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domingo, janeiro 27, 2013

Um presidente branco em Moçambique?

Por Luís Guevane
A tomada de posse de Obama para um segundo mandato como presidente dos Estado Unidos da América (EUA) espelha, de certo modo, o nível de democracia desenvolvido pelo país.
Fez-me lembrar, para o nosso caso, todo aquele que mesmo não sendo negro alguma vez concorreu para ser presidente da República de Moçambique. Obama pode ter concorrido para a presidência do seu país acompanhado pelo pseudo-problema de ser negro, aqui em Moçambique o entrave, para quem concorre às presidenciais, tem estado no facto de não ser negro.
Mas, será que um dia Moçambique poderá vir a ter um Presidente da República que não seja negro? É uma possibilidade a não descartar.

segunda-feira, outubro 18, 2010

Peças fora do tabuleiro

SACO AZUL

Por Luis Guevane

As escolhas, a quantidade e a frequência de substituições bem como a altura em que as mesmas ocorrerem dependem do PR. Ao público (eleitor) cabe analisar abanando a cabeça afirmativamente ou negativamente mesmo sabendo que tal atitude em nada alterará a decisão tomada. Há plena consciência pública de que há um tabuleiro com as respectivas peças. E, quem manda escolhe as peças que devem dar brilho ao seu tabuleiro mesmo sabendo que só algumas brilharão positivamente.

segunda-feira, setembro 27, 2010

“Primeiro de Setembro de 2010: passe a mensagem, p.f.”

SACO AZUL

Por Luis Guevane

No dia anterior havia recebido uma série de mensagens que no final diziam “passe a mensagem para os outros”. O ponto fundamental era o anúncio de uma greve motivada pela subida de preços dos produtos julgados básicos.

terça-feira, novembro 03, 2009

Certezas de hoje, previsões de

Saco Azul

Por Luís Guevane

Nenhum dos três candidatos à Presidência da República gostaria que a sua vitória fosse produto de uma minoria de votantes. É óbvio! Minoria seria, neste caso, qualquer valor abaixo de 50%, tomando em conta o total do universo de eleitores.
Será que a campanha em curso poderá vir a garantir uma participação acima de 50%?
Esta questão remete-nos a um leque de prováveis respostas que se podem agrupar em “sim”, “não” e “pode ser que sim e pode ser que não”.
A campanha eleitoral está a decorrer, de um modo geral, de forma satisfatória, se assumirmos que os pequenos incidentes que se vão registando (cada vez menos) não têm constituído factor de instabilidade. Está a decorrer conforme algumas previsões.
Por exemplo: era de esperar que o eleitorado da Província de Gaza mantivesse um comportamento menos receptivo à pluralidade partidária. Ou, se preferirmos, menos dado ou menos aberto a mudanças. Isto na essência, porque nesse mesmo eleitorado existem aqueles com atitudes ou convicções contrárias mas que pouco se expõem com receio de serem banalizados no futuro em função de um resultado já cimentado nas suas mentes. Outro pequeno incidente, previsão feita antecipadamente e que se vai confirmando, mas que também não afecta o bom decurso da campanha eleitoral, é o facto de a televisão pública, a nossa TVM, e não só, dar mais destaque e ênfase ao partido no poder e ao seu candidato. Aqui, a regra é simples: se ninguém reclama seguindo os procedimentos previstos, é porque tudo está bem. Será?
No Diário de Campanha não se segue a ordem dos lugares que constam nos boletins de voto. Se assim fosse, quem abriria essas reportagens seria o primeiro da lista, o Sr. Engenheiro Daviz Simango, seguido do Sr. Armando Guebuza e, por último, o Sr. Afonso Dhlakama. O que acontece é que, no Diário de Campanha, por exemplo, na TVM (e não só), o do meio é o primeiro, o último é o segundo e o primeiro é o último! Pode ter havido um sorteio paralelo mas, ao que tudo indica, o eleitorado parece estar a ser preparado para uma determinada ordem. Esta ordem pode ser de preferências, de resultados finais ou, se calhar, não tem a ver com nada! É um menu e quem escolhe é o interessado - o eleitorado.
Agora, se os resultados finais, por exemplo nas eleições presidenciais, seguirem exactamente a ordem que é dada ao consumo do eleitorado antes da votação, é caso para repensar nesse modo de a imprensa (sobretudo a pública) fazer o Diário de Campanha. É que esta situação poderá ter alguma influência negativa ou aumentará o descrédito daquele eleitorado que deve ser resgatado, aquele que tem por hábito não votar por acreditar que o resultado já foi antecipadamente construído e que o acto (de votar) simplesmente serve para legitimar a ordem dos resultados. Estes podem, simplesmente, coincidir ou não, o problema estará na interpretação ou em “falas” muito acatadas como a seguinte: já era previsível, se a televisão já nos mostrava os resultados. Estavam à espera de quê, isto é África!
É preciso fazer de tudo para que a campanha em curso garanta uma participação acima de 50%.
A maneira como a Imprensa pública faz a divulgação da campanha eleitoral deve ser, antes de tudo, a campanha da sua própria isenção, o show da sua própria imparcialidade, a campanha da observância de regras básicas que comandam um órgão público de informação, o show da equidistância da Imprensa pública, o show do descomprometimento, etc. E aqui dirão: este homem esquece-se que isto é África! Mas é exactamente por ser África que temos que mudar, que temos que optar e defendermo-nos pelos princípios universalmente aceites.
Cá entre nós: que todos sonhem com uma vitória retumbante e limpa, sem favorecimento de espécie alguma, verdadeira… é essa vitória que se pretende para que, de facto, respiremos legitimidade! E para terminar, fechar com o seguinte: nenhum dos três candidatos à Presidência da República gostaria que a sua vitória fosse produto de uma minoria de votantes.

Fonte: SAVANA (31.10.2009)

domingo, outubro 11, 2009

Um chumbo, duas correntes

Apesar de o Presidente da CNE afirmar em entrevista ao Centro de Imprensa da TVM, no dia 05 de Outubro do corrente ano, que não sofre nenhuma pressão dos partidos políticos e nem mesmo do Presidente da República, continuam a prevalecer, ao que parece, duas correntes claramente definidas no que diz respeito ao facto de o Conselho Constitucional (CC) ter concordado com a CNE no chumbo das reclamações dos partidos políticos.
Sim, duas correntes: uma virada à defesa do CC e da CNE por terem cumprido escrupulosamente com os ditames da lei e, outra, virada para a explicação do sucedido na base de um fundamento político.
A primeira corrente defende-se de tal maneira que parece dar razão, inconscientemente, aos defensores da segunda linha de análise. Em editorial, o “notícias” do dia 30 de Setembro, inicia com o seguinte: “Parece que subitamente e num acto mágico foi encontrada a malta de irresponsáveis, insensíveis, antidemocráticos, retrógrados, que nunca viu, nem sofreu guerra nenhuma e que sem inteligência, sem escola alguma, colectivamente deseja o conflito a todo o custo e a instabilidade generalizada no país. São eles todos os Juízes Conselheiros do Conselho Constitucional e todos os responsáveis da Comissão Nacional de Eleições e do STAE” por defenderem um Estado de Direito.
Quer dizer, estão a ser sacrificados por aquilo que defendem. Ou o problema está na maneira ou na forma como o fazem? Mais adiante, o mesmo editorial diz: “Mas é, infelizmente, esta mensagem que insistentemente e de forma ardilosa alguns círculos e opinadores residentes em determinados espaços públicos e em chancelarias falaciosamente tentam fazer passar. Não discutem o cerne da questão” que é a lei e os procedimentos e não questões de índole política, ainda segundo o mesmo. Aqui está o problema! Qual é e onde está o cerne da questão?
Se para os defensores da primeira corrente está claro que o cerne é a defesa da lei para a corrente oposta também está claro que o cerne é o aspecto político. Quer dizer: faltou o casamento, será?
Mas, que aspecto político é esse?
Ao que tudo indica, segundo esta corrente, o chumbo acima referido foi um acto doloso. Foi tudo arquitectado para deixar de lado o factor MDM e o “resto”. Esta terceira força emergiu como tal e, no lugar de ser vista como algo que não preocupava o partido no poder nem o da oposição, passou a ser encarada como ameaça, não publicamente, claro. E, pela força que demonstra ter durante a campanha ao nível nacional, tudo leva a crer que os que assim podem ter pensado parece terem feito uma antecipação de mestre. Os resultados finais, depois do dia 28 de Outubro, confirmarão se o agir de forma inteligentemente antecipada foi ou não um golpe de mestre. Esta corrente parece perceber que o politicamente correcto é a atitude do CC e da CNE. Estas instituições em momento algum iriam sair à rua para dizer que chumbaram esses partidos porque havia uma ameaça contra as principais forças políticas e etc., etc. O jogo político tem os seus tentáculos, isso nem sempre é perceptível.
Afloradas que foram as duas correntes resta concordar que a lei deve ser escrupulosamente cumprida e que ninguém está acima dela. Ninguém pede ou deve pedir para que se atire ao lixo a “tão aplaudida jurisprudência”, ninguém diaboliza a CNE ou o Conselho Constitucional a não ser que estas não correspondam, de facto, àquilo que estruturalmente são em termos de objectivos pelos quais foram criados.
Cá entre nós: “toda esta bagunça” do chumbo não visa em particular partido algum, é um teste à verticalidade do CC, da CNE e até do STAE, instituições estas que já deviam merecer forte credibilidade e nenhuma desconfiança dos eleitores em geral, e da parte dos doadores, observadores, círculos intelectuais, políticos e sociais, em particular.

Fonte: SAVANA (09-10-2009)