sábado, Outubro 31, 2009

EISA junta-se ao coro dos críticos


EISA, o Instituto Eleitoral para a África Austral, acrescentou mais críticas à Comissão Nacional de Eleições, CNE, numa declaração divulgada ontem. O problema começou com a selecção dos membros da CNE da sociedade civil. “A transparência na selecção dos nomeados pela sociedade civil foi questionável, pondo assim em dúvida a integridade, imparcialidade e independência da CNE”
Usando palavras idênticas às usadas pelos observadores da Commonwealth e União Europeia, a EISA disse que ”são necessárias melhorias para equilibrar o terreno do jogo, oferecer oportunidades iguais a todos os jogadores e fortalecer a transparência do processo eleitoral”
A EISA prosseguiu: ”A Missão encoraja a CNE a demonstrar mais transparência na administração do processo eleitoral. Decisões devem ser explicados atempadamente a todos os intervenientes sempre que necessário.”
O Forum Parlamentar da SADC, emitiu uma declaração esta manhã, dizendo que a CNE falhou em não partilhar informação com todos os intervenientes em devido tempo.

Transparência no coração das críticas

Os observadores internacionais ficaram genuinamente surpreendidos com o elevado grau de secretismo e ausência de informação no processo eleitoral de Moçambique, e dão ênfase ao facto de que Moçambique realmente é único a este respeito.
Mark Stevens da equipa do Commonwealth argumentou que mais transparência não devia ser um problema. Fez notar que Moçambique é membro da Commonwealth e que “noutros países dentro da Commonwealth, não há dificuldade em oferecer essa transparência.”
Ele também fez notar que “o trabalho da Comissão Nacional de Eleições é uma instituição pública e deve ser pública. É a única maneira de assegurar confiança. A CNE pode estar agir correctamente, mas tem de mostrar isso ao público usando de transparência.”

COMENTÁRIO: Os media moçambicanos, nomeadamente radio e televisão, reportaram todos os elogios dos observadores ao dia da votação. Mas falaram pouco das críticas severas à CNE, ou da opinião generalizada de que não houve as mesmas condições para todos.
E não houve nenhuma explicação para o facto de que o processo eleitoral moçambicano não tem comparação com mais nenhum na sua falta de transparência. jh

Mais cobertura dos media para Guebuza

Os observadores da União Europeia monitoraram os meios de comunicação social de 5 a 29 de Outubro. A quantidade de informação prestada e os esforços para incluir os pequenos partidos, foram elogiados. A cobertura da campanha pela Rádio Moçambique, Notícias e Domingo “foi equilibrada e geralmente apresentada num tom neutro”
Mas não foi equilibrado o volume de cobertura. O Notícias e Domingo deu a Guebuza 67% e 76% do espaço destinado a candidatos presidenciais, comparado com 18% e 17% para Afonso Dhlakama e só 15% e 7% para Daviz Simango. Igualmente a Rádio Moçambique deu a Guebuza 63% do tempo de antena presidencial, comparado com 23% para Dhlakama e 14% para Simango.

Votação até à meia noite, contagem até de manhã

Em Lichinga, a contagem dos votos arrancou por volta das 23 e trinta minutos, na maior parte das assembleias de voto.
Isto deveu-se ao facto de as assembleias de voto terem sido encerradas muito tarde, porque as filas eram maiores e havia lentidão dos membros de mesa, no atendimento. O outro factor foi a chegada tardia de alguns eleitores que, chegando depois das 18 horas, foram permitidos votar.
Na assembleia de aoto número 128, e nas restantes da Escola Secundária de Muchenga, os membros trabalharam até na manha de quinta-feira e, não houve situação de irregularidades, porém os membros de mesa faziam intervalos (para descanso) e, as assembleias de voto, ficavam cerca de 10 a 15 minutos sem a sua presença (apenas com a guarnição da Polícia).

Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique, Número 29, 31 de Outubro de 2009

Noite de tensão em Nampula

A capital provincial de Nampula viveu, na noite de quinta-feira, 29 de Outubro, momentos de agitação, resultantes do profundo descontentamento manifestado por parte dos membros das 266 mesas de voto a nível da província, que foram impedidos de apresentar a quem de direito a sua reivindicação de reajuste de subsídios. Em consequência daquele acto, a direcção do STAE viu-se obrigada a solicitar a Polícia de Intervenção Rápida com o propósito de dispersar os membros através de disparos de gás lacrimogéneo.

Os membros de mesas de voto disseram ter informações, colhidas através de alguns observadores internacionais, de que o subsídio de alimentação tinha sido calculado em 150 meticais por três dias de trabalho e 1000 meticais para os 10 dias de formação e não 50 e 500, conforme receberam do Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE).

Esta questão provocou indignação entre os visados que exigiam o pagamento dos restantes valores, como condição para procederem a entrega do material de votação.

Foi em face da posição assumida por aqueles membros que uma brigada da FIR se deslocou ao local, onde, depois, usou gás lacrimogéneo para, alegadamente, restabelecer a ordem na Escola Instituto Comercial e Industrial, local escolhido para a entrega do material de votação e pagamento dos últimos subsídios.

Segundo testemunhas oculares, para além de perturbar as aulas, a polícia intoxicou alguns membros das mesas de voto presentes no local e feriu outros que tiveram de ser imediatamente evacuados para o Hospital Central de Nampula.

As autoridades de saúde confirmaram-nos, esta madrugada, a entrada
 

Confira aqui

Votação até à meia noite, contagem até de manhã

Em Lichinga, a contagem dos votos arrancou por volta das 23 e trinta minutos, na maior parte das assembleias de voto. Isto deveu-se ao facto de as assembleias de voto terem sido encerradas muito tarde, porque as filas eram maiores e havia lentidão dos membros de mesa, no atendimento. O outro factor foi a chegada tardia de alguns eleitores que, chegando depois das 18 horas, foram permitidos votar.
Na assembleia de aoto número 128, e nas restantes da Escola Secundária de Muchenga, os membros trabalharam até na manha de quinta-feira e, não houve situação de irregularidades, porém os membros de mesa faziam intervalos (para descanso) e, as assembleias de voto, ficavam cerca de 10 a 15 minutos sem a sua presença (apenas com a guarnição da Polícia).

Nota: tudo para uma reflexão

Mais cobertura dos media para Guebuza

Os observadores da União Europeia monitoraram os meios de comunicação social de 5 a 29 de Outubro. A quantidade de informação prestada e os esforços para incluir os pequenos partidos, foram elogiados. A cobertura da campanha pela Rádio Moçambique, Notícias e Domingo “foi equilibrada e geralmente apresentada num tom neutro”

Mas não foi equilibrado o volume de cobertura. O Notícias e Domingo deu a Guebuza 67% e 76% do espaço destinado a candidatos presidenciais, comparado com 18% e 17% para Afonso Dhlakama e só 15% e 7% para Daviz Simango. Igualmente a Rádio Moçambique deu a Guebuza 63% do tempo de antena presidencial, comparado com 23% para Dhlakama e 14% para Simango

Transparência no coração das críticas

Os observadores internacionais ficaram genuinamente surpreendidos com o elevado grau de secretismo e ausência de informação no processo eleitoral de Moçambique, e dão ênfase ao facto de que Moçambique realmente é único a este respeito. Mark Stevens da equipa do Commonwealth argumentou que mais transparência não devia ser um problema. Fez notar que Moçambique é membro da Commonwealth e que “noutros países dentro da Commonwealth, não há dificuldade em oferecer essa transparência.”
Ele também fez notar que “o trabalho da Comissão Nacional de Eleições é uma instituição pública e deve ser pública. É a única maneira de assegurar confiança. A CNE pode estar agir correctamente, mas tem de mostrar isso ao público usando de transparência.”

COMENTÁRIO: Os media moçambicanos, nomeadamente radio e televisão, reportaram todos os elogios dos observadores ao dia da votação. Mas falaram pouco das críticas severas à CNE, ou da opinião generalizada de que não houve as mesmas condições para todos.
E não houve nenhuma explicação para o facto de que o processo eleitoral moçambicano não tem comparação com mais nenhum na sua falta de transparência. jh

Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique, Número 29, 31 de Outubro de 2009

EISA junta-se ao coro dos críticos

EISA, o Instituto Eleitoral para a África Austral, acrescentou mais críticas à Comissão Nacional de Eleições, CNE, numa declaração divulgada ontem. O problema começou com a selecção dos membros da CNE da sociedade civil. “A transparência na selecção dos nomeados pela sociedade civil foi questionável, pondo assim em dúvida a integridade, imparcialidade e independência da CNE”
Usando palavras idênticas às usadas pelos observadores da Commonwealth e União Europeia, a EISA disse que ”são necessárias melhorias para equilibrar o terreno do jogo, oferecer oportunidades iguais a todos os jogadores e fortalecer a transparência do processo eleitoral”
A EISA prosseguiu: ”A Missão encoraja a CNE a demonstrar mais transparência na administração do processo eleitoral. Decisões devem ser explicados atempadamente a todos os intervenientes sempre que necessário.”
O Forum Parlamentar da SADC, emitiu uma declaração esta manhã, dizendo que a CNE falhou em não partilhar informação com todos os intervenientes em devido tempo.

Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique, Número 29, 31 de Outubro de 2009

sexta-feira, Outubro 30, 2009

EXTRAS - Crime eleitoral

Por Pedro Nacuo

ANDAVA de telemóvel em telemóvel a mensagem que questionava se seria crime eleitoral um cidadão em plena bicha para a votação no largamente esperado dia 28 de Outubro, estivesse a comer uma maçaroca ou simplesmente levasse consigo, sendo que o símbolo da Frelimo é exactamente o milho, que se junta ao batuque… discutiu-se muito sobre se isso seria fazer campanha em plena votação ou não.

Em quase todas as discussões a que tive acesso, me parece ter-se chegado ao consenso de que ainda que não fosse crime verdadeiramente dito, a prudência e o lado moral aconselhava a evitar levar aquele produto no dia da votação. Fizeram-se outros exemplos, como, por exemplo, alguém a caminho do posto de votação, comprar um galo e lá ir com ele à mesa da assembleia de voto, ou ainda levar um pangolim, como animal de estimação, etc. etc.

Tudo girava à volta duma realidade que assentava na maneira como estas eleições foram esperadas, como os moçambicanos se prepararam para elas, a ansiedade que provocaram e todo um conjunto de cuidados que urgia tomar para que o processo não sofresse perturbação de qualquer espécie. Há-de ser, provavelmente, por aí que, desde já convém aceitar que a participação, desta vez, valeu muitos pontos. Os moçambicanos estão cada vez mais com vontade ou de mudar ou de não mudar, mas sobretudo, de participar na mais nobre decisão de escolher quem deve estar à sua frente e com que legitimidade…

Mas naquele tipo de discussão, ninguém se lembrou do que seria se em vez de milho trazido na bicha, aparecesse uma pessoa com esse nome, convenhamos, milho ou maçaroca (Português), Chimanga (Nyungué, Yao, Nyanja…), Námpethe (Chuabo), Maphiramanga (Massena), Mafruwela (Kimwane), Dindjele (Shimakonde), Chitsama (Ronga ou Changana) ou NACUO (em Emakwa).

Há muito que eu reclamava a presença do NACUO, no símbolo da Frelimo. Andei aí a dizer que estava a ser indevidamente usado, outros me gozam todos os dias por lhes estar a servir e bem! Uma vez brinquei dizendo que não devo pagar quotas porque estou permanentemente a desembolsá-las através do símbolo daquele Partido.

E acabei cometendo o crime eleitoral, ou seja, não evitando aquilo que o consenso havia desaconselhado. E levei à mesa de assembleia do voto, ali foram-me chamando os amigos e amigas, outros cumprimentavam-me em voz deliberadamente alta. Fiquei cúmplice e embaraçado.

Como se isso fosse pouco, eis que quando chego à mesa 1196, do bairro de Nanhimbe, onde ia votar, deparo com uma escrutinadora que pelo sotaque e as dificuldades que encontrou para me nomear, me parece uma compatriota do sul do Save, e em voz alta (ela também, começa a errar o meu nome).

- Senhor Pedro Macua!

-Minha senhora, sou Pedro NACUO

- Ok, senhor Pedro Macuo!

-Não, minha senhora sou Pedro NACUO

- Ok, senhor Pedro Nacua

- Senhora! Sou NACUO, NACUO, NACUO. Ouviu bem? NACUO!!! NACUO!!!!

Mas desta vez eu dizia sem me aperceber, senão instantes depois, que estava a gritar o símbolo da Frelimo que é o meu nome…

A sala gelou e eu a seguir tomei, contagiado, o comportamento da sala. Só não pedi desculpas porque é meu nome. Sendo assim, a discussão deve continuar, se levar o símbolo de um partido concorrente à bicha de votação é ou não crime. Eu sou Pedro NACUO e me desculpem aqueles que, como eu, ficaram embaraçados com o que aconteceu na minha mesa de voto.

Pedro Nacuo


Nota: Tenho dito que artigos do jornalista Pedro Nacuo, ex-professor (se pode ser?), são muito interessantes. Tenho medo que me chamem algo que não queria, mas só Pedro Nacuo de ou  Cabo Delgado e Mouzinho de Albuquerque de ou em Nampula me obrigam a visitar todos os dias o Notícias. Em termos da lei e justica, procuro lá saber a opinião de Castande (o jurista João Baptista Castande).

Morreu Ossufo Quitine

MORREU na manhã de ontem, na cidade de Nampula, o ex-chefe da bancada da Renamo-UE,  membro da Comissão Política Nacional da Renamo, Ossufo Quitine, vítima de malária (isto segundo o Jornal Notícias).
Arnaldo Chalaua, porta-voz provincial da Renamo em Nampula, disse ao “Notícias” que há cerca de uma semana que o malogrado vinha sofrendo da doença, a ponto de não ter conseguido fazer o discurso de encerramento da campanha eleitoral do seu partido, a nível da cidade de Nampula, como membro da comissão central de eleições. Fonte familiar de Ossufo Quitine não quis comentar a ocorrência, afirmando apenas que aquele político perdeu a vida em casa e que o funeral será realizado na manhã de hoje, na cidade portuária de Nacala, sua terra natal, depois de transladado da cidade de Nampula. Ossufo Quitini foi um quadro sénior da Renamo e já foi chefe da bancada deste partido na Assembleia da República.

Confirme clicando aqui

P.S: 1) Paz à sua alma
2) Se eu tivesse tempo, talvez pouco fosse  para descrever este Ossufo, pois que eu partiria do seu pai com quem trabalhei e ia contando em todo o momento sobre as belezas de Simuco. Estou convosco!

Eleições 2009 - Contagem Provisória

Contagem rápida e provisória


Clique aqui

quinta-feira, Outubro 29, 2009

Resultados parciais de algumas assembleias de voto - Rádio Moçambique


Depois do fecho das urnas, ontem as 18 horas, foi iniciada o apuramento dos resultados parciais, ao nível distrital, das quartas eleições Gerais e primeiras para as Assembleias Provinciais. Durante a noite e madrugada a Rádio Moçambique foi divulgando alguns desdes resultados a medida que os seus repórteres foram visitando as assembleias de voto onde os editais de votação foram sendo afixados.

Veja em seguida alguns dos resultados parciais divulgados pela RM.

- Em dez assembleias de voto em Mocuba, no centro da província da Zambezia:
Armando Guebuza (Frelimo) 6,318
Daviz Simango (MDM) 541
Afonso Dhlakama (Renamo) 472

- Em sete assembleias de voto em Buzi, província de Sofala:
Armando Guebuza (Frelimo) 1,853
Daviz Simango (MDM) 937
Afonso Dhlakama (Renamo) 210

- Em seis assembleias de votona cidade de Metangula, na província de Niassa:
Armando Guebuza (Frelimo) 1,964
Daviz Simango (MDM) 159
Afonso Dhlakama (Renamo) 34

- Em vinte assembleias de voto no distrito de Cuamba, na província de Niassa:
Armando Guebuza (Frelimo) 6,067
Daviz Simango (MDM) 597
Afonso Dhlakama (Renamo) 435

- Em vinte assembleias de voto em Gondola, na província de Manica:
Armando Guebuza (Frelimo) 4,164
Daviz Simango (MDM) 944
Afonso Dhlakama (Renamo) 909

- Em vinte e duas assembleias de voto no distrito da Massinga, na província de Inhambane:
Armando Guebuza (Frelimo) 5,690
Daviz Simango (MDM) 569
Afonso Dhlakama (Renamo) 303

- Em vinte uma assembleias de voto no distrito de Vilankulo, em Inhambane:
Armando Guebuza (Frelimo) 5,239
Daviz Simango (MDM) 849
Afonso Dhlakama (Renamo) 157

- Em trinta e oito assembleias de voto no distrito de Dondo, na província de Sofala:
Armando Guebuza (Frelimo) 8,841
Daviz Simango (MDM) 3,264
Afonso Dhlakama (Renamo) 2,200

- Em dezasseis assembleias de voto no distrito de Chibuto, na província de Gaza:
Armando Guebuza (Frelimo) 7,530
Daviz Simango (MDM) 240
Afonso Dhlakama (Renamo) 88

- Em oito assembleias de voto na cidade do Chokwe, na província de Gaza:
Armando Guebuza (Frelimo) 3,150
Daviz Simango (MDM) 53
Afonso Dhlakama (Renamo) 10

- Em doze assembleias de voto no distrito de Alto Molocue, na província da Zambezia:
Armando Guebuza (Frelimo) 2,679
Daviz Simango (MDM) 230
Afonso Dhlakama (Renamo) 548

- Em três assembleias de voto na cidade de Pemba, na província de Cabo Delgado:
Armando Guebuza (Frelimo) 1,231
Daviz Simango (MDM) 177
Afonso Dhlakama (Renamo) 90

- Em oito assembleias de voto no distrito de Balama, na província de Cabo Delgado:
Armando Guebuza (Frelimo) 1,582
Daviz Simango (MDM) 93
Afonso Dhlakama (Renamo) 435

- Em vinte e quatro assembleias de voto no distrito de Marromeu, na província da Zambézia:
Armando Guebuza (Frelimo) 4,905
Daviz Simango (MDM) 663
Afonso Dhlakama (Renamo) 1,229

- Em sete assembleias de voto no distrito de Guro, na província de Manica:
Armando Guebuza (Frelimo) 1,238
Daviz Simango (MDM) 63
Afonso Dhlakama (Renamo) 133

- Em onze assembleias de voto na Maganja da Costa, na província da Zambezia:
Armando Guebuza (Frelimo) 1,708
Daviz Simango (MDM) 293
Afonso Dhlakama (Renamo) 655

- Em onze assembleias de voto no distrito de Govuro, na província de Inhambane:
Armando Guebuza (Frelimo) 1,780
Daviz Simango (MDM) 1,187
Afonso Dhlakama (Renamo) 833

Fonte: @VERDADE

Áreas de força dos candidatos da oposição

Afonso Dhlakama provou ser muito mais forte em Manica e Nampula do que Daviz Simango. Em Manica, Dhlakama ganhou 47% em Guro e 34% em Machaze, de acordo com os números da Radio Moçambique. Em Nampula, Dhkalama teve 44% in Moma e acima de 30% em três outros distritos.Pelo contrário, Simango raramente ganhou mais de 7%. Com apenas um limitado número de distritos anunciados em Sofala, os dois parecem estar iguais. Na Zambézia, houve grande variação. Simango teve 24% do voto em Quelimane comparado com 11% para Dhlakama. Mas Dhlakama teve acima de 20% em Pebane, Morrumbala, e Maganja da Costa, enquanto Simango ganhou 11% ou menos.

Simango à frente na Beira

A AIM visitou 150 assembleias de voto na Beira e dá os seguintes resultados:
Daviz Simango (MDM): 24,772
Armando Guebuza (Frelimo): 23,521
Afonso Dhlakama (Renamo): 2,586

Partido extra em Maputo

Um partido extra apareceu no boletim de voto para a Assembleia da República, AR. A lista oficial, publicada pela Comissão Nacional de Eleições e postada no seu website a 18 de Setembro (postado como “Partidos e Círculos Eleitorais” à esquerda da página principal da CNE), apenas dá cinco partidos. Mas o boletim de voto tem seis. O partido extra é a UM, União para a Mudança.

Incidentes do dia da votação

Machanga, Sofala: Os membros da mesa número 739, em Mupine, não afixaram o edital eleitoral. Os delegados do partido MDM e Renamo exigiram que fosse assinado, carimbado e afixado antes de ser encaminhado a Camisão Distrital de Eleições, segundo a lei eleitoral, o que causou uma revolta nos membros daquelas formações políticas. Em conseqüência a PRM viu-se obrigada a disparar um tiro ao ar de modo a dispersar os revoltosos.

Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique, Número 27, 29 de Outubro de 2009 das 19:00 horas

Transporte causa aberturas tardias

Três assembleias de voto abriram muito tarde devido a problemas de transporte, disse o director do STAE Felisberto Naife numa conferência de imprensa esta manhã. Trata-se de Macomia, Nangade e Pebane. Naife admitiu também que houve problemas em alguns lugares onde assembleias de voto receberam cadernos eleitorias errados, mas segundo ele isto foi corrigido durante o mesmo dia. Os nossos correspondentes todavia dizem que isto não foi resolvido em toda a parte e houve pessoas em alguns lugares que não puderam votar.

Enchimento de urnas

Já estão a aparecer sinais de que houve enchimento de urnas nos mesmos lugares de 2004 – em Tete e áreas remotas de Gaza. De acordo com os resultados lidos na Radio Moçambique, em Chicualacuala, Gaza houve 3218 votos para Guebuza e absolutamente nehum para Simango ou Dhlakama; em Magoe, Tete, houve 4998 para Guebuza, 1 para Dhlakama, e 2 para Simango.

Incidentes do dia da votação

Ilha de Moçambique: Três delegados de candidatura por parte do partido Renamo, foram detidos pela PRM, no na assembleia de voto da Escola Primária Completa do bairro de Djembeze, dois por impedimento de exercício de votação aos eleitores, e outro por ter espancado o presidente de mesa número 541, de nome Pilale Vuqueque Lequece.

Memba, Nampula: um idoso foi detido pela PRM, na assembleia de voto número 2371 da Escola Primária 7 de Abril, na sequência de ter deixado cair um panfleto do candidato da Renamo que estava na sua posse. Um jovem, foi detido pela PRM, na Escola Primária 4 de Outubro, na zona de Mitequerere, acusado de ter rasgado o boletim de voto, dentro da Assembleia número 0003.

Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique, Número 26, 29 de Outubro de 2009 da 13 horas

Enorme vitória da Frelimo mas afluência abaixo do esperado


Resultados iniciais indicam enorme vitória para Armando Guebuza, com Afonso Dhlakama em segundo lugar e Daviz Simango em terceiro.Os primeiros resultados apontam para 75% para Guebuza, Dhlakama com 15% e Simango com 10%. Mas a afluência parece mais baixa do que as longas filas ontem de manhã faziam prever, e pode estar abaixo dos 45%.
Como anteriormente, a Radio Moçambique está a ler os resultados das assembleias de voto. Em eleições passadas, o total dos resultados lidos foi muito próximo dos resultados finais. Estes estão largamente dispersos através do país, embora tendam a ser mais urbanos. Com cerca de 9% dos resultados reportados, de 68 locais diferentes, Armando Guebuza tem 271 000 votos, Dhlakama 45 000, e Simango 22 000.
Nem todos os relatos da Radio Moçambique incluem o número das assembleias de voto, mas das 400 assembleias de voto onde houve o número das assembleias (3% do total) o número médio de votos válidos até agora é de 337 por assembleia de voto. A media das assembleias de voto dá 770 eleitores registados e assim o número de votos válidos anda pelos 44% dos votantes.
Até agora o mais alto é Mocuba na Zambézia com 733 votos válidos por assembleia de voto e o mais baixo é Gorongosa, com 136.
Os resultados iniciais indicam que o partido de Daviz Simango, MDM, pode ganhar assentos em todas as quatro províncias onde concorreu - Cidade de Maputo, Inhambane, Niassa e Sofala.

Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique, Número 26, 29 de Outubro de 2009 da 13 horas


Boletim sobre o processo político em Moçambique

O Boletim sobre o processo político em Moçambique, Número 26 – 28 de Outubro de 2009 das 1300 horas tem os seguintes títulos:

Vitória da Frelimo mas afluência abaixo do esperado

Transporte causa aberturas tardias

Enchimento de urnas

Confira aqui!

Lições das eleições


Mouzinho de Albuquerque

A hora em que escrevo ainda é anterior à votação e, portanto, há que aguardar os resultados eleitorais. Nada de ligar muito às previsões que muitas vezes iludem as pessoas. Espero é que cada um tenha votado bem nestas eleições, segundo o seu raciocínio e não por influência de favores já feitos ou prometidos.
Espero é que tenha sido tempo de agir com responsabilidade e não para brincar com a votação, para que, efectivamente, uma eleição como aquela seja credível, isto é, sem ilusões de suspeitas de que esse escrutínio nos trará surpresas desagradáveis, embora o eleitor precise de razões para votar neste ou naquele partido político ou candidato presidencial, depois de uma grande campanha de “caça” ao voto de 45 dias dos partidos políticos e os que disputam a Ponta Vermelha.
Todavia, espero que sejam eleições que resultem na verdade, na diminuição das desigualdades sociais, construindo-se mais escolas primárias e secundárias, unidades sanitárias, pequenos e grandes sistemas de abastecimento de água, universidades, e lutando-se principalmente e sem quartel contra a corrupção, pela dignificação do Estado para que o povo moçambicano, verdadeiramente unido, seja encorajado a escolher sempre que houver eleições os seus dirigentes.
Espero que o povo tenha votado para a consolidação da liberdade de Imprensa no nosso país, que é uma realidade, para que um funcionário público, já que o Estado é o maior empregador, que se diz agastado com alguma coisa, não “dispa” o seu descontentamento ou frustração de forma aberta e directa, não por incapacidade, mas sim, pelo medo de tomar atitudes e perder emprego, o medo de falar para não criar as más vontades dos detentores do poder, particularmente político.
Pelo seu voto, numa eleição como a que aconteceu ontem em Moçambique, os cidadãos tiveram a oportunidade de se manifestar com maturidade política e frontalidade a favor deste e de um outro modelo de governação dum país como o nosso.
Tiveram oportunidade de discordar no clima de insegurança generalizada sobre a sustentabilidade do nível de vida que se vem deteriorando no país, devido, em parte, à pobreza absoluta. Por outro lado, tiveram a oportunidade de optar pela consolidação das realizações do governo do dia.
É evidente que muitos de nós sonhamos poder ser, um dia, isto ou aquilo, na sociedade, mesmo que isso implique a nossa renúncia ou não à nossa filiação partidária, mesmo que isso implique que sejamos mentirosos, desonestos e arrogantes. Sonhamos muito, por isso é que alguns, com uma convicção aparentemente malévola, fazem-no prejudicando os outros dentro ou fora do partido onde militam ou mesmo durante o processo de votação, para manterem “intacto” o seu “tacho”, o que nalgumas vezes provoca frustrações.
Entende-se haver razões aparentemente múltiplas e complexas que fazem com que os moçambicanos optem por uma militância política que eles próprios percebem, mas isso não pode fazer com que os partidos políticos fiquem “acomodados” para a sua correcção.
É que neste país o exercício da militância política para certas pessoas significa livrar-se de alguns problemas que enfrentam, como a pobreza e não propriamente a fidelidade ao partido e espírito patriótico na resolução desses males.
Nunca teremos eleições que nos trazem a felicidade enquanto a militância política for feita sem o mínimo de exigência e rigor aos fundamentos da sua existência, pelo contrário, pode adquirir outros contornos perigosos para a nossa pátria.
O nosso país tem sido referido em quase todos quadrantes políticos do mundo que é um dos melhores exemplos de pacificação e democratização depois de uma longa e devastadora guerra, mas para que essa convicção esteja sempre na “mente do mundo” é preciso que as lições das nossas eleições sejam um factor de consolidação dela (convicção).
Em política, o tempo faz-se ao ritmo dos seus protagonistas e, ao contrário do que possa parecer, quem controla é quem tem iniciativa e não quem “agarra” as coisas que não têm nada a ver com os objectivos com que, por exemplo, se quer fazer com numa eleição como a de ontem, contribua igualmente para o combate ao regionalismo e outras formas de separatismo numa sociedade como a nossa.
Aguardamos as lições destas eleições, na perspectiva de que o nosso maior problema neste país não pode continuar a ser o de termos medo de “arriscar”, fazendo “reféns” políticos a nós próprios, criando obstáculos para debates abertos sobre determinados assuntos que dizem respeito, por exemplo, à vida da juventude, esta que desta vez foi muito referenciada pelos políticos, tudo para granjear a sua simpatia.
Acima de tudo, espero que estas eleições, em que pela primeira vez se elegeram deputados das assembleias provinciais, tenham permitido amadurecer a nossa consciência política, no sentido de que é necessário desenvolver esta nação sem que nos atrapalhemos com coisas que em nada nos dignificam política e socialmente.

Mouzinho de Albuquerque

Fonte: Jornal Notícias (29-10-2009)

Em Maputo lidera Guebuza e Frelimo


Maputo (Canalmoz) – Às cinco horas da manhã de hoje ainda não havia dados que permitissem avaliar o desfecho que poderão ter as eleições gerais (presidenciais e legislativas) e provinciais ontem realizadas. No Maputo estava confirmado que o candidato à presidência Armando Guebuza liderava o escrutínio, claramente e por confortável margem. Daviz Simango, presidente do MDM seguia em segundo lugar na proporção de 70% para o actual chefe de Estado e 30% para o presidente do MDM. Afonso Dhlakama, líder da Renamo, corria o risco de não ultrapassar os 20 votos em várias assembleias de voto. Isto na capital do País.
O MDM em Maputo também estava em certas assembleias com resultados surpreendentes que nunca o líder da Renamo ousou ter desde que em 1994 foi introduzido o multipartidarismo em Moçambique.
Em Chimoio, cidade cimento, Guebuza também ia à frente. Na capital provincial de Nampula, zona de cimento, idém. Mas na Beira era Daviz Simango quem levava grande vantagem. E na periferia das cidades estava tudo por decidir.
Várias fontes ligadas ao escrutínio paralelo aconselhavam que não se fizesse qualquer prognóstico quanto ao desfecho das presidenciais. Nem mesmo nas hostes do partido Frelimo, onde reinava uma certa confiança, se podia sentir que estivesse afastada a hipótese de uma segunda volta.
Em certas zonas do país alguns resultados levavam a crer que uma segunda volta entre Guebuza e Daviz Simango poderia vir a ter de ser disputada. Mas de outras zonas chegavam-nos notícias de que Afonso Dhlakama, apesar de ter sofrido a sua mais humilhante derrota em Maputo, ainda poderia surpreender quando o voto rural começasse a entrar.
Por isso o mais aconselhável é os três candidatos para já não cantarem vitória.
Já o mesmo não se poderá dizer das legislativas e das provinciais, onde a Frelimo tudo indica que possa vencer com um confortável resultado, por fora da exclusão imposta pela CNE aos vários partidos, designadamente ao MDM e até a própria Renamo, como nos dá conta nesta edição o delegado na Beira do partido de Dhlakama.
Com os demais partidos banidos cirurgicamente a Frelimo era à partida virtual vencedora e nada faz crer que esse vaticínio não se venha a concretizar.

(Fernando Veloso)

Fonte: CANALMOZ (2009-10-29)

Em Sofala a Renamo acusa CNE de a ter excluído das “provinciais”


Beira (Canalmoz) - O delegado da Renamo na cidade da Beira, Faque Feraria, contactou ontem a nossa delegação nesta cidade para manifestar a sua surpresa e indignação com relação à sua exclusão das eleições para as assembleias províncias em 11 distritos da província de Sofala. Mas este é apenas o prenúncio do despertar da “perdiz”, que andou aos “beijinhos” com a Frelimo na estratégica de exclusão do MDM (Movimento Democrático de Moçambique) e de outros partidos políticos que tentaram impugnar, sem sucesso, junto do Conselho Constitucional (CC), da decisão da CNE (Comissão Nacional de Eeleições) que os colocou fora da corrida, alguns parcial, outros totalmente, e agora está ela própria a queixar-se do mesmo.
Faque disse que o seu partido está agastado com a CNE, porque, segundo ele, em nenhum momento os informou sobre o assunto.
De acordo com o delegado da Renamo na Beira só ontem, dia das eleições, a “perdiz” tomou conhecimento de que estava excluída de todos os distritos da província, menos dois. “Estamos excluídos de todos os distritos de Sofala, à excepção de Cheringoma e Beira”, disse-nos indignado Faque Feraria.
Acrescentou que “isto mostra claramente uma manipulação da CNE, pois a Renamo nunca fora informada sobre quaisquer irregularidades na província de Sofala”.
Ao perguntarmos ao nosso interlocutor que passos a Renamo irá seguir tendo em conta que a votação era só ontem e nada mais aparentemente havia a fazer para evitar-se a consumação da exclusão, Faque Feraria disse que a decisão será tomada ao nível da cúpula da “perdiz”.
(Adelino Timóteo)

Fonte: CANALMOZ (29-10-2009)

quarta-feira, Outubro 28, 2009

Nacala: eleitores com tinta indelével no dedo esquerdo

Fernando Antonio Trinta, jovem de 17 anos de idade, esta a ser alvo de vários questionamentos, por parte da policia e por alguns membros dos Partidos políticos depois de ter sido surpreendido no bairro de Mathapue, com tinta indelével no dedo indicador direito. O jovem é filho de Antonio Trinta, presidente da assembleia de voto, com o numero 1895.
Outra questão surpreendente para grande parte da população de Nacala e o facto de muitos eleitores preferirem pintar o dedo esquerdo, depois de exercerem o seu direito cívico. Muitos eleitores que votaram na Escola Primaria Completa 7 de Abril apresentam-se com tinta indelével no dedo esquerdo.

Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique, Número 24, 28 de Outubro de 2009, 1700 horas

Observadores presos e corridos da vila em Dombe e Changara

Dois observadores nacionais do Observatório Eleitoral foram presos e corridos da vila sede do distrito. Em Dombe, Sussendenga, província de Manica, o observador Marceta Andre Madina queria passer a noite mas foi-lhe ditto que não podia ficar durante a noite. Quando cheguei esta manhã à EPC de Machire e apresentou a sua credencial na primeira assembleia de voto, o presidente chamou de imediato a polícia que o prendeu. Foi algemado, espancado e disseram-lhe que tinha de deixar a vila.
Em Changara, Tete, quando o observador apresentou a sua credencial foi-lhe dito que não eram reconhecidos observadores. De novo o presidente chamou a polícia que disse ao observador para abandonar imediatamente a vila. Deu-se o mesmo em 2004 e, sem observadores nem delegados de partido presentes, ocorreu um massivo enchimento de urnas.

Cadernos eleitorais trocados e em falta

Cadernos trocados e em falta estão a ser um problema pelo país fora. Os nossos jornalistas dão conta de assembleias de voto que não puderam abrir na cidade de Maputo (Escola Primaria Filipe Samuel Magaia); Mucumbura, Tete; Gondola, Manica; Meconta, Nicoadjuni e Namialo em Nampula; Maringe e Machanga, Sofala; e Cuamba, Niassa.
Em Caia, Sofala, um caderno eleitoral estava numa assembleia de voto a 3 Kms de distância. Alguns eleitores caminharam a distância extra mas outros simplesmente foram-se embora.
Em Mapolo Inhabando, Magoe, em Tete, não havia assembleia de voto no local de recenseamento e 170 eleitores tiveram de andar a pé 10 km até à aldeia próxima, na Missão.

Fazendo campanha e confusão

Em Muipiri, Machanga, em Sofala, na assembleia de voto 730, reina a confusão. Ainda há filas muito longas e dirigentes locais da Frelimo que foram os primeiros a votar esta manhã, voltaram e estão a falar com as pessoas que esperam na longa fila.

Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique, Número 24, 28 de Outubro de 2009, 1700 horas

Às1500: Quadro misto –longas filas em certos lugares noutros eleitores a conta-gotas


A meio da tarde, mantinham-se grandes filas em muitos lugares deixando prever que muitas assembleias de voto não vão poder fechar às 1800.
Mas em outros, incluindo nos centros de Maputo e Beira; Ribaué e Ilha de Moçambique, em Nampula; Macanga, em Tete; e Tambara, em Manica, havia longas filas quando as assembleias de voto abriram, mas a maior parte das pessoas votou de manhã e a meio da tarde não havia mais filas. Este quadro misto é-nos dado pelos nossos 100 jornalistas espalhados pelo país, que reportaram às 1500.
Por examplo em Nacala, ate por volta das 12 horas, algumas mesas já não tinham eleitores, sobretudo as da periferia da cidade, enquanto outras eram apinhadas de gente.
Em geral, quase todas as assembleias de voto tinham aberto, excepto algumas que ainda têm problemas de cadernos eleitorais.

Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique, Número 24, 28 de Outubro de 2009, 1700 horas

Ser Presidente é "um sonho de vida" - Daviz Simango


O presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, afirmou hoje que o desejo de concorrer à Presidência da República foi "um sonho de vida" e "não de infância", deixando nas "mãos de Deus" os resultados eleitorais.
"Sou moçambicano, deixo nas mãos de Deus" qualquer resultado das eleições, disse aos jornalistas o autarca da Beira, Daviz Simango, momentos depois de votar naquela cidade, no centro de Moçambique.

"Somos moçambicanos, nascemos e crescemos, todos nós temos um sonho. Nasci, estou a crescer, e não vejo nenhum sonho do passado, é um sonho da vida, um sonho que temos à medida que vamos crescendo", disse, quando questionado sobre se era um sonho ser Presidente de Moçambique.

Fonte: RTP África

A contagem é aberta


A declaração da CNE continua acentuando que no interesse da “transparência e justeza” é dito às comissões de distrito e provincia que é permitido aos delegados de candidatura e observadores nacionais e internacionais “acompanharem a contagem de votos”.

A CNE emite instruções sobre erros em cartões e cadernos eleitorais

Foram dadas instruções às assembleias de voto sobre como lidar com problemas nos cartões de eleitor e cadernos de recenseamento eleitoral pela CNE, no sábado, 24 de Outubro (Deliberação n.º 71/CNE/2009 ) e foram postadas ontem no website http://www.stae.org.mz/pages/cne/deliberacoes.php).
As duas deliberações tomam uma posição rígida que pode levar à exclusão de alguns eleitores. Eleitor que não esteja no caderno de recenseamento eleitoral não vota, mesmo que tenha cartão de eleitor. As únicas excepções são as que a lei prevê – jornalistas, membros das mesas de voto, etc.
Cartões de eleitor sem foto já causaram alguma polémica e a CNE decidiu que se o cartão de eleitor não tem foto, o eleitor deve apresentar outro documento de identificação com foto, como BI, cartão de trabalho ou cartão de estudante.
Mas para erros menores a CNE foi mais inclusiva. Os eleitores com pequenos erros nos seus cartões – falta de carimbo, falta de assinatura do posto de recenseamento, falta de impressão digital ou sem número de registo visível – podem votar normalmente desde que estejam no caderno de recenseamento eleitoral.

COMENTÁRIO: A CNE optou por não permitir às pessoas votarem se houver dúvidas sobre a sua elegibilidade. A Renamo, em pelo menos duas conferências de imprensa, mostrou cartões de eleitor sem foto e disse que isto pemitia pessoas votarem indevidamente. Esta decisão previne que isso aconteça, ao forçar as pessoas a terem consigo outro documento com foto como o BI. Mas isto pode excluir algumas pessoas das zonas rurais para quem o único documento que possuem é o cartão de eleitor.
Do mesmo modo, a deliberação sobre nomes que não figuram no caderno é uma resposta aos receios da oposição sobre falsos cartões de eleitor. Mas pode também ser uma faca de dois gumes. O MDM diz que receia que alguns dos seus apoiantes tenham sido intencionalmente deixados de fora dos cadernos eleitorias e agora não possam votar mesmo tendo um cartão. jh

● A CNE postou finalmente no seu website as suas importantes e detalhadas instruções para o dia da votação e para o processo de contagem a todos os níveis. Trata-se da Deliberação n.º 69/CNE/2009 de 27 de Setembro (Directiva do sufrágio e apuramento dos resultados). Está também postada em http://www.stae.org.mz/pages/cne/deliberacoes.php

Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique, Número 23, 28 de Outubro de 2009 – 1200

Presidente da CNE aos membros das mesas


Veemente apelo à imparcialidade e isenção

“Apelamos em particular aos membros das mesas das assembleias de voto que assumam uma postura exemplar”, declarou o Comissão Nacional de Eleições num pronunciamento lido ontem à noite e difundido a nível nacional, por o Presidente da CNE, João Leopoldo da Costa.
Um terço do discurso foi dirigido aos membros das assembleias de voto e mais uma vez assumiu uma posição forte tentando prevenir enchimento de urnas e outras acções ilegais cometidas em eleições anteriores por alguns membros das mesas de votação.
A declaração continua dizendo que os membos das mesas ”devem estar cientes de que durante o processo irão interagir com cidadãos com diferentes sensibilidades políticas e variados níveis de sociabilidade, pelo que apelamos uma vez mais ao profissionalismo, respeito e urbanidade.”
“Independentemente das convicções políticas individuais, seus interesses e percepções, apelamos a que se entreguem abnegadamente à paz, à harmonia, tranquilidade e liberdade durante a votação” conclui a declaração.
A linha dura fundamenta-se no manual e código de conduta para membros das mesas de votação, nos quais se faz notar que podem ser presos indivíduos por ofensas eleitorais como enchimento de urnas ou recusa em aceitar protestos escritos de um mandatário de partido.

Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique Número 23, 28 de Outubro de 2009 – 1200

Grande afluência com longas filas às 11 da manhã


Os nossos 100 jornalistas por todo o país reportam grande afluência hoje, e que às 11 da manhã a maior parte das assembleias de voto ainda tinha longas filas, muitas vezes com mais de 50 pessoas. A maioria das assembleias de voto abriram pontualmente às 7 da manhã ou um pouco mais tarde.
As assembleias de voto em algumas áreas não abriram porque faltavam cadernos eleitorais, incluindo Meconta e Namialo em Nampula, e Machanga em Sofala. Em Manjacaze, província de Gaza, e Moatize, em Tete, algumas assembleias de voto abriram tarde.
Muitos dos nossos correspondentes reportam uma grande variação no comprimento das filas, o que significa grandes diferenças na velocidade a que as pessoas conseguem votar e nos sistemas usados pelos membros das mesas de voto. Em geral, os novos procedimentos estão a ser vistos a funcionar, com um membro da mesa fora da porta da sala de aula munido de uma cópia do caderno eleitoral, procurando o nome da pessoa na lista. É dito ao eleitor qual é o seu número de sequência, que ele repete na secretaria da mesa, tornando mais fácil marcar o seu nome no caderno de registo eleitoral.
Mas a variação foi demonstrada na escola da Unidade 18 em Maputo, onde algumas mesas andavam normalmente, enquanto na 0145 havia confusão com filas mal organizadas e discussões à porta sobre quem era o próximo eleitor, o que ainda atrasava mais a votação. Acabou por intervir um polícia, que se mostra na foto em baixo, a ajudar a desembaraçar a fila enquanto os eleitores continuam a discutir sobre quem é o próximo.
Igualmente na Beira, a assembleia 009 nas Palmeiras teve de fechar por 15 minutos; a polícia interveio. Há outros relatos de confusão nas filas e encerramentos temporários em Quissico, Inhambane, (0911) e Pemba Metuge (1050 e 1051).
Além de desorganização nas filas e de algumas assembleias de voto sem cadernos de registo eleitoral, os nossos jornalistas não apontaram muitos outros problemas. Uma excepção foi em Chibuto, província de Gaza, em Chimundzo (assembleias de voto 902 e 261) onde o secretário do bairro e um lider comunitário estavam à porta da assembleia de voto, a apontar a posição do meio no boletim de voto de amostra, para dizer às pessoas que votassem em Armando Guebuza.

Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique Número 23, 28 de Outubro de 2009 – 1200

High turnout with long queues remaining at 11 am


Our journalists throughout the country report a high turnout today and that at 11 am most polling stations still had long queues, often more than 50 people. Most polling stations opened on time at 7 am or soon after. More than 80 of our journalists who are within mobile telephone range reported this morning.
Polling stations in a number of areas have not opened because register books were missing, including Meconta and Namialo, Nampula, and Machanga, Sofala. In Manjacaze, Gaza, and Moatize, Tete, some polling stations opened late.
Many of our correspondents report a wide variation in the length of queues, which means a large differences in the speed with which people can vote, and the systems being used by polling station staff. In general, the new procedures seen to be working, with a polling station staff member outside the classroom door with a copy of the register finding the name of the person on this list. The voter is told their sequence number, which they tell to the mesa secretary, making it easier to find and tick off their name on the official register.
But the variation was shown at the school in Unidade 18 in Maputo, where polling stations in some classrooms ran smoothly, while 0145 was in confusion with poorly organised queues and arguments at the door about who was next, which further delayed the voting. Eventually a policeman intervened and is shown in the photo on the first page, helping to sort out the queue as voters continue to argue about who was next.
Similarly in Beira, 009 Palmeiras had to close for 15 minutes because of trouble in the queue; police intervened. There are other reports of queue confusion and temporary closures in Quissico, Inhambane (0911) and Pemba Metuge (1050 and 1051)
Other than disorganisation in queues and a few polling stations lacking register books, our journalists have reported few other problems. In Chibuto, Gaza, in Chimundzo (polling stations 902 and 261) the neighbourhood secretary and a community leader were standing at the polling station door, pointing to the middle position on the sample ballot paper to tell people to vote for Armando Guebuza.

Source: Mozambique political process bulletin, Number 23, 28 October 2009 - 1200

Principais acusados no Angolagate condenados a seis anos de prisão


Por venda de armas e tráfico de influências

Um tribunal de Paris condenou hoje a seis anos de detenção os principais acusados no processo Angolagate, um caso de venda de armas a Angola em meados dos anos 90.
O francês Pierre Falcone e o israelita de origem russa Arcadi Gaydamak foram condenados a seis anos de detenção. O filho do antigo Presidente francês François Miterrand, Jean-Christophe Miterrand, foi condenado a dois anos de pena suspensa, enquanto o ex-ministro francês do Interior Charles Pasqua foi condenado a um ano de prisão.
Pierre Falcone foi condenado por tráfico de influências e comércio de armas e o tribunal ordenou a sua detenção imediata, sublinhou a AFP. Gaydamak, o grande ausente neste processo apesar de já ter sido emitido um mandado de detenção contra ele, está na Rússia e foi também condenado por comércio de armas e tráfico de influências. Tanto Falcone como Gaydamak deverão agora apresentar recurso, tal como anunciaram os advogados.
Os dois homens foram acusados de terem vendido armas a Angola entre 1993 e 1998, provenientes do antigo bloco soviético, quando o país estava em guerra civil, sem autorização do Estado francês. Charles Pasqua era então ministro do Interior (hoje é senador) e foi condenado a três anos de detenção, dois deles com pena suspensa, e 100 mil euros de multa por tráfico de influências, mas o advogado já anunciou que vai apresentar recurso.
Também Jean-Christophe Miterrand, que foi conselheiro francês para África, foi condenado a dois anos de detenção com pena suspensa e 375 mil euros de multa.

Fonte: PÚBLICO – 27.10.2009

terça-feira, Outubro 27, 2009

Em Nicoadala Professores faziam campanha nas aulas


Em Nicoadala, os jovens do MDM preferiram fazer campanha discretamente, por recear represálias nas suas escolas. O jovem Pedro, de 19 anos e estudante de 9ªclasse, disse que os seus professores, frequentemente desviavam-se do objecto da aula, entrando na agenda política a favor da Frelimo e de Armando Guebuza.
“Em vez de nos chamar atenção para questões de conhecimento científico, os professores passam a vida na aula, a dizer que temos que pertencer todos à Frelimo, porque é o partido que tem construido infra-estruturas e luta contra a pobreza”, contou.
Esta situação foi quase que generalizada nas escolas rurais, no distrito de Nicoadala, conforme relatos de vários estudantes que conversavam com a nossa correspondente.
Nicoadala também foi marcada por algumas detenções. O chefe da brigada da Frelimo, Agostinho Armando, disse que na sequência da onda de vandalismo do seu material propagandístico destruido em várias esquinas, solicitaram às autoridades policiais para deter alguns suspeitos.
Neste caso, ocorreu a detenção de um cidadão de nome Emiliano Ferrais, alegadamente encontrado em flagrante a remover cartazes e panfletos do partido Frelimo.

Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique, Número 22, 27 de Outubro de 2009 de tarde

Vamos todos às urnas - apela o Parlamento Juvenil

O PARLAMENTO Juvenil fez ontem um apelo a todos os moçambicanos em idade eleitoral activa para que se dirijam massivamente às urnas, amanhã, a fim de exercerem o seu direito cívico de eleger nos futuros governantes desta bela pátria amada.Maputo, Terça-Feira, 27 de Outubro de 2009:: Notícias
A exortação foi feita pelo presidente deste órgão juvenil, Salomão Muchanga, falando ao “Notícias” a propósito das eleições gerais e das assembleias provinciais que se realizam amanhã em simultâneo, em todo o território nacional.
O apelo foi dirigido de modo especial aos jovens, eles que, na óptica do parlamento juvenil, continuam a ser a seiva da nação moçambicana, parafraseando o primeiro presidente de Moçambique independente, Samora Moisés Machel.
Salomão Muchanga disse que os jovens devem fazer destas eleições o momento mais alto da vida de todos os moçambicanos porque se trata de escolher quem vai dirigir os destinos do nosso país.
O nosso interlocutor afirmou ainda que no quadro daquilo que tem sido o engajamento do PJ nas eleições de amanhã, exorta a todos os jovens e à sociedade em geral para aderirem aos processos de votação considerando que este é o momento mais alto de exaltação da democracia.
O apelo de Muchanga estende-se igualmente a todos os partidos políticos e aos respectivos candidatos para aceitarem os resultados das eleições. Apelamos a toda sociedade para que faça desta data momento de reflexão e votando em programas em que se materializem as aspirações da juventude e o desenvolvimento do país disse a fonte, acrescentando que todos nós devemos aderir às urnas logo nas primeiras horas de quarta-feira, para cumprirmos o nosso direito de cidadania.
Para Muchanga, os jovens devem votar em pessoas com capacidade de governar o país e não desperdiçar o tempo em votar indivíduos sem capacidade e sem programas sérios do desenvolvimento.
Nós os jovens temos um papel relevante nestas eleições, não por sermos os potenciais eleitores, mas porque nós é que devemos decidir sobre o futuro de Moçambique e, consequentemente, não devemos ficar em casa no dia de votação, muito menos nos abster, apelou a fonte.


Diário de Campanha em Quelimane

Campanha não foi absolutament pacífica

A campanha eleitoral com vista às 4ªs eleições gerais e provinciais não foi absolutamente pacífica na cidade de Quelimane, tendo ocorrido cenas de tensão, entre os intervenientes no processo, sobretudo no último dia, domingo.
Para a Renamo, por exemplo, os últimos dias foram os mais difíceis da maratona, com registo de uma detenção e um ferido ligeiro, na sequência de um pequeno incidente entre a sua caravana e um grupo de choque da campanha da Frelimo.
Isto, conforme dados do porta-voz da Renamo, na Zambézia, Noé Mavereca, ocorreu na tarde do domingo passado, no bairro do Brandão, arredores da cidade de Quelimane.
A caravana da Renamo, que se deslocou ao campo “3 Fios”, foi confrontada por jovens do grupo de choque da campanha da Frelimo, quando passava do mercado do Brandão.
Conforme relatos, os jovens atiraram pedras contra a comitiva de militantes da Renamo, que desfilavam em direcção ao local escolhido para encerrar a campanha, tendo causando um ferido ligeiro, para além de alguns danos a uma das viaturas que seguia na caravana.
O pequeno incidente foi apenas um precedente para um fim complicado da maratona de “caça” ao voto do partido de Afonso Dhlakama, já que chegado ao campo “3 fios”, onde marcara encontro com o eleitorado, encontraram cartazes e panfletos afixados em todo o lado.
Mesmo assim, decidiram realizar o evento no local, alegando que tinham autorização. Mas quando estava tudo a postos para iniciar, eis que o secretário do bairro Brandão “invadiu” o local ordenado que o partido da “perdiz” se retirasse do campo, alegando que tinha sido reservado pela Frelimo.
Por seu turno, a comitiva de “caça” ao voto da Renamo impôs-se e realizou as suas actividades no local. O secretário do bairro contactou a Polícia da República de Moçambique (PRM), que de imediato deslocou-se ao campo de “batalha”, para aparentemente desalojar a Renamo.
Apesar dos constrangimentos, a campanha do partido simbolizado pela “perdiz” encerrou mesmo no local escolhido, mas já com a maioria da população que tinha afluído, a retirar-se antes de acompanhar os discursos, aparentemente retraídos pelo clima de tensão.
Mas no dia seguinte, alguém teve que pagar uma factura pesada, sendo que em conferência de imprensa, Leopordo Ernesto, membro da Renamo, denunciou a detenção arbitrária de um membro muçulmano, recolhido pela PRM quando regressava da Mesquita, pela manhã.
A Renamo alegou que o referido membro foi detido inocentemente, dado que nem sequer marcou presença na caravana, que se confrontou com o suposto grupo de choque do partido Frelimo.

MDM constrangido

O MDM não teve situações de gravidade, mas terminou a maratona constrangido com duas situações: primeiro com o vandalismo do seu material propagandístico. O MDM também foi muitas vezes espezinhado em plena campanha, numa situação em que enquanto afixavam panfletos e cartazes, apareciam membros da Frelimo, dizendo sem reservas que o material. Não ficaria nem 24 horas, porque logo em seguida seria removido.

Frelimo

A Frelimo teve um caminho muito mais desimpedido. As brigadas de “caça” ao voto, quando lideradas por Luísa Diogo, 1ª ministra e Carvalho Muária, governador e assumindo respectivamente as funções de chefe e chefe adjunto, eram acompanhadas com um aparato policial, que envolvia a escolta, criando um certa confusão se se tratava de uma missão governamental, ou de uma comitiva de campanha eleitoral.
Aliás, a PRM manifestou/se sempre favorável ao partido Frelimo, único que era acompanhado por agentes, e em alguns casos com escolta policial. O partido terminou a campanha sem qualquer caso de detenção, apesar de os seus militantes se terem envolvido em algumas escaramuças.
O delegado político da Delegação do MDM, na cidade, José Manuel, diz que viu frequentemente viaturas “4X4” de instituições públicas, desviando-se da sua actividade institucional, integrando-se na comitiva de campanha da Frelimo, desde o primeiro dia até ao fim do processo.

Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique, Número 22, 27 de Outubro de 2009 de tarde

Nota: É interessante que AWEPA/CIP tenha agora inimigos assumidos. Coisas da nossa pátria, não acham?

Malawi proibe votação

O governo do Malawi não autorizou os moçambicanos a votarem excepto nos consulados e embaixadas, de acordo com Felizberto Naife numa conferência de imprensa do STAE, esta manhã. A CNE pretendia que os moçambicanos no Malawi pudessem votar em cinco diferentes locais, mas o Malawi não o permitiu. É o único país que proibe votação fora de embaixadas e consulados.
Entretanto, Naife disse também que o STAE não conseguiu utilizar um helicóptero na província do Niassa devido a falta de combustível. Isto pode causar alguns problemas para fazer chegar materiais de votação às assembleias de voto mais remotas.

Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique, Número 22, 27 de Outubro de 2009 de tarde

segunda-feira, Outubro 26, 2009

Eleições 2009 - 2800 observadores e jornalistas

Foram registados pela Comissão Nacional de Eleições, na segunda-feira de manhã, 1926 observadores, e o número ainda está a aumentar. Há 1441 observadores nacionais e 486 estrangeiros. Foram registados 874 jornalistas, dos quais 35 são estrangeiros. Mais de 100 destes jornalistas são colaboradores deste Boletim.
Com cerca de 13 000 assembleias de voto, foram treinados cerca de 88 000 membros das mesas que estarão em funções na quarta-feira. Os funcionários eleitorais sentem que estão agora mais bem organizados que no passado e que têm transporte adequado para garantir que os materiais chegam a tempo a todas as assembleias de voto.

Nacala Porto (incidente de Domingo)

Um cidadão encontra-se internado e outros em número não especificado estão a receber tratamentos ambulatórios como consequência registado ontem em Nacala porto (boletim 20) no acto de encerramento da campanha da Renamo na região do bloco 1.
Uma cidadã que fazia parte da caravana do partido Renamo, na manhã do Domingo, foi atropelada por uma viatura que ostentava panfletos do partido Frelimo. Revoltados membros da Renamo, bloquearam as duas estradas.
Em consequência do acto, dois indivíduos da Renamo encontram-se detidos e que ainda hoje estava prevista a serem encaminhados ao tribunal local para os devidos efeitos.
Oliveira Maneque, por voz da PRM, confirmou o facto e disse que para conter a situação a polícia teve que lançar gás lacrimogêneo.

A LabSoft existe

Um artigo de primeira página no semanário independente Savana, na sexta-feira, disse que a companhia de programação que ganhou o contrato para os sistemas de apuramento por computador, LabSoft, não existia oficialmente e portanto o contrato era ilegal.
Mas o STAE deu detalhes da companhia, e muita da restante imprensa noticiou que se tratava de uma companhia legalmente registada, com estatutos publicados no Boletim da Republica de 24 de Junho de 2008. São proprietários dois moçambicanos, Penicela Pedro Vasco e Mauro Rodrigues Conceição da Costa, e está baseada na Matola.
O País reportou na sexta-feira que foi de longe a cotação mais baixa do concurso para o contrato, a 3.4 milhões de meticais (120,000 US$– embora outras reportagens falem num contrato de 200,000 US$), comparado com 54 milhões de meticais (1.9 milhões de US$) pela EBS E-sistemas empresariais, e 113 milhões de meticais por Promsoft (4 milhões de US$), o que não indica tratar-se de cotações sérias.

Cartões de eleitor queimados em Pemba

Mais de 200 cartões de eleitor, parcialmente queimados e a maior parte sem fotos, foram mostrados à imprensa pela Renamo, em Pemba na terça feira passada. Arlindo Zacarias, delegado de partido da Renamo, não conseguiu dizer onde tinham sido encontrados. Mas acusou a Frelimo de destruir cartões de eleitor de membros da Renamo – acusação que a Frelimo nega.

Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique, Número 21, 27 de Outubro de 2009

Ambiente de festa e civismo marca o término campanha eleitoral

Por Tânia Frechauth

Ambiente de dança, música e elevada participação dos eleitores nos showmícios nas grandes cidades e em pequenas vilas, caracterizam a último dia da campanha eleitoral de domingo, segundo relatos dos nossos 100 jornalistas espalhados pelo país.
Enquanto a Frelimo esteve presente em todas as províncias e distritos, a Renamo e o MDM estiveram na maioria dos círculos em que concorrem.
O encerramento da campanha foi geralmente pacífico, apesar de ter havido algumas detenções, agressões entre os membros e simpatizantes do partido Frelimo e Renamo, destruição de material propagandístico dos partidos.
A Frelimo, partido no poder em Moçambique, usou viaturas do Estado, tendo estado em vantagem comparativamente com os partidos da oposição desprovidos das mesmas oportunidades.

Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique, Número 21, 27 de Outubro de 2009

Nota: Como pode notar o caro leitor, este boletim é da edição de amanhã

Sociedade civil e eleições

Tribuna do Editor

Por Fernando Gonçalves

Não sei se a sociedade civil ainda vai querer arriscar na sua presunção de que é capaz de dirigir um processo eleitoral limpo, incontroverso, transparente e acima de qualquer suspeita. Arriscou desta vez, e saiu com os dedos queimados.
Mas também será arriscado presumir que o problema seja da sociedade civil. Embora tenha ficado provado o que acontece quando a sociedade civil se deixa manipular por interesses políticos, aceitando ser portadora de expedientes de gente para quem a manutenção do poder justifica todos os meios necessários.
Não é tudo uma tragédia. Ao fim do dia, há uma valiosa lição que acaba por se tirar: não se perde nada em tentar ser o mais profissional que se possa ser, e enfrentar os monstros da manipulação, nem que para isso seja necessário sacrificar os benefícios materiais de curto prazo, em troca do prestígio e respeito. Os portadores de expedientes só têm utilidade enquanto durar o frete, acabando na infelicidade e no isolamento social eternos.
Outra lição: dirigir eleições é obra para gente com senso comum. Não sábios. Requer uma visão mais ampla e de longo alcance sobre os objectivos políticos que as eleições representam, espírito de diálogo e de engajamento construtivo com todos os actores no processo eleitoral. A arrogância, mesmo a coberto do manto da lei, é o pior inimigo para qualquer candidato a gestor de um processo tão complexo e politicamente sensível como são as eleições.
O que me leva ao ponto central desta minha intervenção. Precisamos de uma Comissão Nacional de Eleições (CNE) linear, profissionalizada, e dirigida por um juiz independente sénior, escolhido devido ao seu prestígio e de entre os seus próprios pares. Uma CNE funcional e eficiente não pode ter mais do que cinco membros, incluindo o seu presidente. Também será necessário repensar no modelo de gestão eleitoral mais eficaz para o país. Actualmente pouca distinção se pode fazer entre a CNE e o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE), este último conhecido apenas como sendo o braço operativo do primeiro.
A existência de dois níveis para a gestão do processo eleitoral significa uma certa duplicação, para além de que não raras vezes, o braço operativo (STAE) tem que se sujeitar a longos períodos de espera enquanto decorre o processo deliberativo ao nível do órgão de supervisão, o que se poderia evitar se as actividades do STAE estivessem incorporadas na CNE.
O argumento a favor da junção das duas entidades torna-se ainda mais reforçado pelo facto de que o arbítrio final sobre processos eleitorais cabe ao Conselho Constitucional, o que significa que não se justifica a existência de uma instituição intermédia, neste caso a CNE.
Há uma tentativa da sociedade civil se reinventar, o que é salutar, pois é importante que para o sucesso do processo democrático a sociedade civil procure exercer a sua influência e pressão sobre a acção governativa. Mas é perigoso que ela pretenda se substituir ao governo, o qual é eleito pelo povo. Porque quando a sociedade civil assume o lugar do governo, ela deixa de existir em tanto que tal.
PS: Aproveito a oportunidade para felicitar o antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, pela passagem, no dia 22 de Outubro, do seu 70º aniversário natalício. Que tenha muitos anos de vida, para que continuemos a beneficiar da sua inteligência, sabedoria e visão de longo alcance.

Fonte: SAVANA (23-10-2009)

Vigilância

A Talhe da Foice

Por Machado da Graça
Estamos a chegar ao momento da votação num processo eleitoral em que, claramente, houve quem quis ganhar antes mesmo de os eleitores depositarem o seu voto nas urnas.
Um processo em que, segundo variados órgãos de informação:
Os prestigiados nomes dos independentes Salomão Moyana e Alice Mabota foram afastados do cargo de Presidente da CNE, em favor de João Leopoldo da Costa, militante activo da Frelimo;
O Presidente da CNE passou a ter a categoria, e as regalias, de Ministro e os outros membros da CNE a de Vice-ministros;
Foi nomeado para Presidente do Conselho Constitucional o Dr. Luis Mondlane, que recentemente participou na festa de aniversário do general Chipande, onde era tratado por “camarada”;
Foi boicotada a entrada da dra. Isabel Rupia para o CC;
O CC indicou os assessores jurídicos para a CNE;
O CC eliminou da corrida eleitoral vários candidatos, invocando uma figura jurídica não existente na lei eleitoral, as “irregularidades insupríveis”;
A CNE eliminou da corrida, total ou parcialmente, grande número de partidos, invocando também as “irregularidades insupríveis”, Nomeadamente, a falta de alguns documentos nos processos de candidatura. Posteriormente o MDM provou, com documentação convincente, que tinha entregue a documentação à CNE. Se os documentos desapareceram, isso aconteceu dentro da própria CNE;
Os membros da CNE deveriam, por imperativo legal, ter-se demitido de outros empregos que tivessem. Ao que parece nenhum o fez, continuando a auferir os respectivos salários;
Um partido, completamente desconhecido, que não tem sequer os estatutos publicados no Boletim da República, o PLD, foi aceite para concorrer em 10 círculos eleitorais. Recorde-se que a publicação em Boletim da República era um dos requisitos para aceitar qualquer candidatura;
O Mesmo PLD recebeu uma notificação emitida pela CNE, dando-lhe o prazo de 5 dias para suprir irregularidades, com data de 1 de Setembro. Recorde-se que a CNE tinha publicado as listas definitivas 3 dias antes, a 28 de Agosto;
O mesmo PLD supriu irregularidades substituindo candidatos sem documentos por outros com documentos. O PARENA tentou fazer o mesmo mas não foi autorizado;
Não por coincidência, o símbolo do PLD é um peru. Claramente se pretende confundir o eleitor que queira votar em partidos com símbolos como a perdiz e o galo;
O Presidente da UDM, José Viana, veio a público afirmar que a CNE forçou o seu partido a concorrer pelo círculo eleitoral de Sofala, quando ele pretendia concorrer a outros círculos. Não por acaso, o nome deste partido, UDM, confunde-se facilmente com o do MDM e Sofala é um dos bastiões desta última força política;
Durante toda a campanha eleitoral a Frelimo usou e abusou dos meios estatais para fins eleitoralistas, o que é completamente ilegal. Vários órgãos de informação reportaram, repetidamente, o uso desses meios sem que nada tivesse sido feito para o evitar;
Foi notória a parcialidade da Polícia, reprimindo os outros partidos mas nunca os abusos dos partidários da Frelimo;
Foi notória a parcialidade dos órgãos de informação do sector público, quer no espaço concedido aos candidatos da Frelimo em relação aos da oposição, quer em relação aos conteúdos e qualidade técnica;
O candidato do PIMO foi claramente comprado para dar o seu apoio à Frelimo.

Perante tudo isto, o processo está irremediavelmente conspurcado, mancha que se estenderá sobre os seus resultados, sejam eles quais forem.
Resta agora o processo de votação e da contagem dos votos.
Há que ter toda a atenção e vigilância para evitar novos casos como o do tristemente famoso sr. Albuquerque que, num dos anteriores processos, acrescentou centenas de votos, na verdade inexistentes, à Frelimo; ou como o caso de várias zonas de Tete onde os delegados da Renamo foram expulsos das assembleias de voto vindo as urnas a ser cheias de votos a favor da Frelimo, em vários casos ultrapassando muito o número dos votantes. Não esqueçamos que a actual lei diz que, quando isso acontece, esses votos são considerados válidos!
Vigilância, pois, nesta recta final do processo.
Porque, como nos tem sido dito repetidamente, neste período…
A Frelimo é que fez! A Frelimo é que faz!!!

Fonte: SAVANA

Uso de meios de Estado

Chibuto, Gaza: a Frelimo, usou no seu desfile no dia 22 de Outubro, 7 viaturas, das quais 3 do Conselho Municipal, 1 da Educação , 1 da Agricultura, cuja matrícula não foi possível descortinar por se encontrar tapada por bandeiras vermelhas daquela formação política, e 1 da Administração MMR 29-57.

Mabalane, Gaza: o partido Frelimo, usou na sua campanha do dia 23 de Outubro, uma viatura do Ministério de Ciência e Tecnologia, MMS 94-87 cor branca, marca Ford Ranger.

Chicualacuala, Gaza: partido Frelimo vem usado desde inicio da campanha 2 viaturas da Administração, das quais uma de marca Ford Ranger, cor vermelha e outra de marca Toyota de cor cinzenta, as suas chapas de inscrição estão cobertas por panfletos do partido.

Machanga, Sofala: a Frelimo usou viatura, no dia 23 de Outubro, viatura Toyota MLV 06-44 da Administração, conduzida pelo secretário permanente Taibo Mguare.

Buzi, Sofala: a Frelimo usou viaturas do Estado para acompanhar a comitiva do candidato presidencial, no dia 23 de Outubro. Viaturas pertencentes a direcção de Educação e Cultura, direcção provincial de Saúde, direcção provincial de Agricultura, Hospital Rural de Buzi,

Namarroi, Zambézia: a Frelimo usou na sua campanha do dia 22 de Outubro, duas motorizadas, uma do Registo Civil e outra da direcção distrital da Agricultura, ambas matriculas das motorizadas tinham sido disfarçadas por panfletos do partido Frelimo.

Vilanculos, Inhambane: membros e simpatizantes do partido Frelimo, afixaram uma fotografia gigantesca do seu candidato presidencial, Armando Guebuza, na praça dos Heróis Moçambicanos, na entrada da vila no bairro central

Meconta, Nampula: viatura pertencente ao Instituto de Investigação Agrária MLV 94-55, Toyota hilux de cor branca, usada nos últimos dias de campanha do partido Frelimo.

Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique, Número 20, 26 de Outubro de 2009



Cobertura parcial das eleições

Os órgãos de informação não estão a realizar uma cobertura equilibrada
e imparcial, conforme prescrito no código de conduta de cobertura eleitoral assinado pelos jornalistas moçambicanos, revela um estudo feito pelo Instituto dos Media da África Austral, MISA.
O estudo abrangeu órgãos da imprensa escrita diária e semanal, televisiva e radiofónica de todo o país. Entrevistado pela nossa enviada às eleições,Teresa Lima, o oficial de pesquisa do MISA, Ericino Salema referiu ter constatado que alguns sectores, particularmente da imprensa com fortes ligações históricas aos Estado estavam a dar maior destaque ao partido no poder e ao seu candidato.
"Estamos a falar do princípio de igualdade de tratamento entre as diferentes candidaturas, estamos a falar do princípio de independência e também do respeito pelos valores supremos do jornalismo que é a verdade"", disse Ericino Salema.
Ele referiu que os casos mais notórios de parcialidade diziam respeito ao jornal diário Notícias e também à televisão pública, TVM. Considerou, no entanto, "razoável" a cobertura eleitoral da Rádio Moçambique.
"Na nossa opinião, a TVM não usa os critérios universais de jornalismo. Já estabeleceu que quem abre os seus serviços noticiosos, é sempre o partido no poder e o seu candidato".
Em Moçambique a actualidade noticiosa é divulgada actualmente por sete jornais semanários, três diários, 12 Boletins de Fax diários, 6 canais de Televisão e apenas uma estação de rádio a nível nacional, embora estejam a surgir rádios locais e comunitárias, mas cujo conteúdo é mais de entretenimento do que noticioso.


domingo, Outubro 25, 2009

EXTRAS - Imamo


Por Pedro Nacua

SOUBE da existência de Imamo Haje nos princípios da década 90, quando a Rádio Moçambique tocou uma bonita música que à primeira pareceu-me estrangeira, com uma forte carga árabe. Mas interessava-me a contradição existente entre a sua aparência e o facto de ser cantada em língua que entendo, Emakwa. Logo a seguir o emissor da província onde eu então vivia passou a rodar constantemente a mesma e outras músicas do mesmo autor, que vim a saber que afinal se tratava de um pembametugense, na província de Cabo Delgado.

Contagiei a muita gente a gostar da Ethunia, Yarabe, das mangas boas de Murrébuè (Changa), etc. Acabei conhecendo-o, pela primeira vez, por ter sido convidado, por gente do meu círculo de amigos, a actuar na piscina do Ferroviário de Nampula. Fic]amos colectivamente fãs do artista.

Vivia em Maputo, onde entre o sucesso e as sempre madrastas dificuldades de vida foi-se aguentando, até que um dia se lembrou do provérbio macua “Olavilavi Unkeliha Ouani” (a malandrice faz lembrar a origem) ou, falando positivamente, “O bom filho, sempre regressa a casa”. E veio com umas boas iniciativas. Andou de pessoa em pessoa e de jornal em jornal a vender o seu projecto de fazer uma escola de música. De novo foram os órgãos de comunicação social que fizeram eco do que pretendia fazer. Teve as ajudas que teve, porque se tratava de ideias que falam de progresso.

No sábado passado decidiu agir contra os seus amigos. Contra a sua história, digamos, a comunicação social. Subiu as escadas do emissor provincial da Rádio Moçambique, em Pemba, foi até aos estúdios, que ficam no segundo andar de um prédio cujas escadas são difíceis de galgar. Quer dizer, fez muito esforço para lá chegar. Conseguiu passar pelo guarda policial que fica à entrada. Conseguiu perceber que estava a entrar em terreno alheio, dado que em cada porta está escrito algo a sugerir que não se trata de uma barraca. Na última porta viu escrito “Silêncio”, um apelo tão forte quanta necessidade de paz se precisa no estúdio.

Chegou. Imamo Haje, o nosso amigo e foi ter com um dos seus amigos, o Tomás Moisés Anatamba, um locutor que mete medo pelo factor de ser discretíssimo, que não afasta nem um mosquito, que não fala em voz alta com ninguém, que muitas pessoas não o conhecem, porque só estúdio e casa. Foi agredi-lo fisicamente! Sinceramente!

Quando se procuram as razões, Imamo Haje diz que acabava de escutar na Rádio Moçambique a sua música, Yarabe. É problema? Mais uma pergunta, responde que era porque foi tocada logo a seguir ao espaço de antena, concedido aos partidos políticos e seus mandatários, por lei. É problema? Mais à frente acrescenta que era porque o último a falar era a Renamo. É problema? Querendo mais uma razão, diz que lhe pareceu que estava a ser associado àquele Partido. Imamo!...

Então fica assim a justificação de um homem que já foi amigo da comunicação social: fui agredir porque estando ele em serviço e cumprindo com o seu dever, pôs a tocar a minha música logo a seguir ao tempo de antena da Renamo…

Estando em tempo de cada um procurar onde comer nos próximos cinco anos, arranjou mais esta: é porque eu sou filho da Frelimo, não gosto que me associem à Renamo. Imamo!..

Está a dizer que desde 1991 que a sua música é tocada pela Rádio Moçambique, em todo o país, só no dia 17 de Outubro de 2009 é que ficou mais próxima da intervenção, na mesma rádio, de um político ou de um partido da oposição, da Renamo muito precisamente. Faltava dizer que se trata do dia da morte de Matsangaíssa! Se não é verdade, porquê, então, só naquele dia e em tempo de campanha?

Imamo é mais da Frelimo do que Anatamba, eis a questão. E se é por ser filho da Frelimo, coisa que muitas vezes é desnecessário gritar, impõe-se a seguinte questão: é assim que agem os filhos da Frelimo? Ou é assim que agem os filhos que não são da Frelimo…

Têm razão os que levaram o caso às instâncias judiciais, vale a pena perguntar bem a esse antigo amigo da comunicação social. Mas que é triste, não restam dúvidas!

PEDRO NACUO