O antigo Secretário-geral, chefe da bancada parlamentar nas últimas duas legislaturas e membro da Comissão Política da Frelimo, Manuel Tomé poderá ser eleito candidato presidencial dos camaradas no decurso do X Congresso do batuque a decorrer nos finais do próximo ano.
Por quanto, o nome do autor da famosa música ‘Ndapota’ reúne consenso nos bastidores das alas ‘deixa-andar ’ e ‘ guebuziana’ aliado ao facto deste militante da Frelimo ser oriundo do centro do país e ser cabeça de lista do maior círculo eleitoral do país, província de Nampula.
‘O camarada Tomé já demonstrou capacidade e competêncai de aglutinar diversas sensibilidades tanto no Secretariado Geral quanto na liderança da bancada da Frelimo na Assembleia da República’, confindenciou-nos um quadro sénior da Frelimo que solicitou anonimato alegando disciplina partidária para, em seguida, recorder-se que na qualidade de SG, ‘Ndapota’ ter trabalhado em estreita colaboração com o antigo estadista Joaquim Chissano e Armando Guebuza quando desempenhava as funções de chefe da bancada da Frelimo na primeira e segunda legislativa multipartidária.
A referida fonte confindeciou-nos ainda que as duas alas que se tem degladiado nas hostes do batuque e tambor concluíram, separadamente, que o antigo secretário-geral da Frelimo e do Sindicato Nacional de Jornalistas estava menos ‘maculado’ em relacao ao quarteto Aires Aly, Eduardo Mulembwé, Luísa Diogo e Maria da Luz Guebuza.
Nominalmente, o actual Primeiro-Ministro Aires Aly é considerado ‘yes man’ de Guebuza e teve um passado tenebroso na Caixa Escolar enquanto que Eduardo Mulembwé beliscou a sua própria reputação ao recusar-se a abandonar voluntariamente o Palácio do Estado que fora atribuído na qualidade de Presidente da Assembleia da República.
Paralelamente a sua teimosia em abandonar voluntariamente o Palácio do Estado Mulembwé não inspira segurança a maioria dos combatentes de Luta de Libertação em consequência das declarações bombásticas por ele proferidas quando desempenhava as funções de Procurador-Geral da República.’ Recordam-se da promessa de denunciar publicamente a lista de corruptos? Este pronunciamento ainda constitui uma espinha na garganta da nomenclatura da Frelimo’ – disse a fonte.
Por outro lado, a pretensa ‘ideia’ alimentada por alguns segmentos da Organização da Mulher Moçambicana (OMM), liga feminina da Frelimo, de propôr a candidatura da Maria da Luz é vista como sendo uma manobra dilatória para perpetuar a estadia de Armando Guebuza na Ponta Vermelha.
Por sua vez, a economist aLuísa Diogo, antiga Primeira-Ministra e titular da pasta das Finanças no último mandato de Joaquim Chissano, mulher que domina profundamente os corredores do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), viu a sua reputação beliscada interinamente em consequência das trafulhices supostamente praticadas pelo seu cônjuge.
Entretanto, num acto classificado de ‘testagem voluntária’, o antigo chefe da bancada da Frelimo na Assembleia da República fez uma intervenção bastante exaustiva e aglutinadora entre os regimes de Samora Machel, Chissano e Guebuza antes da ordem do dia no parlamento.
Acredita-se que a intervenção de Manuel Tomé que foi bastante aplaudida pelos seus camaradas tanto no parlamento quanto nos comités provinciais, tinha como objectivo balançar secretamente a sua popularidade. Na essência, Manuel Tomé fez uma radiografia dos sucessivos governos da Frelimo e, consequentemente, anteviu o futuro risonho do país…
Fonte: Zambeze in Imensis 2010/11/05