sexta-feira, abril 04, 2025

A Frelimo não está preparada para partir o poder

 Não sou eu a dizer isto, mas um assumido membro da Frelimo que não tem nada para lamber. Eu apenas acrescento. Nem sequer num município a Frelimo quis partilhar o poder. No meu município, em Nacala-Porto, quando em 2003 Manuel dos Santos da Renamo ganhou as eleições partilhou o poder com a Frelimo e Assana. Interessante foi eu ter lido duma revista da Afrika Grupperna e eu ter confirmado com o próprio Manuel dos Santos quando lhe fiz uma visita de cortesia. Entretanto, quando em 2009 a Frelimo voltou ao poder, via fraude, abocanhou tudo o que se chamou de chefia com naquele conselho municipal.

Nas eleições autárquicas de 2018, Raul Raul Novinte vence as eleições e imbuído da cultura de estado, manteve algumas chefias anteriores e nomeou outras sem olhar pela cor partidária, apesar de críticas severas dentro da Renamo. O que alguns da Renamo questionavam, era do porque seria o o Raul Novinte/Renamo a partilhar o poder com a Frelimo, se esta vom o fez. De novo, quando a Frelimo volta ao poder via fraude e violência, mandou embora todo aquele que era chefe sem vassalagem ao partido Frelimo. Aliás esses não foram apenas exonerados, mas humilhados, pois que foram transferidos para áreas longe da sua profissão. Por exemplo, o saudoso Arlindo Chissale, um verdadeiro know-how em comunicação e língua, assassinado pela mesma Frelimo, foi colocado como coveiro no cemitério municipal. Não estou a especular, pois o último encontro com Chissale, foi precisamente no cemitério municipal de Nacala-Porto, em finais de 2024.
Nota: o pior com a Frelimo é que nem para oposição está preparada. A Frelimo prefere acabar com Moçambique e moçambicanos que aceitar estar na oposição.




terça-feira, dezembro 31, 2024

Sobre o chartão-mor

 Ainda bem que ele não me surpreende. Ainda bem que a esta geração ele não a engana. Não digo que na outra ele enganava. Lembro-me que era da blogsfera se faziam debates e ainda podem-se consultar. Mas é lamentável que continue a não ver a causa dos problemas do país e opte por atacar a vítima que a democracia liberal, o eleitorado e finalmente, se assim for, ao cidadão que se entrega para construir um estado de direito democrático. Não é que eu ache que criticar a um candidato é mau, mas acho MAU quando nunca queremos provar que somos os melhores cidadãos também nos canditadando. Talvez como candidatos, sentiriamos na pele do que se passa no processo eleitoral em Moçambique.

Nota: 1) eu que anualmente estou em Moçambique, ando nos chapas, nos ATMs, nos mercados, nos bairros, etc, a pé, sei que a maior causa de abstenções nas eleições é a fraude. Muitos dizem e em todo o lado: para que vale em ir votar se já se sabe que a Frelimo vai se autoproclamar?
Nota: 2) Calha que alguns membros da Frelimo usam esse discurso ou confirma que a Frelimo se auto-proclama. Ouvi de membros da Frelimo na província de Nampula que Celso Correia dizia em 2023 aos membros e nas sala com membros do STAE que COM VOTO OU NÃO, a Frelimo tinha que vencer todos os municípios. E não se provou isso em todo o país?
Nota: 3) Para justificação da fraude, tem se recorrido que o eleitorado da oposição não recensea, mas isso é mentira. a) o recenseamento eleitoral dá um documento gratuito, cartão eleitoral, que ser para muita coisa, incluindo identificação onde é exigida.
Nota: 4) O eleitor portador de cartão que a poucos dias ou mesmo horas para eleições encontre o seu candidato favorito não vote nele? Eu pergunto, para que servem os dois dias de reflexão se não forem mesmo para até de mudar de ideia?
Nota: 5) Não vou falar do charlatão que chama outros de charlatães.
FELIZ ANO NOVO, amigos.

Why should anyone believe any of the election results?

The National Election Commission (CNE) did not follow the law. The Constitution Council (CC) did not order a recount so there was no comparison with actual ballot papers. Instead the CC spent eight weeks comparing documents to try to decide which ones were fake. And no one considered the million ghost voters - where there were more voters than voting age adults.

It is impossible to know what the actual voters chose. Observers and CIP Eleições showed it was fraudulent from beginning to end. Fake registration, Frelimo control of polling stations staff, organised ballot box stuffing, fraudulent counts at polling station and district levels. So the CC did the obvious thing, as suggested here several weeks ago, and gave Frelimo a landslide but not as big as the CNE tried to do. This bulletin is entirely based on the CC report this afternoon (23 December) with its results: https://bit.ly/Moz-El-CC-fin

The Attorney General's office (Ministério Público) declared "it is clear that the CNE failed to fulfil its responsibilities of guiding, supervising and overseeing the electoral process (...). We therefore reiterate that these situations call for a more in-depth analysis by the legislature of the composition and functioning of the CNE, with a view to transforming it into a professional body in order to guarantee its independence and impartiality." 

And the CNE did its tabulation on the basis of a powerpoint rather than the original district minutes and results sheets, as required by law.

The three ballot boxes are side-by-side and every voter gets three ballot papers. No one has ever noticed a voter putting ballot papers in two boxes and not in the third. Yet the differences were huge. The results submitted by the CNE say that in Inhambane 489,267 people voted for parliament and only 415,158 for provincial assembly - a difference of 74,109 which is 15% of the total parliamentary vote. The CC asked the CNE to explain such discrepancies in seven provinces but the CNE could not. The CC in the results document released today said "The decisions taken by the provincial commissions and the general tabulation carried out by the CNE cannot survive in the legal system, as they are tainted with irregularities."

The CC goes on to say that it has broad power to change results, demand recounts, compare documents and even invalidate the elections. It decided "to move towards an intermediate methodological solution, which is the ‘rechecking’ of the minutes and results sheets of the partial tabulation in order to detect where the discrepancies originated." This included checking official copies of minutes and results sheets held by parties and observers. This, the CC said, showed that the district tabulation was the centre of the problem because that was where data was inflated.

With ballot box stuffing, false registration, and inflation of the vote and the CC adamantly saying the CNE and district elections commissions could not be trusted, how could anyone - even the CC itself - believe that the CC could determine how people voted. And the CC does not tell us how they obtained the new results. And we must "trust" them.

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Comparing CNE and Constitutional Council results

Both the CNE and the Constitutional Council (CC) gavve Frelimo a landslide, but the CC reduced the Frelimo share by a small amount.

President

The CC reduces Chapo's votes by almost half a million, but leaves him with two-thirds of the vote. Mondlane comes second with 24%, followed by Momade (7%) and Simango (4%). Turnout is 39.5%, underlining the anti-Frelimo boycott.

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Parliament

The change by the CC is larger, with the CC taking 10% of the vote away from Frelimo and giving it to the three other parties. Podemos with 43 seats, becomes the main opposition party, followed by Renamo (28) and MDM (8). Podemos is strongest in Nampula and Maputo provinces, Renamo in Nampula and Zambézia, and MDM in Nampula and Sofala. As historically happened, the CNE gave Frelimo 100% of Gaza seats, but the CC gave 2 of those seats to Podemos.

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Provincial Assembly

Frelimo won the governorships in all provinces, which does appear to have been a target. And there appears to be even more manipulation at provincial assembly level. In nine of ten provinces Frelimo won with between 60 and 67 seats, which is odd and does feel like a target was set by Frelimo central officials.

Source: Mozambique Elections 354 - 23 December 2024