segunda-feira, agosto 31, 2009

Da cidadania diaspórica ao nacionalismo bacoco

O debate de idéias, em Moçambique – meu país de única e exclusiva nacionalidade -, parece ser vítima do novo e lento processo de socialização cívica e intelectual, fruto de uma cidadania historicamente tímida e de um nacionalismo algo improdutivo. Assim, no país africano, perfilam e superabundam multifacetados nacionalismos e cidadanias. Tenho, por ora, o prazer de vos apresentar apenas uma de cada: cidadania diaspórica e nacionalismo bacoco.

Cidadania diaspórica e nacionalismo bacoco

Antes de entrar em possíveis pormenores, permitam-me pensar que cidadania diaspórica é a capacidade que os cidadãos nacionais, que se encontram a viver fora (de Moçambique) por motivos vários, têm de prestar atenção à vida do país, visando debater idéias e emitir seus pareceres para a justiça social e a consequente materialização dos direitos humanos, usando múltiplas contribuições, e-mails grupais, abaixo-assinados, blogues, jornais e demais canais.

Contrariamente, o nacionalismo bacoco é caracterizado pela visão preconceituosa e desqualificadora das idéias discutidas pela cidadania diaspórica, alegadamente por os seus debatedores e proponentes estarem viciados da urbanidade e experiências cidadãs dos países onde actualmente vivem, bem diferentes das de Moçambique. O nacionalismo bacoco não precisa reunir elementos filosófico-intelectuais para debater e refutar os posicionamentos da cidadania diaspórica; mas sim, basta-lhe a sua linguagem reducionista e provinciano-satírica, esvaziando o sentido real da problematização dos temas. Mais abaixo, colocarei três exemplos do dia.

Ainda descrevendo

Um dos defeitos do nacionalismo bacoco é perpetuar a idéia de que um moçambicano residindo além-fronteiras só exige carácter ético e exemplar das autoridades do Estado no que concerne à justiça social e direitos humanos, por pura emoção diaspórica de estar a viver entre “aranha-céus sociais, económicos, culturais e políticos”, longe de sua realidade-mãe. Perpetua-se a idéia de que o objectivo do debatedor e proponente de um pacto de direitos humanos e justiça social é apenas falacioso, objectivando fazer um copy-and-past da realidade actualmente vivida por ele.

Por assim dizer, o nacionalismo bacoco constitui um perigo para a convivência das opiniões diferentes e divergentes, marcando com cicatrizes os direitos de cidadania de expressão e, quiçá, de imprensa – isto tudo cria um mal-estar à saúde dos gémios universais: democracia e direitos humanos.

Infelizmente, o espírito taxador, os adjectivos e substantivos depreciativos e a sátira institucional ao debate trazido pela cidadania diaspórica está na moda. Estes trigémios estão assentes no pensamento de que a cidadania diaspórica está, por exemplo, propondo uma política pública ao direito humano à educação, saúde, habitação e demais direitos e temas sociais, sob influência de contextos potencialmente inigualáveis com os de Moçambique, como se os moçambicanos fossem uma ilha destinada aos rancores da nudez social. Em momento algum, os cidadãos moçambicanos na diáspora impercebem a diferença entre as sociedades onde vivem e Moçambique, relativamente ao tempo de construção do Estado e organização de sua estrutura política, económica, social e cultural. Porém, sem refutar outras causas empobrecedoras de Moçambique, têm acesso aos documentos de organismos vários – Centro de Integridade Pública, Mecanismo Africano de Revisão de Pares (órgão da União Africana) e Transparência Internacional, só para citar alguns - sobre a crescente exclusão social e intransparência na gestão da coisa pública. Posto isto, sugere-se que com uma excelente aplicação dos recursos e uma cidadania inclusiva, muito provavelmente chegaríamos aos patamares sociais, económicos e políticos em pouco tempo.

O debate da cidadania diaspórica é relativa à construção de um Moçambique arraigado em valores de ética e gestão transparente da coisa pública; e que o pouco e o muito dos recursos do Estado sejam canalizados aos potenciais sujeitos de direitos humanos: os moçambicanos. Infelizmente, não faltam ataques do nacionalismo bacoco à cidadania diaspórica, minimizando algumas das violações dos direitos humanos ou outro problema debatido, apenas porque quem as denuncia ou escreve está fora da realidade-mãe. Outra infelicidade do nacionalismo bacoco é desconhecer ou esquecer o passado recente da cidadania diaspórica, que foi debatedora de questões nacionais dentro de Moçambique - da política à cultura, passando pela economia, desembocando aos direitos humanos. Ou seja, a cidadania diaspórica está apenas a dar continuidade do que já vinha fazendo dentro de Moçambique. Lá regressará, quando o tempo proposto e previsto terminar, ainda que reconheça as mazelas do clímax social por qual passará ao desembarcar em qualquer aeroporto que se encontra no espaço onde Moçambique se localiza.

A cidadania diaspórica, ao propor o direito dos direitos humanos, fá-lo com o intuito de fazer perceber às autoridades estatais e a sociedade, no seu todo, que Moçambique precisa de políticas públicas, assentes em direitos humanos e transparência pública, para a materialização dos objectivos de democracia e justiça social, em resposta ao instituído na nossa Carta magna. Aliás, vale lembrar que essa é a vontade ética da comunidade internacional, acoplando que a primazia da dignidade humana dos moçambicanos é defendida pela Direito Internacional dos Direitos Humanos, do qual se inspirou a nossa Constituição contemporânea.

Agora vos apresento três exemplos-trechos do que apelido de nacionalismo bacoco.

Clique aqui: http://bantulandia.blogspot.com/2009/08/da-cidadania-diasporica-ao-nacionalismo.html para continue a ler o artigo.

AS CINCO DOENÇAS DO PAÍS

Por Viriato Caetano Dias

A doença de um país não está tão somente no desemprego ou na inoperacionalidade da sua justiça. Mas na capacidade do seu povo, quando esse renuncia ao pensamento e passa a seguir à senda da ignorância.

Para hoje trago à reflexão as cinco doenças do país. Cada um de nós, moçambicanos, possui uma forma diferente de ver o país que nos viu nascer e que é nosso por direito, proclamado de forma apoteótica na longínqua mas memorável data 25 de Junho de 1975. Cada um malha à sua maneira, conforme as circunstâncias em que vive, viveu e viverá. São pequenos os meus olhos para ver tudo, mas eles vêem aquilo que considero ser o meu estado da nação à nação. Assim, vão surgindo vários estados da nação, cada qual à sua maneira de ver e analisar o país. É neste contexto de pluralidade de ideias que me permito deixar algumas achegas sobre o “modus vivendi” do país e, se o “Sistema” concordar, tem aqui mais uma oportunidade soberana de administrar o medicamento certo.

A primeira doença – Os Políticos

Temos um país onde a política é diferente dos políticos. Uma coisa é ter uma política dourada com as mais belas palavras de um vocabulário de fazer inveja a outrem, outra coisa, porém, é ter os políticos que temos que mais não são uma autêntica desgraça. Preocupam-se com o poder e com as ambições pessoais. Não desejam senão subir mais alto e ocupar um lugar de destaque no trono da nomenclatura à custa do sofrimento de milhares de pessoas. Chegados lá, no top, esquecem-se, às vezes, de quem os elegeu. O país em 34 anos de história pariu mais políticas e políticos do que escolas. Para alguns, basta acordar e ir ao cartório mais próximo da sua residência, já têm o registo do seu partido, mais um no cemitério político nacional, cuja directrizes de orientação só eles é que compreendem. Para aqueles que cujo poder fora outorgado pelo povo para dirigir os destinos do país num determinado espaço de tempo, estes encarrapitam-se por lá estar, ignorando completamente as suas obrigações para quem os elegeu. Contentam-se com uma e outra inauguração, de algum empreendimento público ou privado, atribuindo-se a si mesmos a chancelaria da própria obra. Prontos, e fica-se por ai, para a história. São dirigentes de pequenas coisas e de grandes pormenores. Arrogam-se de serem o país, e dão-se a si a exclusiva e peremptória liberdade de fazer o que bem lhes interessa à margem da lei. São ambiciosos e aspiram pelo poder a qualquer custo.

Os meus olhos vêem, com algum desassossego e repulsa, o facto do partido no poder, a Frelimo, possuir um orçamento anual mais elevado do que a de um governo distrital, e ainda assim querem que o distrito seja o pólo de desenvolvimento! Não estamos perante um paradoxo político? Mas não é um orçamento para desbravar terras e abrir estradas, construir escolas, hospitais, melhorar as vias de acesso, expandir a rede de ensino e com qualidade, acabar com as hecatombes mental e material. Ainda que fosse, é um orçamento que estrangula cada vez mais o povo e abre caminhos para o ódio, a criminalidade, a inércia, a corrupção, o analfabetismo e a letargia mental. É um orçamento para os camaradas dar à volta ao país e ao mundo em busca de teorias e novas técnicas, quando se sabe que elas há já muito tempo foram descobertas. Estão nos anais dos encontros do partido, na Matola, ou onde quer que ela tenha sido realizado. Estão lá. É só ir desenterrá-las. A principal doença do país, convenhamo-nos, são os nossos políticos.

A segunda doença – A Educação

A fragilidade do nosso sistema de educação reside no facto de sermos sistematicamente imitadores como se não tivéssemos, a nível nacional, praxe para produzirmos ideias. Ideias essas que libertaram o país da canga colonial português. Mal a Europa lance um modelo novo no quadro das suas reformas curricular, o Ministério da Educação e Cultura, ao invés de olhar pelas circunstâncias internas, ou seja, a realidade do país, limita-se e levar à letra o modelo alheio. E os resultados estão à vista, é só o governo ir a qualquer estabelecimento de ensino, desde as escolas primárias, secundárias até as universidades, para ver “in-loco” que mais não faz o governo senão encher um tambor furado. É triste ouvir de um aluno da 4ª classe dizer que a capital de Moçambique é Eduardo Mondlane ou que Irão e Iraque são, provavelmente, dois irmãos que a minha ex.colega, numa das aulas de História Política, na universidade, em Maputo, teria ouvido falar no seu bairro T3. É preciso que o governo tome medidas imediatas para salvar a honra de alguns professos e profissionais deste sector, caso contrário, teremos um país com anéis de ouro (em termos de números de estabelecimentos de ensino), mas que vão criando feridas aos dedos.

Se perguntar a um professor (independentemente do nível em que ele lecciona), em Furancungo, na Província de Tete, ou em Mogovolas, na Província de Nampula, quando foi a última vez que foi a uma formação, conselho coordenador do sector ou a uma capacitação, a resposta é previsível, NUNCA. Contrariamente aos nossos dirigentes que passam a vida em conselhos coordenadores, reuniões, seminários, enfim, como disse, sumariamente, em busca do nada.

Não podemos perder de vista que os conhecimentos nascem das grandes questões com que a vida nos desafia, entrelaçando-se a própria vida, disse o conceituado investigador português Vítor Trindade. Para quem a educação é a chave de sucesso de qualquer país. Por isso, acrescenta, nos conhecimentos circulam histórias, nossas próprias histórias. Quando desistimos de transitar nestes elos, que tornam os conhecimentos vivos e pulsante, nas lições dos professores e dos estudantes, o ensino se afunda em valas, com prescrições e burocratizações, que formam uma terrível rede de cemitérios das letras mortas, que tanto ameaçam as aprendizagens e os ensinos. Um ensino é de qualidade quando consegue alcançar os objectivos a que se propôs.

Terceira doença – A Sociedade Civil Activa

A nossa sociedade civil activa está doente mais do que a gravidade da própria doença. Actualmente, a sociedade civil moçambicana, salvo raras excepções, está envenenada pela política. E é preciso desintoxicá-la quanto antes, sob pena de perderem-se de vista a propalada mas preciosa auto-estima. Nenhuma rede de corrupção seria possível no país se a sociedade civil activa fosse, efectivamente, implacável. Não somos capazes de reivindicar com sentido crítico as injustiças sociais que diariamente fazem vitimas um pouco por todo o país. Mas também não sabemos, em momento certo, aplaudirmos o que é feito com arte e profissionalismo, sem adulações, e que seja de interesse de todos. Por um lado é perceptível dentro da sociedade civil activa um grupo cada vez mais intelectivo, que fazem do pensamento uma profissão para mitigar parte dos desafios actuais que se impõem: a pobreza absoluta e a calamidade cerebral. Por outro lado, encontramos outro grupo, maioritário, parasita e completamente modorra. Estes são comparáveis ao caranguejo. Como dizia o saudoso militante da Frelimo, Rafael Magune, que certos jovens são tão precipitados como caranguejo, razão pela qual não dão saltos altos. Ficam-se pelos sonhos quiméricos e contemplativo. O caranguejo, nas palavras de um amigo, quando colocados numa bacia ou num balde, não fogem. Ainda quisessem, mas não podem, porque “pensam” pouco. Ora, quando um deles tenta escalar os limites do cerco, digo, da bacia, vem outro, uns tantos, em seguida, atrás deste, para deitar abaixo os planos do primeiro. Fica-se por ai até à refeição de quem pode. Coitado da gente do campo, estes limitam-se a inspeccionar o estado do tempo para a próxima sementeira, esperando que a sociedade civil activa acorde e ponha o país a andar para frente!

Quarta doença – A Economia

O país funciona, muitas das vezes, para não dizer sempre, como uma barriga alugada. Uma prostituta. Apenas servem, os investimentos nacional, para acomodar uma determinada nomenclatura nacional ou estrangeira. Não há ricos surpresas, nem emergentes, ou seja, não há novos ricos. Os ricos são os mesmos - aqueles que a história encarregou de libertarem o país das garras do leão -, mas passou para o pior, para as patas de um elefante. Se temos empresários emergentes eu diria, paradoxalmente, que sim. São aquele que dentre muitos conseguem amealhar, por influências partidária e não só, fornicoques de quem esteja a frente da “massa”, vulgos 7 milhões de meticais, abrindo barracas, fabricando “txovas”, enfim, mas com uma duração de meia dúzia de meses. Mal já anda o negócio. Mal é, também, a devolução do dinheiro do Estado. Mas também há casos esporádicos de retorno dos valores, poucos, muito poucos. Temos um ´país-cimitério´ de fábricas, industrias, lojas, oficinas paralisadas desde o tempo da guerra civil. Algumas delas nem sequer foram vitimas da guerra, mas sim da destruição do homem. A corrupção engoliu tudo. Estão lá, em Nampula, em Tete, em Manica, em Sofala, no Niassa e um pouco em todo o país, aquilo que custou caro à nação. Hoje só ficou o nome. Em principio fiquei, confesso, satisfeito quando ouvi que o ´pai da nação´ ficou rico vendendo patos. Não duvido porque, no negócio, cada um têm as suas formulas “mágicas” de enriquecimento e é importante que haja gente rica no país. Contudo, para o meu espanto, há um mês e picos das eleições, praticamente no fim do mandato do actual governo, a nossa economia continua a andar de corcova. Estamos na mesma, porquanto o país vive e viverá nos próximos 25 anos de doações estrangeiras, claro, se continuarmos a renunciar ao pensamento de trabalho e política de inclusão. Não cabe na cabeça de alguém, nem na minha, para quem conheça física ou virtualmente o país, que por cá, ainda haja gente a morrer de fomes. Um país rico e potencialmente forte em matéria de recursos naturais, hidrocarbonetos, minerais e humanos continua, porém, a viver de mãos estendidas. Há quem diga que estes recursos só existem no mapa. Incrível!!!

Quinta doença – A Justiça

Sabemos que o país não está bem. Sentimo-lo. A educação não está bem. A agricultura não está bem. A justiça não está bem. E quando o “vírus” chega à justiça pior ainda. Num país democrático e de direito como se pretende que seja o nosso, pode falhar tudo, menos a justiça. A nossa justiça precisa de muletas ou de um bom antídoto para que as coisas andem em trilhos certos. É preciso não renunciar ao pensamento, para construirmos um ESTADO MODELO de justiça e não só.
PS. Espero que a PRM tenha conseguido efectivamente construir uma cadeia de máxima segurança, durante o tempo em que Aníbal dos Santos Júnior, mais conhecido por Anibalzinho, esteve foragido da justiça, porque as que temos só é de segurança para ladrões de galinhas, e que tenha igualmente conseguido formar homens e cadeados robot, para não permitir outra fuga do visado e de qualquer outro meliante.

Viriato_caetano_dias@yahoo.com.br

Debates.eleitorais2009

A Televisão Independente de Moçambique (TIM) vai, a partir de 30 de Agosto, promover dez debates eleitorais com jovens, partidos políticos concorrentes às eleições legislativas e provinciais, bem como com os candidatos às presidenciais.

Clique aqui: http://www.debateseleitorais2009.blogspot.com/

Nota: Parabéns Milton Machel e a TIM pela iniciativa e espero que todos os políticos e partidos políticos respondam positivamente o chamamento ao debate.

domingo, agosto 30, 2009

Sobre as riquezas e seus questionamentos (Concl.)

Por João Baptista André Castande
7. Quanto ao processo de acumulação de riquezas no nosso país, penso que nenhum cidadão honesto e justo está contra. O que amiúde se questiona – e há reconhecidas razões de sobeja para tal – é, na verdade, o tempo que se leva, os meios usados e a forma pouco ou nada transparente como tais riquezas aparecem. E aqui nada justifica o facto de a pessoa questionada ter sido combatente disto e daquilo. Objectiva e claramente, estou a afirmar que nenhuma espécie de combate ou acto de heroísmo pode justificar a auto-premiação tão ilegítima como a que hoje está em voga.

8. Há extrapolação e inversão de princípios morais e éticos que deixam confusos cidadãos minimamente atentos aos fenómenos da vida nacional. Exemplos (?):

a) Um dos objectivos do Programa Quinquenal do Governo 2005-2009 é a “redução da pobreza absoluta” mas, em contraposição, hoje são recorrentes vozes de alguns poucos triunfalistas obcecados insinuando a criação de riqueza. Mas como apelar a criarem riqueza cidadãos que nem sequer conseguiram reduzir o estado de “pobreza absoluta” em que vivem? Isto, no mínimo, é imoral porque aviltra sobremaneira os cidadãos interessados em manter a sua dignidade humana!

b) Quem disse que a ausência da pobreza é sinónimo de riqueza? Aliás qual é, afinal de contas, a decisão tomada democraticamente pelo partido governante acerca dos processos de acumulação de riquezas individuais no nosso país? Mais do que uma decisão partidária unilateral, o consenso nacional precisa-se sobre esta matéria;

c) Vezes sem conta, acusa-se os “pobres” de tomarem a sua pobreza por símbolo de “honestidade”. Será? Na minha modesta opinião, esta é sem dúvidas uma atitude quão abusiva como perigosa para uma sociedade que ainda vive na mendicidade abjecta de ajudas externas!...

Repito, impõe-se a tomada urgente de posição oficial de consenso nacional sobre o assunto relativo a processos de acumulação de riquezas, de modo a evitar fazer dos cidadãos reféns permanentes de discursos enganosos, contraditórios, demagógicos e inconsequentes.

Coincidentemente, na página 30 do semanário «Canal de Moçambique» de 20-8-2009, Mia Couto deixa-nos uma mensagem messiânica:

“Imagino que surgirá uma pequena classe média a partir de conflitos internos. A África não é diferente do resto e sempre evoluiu por motores internos, São conflitos que estão surgindo hoje e são visíveis por exemplo aqui, em Moçambique, e na África do Sul, onde, além daquilo que são as forças históricas de contraposição política, estão surgindo outras. Há qualquer coisa nova no panorama em que a divisão não é mais aquela herdada do pós-independência, em que há os heróis libertadores de um lado, intocáveis, e do outro aqueles tidos como saudosistas do passado colonial ”.

Mas ainda há outro tipo de discursos cuja análise é obrigatória, para a melhor compreensão dos factos em presença:

“ (...) sabem, na opinião pública nota-se que há pessoas que têm ódio da Frelimo, daí que é preciso muito trabalho para garantir a vitória e uma maioria absoluta no Parlamento, se não perdemos. Uma eventual derrota pode ser perigosa, nós como da Frelimo temos que ter em mente que se um novo Governo ganhar, somos os primeiros a ser perseguidos e assassinados um por um, razão pela qual temos que nos engajar massivamente para defender a Frelimo”. Estas são palavras que o semanário «ESCORPIÃO» de 17-8-2009 atribui a um meu amigo, respeitado e exímio combatente da Luta de Libertação Nacional. Diga-se em abono da verdade que esta é uma forma desesperada de (des)mobilizar, enganando e amedrontando os seus circundantes com fantasmas. É o jogo do “vale tudo”!...

Porém, a minha consciência diz-me que o Povo moçambicano não confundirá nunca Frelimo, o partido herdeiro da Frente libertadora da mãe-Pátria, com actos indecentes de determinados indivíduos nele infiltrados à última hora. Posso estar enganado, mas creio bem que não é característica dos moçambicanos promover actos de perseguição e matança a concidadãos seus, pura e simplesmente por motivos de ordem político-partidária. Já o provamos durante estes cerca de 17 anos decorridos desde a assinatura do sempre memorável Acordo Geral de Paz, a 4-10-1992, em Roma – Itália.

Com o entendimento firmado no ditoso dia 4 de Outubro de 1992, nós os moçambicanos aprendemos, uma vez para sempre, a usar a arma mais sofisticada para a resolução dos nossos conflitos internos, tal é o diálogo comunicativo, o respeito e consideração do nosso semelhante sem discriminação de qualquer espécie, a tolerância recíproca e a solidariedade. Ademais, é facto de consenso nacional que a Frelimo faz parte de nós mesmos e da nossa história e não haverá jamais força capaz de apagar a história de todo um Povo digno e soberano que somos!

É tanto assim que as críticas que de vez em quando temos vindo a fazer nesta página do grande matutino «Notícias», não devem ser consideradas como sinal de ódio, mas sim um singelo acto de ajuda e encorajamento não só ao partido que nos governa, como também às demais forças políticas que aspiram conquistar as rédeas da governação. Queremos ser governados com justiça e em legalidade.

E finalmente, sendo verdade que os pobres são capazes de “renunciar todo o espírito de vingança e de possuir gananciosamente”, então eu sugiro, em contrapartida dessa virtude, que os nossos compatriotas ora bafejados com riquezas individuais vivam na maior tranquilidade, isto é, sem medo e sobretudo sem ofender os “pobres”, uma vez que neste mundo só teme quem deve, enquanto os ditos pobres vivem bem conscientes das razões e circunstâncias exógenas da sua pobreza!

Tenho dito.

P.S.- Parece-me que foi atitude manifestamente indecorosa e anti-ética que o Venerando Juiz Presidente do Conselho Constitucional se tenha pronunciado, unipessoal e publicamente, pela rejeição liminar da reclamação dirigida àquela instituição pelo cidadão Jacob Neves Salomão Sibindy. Valha-nos Deus!...

Guebuza e Dhlakama negam dialogar com a juventude

Pela segunda vez consecutiva

- o candidato da Frelimo nem sequer respondeu a solicitação do parlamento juvenil, enquanto o líder da Renamo, pelo menos, alegou questões de agenda.
- “que a distância entre os programas eleitorais e a efectivação das promessas seja terminantemente eliminada” – apela o manifesto eleitoral lançado ontem por aquela organização juvenil.

Mais uma vez, os candidatos à Presidente da República nas eleições de 28 de Outubro próximo, nomeadamente Armando Guebuza, candidato da Frelimo e Afonso Dhlakama, da Renamo, resolveram gazetar, na manhã de ontem, ao encontro que deviam ter tido com a juventude. Os dois candidatos tiveram a mesma atitude, no encontro que, organizado pelo Parlamento Juvenil, teve lugar há sensivelmente 30 dias na capital. Com objectivo de perceber as ideias dos manifestos eleitorais desses partidos, particularmente no que diz respeito à juventude (60 por cento da população moçambicana), a primeira reunião teve apenas a participação do Presidente do Movimento Democrático de Moçambique, Daviz Simango e do Partido Independente de Moçambique, Ya Qub Sibindy.

Dhlakama justifica e Guebuza em silêncio

No entanto, Afonso Dhlakama, ao que soubemos de fonte do Parlamento Juvenil, justificou a sua ausência ao encontro alegadamente por questões de aperto de agenda, tendo em conta a sua visita ao centro do país. Neste momento, o líder da perdiz visita Zambézia, província mais populosa do país e segundo maior círculo eleitoral.
Aliás, no primeiro encontro, Afonso Dhlakama mandou um representante, no caso concreto, o porta voz do partido, Fernando Mazanga. Por seu turno, o Presidente da República e candidato da Frelimo, não se dignou sequer a mandar representante nem, pelo menos, a responder à carta enviada, segundo queixou-se o Parlamento Juvenil.
“Nós queremos discutir com os partidos os seus manifestos, para que a distância que prevalece entre os programas eleitorais e a efectivação das promessas seja terminantemente eliminada, bem como, fazer com que os jovens, como a maioria, possam participar activamente na tomada de decisões no país” – apontou a vice- presidente do Parlamento Juvenil, Janett Rombe.
Já o Presidente do Parlamento Juvenil, Salomão Muchanga, garantiu que, apesar deste comportamento, a sua organização não vai desistir. Assim, prometeu, mais convites serão feitos a estes candidatos.
O Parlamento Juvenil lançou ontem, o seu manifesto eleitoral, ou seja, aquilo que gostaria que constasse nos manifestos dos candidatos. Esta organização juvenil exige, igualmente, que os manifestos eleitorais dos candidatos sejam amplamente divulgados e que as questões da juventude sejam claramente acauteladas e assumidas na sua forma e substância.(H. Lucasse)

MEDIAFAX – 28.08.2009

Nota: Texto retirado na íntegra no Moçambique para todos, onde se podem ler alguns comentários.

Epicentro da campanha do MDM será em Cabo Delgado

O Movimento Democrático de Moçambique escolheu o distri­to de Chiúre, em Cabo Delga­do, como o lugar do lançamen­to da sua campanha eleitoral, que arranca a 13 de Setembro do ano em curso.
A informação foi ontem avançada pelo porta-voz da­quela formação política, José Manuel de Sousa, em Confe­rência de imprensa havida na tarde de ontem, na sua sede nacional em Maputo. No en­tanto, de sousa excusou-se a revelar a razão da escolha daquela província, tendo dito que o MDM trata todas as pro­víncias da mesma maneira, mas devia haver um sítio por onde o partido começasse a campanha.

Campanha sem vandalismo

De Sousa disse que será a partir da data da campanha eleitoral que o seu partido vai exibir o seu programa de go­vernação e abrir espaço para o debate dos ideas. Por outro lado, o MDM disse esperar que a campanha ocorra num ambiente de calma e tranqui­lidade, tendo ironicamente se referido aos desmandos de Gaza, alegadamente perpetra­dos pela Frelimo. “desordem entre partidos políticos só en­ferma a democracia que todos procuramos construir.

Fonte: O País online

sábado, agosto 29, 2009

Orgulhamo-nos dos nossos feitos

– Daviz Simango, num balanço preliminar sobre inserção do MDM no panorama político nacional

DAVIZ Simango, presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) disse ao “ Notícias” sentir-se feliz e orgulhoso pelo facto de em tão pouco tempo ter conseguido a inserção da sua formação política em todo o país, e, sobretudo, por ter reunido requisitos exigidos por lei para concorrer nas eleições de Outubro, deixando para trás, segundo afirmou, formações políticas com historial de participação neste tipo de eventos, particularmente na corrida para a Presidência da República. Maputo, Sábado, 29 de Agosto de 2009:: Notícias
O líder do MDM, a par dos concorrentes da Frelimo e da Renamo para a Chefia do Estado, nomeadamente Armando Guebuza e Afonso Dhlakama, integra o grupo dos três dos nove candidatos confirmados pelo Conselho Constitucional para disputarem a eleição presidencial. De fora ficaram figuras como Raul Domingos, do PDD, Yá-Qub Sibindy, do PIMO, Kalid Sidat, do ALIMO, só para citar alguns exemplos.

De acordo com Daviz Simango, este pode ser considerado um forte indicador da vontade dos moçambicanos de verem o MDM, à frente dos destinos do país, através da sua representação nas Assembleias Provinciais, Assembleia da República e na chefia do Estado.

“Contrariamente ao que se pensava com relação a Gaza, nós notamos que, à semelhança do que está a acontecer noutras províncias, a nossa representação está a concorrer em pé de igualdade e tem estado a organizar-se muito bem”, assegurou o líder do MDM.

Em relação aos recentes pronunciamentos do presidente da Renamo na Beira, segundo as quais, Daviz Simango iria sofrer uma estrondosa e vergonhosa derrota nas eleições de Outubro, a nossa fonte foi peremptória ao afirmar que deixava esse veredicto nas mãos dos eleitores. “Os moçambicanos terão a oportunidade de fazer a sua escolha no dia 28 de Outubro. Nessa altura todos nós saberemos que percentagem de votos caberá a cada um,” disse.

Num outro desenvolvimento, o líder do MDM falou daquilo que é o manifesto eleitoral da sua formação política, tendo referido que tudo foi traçado tendo em conta as possibilidades de todos os moçambicanos terem acesso à riqueza, ao emprego e a outras questões que tornam melhor a vida das pessoas.

“Estamos preocupados com a classe média, precisamos de ter uma classe média forte, precisamos que haja pequenas empresas a funcionarem; precisamos também que os moçambicanos tenham oportunidade de acesso à Educação, Saúde. Precisamos de resolver os vários problemas da nossa juventude, dos combatentes da luta de libertação nacional, dos combatentes pela democracia, e outros combatentes anónimos que nesta sociedade moçambicana precisam do apoio do Estado,” afirmou o presidente do MDN.

Sobre as informações postas a circular, segundo as quais houve tentativa de inviabilização da sua deslocação à Gaza por parte dos seus adversários políticos, Daviz Simango lamentou tal situação, afirmando tratar-se de um acto condenável, e de total intolerância política.

“Como podem ver, nós estamos a dar esta entrevista ao nosso lado, está um ruído insuportável, protagonizado por simpatizantes da Frelimo, infelizmente sentimos que há dirigentes partidários que não conseguem estar na política. Nós entendemos que não há necessidade de andar atrás da sede de um outro partido, mas isso é um bom sinal, porque isso mostra que o MDM, é um partido forte, é uma ameaça e, eventualmente, terão a resposta se Gaza é ou não é bastião da Frelimo,” disse Simango.

Fonte: Jornal Notícias (28.08.09)

Relatório Vida Mocambique vs Gringo

Caros,

Em anexo, amostra de resultados do projecto VIDA MOCAMBIQUE, no Centro De Reabilitação Psicossocial das Mahotas- Maputo
Para todos os que de forma directa ou indirecta tem contribuido paraesses resultados, o nosso MUITO OBRIGADO.

Regards/Cumprimentos
Abdul Karim

Michael Jackson morreu vítima de homicídio, afirma Polícia

A polícia de Los Angeles confirmou, nesta sexta-feira, que Michael Jackson morreu vítima de homicídio.
Não foram divulgados maiores detalhes sobre a notícia, dada por um coronel de Los Angeles. Segundo o oficial, o astro morreu vítima de uma intoxicação aguda, por uso do anestésico propofol, combinado com medicamentos para dormir. Ainda de acordo com a polícia, até agora, só se pode afirmar que o "rei do pop" morreu como resultado da ação de outra pessoa. Não foi revelado se essa pessoa seria o médico Conrad Murray, principal suspeito nas investigações sobre o caso. Esta semana, o laudo médico sobre a autópsia do cantor indicou que altas doses do anestésico propofol causaram a parada cardíada, que resultou no falecimento de Michael Jackson, em 25 de julho.
A polícia de Los Angeles também revelou ter encontrado maconha na casa de Michael Jackson, logo após a morte do astro. Os peritos, no entanto, afirmam que não foram detectados vestígios da droga no corpo dele, após a autópsia.

Fonte: eBand

Jovem passou 18 anos presa e teve dois filhos com sequestrador

A jovem Jaycee Lee Dugard, que foi sequestrada em 1991, quando tinha 11 anos, passou a maior parte dos últimos 18 anos presa nos fundos de um quintal e teve dois filhos com seu sequestrador.
Aos 29 anos, ela reapareceu nesta quarta-feira quando se dirigiu a uma delegacia na região de São Francisco, nos Estados Unidos, revelando ser Jaycee.
Ao prender Phillip e Nancy Garrido, suspeitos do sequestro, os policiais descobriram que as duas filhas menores do casal eram, na verdade, filhas de Jaycee e Garrido.
"Uma busca na casa dos Garrido revelou um quintal escondido" onde Jaycee era mantida em cativeiro em condições desumanas, do mesmo modo que suas duas filhas.
Jaycee foi sequestrada no dia 10 de junho de 1991 por dois estranhos que a colocaram dentro de um automóvel em South Lake Tahoe, a 205 quilômetros a nordeste de San Francisco.

Fonte: eBand

Guebuza movimenta embaixadores

Em despachos presidenciais separados o presidente moçambicano, Armando Guebuza, exonerou, em despachos presidenciais separados, 10 embaixadores e nomeou outros onze para diferentes países do mundo.
Assim, Guebuza exonerou Álvaro da Silva da pasta de embaixador extraordinário e plenipotenciário junto da Espanha, Armando Panguene (EUA) e Artur Jamo, que assumia estas funções no Egipto, Tunísia, Argélia, Líbia e Marrocos.
Guebuza exonerou ainda Belmiro Malate, da pasta de Alto Comissário de Moçambique no Botswana, Carlos do Rosário, na Índia e Sri Lanka, Marcos Namashulua, no Quénia, e Tiago Castigo, na Suazilândia.
Outros diplomatas que cessaram as funções são Daniel António, Embaixador moçambicano no Japão, Filipe Chidumo, nas Nações Unidas e Alto Comissário junto à Jamaica e Trindade e Tobaco, bem como Geraldo Chirindza, que assumia este cargo na Indonésia, Malásia e Burnei.
Por outro lado, O chefe de Estado moçambicano nomeou Amélia Sumbana, Belmiro Malate, Carlos do Rosário, Daniel António e Jacob Nyambir para o cargo de embaixadores de Moçambique nos Estados Unidos da América, Japão, Indonésia, Nações Unidas e Argélia, respectivamente.
Guebuza nomeou também Fernanda Lichale, embaixadora na Espanha, José Matsinha (Egipto), Jose Morais (Índia), Junqueiro Manhique (Suazilândia) Manuel Gonçalves (Quénia) e Tiago Castigo (Botswana).

Fonte: O País online

sexta-feira, agosto 28, 2009

Sobre as incongruências políticas do General Chipande

Por: Zacarias Abdula, em Lisbboa

Reacção ao Artigo de Viriato Dias

Caro Viriato,

Obrigado pelo seu contributo em relação a biografia histórico-político de Moçambique. Caberá aos moçambicanos (se encontrarem coragem e razão suficientes) de entender qual a consciência de votar, e acabar com a abstenção.
Só o voto poderá dar a continuidade de continuarmos a ouvir, por muito tempo, apologias a "conquistadores" vulgo "libertadores da pátria", que não entendem que fizeram parte dum contexto político, em que saíram privilegiados, e querem toda "RIQUEZA" para quem combateu. É altura dos moçambicanos, cortarem o cordão umbilical do passado – em que só predominam Antigos Combatentes, com alguém jovem, estrategicamente responsável, que se desligue das amarras do passado, glorioso e alegre – independência – triste e enfadonho – pós independência, devido a má gestão e péssima ideologia político-económico, que conduziu a parcial destruição da economia, e que está a custar muito sacrifício ao mesmo "povo" de sempre para reconstruí-la.
Caso estivesse o nosso Mestre Dr David Aloni, diria com laivos filosóficos..."não basta dizer, é preciso que se faça…e já passaram cinco anos de governação Guebuziana, e bolsas de fome continuam no País. Moçambique já tem um jovem, responsável, é preciso que acreditem nele".
Faz um ano, e com muita saudade, numa semana conturbada na Cidade da Beira, em que o Mestre Dr David Aloni, disse, e passo a citar: "América já descobriu no Obama, filho de alguém, como eu, saiu de África para ganhar conhecimentos, e esse filho está desafiar o Mundo, querendo ser o premier da maior Potência Mundial. Julgo que pode ser eleito, pela sua frescura e jovialidade. Eu vejo que aqui na Beira, já (também) temos, o filho de alguém (referia-se "alguém" ao Rev. Urias Simango, último Vice-Presidente eleito em Congresso da Frelimo), jovem com muita potencialidade (Engº Daviz Simango), mas que está rodeado, como no Zambeze – de crocodilos – invejosos!!! Parece-me que os africanos não pertencem a este Mundo, mas, alguém já deu o pontapé de saída – o Morgan Tsvangirai do Zimbabwe".
Disse, a terminar, o Mestre Dr David Aloni. Acertou no vaticínio, e Obama passados 3 meses, venceu na América, e o "Guinness americano foi quebrado".
Infelizmente o Mestre Dr David Aloni não assistiu ao vivo na TV, a coroação desse "filho de alguém que saiu de África para ganhar conhecimentos" porque faleceu de morte súbita, faz 51 semanas – final de Agosto de 2008.
Será que o povo moçambicano, não quebrará também o seu "Guinness", "votando no seu jovem Obama do Chiveve", e mostrando que o mundo está recheado de exemplos iguais, que nem é só América!!!
Como dizia e muito bem o Mestre Dr David Aloni... "o segredo está no voto, e na boa vontade dum povo, acreditar num jovem promissor – sem inveja"!!!
Espero que o Meste Dr Aloni, Descanse verdadeiramente em Paz, porque parte das suas palavras já foram profecias!!! Acertará mais alguma vez!!!???_

O AUTARCA – 28.08.2009

MDM recorre à justiça para impugnar desmandos da Frelimo

Protagonizados durante a visita de Daviz Simango a Gaza

Edson Macuácua diz que os indivíduos que vandalizaram o comício do MDM na cidade de Xai-Xai, apesar de estarem vestidos de camisetas do partido Frelimo e ostentarem bandeiras do seu partido, não são membros da Frelimo. Sobre onde teriam obtido aquele material do partido, do qual ele é porta-voz, Macuácua diz que a Frelimo é uma marca, cujos produtos estão à venda em muitas lojas do país. O secretário da Propaganda da Frelimo negara antes, a pés juntos, que os factos reportados eram falsos. Imagens postas a circular à posteriori acabaram por dar azo a estas novas declarações.

Maputo (Canalmoz) - A visita do presidente do MDM à província de Gaza foi marcada por momentos conturbados, caracterizados por actos de vandalismo praticados por alegados membros da Frelimo. Pelo menos o que se viu foi que indivíduos ostentando material de campanha do partido no poder, se faziam aos locais onde o MDM realizava os seus comícios, deliberadamente para obstruir os trabalhos deste partido e do seu candidato. Isto ninguém pode recusar; todos os que estiveram presentes nos locais viram, e as estações televisivas o mostraram nos seus serviços noticiosos, inclusive a TVM, a televisão pública.
É por esta razão que o porta-voz do partido liderado pelo engenheiro Daviz Simango, diz que vai recorrer à justiça para exigir tratamento adequado aos autores dos desmandos protagonizados por indivíduos que, até provas em contrário, são de facto membros da Frelimo como tornam irrefutáveis os factos que as imagens não deixam negar.
Falando à nossa reportagem, o porta-voz do MDM disse que durante essa série de desmandos, a delegada do partido na província de Gaza, que é igualmente membro da Comissão Política do MDM, Açucena da Conceição, foi molestada pelos supostos membros da Frelimo, que teriam tentado precipitar a sua viatura num riacho, algures entre a cidade e a Paria de Xai-Xai.
“A Dra. Açucena salvou-se graças à pronta intervenção de agentes da Polícia, que interpelaram o grupo dos membros da Frelimo que perseguiam a nossa delegada aqui em Gaza”, disse José Manuel de Sousa.
E porque as pessoas que chegaram a este extremo de tentar precipitar a viatura da delegada do MDM num rio, foram identificadas, o porta-voz deste partido diz que será apresentada uma queixa crime contra eles e que a mesma será feita através da Liga Moçambicana dos Direitos Humanos.

Não vamos retrair-nos

Questionado se a forte perseguição ao MDM, que tem marcado as suas actuações em diferentes pontos do país, irá fazer com que o partido se retraia na sua actuação politica, José de Sousa respondeu negativamente. “Não vamos desistir de desenvolver a nossa actividade política. Estamos a cumprir com o nosso dever. Dificuldades surgem daqueles a quem a nossa presença constitui um incómodo. Não seremos nós a ceder. Terão eles que admitir que o MDM é um partido que merece espaço para actuar”, disse.

Gaza não é ilha autárquica

Questionado se depois de todas as conturbações que viveu na província de Gaza, o MDM teria coragem de voltar àquela província para fazer campanha eleitoral, cujo início está marcado para o próximo dia 13 de Setembro, José de Sousa disse: “não estamos assustados. Sabemos que os que temem a nossa presença irão sempre procurar confrontar-nos por vias ilícitas, mas nós não recuamos. Voltaremos à província de Gaza para fazer campanha, pois esta não é uma ilha autárquica de Moçambique, é uma província deste país”.

É estratégia de auto-vitimização

Convidado a explicar se é esta a estratégia do partido Frelimo, perseguir outras forças políticas nos seus comícios e criar distúrbios, como se viu na província de Gaza, durante a visita do presidente do MDM, Daviz Simango, o porta-voz e Secretário da Propaganda do partido, Edson Macuácua começou por dizer que aqueles indivíduos que vestiam camisetas da Frelimo e ostentavam bandeiras e dísticos da Frelimo, não são membros da Frelimo.
“A Frelimo distancia-se das acusações do MDM. A Frelimo é um partido que pugna pelo civismo e urbanidade. Pautamo-nos por uma postura de convivência democrática harmoniosa. A nossa abordagem das eleições é de que elas são um momento de festa e de reforço da cultura democrática, pelo que gostaria de deixar claro que não se pode imputar à Frelimo a responsabilidade por actos não praticados pela Frelimo”, disse Macuácua, ao Canamoz.

Usaram camisetas da Frelimo, mas não são da Frelimo

O secretário para a Mobilização e Propaganda do partido Frelimo, ao nível do Comité Central, disse depois o seguinte: “Não confirmo que tais indivíduos que usaram camisetas da Frelimo sejam membros da Frelimo, mas devo sublinhar que a marca Frelimo é uma marca que está na moda e no mercado, e pode ser adquirida por qualquer cidadão, pelo que a FRELIMO não pode ser responsabilizada pelos actos praticados por todos indivíduos que usam camisetas da Frelimo, pois nem todos são necessariamente membros da Frelimo”.

Depois de se defender, Macuácua contra-ataca

“O MDM está a enfrentar indisfarçáveis dificuldades de aceitação nas provinciais, pois só ganha alguma receptividade no seio de alguns dissidentes e descontentes da Renamo, daí que estão desesperados por depararem com a realidade objectiva que revela que há uma distância abismal entre a força aparente e a força real que presumiam que tinham e que encontram no terreno. Daí que eles próprios recorrem maquiavelicamente à táctica de fuga em frente, criando sempre a percepção de que são vítimas de tudo, de todos e de nada, para antecipadamente se justificarem do previsível desaire eleitoral, e adoptam a estratégia renamista de se auto-vitimizar e acusar e culpabilizar sempre a Frelimo pelos seus insucessos e fracassos numa clara tentativa de confundir a opinião pública”.

(Borges Nhamirre) 2009-08-28 06:47:00

Fonte: CanalMoz

quinta-feira, agosto 27, 2009

Sobre as riquezas e seus questionamentos (1)

Por João Bapstista André Castande

“(...) A pobreza denuncia a presença de injustiça e a existência de uma riqueza desonesta. Semelhante pobreza que significa empobrecimento é resultado da desmesurada ganância dos ricos. Ela não é nenhum bem, porque se deriva de um mal.

Que alguém, numa situação de pobre, pode ainda conservar sua dignidade humana e renunciar a todo espírito de vingança e de possuir gananciosamente, é fruto não da pobreza, mas da inesgotável grandeza humana que se torna capaz de superar tudo e ser maior do que cada situação.Não é por causa da pobreza que ele conserva sua humanidade mas apesar dela. Não é por causa desta dignidade humana vivida e conservada apesar do mal da pobreza que vamos ideologicamente justificar a pobreza. Antes pelo contrário: por causa da dignidade inviolável de cada pessoa devemos combater a pobreza, não para contrapô-la à riqueza e propor a riqueza como ideal, mas para buscar relações mais justas entre os homens que impeçam a emergência de ricos e pobres” – Leonardo Boff, Teologia do Cativeiro e da Libertação, pp. 226
1. Amiúde, Marcelino dos Santos e Jorge Rebelo, dois embondeiros do Partido Frelimo, lançam apelos à sociedade nacional no sentido de que esta saiba questionar a origem das riquezas que uma parte de nós, moçambicanos, tem vindo a ostentar a partir do momento em que o país abraçou o sistema capitalista. Mas antes de mais nada, talvez seja pertinente recordar que a opinião pública nacional considera que Marcelino dos Santos, Jorge Rebelo e outras personalidades cujos nomes não caberiam neste texto constituem resíduos de exemplos vivos de irrefutável honestidade e coerência política e, por conseguinte, pontos de referência obrigatória.
2. Só que para a infelicidade de muitos de nós, constata-se que no âmbito da disciplina partidária governante os pontos de vista dos seus altos dirigentes não são bem convergentes em certos assuntos candentes da vida nacional, ao contrário do que outrora habituaram-nos. Entretanto, ressalvo desde já que, em condições normais, o «pingue-pongue» de opiniões divergentes que agora nos é dado a assistir na praça pública não constituiria surpresa alguma, se tal resultasse do simples exercício daquilo que se chama de direito à opinião contrária.
3. No entanto, entendo que a ampla liberdade de expressar críticas e opiniões que é reconhecida aos membros do partido no Governo, só pode ser exercida em relação a assuntos sobre os quais não haja sido tomada decisão definitiva. Este meu entendimento resulta da leitura que faço do artigo 19 dos Estatutos aprovados pelo 9º Congresso, que exige o respeito dos seus membros pelas decisões tomadas democraticamente, estimula o diálogo, reconhece o direito de consulta e de concertação de opiniões para exposição de ideias, porém proíbe a estruturação de tendências no seio dos órgãos do partido.
4. Vem este arrazoado todo a propósito dos pronunciamentos públicos recentemente proferidos pelo respeitado General do Exército na reserva, Alberto Joaquim Chipande, relativamente às alegadas críticas que alguns concidadãos têm feito a certos altos dirigentes do partido Frelimo, em virtude de estes exibirem sinais de riquezas individuais, pronunciamento este que por sua vez foi objecto de duras críticas em alguns órgãos de informação nacionais, com ou sem motivo justificativo.
5. No ponto mais extremo das críticas havidas contra o pronunciamento do General, situou-se o concidadão Filipe Gagnaux, numa atitude quiçá justificada pela forma directa, severa e deveras inadvertida como aquele (General) relacionou o processo de acumulação de riquezas com a epopeia de libertação da mãe-Pátria do jugo colonial. Errar é humano.
6. Na minha opinião, este tipo de assunto e outros candentes da vida nacional, devido à indubitável delicadeza de que se revestem, devem ser analisados de forma desapaixonada, o que desde já proponho-me a fazer nos seguintes termos:
a) Joaquim Alberto Chissano, exactamente na derradeira do seu último mandato como Presidente da República de Moçambique, e respondendo a certas apreciações pouco abonatórias de alguns doadores estrangeiros, dizia o seguinte, cito-o de memória: “não gosto que quando alguém oferece-me um casaco, passe a vida a recordar-me que foi ele que m’ofereceu... ”;

b) Julgo que o referido apelo do nosso diplomata-mor deveria ser ouvido e escrupulosamente tido sempre em mente por todos os nossos concidadãos que se acham incluídos nos grupos de compatriotas referidos nos artigos 14 e 15 da Constituição da República de Moçambique, designadamente: 1) aqueles que de diversas formas resistiram à dominação estrangeira da nossa Pátria; 2) os que se organizaram e com armas nas mãos enfrentaram e contribuíram para o derrube do colonial-facismo português; e 3) os combatentes pela democracia, visto que o Povo moçambicano não esquecerá jamais os seus feitos heróicos, eu creio;

c) Ora, passar a vida inteira a vangloriar-se desses feitos, pode ser uma forma de se expor ao ridículo, esvaziando-se desta feita os valores patrióticos que representam os sacrifícios consentidos e os feitos epopeicos logrados e que a todos orgulham-nos!

Fonte: Jornal Notícias

Anibalzinho desacredita serviços do Estado moçambicano

A Polícia acabou por confirmar quase toda a informação que vinha sendo avançada pela imprensa, dando conta da recaptura de Anibalzinho. Justifica que mentiu para “garantir a segurança durante a transferência do criminoso da Pretória para Maputo”. Mas a leitura que o público está agora a fazer da atitude das autoridades é bem diferente. A vox-popoli entende que as autoridades agiram como agiram, mentindo, porque queriam eliminar Anibal dos Santos Júnior, no caminho entre Pretoria e Maputo.

Maputo (Canalmoz) – Se as três “fugas” que empreendeu dos calabouços (uma das quais a partir da dita cadeia de “máxima segurança” do País, conhecida por B.O, na Machava) já puseram em dúvida à seriedade do Estado moçambicano por todas as circunstâncias em que se deram levarem antes a concluir que foi tirado, como aliás ele próprio tem dito, desta vez, Anibalzinho provou, em definitivo, que o crime organizado se sobrepõe ao poder executivo do Estado e está intimamente relacionado com um Estado infectado.
O mediático criminoso, condenado a mais de 29 anos de prisão pelo assassínio do jornalista Carlos Cardoso, pôs em causa, mais uma vez, a seriedade dos serviços do Estado, falsificando a mais recente carta de condução, electronicamente produzida, e criada com tão fortes dispositivos de segurança. Esta “carta electrónica”, tipo cartão de crédito, quando se iniciou o seu uso corrente, foi apresentada como praticamente impossível de ser sujeita a contrafacção. Mas Anibal dos Santos Júnior tinha em seu poder uma com outro nome. E tinha também consigo um passaporte moçambicano, verdadeiro, mas com nome falso, o mesmo da carta.
Na conferência de imprensa em que ontem se falou da recaptura de Anibalzinho, a Polícia exibiu aos jornalistas, um passaporte moçambicano com o número T 024559, e uma carta de condução, também nacional, com o número 6542651/2/1, ambos com fotografias de Aníbal dos Santos Júnior (Anibalzinho), mas ostentando o nome: Maurício Alexandre Mhula. Os dois documentos, conforme o Canalmoz pôde testemunhar, foram emitidos em datas anteriores ao da fuga de Anibalzinho de Maputo, o que reforça a convicção que sempre prevaleceu, isto é, que Anibalzinho foi sempre tirado dos cárceres e nunca fugiu propriamente.
Sobre o passaporte, o inspector policial, e porta-voz do Comando Geral da PRM, Pedro Cossa, conseguiu argumentar com alguma consistência que a foto do criminoso foi sobreposta ao documento que vem registado em nome de Maurício Mhula. Mas em relação à carta de condução electrónica, não há nada que prove que a mesma não foi produzida pelo Instituto Nacional de Viação, com o conhecimento de que a mesma se destinava a Anibalzinho.
Fora a hipótese de que a carta de condução encontrada com Anibalzinho ter sido passada pelo INAV, como agora se procura alegar, é mais grave ainda, saber-se que o que era dado como livre de contrafacção, afinal, é falsificável. Se existe alguém que consegue falsificar este tipo de documento, imitando perfeitamente as marcas de segurança que contém – os símbolos do Estado e até a assinatura do próprio director da instituição que emite cartas de condução nacionais, o INAV – o assunto torna-se bem mais preocupante do que em si já é.
Na breve avaliação conjunta entre os mais de 30 jornalistas presentes na sala em que decorreu a conferência de imprensa, estando também presentes alguns elementos da polícia, não se notou nenhuma marca de falsidade da carta de condução de Anibalzinho, a não ser a disparidade entre o nome e a fotografia.
Alegar-se agora que os funcionários do INAV passaram a carta de condução de Anibalzinho, e o respectivo director a assinou, sem, no entanto, conseguirem identificar a fotografia de Anibalzinho, é inaceitável e ridículo.
Ao mais alto nivelo INAV é dirigido por “antigos combatentes” e veteranos da Polícia.
Até provas contrárias, resta assumir que o crime organizado está fortemente penetrado nos serviços do Estado, desacreditando-o perante os cidadãos moçambicanos e perante o mundo.

Polícia confirma informação que Imprensa avançara

Pedro Cossa confirmou, em grande parte, as notícias que já vinham sendo avançadas pela imprensa, incluindo as nossas publicações, Canalmoz (diário) e Canal de Moçambique (semanário), referentes à recaptura de Anibal dos Santos Júnior.
Disse que Anibalzinho foi recapturado por volta de 19 horas do dia 21 de Agosto, em Joanesburgo, na África do Sul. Disse ainda que enquanto aguardava pela transferência para Maputo, o cadastrado estava encarcerado em Pretória, sem no entanto se referir ao nome do estabelecimento prisional onde se encontrava.
Foi exactamente o que o Canalmoz escreveu na sua edição do dia 24 de Agosto, bem como escreveu o Canal de Moçambique, na edição desta quinta-feira 27 de Agosto, mas que saiu à rua no dia 26, portanto, antes da confirmação da polícia.

Polícia mentiu para garantir segurança

Sobre os motivos que levaram a Polícia a recorrer a mentiras, confundindo a opinião pública e tentando remeter a Imprensa ao descrédito, quando esta avançou com as notícias da recaptura de Anibalzinho que até o próprio comandante-geral Jorge Khaláu se recusou a confirmar ou desmentir, o porta-voz do Comando Geral da PRM disse que a Polícia queria garantir a segurança do criminoso, até retornar às celas do comando da Polícia, donde se evadira no dia 7 de Dezembro do ano passado, ou saíra, como o próprio Anibalzinho afirmou: “fugir e sair não é a mesma coisa.”

Duvidem da Polícia se quiserem

Ao porta-voz do Comando Geral da PRM questionámos se a forma como a Polícia e os diferentes membros do Governo geriram este assunto, optando pela mentira, não iria fazer os cidadãos duvidar de pronunciamentos futuros das autoridades, em eventuais casos análogos ou outros, sem evasivas, Pedro Cossa respondeu: “duvidem das declarações da Polícia, se quiserem, mas não podíamos pôr em causa a segurança. Não sei em que Estado do mundo a Polícia teria confirmado que sim, de facto Anibalzinho foi recapturado!”, disse.

Não vai fugir

Pedro Cossa diz não saber ainda, qual será o encaminhamento final de Anibalzinho, se irá permanecer nas celas do comando da PRM na cidade de Maputo, ou se será transferido para uma outra penitenciária. No entanto, garantiu que enquanto se estuda aonde será encarcerado agora este cadastrado, “das celas do comando da PRM não se irá escapulir”. Porém, não disse que medidas extraordinárias de segurança estarão instaladas no local, para dar tanta garantia. As mesmas garantias foram dadas antes e Anilbalzinho já se saiu três vezes sem ordem oficial de soltura. O porta-voz alega tratar-se de questões de segurança, pelo que se esquivou a revelá-las.

“Não se entregou”

Sobre a hipótese avançada por alguma imprensa, de que Anibalzinho se teria entregue nas mãos da Polícia, Pedro Cossa refutou redondamente, sustentando que a recaptura do assassino de Carlos Cardoso “foi o culminar de um trabalho da INTERPOL, que há cerca de um mês, teve os primeiros sinais da localização de Anibalzinho, na cidade de Joanesburgo, o que levou a uma maior aproximação do fugitivo, por parte das polícias da África do Sul e de Moçambique”.
Anibalzinho evadira-se das celas do comando da PRM na cidade de Maputo, a 7 de Dezembro de 2008, acompanhado por dois comparsas seus, nomeadamente Luís de Jesus Samuel Tomás (Todinho), que veio a ser abatido pela Polícia a 9 de Janeiro do presente ano, algures no município da Matola, e Samuel Januário Nhare (Samito), que foi recapturado pela Polícia a 23 do mesmo mês, em Caia, na província de Sofala.

(Borges Nhamirre) 2009-08-27

Fonte: CanalMoz

quarta-feira, agosto 26, 2009

PARA EVITAR MANIPULAÇÕES E MEDO

Frangoulis defende investigação a Anibalzinho no exterior

O antigo director da Polícia de Investigação Criminal e Deputado da Frelimo do ora terminado mandato, António Jorge Frangoulis defende uma investigação minuciosa e criteriosa a Aníbal dos Santos Júnior, vulgo Anibalzinho, no exterior.
Falando numa entrevista na Televisão Privada STV, Frangoulis afirmou ser necessário a constituição de uma equipa séria de investigadores e com uma parceria, talvez, com os sul-africanos, tomando em consideração que ele foi capturado na terra de rand, para o interrogar sobre vários assuntos a ele anexados de vários crimes a que está acusado e penalizado, sobretudo, relacionado com as várias fugas ou facilitação a que tem sido alvo nas cadeias moçambicanas.
O antigo Director da PIC disse que, Anibalzinho para além do telefonema que há dias fez ao canal da STV para confirmar a sua prisão pelas autoridades policiais sul-africanas, também o fez a si, e isto para garantir para que, no seu retorno ao País “não desapareça no troço RAS-Maputo”.
Disse que ele faz esses telefonemas por “receio à sua vida”.
Frangoulis disse acreditar que acaptura de Anibalzinho tem a ver com as guerras intestinais no seio da Frelimo e sobretudo das desinteligências entre os gangs que sempre estiveram no meio do acto criminoso que levou Anibalzinho a barra do tribunal e ser condenado a 29 anos de prisão maior.
E condenou aquilo que considerou de arrogância dos agentes da Polícia em confirmar a captura do Mecânico do Ato Maé pelas autoridades policiais sul-africanas, porquanto, já na net essa informação circula e não só.
Diz ser um posicionamento infeliz da PRM em não confirmar o facto, porque, “o povo quer saber a verdade sobre as informações que circulam à volta da sua captura. A arrogância da polícia só dá azo a especulações”, disse Frangoulis. (P. Machava)

DIÁRIO DE NOTÍCIAS – 26.08.2009

Fonte: Retirado na íntegra do Mocambique para todos


terça-feira, agosto 25, 2009

ELEIÇÕES 2009 - MOÇAMBIQUE: A Campanha já mexe…

Canal de Opinião

Por Noé Nhantumbo

Beira (Canalmoz) - As proclamações não se fazem esperar e são de todo o tipo. Parece que os lagartos que estavam hibernando de repente foram sujeitos a uma operação de “acordar”. Mesmo os fósseis têm mensagens a transmitir. Fica a imagem de uma geração que não acredita nos seus continuadores, não deseja e jamais colocará o seu futuro em mãos alheias. E os supostos “delfins” sempre que há que apresentar serviço cometem erros inadmissíveis que lesam a imagem de seus partidos e chefes.
Temos de um lado um conjunto de individualidades pertencentes ao partido que tem estado no poder a aproveitar a ressaca da sua reunião do Comité Central, na Matola, para virem a público afirmar que serão os vencedores, claros, retumbantes e de tudo o que estiver em disputa a 28 de Outubro próximo. Até aí nada de errrado ou a questionar. Cada um tem o direito de dizer o que lhe apeteça ou lhe dê na gana apregoar. Também para gente que tem assitido ao que tem acontecido nos últimos anos no país não constitui surpresa que haja gente dizendo que vai ganhar tudo. Afinal são os mesmos que não ganhando coisa alguma fabricavam situações que lhes garantissem posições cimeiras.
Quem não se recorda de reuniões em que o único que era permitido dizer algo era o que fosse favorável aos orientadores de tal encontro?
Os PCA’s de empresas públicas e certas “privadas” devem ter sido especialmente convidados para essa reunião da Frelimo para receberem as últimas orientações sobre como proceder quanto a cedência de meios para o partido. Talvez tenha sido ensaiada ou decidida uma nova estratégia de uso dos recursos públicos detidos pelas empresas públicos com vista a contrariar a capacidade de fiscalizar que a oposição tem adquirido através dos tempos.
Não me admiraria que agora em vez de ceder carros se comprem os carros para o partido. Não me admira que desta vez se tenha decidido aumentar a contribuição dos próprios PCA’s para a campanha eleitoral e que tenham sido orientados a abrir mais os cordões da bolsa de “suas” empresas sem reclamar, e de forma diligente…
Na Era do partido único era assim que se procedia e nos dias de hoje pouca é a distância na maneira de estar e viver em relação àqueles dias.
O poder económico está cada vez mais concentrado nas mãos de um núcleo reduzido de pessoas e no domínio governamental temos um governo em que seu chefe é realmente todo-poderoso.
Os ministros não passam de “paisagem”. São uns autênticos figurões no palco. Quem aparentemente decide, quem determina e quem aprova qualquer que seja o projecto é o chefe. Até a Primeira-ministra que em tempos queria aparecer foi positivamente ofuscada pela esposa do PR… “Cada macaco no seu galho” e que tenha muito juizinho quem queira brincar com o serviço!…
Do outro lado, a oposição. Depois do descalabro de algumas candidaturas a PR parece que o campo está turvo e as lideranças confundidas sobre o próximo passo a dar. Será difícil termos ou vermos um cerrar fileiras entre os opositores. Será extremamente difícil vermos líderes da oposição aconselhando seus seguidores a votarem nos candidatos da oposição que sobraram depois da vassourada do Conselho Constitucional. Tudo indica que não vão ter o discernimento para se assumirem verdadeiramente como oposição ciente de que, de facto, o País precisa de mudança de liderança como nós precisamos de pão para a boca. Para que os fósseis se retirem e permita-se que o País finalmente dê o salto qualitativo de rejuvenescimento que falta vermos acontecer para que a auto-estima não passe de conversa fiada para fazer boi dormir.
A julgar pelo tom e conteúdo das primeiras manifestações de um dos candidatos pela oposição ao cargo de PR a natureza de algumas campanhas será de ataques pessoais e não aos programas. O populismo das proclamações e a escolha de temas que alegadamente agradam aos cidadãos votantes deixa antever algo que vai aquecer. Até é de considerar que se recorra à violência para impedir que os outros se manifestem.
Não me admira de que lado estará a Polícia da República (PRM) se tivermos em conta a histórias das últimas eleições. Outros partidos até já ensaiaram algumas manifestações de violência e de intolerância contra os demais, em alguns casos até estando eles na oposição. Decerto que não desistirão de suas práticas sempre que vejam ofuscada a sua mensagem.
Se os jovens não agarram isto para que Moçambique passe a ser o que desejam e os honre, muito se poderá deitar a perder a partir de agora. As mentiras e promessas falsas devem ser impedidas de prosseguir na esteira do costume e algo tem de ser feito para que a sociedade civil assuma de facto o poder em Moçambique.
O eleitorado não pode continuar a virar as costas às eleições.
Não ir às urnas significa permitir que certas coisas continuem a acontecer. E se nada se fizer para impedir que a violência regresse, ninguém vai ganhar com o que por aí virá. É fundamental agir para o que o Estado seja rejuvenescido. Ganhar é preciso. Voltar a perder, não! Só se o povo acordar é que poderá passar a ser respeitado.

Fonte: CANALMOZ

Também não vejo problemas em os dirigentes da Frelimo serem ricos

Por Lázaro Mabunda

Passam mais de duas semanas depois de Alberto Chipande, a quem a história de Moçambique atribui a autoria do primeiro tiro no início da luta de libertação nacional, ter dito que “não há mal em os dirigentes da Frelimo serem ricos”. E, duas semanas depois, as declarações de Chipande continuam a dar eco e a alimentar debates, comentários e conversas em qualquer esqui¬na.
Haverá problema em afirmar que os dirigentes da Frelimo têm direito de serem ricos? Absolutamente não. Não vejo problema nisso. Eles, tal como qualquer cidadão, têm direito à riqueza. E onde está o problema?
O que cria toda a celeuma não é o que disse não haver mal que os dirigen¬tes da Frelimo fossem ricos. O problema está nos argumentos que apresenta para sustentar esse direito de que os dirigentes da Frelimo gozam e os crité¬rios usados para a atribuição dessa riqueza. Por exemplo, pergunta Chipande, em forma de argumento, que “e se forem ricos, qual é o mal? Afinal de contas não foram os mesmos que trouxeram a independência que vocês estão a usu¬fruir?”.
Este argumento é que, para mim, não faz nenhum sentido. Ainda mais quando se sabe que muitos dirigentes da Frelimo devem milhões de meticais ao Estado, valores de empréstimos a eles concedidos há cerca de 10 anos, sem que sejam coercivamente cobrados pelos tribunais.
O que é que Chipande nos quer transmitir com esses argumentos? Na ver¬dade, fazendo uma interpretação fiel e desapaixonada desse argumento, chega-se à conclusão de que Chipande quer transmitir-nos a ideia de que o objectivo da Frelimo, na luta contra o colonialismo, era de, mais tarde, os seus dirigentes acumularem a riqueza sem olhar para os meios. Isso contraria a teoria desde há muito defendida pela Frelimo, segundo a qual lutava para libertar os homens e a terra.
Transmite-nos igualmente a ideia de que as dívidas que os dirigentes da Frelimo têm com o estado moçambicano, que não são pagas há cerca de 10 anos – ver Contas Gerais do Estado dos últimos cinco anos – são espécie de in¬demnização por terem lutado contra o colonialismo português, não bastando as chorudas pensões de que beneficiam. Ou seja, os tribunais não têm poder de lhes fazer cobranças coercivamente, porque eles lutaram e libertaram este país. Transmite também a ideia de que “tudo fazem, tudo desfazem”.
Transmite-nos ainda a percepção de que os moçambicanos têm de assistir penosamente aos dirigentes da Frelimo a fazerem o que querem das nossas contribuições, porque eles nos libertaram.
Dá-nos outrossim a ideia de que temos de desencadear uma guerra para que também sejamos detentores de riqueza, tal como o fez Afonso Dhlakama e seus sequazes. Esse argumento legitima a tese de Samora Machel, segun¬do a qual “em algum momento, precisamos de fazer guerra para acabar com uma guerra”.
Tal como escreveu Fernando Gonçalves, na coluna Tribuna do Editor, do jornal Savana da sexta-feira passada, “E se as coisas continuarem como estão, será a geração dos netos do general Chipande que irão pegar em armas e lutar para derrubar o legado da geração dos seus avós. Dessa vez, não a partir da localidade de Chai, mas sim a partir do coração e dos efervescentes subúr¬bios da cidade de Maputo”.
A tese de que a Frelimo lutou para beneficiar de riqueza encontra ainda sustentabilidade no argumento de Chipande de que “se Mondlane e Samora fossem vivos, seriam também acusados de serem ladrões. Somos ladrões por¬que estamos vivos”. O general está a dizer, por outras palavras, que esses dois dirigentes da Frelimo seriam, à semelhança deles, ricos, “justamente” porque o objectivo era esse.
Já estou a entender o porquê do Grupo Mecula, empresa de que é sócio Alberto Joaquim Chipande, ter ainda uma dívida de 44.8 milhões de meticais (biliões da antiga família), segundo a Conta Geral do Estado de 2007. Trata-se de uma dívida contraída nos princípios de 2000 que devia ter sido paga em cinco anos. Hoje, passam cerca de 10 anos. A última vez que a empresa do ge¬neral reembolsou uma parte da percentagem do tesouro foi em 2005. Nesse ano devolveu ao Estado cerca de 310 mil meticais. De lá para cá, segundo o Tribunal Administrativo, “Mecula” não cumpriu com a devolução do dinheiro ao erário público, mantendo a dívida nos 44.8 milhões.
Fernando Gonçaves questionou, e muito bem, o seguinte: “Não conheci Lázaro Kavandame, mas por aquilo que já me foi dado a conhecer pela pró¬pria história da Frelimo, o discurso de Chipande assemelhava-se muito à sua narrativa. Será que a Frelimo chegou à conclusão de que estava no caminho errado, e que os ideais de Kavandame e do seu grupo representavam, em últi¬ma análise, as aspirações mais altas da luta pela independência? Fiquei com a impressão de que o que Chipande estava a dizer era o reflexo do pensamento colectivo dos dirigentes veteranos da Frelimo. De que lhes devemos favores e obediência inqualificada por nos terem libertado do colonialismo. Quem disse que os que consentem sacrifícios pela libertação ou em defesa da pátria fazem-no por um objectivo nobre e pelo bem comum?”.
Entenda-se que não estou a tirar mérito a ninguém. De facto, estamos livres porque nos libertaram. Mas isso não lhes dá direito de usarem indevidamente o dinheiro resultante das nossas pobres contribuições.
PS: Sinto que há má interpretação em relação às minhas opiniões. Tubo bem. Cada um está livre de fazer a interpretação que julgar melhor para si. Contudo, nunca procurar um “link” entre o que eu escrevo e as agendas político-partidária. Escrevo o que merece no momento, nunca em função de interesses políticos. Serei assim enquanto continuar como colunista do “Exame de Consciência”. Nunca me desviarei do que penso, porque estamos em período eleitoral. Interpretem como quiserem inter¬pretar, mas eu sou o que sou e não o que julgam que sou.
PS1: Fiquei duplamente satisfeito, esta semana, por saber que a juventu¬de finalmente descobriu que nos períodos eleitorais não deve ser usada e descartada logo que o processo terminar. O debate continua...
PS2: Durante o fecho desta edição, recebi a informação de que Chipan¬de reiterava que tudo o que disse foi pré-meditado, não se tratando, con¬tudo, de qualquer lapso, o que reforça a tese de que o seu partido lutou com o objectivo de tornar os seus líderes ricos de forma pouco clara. Por outro lado, desmente o seu porta-voz, Edson Macuácua, que veio a públi¬co tentar apagar o fogo com sopro, afirmando que “o camarada Chipan¬de foi mal interpretado”. Ontem, Chipande disse que não foi mal interpretado. Ingrata tarefa do meu conterrâneo, em província, e vizinho, em distritos.

Fonte: O País online

Anibalziho em “show” de desinformação televisiva

A CAMINHO DE MAPUTO

...falou telefonicamente a Televisão privada STV e tentou ele também acusar o antigo Comandante-geral da Polícia, Custódo Pinto e o assassinado Director da Ordem da PRMCidade, Feliciano Juvane como tendo sido os que lhe facilitaram a sua saída juntamente com os seus comparsas, Todinho e Samito das celas do Comando onde se encontrava encarcerado.

Aníbal dos Santos Júnior, vulgarmente tratado por Anibalzinho já começou a dar o seu “show” nos midias locais mesmo antes de voltar a pisar a terra que o viu nascer e onde estava a cumprir uma pena de 29 anos de prisão maior, por envolvimento na morte violenta do jornalista Carlos Cardoso, em Novembro de 2000.
Anibalzinho a que lhe foi concedido, pelas autoridades prisionais da África do Sul, a oportunidade na Cadeia de Máxima Segurança, em Pretória para se comunicar com seus familiares ou advogado, em Maputo, invéz de se comunicar com quem a lei sul-africana permite optou por falar para a Televisão Privada STV, onde abordou alguns aspectos da sua última evasão misteriosa dos calabouços do Comando da Polícia da Cidade de Maputo.
Dando sinal de uma lição mal decorada, Anibalzinho quando questionado pelo jornalista da STV como teria conseguido se escapulir das celas, prontamente respondeu que teria sido um tal Costa Pinto que é o antigo Comandante-Geral da Polícia, só que essa personalidade acusada de facilitador da sua fuga, não se chama Costa Pinto, mas sim, Custódio Pinto.
Com esta resposta, logo o mecânico do Alto Maé demonstrou ter a lição mal aprendida, aliás, fez recordar um dos antigos candidatos à Ponta Vermelha, Neves Serrano que dizia ter sido formado numa Universidade na RDA, mas que, não se recordava do nome da instituição em que frequentara até se formar cientificamente.
Entretanto, a diferença entre estes dois, é que Anibalzinho tem “costas quentes” de alguém ou de um grupo de pessoas que o manipulam e o municiam financeiramente e não só, mas, para não só se evadir das cadeias, como para veicular e não veicular algumas coisas importantes conexadas com o assassínio do jornalista Carlos Cardoso.

Anibalzinho e a política

Anibalzinho poderá desembarcar a qualquer momento no Aeroporto Internacional de Mavalane vindo da África do Sul onde se encontrava escondido, após se evadir ou facilitado das celas do Comando da Polícia, em Dezembro do ano passado.
Capturado pela Polícia Sul-Africana, aliás, ele no telefonema a STV dizia que apenas se entregou as autoridades, pois, as pessoas que sustentavam a sua estadia na terra do rand deixaram se honrar com os seus compromissos, então, ele se encontrava sem nenhum tostão para continuar a carregar a “cruz da morte”, enquanto os cúmplices se encontravam no bembom, em Maputo.
Esta informação contradiz com a das autoridades sul-africanas que afirmam a “pé juntos” que ele foi detido por ser emigrante ilegal e possuidor de armas ao que, posteriormente, foi descoberto ser o procurado pelas autoridades moçambicanas, daí, ter sido, imediatamente, encaminhado para a Cadeia de Máxima Segurança, em Pretória, onde foi se juntar a outro moçambicano considerado o mais perigoso dos criminosos que pululam na RAS, Ananias Mathe.
Entretanto, comentários da praça dizem existirem mãos estranhas na captura de Anibalzino, com maior enfoque para as quezílias existentes no seio do Partido Frelimo.
Uns dizem que Anibalzinho poderá servir de trunfo da Frelimo na sua campanha eleitoral, mas outras, afirmam que, o seu regresso visa, essencialmente, fragilizar e provocar tumultos no candidato da Frelimo, Armando Guebuza.
Fontes partidárias muito próximas a figura de Armando Guebuza referem que, Guebuza não precisa e nunca necessitará de um bandido para ganhar as eleições. Então, avançam as mesmas fontes, que só as guerras intestinais poderão explicar o que estará no meio do regresso do mecânico do Alto Maé.

(Paulo Machava)

DIÁRIO DE NOTÍCIAS – 25.08.2009

Retirado do Mocambique para todos

segunda-feira, agosto 24, 2009

MDM denuncia tentativa de inviabilizar trabalho de Daviz Simango

Daviz Simango chegou à ponte de Xai-Xai deparou com jovens aparentemente embriagados que tentaram impedi-lo de prosseguir a sua viagem.
O Movimento Democrático de Moçambique (MDM), um partido da oposição recém-criado no país, convocou hoje, em Maputo, a imprensa para denunciar a alegada tentativa de inviabilizar a visita do seu líder e candidato às presidenciais, Daviz Simango, à província meridional de Gaza.
A conferencia de imprensa foi orientada pelo Porta-voz deste partido, José Manuel de Sousa, que, na ocasião, disse que quando o seu Presidente chegou à ponte de Xai-Xai deparou com um grupo de jovens aparentemente embriagados que tentaram impedi-lo de prosseguir a sua viagem.
Segundo Sousa, tais indivíduos são membros e simpatizantes da Frelimo, partido no poder, que goza de uma simpatia e popularidade absolutas na província de Gaza.
Tais indivíduos faziam-se transportar em viaturas “da marca KIA com a chapa de matrícula MLI 76-39 pertencente ao Município de Xai-Xai, Mitsubishi MMF 21-00 e um Tata MLZ 93-25, ambas pertencentes ao partido Frelimo”.
“Membros e simpatizantes da Frelimo têm estado a usar meios do Estado para inviabilizar o trabalho de Daviz Simango, nosso candidato às Presidenciais de 28 de Outubro próximo. Estes jovens, alcoolizados, financiados por alguém, concentraram-se em Xai-Xai para inviabilizarem o projecto da visita de Daviz Simango”, revelou.
Face a esta situação, Sousa pede a intervenção das autoridades policiais que têm a missão de velar pela segurança dos cidadãos.
“Nós pedimos e apelamos a intervenção de quem de direito. Nós não queremos sangue. Que as autoridades tomem a peito esta situação e assumam a defesa do cidadão para que possa fazer o seu trabalho sob protecção”, sublinhou.
Sousa salientou que Daviz Simango esteve a visitar a cidade e província de Maputo, entre a Sexta-feira e Domingo, últimos, tendo contado com um forte aparato policial, tal como ocorre com outros cidadãos.
Na mesma conferência de imprensa, o porta-voz do MDM revelou que a sua sede em Xai-Xai foi vandalisada por cidadãos desconhecidos, que na calada da noite atiraram uma botija de gás aberta e atearam fogo.
O MDM apresentou uma queixa na Primeira Esquadra de Xai-Xai contra cidadãos desconhecidos e a polícia está a fazer diligências no sentido de identificar os autores deste acto.
“Esta é uma manifestação clara de que alguém estará a criar vandalismo que em nada engrandece a democracia que está a crescer no país. Mais uma vez solicitamos a polícia para criar condições efectivas para proteger os cidadãos”, apelou.
Sousa disse que há uma equipa a trabalhar no terreno para verificar os danos causados pelo fogo posto, mas já avança que não houve mortos e nem feridos.
A visita de Davis Simango à província de Gaza ocorre logo após escalar a cidade e Província de Maputo, num périplo que o levará a percorrer todo o país.
O objectivo deste périplo pelo país é manter contacto interpessoal com os moçambicanos para conhecer as suas dificuldades, bem como apresentar o MDM.
Sousa referiu que o percurso de Daviz Simango pelo país deverá terminar poucos dias antes do início da campanha eleitoral, 13 de Setembro próximo.

Fonte: O País online

Interesses políticos da Frelimo sobrepõem-se aos sociais

XAI-XAI – O ATribunaFax soube, do delegado da “Perdiz”, em Gaza, que, como se se inspirassem no Maquiavel – não interessam os meios, desde que os fins os justifiquem – por analogia, o Tribunal de Xai-Xai deliberou julgar o caso envolvendo três cidadãos que viram suas casas destruídas, depois de agredidos, à revelia dos seus advogados.
Os cidadãos Madalena Tuzine, Alfredo Mucavele e Maria Mondlane, que foram violentados, fisicamente, e viram suas casas demolidas e parte de seus bens saqueados e destruídos, por membros do partido Frelimo, alegadamente, por desobediência às autoridades locais, no povoado de Cherindzene, posto administrativo de Chicumbane, distrito de Xai-Xai, em Gaza, meteram queixas a várias estâncias, entre as quais à Polícia da República de Moçambique, PRM, Procuradoria Geral da República da Cidade de Xai-Xai e à Liga dos Direitos Humanos, LDH.
No entanto, por paradoxal e inacreditável que pareça ser, obviamente, – tratando-se de uma violação dos direitos humanos e um atentado à dignidade humana – quando chegou o dia de jugamento, o Tribunal da Justiça da capital provincial de Gaza julgou o caso, apenas, na presença dos réus e dos queixosos, não obstante as vítimas tivessem submetido uma queixa, à LDH, tendo inclusive, esta instituição que tem à cabeça a contestada, pelo “regime”, – Alice Mabota – devido à forma com que tem reagido às injustiças sociais perpetradas, contra cidadãos indefesos, na sua maioria, por membros ligados ao Governo e ao partido no poder, desde que Moçambique ascendeu à Independência Nacional, em 1975, indicado os juristas Nandja Gomes, Rafael Banguine e Amade Zacarias para que os assistissem, conferindolhes os mais amplos poderes forenses, de desistirem bem como fazerem seguir acções judiciais, seus incidentes e recursos, representaremnos, nas instituições públicas ou privadas, assim como a fazerem tudo quanto se mostre necessário, em defesa dos legítimos interesses de seus constituentes.
O Tribunal Judicial da Cidade de Xai- Xai não intimou os advogados dos três ofendidos, no caso em epígrafe, meramente, por interesses políticos, tal como o delegado da “Perdiz”, em Gaza, Bento Carlos, explicou, à Reportagem deste Jornal, alegadamente, com deliberado interesse de proteger o partido no poder.
Segundo Bento Carlos, o Tribunal Judicial da Cidade de Xai-Xai soltou os réus sem o conhecimento das vítimas e, por abuso de poder, o Comandante da Polícia Municipal de bairro de Cherindzene, na cidade de Xai-Xai, Vicente Muchanga, depois de ter sido restituído à liberdade, após alguns dias de enclausuramento, devido ao seu envolvimento, em “cenas” de vandalismo protagonizadas contra militantes da “Perdiz”, aos 2 de Junho útimo, naquela povoação, voltou a amarrar e espancar um membro do partido Renamo.
Desta vez, Vicente Muchanga, depois de ter acompanhado uma discussão entre o cidadão Muzondi Ubisse, de 62 anos e a mulher, na sua residência, eis que, por volta das 19:30 minutos do passado dia 30 de Julho invade a residência do casal, tendo, de seguida, amarrado as pernas e os braços de Muzondi Ubisse.
“Queixo contra o senhor Vicente Muchanga que apareceu, na minha casa, no dia 30 de Julho, pelas 19 horas e 30 minutos e, com cordas, amarrou-me os braços e as pernas, por eu estar a discutir com a minha cônjuge, assuntos de carácter familiar e íntima”, lê-se numa carta-queixa à Procuradoria da República da Cidade de Xai-Xai, a que o Jornal A TribunaFax teve acesso.
“O mesmo é comandante da Polícia Camarária, em Chirindzene, e consta no processo número 175, dos que destruíram residências, no mesmo bairro”, acrescenta a carta-queixa, que deu entrada, na Procuradoria da República da Cidade de Xai-Xai, aos 3 de Agosto do corrente ano, sob registo número 746/D-5.10.
Uma guia passada, pelo Posto Policial do Hospital Provincial de Gaza, aos 31 de Julho de 2009, indica que Muzondi Ubisse contraiu ferimentos ligeiros, em consequência da agressão de que foi vítima, desencadeada por Vicente Muchanga.
Não foi possível ouvir a versão do Tribunal Judicial da Cidade de Xai-Xai, sobre a matéria em alusão, aqui, nem a LDH, por questões relaccionadas ao tempo, para o caso do Tribunal e ao facto de a pessoa responsável por prestar informações à Imprensa, da parte da Liga dos Direitos Humanos, ter-se encontrado ausente, no seu local de trabalho, uma vez que esteve, na Capital, em missão de serviço.
De explicar que Muchanga esteve detido, juntamente com Raul Sitoe, depois de se ter confirmado o envolvimento destes, na destruição de residências e de outros bens pertencentes ao membros do partido Renamo, incluíndo o espancamento dos mesmos, sob pretextos de desobediência, às autoridades locais.
Sublinhe-se, igualmente, que, embora Muchanga e Sitoe tenham levada a cabo aqueles actos de intolerância política e vandalismo, fazendo-se acompanhar por grupos que variam de 10 a 15 pessoas, apenas, estes dois foram “responsabilizados”, pelos seus actos, porque, segundo o Jornal soube, do delegado político da Renamo, na província de Gaza, a Polícia da República de Moçambique, na cidade de Xai- Xai, quando tomou conhecimento da ocorrência, mobilizou uma força especial – a de Intervenção Rápida (FIR) – que se deslocou, ao terreno, usando carros blindados, o que despertou, deste modo, atenção aos outros vândalos, tendo, de seguida, se posto ao fresco. (Redacção)


Maputo, 11 de Agosto de 2009

ATribunaFax

Anibalzinho recapturado na África do Sul

Quando faltam 20 dias para o início da campanha eleitoral

Não desminto, nem confirmo. Não tenho conhecimento de que ele (Anibalzinho) tenha sido recapturado. Vamos dar tempo ao tempo. A Polícia está a trabalhar. Desde o dia em que ele fugiu, que a Polícia está a trabalhar visando a sua recaptura” – Jorge Khálau, Comandante-geral da Polícia da República de Moçambique, em declarações ao Canalmoz

Maputo (Canalmoz) — O ping pong da jogada sobre a fuga e recaptura de Anibalzinho voltou à ribalta. Depois do criminoso que liderou a quadrilha condenada em Tribunal, pelo assassinato do jornalista Carlos Cardoso se ter evadido, misteriosamente, das celas do Comando da PRM na cidade de Maputo, a 7 de Dezembro do ano passado, (não passava um mês após a realização das 3ªs eleições autárquicas de 19 de Novembro), na tarde da sexta-feira passada foi recapturado pela Polícia sul-africana, naquele país vizinho. O mesmo sucede quando falta menos de um mês para o início da campanha eleitoral (13 de Setembro próximo) para as 4.ªs Eleições Gerais e 1.ªs das Assembleias Provinciais.
Recorde-se que em entrevista recente ao “Canalmoz” e “Canal de Moçambique – Semanário”, o antigo director da PIC na Cidade de Maputo, Domingos Maita, considerou Anibalzinho como “uma moeda de troca entre os criminosos e os políticos”. A ilação obviamente tem contornos que tocam a sucessão na liderança do partido Frelimo dada a ligação que sempre se fez entre o assassinato do jornalista Carlos Cardoso e o antecessor de Armando Guebuza, por via do falecido Nyimpine Chissano.

Anibalzinho recapturado

Fontes da PRM confirmaram-nos a notícia da recaptura do mediático cadastrado, Anibal dos Santos Junior (Anibalzinho), na sexta-feira última, na cidade de Johanesburgo, na vizinha África do Sul.
Segundo fontes policiais, Anibalzinho terá sido capturado naquela cidade, quando em trânsito, proveniente da capital do Reino Unido, Londres.

Está em Pretória na C-Max

Por outro lado, uma fonte da Polícia de Investigação Criminal (PIC), confirmou ao Canalmoz e ao Canal de Moçambique a recaptura de Anibalzinho, e adiantou que enquanto se aguarda pela sua extradição para Moçambique, o famoso mecânico de Alto-Maé está encarcerado na cadeia de máxima segurança sul-africana, designada C-Max, a mesma onde se encontra um outro mediático cadastrado moçambicano, Ananias Mathe.

Jorge Khalau admite recaptura

Ao Canalmoz, o Comandante Grela da PRM, Jorge Khalau, não confirmou nem desmentiu a notícia da recaptura de Anibalzinho, tendo admitido, no entanto, esta hipótese, alegando que “a Polícia está a trabalhar, desde que ele se evadiu das celas do Comando, para a sua recaptura”.
“Mas agora que a Polícia tomou conhecimento através da comunicação social, da alegada recaptura de Anibalzinho, já procurou se informar melhor junto da Polícia sul-africana?”, questionamos ao Comandante-geral. Jorge Khalau respondeu-nos nos seguintes termos: “Vamos deixar a Polícia trabalhar. A Polícia está a fazer o seu trabalho. Como disse, não confirmo, nem desminto”.
Anibalzinho fugiu das celas da comando da PRM na manhã do dia 7 de Dezembro passado, na companhia de outros dois comparsas seus, nomeadamente Todinho, que era indiciado na morte do director da Cadeia Central de Maputo mas que viria a ser abatido pela Polícia, dias depois da sua alegada fuga das celas do Comando da PRM, e Samito, acusado de prática de uma dezena de homicídios, entre os quais o assassínio de quatro agentes da polícia e de um cidadão de origem paquistanesa, mas que também já foi recapturado pela Polícia.

Anibalzinho forçou reformas na corporação

A fuga de Anibalzinho levou a fortes reformas no seio da corporação. Depois de se ter evadido das celas do Comando da PRM em Maputo, a 7 de Dezembro. Dez dias depois, isto é, a 17 de Dezembro de 2008, o Chefe do Estado, Armando Guebuza, exonerou o então Comandante Geral da PRM, Custódio Pinto, e nomeou para o seu lugar, o actual comandante, Jorge Khalau. Na altura houve até forte turbulência no seio da PRM que culminou em assassinatos de altas patentes e perdurou enquanto a capital vivia apavorada com sucessivos acontecimentos violentos e subida repentina dos índices de criminalidade violenta.
Por sua vez, a 23 do mesmo mês de Dezembro, o ministro do Interior, José Pacheco, exonerou José Domingos Tomás, do cargo de comandante da PRM na cidade de Maputo, e indicou para o lugar, o actual comandante, José Weng.
Embora não oficialmente confirmado pela Polícia moçambicana, fontes seguras da mesma corporação garantiram ao Canalmoz a recaptura de Anibalzinho e disseram-nos que, brevemente, poderá desembarcar no Aeroporto Internacional de Maputo, de regresso ao País, especulando-se que isso possa suceder quando for mais conveniente para um exercício de propaganda política a que a PRM possa vir a prestar-se.

(Borges Nhamirre)

Fonte: Canal Moz (2009-08-24 )

domingo, agosto 23, 2009

Juventude órfã, juventude deserdada?

Por Francisco Mandlate

Celebrou-se ontem o dia Internacional da Juventude, um momento para reflectir sobre a juventude mo­çambicana, dos desafios e seus anseios. Não tenho dúvidas de que os jovens não são o centro das deci­sões do governo moçambicano, ou seja, quanto mais se perdem melhor. Digo isso porque tomei conhe­cimento semana passada que o Fundo de Iniciativas Juvenis, gerido pelo Ministério da Juventude e Desportos, está sem um metical para apoiar os jovens nas suas iniciativas de auto-emprego e de combate à pobreza no país. Não entendo como é que o governo quer que os jovens sejam empreendedores se não tem onde ir buscar dinheiro?
Está neste momento em curso a reforma do Ensino Secundário Ge­ral, cujo objectivo é torná-lo profissionalizante, introduzindo até uma disciplina denominada Empreendedorismo. No mesmo diapasão está o Ensino Técnico Profissional e Vocacional, mas também tem encora­jado os jovens a não esperarem ser empregados quando terminam o Ensino Superior ou outro qualquer ensino. Mas como é que os jovens vão fazer isso se o próprio Estado não facilita o acesso a fundos que possibilitem os mesmos (os jovens) a tornar-se auto-suficientes.
Todos nós sabemos que não é fácil aceder ao crédito bancário em Moçambique, pior para jovens que acabam de se formar e não mos­traram capacidade para gerir seus próprios negócios.
Acho que, no mínimo, o governo devia ter vergonha ao vir a públi­co dizer que o Fundo de Iniciativas Juvenis não tem dinheiro porque os doadores não deram, afinal o governo está à espera que os outros governos dêem dinheiro para financiar actividades da juventude? É o próprio governo que diz que os moçambicanos devem ter auto-es­tima e, acima de tudo, deixarem de andar de mão estendida, mas é o primeiro a mostrar que depende do “tou a pedir” para impulsionar o auto-emprego e empreendedorismo entre os jovens.
Caso não apareça um outro país a ter pena dos jovens moçambica­nos e a oferecer ao governo dinheiro para o referido fundo, corremos o risco de não haver fundos para centenas de jovens que esperam por esses valores, de modo a levarem avante os seus projectos. O mais in­trigante é que quando chegar a fase da campanha eleitoral são estes jovens, que lhes é vedado o acesso a fundos, que serão postos a correr pelo país a tentar convencer os outros a votar em massa no dia 28 de Outubro, num governo que depois vai nos virar as costas sem, no mínimo, ouvir as nossas preocupações e inquietações.
Não se percebe o que fazem os jovens que estão no parlamento. Vo­taram o Orçamento do Estado para o presente ano, apesar de não ter nem um centavo sequer para apoiar iniciativas juvenis, afinal qual é o vosso papel, meus caros? É de vestir fato bonito, pousar para as câma­ras da televisão que cobrem as actividades do parlamento e, por vezes, aliciando jornalistas para gravar vossos depoimentos ou entrevistas? É de bajular o governo do dia, insultando os vossos pares do outro partido? Não meus senhores, claramente tendem a mostrar que não estão na casa do povo para representar os interesses dos jovens, mas sim os vossos próprios interesses ou, no mínimo, dos vossos estôma­gos como se diz por aí.
Não podemos continuar assim! Os jovens que estão no parlamento não devem temer defender que o Orçamento de Estado deve incluir verbas para apoiar iniciativas dos jovens, dinheiro para estimular o auto-emprego, ou criação de postos de trabalho, bem como a cons­trução de casas para os jovens. Um jovem que é submisso, para mim não é jovem, é melhor abdicar da juventude e assumir que é um ve­lho, porque a irreverência e o inconformismo são características da juventude. E os jovens deputados não representam nada disso.
Por outro lado, com a forma como o Conselho Nacional da Juventu­de e a própria Organização da Juventude Moçambicana(OJM) actu­am, mostram claramente que aquelas organizações não representam os jovens, talvez velhos, não sei donde. A OJM tem a oportunidade de ter elementos seus representados no Comité Central do Partido Frelimo, o órgão que desenha os destinos deste país, através dos seus manifestos eleitorais que se traduzem em Programas Quinquenais do Governo e anualmente em Plano Económico e Social e o respectivo Orçamento do Estado, mas aquela organização nada faz em prol dos próprios jovens.
Os jovens que fazem parte da OJM contentam-se em dizer “yes man” ao que as outras organizações sociais da Frelimo dizem, se pare­cem criados de uma família na qual não têm direito a palavra, apenas ouvem e obedecem, até que um dia os superiores tenham pena deles e lhes dêem lugares no Comité Central e, por sorte, na Assembleia da República. Por isso, os jovens quase se matam para conseguir ocupar estas vagas que os líderes do partido, uma vez a outra, disponibilizam aos mesmos, que vêem isso como uma oportunidade para encher a pança e não como uma oportunidade que lhes é dada para fazer eco­ar a voz dos jovens moçambicanos. Mas porque sobem graças ao esco­vismo, temem que ao apresentar os problemas que afligem os jovens serão despromovidos, mas, pessolmente, entendo que no partido Fre­limo as coisas não devem funcionar assim, porque, na minha humilde opinião, acredito que dentro do mesmo há uma forte oposição, senão não seria um grande partido.
Acho que as coisas não devem ser assim, os mais velhos não de­vem ter pena de nós e abrirem excepções numa e noutra ocasião, nós temos que ocupar lugar na Assembleia da República, no comité central ou na Comissão Política de qualquer partido político deste país, por mérito. Nestes órgãos, devemos ser respeitados e termos um papel de destaque, aliás, sermos os principais actores.
Temos um exemplo muito interessante da Liga da Juventude do ANC. São jovens irreverentes, que são capazes de mudar o rumo das coisas na África do Sul. Foram aqueles jovens que humilharam Tha­bo Mbeki e fizeram subir Jacob Zuma. Se o actual presidente daquele país vizinho deve algum favor a alguém, é aos jovens do seu partido. Mas o mesmo não se pode dizer dos jovens membros da OJM.
Nós os jovens deste país temos que obrigar o governo a criar um fundo, a sério, para a juventude. Temos que obrigar o executivo a facilitar o acesso à habitação e a criar postos de emprego. devemos reclamar e mostrar que somos a maioria neste país e que as coisas devem girar em torno de nós. ogoverno deve acarinhar-nos porque o seu futuro está nas nossas mãos e não o nosso nas deles.
Não podemos como jovens, sermos entretidos por aqueles que têm o poder, porque a base do poder deles está nas nossas mãos. entriste­ce-me ver que a nossa juventude não sabe disso.
Vejam só: porquê o governo criou fundo para compensar as ga­solineiras? Porquê criou fundo para compensar os “chapas” no ano passado. Foi pressionado pelas gasolineiras e pelos transportadores. Por isso, enquanto não pressionarmos o governo, jamais mais haverá Fundo de Iniciativas Juvenis. Portanto, arrisco-me a dizer que nós, os jovens, estamos mais velhos que os velhos que libertaram este país do jugo colonial. A geração de 1962 é capaz de fazer milagres hoje em relação aos jovens de hoje. Vejam a praça da Juventude em Maputo, para se ver se o que digo não é real! Por isso:

Deus abençoe Moçambique!

Fonte: O País online