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terça-feira, agosto 18, 2026

A LUTA É DE TODOS NÓS. O INIMIGO É UM SÓ PARA TODOS NÓS.

 Por: Luciano Armando Tarieque

Tenho dito e vou continuar a dizer: esta guerra não é só de um partido da oposição. É de toda a oposição. É de todo o povo que quer mudança, que quer justiça e que quer um país diferente.
Já viram? Quando a oposição luta entre si, a FRELIMO luta e combate toda a oposição ao mesmo tempo. Enquanto gastamos energia a nos atacar, o regime avança, prende, cala e persegue. E no fim, quem sangra somos todos nós. O militante, o simpatizante, o cidadão comum que só quer viver em paz.
No dia 12 de agosto, em Nampula, foi o MDM que sofreu. E o que ouvi? Em vez de solidariedade, saíram insultos vindos da própria oposição. "Vocês acabaram. Vão lá se juntar com o ANAMOLA". Como se a dor de um fosse motivo de festa para o outro. Como se a repressão contra um fosse vitória para o outro lado.
No dia 15, em Quelimane, foi a ANAMOLA que sofreu. E adivinha? A pergunta voltou: "Os outros partidos da oposição estão onde?" Ninguém lembrou que o problema é comum. Ninguém lembrou que a mão que bate hoje em um, bate amanhã em todos.
O maior problema está dentro de nós. É a síndrome do "só o meu partido salva". Há dirigentes e militantes na oposição que juram de pé junto que só a sua sigla tem moral, só o seu líder tem visão, só a sua estratégia funciona. E desprezam todos os outros. Esquecem que solução não está no nome do partido. Solução está no pensamento. Está na comunicação eficaz. Está na planificação séria. Está na produção de estratégias com eficácia. Está na capacidade de ouvir o povo e unir forças.
Esse orgulho cego está a matar a luta. É o "meu partido primeiro, o país depois". É o "se não for comigo, então que se dane". É o "eu sou mais oposição que tu". Mas pergunto: de que vale ter o melhor discurso se não consegues chegar ao povo? De que vale ter as melhores ideias se não consegues dialogar com quem pensa diferente? De que vale chamar-se de alternativa se age igual ao regime, dividindo, excluindo e humilhando?
O povo não vota em sigla. O povo vota em esperança. E esperança se constrói com pensamento claro, com comunicação eficaz e com planificação e estratégia. Pensamento claro é saber qual é o problema real do país e qual é a proposta concreta para resolver. Não basta gritar "abaixo". É preciso dizer "vamos fazer assim". Comunicação eficaz é falar a língua do povo. É ir às rádios comunitárias, às igrejas, aos mercados, aos bairros. É explicar sem arrogância e ouvir sem interromper. O povo está cansado de discursos de palco. Planificação e estratégia é ter um plano para ganhar eleições, para fiscalizar, para governar e para resistir à repressão. Estratégia não é improviso. É trabalho de gabinete, de base e de formação de quadros.
Nenhum partido sozinho tem tudo isso. A RENAMO tem história e estrutura. O MDM tem quadros técnicos. A ANAMOLA tem a energia da juventude e das ruas. O PODEMOS tem penetração nova. A Nova Democracia tem quadros. Separados, cada um tem uma peça do puzzle. Juntos, temos o quadro completo. Mas enquanto cada um achar que só a sua peça serve, o puzzle nunca vai ficar pronto.
A história já nos avisou. Basta lembrar o que aconteceu com o PDD entre 2008 e 2009. Naquele tempo o PDD deu esperança a muitos moçambicanos. Fabricava roupa com timbre do partido. Distribuía motas da marca Salink quase para todos os distritos. Entregava roupas em grande quantidade. O povo acreditou, porque estava cansado e queria acreditar em algo novo. Mas o povo descobriu tarde demais que o PDD era um prolongamento da língua da FRELIMO, criado com um único objetivo: combater a RENAMO e dividir a oposição. Era isco. Era armadilha. Em menos de 5 anos o PDD desapareceu. E o final do jogo? O fundador e presidente foi premiado como embaixador de um país X. Enquanto isso, os militantes ficaram sem partido, sem rumo e com a esperança traída.
É por isso que temos que ter cuidado com alguns espetáculos dos nossos líderes. Há oposições e discursos que só servem para garantir o império de Gaza. Há gente que prefere ser líder de três gatos a ser parte de uma frente que muda o país. Há gente que troca o futuro da nação por protagonismo barato.
A oposição deve sentir e respeitar o posicionamento da outra oposição. Deve entender que a diferença de ideias não pode virar guerra. Pode haver divergência de estratégia, pode haver debate, pode haver crítica. Mas nunca pode haver traição, insulto e humilhação pública. No final, temos que nos juntar para buscar solução. Sentar à mesma mesa. Ouvir. Ceder. Construir. Sem insultar. Sem humilhar. Sem apontar dedo.
Porque se continuarmos assim, vamos ser derrotados um por um. Separados somos alvos fáceis. Juntos somos força. Juntos somos voz. Juntos somos voto. Juntos somos história.
O povo já está cansado de ver a oposição a morder a própria cauda enquanto o regime ri. O povo quer ver unidade. Quer ver maturidade. Quer ver que os líderes entendem que a causa é maior que o partido, maior que a sigla, maior que o ego.
Hoje é o MDM. Amanhã é a ANAMOLA, o PODEMOS, a Nova Democracia. Depois de amanhã pode ser a RENAMO. E depois? Quem sobra? Se não nos levantarmos agora, não sobra ninguém.
A luta é de todos. A dor é de todos. A vitória tem que ser de todos. Chega de vaidade. Chega de achar que só o meu partido salva. Chega de infantilidade política. Hora de sentar, conversar e construir uma frente comum. Hora de colocar o país acima do partido. Hora de provar que estamos prontos para governar, porque primeiro aprendemos a caminhar juntos.
Porque no dia em que a oposição entender que o problema é um só e a solução é coletiva, nesse dia o regime vai tremer.
LATA
Cidadão vigilante na reserva aberta

domingo, dezembro 14, 2025

Sobre o regresso do debate político em Mocambique

 Felizmente, gracas ao Venâncio Mondlane o debate político multipartidário voltou em Mocambique.

Depois da morte de Mahamudo Amurane, Afonso Dlhakama e Depois Daviz Simango, os que vibravam, o debate político e sobretudo, multipartidário já havia acabado em Moçambique. A Frelimo (ou os seus membros) já fazia(m) tudo que queria(m) fazer. Entre, o que havia restado era a linha entre pró-Guebuza e pró-Nyusi.
Nas eleições autarquícas de 2023 surge um fenómeno que há muito a Frelimo evitou, mas que parece que estava convencida que estava sob controle do munna Ossufo Momade. Tratava-se de Venâncio Mondlane que nas eleições autárquicas de 2013, como candidato do MDM para edil de Maputo, teve a melhor prestação da oposição e levou para a Assembleia Municipal o maior número de membros, apesar da toda fraude.
Para eleições autarquícas de 2018, o partido no poder aproveitou-se das lutas entre os partidos da oposição para eliminar com sucesso a candidatura do VM. Infelizmente foi o meu partido, o MDM, aproveitado para Venâncio e Ricardo de Tete serem eliminados.
Dez anos depois, nas eleições autárquicas de 2023, Venâncio logra a sua candidatura para edil de Maputo numa altura que ele e o seu grupo de apoio estavam muito preparados na fiscalização desde o recenseamento eleitoral. Muitos devem se lembrar do recenseamento fraudulento em casas de secretários denunciados por fiscais da Renamo em Maputo. Quem tem prova que Venâncio Mondlane não tenha sido o verdadeiro vencedor nas autárquicas de 2023?
O munna OM e a cúpula abandonaram o Venâncio quando reivindicava a verdade eleitoral, um sinal para muitos que o munna Ossufo já estava possuído pela Frelimo. Quanta vergonha minha!
Para o bem da democracia em Moçambique, o Venâncio avançou para as eleições presidenciais de 2024, contando com todos os mocambicanos que o apoiassem. As suas alianças foram sendo eliminadas e infelizmente com apoio da Renamo e o meu partido MDM que são da oposição. Quanta ironia!
A continuidade da luta política de Venâncio Mondlane desde o pós-eleições autárquicas de 2023, devolveu-nos ao debate político. Os que são radicais membros e simpatizantes da Frelimo já voltaram para lá e arremessam contra a oposição. Infelizmente, muitos o fazem porque querem ter a mesma sorte que o Egidio Vaz e aqueles outros tiveram. Os que são da oposição com convicção de mudanças e não com CRENÇA de que é desta que vão ser deputados já voltaram ao debate político.

domingo, março 31, 2024

Democracia interna nos partidos em Moçambique

O nosso mal como moçambicanos, é sempre querermos apagar tudo que foi de gestão no passado, incluindo o que foi bom.

Ora, do que lembro naquele tempo, as teses do congresso da Frelimo, os estatutos da Frelimo começavam com debates na célula onde muitos tinham a possibilidade de dizer algo. Célula naquela altura incluía toda a população dum bairro ou aldeia. Na célula eram ELEITOS os porta-vozes daquilo que se decidiu como correcção ou aprovação nas teses e estatutos. Esses porta-vozes eram os que delegados para o escalão a seguir. O processo avançava assim para os círculos, postos administrativos ou localidades, distritos. Nas conferências provinciais era onde saíam os delegados ao congresso. Os delegados ao congresso não eram administradores distritais ou primeiros-secretários.

Havia mal nisto para os partidos agora num sistema partidário não fazerem o mesmo?

Nota: dói-me VER nos estatutos dos partidos que se dizem do centro-direita, e, pior ainda que dizem lutaram e lutam pela democracia a praticarem o pior duma democracia contemporânea.

sábado, janeiro 06, 2024

Os Manteigas nos recordando os Mbararano (1)

 Caros compatriotas,

Com Manteigas a derreterem, vou continuar a reflectir e recordar a mim mesmo e a vocês, as minhas e as demais reflexões de 2008-2009.
Sem preguiça, leiam alguns postes de Maio de 2008 até finais de 2009 no blog Reflectindo sobre Mocambique, com publicações da minha autoria (Reflectindo) e de outros analistas (melhores).
Calha que quando fossem minhas próprias reflexões, não omiti o que os outros bons analistas diziam e eu criticava se fosse para tal.
Nota: 1) ando com dúvidas sobre o gosto de reflexão e leitura. Eu recomendo que corta-matos nunca foi o caminho certo. Leiamos os textos completos, pensand o na nação. Para mim, os textos longos são muitas vezes melhores porque deixam a opinião com alguma clareza. Textos curtos podem também ser muito bons, mas dependem do tipo de leitores e a capacidade dos seus autores.
Nota: 2) sobre o assunto actual, já estou escrevendo uma série que sempre estará publicada no blog que me garante arquivo e consulta rápida. Entretanto, um escolarizado tem que ser um leitor.

domingo, maio 21, 2023

Críticos acusam oposição moçambicana de desorganização

 "A oposição pode-se criticar, tem as suas limitações, tem a sua culpa, mas não tenhamos amnésia: lembremo-nos das contestações, das mortes que têm acontecido em virtude de a oposição reivindicar que esses processos sejam genuínos", sublinha.

O académico lembra que quando a oposição reivindica irregularidades, sobretudo nos pleitos eleitorais, a FRELIMO usa a força do Estado para intimidar, perseguir e matar os opositores.


quarta-feira, novembro 25, 2020

AINDA SOBRE A NOMEAÇÃO DE UM MEMBRO DE PARTIDO DA OPOSICÃO (RENAMO) A MINISTRO DO GOVERNO DA FRELIMO

Voltando a este assunto e é mesmo aqui onde eu queria chegar. Muitas vezes não percebo é de como concidadãos académicos acham que a nomeação de um membro de um partido da oposicão a MINISTRO é sinal de despartidarização do Estado. Não percebo a base dessa convicção. Eu nunca acreditei sequer de um governo da unidade nacional como qualquer caminho para o fortalecimento de um estado de direito democrático. Ministro é um posto político e este é reservado ao partido que governa que vai fazer com o seu manifesto. Em todos estados democráticos é assim. Isto é diferente dos demais postos, que são ténicos ou administrativos como PCA, directores de instituicões públicas, chefes de departamentos de todos os níveis, reitores, etc, etc, Muitos dessses postos, em países democráticos são por concurso público. SIMPLES COMO É.

Falando ainda de MINISTRO, alguns partidos podem colaborar no programa de governação, mas negarem-se à nomeacão de ministro. Um exemplo concreto é o que acontece nos governos suecos. O partido da esquerda ou seja o partido comunista apoia o Partido Social Democrata que governa, mas este não aceita nomear alguém do primeiro ao posto de ministro. O mesmo acontece com os conservadores que na prática não aceitam formar um governo com os ditos Democratas Suecos. Só para verem, se o interesse dos conservadores e outros partidos aliados fosse de governar a todo custo, estes já teriam estado lá depois das últimas eleições. Quando houver interesse posso explicar sobre isto ainda melhor.
N.B: 1) Nos casos de África que alguns apreciam, quando alguns governantes espertos nomeam um membro dum partido que paradoxalmente é da oposição e não um aliado ou coligado, a intenção é de aos poucos esse indivíduo abandonar o seu partido e passar ao governamental. O mesmo acontece com aqueles que formam os famosos GUN (governos da unidade nacional). Esses governos sempre acabam eliminando ou pelo menos cortando o processo de desenvolvimento dos pequenos. São raras as vezes que os resultados são contrários ao que aqui escrevo.
N.B: 2) A despartidarização do Estado passa essencialmente por retirar as células partidárias nas instituições, concursos públicos aos postos de chefia, e, uma série de medidas que constam na Lei da Probidade Pública. É isso que beneficia a todos aqueles que votam e trabalham duro nas bases. Sempre esperei que os nossos políticos e académicos se agarrassem nisto e nunca sobre postos de MINISTROS.

sexta-feira, setembro 13, 2019

Simpatizantes da Frelimo bloqueiam comitiva da Renamo em Boane

Simpatizantes da Frelimo colocaram barricadas na estrada da vila de Boane para impedir a entrada do candidato da Renamo, Ossufo Momade, e sua comitiva no mercado municipal onde estava previsto um comício daquele partido. O caso ocorreu ontem (11 de Setembro) durante a visita de Ossufo Momade a autarquia de Boane para efeitos de campanha.
Momade e a comitiva que o acompanhava conseguiram passar devido à intervenção da polícia que se fez presente ao local para repor a ordem. Entretanto, para realização do comício no mercado, os simpatizantes da Renamo tiveram que remover as barricadas da estrada.
O cabeça-de-lista da Renamo na província de Maputo, António Muchanga, acusou o presidente do conselho municipal de Boane, Jacinto Loureiro, de ter orientado os simpatizantes do partido para inviabilizar a campanha da Renamo. “Em tempo de campanha ninguém deve bloquear o outro, por isso o senhor Loureiro tem processo-crime”, disse Muchanga.
Segundo apurou o Boletim, a polícia esteve presente no local até ao final do evento para impedir qualquer tipo de violência entre os simpatizantes dos dois partidos.

Fonte: Eleições Gerais 2019 - Boletim Sobre o Processo Político em Moçambique 50 - 12 de Setembro de 2019

sábado, abril 27, 2019

Reflectindo sobre os partidos políticos em Moçambique


Não sou cientista político para afirmar categoricamente, mas acredito que um partido que mantém de perto, mostrando paixão pelos seus críticos, sobretudo os internos, pode ter a sorte de manter muitos dos seus membros e simpatizantes e até mesmo mobilizar muitos mais.
Ao contrário, acredito que um partido que obriga que os seus membros se calem e recorra à expulsão ou ISOLAMENTO dos críticos internos, mas apaixonado pela bajulação e propaganda barata (MENTIRA) como aquela de que membros do partido A ou B se entregaram, rapidamente se reduz à insignificância porque perde grande parte dos seus membros e simpatizantes.

sábado, março 30, 2019

Que metas tem a nova liderança da Renamo


Será que a actual Renamo somente lhe interessa a partilha de chefias militares?
Em 2012 Afonso Dhlakama saiu de Nampula onde residia desde 2009, passando por Quelimane, onde 12 anos depois e sob mediação de Manuel de Manuel Araujo se encontrou com Raul Domingos. Afonso Dhlakama chegou em Vunduzi onde supostamente era para celebrar os 33 anos da morte de André Matsangaíssa e aí anunciou a sua instalação naquele local e não só, mas também o reagrupamento dos seus comandos e reactivação das bases. Houve nessa altura os que disseram que a sua instalação em Vunduzi era uma imposição dos comandos e não um acto voluntário de Afonso Dhlakama. Outros até falavam de uma prisão domiciliária. 
Pessoalmente foi difícil acreditar que na verdade fosse uma imposição dos comandos, uma vez que eu contava que ele era o comandante-em-chefe dos tais comandos.
Após a morte de Afonso Dhlakama foi escolhido Ossufo Momade, supostamente pela Comissão Política da Renamo como coordenador interino. Digo supostamente porque já receio que as decisões mais importantes e determinantes na Renamo sejam de um grupo de “Chairmen”, um grupo informal composto por membros do tal comando, muito desconhecidos por nós e até pela maioria dos membros da Renamo. Poucos dias depois de ser indicado como coordenador, Ossufo Momade deslocou-se à Gorongosa e lá ficou como Afonso Dhlakama havia feito. No último congresso Momade foi eleito Presidente da Renamo.
Há poucos dias, Ossufo Momade veio a Maputo onde permaneceu mais que duas semanas, se não estou em erro e, dos encontros com Nyusi, tratou assuntos militares que me parece ter sido com sua satisfação. Nesse período todo, não me parece que Ossufo Momade tenha tratado pessoalmente assuntos políticos relevantes do partido, como de lançar-se apresentando a sua visão política e o caminho que a Renamo vai seguir para as eleições legislativas, presidenciais e provinciais a terem lugar este ano. O mais estranho é que Ossufo Momade não passou por Beira, pelo menos, para confortar as vítimas do IDAI. O seu regresso à Gorongosa sem dar sinal nestes dois pontos, deve ter deixado perplexos a muitos moçambicanos. 
A mim, parece que nos últimos seis anos, os presidentes da Renamo só servem de intermediários entre os chairmen e o governo moçambicano. Se bem que os chairmen podiam respeitar Afonso Dhlakama pela antiguidade na presidência da Renamo, Ossufo Momade só deve fazer o que for autorizado por aquele grupo. Penso que assim faria qualquer que saísse eleito presidente no congresso da Gorongosa.
A questão é se o único interesse dos Chairmen da Gorongosa é militar, isto é, partilha das chefias militares. Como a Renamo pode sobreviver desta forma se bem que cedo ou tarde, esses militares sairão naturalmente do exército?

quinta-feira, fevereiro 21, 2019

Chamar académicos para debate dentro dos partidos é valioso.

Quando numa entrevista, em Setembro de 2017, o filósofo e constitucionalista Severeno Ngoenha fez uma revisão sobre a democracia interna dos três principais partidos políticos moçambicanos, eu chamei atenção que os partidos deviam convidar a este como outros académicos para palestras ou debates deste e outros assuntos. Infelizmente, alguns partidos fizeram o contrário. Investiram na recusa das suas observações de Ngoenha.
Na verdade, o que tenho proposto que se faça nos partidos, é aquilo que aconteceu hoje. O partido Frelimo organizou um debate sobre o papel da educação na promoção da unidade nacional e da cidadania e convidou os académicos Severino Ngoenha, Lourenço do Rosário e o religioso Saide Abibo como radores. Infelizmente, como conheço os meus compatriotas, dirarão que estes três foram oradores àquele debate como membros do partido Frelimo como se estes alguma vez fossem convidados pela Renamo e ou MDM e recusassem. Aliás, o mano Brás Malique e o companheiro Carlos Bernardo devem se lembrar da minha insistência no debate que tivemos em Julho de 2017, ali no Canal Residencial, em Nacala-Porto, sobre a formação de membros do partido MDM e a definição e funcionamento da escola do partido. Eu insistia que a escola não consistia em um edifício com quatro paredes, mas organizando estudos e debates com oradores como Ngoenha, Domus OiKo aka Alberto Ferreira, João Pereira, José Macuiane, etc. Tenho também sublinhado a vantagem de ter oradores sem interesse de serem bem vistos por quem “manda” nos partidos.

Recordando a entrevista: “É preciso que partidos reaprendam a fazer democracia”  in o País 819.09.2017)


quarta-feira, fevereiro 13, 2019

Membros da Renamo reconduzem à revelia Luís Chitato ao cargo de delegado

Os delegados da Renamo dos 26 bairros da cidade reconduziram no final da tarde desta terça-feira, o delegado da cidade, Luís Chitato, que tinha sido  destituído na passada segunda-feira por uma brigada central desta formação política que de  seguida indicou João Marara para o seu lugar.  O processo de eleição do delegado da cidade decorreu na sede deste partido no bairro da Munhava. Luís Chitato foi eleito com 24 votos contra dois do seu adversário, Luís Manhaize.  Chitato indicou que a sua prioridade será unir a Renamo.
As bases da Renamo afirmaram que  os actos eleitorais que culminaram com a eleição  dos delegados  políticos  da cidade e província de Sofala, não visam  dividir o partido, mas sim cumprir com actos democráticos internos. Refira-se que as bases da Renamo rejeitaram a indicação de delegados, tal como uma brigada central havia feito na passada segunda-feira e decidiram eleger os seus representantes.   
Os dois delegados garantiram  que irão obedecer às orientações do presidente deste partido Ossufo Momade.
O O país sabe que está na Beira desde as primeiras horas desta quarta-feira, uma outra brigada central da Renamo que tem encontros marcados com os  membros da base deste partido, a fim de resolver o conflito, pois neste momento existem dois delegados da cidade e dois provinciais.

Fonte: O País – 13.02.2019

sábado, fevereiro 02, 2019

A Renamo tem que se consolidar com união e coesão


SOBRE OS PRONUNCIAMENTOS DE JOSÉ MANTEIGA EM RELACÃO À VISITA DE ANTÓNIO MUCHANGA À MANUEL CHANG.

Num post com o título "Como a democracia morre" Lazaro Mabunda diz que "não é apenas a força e poder do líder autoritário responsável pela morte de democracia, mas também morrem pela liderança fraca que permite a oligarquia partidária autoritária lidera o processo de tomada de decisões, subvertendo as regras de jogo."
A mim parece que depois da morte de Afonso Dhlakama, um líder autoritário e forte, no sentido de que era o único que decidia e ninguém mais na Renamo, há indivíduos que procuram construir uma oligarquia no partido. Esses indivíduos começaram fazendo isso em volta de dois dos candidatos à presidência. Pelo que tenho notado, depois do congresso, um grupo se acha vencedor sobre o outro. No pior o dito vencedor não me parece agir inteligentemente, pois que usa o método que FEZ morrer muitos partidos em Moçambique, em particular. Para mim, o grupo vencedor devia dar toda a sua energia para a união, a coesão na Renamo. Em política é assim mesmo. Depois da conquista, consolida-se de forma mais inteligente. Marginalizar, excluir, humilhar, perseguir, considerá-los "os outros", sei lá, só poderá ruir a Renamo. Na minha opinião, Ossufo Momade precisa de ver isto no mais cedo possível porque alguns vão lhe estragando a sua presidência com postura como esta.

sábado, janeiro 19, 2019

REAGINDO SOBRE A OPINIÃO DE Munguambe Nietzsche SOBRE A ELEIÇÃO DE OSSUFO MOMADE


1. Ossufo Momade pode Presidente a curto prazo porque isso é bom. O contrário, não é bom quando a ideia é ser Presidente de toda a vida do partido? Os presidentes passam e os partidos ficam – é que devia ser o lema.
2. Na verdade, sempre foi meu ponto de vista que mesmo Afonso Dhlakama, uma vez chegado a Presidente da República só governaria por um mandato ou dois e depois entregaria tudo à nova geração. Neste momento quem deve estar ali é quem conhece o dossiê militar e político. Ao contrário de alguns, eu acho (posso estar errado) que Ossufo Momade é político-militar.
3. Mesmo na guerrilha os comandantes são também políticos. É por isso que nos comandos há comissários políticos. Momade foi comandante de zonas vastas durante a guerra. Sob seu comando abriu com sucessos algumas frentes. Lendo alguns livros em passagens onde ele se refere percebe-se que também era um político.
4. A mim, parece que a sua calma foi uma estratégia da Renamo e desenhada por até o próprio Dhlakama para evitar aquilo que se deu com Raul Domingos.
5. O que sucedeu a Raul Domingos foi o resultado do nosso barulho cá fora, este barulho que sempre desvaloriza quem está no leme e um trabalho em equipa e falamos dos outros membros como melhores para liderar o partido ou para se tornarem Presidentes da República. Isso geralmente põe em clivagen entre apoiantes do líder aos que se propõem liderar o partido independentemente se os que soam no barulho têm essas ambições.
6. Esse barulho teve impacto no Daviz Simango na sua passagem na Renamo. Recordo -me que era dele que mais se falava a partir de 2005 ou 2006 como quem devia ser Presidente da Renamo. Isso em si criou problemas na Renamo e Daviz foi preterido à recandidatura para edil da Beira.
7. O mesmo barulho criou problemas no MDM com os nomes de Manuel de Araújo e Venâncio Mondlane e o resultado foi o que assistimos.
8. O barulho já recomeçou na Renamo com a eleição de Ossufo Momade? Ora o facto de Momade ter os quadros que se mencionam aqui, é sinal de que a Renamo sai forte.

Nota: O barulho de fora sobre preferência da liderança de um partido cria clivagens, bajulação (para provar-se que se está com o líder), medo de expressão e debate fraco e até certo ponto uma vassalagem.

quinta-feira, janeiro 17, 2019

Ossufo Momade é novo presidente da Renamo

O general Ossufo Momade foi eleito presidente do partido Renamo na madrugada de hoje. O presidente eleito do maior partido da oposição obteve 410 votos, seguido de Elias Dhlakama, que ficou com 238 votos e Manuel Bissopo com 7.
Na sala do VI Congresso da Renamo, onde aconteceu a votação, estavam 700 delegados. Até a hora da sua eleição, na madrugada de hoje, Ossufo Momade era coordenador interino da Comissão Política da Renamo.
O novo presidente da Renamo substitui assim o líder histórico do partido, Afonso Dhlakama, que faleceu recentemente. Momade foi durante a guerrilha o responsável da Renamo pela zona norte do país.
Fonte: O País – 17.01.2019

segunda-feira, janeiro 14, 2019

Renamo deve aproveitar insatisfação popular para tentar vitória eleitoral

O investigador moçambicano Sérgio Chichava afirmou hoje à Lusa que o futuro líder da Renamo deve ter a capacidade de dinamizar o partido para a vitória nas eleições gerais de outubro, capitalizando a insatisfação popular contra a Frelimo, partido no poder.
"A Renamo tem uma belíssima oportunidade para se reinventar, há um grande descontentamento no seio da população [perante a Frelimo], há um desgaste", declarou Sérgio Chichava.
Os resultados das eleições autárquicas de 10 de outubro próximo mostram que o eleitorado moçambicano deseja a mudança e o novo líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) deve afirmar o partido como alternativa à Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo).
Sérgio Chichava, pesquisador do Instituto de Estudos Económicos e Sociais (IESE), considera que, se a Renamo falhar a ascensão ao poder nas eleições gerais deste ano, ficará mais longe da governação, porque a Frelimo pode reorganizar-se e manter-se na direção dos destinos do país por muitos mais anos.

sexta-feira, janeiro 04, 2019

Renamo acusa autoridades de "silêncio cúmplice" na prisão de Manuel Chang

Bancada da oposição aponta dedo à presidente do Parlamento pela prisão de um deputado e pede responsabilização
A bancada parlamentar da Renamo acusa as autoridades moçambicanos de “silencio cúmplice” e“saúda” o que descreve como “acção enérgica tomada pela justiça norte-americana” que resultou na detenção do antigo ministro das Finanças Manuel Chang, de três ex-banqueiros do Crédit Suisse e um libanês que era ponte de ligação de empresas moçambicanos no Dubai.
Todos estão envolvidos no caso das chamadas dívidas ocultas, que envolveram cerca de dois mil milhões de dólares não declarados nas contas do Estado.
“A Renamo entende que a prisão do ex-ministro Chang e dos ex-banqueiros do Credit Suisse acusados de ilícitos financeiros no processo das dívidas ocultas é a confirmação das confirmações de que houve prática criminal por parte dos dirigentes da Frelimo envolvidos no processo que devem ser responsabilizados”, lê-se no comunicado da bancada parlamentar do principal partido da oposição, que, aponta o “silêncio cúmplice das autoridades moçambicanas”, nomeadamente a Procuradoria-Geral da República, o Conselho Constitucional, a Assembleia da República e o Governo. Ler mais (Voz da América, 04.01.2019)

terça-feira, dezembro 18, 2018

Provoking Renamo


By Joseph Hanlon
Frelimo appears to be intentionally provoking Renamo, pushing it to boycott the elections or return to war.

Negotiations between the late Renamo president Afonso Dhlakama and President Filipe Nyusi were personal and on the telephone. Ultimately, they were based on the belief that the two sides would act in good faith and that there would be some real power and resource sharing. This assumed first that Renamo would win a couple of governorships in fair elections and then have the resources and patronage of Frelimo governors. And it assumed second that Renamo officers would be appointed to senior positions with real power in the military - and the good faith was that Renamo would really demobilise and that it would have enough power in the joint military to prevent attacks on Renamo and a return to hit  squads.

Historically both sides wanted the present system because it gives the winning party overwhelming power over resources and patronage. Frelimo believed that it could maintain its hold on power while Dhlakama always wanted to be president - and turned down two earlier power sharing deals. But Dhlakama's change in attitude from 2016 was real, with the understanding that decentralised electoral politics could provide a base for building the party. And Renamo's success in municipal elections shows that his thinking was correct.

sábado, dezembro 08, 2018

CNE throws out 1 Marromeu polling station but still gives Frelimo 46 vote victory

The National Elections Commission (CNE), without explanation, changed the Marromeu results to give Frelimo a narrow 46 vote victory. This means a Frelimo mayor but an assembly in which the opposition has a majority.

Without comment, this morning the CNE presented its official results for Marromeu following the rerun of voting in 8 polling stations on 22 November.

The CNE first threw out the notorious polling station 07127-03 which had 800 registered voters of whom 811 voted. And it made other changes to the Marromeu District Elections Commission (CDE) results, but did not explain them. The CNE reduced the number of voters reported by the CDE by only 649 and reduced the Frelimo vote by 748, leaving Frelimo with victory by just 0.25% of the valid vote. (The full table is in the attached pdf). The results mean 8 municipal assembly seats each for Frelimo and Renamo and 1 for MDM,

The CNE meeting in Maputo took two days on Monday and Tuesday and in the end the results were only approved and then presented by CNE members named by Frelimo or Frelimo-linked civil society groups. Renamo in its objection said that CNE President Abdul Carimo proposed a recount of the votes at the 8 polling station, but the Frelimo-aligned majority refused the recount. Renamo and MDM nominated and aligned members then walked out of the meeting.

Observers present in the 8 polling stations said the turnout was 47% and gave Renamo 75% of the vote. The CDE said the turnout was an incredible 87% and that Frelimo had 75% of the vote. Observers and Renamo say they CDE results were clearly false. Although it did not release details, it appears that for the 8 polling stations the CNE result cut the turnout to 76% and the Frelimo share of the valid vote to 68% (both still much higher than the observer count).

The CNE said the election was "free, fair and transparent" even though its understanding of transparency included its refusal to explain how it changed the CDE results and its refusal to do a recount. "The CNE welcomes the positive form of the voting process", it said.

Fernando Mazanga, a Renamo member of the CNE, this morning presented the opposition position rejecting the CNE decision. The three CNE documents and the Renamo objection (all in Portuguese) are posted on 
http://bit.ly/Marr-CNE-R

Full tables showing observer, STAE and CDE results, with huge differences, are in our previous bulletin on [bit.ly/LocEl80]bit.ly/LocEl80

quinta-feira, dezembro 06, 2018

Autárquicas 2018: Observação independente à votação parcial em Marromeu dá vitória à Renamo

Na sua observação à repetição do escrutínio em Marromeu, com o apoio do Instituto Eleitoral para a Democracia Sustentável em África (EISA), o Votar Moçambique – um consórcio formado por seis organizações da sociedades civil, nomeadamente: O MASC, o IESE, o CIP, o CESC, o FORCOM e a WLSA – denuncia uma suposta troca/viciação dos resultados do apuramento parcial.
Na mesa com o código 07127-01, na qual estavam inscritos 800 eleitores, no fim do sufrágio a urna continha 548 votos, dos quais 270 para a Renamo, 228 a favor da Frelimo, 27 do MDM, cinco em branco e 14 nulos.
Contudo, na mesma mesa, os resultados foram alterados, durante o apuramento intermédio, para 753 votos na urna, sendo 601 da Frelimo, 103 da Renamo, 42 do MDM, três em branco e quatro nulos.
Todos os cadernos eleitorais tinham um máximo de 800 votantes, conforme recomenda a lei. Mas na contagem, na mesa 07127-03, os votos na urna foram modificados de 438 para 811 e a distribuição pelos partidos políticos concorrentes deixou de ser favorável à Renamo, com 305 votos apurados na mesa, e passou a colocar a Frelimo em larga vantagem. Passou de 108 votos no apuramento parcial para 590 no apuramento intermédio.
As alterações, aparentemente deliberadas, aconteceram nas restantes assembleias de voto que funcionaram nas escolas 25 de Junho e Samora Machel, na vila de Marromeu, excepto na mesa 07127-06, onde a contagem do Votar Moçambique e da Comissão Distrital de Eleições (CDE) coincide, mas com a Renamo em larga vantagem.
No fim do processo, a “perdiz” tinha uma vitória folgada, com 67,52%, contra 19,25% do “batuque e maçaroca”. Ou seja, tendo em conta a diferença bastante reduzida de votos na eleição de 10 e Outubro último, a Renamo pode ter ganho a autarquia da vila de Marromeu.
Borges Nhamire, do CIP, considerou que, “volvidos 30 anos da opção pelo Estado de Direito Democrático e 24 anos do início da realização regular de eleições, os órgãos eleitorais [CNE/STAE], os órgãos de administração da justiça [tribunais e Conselho Constitucional] e a sociedade em geral devem assumir o compromisso de intolerância perante os comportamentos desviantes, no concernente à busca da dignidade, justeza e transparência das eleições.”
O Votar Moçambique confirma a ocorrência das várias irregularidades reportadas pelos órgãos de comunicação social e sublinha a necessidade de os indivíduos que criaram condições para o desvio de urnas, por exemplo, serem punidos severamente.
Para aquele organismo, não é necessário efectuar um trabalho aturado para encontrar os responsáveis, pois os códigos das mesas das assembleia de voto onde as anomalias foram verificadas “estão devidamente identificados.”
Ademais, a agremiação “apela a que de direito” para que controle o “poder discricionário dos presidentes das mesas de voto”, porquanto restringe o “exercício dos direitos dos observadores (...)” eleitorais.
Alerta ainda que, se o país não conferir qualidade às eleições, “ciclicamente fontes de discórdias que mantêm os conflitos” em estado latente (...), pode estar a perigar a sua “agenda de consolidação da democracia e do desenvolvimento sócio-económico.”
Refira-se que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) apresentou, semana finda, a “centralização nacional e do apuramento geral dos resultados da eleição” de 22 de Novembro em Marromeu. Disse que o processo foi limpo...
A Frelimo e a Renamo têm uma diferença de apenas 46 votos, de acordo com o edital da CNE. Ou seja, o partido no poder teve 8.395 (45,78%), contra 8.349 (45,53%) da “perdiz” e 1.594 (8.69%) do MDM.
Fonte: @Verdade – 04.12.2018