quarta-feira, abril 23, 2008

Os bons sinais da diplomacia moçambicana

O Presidente eleito do Zimbabwe já esteve em Moçambique, veja aqui. Nestas fotos que eu gostaria de postar aqui se mostra um pouco da viragem da diplomacia moçambicana. Nas fotos vêem-se o Presidente do principal partido de oposição, a Renamo, e o ex-Presidente da República a exercerem algo do que uma vez clamei aqui no reflectindo – em Moçambique temos os que podem contribuir para a pacificação de África. Lamento que não se mostram os acompanhantes da delegação do ex-PR, mas na do Presidente da Renamo, se vê Eduardo Namburete, o Ministro-sombra das relações exteriores. Também lamento não ver Raúl Domingos a contribuir na pacificacão do Zimbabwe. Será que Domingos se demitiu?

Nos relatos se diz que o Presidente eleito do Zimbabwe se encontrou com o PR de Moçambique, Armando Guebuza, mas não há fotos que testemunhem. Alguém censurou o encontro?

segunda-feira, abril 21, 2008

Quatro ou cinco homens, a mesma história (3)

Sani Abacha
Sani Abacha é a continuidade de Ibrahim Babangida e que até podia não ser interessante nesta série, razão pela qual o título inicial é quatro ou cinco homens. Porém, há factos importantes que marcaram o regime de Abacha e até ao fim deste.
A 17 de Novembro de 1993, o governo interino de Shonekan apresentou a sua demissão devido a problemas políticos e sociais na Nigéria, ainda que a Suprema Corte o declarasse inconstitucional. Nesse mesmo dia, o Tenente General Sani Abacha, proclamou-se Chefe de Estado da Nigéria e manteve-se à frente do Ministério da Defesa assumindo também o cargo de chefe das forças armadas.

Em Junho de 1994, o presidente eleito e golpeado, Moshood Abiola foi preso. A prisão do Abiola provocou a greve de petroleiros e de outros sectores de produção na Nigéria. Para meter medo, o governo de Sani Abacha executou muitos dos seus opositores entre eles 60 oficiais que participaram num movimento contra o ditador.

A execucão por enforcamento do activista Ogoni Ken Saro-Wiwa, a prisão do presidente eleito Abiola e do general Olusegun Obasanjo, a condenação em "abstentia" do proeminente escritor Wole Soyinka, o banimento dos partidos políticos e o controle da imprensa, foram alguns dos pontos mais altos do regime ditatorial de Sani Abacha.

Abacha morreu subitamente em Junho de 1998 e o chefe do Estado Maior Abdulsalami Abubakar foi empossado Presidente da República. Abubakar rapidamente anunciou a transição do país à democracia o que permitiu que Olusengun Obasanjo fosse democraticamente eleito Presidente da República

Fonte: ver aqui e

Kofi Annan preocupado com situação do Zimbabwe

Para Thabo Mbiki, Armando Guebuza, José Eduardo dos Santos não há crise no Zimbabwe, mas assim não é julga o homem que já lidou com muitas crises ao nível mundial. O Ex-Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, faz as seguintes perguntas: "Onde estão os africanos? Onde estão os líderes e os países da região? O que estão a fazer? Como podemos ajudar a resolver a situação?”

sexta-feira, abril 18, 2008

Quatro ou cinco homens, a mesma história (2)

Ibrahim Babangida
Quando em 1993, o Reino Unido e os Estados Unidos da América suspenderam a ajuda militar e congelaram as relações diplomáticas com a Nigéria, sob regime ditatorial do general Ibrahim Babangida, este viu-se forçado a promover eleições presidenciais que já vinham sendo adiadas e que realizaram-se a 12 de Junho de 1993.

Nessas eleições, Bashir Tofa, candidato pessoal do ditador Ibrahim Babangida ou da ala governamental, foi derrotado pelo empresário oposicionista Moshood Abiola. Posto que o candidato do regime nao foi eleito pelo povo nigeriano, Babangida anulou as eleições, alegando fraude.

Dois meses depois, fingindo vontade em deixar o poder, Babangida nomeiou Ernest Shonekan para presidente do governo interino a que chamou de GUNN (Governo da Unidade Nacional da Nigéria) e que duraria até Fevereiro de 1994. Neste governo, Sani Abacha é nomeado Ministro da Defesa.

Fonte: Aqui

quinta-feira, abril 17, 2008

Moçambique e a pedofilia

Há ou não há pedofilia em Moçambique? Ximbitane na lenha escreveu um artigo para debate. Leia aqui!

segunda-feira, abril 14, 2008

Quatro ou cinco homens, a mesma história (1)













O que se está a passar no Zimbabwe é apenas uma repetição do muito que se passa na nossa África. Alguns casos são ou foram bem visíveis e convincentes tanto mais que à nossa história, a história de África e a do mundo inteiro, não se lhe escapou registar com letras garrafais.

Alguns escaparam e outros foram apenas registados por algumas pessoas que o quiseram fazer ou o viram com outros olhos. O nosso próprio país tem muitas histórias relacionadas com as eleições. Infelizmente são histórias registadas por quem o quis fazer ou teve o cuidado em distinguir o estranho, isto é, o normal do anormal.Entre os casos bem registados, na nossa história, está a Nigéria de Ibrahim Babangida e depois Sani Abacha, o Madagascar de Didier Ratsiraka, o Quénia de Mwai Kibaki e o agora recente Zimbabwe de Robert Mugabe.Para ver-se a analogia, entre os quatro ou cincos homens, vou tentar descrever, numa série de artigos, como eles fizeram golpe palacial depois de derrota eleitoral.



sábado, abril 12, 2008

Governo da unidade nacional (1)

Será que se procura agora a criacão de um governo da unidade nacional? Ao MDC se deve impor isso como se fez em Quénia? Porquê agora um governo de unidade nacional e não antes? Estes são alguns dos meus pobres pontos de reflexão.

quinta-feira, abril 10, 2008

SADC – que esperamos deste clube político?

Segundo muitas fontes a SADC convocou uma cimeira de emergência para intervenção na crise do Zimbabwe onde os resultados das eleições presidenciais não saiem só porque o Robert Mugabe as perdeu. Que SADC tenha convocado uma cimeira ou uma reunião de alto nível é de elogiar porque permite-nos ouvir o clube, chamo-o eu, em discurso directo. De lembrar que o SADC tem uma grande responsabilidade nisto, pois se pode questionar pela sua missão de observadora nessas eleições em que os resultados nunca saiem.

Porém, sou muito céptico como muitos entre eles o meu mundo, quanto ao que membros do mesmo clube podem fazer. Lembro-me do que aconteceu em Março do ano passado quando o regime mandou amachucar o presidente eleito pelos zimbaweanos, Morgan Tsvangirai, (o resto são tretas, pois como disse Desmond Tutu, se Robert Mugabe tivesse vencido nestas eleições teriamos o ouvido e visto a jubilar) o clube foi para Dar-es-Salam. Antes da cimeira o Presidente zambiano tinha uma posicão de louvar, pois condenava a atitude do regime do Mugabe. Porém, chegado em Tanzania virou a favor do Mugabe e o seu regime responsabilizando à Grã-bretanha pelo sofrimento do povo irmão do Zimbabwe. Por esta razão, começo a receiar que os membros do clube vão lá para empossar o Mugabe como rei de Mugabeland.

Ora nessa cimeira do sábado, dia 12 de Abril estará provavelmente o tirano Mugabe a falar e não o presidente eleito Tsvangirai. Se o Mugabe não estiver lá por ser “persona no grata
”, será de facto, pela primeira vez na história de SADC. Entretanto, é exactamente isto que a SADC precisa para que a vejamos não como um clube de amigos, mas numa organização séria da nossa região. Se durante o regime do apertheid e minoritário na África do Sul e então Rodésia, os seus governos não iam para as cimeiras da então SADCC, não há agora que se reaceiar em pôr de fora o Mugabe e o seu regime.

segunda-feira, abril 07, 2008

Aziz Pahad e a teoria de conspiração

O caso da demora dos resultados eleitorais

É do nosso conhecimento que a maioria dos governantes africanos constituiu um clube onde os seus adversários são os seus próprios povos e quem queira falar em defesa desses povos africanos. Se jornalistas, esses que em eleições democráticas têm o poder investigativo e muitas vezes os primeiros o anunciar o prognóstico dos resultados, logo depois do encerramento das urnas, baseando-se de entrevistas aos eleitores são também adversários do clube dos governantes. Agora ao falarem de riscos a uma fraude eleitoral nas presidenciais do Zimbabwe, tudo é uma teoria de conspiração. É isto que Aziz Pahad, Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros de África do Sul nos mete nas nossas cabeças em defesa de quem faz coisas que o regime do apartheid já fez contra o povo sul-africano.

Todo aquele que suspeita o motivo da demora da publicação dos resultados das eleições presidenciais no Zimbabwe não faz mais nada que uma teoria de conspiração. Segundo, o clube, em Zimbabwe nunca houve fraude eleitoral. Mesmo em Moçambique nunca houve, pois a discussão era a mesma e as equipas do jogo eram as mesmas.

Os nossos governantes não gostam de observadores independentes como é o caso de jornalistas independentes, jornalistas não preparados para escamotear a verdade. Os independentes revelam a verdade o incomoda ao clube dos dirigentes africanos – essa verdade deve-se transformar em teoria de conspiração.

Para os governantes africanos, os governados devem esperar pela vontade de quem tem o poder. E, tudo o que de lá se diz é uma verdade absoluta. Até eles preocupam-se por coisas que para os governados são mesquinhas, pois, há mais garantia de que eles vão revitalizar o seu clube com membros mais robustos do que ao contrário. São escassos os casos em que a transferência de poderes é a favor do povo, isso que teria sido fácil naltura das independências dos país africanos ou com a introdução do multipartidarismo, mas não aconteceu em muitos casos, exceptuando o Botswana e Cabo Verde entre os poucos. Os jornalistas estão a cumprir a sua tarefa e não fazem nenhuma teoria de conspiração.
Leia também aqui

sexta-feira, abril 04, 2008

Na audição pela PIC: Ziqo confirma vídeo pornográfico e chora

O CANTOR moçambicano Ziqo, ouvido ontem pela Polícia de Investigação Criminal (PIC) da cidade de Maputo, confirmou ser ele a pessoa que aparece no vídeo pornográfico com uma jovem de identidade não revelada, acto descrito pelas autoridades como sendo de ultraje à moral pública. Durante a audição, o músico mostrou-se arrependido de ter feito o referido vídeo, tanto mais que chorou perante o agente da PIC encarregue de investigar o caso.

Ao que apurámos, o processo aberto contra Ziqo, de 26 anos de idade e que se fazia acompanhar do seu advogado, Hélder Mathaba, e agente, Bang, foi instruído pela PIC e Ministério Público, após considerá-lo um atentado à moral pública e ao bom nome. Para as autoridades, porque se dá o benefício da dúvida, ainda não há matéria que possa conduzi-lo à prisão.

O delito está previsto Artigo 420 do Código Penal que determina: “O crime escrito ou desenho publicitário ou por outro qualquer meio de publicação, a pena será a de prisão até seis meses e multa até um mês”.

O seu julgamento é sumário, mas, porque faltam alguns elementos por esclarecer no processo, como audição da jovem que aparece no vídeo, sua amiga e o “câmara-men”, bem como a identificação do local do crime e equipamento usado para o efeito, a polícia aventa a hipótese de o mesmo vir a levar alguns dias.

Em declarações à PIC, Ziqo disse que o vídeo foi feito num dos compartimentos da sua casa, em que tomaram parte quatro pessoas. Para além dele e da moça, estiveram um dos seus amigos e autor das filmagens, de único nome Leonildo, e uma segunda jovem amiga da que aparece no filme.

Conforme explicou, o acto aconteceu depois de muita insistência por parte da moça que, se declarando sua fã, insistentemente pediu para que os dois se avistassem, pedido que veio a ser aceite no segundo semestre do ano passado. Ao invés de a jovem fã se deslocar à casa do músico sozinha, fê-lo na companhia de uma amiga.

De acordo com Ziqo, nesse dia acabou envolvendo-se em relações sexuais com a fã e a amiga recusou-se a fazer o mesmo com o amigo do cantor, neste caso o operador do vídeo (Leonildo), alegando não ter gostado dele.

Assim, ainda segundo as declarações do músico, prestadas à PIC, enquanto ele mantinha relações sexuais com a jovem, Leonildo procedia à filmagem do acto e a amiga da fã limitava-se a assistir, mas nua.

Terminado o acto, de acordo com as suas palavras, as duas jovens desapareceram e nunca mais voltou a se cruzar com elas, muito menos manter qualquer contacto via telefone.

Entretanto, segundo Ziqo, a 18 de Agosto do ano passado, foi-lhe roubado o telemóvel que continha o vídeo. O referido larápio é um homossexual que o identificou pelo único nome de Engrácio, que naquele dia esteve em sua casa. Questionado se havia feito qualquer participação do roubo às autoridades da Lei e Ordem, Ziqo não conseguiu justificar, muito menos explicar as razões que o levaram a ficar em silêncio quando o vídeo começou a circular na Internet e em vários telemóveis.

Em breves declarações à Imprensa, o agente do músico, Bang, da Bang Entretenimento, confirmou o rompimento do contrato entre a mcel e o músico. Segundo ele, tal medida não se estende à sua agência e em nenhum momento, segundo as suas palavras, os 13 músicos que fazem parte da Bang Entretenimento irão deixar de prestar apoio ao Ziqo, visto ser este o produtor da maioria dos colegas.

Nos próximos dias, as audiências para este caso prosseguem, devendo a PIC ouvir Engrácio, suposto ladrão do telemóvel de Ziqo, as duas jovens e o autor do vídeo.

Retirado daqui

quinta-feira, abril 03, 2008

Eleições do Zimbabwe IV

Quem são os amputados?

Pelo menos os resultados das eleições legislativas no vizinho Zimbabwe já foram oficialmente publicados pela comissão eleitoral. Estas foram ganhas pelo principal partido da oposição, o MDC do Morgan Tsvangirai. O MDC venceu 99 assentos no parlamento contra os 97 do partido do presidente Mugabe, o Zanu-PF. Isto, enquanto que 10 assentos foram conquistados pelo MDC de Arthur Mutambara e 1 pelo candidato independente Jonathan Moyo, o antigo ministro de Informação do Robert Mugabe, uma vez vaiado pelos jornalistas moçambicanos em Maputo. Esperamos agora com certa (im)paciência os resultados das eleições presidenciais. Para alguns de nós é difícil encontrar a razão da demora do anúncio destes resultados.

Desde que as eleições foram realizadas, a 29 de Março, nunca ouvimos mais o Robert Mugabe a falar. Já deixou de cantar que Tsvingirai e o MDC eram agentes britânicos enquanto que ele e a sua ala do Zanu-PF os nacionalistas? E o que diria ele agora quanto ao povo zimbabweano que não os votou maioritariamente?

Seja como for é razoal dizer que Robert Mugabe já foi amputado. Mas será só e a sua ala do Zanu-PF os únicos amputados pelas eleições zimbabweanas? Isso não parece ser. Há poucas semanas antes das eleições veio o Mammar Kadaffi ao público para dizer que Robert Mugabe devia ser presidente vitalício; para a cimeira UE-África surgiram vozes mesmo em Moçambique em apoio ao Robert Mugabe; Armando Guebuza e José Eduardo dos Santos declaram-se contra conversações directas entre Robert Mugabe e Morgan Tsvangirai talvez naquilo de verem o último (Tsvangirai) um insignificante. E hoje que dizem Mrs Guebas e Zedu?

quarta-feira, abril 02, 2008

Mocambique nao defende seus cidadaos no exterior

constatação de Manuel de Araújo, deputado da RUEMaputo (Canal de Moçambique) – O presidente substituto da Comissão de Relações Internacionais na Assembleia da República (AR), Manuel de Araújo, defendeu em entrevista exclusiva ao «Canal de Moçambique» que "Moçambique ignora a defesa da dignidade de cidadãos nacionais residentes no exterior bem como dentro do seu próprio País". Segundo aquele parlamentar, "devido à postura dos governantes moçambicanos, o nosso cidadão é considerado como sendo de segunda classe no seu próprio País e no mundo, daí o desrespeito que tem merecido no exterior". Manuel de Araújo, que teceu estes comentários em volta de um assunto recentemente reportado pela Televisão de Moçambique, dando conta de que nossos concidadãos estão a ser maltratados por sul-africanos no país vizinho, tendo aparentemente como móbil, de acordo com a referida reportagem a disputa de empregos, dado que os moçambicanos são mão de obra barata e fazem concorrência considerada desleal pelos trabalhadores sul-africanos preteridos. Leia mais aqui

Eleicões do Zimbabwe III

Acompanhe os resultados das eleições de Zimbabwe que estão sendo divulgados pelo
Zimbabwe’s Independent News Agency aqui

terça-feira, abril 01, 2008

Festus Mogae entrega o poder

Festus Magoe Festus Mogae retira-se e entrega o poder a Ian Khama
O PRESIDENTE cessante do Botswana, Festus Mogae, entregou ontem o poder ao novo Chefe de Estado deste país da África Austral, Ian Khama, numa transição tranquila que contrasta com os cenários políticos de outros países do Continente Africano

Leia: mais

Eleicões do Zimbabwe II

O Bosse está a juntar no seu blog muitos artigos de notícias e opinião interessantes sobre as eleicões no Zimbabwe. Leia por exemplo este:
Mugabe e Africa Austra . Também leia o artigo do chapa100 e os do diário de um sociólogo

segunda-feira, março 31, 2008

As eleicões do Zimbabwe

Eleicoes zimbabweanas : ZANU/PF e MDC em luta renhida - indicam os primeiros resultados que entretanto davam ontem uma escassa vantagem ao partido no poder

O ANUNCIO dos resultados oficiais da eleição dos membros do Parlamento continuou noite a dentro devido á lentidão no processo de verificação dos votos das harmonizadas eleições de sábado no Zimbabwe. Entretanto, até às 19.30 horas de ontem tinham sido divulgados os resultados de 52 dos 210 círculos eleitorais, a ZANU/PF seguia em frente com 26 deputados eleitos, contra 25 da facção do MDC, de Morgan Tsvangirai, e um do MDC, de Arthur Mutambara. Os dados oficiais da eleição presidencial só poderão ser anunciados ao longo do dia de hoje, mas Tsvangirai e o seu partido declaram-se ja vencedores do escrutínio.

Até aqui, a ZANU/PF perdeu um dos seus bastiões, Makoni Central, círculo eleitoral do ministro da Justiça e Assuntos Legais e Parlamentares Patrick Chinamaza, a favor do MDC, de Tsvangirai.

A ZANU/PF tem estado muito longe da Imprensa, contrariamente ao seu rival, o MDC, facção de Tsvangirai, que ontem voltou a convocar a Imprensa para dizer que já esta a pensar na formação de Governo e disse que estava desapontado com a lentidão no anúncio dos resultados oficiais.

Um comunicado do “Independent Results Centre” dava vitoria a Tsvangirai, com 58 por cento, seguido de Mugabe, com 37 por cento; o MDC/Tsvangirai, com 62 por cento e a ZANU/PF com 26 por cento.

Espera/se que os resultados da eleição presidencial sejam conhecidos ao longo do dia de hoje, como prometeu ontem o presidente da Comissão Eleitoral do Zimbabwe (ZEC), George Chiweche. Este indicou que a instituição que dirige precisa de dois dias para anunciar todos os resultados, dada a dimensão destas eleições em que os zimbabweanos foram às urnas para eleger, em simultâneo, um presidente, membros das duas camarás do Parlamento, e representantes locais.

Entretanto, o grupo de observadores da COMESA, da União Africana e da SADC procuravam ontem harmonizar as suas conclusões sobre a avaliação das eleicoes de sábado no Zimbabwe, de forma a produzirem um relatório único.

No entanto, a missão de observadores da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) considerou as eleicoes harmonizadas do sábado no Zimbabwe como pacíficas e credíveis e apelou aos partidos políticos e candidatos concorrentes a respeitarem os resultados do escrutínio.

Num pronunciamento que pareceu mais individual do que de grupo, segundo fontes bem situadas, o chefe dos observadores da SADC, o ministro angolano da Juventude e Desportos, Marcos Barrica, disse que as eleicoes foram caracterizadas pela tolerância e paz e respeitaram os padrões e os princípios da organização regional sobre a matéria.

Barrica disse ser esperança da missão que os políticos zimbabweanos continuem a cooperar e a pautarem pela responsabilidade mostrada ao longo da campanha, considerando que independentemente de quem vencer, ]e preciso respeitar a vontade do povo zimbabweano.

A missão identificou preocupações que, segundo o governante angolano, deverão ser corrigidos nos próximos pleitos eleitorais, como, por exemplo, o acesso desproporcional do acesso aos meios de comunicação pelos diferentes candidatos.

Lázaro Manhiça, em Harare

Fonte: Jornal Notícias

O Comportamento inaceitável do Zico ou Ziqo

Não tenho como evitar um assunto que mexe a minha cabeça como o de um cantor de moda em Moçambique, promovido a star na telefonia móvel como o savana o descreveu. Antes de eu dizer o que está no meu cérebro, quero dizer que fiquei esperando o que vinha dos de tantos que já foram críticos da Dama Bling por mostrar as suas pernas ou para em busca de razão humana por ela ter remexido, remexido a barriga, enquanto estava grávida, ou a Neyma pelos seus olhos azuis. E para já é também importante referir-me da crítica incessável ao Azagaia vinda da classe académica e ou política. Mas o Azagaia transmite uma mensagem à nação de luta contra certa atitude inaceitável de certos governantes, responsáveis pela destruição do nosso tecido social.

O Zico ou Ziqo agiu duma forma inaceitável. Não podemos fazer de contas que não vimos isso. Um artista que devia ser o exemplo de sucesso para os nossos jovens não devia estar a produzir filmes pornográficos como ao que vimos. Até me interrogo se aquela mulher jovem foi voluntariamente filmada a fazer relações sexuais assim visivelmente. Se foi voluntariamente sabia ela da consequência como está de voluntaria ou invonluntariamente estar a assistí-la? Alguma medida correctiva devia se tomar pela sociedade. A medida tomada pelo Mcel é muito correcta entanto que é uma empresa. Resta saber o que mais se fará para marcar-se a fronteira entre o que aceitamos e o que não aceitamos.

domingo, março 30, 2008

O homem branco é salvador da mulher negra?

A nossa escritora Paulina Chiziane acaba lançando um livro que ainda não o li, mas julgo-o de muito interessante por ela abrir mais um espaço para debate social em Moçambique. No título de um artigo que retirei do Mocambique para todos vem: Muitas mulheres moçambicanas olham homem branco como salvação. Isso por si é interessante.

Também me interrogo pela afirmação de que a província da Zambézia tenha a maior miscigenacão. O que dizem as nossas estatisticas, os nossos sociólogos, historiadores ou todos esses estudiosos das ciências socias? Revelam este segredo? E se não, porquê? Disto recordo-me de a Zambézia ter sido considerada a província com mais assimilados ou cidadãos com nacionalidade portuguesa na altura da independência nacional. E o que aconteceu a esses concidadãos? Há quem ousa estudar esse fenómeno?

O título também me lembra do Ualalapi que li há muitos anos atrás sobre como a mulher indígena era usada sexualmente pelo homem branco. Haverá alguma contradição? Será que a mulher indígena, a negrita, que se metia com homem branco, fazia isso voluntariamente, isto é, era para fazer filhos mulatos que escapassem do xibalo ou escravatura? E (todo) o homem branco que se metia sexualmente com uma mulher negra/indígena era de facto por amor? Se pus o todo entre parenteses é porque de facto conheci homens brancos que se casaram com negras por amor embora não saiba se as negras aceitaram os brancos como uma salvação ou por amor.

Profundamente indo, podemos reflectir do porquê no tempo colonial era difícil que um homem negro se casasse com uma mulher branca? Indo aos factos, parece que isto mudou ou ficou equilibrado depois da independência. Mas teria isto mudado por uma declaracão? Porquê agora e não antes?


Há algo a reparar, pois enquanto uma mulher portuguesa de cor branca, era até 1975 difícil de se casar com um moçambicano negro, hoje há muitas mulheres, principalmente doutros países que Portugal que se casam com negros moçambicanos. Como se explica isto?

domingo, março 23, 2008

Túnel sem luz

Mais uma vez trago aqui um artigo de um dos meus cronistas mais favoritos. Deliciem, caros leitores do reflectindo sobre Mocambique

A talhe de foice

Por Machado da Graça

Neste nosso bizarro mundo político estamos a assistir a um fenómeno interessante: Por um lado, temos as duas principais figuras do Estado, o Presidente da República e o Presidente do Parlamento, a fazer análises políticas, de alguma forma auto-críticas, das razões que levaram às manifestações de Fevereiro e à onda de linchamentos a que continuamos a assistir.
Por outro lado temos uma quantidade de gente, na área do Poder (no Estado ou no partido Frelimo), a dizer uma série de disparates para justificar os mesmos acontecimentos, em que aparecem sempre, com destaque, as famosas mãos estranhas.
Segundo o Canal de Moçambique, Guebuza terá dito: “As manifestações que aconteceram em Maputo no passado dia 5 de Fevereiro e que certamente todos acompanhámos, e que alguns chamaram de greve e outros de tumultos sociais se devem ao facto de o povo estar cansado de sofrer e servem de lição para que se redobrem esforços na mitigação dos problemas de que padece o país..”
Por seu lado Eduardo Mulembué terá dito: “As questões relacionadas com a pobreza urbana têm recebido pouca atenção em Moçambique, embora a taxa de pobreza urbana seja elevada e a desigualdade urbana esteja a subir. Nos bairros de Maputo o desemprego, criminalidade e altos custos da alimentação, habitação e terra inibem os pobres de converterem o progresso na educação e saúde em rendimento e consumo melhorados. Num contexto onde o dinheiro é uma parte integrante da maioria das relações sociais, os mais destituídos tornam-se marginalizados sem ninguém a quem recorrer. A subida da pobreza urbana e desigualdade em Maputo causam também um impacto adverso nas relações vitais urbano-rurais e podem por em perigo a estabilidade política.”
Outras vozes, do lado da Frelimo, se fizeram igualmente ouvir. Uma delas foi a do antigo Ministro da Saúde, Dr. Fernando Vaz, que afirmou: “Só quem não olha muito profundamente para os problemas do povo é que pode ter fé que isto está bem. Nada disso. Na verdade nada está bem e o país vai mal. Se pretendermos explicar a génese do problema, veremos que não há um factor só para este tipo de manifestações. (...) Penso que os sociólogos já disseram tudo e avançaram com algumas ideias. Não há outra hipótese se não o governo olhar para as condições sociais das pessoas. Têm que se criar políticas sociais e para isso os governantes devem ter criatividade. Isto não é tarefa fácil e que se resolve do dia para a noite, com o pagamento de gasolina aos chapas. As manifestações são produto de um movimento espontâneo e não orquestrado. As pessoas reclamam porque não têm e nunca sabem quando as terão.
Como é óbvio não se trata de vozes de marginais irresponsáveis. Trata-se de pessoas que olham para os problemas sem os simplismos de quem nem sequer reconhece a existência de problemas quanto mais ter capacidade para encontrar soluções para esses problemas.
E aqui acabamos por encontrar um dilema que poderá estar na base de tudo isto: Por um lado o actual sistema político exige a existência de um partido forte que permita ganhar eleições e manter o Poder político para implementar estratégias e tentativas de solução.
Por outro lado a organização partidária da Frelimo foi destruída e transformada numa mera máquina de conquistar votos, seja lá como for. Sem consistência ideológica e sem quadros dedicados a uma causa que não seja o seu próprio enriquecimento pessoal. A reflexão política foi substituída pelo arrivismo, pela procura dos benefícios pessoais e pelo desprezo pelos problemas dos outros. Pelos problemas da maioria dos moçambicanos.
E, quando ouvimos comentários como os que se transcrevem acima, já estranhamos, já nos parecem coisas de um outro mundo há muito ultrapassado e esquecido.
Ao contrário dos primeiros anos da Independência, em que nos diziam para pensarmos e encontrarmos soluções, agora dizem-nos para não pensarmos muito e votarmos em quem nos dá camisolas, bonés ou pasta para os dentes. Mesmo que esses produtos cheguem ao país em contentores contendo contrabando para algumas figuras do partido.
Isto para além de haver locais onde, para ganhar as eleições, se expulsam os fiscais da oposição e se atulham as urnas com votos a favor do partido dirigente. E fique toda a gente impune apesar de estes dislates serem denunciados e provados.
A sensação que fica é que a direcção da Frelimo teve muito trabalho a rodear-se de gente que não faz ondas, obedece e cumpre o que lhe mandam, afastando assim as cabeças pensantes mais solidamente formadas em termos ideológicos.
Se tivéssemos uma oposição capaz eu diria que era tempo de a Frelimo passar um mandato ou dois fora do Poder para se voltar a encontrar e voltar a saber o que quer e como lá quer chegar.
Como não temos, não vejo solução a curto prazo. Sou francamente pessimista.
A terceira força não surgiu e, portanto, continuamos sem saber se devemos ficar na frigideira ou se devemos saltar fora e ir cair no fogo.
Só que, continuando as coisas assim, tenho a desagradável sensação de que vamos viver cada vez mais momentos de desassossego e violência no nosso dia-a-dia.
Sem que se veja a famosa luz ao fim do túnel...
SAVANA – 21.03.2008

quinta-feira, março 20, 2008

rotatividade política?

Essa de rotatividade não entendi ou claramente dizendo, fiquei confuso. Falar de rotatividade gera muita confusão para mim, pois que, uma rotatividade num sistema político é diferente da do sitema solar. Falando de rotatividade política até dá-me outras dores de cabeça porque sei que é na sua falta que tudo está parado em Mocambique. Parece-me que haja quem pense que uma estação do ano deva obrigatoriamente ser igual a uma geracão humana. É que por exemplo a Primavera reaparece depois de cada ano, mas geracões humanas são sempre diferentes

Concordo com ideia do ex-general Malaqueta de rotatividade, mas como se faria e como vai-se fazer? Respeitando as regras do AGP de Roma ou voltando ao regime de partido único???

Não haverá aqui uma razão para suspeitar que a remodelacão ora feita tenha um único vítima???: Mateus Ngonhamo, pois que o Lagos Lidimo pode ser nomeado a qualquer coisa no governo da Frelimo. Mas se ser moçambicano não é necessariamente ser membro e simpatizante das rufadas do batuque e a massaroca, não há razão de vermos Mateus Ngonhamo nas ruas ou baracas de Maputo. Ngonhamo elevou o seu nível académico, muitos de nós sabem. Entretanto, se isso acontecer, Ngonhamo não será a primeira prova da frelimizacão da cidadania mocambicana. Tivemos o caso do falecido Eng Domingos Pilale que não só ele foi vítima, mas também a esposa sob campanha aberta do dono da Frelimo. Temos o caso do Benjamim Pequenino, mestrado em governação e desenvolvimento, na Grã-bretanha e acima de tudo mostrou individualmente o melhor desempenho dum dirigente moçambicano ao reogarnizar efectiva e examplarmente os Correios de Moçambique. Entretanto, Benjamim Pequenino, de pessoa muito grande e que devia ser muito mais, foi feito de de mais pequenino. E assim é o governo de Armando Emílio Guebuza.
Uma das coisas mais interessantes na teoria de comspiracão em Mocambique é acontecer tudo o que se prevê. Falou-se há meses duma possível vassoura nas FDM onde Mateus Ngonhamo seria um dos vítimas e aconteceu. Fala-se de o Presidente da República nunca vir a exonerar o ministro-cunhado responsável pelas mortes em Maputo e de facto não o faz.