveram e por não saberem do que se passa com os nacionais, VÃO aos microfones, declarando que as eleições foram livres, justas e transparentes.
Nota: Como sempre, fiz a primeira correccão do texto.

segunda-feira, agosto 15, 2022

Putin oferece armas aos aliados para garantir a paz "em mundo multipolar"

 O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ofereceu nesta segunda-feira a seus aliados na América Latina, Ásia e África armas modernas para garantir a paz e a segurança em um mundo multipolar.

"A Rússia está pronta para oferecer a seus aliados e parceiros o armamento mais moderno, de armas de fogo a veículos blindados, artilharia, aviação militar e drones de assalto", disse Putin na abertura do fórum militar "Armia-2022" nos arredores de Moscou.

https://www.efe.com/efe/brasil/destacada/putin-oferece-armas-aos-aliados-para-garantir-a-paz-em-mundo-multipolar/50000238-4867341

Por que a eleição de Chakwera no Malawi provocou euforia em Moçambique? (Repeticão)

 Após vitória da oposição no país vizinho, moçambicanos veem cidadãos malawianos como heróis. “O Exército e a justiça malawiana mostraram estarem ao serviço do Estado e não de um partido”, opina entrevistado. 

https://www.dw.com/pt-002/por-que-a-elei%C3%A7%C3%A3o-de-chakwera-no-malawi-provocou-euforia-em-mo%C3%A7ambique/a-54009740