domingo, novembro 30, 2008

Educaçao retoma Unidade Nacional

No próximo ano, o Ministério da Educação e Cultura vai retomar o programa de Unidade Nacional, visando a movimentação para todas as províncias do país de candidatos aos cursos de formação de professores.
Segundo o director-adjunto do Instituto do Magistério Primário de Angónia, em Tete, os cabdidatos aprovados nos exames de admissão aos cursos de professores na província de oriegm, serão encaminhados para outras.
Paulo Chijua disse que com a retomada daquele programa, os Institutos de Formação de Professores passarão a ter 40 por cento de candidatos locais e os restantes das outras províncias do país.

Fonte: Rádio Moçambique ( 25/11/08)

Eis aqui uma acção muito interessante do Ministério de Educação e Cultura que podia criar um debate se não estivessemos numa sociedade conformista ou de que "eu sei o que vou fazer“ para contrariar as decisões do governo.

Umas perguntas surgem:

Imaginando que é o MEC que pagará as passagens dos estudantes duma província para outra, quanto custará este programa? Não seria melhor alocar esse dinheiro para o apetrechamento das escolas ou institutos de formação de professores?

Atendendo que há férias entre dois semestres, pelo menos, será que o MEC pagará as passagens dos estudantes à sua terra natal?

Qual será o ambiente de vida nos institutos de formação de professores para se concretizar essa unidade nacional? Directamente indo, vai se libertar os formandos aos bairros vizinhos para fabricarem filhos de todo Moçambique? Serão livre as relações entre os estudantes/formandos ? E depois do curso, como se resolverão as questões?

E a questão de colocação depois da formação?

O MEC já pensou que estudos em Mocambique constituem, em geral, um investimento familiar?
Eu podia colocar aqui mil e uma perguntas, ainda que conheço ao que se deu neste tipo de programa nos primeiros cursos de formação de professores. Como professor formando do terceiro curso e alguns anos professor metodólogo para além de eu ter sido um dos fornecedores de cursandos ao professorado, acho este programa de contra os direitos elementar do homem.

Que a Liga dos Direitos Humanos fique de olho!

quarta-feira, novembro 26, 2008

Medo dar más notícias ao patrão?

Por Joseph Hanlon

Quadros superiores da Frelimo têm cantado vitória, na corrida eleitoral, quer para a presidência de Nacala quer para a assembleia municipal da Beira, desde a semana passada, apesar de as contagens paralelas mostrarem que isso era pouco provável. Em Nacala a CEC ainda não afixou o resultado final, conforme exigido por lei, mas parece ter encontrado 1000 votos adicionais para o candidato da Frelimo. Na Beira, a contagem provisória do STAE parou antes que de atingir 100% e, agora, a CEC anunciou um resultado que muitos não acham credível.

Em ambos os casos, a Comissão Nacional de Eleições será obrigada a considerar os dados dos editais das assembleias de voto digitalizados nos sistemas de computadores pelas Comissões Provinciais de Eleições, e utilizá-los no caso de eles não concordarem com os resultados intermediários das CEC. E se os resultados finais não forem exactos, então a Renamo e Daviz Simango simplesmente irão apresentar as suas cópias dos editais ao Conselho Constitucional e recorrer.

Começa a parecer pânico o elevado número de votos para a Frelimo que não correspondem às contagens paralelas, nestas duas corridas. Terão os quadros superiores da Frelimo, na Beira e em Nacala, medo de a informar que aí ela perdeu, e assim inflaccionaram um pouco os números, sabendo que a CNE irá retirar os votos a mais? Talvez sintam que o melhor é atirar as culpas para a CNE.
Joseph Hanlon

Fonte: AWEPA, Boletim Eleitoral Número 18 – 27 de Novembro de 2008

Exigida a realização de um Congresso Extraordinário da Renamo

Somam-se os membros proeminentes do Partido Renamo que exigem a realização urgente de um congresso para debater a actual crise do Partido. Depois do ex-deputado da Assembleia da República e actualmente assessor para área de Transportes e Comunicação, Dionísio Guelhas, foi segundo o Magazine Independente, a vez de deputado e assessor para relações exteriores no círculo da Europa, Manuel de Araújo.

Ainda hoje, o jornal digital Notícias Lusófonas publica que os outros quadros proeminentes e deputados Ismael Mussá, João Colaço e Agostinho Ussore, também exigem um congresso extraordinário. Porém, o deputado António Muchanga acha que um Conselho Nacional resolve a actual crise da Renamo.

Eis o artigo do
Notícias Lusófonas na sua íntegra:

Notáveis» da RENAMO exigem congresso e questionam liderança de Dhlakama


"Notáveis" da RENAMO exigem a convocação "urgente" de um congresso do principal partido da oposição moçambicana para analisar a pesada derrota nas eleições autárquicas e eleger um novo líder.


Em declarações à Lusa, ex-assessor do líder da RENAMO para os assuntos parlamentares, Ismael Mussá, considerou necessário uma "rápida" convocação do congresso do partido e "salutar" a demissão de Afonso Dhlakama, para salvaguardar a imagem do partido.

"Em algumas partes do mundo, em casos desta natureza, o líder do partido pede a demissão", disse, Mussá, a propósito do "desaire" eleitoral da RENAMO nas municipais de 19 de Novembro cuja responsabilidade, considerou, "é do Presidente Dhlakama".

Nas eleições de 19 de Novembro, a RENAMO não apenas perdeu todos os cinco municípios conquistados nas autárquicas de 2003 - num escrutínio em que iam a votos 43 autarquias, mais 10 do que há cinco anos -, além de ter visto Daviz Simango, o candidato preterido pela actual direcção do partido na segunda cidade do país, a Beira (centro), ser reeleito, como independente, de forma esmagadora.

Apesar destes resultados, a hipótese de demissão da liderança já foi afastada na segunda-feira pelo líder da RENAMO: "Demitir-me, porquê?", indagou Dhlakama, quando interpelado em conferência de imprensa sobre o seu futuro político.

Ismael Mussá, que é igualmente deputado da bancada parlamentar da RENAMO à Assembleia da República, assinalou que, para Afonso Dhlakama, "o mais salutar seria pedir demissão e deixar que o congresso decida o seu futuro".

Também o antigo assessor do presidente da RENAMO para a Administração Pública, João Colaço, defendeu a realização "urgente e antepada" de um congresso, atribuindo a responsabilidade à liderança pela "desorganização" do partido.

Contudo, Colaço ressalva "algumas situações não muito claras" que aconteceram desde o início do processo eleitoral, nomeadamente a aprovação de "um pacote eleitoral, que acomodava interesses da FRELIMO".

"Há aspectos da lei eleitoral que constituem um absurdo, designadamente a lei sobre a votação", disse Colaço.

O deputado da RENAMO à Assembleia da República António Muchanga contesta, por seu turno, a atribuição de responsabilidades ao líder do principal partido da oposição, defendendo, no entretanto, a realização do "conselho nacional e não do congresso".

"Quem prepara as eleições não é o presidente do partido, são os órgãos de base. O presidente dá o seu apoio, mas os candidatos locais é que fazem a campanha", disse.

"Todos nós devemos assumir que não conseguimos corresponder à táctica do nosso adversário", frisou.

Para Muchanga, "houve estratégia inimiga dentro da RENAMO", que ditou a derrota do partido.

"Alguns colegas foram comprados" pela FRELIMO, acusou o deputado.

Muchanga justificou a acusação com base num vídeo recentemente divulgado por uma televisão privada, onde supostos membros da RENAMO confessavam terem recebido dinheiro do partido no poder para "chumbar" a candidatura de Daviz Simango, o então edil da Beira, que em 2003 concorreu pela oposição.

Analistas ouvidos pela Lusa atribuíram "o descalabro" da RENAMO, nas eleições municipais de 19 de Novembro, "a graves falhas de estratégia" de Afonso Dhlakama e defenderam "uma reflexão profunda" neste partido.

A RENAMO tem sido palco nas últimas semanas de uma sucessão de demissões de alguns dos seus principais quadros, em ruptura com o líder do partido, Afonso Dhlakama, designadamente Ismael Mussa, João Colaço e Agostinho Ussore, assessor político de Dhlakama.

terça-feira, novembro 25, 2008

Mensagem de agradecimento de Daviz Simango

Aos Munícipes da Beira


Passada a Campanha Eleitoral, Apuramento dos Resultados, queremos fazer um agradecimento público a todos que confiaram no nosso trabalho, bem como aqueles que por qualquer motivo não o tenham feito, mas pelo facto de terem exercido o seu direito de voto. Fazemos questão de dividir essa Vitória com todos vocês.

Acreditaram que era possível fazer política como Candidato Independente, fizemos campanha agradável e inteligente, sempre na busca dum mandato político. Foi o que aconteceu. E agradecemos pelos que apoiaram a ideia.

Estendemos estes agradecimentos a todos que directa ou indirectamente apoiaram e participaram na campanha eleitoral. Sem o vosso carinho, o que seria de nós.

A nossa equipa não venceu sozinha. Nós vencemos. Tudo o que a equipa conseguiu, não conseguiu, conseguimos. Como vínhamos dizendo vamos colocar em pratica o que propusemos no nosso programa de governação para o mandato 2009 à 2013, para tornar a nossa cidade o Orgulho Beirense.

Além de agradecer, queremos nessa hora, fazer outro pedido: nos ajudem. Estejam ao nosso lado sempre, para que juntos possamos desenvolver a Beira, pensando nas futuras gerações.

Muito foi feito, mas muito há ainda por fazer. Rogamos a Deus que a todos nos ilumine para que sigamos firmes e coesos na busca permanente de soluções e recursos, bem como na consolidação da democracia no nosso País.

Terminamos dizendo que aprendemos muito nesta etapa. Saímos mais fortalecidos, graças ao apoio de vocês. Certamente continuaremos a disposição de todos, como homens de política.


Obrigado por tudo, Parabéns Beira, até a próxima.

Daviz Mbepo Simango
Foto do Diário de um Sociólogo

segunda-feira, novembro 24, 2008

Quelhas apela para Congresso extraordinário na Renamo

Na sequência da estrondosa derrota eleitoral

Maputo (Canal de Moçambique) – Dionásio Quelhas ex-deputado à Assembleia da República e um dos actuais assessores presidenciais da Renamo, defendeu ontem a realização de um congresso extraordinário, como possível solução para se ultrapassar a alegada crise de liderança, em que este partido supostamente esta mergulhado, bem como para o reencontro dos membros da até agora considerada maior formação politica da oposição nacional.

Contudo, Quelhas deixou subjacente que para si o problema da Renamo não se trata exactamente de Afonso Dhlakama, quando disse que dentro deste partido existem muitas figuras brilhantes entre os seus membros que podem candidatar-se à liderança da organização, tendo destacado que um deles se trata do actual líder.

Consideram analistas que a estrondosa derrota da Renamo, como partido politico que inspirava alternativa de governação para os cidadãos moçambicanos, se deve em grande medida, ao actual momento de divisão que se vive dentro de si própria, mas também por não haver estratégias visando fazer face ao principal adversário politico, o partido Frelimo no poder desde a independência.

De acordo com Quelhas, em declarações pouco depois da conferência de imprensa dada ontem por Afonso Dhlakama no seu escritório em Maputo, em reacção aos resultados das eleições municipais que se realizaram em 43 autarquias no passado dia 19 de Novembro que descreveu como tendo sido caracterizadas por certas irregularidades, "tudo passa por um congresso extraordinário, para escolher uma nova liderança do partido".

O líder da Renamo reconheceu ontem em conferência de imprensa a derrota do seu partido, mas disse que houve algumas irregularidades que se caracterizaram pelo transporte de populares de zonas fora das autarquias, a fim de irem votar a favor de certos candidatos e partidos nos municípios onde houve eleições (43), numa alusão clara à Frelimo e seus concorrentes que saíram esmagadoramente vencedores no plebiscito do dia 19 do corrente.

Quelhas pôs de lado a possibilidade de vir a afastar-se do partido, defendendo antes um congresso “para a legitimação da liderança da Renamo”.

"A grande questão é termos uma liderança estratégica. Até pode ser o presidente Dhlakama a continuar, desde que tenha coragem de ir às bases fazer o resgate para uma nova coesão e pacificação", disse um outro membro da Renamo este a coberto de anonimato.

Da cidade de Quelimane, um outro importante membro deste partido, afirmou que vai ser necessário compreender que o que está em falta é a coesão.

"Pensamos que se provou que tanto o PDD criado por Raul Domingos, como a eventual força política a criar por Daviz Simango, não serão alternativas para a Frelimo no poder desde a independência. É preciso ganhar coragem de modo que estes líderes voltem ao convívio dentro do partido para cativar mais o eleitorado", afirmou uma outra fonte da RENAMO, também a coberto do anonimato, uma forma de se fazer política naquela formação e que caracteriza bem o grau de democracia interna que nele actualmente vigora.

Há no entanto alguns indícios de que se Dhlakama não se retirar da direcção executiva do partido para uma posição que lhe assegure o prestigio como o homem que liderou a fase da luta armada e da implantação da democracia no País, uma cisão definitiva poderá vir a suceder o que se vaticina já como o fim da Renamo como partido ou a sua redução à mais insignificante escala de popularidade. Popularidade que aliás está já nos mais baixos níveis de sempre.

A forma como Afonso Dhlakama tem vindo a gerir o partido mas sobretudo a forma como ele tem tratado os quadros do partido vem criando um avolumar de descontentes que facilmente poderão dar pernas a um novo projecto político com capacidade para finalmente o país ter uma outra formação política que possa abalar os actual «status quo». A revolta interna na Renamo está a ganhar ritmo em todo o país e o posicionamento de Dionísio Quelhas é já visto como uma derradeira tentativa de salvar Afonso Dhlakama do pior.

(Bernardo Álvaro)

Fonte: Canal de Moçambique

Ntelela: campo de extermínio

As missões em directo
MOÇAMBIQUE


Ntelela é um nome topográfico que evoca, no subconsciente colectivo de quem viveu em Moçambique os anos do apertado regime marxista, ressonâncias sinistras semelhantes àquelas que suscitam nomes como Sibéria, Gulag, Auschwitz … porque se trata de um campo de extermínio, do qual dificilmente se saía vivo.

Uma sensação que se tornava sempre aguda para mim cada vez que, com o padre Fernando Rocha, missionário da Consolada, passava na área de floresta que encerrava o segredo de Ntelela. Era então espontâneo falar do padre Estevão Mirassi, de Joana Semeão, fundadora de um partido de oposição, de Ché Mussa, chefe islâmico de Lichinga, todos desaparecidos no nada após a deportação para Ntelela.

Um grande desejo era o de alcançar o referido campo de reeducação política, mas à volta dele reinava o segredo mais absoluto. Até que um dia, uma pessoa, sabendo que queriam apenas ir celebrar uma santa Missa, revelou o segredo indicando a pista existente além de um bocado de floresta.

Superado o medo de transitar numa estrada minada, com o padre Rocha e três cristãos, pusemo-nos a caminho para Ntelela. Após uma vintena de quilómetros encontramos a estrada, mas uma ponte destruída nos obrigou a prosseguir a pé. Apenas passado pouco mais de um quarto de hora surgem os primeiros sinais de presença humana: pareceu-nos vislumbrar sinais de valas comuns em terras que pareciam cultivadas.

Estávamos certamente na área dos trabalhos forçados dos detidos que não eram importantes. Avançamos e encontramo-nos num descampado: uma pista de aterragem para pequenos aviões e, ao longe, edifícios degradados.

Ntelela: era um pequeno posto avançado militar português transformado em lager pela Frelimo. Um dos mais terríveis campos de reeducação criados para arrasar a resistência dos opositores políticos.

Um aperto de coração se apoderou de nós, ninguém falava. Tinha-se a impressão de calcar um terreno sagrado, impregnado de sangue. Cedo tropeçamos no arame farpado cujos suportes de madeira, apodrecidos, caíam um atrás de outro. A área parecia tecida como uma teia de aranha daquele maldito arame.

Um acompanhante nos revelou como decorreu um dia no campo quando esteve ao serviço de um comandante militar que, um dia, pernoitou no campo enquanto viajava para Lichinga. Foi ele a explicar-nos que, no fim do campo, devia estar qualquer coisa porque tinha observado que os guardas acompanhavam detidos que saíam debaixo, para talvez irem aos serviços higiénicos. Dirigimo-nos para lá e vimos uma escadinha que conduzia a uma fossa cimentada: um bunker - prisão?

O homem olhou empedernido e questionava-se como daquele buraco podiam sair e entrar toda aquela gente que tinha visto. Noutro edifício estavam as celas de rigor onde os prisioneiros eram amassados como animais. As construções estavam vazias, depredadas do mobiliário, se existia, das portas e janelas e do teto de lâminas de zinco, algumas das quais estavam ainda espalhadas no vasto espaço defronte.

Aqui e acolá, nos pátios, bidões enferrujados que devem ter sido utilizados como panelas, cacos, pedaços de ferro. Experimentei recolher alguma preciosidade, ma senti-o como ferro incandescente na mão. Ficamos calados.

Cada um de nós pensava nas notícias de tortura e eliminações sumárias filtradas naqueles anos e a quanto tinha revelado um semanário moçambicano pouco tempo antes:
Com engano foram carregados sobre um camião um considerável grupo de prisioneiros dizendo-lhes que se ia para a liberdade e em vez disso foram queimados vivos numa vala comum escavada num dos tantos trajectos secretos que conduziam ao campo.

Será verdade? A noticia não foi desmentida pelo governo, aliás o presidente Chissano, mesmo nesses dias, convidava a não exumar “os esqueletos” para não desencadear violência e vinganças.

À saída do campo olhei o céu: era um dia esplêndido. Também o local, sobre um planalto, podia ser um paraíso mas em vez disso tinha sido um inferno.
Enquanto avançava através do caminho, o olhar caiu sobre uma moita florida: flores maravilhosas, nunca vistas. Parei. Recolhi-as. Senti pulsar a vida. Tanta dor não será em vão: então, só então, consegui rezar.

11 Dezembro 1995. Não pude participar na santa Missa em Ntelela., concelebrada pelo bispo Dom Luís Gonzaga e por vários sacerdotes missionários, porque, alguns dias antes, partia para a Itália. No entanto entrei em contacto com soror Giuseppina Teresa Buzzella e através dela tive notícias sobre o evento.

Naquele dia estavam também presentes a mãe e os irmãos do padre Estevão Mirassi, uma das vítimas, detido e levado embora sem processo: não se soube mais nada dele, nem sequer a comunicação oficial da sua morte. Os familiares, como centenas de outras famílias, esperaram em vão durante anos. Entre os presentes estava também um ex-guarda carcerário, não cristão, que testemunhou e confirmou as muitas crueldades da tortura e as eliminações à traição. Não queria participar nas celebrações para não arriscar. No poder de facto ainda estão os mesmos homens, e o famigerado director do campo, que se vangloriava das suas atrocidades, ainda está no activo. Mas na noite tinha sonhado com uma mulher vestida de branco que lhe disse para não ter medo…

Um momento eucarístico comovente foi o do Pai Nosso. “Perdoai-os como nós perdoamos…”. Perdoar, mas não esquecer a lição da história para que jamais o homem se manchará de tanta criminalidade.

Por muitos anos, o regime obrigou crianças e adultos a desprezar pessoas como Joana Simeão, Uria Simango, Cavandame, como se quase fossem criminosos e não vítimas de uma ideologia de estado que não hesitou eliminar, torturar e deportar inocentes nos campos de extermínio. Como esquecer as duas levas de gente, em meados dos anos 70, nas quais milhares de mulheres, incluindo mães de família e rapariguinhas, foram deportadas, acusadas injustamente de prostituição? Ou então a Operação Produção de 82 quando 70.000 pessoas do sul foram aviadas na Sibéria verde do norte onde mais de metade morreu de miséria? Muitos dos sobreviventes regressaram a casa, por obra especialmente da Caritas, mas muitíssimos vivem ainda no Niassa, desenraizados e mal tolerados.

Ora no País regressou a paz. O povo está seriamente empenhado na reconstrução, mas as feridas são tão difíceis de cicatrizar.

Queira o Céu que este povo não seja esquecido e encontre uma autêntica solidariedade, não aquela fingida que faz regressar à origem os bens, como várias vezes foi denunciado por missionários e por sérias organizações humanitárias. Mas aquela autêntica que ajuda o povo a ser protagonista do seu desenvolvimento, em plena harmonia e respeito pela própria cultura e tradições.

soror Dalmazia Colombo
Revista “andare”, de 03.03.1996

Retirado Mocambique para todos.

sábado, novembro 22, 2008

Albertino Silva exorta: Atenção Beirenses

Recebi o seguinte e-mail do Albertino Silva, achando-o uma exortação para todos os apoiantes à causa democrática e boa governação e, em particular para munícipes do Chiveve publico-o:

Bom dia caro António,

Mas é claro, seria para mim uma honra ver o meu nome num espaço com a qualidade do Reflectindo. Mais, hoje sou uma pessoa mais rica depois de interagir com todos vós e contigo em particular. Não podia deixar de apoiar a candidatura mais credível para a cidade da Beira, minha terra natal. Embora inicialmente céptico, porque deixei de acreditar nos políticos, aos poucos e através de vocês, fui conhecendo melhor o perfil de Daviz Simango, e hoje não tenho dúvidas que dentro de pouco tempo, esta dinâmica estender-se-à a todo o país e Simango será num futuro relativamente próximo o líder da nação. Para isso acontecer, Daviz só precisa de ser ele próprio e não se deixar envolver por querelas políticas e saber rodear-se de pessoas sérias e que tenham por objectivo o interesse do país em detrimento de interesses pessoais.

Atenção Beirenses, protejam o nosso líder, pois acredito que a partir daqui a sua segurança pessoal e familiar terá de ser reforçada, pois os anti-corpos criados com a sua eleição, poder-lhe-ão ser fatais, se não forem tomadas as medidas adequadas. Moçambique já possui mártires suficientes... Viva Daviz Simango, Viva a cidade da Beira, Vivaaaa
Moçambique.

Um abração

Moçambique para sempre

Albertino Silva

Muito obrigado, Albertino

Para colorir o apoio aberto deste blog à candidatura independente de Daviz Simango, contei como muito apoio de Albertino Silva quem fez vários banners para o Reflectindo e demais blogs que ousaram manifestar abertamento o seu apoio ao Chiveve e à democracia em Moçambique.

Meu muito obrigado pela colaboração, Albertino. Só juntos e muitos podemos vencer. Parabéns!

P.S. Albertino possue um blog muito interessante, o Moçambique-Portugal.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Parabéns Daviz Simango!



Este blog apoiou à candidatura independente de DAVIZ SIMANGO pela boa governação. Esse apoio estendeu-se aos BEIRENSES pelo espírito democrático e cidadania participativa.

O Reflectindo sobre Moçambique agradece a todos os que apoiaram a Daviz Simango pela sua coragem civil e capacidade de responder positivamente o apelo dos beirenses.

Parabéns Edson da Luz e o seu grupo Azagaia pelo intervencionismo, apoiando incondicionalmente aos beirenses. É com cidadãos como VÓS que construimos a nossa pátria, uma pátria democrática, justa e próspera. O vosso intervencionismo ajudou no envolvimento de muitos na causa democrática.

Afinal, querer é poder. Vamos trabalhar juntos para a democracia em Moçambique!

quinta-feira, novembro 20, 2008

A questão de números na Ilha de Moçambique

Parece que a questão de votos e números forjados não escapou neste actual processo eleitoral. Quase todos os ilheus (95 %), na antiga capital de Mocambique, foram à votação, apenas que mais 1/4 deles (28 %) não sabiam a quem ou que votar.
A outra questão interessante é que os funcionários da assembleia de voto foram muitos flexíveis que não precisaram de nenhuma prorrogação depois da 18 horas, contrariamente ao que aconteceu nas cidades vizinhas do Nacala Porto e Monapo ou na Vila de Mocimboa da Praia.

E, mais outra questão é de alguns dos lugares onde acontecem milagres, eles lá se repetem, sobretudo se não houver curiosos que querem ver o que fazem os artistas entre bastidores ou como se diz em inglês "behind the scenes". Neste caso, Ilha de Moçambique e Lichinga, é apenas uma repetição da cena.

A minha pergunta é se a PIC não pode pegar todos esses funcionários da assembleia de voto para desvendarem o milagre, pois da próxima ficar-nos-ia apenas a tarefa de ensinar como votar para evitar um monte de votos nulos.

Leiam a peça de notícia de AWEPA (Associação dos Parlamentares Europeus para a África)
aqui

Possível fraude na Ilha de Moçambique

Na Ilha de Moçambique a afluência foi de 95% e 28% dos boletins de voto foram nulos, numa estimativa feita pelo nosso correspondente. Nenhum destes números é credível e são uma forte indicação de fraude.

A afluência de 95%, bem superior a outros municípios e na prática quase impossível de obter, sugere fraude eleitoral. 28% de votos nulos também não é credível – em 2003os nulos nas eleições locais na Ilha foram inferiores a 9%. Uma fraude usada em vários locais em 2004 e confirmada por este Boletim foi que os funcionários da assembleia de voto aliaram-se com a Frelimo para pôr uma marca a tinta adicional num boletim de voto onde uma pessoa tinha votado pela Renamo usando uma impressão digital, de forma a invalidar o voto. O elevado nível de nulos sugere que isto pode ter acontecido de novo.

Nos resultados preliminares, o candidato da Frelimo para presidente ganhou com 60%, em comparação com 40% para a Renamo. Assim, a diferença entre os dois é menor que o número de votos que possa ter sido invalidado.

O nosso correspondente em Lichinga também relata possível fraude eleitoral, com pelo menos duas assembleias de votos a ter mais boletins de voto na urna do que eleitores no caderno.


Adenda: AWEPA desculpa-se pela notícia:

Humble apologies: No indication of major fraud in Ilha de Moçambique

The is no indication of major fraud in Ilha de Moçambique, contrary to our Bulletin earlier today. An erroneous report from one of our correspondents suggested an impossibly high turnout and thus ballot box stuffing. In fact, final results show the turnout to be 52%, which is average this year. Furthermore, the margin of Frelimo’s victory over Renamo – 30% of the vote – could not possibly by accounted for by fraudulent votes. Therefore we withdraw totally our suggestion of earlier today, and apologise to our readers.


quarta-feira, novembro 19, 2008

O Desfile triunfal de Daviz Simango

Sobre o desfile do encerramento da campanha eleitoral de Daviz Simango realizada no sábado, dia 15 de Novembro, antecedido do Showmício em que actuou o rapper Azagaia, o allafrica escreve o seguinte:"On Saturday, Simango marched through the city at the head of a parade that grew ever larger as it approached his campaign headquarters in the densely populated suburb of Munhava. In a journey of more than 10 kilometres, Simango did not utter a word, but simply waved to thousands of his supporters with his fingers raised in a "V for Victory" sign."

sábado, novembro 15, 2008

Daviz Simango: Homem de trabalho, humilde, simples e social

Finalizando a série “As multidões do Daviz Simango”, Prof. Carlos Serra escreve que “o cerne do seu carisma [do Daviz] está nos seus feitos, naquilo que, efectivamente, tem feito e feito fazer numa Beira votada ao abandono pelos anteriores edis. Qualquer auscultação ligeira aos munícipes da cidade e da sua periferia mostra isso inequivocamente. Os nossos olhos podem perfeitamente verificar que a devização da Beira é uma realidade.”

E eu concordo que é isso mesmo em primeiro lugar. É isso que muitos dos honestos que conhecem o Chiveve, independemente da sua cor partidária afirmam. Daviz Simango não manda, mas sim dirige a equipa com que trabalha e é algo um pouco raro entre nós. Entre nós há muitos mandões e poucos dirigentes. Daviz Simango trabalha directamente com os munícipes.

A primeira vez (em 2005) que vi as fotos de Daviz Simango em acção recordei-me da tradição de trabalho durante a minha formação de professores nos finais da década 70, assim como de ADPP tanto em Moçambique como na Dinamarca.

Se muito se fez por Daviz deve ser pela sua participação directa ao trabalho e não mandar a alguns mandões para irem mandar outros a fazer algo e sentir-se satisfeito com relatórios que muitas vezes são falsos.

Também, lembro-me do que uma pessoa amiga me contou sobre Daviz quando ela se encontrou com ele pela primeira vez: “hoje tivemos um encontro com o Daviz, o tipo é simples, humilde e social.“

Ao contrário do que muitos pensam, e é a muita gente que assim pensa, estas caracteristas conquistam os corações da maioria dos nossos compatriotas. Mas reconheço que ser-se um dirigente humilde, simples e social, em suma homem do povo, corre-se risco de perseguição.

Foto retirada do debates e devaneios

sexta-feira, novembro 14, 2008

Conselho constitucional chumba CNE

PERDIZ RECORREU SEUS CANDIDATOS

- O Conselho Constitucional, na sua deliberação acontecida esta semana, deu razão aos quatro candidatos da Renamo e um do PDD que haviam sido chumbados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), supostamente porque as suas candidaturas estavam feridas de irregularidades
A “perdiz” havia sido reprovada nos municípios de Dondo, Gorongosa, Manica e Manjacaze.

São estes os candidatos que agora respiram de alívio: Cristovão Filipe Soares, Gorongosa; Manuel Zeca Bissopo, Dondo; Bejamin Luís Matchangaisse, Manica; sendo que o de Manjacaze o nome não foi facultado a este jornal.
Depois de a Renamo ter -se queixado, só ontem é que lhe foi facultado o acórdão do Conselho Constitucional dando indicação de que os seus candidatos podem concorrer às autárquicas de 19 de Outubro.

Ora, este acórdão é publicitado dez dias depois de a campanha eleitoral ter iniciado, facto que, a olho desarmado, nota-se que a Renamo está em prejuizo. É por isso que, apesar de estar satisfeita com a decisão, a “perdiz” exige que lhe sejam dado mais dias para que promova a sua campanha nas edilidades onde havia sido chumbada.

Aliás, nas mesmas edilidades, a Renamo fez campanha como partido, mas foi impedida de o fazer em nome de qualquer candidato.

O que equivale a dizer que nos tais locais os candidatos daquele partido da oposição não são conhecidos.

Por outro lado, a Renamo ainda é da opinião que deviam existir tribunais eleitorais para dirimir aquele tipo de conflitos, pois os comuns levam “séculos” para solucionar um imbróglio, mesmo havendo solução a vista.

Aliás, quando tal sucedeu, a própria “perdiz” havia acusado o partido no poder, a Frelimo, de estar por detrás das manobras que levaram ao impedimento de os seus concorrentes poderem participar da campanha nos municípios retromencionados.

Entretanto, a CNE esteve reunida ‘a tarde de ontem para, dentre vários assuntos, deliberar sobre o conteúdo do acórdão do Conselho Constitucional.

Porém, até ao fecho desta edição o DN não conseguiu chegar à fala com o porta-voz da entidade, Juvenal Bucuane, para devidos esclarecimentos.
DIÁRIO DE NOTÍCIAS - 14.11.2008

Leia também no Mocambique para todos
Nota: Parabéns CC pela decisão sábia. Parabéns Renamo, mas continuo a sugerir uma dedicacão à causa e nunca perder tempo com perseguicão aos membros que prestigiam o partido.

quinta-feira, novembro 13, 2008

APOIOS AOS CANDIDATOS Ou a “indulgência” dos tempos modernos

Linha d'água:

Por Luís Loforte

Pemba comemorou cinquenta anos de existência como cidade, e mais uma vez me recordei de quanto ela me tornou homem e me ensinou a amar coisas boas. Valeu um irmão, o Edmundo Galiza Matos, que me fez percorrer o tempo (que ambos, aliás, percorremos) através de reportagens que ele, e só ele, as sabe urdir.

Há alguns anos, e aproveito aqui para enaltecer o papel preponderante da falecida deputada pela Frelimo Judite Macôo no manter viva a memória das coisas boas de Pemba, as pessoas comemoravam a cidade sem amarras políticas.

Juntávamo-nos para dançar, rememorar tardes dançantes marcantes da nossa juventude, entoar cantigas que nos marcaram o tempo, contar as histórias de professores apanhados nas tramas normais de estudantes, recordar amores desencontrados e encontros idílicos imemoráveis. Reuníamos gerações diversas para ligar o tempo e as memórias, ouvíamos mensagens de pembenses na diáspora (forçada ou não), mas sempre unidos pelo amor eterno à cidade.

Os verdadeiros pembenses despiam as fardas e as divisas militares, desembaraçavam-se dos cargos ministeriais e dispensavam os sempre incómodos protocolos e seguranças, despiam-se das saturantes mordomias e salamaleques, e percorriam o tempo em sentido inverso para rememorarem o seu percurso de vida.

Tínhamos começado a sublimar as diferenças políticas, e sobretudo as feridas que a política impôs a muitos que, muito timidamente, vêm regressando à terra que os viu nascer. O mesmo não posso seguramente dizer em relação ao que todos assistimos nos dias que correm.

Num país onde há eleições sempre à espreita, os políticos querem controlar tudo, até as emoções, fazendo-se naturais e amigos por terras e gentes que pouco conhecem, que nada lhes dizem, mas apenas porque têm interesses políticos eleitorais no horizonte. São chefes nas estruturas máximas dos seus partidos, no parlamento, nos quartéis, nos ministérios, em todo o lado, e, agora, nos “amigos e simpatizantes”. E não digam que apenas me refiro “amigos e simpatizantes” de Pemba.

Os de Mandlakazi, há dias, no matutino “notícias”, chegaram ao descaramento de convidar os associados para um encontro com “a nossa candidata”, ou seja, a candidata pela Frelimo à direcção do município daquela vila. Mas há coisas ainda mais engraçadas nesta coisa de “amigos e simpatizantes”.

Contaram-me que há semanas houve um jantar de “amigos e simpatizantes” de qualquer coisa, repasto que contou com a presença de um alto responsável político nacional. Claro que a festança se destinava, como agora sói dizer-se, e apenas por uma questão de eufemismo de linguagem, a angariar fundos para apoio a um qualquer candidato de uma qualquer edilidade.

Os preços do ingresso variavam consoante a maior ou menor proximidade da mesa de honra. As mesas mais afastadas, que não permitem enxergar o chefe, ou por ele ser enxergado, custavam mil meticais. A mais próxima, paredes meias com a do máximo presente, custava a módica quantia de... dez mil!

Portanto, não é a identidade com a terra que leva as pessoas a conviverem, a recordarem o passado, a mobilizarem vontades para o seu torrão. É o dinheiro, é a necessidade de estar próximo de quem decide, de quem pode, eventualmente, viabilizar um negócio, um privilégio.

E assim os políticos moçambicanos vão afastando e matando os “amigos e simpatizantes” das nossas terras! E assim trazendo-me à memória algo que me parece similar: a revolta de Martinho Lutero contra a Igreja Católica, da qual era fiel seguidor. Aliás, monge.

Com efeito, no século XVI, a Igreja Católica resolveu prometer o paraíso e a eternidade mediante o pagamento da chamada indulgência. Portanto, os pecadores recebiam na terra uma penitência antecipada, desde que abrissem os cordões à bolsa.

Em Moçambique, podemos estar a assistir a uma situação em todo idêntica àquela que conduziu ao mais importante cisma da Igreja Católica Apostólica Romana de todos os tempos. E não custa muito estabelecer esse paralelismo, bastando para isso estar-se atento às imagens das televisões.

A sensação que me assalta, quando assisto àquelas pungentes imagens, é de que muitos daqueles que logram a proximidade aos chefes se assemelham aos pagadores de indulgências pelos pecados que todos conhecemos.

Pergunto-me se ninguém aparece para reformar a nossa política, repondo a ética e a moralidade?

CORREIO DA MANHÃ - 03.11.2008

Faizal Sidat está criar problemas em Nampula

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS - Desportistas em campanha

O DESPORTO em Nampula entrou na campanha eleitoral. Dirigentes desportivos, atletas e outros fazedores do desporto a nível das seis autarquias daquela província vieram a público manifestar o seu apoio ao partido e seus candidatos as eleições de 19 de Novembro próximo com o desdobramento de algumas brigadas que vão escalar a partir deste sábado, as cidades de Nampula, Angoche, Nacala-Porto, Ilha de Moçambique e as vilas de Monapo e Ribáuè.

Mozambique: Beira Mayor Responds to Frelimo Claims

12 November 2008
Posted to the web 12 November 2008

Maputo

The mayor of the central Mozambican city of Beira, Daviz Simango, has dismissed as "lies" claims by the ruling Frelimo Party that the only improvements in Beira during the five years he has been mayor are due to the central government, and not to any initiatives by the City Council.

"You're looking at a marvelous and attractive Beira", Simango told a crowd of supporters, according to an article in Wednesday's issue of the weekly paper "Magazine Independente" (MI). "This is an example to be followed in the country - Beira in development, Beira, where there is no longer any room for cholera or similar diseases, because piles of rubbish, and the practice of defecating in the open no longer exist. That's the work of Daviz Simango and of Renamo".

Renamo, the country's main opposition party, objects to Simango's continued use of its name, because he was expelled from the party in September. In the forthcoming elections he is running as an independent, against both the Frelimo candidate, Lourenco Bulha, and the official Renamo candidate, Manuel Pereira.

"Don't vote for the liars", Simango warned the crowd, "Don't vote for unscrupulous people who for 30 years were destroying Beira. Today Frelimo says that the development of Beira is due to the actions of its government, which isn't true. Where was the Frelimo government when Beira was rotting for 30 years?"

Simango said he was confident of winning a second term of office in the elections of 19 October. He claimed that members of both Renamo and Frelimo have publicly declared that they will vote for him, because he has proved that he can govern the city well.

He claimed that his victory in Beira would represent "the end of Frelimo hegemony in the country", awakening the people for the need for "regime change" (though it is hard to see why Frelimo hegemony would be any more shaken by a Simango victory in 2008 than it was in 2003).

His Frelimo opponent, Lourenco Bulha, who is a well-known local businessman, is putting up a tough fight, and has even tried to win over the Beira churches. On Sunday Bulha met with religious leaders, and promised to appoint a city councillor for religious matters "to rescue moral values".

He accused Simango of failing to deal with Beira's housing crisis, of allowing disorderly expansion of the city, and of finding his own relatives comfortable jobs in the City Council.
"I'm not going to put members of my family to work in Beira City Council, because it's not a company that I own", said Bulha. "There are many problems that assail Beira. Daviz Simango has not solved them, but I am here to solve them".

Pereira, imposed as his party's Beira candidate by the Renamo leadership, finds himself in an awkward position, since so much of the Renamo structure in Beira is supporting Simango. He has repeatedly accused Simango of "betrayal", of "lust for power", and of wanting to overthrow Renamo leader Afonso Dhlakama. All to no avail - the television coverage of the campaign shows clearly that Pereira is mobilizing far fewer people for his motorcades than either Simango or Bulha.

MI reports that Pereira faced the humiliation of being driven out of the Beira administrative post of Nhangau by Renamo members, who declared that the Renamo figures they supported were Dhlakama and Simango, but not him.

Meanwhile, in the northern city of Nampula clashes have been reported between Frelimo and Renamo supporters. According to a report in Wednesday's issue of the independent daily "O Pais", three people had to be treated in Nampula Central Hospital after fighting broke our on Saturday.

Also in Nampula, market vendors loyal to Frelimo are accused of making it impossible for Isidro Assane, candidate of the country's third largest party, the PDD (Party for Peace, Development and Democracy), to work in the Resta market, on the outskirts of the city. Assane has tailored his manifesto to appeal to the vendors, by promising to cut the municipal tax paid by stallholders from 10 meticais (40 US cents) to five meticais, and to ban foreigners (often refugees from the Great Lakes region) from petty trading in the city.

In Lichinga, capital of the northern province of Niassa, there have also been clashes between the two main parties. Frelimo spokesman Joao Manguinji, cited in the Maputo daily "Noticias", said that on Saturday Renamo supporters had thrown up a barricade of stones and tree trunks to prevent the passage of a Frelimo motorcade. In the ensuing violence, Renamo was accused of attacking six people, including two children.

Frelimo also suspects Renamo's hand in the destruction of the home of Alima Amimo, secretary of the Frelimo-affiliated Organisation of Mozambican Women (OMM), in the neighbourhood of Nomba, on the Lichinga outskirts.

The Renamo political delegate in Niassa, Hilario Waite, denied the accusations, describing them as "just another electoral manoeuvre by Frelimo".

Fonte: Allafrica

terça-feira, novembro 11, 2008

Mais de meio milhão de jovens – uma grossa mentira

Não vou me apressar em recorrer o Instituto Nacional de Estatísticas para encontrar o número de habitantes da cidade da Beira, pois tratando-se de assuntos eleitorais, os números de eleitores me ajudam a interpelar o que foi veiculado pelo Jornal Notícias.

Também eu podia não me importar desta peça de notícias, considerando-a de uma mera propaganda política de um órgão ao serviço do partido – nao vejo nenhum problema com propagandas políticas. Porém, devido ao passado muito recente, leva-me a desconfiar que forjar números, seja uma preparação de uma fraude eleitoral. Nas eleições gerais e presidenciais de 2004, em locais como Changara e Tsangano, em Tete, Gaza e, Lichinga, em Niassa, a aderência às urnas foi tida como de mais de 100 %. Coisa impossível em lado algum no mundo, atendendo que por qualquer motivo, há sempre quem dos registados não vota.

Ora vejamos, donde vieram os mais de meio milhão (mais de 500 000) de jovens que foram ao comício de Edson Macuacua? E, fala-se de jovens! Segundo AWEPA, seu Boletim Eleitoral Número 1, de 5 de Novembro de 2008, o Município da Beira tem apenas 230 720 eleitores registados. Aqui contam-se todos os registados a partir de 18 anos para frente, isto é, jovens e velhos; membros e simpatizantes de todos partidos. A nível nacional, foram registados 2 775 181 eleitores para as eleições das 43 autárquicas, daí mesmo que elas constituissem uma aldeia, seria incrível de Edson Macuacua reunisse mais de meio milhão de jovens. Quão popular é Edson Macuacua?

A segunda anomalia da peça de notícia é apresentar um número fabuloso como aquilo, num munícípio onde a Frelimo não goza muita popularidade, mas apresentar foto/imagem de Manuel Pereira, o candidato da Renamo-Mbararano. Não teria sido coisa boa para a Frelimo nos mostrasse uma imagem do encontro?

A terceira anomalia é o pronunciamento atribuido a Edson Macuacua “tanto Bulha como o partido dos camaradas já são vencedores do processo dada a forma como as pessoas têm seguido e recebido as nossas mensagens em todos os bairros. Se as eleições fossem hoje (ontem) já seríamos proclamados vencedores, pois a Beira deve ser resgatada, porque está sendo dirigida de forma danosa e dolosa pelo actual edil, e as pessoas já querem uma Beira para os beirenses.” Este pronunciamento soa como uma justificação sobre uma fraude já está consumada. Segundo a minha “má” leitura, a vitória não vem das urnas, mas as eleições servem apenas para simular uma democracia multipartidária.

Proclamados vencedores? Beira deve ser resgatada porque está sendo dirigida de forma danosa e dolosa pelo actual edil? Pelo que sei, nunca houve sondagem que favorecesse à Frelimo na Beira de modo que o Macuacua ficasse tão certo que no domingo passado já o seu partido e candidato teriam sido proclamados vencedores se isso não fosse forjado. Também, de governação danosa e doloso nunca ouvímos de eleitores beirenses, senão a partir do próprio Macuacua, Paúnde ou Mbararano (Frenamo)? O que sabemos é que Daviz Simango, já foi muitas vezes nomeado edil do ano, e por duas vezes foi premiado pela sua boa governação. Daviz é o jovem da esperança e do resto é INVEJA, uma inveja que está para reproduzir ALBUQUERQUES para as rapinas voltarem à cidade da Beira.

Não nos esqueçamos que é na Beira onde Albuquerque foi detectado a manipular números no computador. Beirenses, observadores e a comunidade internacional devem controlar bem os Macuacuas, nada mais eles fazem que pôr em prática o projecto anunciado pelo Marcelino dos Santos e Mariano Matsinhe – regresso ao monopartidarismo.

NB: Não estou contra a campanha da Frelimo, mas contra a grosseira manipulação de números que é uma acto grave e perigoso em eleições. Mais que meio milhão de jovens no comício de Edson Macuacua, na cidade da Beira, é GROSSA MENTIRA.

segunda-feira, novembro 10, 2008

OBAMA (…) É JOVEM (…) É BONITO E (…) É BRONZEADO:

DIALOGANDO

Por JOÃO Craveirinha


Excerto de citação de Berlusconi de Itália com Medvedev na Rússia:

COMENTÁRIO:

A contradição da história: - É preciso um político italiano de direita, direitíssima, amigo do actual Presidente George W. BUSH (EUA), para dizer direito sem ismos e (pré) conceitos eurocentristas, agora muito na moda na Europa, em particular em Itália. Trata-se de Sílvio Berlusconi, Presidente de Itália na visita à Rússia quando dissertou, breve, perante a imprensa e o Presidente russo, Dmitri Medvedev: - “ambos jovens e bonitos e da mesma geração” comparando-os com humor no elogio ao Presidente eleito Barack OBAMA: "Ele é jovem, ele é bonito e ele é bronzeado" –, enfatizou Berlusconi, olhando para Medvedev.

Foi dito num tom simpático bem italiano (quando o quer ser) sendo um povo dos mais “bronzeáveis” da Europa do mediterrâneo. Factor da glândula melanina da mistura de séculos no povo italiano. O actual Presidente de Itália, pelo menos, disfarçou muito bem em visita à Rússia. Um exemplo que muitos portugueses e a imprensa e os políticos e académicos e jornalistas em Portugal, deviam seguir, e, não ficarem ressabiados porque um “bronzeado” (entre aspas) se tornou no futuro recente – homem mais poderoso do mundo. Os portugueses nativos lusitanos se esquecem que há em Portugal cerca de 1 milhão e meio de “bronzeados” cidadãos portugueses tal como Barack Hussein OBAMA. Número aumentado espantosamente após o 25 de Abril de 1974, com as independências das colónias portuguesas em África. Cerca de 15% da população portuguesa são “negros e afins”.

O “efeito OBAMANIA” começou a se esboçar na Europa, antes da sua vitória, com algumas manifestações em entrevistas e em blogs dos chamados negros europeus: “Noirs Européens” ou “Black Europeans” – NEGROS EUROPEUS em França e na Inglaterra (incluindo os ditos mestiços). Isto é, os cidadãos de origem africana e das Caraíbas nascidos (2ª, 3ª e 4ª gerações) ou a viverem também como cidadãos europeus por terem a nacionalidade desses países. A Inglaterra e a França e a Suécia tiveram e tem ministros, secretários de estado, embaixadores e por quase toda a Europa comunitária há elementos “soi disant” negros na política e em cargos de chefia na função pública, polícia, magistratura, et cetera.

Como vêm não é somente nas selecções de futebol europeias onde há “bronzeados” com uma nacionalidade europeia.

Portugal ainda “dorme” apesar de nos partidos com assento parlamentar, haver elementos portugueses “bronzeados” (“negros” portugueses mais claros e mais escuros). No parlamento português há dois deputados. Um no partido de direita CDS (mais a extremo). E outra, uma senhora vice – presidenta do parlamento. Para a propalada “convivência de 5 séculos” em África é cousa pouca. Sem expressão cívica por passar despercebido ao comum do cidadão de Portugal onde predomina em força o ismo contra “o bronzeado” apesar de no verão todos querem ficar bronzeados. No entanto não assumindo essa cor de pele “enegrecida” como mais valia social perante à presença de outros “bronzeados” naturais” – a que chamam com desprezo de “esta gente”, no sentido de ser uma perda de tempo pelo atrevimento em não aprenderem o seu lugar na sociedade em Portugal. O mundo avança contra os “ismos” e Portugal conservador continua adormecido (por opção cultural e sociopolítica dos “ismos”).

Há ideia de um pressuposto de um efeito OBAMA na Europa, assusta e “tira o sono” à maioria do português nativo lusitano em Portugal mais que nos próprios Estados Unidos da América (incrível). Verificável pelos debates, comentários na rádio e televisão e na comunicação social portuguesa, antes e depois das eleições. A excepção só confirma a regra. Por isso a esses portugueses e portuguesas de excepção não se aplica este texto. Estão contra a corrente geral do estabelecido (main stream).

No Brasil e nos brasileiros, graças ao Presidente LULA (independente de tudo o mais) tem mudado o preconceito institucionalizado desse Brasil, herança de um sistema escravocrata colonial português, mantido na mente ainda hoje, quer do mentor europeu quer do alvo dessa discriminação – o “bronzeado”. Séculos não se curam em décadas. O Holocausto judeu todo o mundo fala e foi “reparado”. Do Holocausto africano ninguém quer falar. Sentem-se todos incomodados. OBAMA lembrou a escravatura no seu primeiro discurso presidencialista. E ele nem descende de escravos afro-americanos. Por isso está mais “livre” de o fazer e libertou o dito “africano-americano” e mesmo o “euro-americano” do estigma da escravatura no imaginário colectivo. “YES WE CAN”. Um dia o Brasil terá o seu OBAMA (mais escuro, porque mais claro já o têm – Presidente Lula da Silva). Podem escrever. O meu sentido de premonição tem acertado. Em Dezembro de 2004 escrevi e publiquei para fixarem o nome desse jovem senador “bronzeado”, Barack OBAMA. Todo o mundo me chamou de louco; complexado; recalcado; et cetera. (Ainda há quem me chame assim - sobretudo na dita lusofonia e em Portugal e “tugas” no Brasil e em África, e, se calhar alguns até aqui no recanto das letras e no jornal Autarca…kakakaka). Sem crise tenho costas largas. Podem bater com o látego da ignorância e do preconceito dissimulado e depois nem precisam deitar vinagre e sal para cicatrizar as feridas como nos tempos da escravatura no Brasil. Minhas costas de “visionário” são de aço inox, chapa tripla. Rsrsrs (risos). Prefiro um racista assumido ou assumida …a um paternalista ou maternalista que vêm com falinhas mansas pra boi dormir. E como não sou boi, que caia fora. Kakakaka... (rio ao escrever para não ser idiota e chorar).

Quando predisse que OBAMA podia um dia chegar a Presidente dos Estados Unidos foi em Dezembro de 2004. Surgiram tons de indignação e de incredulidade contra a minha afirmação tanto dos que se chamam a si mesmo de brancos (no topo) como os que aceitam a imposição vertical de serem negros (na base) e não simplesmente seres humanos ou gente, pessoa. Quando os europeus chegaram à região subsaariana, que chamariam de África Negra (1441-45) os africanos pré-coloniais não tinham o conceito de branco e preto ou negro para gente europeia e africana na cor da pele. Na África Austral, chamavam-se a si mesmos de ba-NTO: pessoas, seres humanos. (A norte do continente os europeus, chamariam de África branca por ocupada por mestiços de árabes com os “demasiado bronzeados”). “Ba” de baNto, é prefixo para plural. “Mu” para singular. MuNto pessoa; baNto; pessoas, seres humanos. No mundo todos somos baNTo. A importância do “bronzeado” OBAMA, está não só no “livro novo” na história dos EUA, mas sobretudo quando ele se refere que na América não há cores de pele mas “people” (pessoas) – seres humanos. Deve ser do ADN baNto africano que também possui, misturado com o anglo-saxónico, que lhe dá essa dimensão de “homem global” no melhor sentido da palavra. No fundo OBAMA e todos nós, somos afinal simplesmente baNTO. Todos sem excepção mesmo os que nos estão a ler neste momento.

Foto: AFP
João Craveirinha, Olisipo, 7 Novembro 2008. Sexta-feira: 02h33.