quinta-feira, janeiro 15, 2009

“Bases da Renamo” pressionam Daviz Simango a fundar um partido


Para concorrer já nos pleitos eleitorais deste ano

* As pressões estão a surgir de todo o país, diz Geraldo Carvalho

Geraldo Carvalho, porta -voz político do Gabinete Eleitoral que apoiou a candidatura do engenheiro Daviz Simango, disse aqui na Beira que as “bases” da Renamo querem um novo partido liderado pelo filho do reverendo Urias Simango, o único vice-presidente que a Frelimo teve até hoje e que acabou sendo assassinado no Niassa, depois da Independência Nacional.

O Gabinete Eleitoral foi formado em Agosto de 2008, por membros da Renamo que discordaram da direcção da Renamo quando Dhlakama, a cinco dias de encerar o prazo para as inscrições junto da CNE para as eleições autárquicas de 19 de Novembro último, resolveu unilateralmente anunciar que Manuel Pereira era o candidato a edil da Beira pelo partido, em vez do eng.º Daviz Simango que já havia sido decidido pelas “bases” que seria o candidato à sua própria sucessão.

Geraldo Carvalho é desde essa altura o porta-voz do Gabinete Eleitoral. Confirmou há dias, na Beira, que as bases da Renamo e a sociedade civil que apoiaram a candidatura independente do Daviz Simango à Presidência do Município da Beira, eleições em que o filho de Urias Simango saiu vitorioso deixando para trás o candidato da Frelimo, Lourenço Ferreira Bulha, e Manuel Pereira, candidato oficial do partido de Dhlakama, voltam agora a pressionar esta mesma figura política para fundar um novo partido político, em tempo recorde, de modo a concorrer nos próximos pleitos eleitorais, isto é às próximas eleições provinciais e gerais: legislativas e presidenciais do corrente ano.

De acordo com Geraldo Carvalho, o Gabinete Eleitoral do candidato Daviz Simango à sua reeleição como edil da Beira, “já recebeu e continua recebendo cartas de pedidos da bases, outros políticos, comerciantes, religiosos, régulos e académicos, a evocar que neste momento a única saída para salvar a oposição no País é avançar com o projecto de formação de um novo movimento político alternativo”.

A referida ideia, isto é a ideia de se criar um novo partido político, segundo a fonte, surge pelo facto do povo de Sofala e de todas as províncias do País terem visto goradas todas as expectativas para se encontrar uma reconciliação com a liderança da Renamo.

A decisão das “bases da Renamo” de todo o País é agora avançar-se com o projecto de formação de um novo partido político. Surge após a recusa do líder da Renamo, Afonso Dhlakama, de acatar o apelo de certas personalidades políticas de renome no País. Estas sentaram-se com ele para encontrar soluções para a crise interna que se instalou no seio daquele que foi o maior partido da oposição nos últimos tempos. Depois das graves cisões surgidas com a indicação de Manuel Pereira como candidato oficial da Renamo a edil da Beira, isto é depois das “bases” terem dito ao líder Afonso Dhlakama que queriam Daviz Simango como candidato à sua própria reeleição como presidente do Município da capital da província de Sofala e não Manuel Pereira, como Dhlakama não acatou a vontade das bases, aí estoira um grave problema entre as bases da Renamo e a Direcção do partido.

As agora ex-bases da Renamo, envolvidas com o Gabinete Eleitoral do candidato independente a edil da Beira, em vez de extinguirem o referido gabinete, dado que está em vias de ser concluído o processo das eleições autárquicas com a promulgação de resultados pelo Conselho Constitucional, pressionam Daviz Simango para formar um movimento político. Antes estabeleceram um prazo limite para Dhlakama se pronunciar sobre a reconciliação entre alas da Renamo que a partir da revolução de 28 de Agosto na Beira estão desavindas. Como nada se conseguiu que fosse do seu agrado agora para esses militantes da Renamo a solução é partir para outra e criar-se um novo partido com os dissidentes da Renamo em todo o país que se opõem aos métodos anti-democráticos que vigoram actualmente, segundo eles, na Renamo.

Apesar de Geraldo Carvalho não ter revelado o tempo estabelecido para Dhlakama se pronunciar, tudo indica agora que o tempo expirou e a solução agora é mesmo um novo partido.

Geraldo Carvalho acrescentou que “se Daviz Simango não aceitar o pedido, o povo sentir-se-á traído”.

Carvalho confirmou que recentemente representantes das bases do partido Renamo das provincias de Nampula, Zambezia, Niassa, Manica, Inhambane, Maputo e Gaza estiveram na Beira “fazendo auscultações discretas junto das bases” que se decidiram pela ideia de se avançar com a formação de um novo partido político para concorrer nos próximos pleitos eleitorais.

“Estes quadros do partido Renamo nas restantes províncias do País, que trabalharam há dias na Beira a fazer auscultações, concluíram que “a figura de Daviz Simango é de consenso popular”. “Daí que para eles Daviz reúne todas as capacidades para liderar um partido sério, com condições de desafiar a Frelimo’’ - rematou Geraldo Carvalho.

Falando da província de Sofala, Geraldo Carvalho avançou que as bases do partido Renamo nos distritos de Machanga, Cheringoma, Nhamatanda, Dondo e Chibabava também encorajam agora a formação de um novo partido, bem como também pedem para que Daviz se desloque ao terreno para trocarem impressões com ele.

(Francisco Esteves) - CANAL DE MOÇAMBIQUE - 15.01.2009

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Um exercício para a nossa reflexão

Para os que não escutaram a reportagem da Rádio Moçambique em algumas edições de ontem, sobre a estratégia da Renamo para as primeiras eleições provinciais e quartas legislativas e presidenciais, podem ler a peça abaixo, também de autoria da RM. Eis na sua íntegra:

Renamo nao vai mudar de estrategia

A Renamo, diz que não vai mudar a sua estratégia para garantir a sua vitória nas próximas eleições gerais e provinciais previstas para o corrente ano, mesmo depois de ter perdido a maioria dos municípios sob sua gestão.

O maior partido da oposição em Moçambique disse que o seu candidato para a Presidência da República será Afonso Dhlakama, que foi confirmado em Setembro último, durante o Conselho Nacional.

Fernando Mazanga, porta-voz da Renamo, disse a AIM não haver necessidade de mudar de estratégia eleitoral, uma vez não haver nada de errado com a mesma.

Afonso Dhlakama, líder da Renamo, vai assim concorrer a Presidência da República pela quarta vez consecutiva.

Radio Moçambique (14-01-09)

Com certeza, temos aqui um exercício de reflexão sobre a sustentabilidade do nosso processo da democracia multipartidária. Ainda na situação que está, porque não vislumbra nem acredito que se realizará algum congresso e se se realizar, será o pior que o último, realizado em 2002, na Cidade de Nampula, a Renamo vai enfrentar a máquina da Frelimo enquanto que Afonso Dhlakama vai enfrentar Armando Guebuza. Será que é mais uma tentativa de prova para ver se parte do eleitorado moçambicano está ainda refém à Renamo e Afonso Dhlakama?

segunda-feira, janeiro 12, 2009

A Água no conflito do Médio Oriente

Algo que raramente se fala no conflito do Médio Oriente é o que há já dez anos, o meu professor da cadeira de geografia de desenvolvimento me ensinara de tratar-se de uma batalha pelo controle da água. Depois de muitos dos problemas terem sido resolvidos entre as partes em conflito, ficou a questão de água por se resolver.

Recordando-me do tal professor, fui de facto ao google para buscar se havia algo escrito sobre a água como uma das causas do conflito, tendo encontrado neste blog aqui o texto da advogada ambientista Ana Echevenguá. É um texto muito valioso para entender o impacto do recurso hídrico no conflito do Médio Oriente.

Estranhamente, fala-se agora de uma das causas do conflito ser por controle do gaz (clique aqui e aqui), algo para mim nova, mas na realidade, no Médio Oriente a água vale mais do que o gaz. Pode ser que valha a pena para não falar muito desta questão que seria uma justificação do impasse quanto à (re)difinição das fronteiras e à independência total da Palestina.
Quem e como se geririam as águas superficiais da bacia do rio Jordão, incluindo o alto Jordão e seus tributários, o mar da Galiléia, o rio Yarmuk e o baixo Jordão?

Há na Faixa de Gaza águas subterrâneas: 2 grandes sistemas de aquíferos: o aquífero da Montanha, totalmente sob o solo da Cisjordânia, com uma pequena porção sob o Estado de Israel, aquífero de Basin e o aquífero Costeiro que se estende por quase toda faixa litorânea israelita até Gaza. Quem e como se geririam? Vale a pena ler todo o texto da Ana Echevenguá neste blog para continuarmos a debater.
Nota: 1) fiz alguns reparos ao texto que havia escrito às correreias; 2) contactei a Ana Echevenguá, a advogada ambientista, autora do artigo em referência, dando-lhe a conhecer este cantinho e amávelmente confirmou que já o visitou.

sábado, janeiro 10, 2009

Solidariedade selectiva? Parece que sim.

Tenho insistentemente dito que apesar de deste ou daquele discurso, diferentemente de África do Sul com a COSATU, em Moçambique, são pouquíssimos os que verdadeiramente se solidarizam com o povo do Zimbabwe. Se a falta de solidariedade é apenas com o povo do Zimbabwe ou com outros povos africanos, ainda não sei dizer. Sei também que não há e nunca houve um sinal expressivo de solidariedade para com o povo de Darfur, no Sudão nem assisti uma reacção clara da sociedade civil em Moçambique quanto à situação da República Democrática do Congo. Se foi-se à rua para se manifestar contra o ataque terrorista às duas Torres Gêmeas (World Trade Center) nos Estados Unidos, não me lembro.

Porém, a verdade é que os mesmos moçambicanos que não se solidarizam expressivamente com os zimbabweanos, com o povo de Darfur, com os congoleses, estão sempre na vanguarda quando se tratar de mostrar e demonstrar a solidariedade com outros povos fora do continente africano. Sempre têm havido super-manifestações na Cidade de Maputo quando se tratar de violência na Ásia. Só para lembrar, já houve uma super-amanifestação contra a invasão dos Estados Unidos da América ao Afeganistão e uma outra contra a republicação da caricatura de Mohamade pelo Savana. Hoje houve muita aderência à manifestação em apoio ao povo Palestino.

Curiosamente, estas manifestações são autorizadas pelas autoridades do país [leia-se pela Polícia da República de Moçambique] sem nenhum questionamento, enquanto que as tentativas feitas pela Liga dos Direitos Humanos para uma manifestação em apoio ao povo do Zimbabwe, encontraram um obstáculo por parte das mesmas autoridades. Um tratamento discriminátório? Os zimbabweanos não merecem a nossa solidariedade?

Entenda-se, não estou contra as manifestações que já tiveram e sempre terão lugar em Moçambique sem qualquer obstáculo. Pelo contrário sou também solidário para todos os que sofrem e sou contra os promotores da violência. Sou contra a morte dos inocentes na Palestina. Estou a questionar porém, a atitude daqueles que são mais solídários para com uns povo e não para com os outros. Estou a questionar o tratamento discriminatório. O que assistimos é uma solidariedade selectiva, incoerência e inconsequente.

Tenhamos todos coragem para denunciar atitudes duvidosas!

Schlangenfrau - snake woman

Delicie estas mulheres cobras, elas que parecem ter um corpo sem ossos.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Jacob Zuma e os seus casamentos

Segundo uma notícias publicada no Imensis, veja aqui, Jacob Zuma, Presidente do ANC e provável Presidente da República de África do Sul, após as eleições presidenciais daquele país, ainda este ano, está em vias de se casar pela quinta vez.

Se isto for verdade, a África do Sul vai ter em breve cinco primeiras-damas, mas mesmo não sendo, o país terá pelo menos quatro. E quem pagará a factura dos prazeres do Presidente? Não é dificil imaginar os custos que pesarão ao Estado sul-africano, isto é ao povo – as escoltas para aqui, para ali e para acolá; os seguranças para cada residência e primeira-dama; a habitação; etc, etc.

Que ensinamentos nos passa o mais VELHO, na relação homem-mulher, claro se esta não for a melhor forma de valorizar as nossas mulheres.

VOA News - As Divergencias de Arouca com a Frelimo

VOA News - As Divergencias de Arouca com a Frelimo

Luís Loforte, um familiar que acompanhou de perto parte das lides políticas de Domingos Arouca falou com o Filipe Vieira sobre figura de Domingos Arouca e as suas divergências divergências com a Frelimo na sua fase marxista-leninista.

No final contudo terá havido reconciliação

Nota: Obrigado, Bosse Hammarström por ter me despertado através do seu blog, Bossesblog, o sempre rico com artigos de variadíssimas fontes sobre África, e, sobretudo Moçambique.
Ao leitor, se baixar a página da VOA, tem ao lado direito o link com a interessantíssa entrevista com Luís Loforte em MP3. Boa escuta!

Former computer director arrested

Orlando Come, former head of computing for elections, was arrested Tuesday 6 January on corruption charges. Come had high level political protection and remained as computer director for STAE, the technical secretariat of electoral administration, despite complaints after every election of poorly written, untested and insecure computer systems. It is believed that lack of computer security allowed results to be changed in 1999, ensuring the election of Joaquim Chissano as president. In 2004, computer software was still being revised three days after the election, when tabulation should already have begun. (Details in the Mozambique Political Process Bulletin 31, 29 December 2004, pp 12-13, posted on http://www.open.ac.uk/technology/mozambique/ ) After President Joaquim Chissano left office in 2005, Come quickly lost his post as head of election computing.

He had also been director of the national data processing centre (Centro de Processamento de Dados, CPD), and it was with two other former CPD officials that he was arrested. CPD staff had accused him of corruption and maladministration, and a detailed article on the allegations was published in Magazine Independente on 14 November 2007. He was dismissed as CPD director on 12 March 2008, after workers threatened to strike.

Fonte: AWEPA

quarta-feira, janeiro 07, 2009

A Frelimo já em ofensiva eleitoral em Nampula

A Frelimo está empreendida em conquista do eleitorado da Renamo na zona litoral de Nampula. Quem afirma isso é o seu Primeiro-Secretário Provincial, Agostinho Trinta, como vem veiculado na seguinte peça do Notícias:

Frelimo com vantagem no litoral de Nampula

A FRELIMO, em Nampula, acha que registam-se melhorias assinaláveis de compreensão da ideologia do partido a nível da zona litoral da província, onde a hegemonia da Renamo era um facto inquestionável, segundo refere Agostinho Trinta, primeiro-secretário provincial daquela formação política no poder.

Segundo ele, para além dos distritos de Moma e Mogincual, considerados como de forte influência do partido no poder, a influência política da Frelimo já é notória nos distritos de Nacala-a-Velha e Memba, bem assim nas cidades da Ilha de Moçambique e Angoche, onde até há bem pouco tempo a gestão das urbes era feita pela Renamo.

O nosso entrevistado explicou que todos os esforços estão a ser empreendidos de modo a assegurar que muito mais membros da Renamo passem para as fileiras do partido maioritário.

“Não se trata de uma tarefa fácil, mas precisamos de ser persistentes no nosso trabalho político de mobilização” - frisou.

Agostinho Trinta acrescentou que “vamos apostar muito na explicação das vantagens de os membros da Renamo filiarem-se à Frelimo. Eles devem começar a saber que na Renamo só se vive de promessas políticas falsas”.

Aquele político lançou um apelo a todos os membros e simpatizantes da Renamo que se acham portadores de ideias capazes de ajudar o desenvolvimento da província e do país,no sentido de aderirem ao partido no poder.

Explicou que a falta de cultura de diálogo naquele partido da oposição impede que as pessoas participem do processo de desenvolvimento.

Segundo dados estatísticos disponíveis, a Frelimo conta com pouco mais de dois milhões de membros e simpatizantes.

Não se conhecem publicamente as estatísticas dos membros da Renamo.


Fonte: Jornal Notícias

terça-feira, janeiro 06, 2009

Homenagem a Dr. Domingos Arouca

Associando-se aos jornais e outros meios da imprensa e blogues moçambicanos, o Reflectindo sobre Moçambique homenagea Domingos António Mascarenhas Arouca pela sua dedicação à causa da nação moçambicana.

Na sua dedicação à causa da nação, Domingos Arouca passou pela enfermagem à advogacia, profissão que exerceu até à sua morte aos 80 anos. Mas se fosse só isto, podia não ter sido um grande motivo para ele ser tratado como uma personalidade especial na história de Moçambique. Se como advogado, ele podia ter se instalado em Lourenço Marques e ganhar muito dinheiro, contrariamente Arouca sacrificou-se, trabalhando pela independência nacional. Aliás, “histórias soltas” dizem que Domingos Arouca já chegou a ser convidado para secretário de educação em Moçambique pelo regime colonial, mas recusou-se porque a causa da sua luta era a independência nacional.

Sacrificou-se, sim, porque essa sua dedicacão à causa moçambicana custou-lhe a perseguição da PIDE/DGS e consequentemente a uma prisão de oito anos, quatro dispendidos na prisão da máxima segurança, na Machava, e, os outros quatro em Caixias, em Portugal para onde foi deportado.

Arouca regressado a Moçambique, sob vigia do regime fascista colonial, era quase a altura da independência nacional. Mas um homem que luta por uma causa, projecções e persepectivas sobre o futuro e com firmes convicções é sempre coerente. Domingos Arouca foi desses homens e por essa razão recusou-se a aceitar um convite de Samora Machel para ocupar uma pasta no primeiro governo da República de Popular Moçambique, um governo marxista-leninista. Afinal, Arouca sabia que aquilo não servia nada para o país, dito e feito. O grande homem teve que exilar-se em Portugal, continuando a lutar por um Moçambique livre e democrático, fundou a FUMO.

Já em Moçambique, após o AGP entre o governo da Frelimo e a Renamo, candidatou-se a Presidente da República, nas primeiras eleições multipartidárias de 1994. Anos depois abandonou a política porque como visionário previa o que hoje acontece na Renamo-UE.

De Domingos Arouca, temos ainda por aprender; é aprender a sermos visionários, perspectivando o futuro, o nosso e o da nação; aprender a sermos coerentes e com firmes convicções que sirvam a nós, mas sobretudo à nação; aprender a lutar pela causa da nação moçambicana.

Porém, tudo sobre Domingos Arouca terá que ser dissiminado por todo o país e sobretudo entre a juventude, o que passa pelo ensino da História de Moçambique. O Reflectindo sobre Moçambique clama por uma história que ensina sobre todos os nossos nacionalistas, uma história incluente.

Paz à Sua Alma!

DIAGNÓSTICO MOÇAMBIQUE - O QUE FALHOU NO MINISTÉRIO DE EDUCAÇÃO?

Por Noé Nhantumbo

Com margens de reprovação jamais vistas o que diz o ministro? Educar difere de criar galinhas num aviário industrial...

A situação é de tal maneira grave que alguma coisa tem de ser dita pelo responsável do pelouro da Educação neste país. Quando existem referências de 80% de reprovados na 12.ª classe e 70% na 10.ª classe alguma coisa não anda bem. Alguma coisa tem de ser dita aos moçambicanos que exigem esclarecimento urgente. Economias precárias de encarregados de educação que sacrificadamente colocam seus filhos a estudar resultaram em investimento drenado para o esgoto na medida em que o sistema de educação em funcionamento no país não conseguiu transmitir os conhecimentos suficientes para que o nível de aproveitamento pedagógico fosse positivo para a maioria dos estudantes.

Primeiro, salários de fome. Depois salários de fome que foram desviados para custear estudos que não aconteceram, melhor deram em chumbos. Nem a sofisticação e desenvolvimento de sistemas informatizados de correcção de exames que se supunham – alguém supunha – o garante de menos fraudes e melhor aproveitamento trouxeram os resultados esperados. Chumbos atrás de chumbos. Uma desgraça de ensino, em suma.

Será o ruir de todo um edifício ou é a curva necessária para a normalização do sistema de educação no país? Será que são as classes primárias e secundárias que não estão conseguindo transmitir o necessário para que nos exames os alunos das classes mais avançadas se apresentem com os conhecimentos requeridos? Será simplesmente má qualidade do corpo docente? Será todo um ministério que não está conseguindo fiscalizar ao longo dos anos lectivos o que efectivamente acontece nas escolas? Será tudo resultado de um forçar de metas que o sistema não consegue suportar?

Que explicações é que o titular da pasta da educação apresenta para os moçambicanos?

O PR foi ao Parlamento declarar que o estado da nação é bom. Mas 70-80% de reprovações indicam que se está na negativa num sector essencial para o desenvolvimento do país. Daqueles que reprovaram muitos não continuarão estudando. Vão desse modo engrossar as fileiras dos desempregados e dos que não concluíram o último nível de educação a que se candidataram.

O país sente necessidade de uma massa crítica de trabalhadores possuidores dos conhecimentos indispensáveis para a execução de trabalho com a qualidade necessária. Se as pontes ou aquedutos sofrem danos precoces em decorrência de construção precária, se o trânsito é interrompido na principal rodovia do país porque o sistema de escoamento de águas pluviais não aguentou com as chuvas que caíram comos me verificou recentemente em Inhambane, isso tudo deve-se à incapacidade de projectar, realizar e fiscalizar obras, o que nos leva ao sistema de educação que o país possui. Quando a fome é crónica nalguns lugares do país, quando os rendimentos agrícolas são extremamente baixos, quando não se faz o aproveitamento económico possível dos recursos existentes isso é um dos derivados de uma educação distante das necessidades do país. É aqui que se vê que no essencial a governação está a falhar liminarmente. Não temos gente com formação capaz de permitir que o País se desenvolva porque os últimos anos de formação, de dita Educação, foram um fracasso que os números não deixam mentir.

Os factos falam por si e não é possível contrariar aquilo que é evidente.
Aquela transferência de tecnologias de que se fala, o ministério que lida com isso que até existe, as frequentes inaugurações de salas de informática e tecnologia de comunicação não substituem a educação de base sólida que é necessária para as pessoas puderem aproveitar essas condições que estão sendo criadas. É lógico que a mudança é um processo que leva o seu tempo mas também é verdade que os responsáveis pelos diversos sectores governamentais não se podem permitir adormecer a sombra de realizações que parecem castelos gigantes quando de facto não passam de gotas de água num oceano de dificuldades e necessidades não resolvidas. Aqui está a evidência de má governação indesmentível.

Ou se trabalha no sentido de instaurar mínimos sobre aquilo que uma escola deve possuir em termos de equipamentos e laboratórios ou continuar-se-á a proclamar aumento de um rede escolar que não oferece garantias de resultados.

Os meios do Estado estão claramente a ser mal usados. Quando se destina os fundos do estado para luxos, entre os quais viaturas de alta gama está-se a brincar com o Estado, está-se a abusar dos cidadãos, e está-se perante um governo que está a afundar o país.

Também o licenciamento da educação privada no país nos seus diversos níveis não está sendo acompanhado de uma fiscalização que possibilite verificar em tempo útil se estão ou não reunidas as condições para a prestação de um serviço de Educação com o nível padronizado pelo Ministério de Educação. Acaba-se por ter escolas privadas que também não diferem das escolas oficiais e nem por aí a desgraça que se vê é evitada.

Educar é diferente de produzir galinhas num aviário industrial.

Sobrestimar o valor das estatísticas está-se revelando fatal para o sistema educacional vigente no país. A qualidade nunca esteve tão sofrível. Há relatos até televisivos de que alunos da terceira classe não sabem ler. Até alunos de níveis mais altos com certificados na mão, não sabem ler nem escrever. É o falhanço total das Educação e é preciso que alguém seja responsabilizado por isso. Mas parece que estamos como quanto à criminalidade. Nunca há quem responda por isso. E depois são esses que deixam as coisas chegar a este ponto que nos vêm falar de patriotismo e de auto-estima?

O discurso de um aluno pré-universitário aproxima-se de um estudante da nona classe. Num sistema funcional de Educação quanto mais graduado for um cidadão mais se espera dele. No nosso caso os diplomas só garantem quantos anos os alunos andaram na escola, não garante que tenham aprendido mais por lá terem andado a obter diplomas mais anos.

Os técnicos de nível superior produzidos pelo sistema deixam muito a desejar quanto a sua qualidade a julgar pelo que dizem os empregadores. Não estou generalizando. Reconheço que existem excepções mas só servem para confirmar a regra de alguma coisa que está gravemente mal no sistema de Educação nacional. E quando algo de importância nacional se apresenta dessa maneira há que procurar soluções envolvendo todos aqueles que possam oferecer subsídios para o debate que não se pode continuar adiando.

O Ministério de Educação não pode ser um mistério produzindo resultados que não satisfazem o país. Toda a máquina montada desde a capital do país até às províncias deve obedecer a uma lógica de funcionamento em que esteja precavida a execução daquilo que são os planos sectoriais. A arrogância manifestada por alguns funcionários do sector quando confrontados com perguntas pertinentes são o sinónimo de fraqueza e de pouco domínio das responsabilidades que lhes estão atribuídas. Furtam-se à verdade e entram para o campo das explicações teóricas fáceis que não explicam nada sobre o descalabro de todo um sistema oneroso para o país.

Se é de incompetência que se trata, se é falta de capacidade e de domínio das técnicas que deveriam estar sendo usadas para administrar todo um sistema, então há que fazer um diagnóstico realístico da situação e tomar as medidas adequadas.
Não se pode transigir nem pactuar com funcionários pagos principescamente mas que não produzem os resultados esperados. O impacto da Educação é de tal maneira crucial para o país que não se podem aceitar falhanços com a dimensão de desastre nacional a que todos estamos a assistir.

Falhar não pode ser inscrito na agenda tal é a importância da educação para toda a estratégia de desenvolvimento nacional.

O governo do dia falhou e o país tem de exigir contas disso. A derrocada vai avolumar-se se nada for feito já. É treta quando se fala em combater a pobreza com estas condições e muita outra legislação conexo com que são nos andam a enganar. Nenhum empregador pode pensar em investir com as leis trabalhistas que temos quando vistas na perspectiva desta educação vergonhosa que temos, salvo algumas honrosas excepções que têm mais a ver com mérito de certos estudantes e professores individualmente do que com boa governação.

Retirado na sua íntegra do CANAL DE MOÇAMBIQUE – 06.01.2009

Nota: aqui temos que voltar mais uma vez às discussões sobre a educacão que anteriormente tivemos em diferentes fóruns, por exemplo, no Desenvolver Mocambique onde já foram abordados muitos temas sobre a qualidade do ensino.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

As perspectivas de Adolfo Samuel Beira

Para muitos moçambicanos, infelizmente os não-políticos, do que me parece, as últimas eleições autárquicas serviram de um termómetro para conjecturar as primeiras eleições provinciais, quartas legislativas e presindenciais a terem lugar ainda este ano. Desta feita, Adolfo Samuel Beira vaticina quanto às eleições presidenciais e faz convites aos que pensam em se candidatar. Eis as principais linhas do seu belo artigo:

… convido imediatamente a todos os aventureiros e candidatos tradicionalmente perdedores e caçadores do “trust fund” a desistirem da aventura. Com base no que foram as terceiras eleições autárquicas, as próximas eleições presidenciais e legislativas são de pesos pesados. Devem ser candidatos com palavra, pontos de vista, conhecimento profundo do país real e autodeterminação em lutar contra todas as vicissitudes que emperram o nosso desenvolvimento e progresso. Não serão eleições para tentativas, tentar a sorte, ganhar experiência, ensaio ou simulações como vinha acontecendo nos pleitos anteriores. Desta vez é a sério, como se fosse pela primeira vez que se vai escolher um presidente no país, de forma democrática.

Por isso tudo poderá acontecer, até um anónimo na arena política activa pode vir a sair vencedor das presidenciais. Tudo ainda está em aberto. Daí que convido a todos os perdedores crónicos, ou seja, todos aqueles que já se candidataram por duas ou mais vezes e perderam a ficarem de fora nas próximas eleições, para uma merecida reflexão das razões e motivos das constantes derrotas, dando chance e oportunidade adequada aos outros, talvez com mais peso e maior expressão política que nós. Haverá outras tantas em que podem se candidatar mais vezes. Mas estas próximas, por favor não... Leia mais clicando aqui!


Fonte: Jornal Notícias

Convite aos “Jovens com Quelimane no Coração”

PROGRAMA DE DEBATE

Data: 07 de Janeiro (Quarta Feira), Local: Restaurante Refeba, 15Horas

15:00-15.15 Chegada e registo dos participantes Beato Dias (UP)
15.15-15.30 Boas Vindas e Problematização Antonio Zefanias (MISA)

Papel da Juventude no Desenvolvimento da Cidade
Moderador: Celso Gusse
Orador. Dr. Muzenguerere (UP)
Comentador: Pualo Bonde (Estudante)
Comentador: Inocêncio Paulino (DPJD)
Comentador: Jocas Achar (Noticiais)
ENCERRAMENTO
17:30-17:45 Considerações Finais Beato Dias (UP)
17:45-17:55 Agradecimentos Antonio Zefanias (MISA)

domingo, janeiro 04, 2009

O povo da Beira sabe o que quer

O analista político e jurista Carlos Jeque, na imagem, afirmou numa entrevista ao Jornal Notícias que estava convicto que Daviz Simango iria vencer porque o povo da Beira é especial, determinado e sabe o que quer.

NOT. – Porquê essa convicção?

C.J. – Porque o povo da Beira é especial. É diferente dos outros povos moçambicanos. É um povo muito determinado. Os cidadãos da Beira sempre souberam o que queriam; queriam um Daviz Simango jovem dinâmico, que tinha tido um alto desempenho. Os outros candidatos mereciam simpatia, mas, naturalmente, não iriam ter o voto de confiança do povo da Beira... de forma alguma. E pesa, também, a favor de Daviz Simango a sua própria origem e o que se começou a desenhar à volta dele, criando-se um certo carisma, ao mesmo tempo que se desenhava a possibilidade de ele apresentar o potencial de vir a ser a segunda figura da Renamo, com poderes suficientes de conduzir os destinos da oposição, com a consciência de que havia necessidade de se reforçar a liderança da Renamo. Daviz Simango tinha de continuar com a presidência do Conselho Municipal para ter a força suficiente de progredir com os outros projectos políticos...
NOT. – Alguns analistas políticos consideram que não deverá ser fácil este grupo, [que exige a renovacão da Renamo] composto maioritariamente pela chamada “ala académica” da Renamo, conseguir lograr o objectivo de retirar Afonso Dhlakama da liderança da Renamo devido ao facto de este ser militar e ter gerido o partido com métodos ditatoriais. Consideram ainda que as bases do partido, na sua maioria compostas por ex-guerrilheiros e população vivendo nas zonas rurais, não deverão facilitar essa missão.

C. J. – É falso.. Às vezes, as pessoas pensam que o mundo rural pensa pouco e nós que estamos nas grandes cidades somos os mais esclarecidos. Julgam ainda que os do campo são pouco letrados... mas a capacidade de raciocínio nada tem a ver com o analfabetismo, é um dom natural. Afonso Dhlakama neste momento nada tem estado a fazer para mudar o curso dos acontecimentos. O actual Presidente da República, Armando Guebuza, quando foi eleito Secretário-Geral da Frelimo, andou por todos os distritos, passou pelas zonas mais recônditas do país, incluindo em lugares onde estão os militantes e simpatizantes da Renamo. Eleito Presidente da República, em quatro anos já percorreu o país de lés-a-lés, pelo menos umas três vezes e entrou em contacto com os militantes e simpatizantes da Renamo. E o discurso do Chefe do Estado é aglutinador; não é de segregar os membros e simpatizantes da Renamo nas zonas rurais. Ele aposta nas zonas rurais, querendo dar apoio a todos e, é natural que, à medida que as necessidades dessas pessoas vão sendo satisfeitos ou pelo menos vão vendo que é possível haver uma alteração para melhor, com este Presidente da República, é natural que este ano dêem o seu voto de confiança a ele e ao seu partido mais uma vez. Por outro lado, isso acontece porque ninguém vai lá analisar o trabalho que está a ser feito pelo Presidente da República; ninguém vai ver, efectivamente, o que o Presidente da República está a fazer e se está a fazer para todos ou não; se o que o Presidente está a fazer vai consolidar o desenvolvimento económico ou não das zonas rurais, dos distritos, a médio ou longo prazo ou são acções para um período de interesse político determinado mas que não consolida as instituições. Leia +

Fonte: Jornal Notícias

sábado, janeiro 03, 2009

Líder da Oposição vence presidenciais no Gana

O líder da Oposição ganesa John Atta-Mills venceu as eleições presidenciais, com 50,23 por cento dos votos. O candidato derrotado Nana Akufo-Addo, apoiado pelo partido no poder, obteve 49,77 por cento dos votos. O candidato derrotado aceitou o resultado e felicitou o vencedor.

O candidato derrotado aceitou o resultado e felicitou o vencedor. “Aceito a declaração da comissão eleitoral e felicito o professor Atta-Mills”, declarou o candidato Akufo-Addo na sede do Novo Partido Patriótico, do qual é militante o presidente cessante John Kufuor. Leia +

Fonte: RDP África

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Nacala-Porto, ano político 2009 e a supervisão das leis

O município de Nacala-Porto que vai à histórica segunda-volta para a eleição de seu edil e já constitue um dos pontos de partida político de 2009, em Moçambique. As acusações sobre uma pré-campanha não tardaram como se pode ler aqui. Contudo, não sei porque seria interessante queixar-se de pré-campanha que me parece não ser ilegal em Moçambique. Ou?

Se a pré-campanha não é ilegal, o melhor é que tanto Santos como Chale a façam livremente. Não há necessidade de falar-se de campanhas de outros, embora eu pense ser justo em falar-se das formas da campanha. Quanto às formas, refiro-me ao que viola a lei eleitoral mocambicana e por vezes a Constituição da República. Quer dizer, que ninguém seja forçado a ir para uma campanha eleitoral e muito menos a votar para um condidato e que ela (a campanha) não seja feita em locais interditos pela lei elitoral.

Se a pré-campanha eleitoral for proibida por alguma lei moçambicana, que essa lei seja supervisada por quem a compete e os violadores sejam severamente punidos. Tenho a certeza que quem supervisa as leis não são partidos políticos.

terça-feira, dezembro 30, 2008

Comunidade na diáspora pede incentivos para retenção de cérebros

Esta é indicação de um artigo publicado neste blog em Dezembro de 2005 (leia aqui)e que acaba de receber o seguinte comentário da Isabel:

Existem muitas pessoas que têm o desejo e vontade de voltar, de investir e de contribuir para o desenvolvimento de Moçambique, mas existem 4 factores que se destacam negativamente e obrigam as pessoas a recuar:
1 - Corrupção
2 - Insegurança
3 - Falta de Infra-estruturas
4 - Entraves, lentidão e falta de clarificação nos processos.
Sr.Presidente que resposta tem a dar a estas pessoas?

Divulgados os resultados do inquérito sobre a fuga de Anibalzinho

A Rário Mocambique escreveu no seu espaco noticioso de hoje que os resultados do inquérito sobre a fuga de Anibalzinho, Todinho e Samito das celas do Comando da Polícia da Cidade de Maputo foram divulgados esta segunda-feira.

A notícia diz que das averiguações feitas, concluiu-se que a Direcção do Comando da PRM-Cidade negligenciou porque não tomou medidas preventivas e nem emitiu instruções para evitar a fuga dos criminosos, apesar de haver no local sinais prévios da sua evasão.

Na sequência da evasão, o Ministério do Interior decidiu deter sete membros do comando que compunham o turno de guarnição no dia da ocorrência enquanto que quatro membros superiores do comando da PRM da cidade cessaram funções e terão que responder à processos-crime.

Os quadros superiores cessantes são: José Domingos Tomás que na altura da ocorrência era Comandante da PRM da cidade de Maputo, Clemente Nhacula-Chefe de Protecção, William Tivane-Chefe de Operações na Direcção da Ordem e Segurança Pública e Jorge Torrezão, chefe das celas do Comando da PRM-cidade.

Por não se ter provado o envolvimento nos preparativos e na execução da fuga, os seis guardas da Polícia que se encontravam detidos, serão restituídos á liberdade.

Fonte: Rádio Mocambique

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Em África não basta seguir o líder

Este artigo foi pela primeira vez publicado neste blog em 2005.

Por Simon Robinson(*),

Em termos de brutal honestidade sobre as causas do sofrimento africano, é difícil ir mais além que a obra do escritor Chinua Achebe, “Os problemas da Nigéria”.

Escrito durante a tumultuosa campanha eleitoral do país em 1983, o livro, com apenas 68 páginas, transpira frustração face aos problemas enfrentados pela Nigéria. Ler o seu conteúdo dá para perceber claramente a angústia de Achebe. O autor – bem conhecido pela obra Things Fall Apart, uma poderosa obra de ficção que, quase meio século depois da sua publicação, continua a estar no topo das listas de livros sobre África – usa uma prosa muito sincera para enviar a mensagem em Trouble. Os títulos dos capítulos telegrafam as suas opiniões: “falsa imagem sobre nós próprios”; “injustiça social e o culto da mediocridade”; “indisciplina”; “corrupção”. Achebe coloca o seu ponto de vista logo da primeira frase do livro: “o problema da Nigéria é simples e claramente um falhanço de liderança”.

Muitos nigerianos estão de acordo e africanos por todo o continente chegaram a conclusões similares sobre os seus próprios países. É por isso que, nos meados da década de 90, quando emergiu uma nova geração de líderes, os africanos tiveram a esperança que tudo podia finalmente mudar. Pessoas como Issaias Afewerki na Eritreia, Laurent Kabila na RDC, Paul Kagame no Ruanda, Yoweri Museveni no Uganda e Meles Zenawi na Etiópia prometiam um novo estilo de liderança centrado na construção económica e no desenvolvimento de nações democráticas, ao invés de impor o seu poder pela força e assegurar que os seus amigos se tornassem ricos. Quando o presidente Bill Clinton visitou o continente em 1998, ele referiu-se a esta nova geração como a grande esperança de África.

A realidade raramente iguala a hipérbole. Poucos meses depois da visita de Clinton, o Ruanda e o Uganda invadiram o Congo, a Eritreia e a Etiópia envolveram-se numa guerra entre ambos. Enquanto alguns líderes – nomeadamente Museveni e Zenawi – fizeram o suficiente para continuar a merecer as boas graças dos doadores ocidentais, mesmo eles entraram em derrapagem. Na Etiópia, Zenawi não hesitou em mandar o exército para a rua para enfrentar manifestantes da oposição protestando contra os resultados das eleições gerais realizadas em Maio.

No Uganda, um cada vez mais autoritário Museveni anunciou há duas semanas que vai de novo candidatar-se a eleições, depois do Parlamento ter eliminado as cláusulas que o forçariam a passar à reforma por limite de mandatos. O há muito esperado veredicto chegou dias depois de o seu principal opositor ter sido aprisionado, acusado de traição e violação, acusações que são negadas com veemência. As manifestações foram banidas temporariamente.

Quer isto dizer que os lamentos de Achebe continuam verdadeiros ? Nem por isso. Resolver os problemas africanos nunca foi apenas uma questão de mudança dos seus líderes. E é por isso que o desgaste de Museveni e Zenawi se venha a revelar positivo, mesmo que isso represente sofrimento a curto prazo para os seus próprios países.

É uma chamada de atenção - especialmente para os países ocidentais que tanto investiram nestes novos líderes - que instituições fortes são muito mais importantes que personalidades. Bons líderes podem tornar-se maus se permanecem no poder demasiado tempo: as falhas tornam-se óbvias; desenvolvem-se compromissos simplesmente para reter o poder; os apoiantes ficam frustados com o inevitável abrandar de ritmo das mudanças.

E não é apenas em África. Há muitos apoiantes de Tony Blair que o gostariam de ver pelas costas. O mesmo se passa com os apoiantes de Jacques Chirac e George Bush. Uma diferença fundamental é que as instituições nos países dirigidos por estes homens – o parlamento, o judiciário, a imprensa – são muito maiores que uma só personalidade e são um contra balanço contra os piores excessos. Isto ainda não é um dado adquirido em África.

Tomemos o exemplo do Zimbabwe. Há cinco anos atrás, este país tinha um dos melhores sistemas judiciários do continente. Os eleitores podiam fazer ouvir as suas vozes, como o fizeram em 2000 quando rejeitaram a proposta de Constituição apoiada por Robert Mugabe. A imprensa independente estava entre das mais destemidas de África. Nos últimos anos, contudo, Mugabe e os seus acólitos puseram a oposição de joelhos, falsificaram eleições, fecharam jornais independentes e forçaram a reforma da maioria dos melhores juizes do país. Mugabe, saudado no passado também ele como um exemplo de um grande novo líder africano, mostrou-se mais forte que as instituições do seu país.

Claro que há progresso. Os quenianos por exemplo rejeitaram a semana passada uma nova Constituição apoiada pelo presidente Mwai Kibaki – eleito há apenas três anos no meio de uma onda reformista – e que pretendia exactamente o reforço dos poderes presidenciais. (Kibaki tratou imediatamente de demitir o seu executivo). Eleitores no Gana, no Senegal e na Zâmbia elegeram partidos da oposição na viragem do século. Estas mudanças pacíficas provam que as instituições em alguns países são suficientemente fortes para sobreviver à mudança e não estão meramente dependentes, ou à mercê da personalidade que ocupa o palácio presidencial. A Etiópia e o Uganda estão muito melhor que antes de Zenawi e Museveni chegarem ao poder. A derrapagem não destruiu tudo o que de positivo fizeram estes homens. Mas o seu legado algo manchado é uma lição. “ A reputação e o feitio de um líder poderá induzir um clima favorável, mas para se atingirem mudanças duradouras, tem de haver um programa radical de reorganização social e económica”, escreve Achebe em “Os problemas da Nigéria”.

Por outras palavras, haver bons líderes é bom, mas instituições fortes é ainda melhor.

(*)In revista Time
Título adaptado

domingo, dezembro 28, 2008

O país em alerta em resultado das chuvas intensas

Segundo a Rádio Moçambique, em resultado das chuvas intermitentes que têm estado a cair no Malawi e Zâmbia o caudal do Zambeze ultrapassa o nível de alerta.

Nas cidades de Inhambane e Maxixe estão a ser fustigadas por chuvas intensas desde a noite de 25 de Dezembro, tendo na primeira, pelo menos mil e quinhentas pessoas ficado desalojadas.

Centros operativos de emergência já foram activados nas províncias de Sofala, Manica, Tete, Zambézia, Cabo Delgado e Inhambane, assim como o estacionamento de uma pequena equipa operativa da Unidade Nacional de Protecção Civil. Leia +