Mostrar mensagens com a etiqueta ponte sobre Zambeze. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ponte sobre Zambeze. Mostrar todas as mensagens

sábado, agosto 08, 2009

Conversa com Armando Emílio Guebuza

-Bom dia meu senhor, não estranhe a pergunta, mas alguém me disse que se chamava Armando Emílio Guebuza, é verdade?

-Sim é.

-O senhor é chará do Presidente da República?

-Sim, agora sou.

-Como assim, agora? Afinal este não é o seu nome de nascença?

-Não...quer dizer, eu agora chamo- me Armando Emílio Guebuza. É o meu nome a partir de hoje, já mudei o registo no notário e foi rápido. Deram-me logo um novo B.I.

-Está bom, o senhor tem 34 anos, é maior de idade e resolveu mudar de nome. É legítimo. Mas porque escolheu justamente o nome do actual Presidente da República para o novo baptismo?

-He he, o senhor é atrasado ou finge? Estas são as novas directivas e prerrogativas do país. É um processo. Desde que comecei a acompanhar este processo, notei a seguinte cronologia: primeiro foi uma praça no Maputo Shopping, chamaram-na Guebuza Square, ou seja, Praça Guebuza, está em inglês, mas é isso mesmo. Esse mesmo nome consta em várias listas de accionistas de grandes empresas do nosso país, sem contar com as várias escolas pelo país que também receberam esse nome. Portanto, o processo está em andamento. Agora houve uma nova nomeação. Se estiver minimamente informado, sabe que a ex-Ponte da Unidade Nacional, passou a chamar-se Ponte Armando Emílio Guebuza. O processo está em andamento. Eu sou um cidadão bastante informado e já notei que há uma tendência ou esforço nacional par promover este nome, desde discursos de grandes figuras políticas até a conversas de ministérios, esquinas e bares. Este nome ecoa mesmo. O processo está em andamento.

-Percebo. Agora diga-me, qual é a ligação entre este “processo em andamento” com a mudança do seu nome? Por acaso o senhor também passou a ser uma praça, ponte ou objecto?

-Agora vejo que o senhor está mesmo atrasado. É o seguinte: eu, na qualidade de cidadão bem informado e que acompanha o pulsar da nação, não posso ficar à margem deste grande processo, por sinal, o mais célere no nosso país. Visto isto, comecei por me integrar. Na verdade, o primeiro integrado foi o meu negócio de venda de patos. Baptizei-o. Agora chama-se Aves Guebuza. O meu filho recémnascido chama-se Guebuzinha, por causa da idade. Reinaugurei o meu quiosque, foi uma grande festa. Agora chama-se Guebuza Store. A comissão de moradores do prédio onde moro está a ponderar também a mudança do nome do prédio para Prédio Armando Emílio Guebuza. Vamos submeter o projecto ao Conselho Municipal, temos a certeza de que será aprovado.

-Bem, começo a pensar que realmente estou atrasado. Como o senhor diz, à margem deste grande processo.

- Completamente! Já agora, ficava-lhe bem o nome de Azaguebas. Verá como a sua fama irá aumentar. São as directivas do país. Já não está na moda ser moçambicano. Está na moda ser guebuziano.

Fonte: @Verdade

sexta-feira, julho 31, 2009

Carta a um caro e estimado amigo e camarada sobre a segunda Travessia do Rio Zambeze

Por Carlos Nuno Castel-Branco

Maputo (Canalmoz) - Levantou-se um debate polémico em torno do nome da ponte sobre o Zambeze. Nem outra coisa seria de esperar, dados quatro factores: (i) o nome escolhido (o do Presidente da República, Armando Emílio Guebuza, controverso pelos seus métodos de governação e ligações activas com o mundo de negócios); (ii) o contexto político em que o nome foi escolhido (fim de mandato de uma governação absolutista, com um ambiente de crescente lambe-botismo e carreirismo e crescente culto de personalidade, conjugados com o ciclo eleitoral em que nos encontramos); (iii) a forma como a escolha foi feita (a única, ou uma das raríssimas sessões do Conselho de Ministros não presididas pelo PR neste mandato, em que foram rejeitadas opções claramente mais neutras e unificadoras sem qualquer justificação aceitável; seguida da declaração de irreversibilidade da escolha, a qual, por si só, é um reconhecimento de que existe um problema com a escolha); e (iv) o significado e o simbolismo histórico da travessia do Zambeze (esforço colectivo de gerações de Moçambicanos combatentes libertadores, simbolizando que enquanto o colonialismo tudo fez para impedir a travessia do Zambeze, os Moçambicanos livres e combatentes tudo fizeram para promover a justa e livre travessia desse majestoso Rio).
Nas várias mensagens sobre o nome da ponte do Zambeze que já recebi, não há nada que justifique a atribuição do nome de Armando Emílio Guebuza (AEG) à ponte. Há uma cantilena sobre o significado da ponte, outra sobre os feitos recentes do grande timoneiro, mas não existe a mais pequena relação lógica entre as cantilenas e o nome da ponte. Provavelmente, para a maioria das pessoas o que interessa é que haja uma boa e sólida ponte e cada um usará o nome que quiser. No entanto, há algumas considerações que gostaria de fazer usando o debate sobre o nome desta ponte como pretexto.
Historicamente, a travessia do Rio Zambeze tem sido fundamental na nossa vida. A travessia do Zambeze pelos guerrilheiros da FRELIMO foi um dos marcos fundamentais na construção da vitória sobre o colonialismo português. Por isso, até temos ruas, praças, escolas, etc., que se chamam “Travessia do Zambeze”. Mais uma vez, com a ponte a inaugurar em breve, a travessia do Zambeze será um marco histórico na unificação física do território nacional e na reafirmação e consagração da integridade territorial. Enquanto o colonialismo português tentou, com Cahora Bassa e com o colonato, impedir a travessia do orgulhoso rio Zambeze, a vitória do Povo Moçambicano permitiu a construção de uma ponte para facilitar e promover essa travessia. Essa vitória, construída por milhões de heróis, foi sendo erguida em torno de eventos históricos como a travessia do Zambeze para Sul. Portanto, a ponte sobre o Zambeze tem valor e simbolismo histórico que de longe ultrapassam o nome de qualquer pessoa viva ou morta. A ponte sobre o Zambeze estava inscrita nas directivas económicas e sociais do III Congresso, foi reafirmada no IV Congresso, planificada e orçamentada no mandato do governo anterior (1999-2004), executada no actual mandato (2005-2009). Portanto, se fosse dado um nome presidencial a essa ponte, acho que ela se deveria chamar “Eduardo Moisés Alberto Guebuza”.

Clique aqui para continuar a ler!

Alto Hama: Chissano vs Guebuza

A propísito da atribuição do nome de Armando Emílio Guebuza, Presidente moçambicano, à ponte sobre o rio Zambeze, que ligará os distritos de Caia, em Sofala e Chimuara, na Zambézia, o Alto Hama faz uma restrospectiva sobre Chissano e Guebuza, partindo duma entrevista, confira aqui e aqui.
Segundo Alto Hama, Chissano tem a imagem de um estadista de nível mundial, tão capaz de dialogar com o arrumador de carros como com o secretário-geral da ONU. Era o homem certo no lugar certo, na circunstância a Presidência de Moçambique. Quanto a Guebuza não só tem a imagem mas, certamente um político arrogante, sem grande preparação intelectual e que tinha orgulho em demonstrar que a razão da força era a solução para todos os problemas.