Por: Michel Cahen
No seu período radical (1975- 1987), a Frelimo, muito
mais que “comunista”, foi um partido de modernização autoritária, que queria
transformar à força o campesinato para criar o homem novo numa nação homogénea
e de língua portuguesa. É de reparar, por exemplo, que as aldeias comunais não
serviam para colectivizar o campo. A produção colectiva nas aldeias comunais
representou aproximadamente 1% da produção total aí registada, e era
principalmente destinada a criar pequenas reservas para poder receber “os camaradas
vindos da Nação” (os dirigentes vindos da capital do país ou das capitais
provinciais). As cooperativas eram de consumo e comercialização e não de
produção, salvo algumas excepções (nas aldeias-modelo que os observadores
estrangeiros visitavam).
