quinta-feira, junho 28, 2007

TVM – caixa de ressonância de perversos!

Por Edwin Hounnou

A Frelimo continua a manipular a opinião pública, ao transmitir uma mensagem falsa segundo a qual “Simango é reaccionário”, uma mentira desmascarada pela história. A Televisão de Moçambique, TVM, como um órgão público, não deveria passar uma publicidade tão maldosa, inaceitável, mesmo em campanha eleitoral. Quem se orgulha de ser injusto, não é filho boa gente, diz um ditado.
A Frelimo agride a história recente de Moçambique. É uma injúria que marca os que decidiram matar seus concidadãos por terem opinião diferente.
Como se não bastasse o hediondo crime, os seus mentores deleitam-se, mergulhados em poltronas, saboreando whisky envelhecido, ao som de uma canção macabra.
A publicidade é degradante, fere a sensibilidade de um importante sector da sociedade. Simango e seus colegas do martírio foram mortos quando o País já era independente, com as instituições do Estado implantadas no território nacional. Matar prisioneiros, sejam de guerra ou consciência, é um acto cobarde, próprio de facínoras que se desculpam estar a defender interesses populares.
Simango e a mamã Celina deram o melhor de si pela libertação da Pátria.
Deixaram filhos que muito honram e prestigiam seus progenitores e o País, pela sua dedicação ao trabalho e inteligência, apesar de terem sido arrancados, de tenra idade, do calor familiar por um regime déspota que se instalou na Ponta Vermelha, a seguir a Independência Nacional.
Sugerimos aos filhos de Simango - Lutero e Davis - a processarem, criminalmente, a Frelimo e a desprestigiada caixa de ressonância do partido no poder, TVM, recorrendo, se necessário, às instâncias internacionais.
Simango foi um homem honrado e de bem, merece que a sua memória seja respeitada.
Nunca se deve reconhecer o totalitarismo político como um princípio entre os seres humanos. O colonialismo
era totalitário com a PIDE a prender-nos e a matar-nos. Foi por isso que decidimos lutar contra o sistema. Não foi por uma imposição ideológica de moçambicanos por moçambicanos que muitos de nós gastamos a nossa juventude, combatendo - Uria Simango, na Beira. In “Uria Simango – Um homem, uma causa”, pp. 315, Bernarbé L. Ncomo. Um reaccionário não pode pensar de tal modo.
Quando o direito de pensar estava reservado a um grupinho que chamava a si a prerrogativa de tirar a vida aos outros, por terem um pensamento diferente, discordávamos, em surdina.
Não foi para isso que o povo combateu, de armas em punho, o colonialismo.
Não era para expulsar um bandido branco para, no seu lugar, pôr um bandido de pele negra, como veio a acontecer.
Ao cantar e difundir uma canção ultrajante e provocatória, a Frelimo mostra a sua arrogância, a falta de respeito e ameaça a paz! O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem-carácter, nem dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons!- Martin Luther King.
A repartidarização era previsível com a nomeação de Simão Anguilaze para a direcção da TVM. Em tempo oportuno, questionámos este facto. O tempo dá-nos razão. A Frelimo não tem noção de Estado, ficou claro nos festejos de 25 de Junho. Ficou-se sem saber se estava a celebrar a os 32 anos da Independência Nacional ou os 45 da Frelimo.
A quem serve, de facto, o 25 de Junho? Ao povo, não. Temos imensas dúvidas. Talvez aos fundadores do 25 de Junho de 1962, suas famílias e sequazes, que tratam do Estado e Independência como suas propriedades privadas, misturando confundem tudo e todos.
A TRIBUNA FAX – 28.06.2007

Atentado à liberdade e democracia

Segundo notícias que circulam em alguns jornais e Blogs de Maputo (ver: Canal de moc ou curto & grosso ), o porta-voz da Renamo, Fernando Mazanga, ficou detido pela polícia por cerca de duas horas por ele ter fotografado o local das celebrações do dia da independência nacional. Segundo as mesmas fontes, Mazanga explicou claramente ao polícia que o interpelou que estava a provar os contrastes entre a riqueza absoluta e a pobreza absoluta. Será que esta razão chega para um cidadão ser detido? Não se trata disto um atentado à liberdade e democracia?

quarta-feira, junho 27, 2007

Máximo Dias diz ter sido fundador da Renamo com André Matsangaissa

Dos 16 anos: Máximo Dias assume culpa pela guerra – e diz ter sido o fundador da RENAMO juntamente com André Matsangaíssa
O PRESIDENTE do MONAMO, Máximo Dias, revelou esta segunda feira, em Maputo, que ele e André Matsangaissa fizeram parte do grupo de cidadãos que fundaram a então Resistência Nacional Moçambicana, em 1976 na cidade da Beira, província de Sofala.
Este político que é deputado da Assembleia da República, por força da coligação União Eleitoral, revelou ainda que André Matsangaissa pode ter sido morto pela própria Renamo, enquanto movimento de guerrilha, por alegadamente nunca ter aceite a forma como os seus companheiros de luta conduziam a guerra que dilacerou o tecido económico e social moçambicano.
Segundo suas afirmações, metade dos 32 anos da independência nacional foram gastos com a gestão da guerra dos 16 anos, movida pela Renamo contra a governação da Frelimo.
“Metade dos 32 anos da independência foi com a guerra civil, eu sou um dos responsáveis da guerra e assumo a responsabilidade. Eu fui um dos fundadores da Renamo, juntamente com André Massangaissa e outros companheiros”, revelou, esclarecendo, por outro lado, que Afonso Dhlakama não é membro fundador daquele antigo movimento de guerrilha.
Segundo deu a conhecer a então Resistência Nacional Moçambicana foi fundada na cidade da Beira, em 1976. Informou ainda que já em 1978, ele fugiu para Portugal, via África do Sul, país este onde permaneceu durante 15 dias antes de seguir viagem para a Europa.
Disse que nunca revelou que foi um dos fundadores da Renamo, mesmo em 1976, quando interrogado pela Frelimo, teria negado, alegadamente porque o ambiente político não era favorável.
“Nós quando fundamos a Renamo não pretendiamos destruir o país, mas obrigar a Frelimo a mudar a sua política de exclusão, mas os então regimes da África do Sul e da Rodésia, aproveitaram-se deste movimento tranformando os guerrilheiros nacionalistas em mercenários de baixo custo, destruindo pontes, cortando linhas transportadoras de energia eléctrica e cometendo outros desmandos”.
Segundo Máximo Dias, o então regime da África do Sul e da Rodésia nunca estiveram interessados em apoiar a Resistência Nacional Moçamicana, no sentido de tomar o poder, “mas o que na verdade queriam, era usar este movimento para desorganizar a administração da Frelimo. Sempre tive choques com o então regime de Apartheid, porque cedo me apercebi da sua intenção desestabilizadora”.
O nosso interlocutor revelou ainda que quando André Matsangaissa e seus companheiros fundaram a Renamo não esperavam que a luta durasse 16 anos. “Não era essa a nossa intenção, mas conduzidos pelo “Apartheid” e Ian Smith, do regime rodesiano, a guerra acabou levando todo este tempo, uma vez que tinham outros interesses”.
O nosso entrevistado explicou que apoiou a Frelimo até 1976, ano em que viria a se juntar-se a André Matsangaíssa para a fundação da Renamo. “Depois, em Portugal, fundei o meu partido, o MONAMO”.
Reiterou que a sua formação política deixará de existir por, alegadamente, não concordar com o actual modelo de democracia.

Retirei a notícia acima, para mim muito curiosa do Jornal Notícias na sua edicão de 27.06.2007. Estou perplexo, tenho que dizer e gostaria de facto de uma discussão sobre estas declaracões do Dr. Máximo Dias. Constituem alguma verdade? É aceitável a explicacão do Dr. Máximo Dias sobre as razões de ele nunca ter vindo ao público para proclamar-se fundador da Renamo? Há dúvidas sobre as circunstâncias em que morreu André Matsangaissa, consideradas até hoje oficiais?

quinta-feira, junho 21, 2007

Primeiras eleições provinciais multipartidárias

O Presidente da Repúblico marcou o dia 20 de Dezembro para eleições provinciais, cumprindo o que vem emanado na Constituição da República elaborada, discutida e aprovada pelos moçambicanos. Porém, essa data calha dentro do período das chuvas em Moçambique, segundo a lei natural a qual não depende de nenhum ser humano em Moçambique.

É também do conhecimento dos moçambicanos que nessa altura, as dificuldades para votação não dependerão apenas se naquele dia vai ou não chover, mas se desde Outubro, mês conhecido como início das chuvas, choveu ou não, em certas zonas de Mocambique. As chuvas em Moçambique cortam normalmente as vias de acesso sobretudo nas zonas rurais. Nas eleições gerais de 2004 realizadas nos primeiros dias de Dezembro, provaram esta dificuldade e, consequentemente o Conselho Constitucional e todas as comissões de observação eleitoral, incluindo os financiadores recomendaram que actos eleitorais em Moçambique tivessem lugar em épocas secas.

Se bem que o PR cumpriu a Constituição da República, faltou a ele uma reflexão e exploracão da nossa esfera política, de como ele devia marcar as eleições provinciais que à vista não entrassem em contradição com o nosso tempo meteorológico. Tavez só os políticos poderão rogar para que não chova em Moçambique até à data das eleições, algo que por um lado, será sinal de fome em 2008. Por outro lado, suponho possa crie violência em certas zonas, sobretudo rurais. Bastaria lembrar-se que cólera tem criado violência para os políticos moçambicanos nunca desejarem quem no dia 20 de Dezembro não chovesse. A maior parte da população moçambicana vive pela agricultura.

Marcar as eleições para o 20 de Dezembro não era a única opção que o Presidente da República tinhesse cumprido a Constituição da República, pois ela, a CR, permite emendas. O Presidente da República devia ter procurado formas de encontrar um concenso para emendar a CR. Uma das formas teria sido de ele como Presidente da República e de partido no poder promover um debate com os grupos de pressão – partidos políticos e sociedade civil – para ouvir-se das vantagens e desvantagens em realizar eleições nesta ou naquela data. Com certeza, a partir deste tipo de debate, a Assembleia da República teria em conta ao decidir pela emenda ou não. Eu fico a concordar com o Raúl Domingos que esta constitucionalidade, só foi possível porque convém a determinados interesses e não a bem da nação.

Porém, não sei se Guebuza esqueceu-se ou ele possui o que não sabemos!!! eleiçõese ainda estas que requerem um recenseamento de raiz, isto é, requerem muito dinheiro???

terça-feira, junho 19, 2007

Outras pistas

Afonso dos Santos(*)

Estamos certamente habituados a que o autor duma coluna de opinião apresente aí as suas próprias opiniões. E também estamos habituados a que os grandes campeões se limitem a fazer declarações sobre desporto, e, por vezes, adicionem umas frases de efeito fácil sobre qualquer coisa que esteja politicamente na moda, para agradarem aos poderes instalados. Mas vamos hoje enveredar por outras pistas.

O autor da coluna de opinião vai ceder o espaço às opiniões de outro alguém, que é um campeão de atletismo que, como se verá a seguir, também se mostra capaz de correr em outras pistas. “O homem mais rápido da Europa nasceu em África, é português e vive em Madrid. Aos 16 anos, fugiu da Nigéria...”. Chama-se Francis Obikwelu, e tem actualmente 27 anos de idade. (Todas as citações, que serão apresentadas aqui, com a devida vénia, são de uma entrevista feita por Sofia Arêde, publicada no suplemento “Única” do jornal “Expresso”, 1786, 20.Janeiro.2007) Mas não é exacto que Francis Obikwelu fugiu da Nigéria. É mais acertado dizer que ele simplesmente não voltou lá. Da Nigéria, ele saiu oficialmente, como elemento da selecção nacional júnior de atletismo desse país, para ir disputar o campeonato de África, em 1994, na Argélia, e, logo a seguir, o campeonato do Mundo, em Portugal. Ficou em Portugal, como ilegal, é certo; e por isso não pôde continuar a ser atleta. Foi trabalhar como servente da construção civil.

Ele conta: “Misturava cimento, carregava tijolos, às vezes oito andares. (...) Às vezes começávamos a trabalhar às seis da manhã e só terminávamos de madrugada. Vivia na obra. Havia construções que demoravam um ano e nós vivíamos lá, oito ou dez pessoas”. Mas ele: “Pensava que voltaria a correr, que um dia ainda ia ter sorte”. E assim aconteceu, quando o Belenenses o acolheu, após um contacto feito por uma senhora inglesa, que tinha uma escola onde Obikewlu andava a aprender português. Mas vamos vê-lo, agora, percorrendo outras pistas.

Quando, na entrevista, lhe perguntam como é que ele reage às imagens dos milhares de imigrantes que tentam chegar à costa espanhola para entrar na Europa, ele responde: “Eles tentam conseguir uma vida. A culpa não é deles, mas sim dos nossos presidentes em África que roubam dinheiro e deixam as pessoas sofrer. As famílias querem comer, por isso arriscam-se a morrer no mar”.

Quanto à possível solução, ele acha que: “Há muitas. Primeiro, impedir que os presidentes africanos mandem dinheiro para bancos de outros países, como a Suíça”. E as suas opiniões prosseguem assim: “A Europa não precisa de mandar dinheiro para África. Há países ricos, o problema é que os presidentes desses países são mafiosos e roubam a riqueza do país. (...) Quando oiço na televisão que “temos que mandar dinheiro para África”, penso: “Não, isso não existe”. Primeiro, esse dinheiro não vai chegar a nenhum lado. Segundo, vão matar só para poderem ficar com ele. Se não mandarem dinheiro, ninguém vai tentar roubá-lo. (...) A democracia não existe em África. (...) Os presidentes estão lá quatro anos e só pensam em como podem roubar para depois viverem como reis. (...) Em África, quando alguém é bom, afastam-no. Como a nigeriana [Okonjo-Iewala] que foi vice-presidente do Banco Mundial. Fez um grande trabalho, mas o Presidente agora já não está interessado em mantê-la. Os que são bons nunca duram. Ou são afastados, ou são mortos”.

Quem quiser acusar Obikewlu de estar a alimentar a imagem negativa duma África de corruptos, deverá reparar que as suas palavras também apontam o dedo explicitamente à Europa, como sendo quem patrocina essas práticas, o que significa, no mínimo, que esse Continente é cúmplice. Mas, por outro lado, talvez já seja tempo de deixar de tentar tapar a sujeira com a peneira. A sujeira de cá não se limpa tentando deitá-la para os olhos de quem está a ver com toda a clareza o que se passa. Aliás, outras palavras de Obikewlu ajudam a compreender que cada um deve correr por si.

Ele diz: “Corro como se estivesse sozinho na pista”. E, quando lhe perguntam se não vê os adversários, ele responde: “Isso só atrapalha. Não tento apanhar o adversário. Isso é um erro porque estás a correr a prova de outra pessoa”. E como quem diz que “correr não é chegar”, ele conclui: “Quase sempre parto atrasado, mas sou o mais rápido no Planeta nos últimos 40 metros. Não há ninguém neste mundo que faça os últimos 40 metros tão depressa como eu”. Mas Obikewlu também corre numa outra pista: um projecto seu, que é uma escola de atletismo, e que, segundo ele esclarece: “Está a começar aos poucos no Algarve: uma academia para crianças e jovens que têm dificuldades ou que não têm família e precisam mais de ajuda. (...) Agora o que quero é ajudar jovens a vencer. Quando eu morrer quero ter sido importante para essas pessoas”.

E com este último ponto, pode afirmar-se que Francis Obikwelu, afinal, corre na pista principal, e que é esta: Quais são as pessoas para quem terás sido importante, quando morreres? E de que modo foste tu importante para essas pessoas?


(*)Savana

CNE: That’s the way it should be

Fernando Gonçalves(*)

No meio de muitas coisas que tenho que fazer no dia-a-dia, incluindo algumas pequenas chatices evitáveis, mas que mesmo assim tenho que aturar, procuro entender o que se passa à minha volta, e procurar encontrar respostas sobre questões que não têm respostas óbvias.

Uma dessas questões foi toda a cozinhada à volta da eleição dos oito membros da CNE provenientes da sociedade civil, processo que no princípio parecia um osso duro de roer, mas que à última hora correu tudo tão suavemente; a uma velocidade supersónica. Razões de sobra para desconfiar da sociedade civil. Vimos uma sociedade civil abertamente partidária, e onde mais uma vez impôs--se, como foi possível ver para quem tem olhos, a vontade do partido que tem mais experiência no meio de tudo isto. Mas não foi o partido mais experiente que abriu o jogo para todos verem. Senão não teria a experiência de que é reputado. Mas foi o partido menos experiente que, ao ver-se irradiado da contenda, num desabafo público inocente, creio eu, veio a público queixar-se de que todo o processo fora viciado para pôr de fora os seus candidatos.

Huhm!!! Se a função primordial de uma CNE é preservar a integridade dos processos eleitorais e, por inferência, da própria democracia, que integridade pode ser conseguida com a intervenção de partidos políticos cujo único e legítimo interesse nas eleições é ganhá-las? E se antes tínhamos um modelo de CNE anacrónico e anti-democrático, não melhoramos só porque mudamos desse modelo. Simplesmente ampliamos o campo de acção para incluir uma pretensa sociedade civil como colaborador cúmplice. Nem imagino de quem terá vindo a tal proposta de inclusão da sociedade civil durante os debates sobre a nova lei eleitoral. Mas seja quem for, poucos devem se ter apercebido das suas intenções, todos embalados na ilusão de uma sociedade civil inocente. Sei que há pessoas que detestam comparações. Mas eu acredito que se não temos nada que alguma vez tenha provado ser melhor, vale a pena tentar copiar dos outros, mesmo que com algumas modificações de ajuste a uma realidade própria. Aliás, não é da minha autoria o ditado que diz que não se pode inventar a roda quando ela já existe. Há exemplos de modelos mais criativos e eficazes de composição de órgãos de administração eleitoral. E não moram muito longe daqui.

Perdi a contagem da quantidade de workshops, seminários ou conferências em que os nossos dirigentes participaram e tomaram conhecimento da existência desses modelos. Nem de tantas eleições de que foram observadores. Apenas a teimosia da originalidade quis-lhes tapar os olhos para não verem o que estavam a ver, e não ouvir o que estavam a ouvir. E, nessa originalidade obtusa, vai toda uma nação de cambalhota em cambalhota. That’s the way it should be.

(*)Savana

Brincando às democracias

Por Noé Nhantumbo

Beira (Canal de Moçambique) - O futuro de Moçambique torna-se sombrio quando a CNE começa sem consenso.

As peças do puzzle estão se encaixando com a maior perfeição. É curioso e recomenda-se que se pare para reflectir.

Neste jogo chamado «democracia à moçambicana» há coisas que de facto só entre nós é que acontecem.

Se numa partida de qualquer desporto em que participam duas equipas opostas há todo um conjunto de regras de cumprimento obrigatório para os intervenientes, no jogo democrático moçambicano, as coisas tem outra forma e conceito: há quem parte e reparte e fica com a melhor parte.

A pretensão de ver Moçambique gozando de uma democracia florescente ficou uma vez mais gorada ou pelo menos estão ficando reunidos todos os elementos para que as coisas não mudem.

No passado recente viu-se como as CNEs actuaram quando era para se decidir onde estava a razão em qualquer diferendo.

Está claro para todos que em Democracia, numa votação, ganha a maioria. Mas, entre nós, o problema é como as maiorias são construídas ou fabricadas. E é esse o problema no caso da CNE.

Com a introdução do conceito sociedade civil e de organizações afins, os detentores do poder conseguiram dar a volta por cima às reais pretensões da verdadeira sociedade civil. Como bebés-proveta, foram produzidas várias organizações para se parecerem com representantes da sociedade civil mas, no momento da verdade, quando a sua opinião conta e é decisiva, elas na sua maioria alinham pelos “ditames paternos”. É a farsa!

Não há invenção nenhuma quando se diz isto. Qualquer observador atento chegará à mesma conclusão.

Fazer este conjunto de observações não é uma questão de alinhamento partidário, mas nacional.

Sofremos de falta de identidade nacional ou temos uma que é fraca. Sofremos de falta de sentido de Pátria e amor à mesma.

Os partidos políticos ainda não compreenderam que qualquer agenda partidária tem de primeiro ser nacional. Os cidadãos têm de ser continuamente educados sobre esta matéria.

A construção do país, a sua reconciliação efectiva, a melhoria do ambiente sócio-politico conducente a uma economia que garanta o bem estar de seu povo, passa pelo enraizamento do sentido nacional e desenvolvimento de uma postura apropriada.

Política feita por políticos maduros, independentemente dos egos que possam estar nas contendas, tem de ser feita tendo em mente e como último objectivo o público, servir tal público!

É construindo consensos que os políticos nacionais ganharão a credibilidade necessária e não jogando baixo.

A auto-censura que parece estar ganhando terreno no país é perigosa sob todos os pontos de vista democráticos.

Ditadura política disfarçada ou camuflada, recados e mensagens estrategicamente colocados no caminho das pessoas, não apontam o melhor caminho a seguir.

Em Moçambique, embora quase ninguém se atreva a dizer, todos os pratos que a «cozinha local» confecciona são para a boca dos que pertencem a uma determinada lista. Só para alguns.

De uma maneira imperceptível, a transição do sistema de partido único para o multipartidarismo deixou quase tudo na mesma ao nível dos tomadores de decisões. Aqueles que ao abrigo de sombras e coberturas, às vezes mesmo invisíveis, controlavam os cordelinhos, não perderam nem um palmo da sua esfera de influência.

A economia, factor determinante de toda a movimentação política passou de estatal para mãos privadas, mas estas estão sob controlo do mesmo partido de ontem e das mesmas pessoas.

Desenvolver um ambiente político que favoreça e promova uma participação plena dos moçambicanos requer entrega de todos os moçambicanos sem olhar à sua cor política. Afinal é a dignidade de todos que está em causa. Mas falar de dignidade parece ser coisa ainda só para alguns.

Fonte: Canal de Mocambique (2007-06-18)

segunda-feira, junho 11, 2007

Raúl Domingos, Presidente do PDD explica


Porque Almeida Tambara renunciou o PDD

As deserções de membros não constituem problema, sobretudo quando sabemos por que é que isso acontece. Almeida Tambara, por exemplo, é membro fundador do partido, e quando ele nos apresentou a proposta de se aliar à Frelimo tivemos que respeitar a sua posição, talvez achou melhor assim para alcançar as suas ambições financeiras e materiais. Temos que saber que nem todos nós temos mesmos objectivos dentro de um partido. Enquanto alguns procuram melhorar as condições de vida do povo, outros estão a procura do seu bem-estar. Nós sabemos que o partido Frelimo tem estado a chantagear os moçambicanos ao excluir da sociedade aqueles que não são membros deste partido. O Tambara, por exemplo, possui o curso de professorado, mas não consegue emprego e quando a Frelimo aparece a oferecer o cargo de um dos assessores do presidente do Municipio de Chimoio, ele não precisou pensar duas vezes e, como a condição para o emprego era renunciar o PDD fez exactamente isso. Para nós isso não passa de uma chantagem. Leia +

terça-feira, junho 05, 2007

Adiado o Congresso da Renamo

Julgo estranho que o porta-voz do partido Renamo vá a imprensa para falar de >adiamento de um congresso por questões financeiras, ainda que confirma que o Conselho Nacional não havia ainda se reunido para análise e deliberação sobre a questão. Agora, em definitivo já não será o Conselho Nacional a deliberar sobre o adiamento ou não do 50 congresso. Ele já foi adiado e continuo a dizer que sem explicação palpável aos membros, por isso tenho uma série de perguntas.

Porquê o congresso não pode ser prioritário ou não foi sempre prioritário? Não tem congresso dum partido um maior impacto na preparação para eleições provinciais, autárquicas ou legislativas? Como e quem decidirá sobre se a Renamo vai coligada ou não nas eleições vindouras, isso entre muitos assuntos que se podem tratar pelo congresso? Se ao congresso nada diz sobre este assunto, porquê o Presidente Dhlakama disse diversas vezes que seria esta magna reunião a decidir sobre o assunto? Sem uma restruturação interna que passe por eleições e conferências locais e provinciais como serão preparadas as candidaturas paras assembleias provinciais? E, o que dizem afinal os estatutos da Renamo sobre um eventual adiamento de eleições? Penso que quando se diz que o presidente do partido convoca o congresso, não lhe dá o direito automático de adiá-lo, muito mais quando se trata de um congresso ordinário. A título de exemplo, se cabe ao Presidente da República em decidir o dia de realização de eleições, já não é a ele a quem cabe em decidir que elas não se realizem dentro do prazo, segundo a Constituição da República. Cabe sim, à Assembleia da República.

Por último, questiono-me se os órgãos actuais do partido não estão fora do seu mandato ou não estão assim sendo?

segunda-feira, junho 04, 2007

As oito individualidades da socierdade civil para a CNE

O Observatório eleitoral apresentou as individualidades que irão preencher as vagas reservadas para a sociedade civil na comissão nacional de eleições, CNE.
São eles Tomás Vieira Mário, Alice Mabota, Paulo Cuinica, Salomão Moyana, Ali Jamal, Eduardo Munhequete, Leonardo Massango e Arlindo Muririua.
O apuramento daquelas individualidades, em representação de diversas organizações da sociedada civil, seguiu-se a um processo de triagem que incluiu entrevistas individuais e públicas.
A eleição daqueles nomes marca o culminar de um processo, iniciado a nove de marco passado, marcado por consultas e eleições a nível das províncias envolvendo 50 candidatos.
O Chê Abdul Carimo do Observatório eleitoral, disse hoje, em conferência de imprensa, que o passo a seguir será o da certificação da documentação dos canditatos a ser submetida a CNE, próxima terca-feira.

Fonte: RM(03/06/2007-19:04)

sexta-feira, junho 01, 2007

O aluno exemplar


A talhe de foice

Por Machado da Graça

Durante muitos anos o nosso país foi  considerado, pela comunidade doadora, como exemplar em todos os aspectos.
Os elogios eram tantos que nós olhávamos para o espelho a ver se os merecíamos. E, se fôssemos honestos connosco próprios, víamos que não.
Os elogios que a anterior embaixadora americana fez à democracia moçambicana, no dia em que se despediu, fizeram-me ficar muito incomodado, por saber que aquilo não era verdade e, pior ainda, saber que ela também sabia isso.
Mas agora as coisas parecem estar a mudar.
Os primeiros sintomas chegaram-me em princípios de Maio, como reflexo da revisão conjunta, entre Moçambique e os principais doadores, em finais de Abril.
Uma pessoa que está, normalmente, presente nestes encontros disse-me que nunca tinha visto os doadores tão aborrecidos, tão críticos e tão impacientes.
Os comentários à actuação do Governo em áreas como o combate à corrupção, à legalidade, à agricultura, etc., foram contundentes e os doadores mostraram-se “preocupados” com isso, forma diplomática de dizer que estão a perder a paciência.
Os resultados dessa “preocupação” começamos agora a senti-los. Em vez de haver um aumento, que estava previsto, no apoio desses doadores aos programas do Governo, as verbas prometidas ficaram-se pelos níveis de 2006.
E os doadores foram claros sobre as razões para isso. Sem mais e melhores resultados naquelas áreas chave para o nosso desenvolvimento não abrem mais os cordões às respectivas bolsas.
A proliferação de organizações, leis, regulamentos e estratégias de luta contra a corrupção, de que a última invenção é o caricato Fórum Anti-corrupção, não chegam para esconder a verdade nua e crua que é a total falta de vontade política para combater os corruptos que estão a todos os níveis do nosso Aparelho de Estado.
Ao dizer que não vai praticar a caça às bruxas o Presidente Guebuza está a dizer aos corruptos que podem continuar a praticar livremente as suas malfeitorias porque ninguém os irá punir.
Se uma das exigências dos doadores era mais e melhores resultados na área da agricultura, o recente incêndio que devastou o respectivo ministério foi uma péssima resposta.
Em termos de legalidade e combate ao crime, basta ler os jornais todos os dias para se ficar a saber até que ponto as coisas andam mal, com esquadrões da morte e linchamentos a substituírem a Justiça que se não pratica.
Recentemente realizou-se em Maputo um encontro de parlamentares especializados no controlo das contas públicas nos países da SADC. E ouvimos discursos eloquentes sobre as virtudes dessa actividade.
Só que alguns desses discursos foram feitos por pessoas que, anualmente, aprovam as contas do Estado, apesar de todos os pareceres críticos do Tribunal Administrativo, que não se cansa de apontar erros, falhas, e outras incorrecções, muitas vezes ilegalidades. E, no entanto, esses e esses distintos oradores propõem a aprovação pelo plenário e, depois, votam a favor dessa aprovação.
É, mais uma vez, a aplicação do velho ditado: Bem prega Frei Tomás. Todos façam o que ele diz, ninguém faça o que ele faz!
Ora tudo isto, que os moçambicanos já conhecem por experiência própria, parece começar a entrar pelos olhos dos doadores dentro. Nos últimos anos começámos a assistir a exigências de devolução de dinheiros doados e mal utilizados, ao congelamento de doações e empréstimos até que se façam determinadas investigações e auditorias, enfim a pressões mais claras e incisivas para que se passe do paleio para inglês ver a coisas mais concretas.
E seria bom que o executivo percebesse bem esta mudança na direcção em que sopra o vento, para evitar que um dia destes passemos da fila onde se sentam os melhores da turma para uma carteira lá mais para o fundo da sala, onde chegam menos os sorrisos dos professores e chovem mais os carolos sobre as nossas cabeças.
Porque quem vive de cinto apertado, a contar as moedinhas que tem no bolso, não se pode dar ao luxo de contrariar aqueles senhores que nos fazem a esmola de nos permitir comer todos os dias.
Por muito que isso seja desagradável ao nosso sentido de soberania.

PS – Toda a gente tem direito a umas férias e eu resolvi conceder um mês de descanso a todos os que ficam aborrecidos ao ler as minhas crónicas. Espero que recuperem bem porque em Julho cá estarei de novo.
SAVANA – 01.06.2007

quarta-feira, maio 30, 2007

A Frelimo guebuziana vs o pluralismo político (3)

Concordo com a análise sobre as causas de abstenção nas últimas eleições. De facto, querendo eleicões democráticas e competitivas, é pertinente que cada partido, cada político analise em que ele contribuiu para as abstenções naquela ordem e qual foi a consequencia para o seu partido e para si mesmo. Infelizmente, são muitos senão todos que se recusam a fazer isto, mesmo sabendo que as abstencões lhes prejudicaram. O importante para muitos é apontar o dedo o outro que assumir a parte das suas culpas. Porém, eu penso que a Frelimo fez o tipo de análise sobre isso. Aliás, ela deve ter feito essa análise após as eleições autárquicas de 2003, pois até aquela altura ela sentia-se em apuros, acreditando em derrota. Sérgio Vieira já aparecia com artigos em que mostrava preocupação. E a Renamo foi mesmo “à praia” como o seu presidente dizia, na confiança de uma vitória. As abstenções criaram condições para a vitória da Frelimo nas eleições autárquica e, porquê não haveria ela de desejar que se repetisse o mesmo para vencer as legislativas e presidenciais? Infelizmente de novo a Renamo “foi” à Costa do Sol: muitos dos seus membros seniores não se viram nas ruas ou nos seus círculos eleitorais a fazer campanhas. O seu candidato presidencial ora que começou tarde a sua campanha e, mesmo assim fazia intervalos regressando a Maputo. Até a imprensa o altertava sobre isto de confiar tanto numa vitória fácil. Isto entre outros problemas.

A única arma eleitoral da Frelimo (refiro-me de alguns frelimistas anti-democráticos) é guerra psicológica para além da prática de fraudes suficiente que lhe dá vitória. Na prática de fraudes já ela conta fracassos do tipo Beira, onde a acção do Alburquerque não deu efeito. Então provocar abstenções, fazendo-se de quem decide sobre os resultado eleitoral, é a sua arma principal. Foi assim quando em violação à lei eleitoral, a Frelimo decide proibir a observação integral da eleições. Vejam que numa entrevista à Rádio Nacional de Angola Marcelino dos Santos declara satisfação pelas abstenções porque deram à Frelimo 160 assentos na Assembleia da República (ouvir aqui). Todavia, a Renamo e os outros partidos da oposição, parecem-me não ter ainda conhecido bem esta táctica ou assim se fingem. Também pode ser o facto de muitos dos que se dizem políticos, serem apenas oportunistas, desconhecedores das regras democráticas ou sem vontade para tal.

O conceito do darwinismo político tem razão de se aplicar nesto contexto que estamos a assistir. A única coisa que nos é estranho, são as declarações frequentemente públicas por membros seniores do partidão. Será que eles mesmos já não acreditam da sua acção e preferem a uma ofensiva psicológica a todo o custo? Vamos ver o que acontece em Zimbabwe para concluirmos que tudo pode valer. A pior barreira do processo democrático em Moçambique é de ele não se ter integrado no sistema de ensino. Essa devia ser a nossa luta (mas conscientes que deve haver muitos quadros no sector de educação que não gostam da influência dos seus alunos).

A Frelimo é um dos partidos mais organizados do mundo

Concordo muito com esta afirmação, entretanto, acho que precisamos de constantemente analisar o que está a acontecer ao nosso redor. Quando falamos da oposição por exemplo, penso que já precisamos de alterar o nosso pensamento sobre ela. Sei que muitos já vinham reflectindo desde há muito sobre os nossos políticos, o nosso processo democrático, etc. Eu reconheço que comecei tarde, nomeadamente depois das últimas eleições gerais, embora eu tivesse lido uma análise crítica da AWEPA há anos. Foi com certeza com ajuda de muitos companheiros em vários debates que eu fui aprofundando esta questão particular dos nossos partidos e políticos em Moçambique. Mas a principal razão da minha reflexão vem:

Primeiro, da atitude dos partidos da oposição e os seus líderes. Há resistência total à democracia interna dos partidos. Os líderes dos partidos são os mentores desta atitude.

Segundo, da atitude da Frelimo. A Frelimo, resiste à democracia e esforça-se pelo enfraquecemento da oposição excluindo económica, socialmente e da progressão nas carreiras profissionais os seus membros desta. Ela usa o Estado para este fim.

Terceiro, das ditas deserções à Frelimo. Quando membros seniores dum partido da oposição optam por deixar o seu partido com alegações (falta de democracia por exemplo) que também existem na Frelimo, menos “o saco azul” (dinheiro para roubar), fico a duvidar sobre o que é isso de ser político em Moçambique. Alguns dos desertores têm toda o poder e dever de organizar o partido.

Portanto, eu quando critico à Frelimo, o partido no poder que temos, estou consciente de tantos problemas da oposição que TEMOS. Também tenho certeza de existência de membros e simpatizantes da Frelimo que não se simpatizam com a linha do Marcelino dos Santos/Mariano Matsinhe. Quer dizer, na Frelimo há democratas mas que como na oposição, estes não têm voz. E, o que precisamos em Moçambique é, os pró- democracias ou simplesmente os democratas se unirem em defesa da democracia e isso não implica necessariamente a criação dum novo partido ou desertar dum para outro, salvo em casos imperativos. Eles (eu também) devem lutar a partir dos partidos a que pertencem. A democratização interna pode ser um meio essencial.

Não penso desde modo que haja dúvidas do nível organizacional da Frelimo. Ela é sim muito organizada. O que discutimos e deve-se discutir é o valor dessa alta organização para o país inteiro. Eu podia dar exemplos que mostram quão organizada ela é e como essa alta organização fere à nossa amada pátria, mas vou apenas dizer que o colonialiasmo português era muito organizado e até efectivo, mas muito nocivo; os nazis eram muito organizados, mas muito nocivos aos direitos do homem.

O problema da Frelimo é que ela usa a sua máxima organização para DESORGANIZAR o Estado moçambicano que é o espaço comum para todos. Desorganiza a economia, o tesouro nacional, o poder judicial, a administração, as eleições, etc. O mesmo é nos partidos da oposição. Nós dizemos que eles são desorganizados, mas isto referimo-nos da falta de organização em prol da democracia, do desenvolvimento do país, da contribuição para o combate ao crime organizado, do combate à corrupção, em suma da fiscalização ao poder da Frelimo. Na essência, estes partidos da oposição estão também muito organizados. Há lá pessoas (nem que sejam três, quatro ou cinco – em suma, em número menor) muito organizadas, e a alta organização é a arma deles para desorganizarem os partidos, desorganizarem toda a oposição. Até uma pergunta podia ser: porquê eles não se preocupam pela organização no sentido que queremos deles? Porquê eles não realizam congressos transparentes? Porquê eles não formam estruturas de base? Porquê eles não criam condições para comunicação com as bases, com eleitorado? Porquê eles se acordam apenas nos períodos eleitorais? A diferença é que a Frelimo tem o Estado como alvo a desorganizar enquanto que os partidos da oposição têm os seus próprios partidos para desorganizar.

terça-feira, maio 29, 2007

Reformas do sector público

Estou aprofundando a minha percepção sobre o conteúdo do programa da reforma do sector público. É antes para mim interessante que o programa na sua segunda fase vai de 2006-2011 quando se sabe que o mandato deste governo termina em 2009. Será que este governo mandará o povo esperá-lo até que cumpra este programa? Talvez eu não precisasse de fazer tal pergunta se eu tivesse conhecimento sobre se o programa é de consenso nacional e que qualquer governo a sair nas eleições de 2009 prosseguiria com ele... Mas levanto desde já algumas questões em resposta ao comentário do KualKePa no imensis.

O reconhecimento de falta de bons resultados das reformas do sector público pelo PR “concide” com que os doadores dizem. Isso veio também expresso no Jornal Notícias na sua edição de 28.05.2007. Antes foi KualKePa que levantou ainda neste tema em debate. Porém, interpelando mais uma vez o discurso do Presidente da República, fico ainda sem perceber a quem ele refere que tenham mentalidade retrógrada e que resistam à assimilação das mudanças. Ele conhece ou não esses que resistem às mudanças? Ele, o Presidente da República, tem ou não sido claro sobre o conteúdo das mudanças no SECTOR PÚBLICO, isto é ESTATAL?

Primeiro, conforme a minha opinião, o PR evita em dizer aos seus colaboradores que o Estado Moçambicano não é mesmo que o partido Frelimo.
Segundo, é com o seu governo onde não se é competente se não se é membro do partido no poder.
Terceiro, alguns dos seus membros têm vindo ao público a dizer que atrasam propositamente com as reformas para mostrar que são eles que mandam, uma atitude arrogante. Felício Zacarias disse isso publicamente e não teve consequências, pois as consequências irão para todos os moçambicanos. Pelo menos eu já começo desconfiar que a comunidade internacional (os nossos parceiros) está pouco a pouco nos abandonando em consequência da atitude deste governo, aliado aos discursos emocionais e arrogantes de alguns membros do partido no poder. Claro, também, por causa de recusa de democracia interna também por arrogância que reina no maior partido da oposição. Os pronunciamentos do embaixador norueguês de que o dinheiro se pode retirar de Moçambique porque há muitos países que o precisam, pode ser esse sinal.
Quarto, parece-me que as reformas atrasam muito ou nada se faz nos sectores chaves como o da Justiça e Ordem e Segurança Pública.
Quinto, porque em certos sectores as reformas são apenas uma aparência: a) porque não se capitalizam os recursos humanos que temos. A capitalização dos recursos humanos é possível quando há concursos públicos e, aí teriamos nas chefias em particular quadros profissionalmente bem qualificados e com sentido moral, mas o governo de Guebuza recusa-se de fazer isso; b) porque não há racionalização de todo o tipo de recursos (humanos, financeiros e materiais) algo que seria um bom investimento. Ao contrário assistimos estimulação de improdutividade criando-se sectores muito dispendiosos e desnecessários. Falo de administradores dos municípios, secretários permanentes, vice-ministros e mesmo alguns ministérios, sem falar. Alguns dos ministérios podiam apenas ser direcções nacionais.

Quanto aos psicólogos e sociólogos afectos nos ministérios concordo totalmente contigo, amigo KualKePa. Estas e outras especialidades das ciências sociais (antropólogos, etnólogos, pedagogos, especialistas em ciências políticas) são muito necessárias para um bom estado funcionar bem. Mas a pergunta pode ser se os nossos ministérios não têm este tipo de pessoal. E se tem, podemos analisar as razões de não produção de bons resultados. Penso que nos lembramos do caso do sociólogo Sueia do Hospital Central do Maputo que foi demitido
Segundo o meu ponto de vista, há pelo três questões: a) não encorajamento para os especialistas exibirem de méritos próprios; b) não há independência destes especialistas c) os nossos dirigentes não escutam, não têm espírito comunicativo ou de diálogo, não ponderam no que dizem e fazem, não têm respeito pelo indivíduo, não assumem que devem aprender constantemente, acham-se melhores de todos no sector que dirigem. Este, penso que é o nosso grande problema e desafio.

Note-se, quando eu levanto o problema das nossas lideranças como impacto da herança da governação colonial, há quem compreende-me mal. Contudo, refiro-me de dirigismo sempre vertical, onde o subordinado deve ser apenas um sim senhor chefe. Ora, vejamos, sempre admiro de como ministros mobilizam a televisão e jornais para dizerem algo que não tenham discutido com os quadros do sector. O resultado disto são revoltas que na sua maioria são pacíficas ou silenciosas. Não estou a dizer que não existam bons dirigentes sem as características da alínea c, mas tavez pelo facto de os mais superiores serem destas, eles acabam recrutando os do seu carácter.
O nosso desafio é fortalecer a sociedade civil atravez de debates muito sérios nos nossos sectores de trabalho, nas nossas organizações políticas, etc. Temos, penso eu, que levar os nossos dirigentes ao espírito de diálogo, responsabilidade e democrático.

segunda-feira, maio 28, 2007

Não será falta de seriedade?

Em 2002, Almeida Tambara abandou a Renamo para com Raul Domingos fundar o PDD. Às eleições gerais de 2004 Almeida Tambara foi cabeça de lista do PDD no círculo eleitoral de Manica. Hoje declara ele publicamente que filia-se à Frelimo. Não será falta de seriedade?

sábado, maio 26, 2007

A lideranca da Renamo está preparada para eleicões provinciais? (2)

Desde há meses que estou reflectindo sobre se a liderança do partido Renamo está ou preparada para as eleições provinciais programadas para este ano, segundo rege a Constituição da República em vigor desde Janeiro de 2005. O silêncio da liderança acompanhada da falta de um trabalho visível e até mesmo de reuniões do Conselho Nacional na preparação e marcação de data para o congresso foi para mim um dos sinais de que a liderança do partido não estava preparada nem preparava o partido para eleições provinciais competitivas.

É estranho para mim senão para todos, a acusação que a liderança da Renamo faz à Frelimo de não estar preparada para a realização de eleições provinciais, porque ela [a Frelimo] está desde ano passado numa clara movimentação ao nível nacional e mesmo internacional preparando os seus membros e simpatizantes para as três eleições: provinciais, autárquicas e legislativas em simultâneo com as presidenciais. A Frelimo realizou o seu congresso em Novembro passado (2006) por antecipação e ela disse publicamente que foi para se preparar particularmente para as eleições provinciais que teriam lugar este ano. Na preparação do congresso todos nós, sejamos ou não simpatizantes ou oponentes da Frelimo, assistímos membros seniores de todos escalões a movimentarem-se em todo o país. Vimos membros e simpatizantes da Frelimo a fazerem festas pelos convívios que iam tendo. Realizaram-se encontros ao nível da base para estruturação e eleição de delegados ao congresso. Não posso bem dizer de como foi o processo de eleição de delegados, mas pelo que me pareceu, muitos delegados foram eleitos pelas bases. Após o congresso, a Frelimo continuou a fazer marchas pelo país, pelo que chamou de divulgação das decisões saídas do congresso. O seu secretário-geral anda sempre pelas províncias.

A Renamo que por questões estatuais devia ter realizado o seu congresso no ano passado, não mostrou ainda alguma preparação para a realização do grande evento como congresso dum partido e um partido grande e de extensão nacional como ele. Na Renamo não se fala de elaboração de documentos como teses a constituirem seu manifesto para as eleições legislaturas vindouras ou programa para os próximos (estes) cinco anos. Não se lança o estudo dos estatutos do partido para que os membros reflictam sobre o que se pode revêr. Não há uma simples mobilização dos membros para contribuição em dinheiro ou em gêneros alimentícios ou hospetalidade, no casa dos residentes da Cidade de Nampula, o local escolhido para o congresso. A Frelimo com todos os meios e possibilidade de abusar ainda mais como ela quiser aos meios do Estado, mobilizou mesmo assim contribuições de seus membros. Daí se torna estranho que a Renamo não faça o mesmo e se limita a lamentar e adiar o congresso. Tenho dúvidas que os membros da Renamo neguem contribuir para a realização de congresso do partido se tomo em consideração daqueles com quem me encontrei ali em Namialo ou Nacala, por exemplo. A Renamo tem membros que se sacrificam e sabem se sacrificar, para quem os conhece. Em particular na Cidade de Nacala, conheço membros bem sacrificados, que nunca aceitarão a humilhação do partido no poder. Falo de quadros. Quando a Frelimo se sentia em apuros em realizar encontros para escolha de seus delegados ao congresso em Quelimane, era motivo de alegria...

Nota: continuarei a expôr os meus pontos de reflexão sobre este assunto que acho afectar o nosso processo democrático.

quinta-feira, maio 24, 2007

Linette Olofsson cria uma associação denominada "Nfuma Yatho" (A nossa riqueza)

Na edição do Jornal Notícias de hoje, 24-05-2007, apresenta uma entrevista com a Linette Olofsson, ex-deputada da Assembleia da República na II legislatura pela bancada da Renamo-UE e actualmente deputada suplente, falando sobre um projecto de desenvolvimento no distrito de Mopeia, província da Zambézia, seu círculo eleitoral.

É muitíssimo agradável saber dum projecto que está sendo implementando e em zonas abandonadas como Mopeia.

Parabéns Linette! Tenhas sucessos e espero e apoio necessário interna e externamente!

quarta-feira, maio 23, 2007

Daviz Simango ganha prémio de melhor presidente

O presidente do Conselho Municipal da Beira Daviz Simango foi recentemente premiado pela revista, Professional Managment Review-Africa (PRM), como o melhor presidente de todas as autarquias moçambicanas em 2006.

Simango será distinguido no próximo dia 27, com o prémio “Flecha de Diamante”, o Magazine sul-africano de negócios atribuiu igualmente ao município dirigido por Simango o premio, “Flecha de Prata”, na categoria “Cidades e Vilas que mais fizeram pela melhoria da vida Social em Moçambique.

De acordo com os organizadores do evento a premiacão de Simango e da vila que este dirige surge como resultado das auscultações de varias sensibilidades no país, entre Outubro e Novembro do ano passado.

Fonte: O País Online (23.05.2007)

A liderança da Renamo está preparada para eleições provinciais?

A Renamo acusa a Frelimo de não estar preparada para as eleições provinciais que segundo a constituição da da República em vigor desde Janeiro 2005, elas devem ser realizadas até Janeiro 2008. Entretanto, ela, a Renamo, adia o seu congresso.

Este é um tema a desenvolver neste blogue nos próximos tempos. Tenho algumas questões para reflexão ou de reflexão (minha), mas serei grato se alguém puder enriquecer-me com outros pontos de reflexão, fazendo e colocando comentários.

domingo, maio 20, 2007

TYISO SHIKULU SHIÑWE (Uma grande verdade)

Por João Craveirinha

A musicalidade de qualquer língua baNto de Moçambique é verdadeiramente fantástica. Eis um paradigma da nossa riqueza desprezada durante décadas e décadas. O problema não estará na dita etnia (do grego Etnos-Nação) mas na política totalmente anti-cultural de qualquer regime que desvalorize a sua própria origem. E foi o que aconteceu em Moçambique no pós-independência. Do sistema colonial manteve-se esse desprezo anti-natura.
Apesar do nosso S.M., gostar de cantar: “Não vamoos esqueceeer o tempoo que passooou”…Esqueceram-se totalmente e rapidamente.

A Frelimo perdeu a grande oportunidade histórica de fazer uma verdadeira e pacífica revolução cultural…o povo multicolor (arco-íris) de Moçambique estava receptivo às mudanças para uma afro-moçambicanização - moderna - mesmo usando a língua portuguesa como plataforma de união reforçada pela libertação das línguas nacionais…

(como dizia o grande homem de cultura– Eduardo Mondlane nas nossas conversas e com os quadros em 1967/68) da necessidade de termos de valorizar as nossas línguas moçambicanas para também desenvolvermos a capacidade de pensar em “africanês” e ia ao extremo de apoiar o êmákwa-padrão (Nampula cidade) como língua nacional em paralelo com o português (e inglês) sem esquecer as outras regionais…

Não se esqueçam que ele era Antropólogo e a Linguística ainda fazia parte da Antropologia naquele tempo.

Exempli gratia: (No principado de Andorra nos Pirinéus aonde vivi (1983/85) as crianças são tetra-lingues …a 1ª língua oficial obrigatória é o catalão e depois o espanhol + o francês e depois no ciclo + o inglês…

Na Suázilandia fiquei maravilhado ao ver crianças inglesas a estudar na primária o xisuáti e a falarem…

...nos acordos de Nkomati, em 1984 (salvo erro, cito de cor) , o ministro de negócios estrangeiro da RSA bóer Pik Botha corrigiu o changane de Samora Machel pois dominava melhor que o mesmo SM…este ficou profundamente admirado de um white/boer falar melhor a língua materna que ele próprio…é que mesmo com apartheid o ensino das línguas locais eram ensinadas em paralelo com o inglês e o afrikaans…chama-se a isso pragmatismo por cima do racismo... coisa que os portugueses em Moçambique não souberam fazer e a Frelimo continuou nessa cegueira político –cultural desta vez sem desculpas da “opressão colonialista”…houve oportunidade e deitou-se fora…

Hoje?? Uma tarefa que nem sei se será possível concretizar-se o sonho de Eduardo Mondlane…Em Moçambique a ambição pelo poder que o dinheiro dá materialmente cegou quase toda a gente. A cultura? Nem fazem ideia que é muito mais que o folclore do batuque e da churrasqueira e da cerveja e da intriga… o desenvolvimento geral da cultura é que nos ajuda a reflectir os problemas políticos e sociais…de uma Nação…PENSAR é CULTURA…e somente com o desnvolvimento desta o país poderá ter um futuro melhor ...pois cultura é que nos faz mudar as mentalidades para meçhor coisa que sem ela nada a fazer...é o retrocesso total. O estômago egoísta falará sempre mais alto pisando os outros.

Todavia, a Samora Machel, foi-lhe incutido o medo do golpe de estado a partir de seus colegas moçambicanos baNto vindos com ele do maquis (mato da guerilha). Daí ter-se isolado… culturalmente desnorteou-se…e foi vítima fácil dos oportunistas recém chegados ao poder que o rodearam…
Quando quis mudar o rumo das coisas...infelizmente já era tarde.

O medo do surgimento de um pseudo-tribalismo foi desculpa para não serem ensinadas as nossas línguas baNto em paralelo ao português e inglês. Não foram libertadas da repressão anterior colonial.

Nessa altura (1974/1975/76), com uma planificação adequada do embrionário MEC e do MINFO (imprensa/media)) poder-se-iam desenvolver a nível de cada região originária, com a obrigatoriedade desse ensino linguístico nas escolas primárias desde a aprendizagem da escrita, fala e leitura das tradições locais. Os portugueses poderiam ter ajudado com nova visão se houvesse vontade política e mais contenção da repressão do novo regime da Ponta Vermelha.

Mas os ódios estavam todos na rua com os grupos dinamizadores (ou será dinamitadores?). As condições para o surgimento de uma MNR /Renamo estavam lançadas apoiados pelos vizinhos "brancos" também eles aterrorizados pela independência dos "negros" de Moçambique. Foi como um tiro dado no pé. De tanto quererem controlar (os da Frelimo) descontrolaram Moçanmbique de alto a baixo, afugentando quadros preciosos.
Esses quadros, a única coisa que queriam era continuar suas vidas com segurança socioeconómica num país novo.
Os "maus da fita" tinham fugido via África do Sul em 1974. Os que resistiram e ficaram foram vitimizados de 1975/76 em diante. Os que conseguiram sobreviver tiveram também de procurar melhor vida fora da terra que os viu nascer ou por ela adoptados.

A partir de 1964 a 1974, no Moçambique colonial, mesmo entre os ditos jovens brancos, crescia o interesse geral pela cultura africana em Moçambique; nas artes, na dança, no teatro e nos espectáculos ao vivo, nas letras, incluindo pelas línguas maternas extensiva ao uso de expressões idiomáticas baNto nos jornais e revistas sobretudo nas capitais: LM, Beira, Nampula e mesmo Tete.

No Moçambique independente, e em relação ao ensino das línguas maternas estas deveriam serem ministradas independentemente de serem ou não da origem étnica dos alunos. Até um europeu ou asiático com filhos a estudarem em Moçambique numa escola moçambicana privada ou pública teriam de aprender as línguas locais onde se encontrassem.

A diacronia (evolução da língua na história) ajudaria na definição dos idiomas “matrix” de Moçambique.

Nota cito as regiões da terra sem mapa defornte de mim. Daí poder haver um lapso meu nas fronteiras actuais geo...

Exemplo: em Niassa – shiNyanja, Yaho e êmakwa (dependeria da região) …

Cabo Delgado: Quionga, Palma: Swahili; Plateau: ki Makonde;- Mocímboa, Ibo, Quirimbas: kiMuani (wa Ibo) – Montepuez, Pemba e Nampula (êmakwha)

…Zambézia: Lomwe; alto Molocué; Quelimane; Tchuabo, Milange – marendje: Luabo; podzo (variante de shinSena)…etc

…Beira; shinSena

e outras bolsas de Sofala e Manica –Chimoio- shiNdao…etc…

Tete: shiNyungwe; senga; nguni… etc

…Inhambane: shiNdao (Mambone); shitswa(Vilanculos, Massinga); cidade de Inhambane Cêu: guitonga: Zavala, shiLengue (vulgo chope)…etc

…Gaza: shi-tshangane e shilengue (vulgo chope – Mandlakazi, Chongoene, Quissico, Nyantumbo, Xai-Xai) …aliás era o nome do chefe muLengue (chope) iNtchai - iNtchai em 1895 nessa cidade de hoje.

Cidade de Maputo (nome errado) nunca existiu Maputo – foi inventado para rimar com o slogan do Rovuma ao Maputo…

caMpfumo é o nome histórico conhecido desde o século XV /XVI (1500) 1502/1544 Mapas na Sociedade de Geografia de Lisboa) pelo menos é conhecido por caMpfumo – terra dos reis e dos chefes…curioso que da Biblioteca do Congresso dos EUA em 1975 enviavam correspondência para a então cidade de Lourenço Marques desta forma:
“To ka Mpfumo (ex Lourenzo Marquez)” …mais ou menos assim…tive dois desses envelopes na mão em meados de 1976 ainda antes da infeliz mudança do nome para Maputo. (derivado do nome da bebida do Uputso - nome “rronga” dos Tembes (caTembe) numa região que ficaria conhecida por maPutso (Matutuíne) nas cerimónias tradicionais em Mandjóló (Bela Vista) que o grande compositor moçambicano da diáspora – Costa Neto - imortalizou na sua música recente...”Mandjóló…Ndya ka Mandjolo kembaku …hantlisa mupfana…uta ndy kuma ndlelene”…é o dialecto shin–din-din-din da matrix idomática do shi-ronga da caTembe…

E por isso pelo balanço a ver se consigo escrever em shi-ronga como tentei outras do centro – norte e sul de Moçambique…(eheheheehh tenho os meus truques…mas dá cá um trabalho de consulta e cruzamento de dados, memória e composição …mas vale sempre a pena …é um desafio em prol da cultura moçambicana tão maltratada)

Eis então, a ver se está conforme:
Namuhla na dyingisa ku tsala ni shironga sha khale ya kaMpfumo (hoje tento escrever em shi-ronga antigo de caMpfumo)…

A ku sungula kwanga i ku losa: ndyi li shawani ba makweru (ba nakulori) ya mousambike online... (para começar na saudação: digo olá aos irmãos (colegas) do moçambique online)...

Ndye he ni psa ku mi byela (tenho ainda a dizer-vos)-
Karingana wa Karingana (sem tradução):
Karingana (coro); shihitana sha shicuembo sha nambu…(conto dos espíritos do rio)…

A hina kambe eh: (Era uma vez:)
Yi NYOKA NI DYI BIMBI-NDYILO SHA KU PHATIMA
(a cobra e o pirilampo brilhante)

TYISO SHIKULU SHIÑWE
UMA GRANDE VERDADE!!

Era uma vez uma cobra que começou a perseguir um pirilampo.
Ele fugia com medo da feroz predadora, mas a cobra não desistia.
Um dia, já sem forças, o pirilampo parou e disse à cobra:
- Posso fazer três perguntas?
- Podes. Não costumo abrir esse precedente, mas já que te vou comer,
podes perguntar.
- Pertenço à tua cadeia alimentar?
- Não.
- Fiz-te alguma coisa?
- Não.
- Então porque é que me queres comer?
- PORQUE NÃO SUPORTO VER-TE BRILHAR!!!

E é assim...
Diariamente, tropeçamos em cobras!

HI BYONE BUGAMU (eis o fim)
Mutsale: Zoao ñwa kaMpfumo (mecunha orripa)
(João Craveirinha)