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segunda-feira, junho 22, 2015

COMO AS PPP SÃO USADAS PARA BENEFICIAR AS ELITES E PREJUDICAR O ESTADO

As Parcerias Público-Privadas (PPP) são modelo de investimento cada vez mais usado no mundo para a prossecução do bem público, através da participação de capitais privados na provisão de bens, serviços e infra-estruturas públicos. Em Moçambique, a prática demonstra que as PPP são área preferencial usada pela elite política e pela burocracia do Estado para a promoção de negócios privados em detrimento do interesse público. O presente documento apresenta resultados de um estudo em torno de uma PPP, estudo que revela como esta foi e está a ser usada pela elite governante para benefício próprio, violando a lei e ignorando os interesses da colectividade. Trata-se da Concessão à Whasintelec, para a produção e distribuição de chapas de matrícula de veículos automóveis e de reboque. A empresa concessionária é participada por Armando Guebuza, Graça Machel, entre outras figuras da elite política nacional. Ler mais

terça-feira, agosto 04, 2009

“Somos ladrões porque estamos vivos?”

Alberto Chipande diz não haver mal nenhum em os dirigentes da Frelimo acumularem riqueza

O veterano da luta de libertação nacional e membro da Comissão Política da Frelimo, Alberto Chipande, lançou um violen­to ataque a alguns círculos de opinião que acusam dirigentes do partido Frelimo de enrique­cerem à custa do povo moçam­bicano.

Chipande, que falava à mar­gem da cerimónia de apresen­tação do novo corpo directivo do Corredor do Desenvolvi­mento do Norte, no qual assu­me à presidência da mesa da assembleia-geral, defendeu o direito de riqueza aos altos di­rigentes do seu partido.

“Hoje existe uma tendência de se dizer que todos os dirigen­tes da Frelimo são ricos. Eu per­gunto: ricos de quê e em quê?”, disse para em seguida respon­der à sua própria pergunta: “e se for rico (o dirigente da Fre­limo) qual é o mal? Afinal de contas não foram os mesmos que trouxeram à independên­cia que vocês estão a usufruir?”, questionou Alberto Chipande, perante uma considerável pla­teia composta, maioritariamen­te, por jornalistas.

“Somos ladrões porque estamos vivos?”

Prosseguindo com a explana­ção em prol da acumulação de riqueza, Chipande lançou críti­cas contra aqueles (a imprensa incluída) que, na sua opinião, denigrem a imagem dos diri­gentes da Frelimo e do governo suportado por este partido polí­tico, no poder há mais de trinta anos.

“Denigrem a imagem (dos dirigentes), chamam ladrões e corruptos(...). Estes homens (os dirigentes da Frelimo) não mudaram nada. São os mesmos desde há 40 anos (altura em que a Frelimo foi fundada)”, disse para, depois, acrescentar que “se Mondlane e Machel fos­sem vivos, seriam também acu­sados de serem ladrões. Somos ladrões porque estamos vivos?”, indagou Alberto Chipande com ar de bastante irritação.

“Não se é capitalista sem capital”

Num outro desenvolvimen­to, aquele veterano da luta de libertação nacional voltou a defender a rectidão da linha político-económica levada a cabo pela Frelimo, logo após a proclamação da independên­cia nacional. Para Chipande, a escolha do socialismo era uma questão lógica pois, na sua vi­são, não percebe como é que se poderia ser “capitalista sem capital”. Mais: Chipande de­fendeu a nobreza dos ideais so­cialistas, dando como exemplo a necessidade dos corredores (incluindo o do norte onde é accionista) estarem ao serviço de Moçambique e dos moçam­bicanos. “O corredor vai conti­nuar socialista para beneficiar o povo e não para um punhado de gente. Queremos capital so­cialista e não capitalista. A nos­sa política continua a mesma de há 40 anos”, vincou o velho general.

Fonte: O País online

terça-feira, julho 14, 2009

Moeletsi Mbeki: TEMOS RICOS SIM, NÃO BURGUESES NEM CAPITALISTAS!

- Quais são as limitações do colonialismo?
- O colonialismo não criou economias industriais. Mas os nacionalistas africanos destruiram a pouca indústria que havia. Repare para o Zimbabwe, a Zâmbia e a República Democrática do Congo. Quando o Zimbabwe tornou-se independente tinha uma indústria razoavelmente próspera. Hoje, o sector industrial colapsou.

- Mas o choque ao sistema zimbabweano não foi primeiramente sentido nos finais dos anos 80 porque o Governo de Robert Mugabe estava a expandir uma infra-estrutura originalmente concebida para servir umas poucas centenas de milhares de brancos?
- Não haveria choque se tivesse havido outros investimentos. Que hospitais foram construídos em Harare desde a independência em 1980? Nenhum. O Parirenyatwa [principal hospital de referência do país] já estava lá antes de 1980; O Hospital de Harare foi construído antes de 1980; A Clínica das Avenidas foi construída pelo sector privado. Não houve novos hospitais construídos mais esperava-se que mais pessoas usassem essas instalações. Houve apenas consumo, ao invés de investimento.

- Frantz Fanon manifestou-se contra a improdutiva burguesia dos países recém independentes.
- Mas estes nacionalistas não são burgueses. Eles não têm capital como um burguês típico. Eles não criam riqueza; eles são uma elite parasitária que vive de activos pré-existentes que eles não criaram. Acontece o mesmo com os magnatas do BEE na África do Sul. Eles vivem dos activos que lhes foram atribuídos por empresas existentes. Eles não são burgueses; sim, eles são ricos mas não capitalistas!

Fonte: Texto do Savana retirado do Moçambique para todos

segunda-feira, julho 13, 2009

Moeletsi Mbeki: Há uma contradição no centro do nacionalismo

Há uma contradição no centro do nacionalismo. O Nacionalismo estabelece-se para derrotar seu identificado inimigo. Mas ele vê o modo de vida do seu inimigo como seu modelo. Esta é a contradição do nacionalismo. O nacionalismo Afrikaner odiava o imperialismo Britânico. O que foi que fez? Acabou moldando-se à imagem do imperialismo Britânico. Da mesma maneira, o ANC viu o nacionalismo Afrikaner como seu inimigo. Mas que fez o ANC? Compete, através do black economic empowerment, com o capital branco. Repare nas diferenças esmagadoras de salário entre os dirigentes do ANC no Governo e as massas. Na África do Sul, agora, temos uma profunda desigualdade entre Africanos. Isto é por causa da tentativa de nacionalistas negros de viver como o inimigo. Ao imitarem seu inimigo, eles herdam as contradições do sistema social de que eles tomam conta.

Fonte: Mocambique para todos