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quinta-feira, janeiro 02, 2014

Arquitectos da Pobreza", de Moeletsi Mbeki

O Vice-presidente do Instituto Sul Africano para as Relações Internacionais (SAIIA), Moeletsi Mbeki, lançou na tarde de Quarta-feira, no Instituto Real Para Assuntos Internacionais, Chatham House, o livro “Arquitectos da pobreza”. Porque o capitalismo africano deve mudar’. Mbeki, que é também irmão do ex-presidente sul-africano, Thabo Mbeki, usa o caso da Africa do Sul e do Zimbabwe, onde viveu durante o exílio, para discutir e ilustrar, as razões que levam a que alguns países africanos se desenvolvam, ao mesmo tempo que outros se ‘sub-desenvolvem’.

quarta-feira, setembro 07, 2011

IRMAO DE MBEKI APELA A OPOSICAO PARA ABANDONAR ‘AGENDA OBSCURA’

JOANESBURGO, 06 SET (AIM) – O analista sul-africano, Moeletsi Mbeki, irmão do antigo Presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, apelou, hoje, a Aliança Democrática (DA), o principal partido da oposição, para abandonar a sua agenda obscura e engajar-se no debate sobre a vida política no país.
Mbeki fez o apelo à margem duma conferência alusiva ao crescente apoio da DA nas eleições municipais e melhorias de serviços em áreas onde governa.

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Entre ajudar o Povo Moçambicano e financiar a corrupção

Editorial do Canal de Mocambique (24.12.2009)

Força G-19 !

Maputo (Canalmoz) - Andam determinados compatriotas, e, ao que parece, muitos são, nervosos com o G-19, porque, ao que consta, estes estão a querer deixar, finalmente, de serem cúmplices da roubalheira, da gatunagem, do compadrio, do nepotismo, da incompetência, da incapacidade, do etc., etc., etc. e…e… “etecetera”. De facto, em tempo de festas de Família, falarmos de “pais natal” e “meninos amuados” é coisa que não calha bem neste “presépio” de fim d’ano. Contudo, a escassez nas mesas da esmagadora maioria dos moçambicanos, obriga-nos a falar, um pouco, disso mesmo: dos produtos que não vai haver na maior parte das casas e do (des)governo que, agora, está a deixar as mazelas à mostra.
Vivemos num Estado em que, por definição corrente, se convencionou que vigora uma Economia de Mercado, isto é, um Estado em que se respeita a lei da oferta e da procura. E quando assim é, o normal é, precisamente que, quando a oferta é menor do que a procura, os preços aumentam. Já quando a oferta é maior do que a procura, os preços diminuem.
Se, agora, estamos em tempo de grande procura e não há oferta que chegue, é óbvio que os preços aumentem.
Todos os anos, isto acontece: há grande procura, há pouca oferta – logo, os preços aumentam.
A solução não é um ministro ou um director provincial, ou distrital, aparecerem a dizer ao público que o governo vai reprimir os especuladores. Quem vive do comércio, nestas circunstâncias, é óbvio que vai tentar ganhar o que não ganha noutras épocas do ano. O consumidor é que sai prejudicado, mas a culpa não é dos comerciantes. Esta é, no nosso modesto entendimento, dos sucessivos governos, por não terem sabido criar políticas adequadas para os diversos sectores produtivos.
Quando um determinado ministro aparece a dizer ao público que o Governo vai punir os especuladores, isto é, vai punir quem, acima do preço corrente, pretende vender uma mercadoria que, num determinado momento, tem uma maior procura, esse ministro só pode estar doido, ou é, de facto, incapaz.
Sobem os preços dos produtos, porque a oferta é inferior à procura. É, simplesmente, disso que se trata. Se um produto escasseia, logo, o pouco que há, fica mais caro.
A pergunta que se deve começar por fazer é: por que razão há escassez de produtos no mercado?
E, depois, devemos, ainda, perguntar a nós mesmos de quem será a responsabilidade por haver falta de produtos no mercado.
Quem tem as terras em seu nome? As terras mais produtivas, entenda-se, de quem são, mesmo?!
Quem nos anda a enganar com PROAGRI’s e “revoluções verdes”?
Quando os preços da batata, da cebola, do arroz, da farinha, do óleo, etc., sobem, é preciso que se comece a perguntar que governo é este que continua a julgar-se o melhor possível, mas, mesmo assim, não consegue que estas coisas, tão simples que são, definitivamente, se produzam no País, depois de quase quarenta anos de independência.
Que estratégias têm seguido os sucessivos governos para, todos os anos, se repetir a falta de produtos essenciais para as festas?
Será que se pode chamar governo a um grupo de pessoas que, todos os anos, aparece com as “calças na mão” a ameaçar os comerciantes, só por estes seguirem a lei da oferta e da procura?
Por que razão o governo não suspende, temporariamente, a cobrança de direitos alfandegários sobre os produtos importados que são essenciais às festas dos moçambicanos?
Temos de pensar bem sobre isto tudo que nos andam a fazer, a tramar, diríamos. O governo subsidiou os combustíveis, para ganhar eleições. Agora, como já tem o poder no papo, não precisa de subsidiar a batata, o arroz, a cebola, a farinha, a carne, o peixe, etc. e - vai daí - toca a fazer crer que a culpa é dos comerciantes.
Nunca ouvimos os governantes virem dizer-nos que vão suspender as mordomias que auferem, para que possa haver dinheiro que permita ao Estado poder subsidiar os produtos essenciais, para que os demais moçambicanos tenham festas minimamente condignas. A culpa é sempre dos outros…
Em dezenas de anos de subsídios à agricultura, continuamos a não ter, nas mesas, o essencial para umas boas festas.
Onde estão os milhões de dólares americanos e de euros que se aplicaram (?) em programas agrários? Não estarão eles em mansões, algures na Sommerschield, nos “four by four”, nos Audis, ou nos Hammers? Não estarão, por acaso, nas comissões? Ou estarão, quem sabe, em casas em Nelspruit? Se não, afinal, onde estão, mesmo?!
Será o governo capaz de dizer aos cidadãos o que já produzimos no País, fruto desses milhões de dólares e de euros?
Depois, admiramo-nos que os “parceiros” estejam zangados. Nós não nos julgamos menos moçambicanos que os outros, mas estamos muito contentes por os parceiros estarem, finalmente, a ser sérios com os seus povos e com o Povo Moçambicano. Está na hora de a ajuda ser bem aplicada.

Fonte: Canalmoz e Canal de Moçambique (24.12.2009)

Reflectindo: 1) são pontos de reflexão e para um debate. Quanto aos subsídios fico preocupado em saber se os verdadeiramente pobres e alegadamente destinários das doacões se beneficiam deles. Imaginemos que se subsdiassem arroz, batata, carne e peixe, será que o pobre camponês de Nacarôa havia de se beneficiar?
2) As ameacas dos governantes à repressão aos "especulantes" são absurdas ainda que eles sabem que nunca as aplicarão porque aconteceu apenas nos meados da década 80 e foi mal sucedido. Samora Machel entendeu logo a essência do problema.
3) Porquê realmente há preocupações quando os doadores tentam compreender a intelectuais africanos como Dambisa Moyo e James Shikwati? Não será que estes compatriotas nervosos queiram manter o tipo do capitalismo africano descrito por Moeletsi Mbeki, sugerindo para uma mudança?
4) concordo definitivamente que Moçambique possa dispensar qualquer doação do G-19, mas discordo que depois se vendam as nossas florestas à China a preço de banana e directamente para os bolsos da nomenklatura ou se ao Estado nunca o cidadão moçambicano terá a possibilidade de controlar. Tenho dito que na China, aos corruptos pode-se aplicar a pena capital. Portanto, se a China não controla o que dá aos governantes africanos não é por mais amizade, mas é por não terem mais interesse ao que despendeu na compra da nossa matéria-prima (madeira, por exemplo). O interesse da China está precisamente nessa materia-prima e se um chinês roubá-la, sujeita-se a uma pena severa. Os países Ocidentais têm feito o mesmo que a China ao longo dos anos, fechando os olhos à gatunagem em África em geral e Moçambique em particular (na construção da almejada burguesia nacional, segundo Marcelo Mosse), mas que nunca a tolerariam e nem alguma vez toleraram nos seus países.
5) Refiro-me dos textos de Rossana Fernando, Gustavo Mavie e Tadeu Phiri que se devem ler com criticamente com auxílio das referências em azul. Temos que deixar de bater palmas ao som de "o papá come cinza, o papá come cinza, o papá como cinza" quando na verdade ele está chupando mel. Alguém se lembra desse texto?

terça-feira, julho 14, 2009

Moeletsi Mbeki: TEMOS RICOS SIM, NÃO BURGUESES NEM CAPITALISTAS!

- Quais são as limitações do colonialismo?
- O colonialismo não criou economias industriais. Mas os nacionalistas africanos destruiram a pouca indústria que havia. Repare para o Zimbabwe, a Zâmbia e a República Democrática do Congo. Quando o Zimbabwe tornou-se independente tinha uma indústria razoavelmente próspera. Hoje, o sector industrial colapsou.

- Mas o choque ao sistema zimbabweano não foi primeiramente sentido nos finais dos anos 80 porque o Governo de Robert Mugabe estava a expandir uma infra-estrutura originalmente concebida para servir umas poucas centenas de milhares de brancos?
- Não haveria choque se tivesse havido outros investimentos. Que hospitais foram construídos em Harare desde a independência em 1980? Nenhum. O Parirenyatwa [principal hospital de referência do país] já estava lá antes de 1980; O Hospital de Harare foi construído antes de 1980; A Clínica das Avenidas foi construída pelo sector privado. Não houve novos hospitais construídos mais esperava-se que mais pessoas usassem essas instalações. Houve apenas consumo, ao invés de investimento.

- Frantz Fanon manifestou-se contra a improdutiva burguesia dos países recém independentes.
- Mas estes nacionalistas não são burgueses. Eles não têm capital como um burguês típico. Eles não criam riqueza; eles são uma elite parasitária que vive de activos pré-existentes que eles não criaram. Acontece o mesmo com os magnatas do BEE na África do Sul. Eles vivem dos activos que lhes foram atribuídos por empresas existentes. Eles não são burgueses; sim, eles são ricos mas não capitalistas!

Fonte: Texto do Savana retirado do Moçambique para todos

segunda-feira, julho 13, 2009

Moeletsi Mbeki: Há uma contradição no centro do nacionalismo

Há uma contradição no centro do nacionalismo. O Nacionalismo estabelece-se para derrotar seu identificado inimigo. Mas ele vê o modo de vida do seu inimigo como seu modelo. Esta é a contradição do nacionalismo. O nacionalismo Afrikaner odiava o imperialismo Britânico. O que foi que fez? Acabou moldando-se à imagem do imperialismo Britânico. Da mesma maneira, o ANC viu o nacionalismo Afrikaner como seu inimigo. Mas que fez o ANC? Compete, através do black economic empowerment, com o capital branco. Repare nas diferenças esmagadoras de salário entre os dirigentes do ANC no Governo e as massas. Na África do Sul, agora, temos uma profunda desigualdade entre Africanos. Isto é por causa da tentativa de nacionalistas negros de viver como o inimigo. Ao imitarem seu inimigo, eles herdam as contradições do sistema social de que eles tomam conta.

Fonte: Mocambique para todos