As coisas repetem-se. Sem querer, eu sou
obrigado a acreditar que, na verdade, o mundo é redondo, circular, etc. As
coisas acontecem ciclicamente e a razão está aí bem explícita como a luz do
dia: “o mundo é redondo”. Eu até poderia acreditar na necessidade de muita
coisa se repetir, mas nunca tinha pensado que era tudo que tinha que se
repetir, até o nascimento. “Digo-lhe a verdade: ninguém pode ver o reino de
Deus, se não nascer de novo” – disse Jesus a Nicodemos, em João 3:3.
Há anos, li um texto que contava a
história de um homem que, no tempo da grande fome, ele descobriu uma colmeia de
onde extraiu uma grande quantidade de mel. Só que aquele homem era muito
“inteligente” como muitos pais que o mundo revela em todas as épocas de fome.
O que ele fez?
O que ele fez?
Amigo leitor, eu não me lembro de toda
história, mas se eu te contar o pouco que me vem à memória, fartar-te-ás de
rir. Claro, podes até não rir, porque a história, pelo menos na parte de que me
recordo, é tristinha.
Vamos ao que interessa: esse tal pai,
não sei se era pai também, porque, por aquilo que ouvi nas telenovelas, pai é
aquele que cria, cuida, ama, responsabiliza-se por tudo o que os filhos
necessitam para crescer. O simples facto de alguém gerar crianças, como
resultado, se calhar, da satisfação de suas necessidades biológicas, não lhe dá
o direito de ser chamado de pai. É verdade, sim. Eu concordo com isso, caro
leitor. Não é qualquer um que a gente tem de chamar de pai. Esse alguém deve
merecer esse “grau”.
Estou a falar muito, não é? Até parece
que não estou interessado em contar essa história. Está bem. Já vou contar.
Esse homem, depois de extrair aquela enorme quantidade de mel, depositou-a num
grande pote e escondeu-o numa lixeira onde deitavam, sobretudo, as cinzas. É
normal lá nas comunidades rurais, onde cada um tem um grande pátio, escolher-se
um sítio, nas extremidades do pátio, para depositar cinzas. Foi, então, assim
que esse tal senhor achou um lugar oportuno para esconder o seu mel.
Depois de esconder o mel naquele lugar, arranjou uma cana, ou
seja, uma mangueira que ele mergulhava no fundo do pote e lhe permitia sugar o
mel. Assim, ele chupava o seu mel sozinho, sem dar nem à sua esposa nem aos
seus filhos.
Isso de comer sozinho não era o pior.
Sabe, meu amigo, o que ele fazia? Para mim, isso já é o cúmulo do absurdo.
Dói-me lembrar e até contar-te.
