Começou como uma reclamação do preço da lata de água no fontanário público, passou pela detenção de seis aldeões que foram espancados e torturados por populares e pela Polícia e terminou na barra do tribunal.
Afinal, o problema saiu da esfera meramente social e revestiu-se de condimentos políticos, cujo julgamento começou esta semana, na vila-sede de Ancuabe, em Cabo Delgado.
Há sinais bastantes que concorrem para que o acusador, neste caso o Estado, através da Polícia, possa virar acusado, num processo autónomo que está a nascer, devido às sevícias infligidas aos seis elementos da aldeia de Ntutupué, mais o delegado distrital da Renamo, para além de mais dois que não constam dos autos, que alegam terem sido selectivamente detidos e submetidos a diversos tipos de agressão física e mental, humilhação, incluindo a violação das esposas de dois deles.
