Por Paulo Moura, Cairo
(
Público) - A organização está disponível para apoiar Baradei e diz-se defensora da democracia. Na praça de todos os protestos, é fácil localizá-la.
A Praça Tahrir está informalmente dividida em vários sectores. Um deles é o da Irmandade Muçulmana. Não é difícil de encontrar, basta seguir as barbas. Muitos destes homens de túnica e rosto hirsuto circulam por todo o perímetro da praça, frequentemente divulgando slogans com um megafone. Mas acabam sempre na esquina da Irmandade.
É um lugar onde há sempre acesas discussões e que muita gente frequenta ou visita. Mas poucos jovens. A chamada "geração do Facebook" não se mistura com os barbudos. Também não os teme. "São gente conservadora e que não tem nada a ver com o nosso mundo", diz Ahmed Nassar, um dos jovens organizadores da manifestação. "Mas são pacíficos e aceitam as regras democráticas. É o que nos basta. De resto, a juventude não está com eles. Por isso terão cada vez menos influência. Só por ignorância o Ocidente pensa que são perigosos."
Amin Ibrahim, 57 anos, é membro da Irmandade Muçulmana. Vem para a praça todos os dias, embora não desde o início. "Este é um movimento iniciado pelos jovens", admite. "Mas nós concordamos com as suas reivindicações. Sempre defendemos essas ideias. Somos as principais vítimas deste regime."
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