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quinta-feira, dezembro 08, 2016

Juízes consideram que crime organizado tenta capturar o Estado

O presidente da Associação Moçambicana de Juízes (AMJ), Carlos Mondlane, considerou hoje que o crime organizado tentou capturar o Estado nos últimos anos, através de atentados contra a classe dos magistrados, defendendo a protecção dos operadores de justiça. 
"A magistratura foi atacada através destes assassinatos e o crime organizado tentou capturar o Estado", disse Mondlane, citado num comunicado da AMJ enviado à agência Lusa, referindo-se ao homicídio, em Abril, de Marcelino Vilanculos, magistrado do Ministério Público moçambicano, na cidade da Matola, arredores de Maputo, e de Carlos Silica em Maio de 2014, magistrado judicial, no centro da capital moçambicana.
Os últimos anos, prosseguiu o presidente da AMJ, têm sido marcados por uma crescente insegurança para a integridade física dos magistrados, o que levou a classe a interpelar as entidades competentes para uma maior protecção dos operadores da administração de justiça.
"Fizemos, depois destes trágicos acontecimentos, uma reunião de balanço sobre a segurança dos magistrados. Discutimos profundamente este tema, tendo as conclusões sido remetidas para as instituições policiais e de justiça que deverão cuidar especificamente desta matéria", explicou Carlos Mondlane.
Mondlane destacou que a AMJ empenhou-se este ano no fortalecimento das relações de concórdia e colaboração com os vários agentes jurídicos e judiciários.

Fonte: SAPO – 08.12.2016

quarta-feira, abril 13, 2016

POLĺCIA REVELA QUE MAGISTRADO ESTAVA SENDO ALVO DE PERSEGUIÇÃO

A Polícia mocambicana (PRM) revelou hoje, em Maputo, que o magistrado Marcelino Vilankulo assassinado a tiros por desconhecidos, segunda-feira da semana em curso, na Cidade da Matola, arredores da capital do país, Maputo, já vinha sendo alvo de perseguições.

Há indícios de que o malogrado já vinha sendo perseguido por criminosos, disse o porta-voz do Comando-Geral da PRM, Inácio Dina, no habitual briefing semanal à imprensa, acrescentando que houve, no local do crime, nove disparos duma arma do tipo AK-47.

O magistrado, assassinado quando regressava a casa, na sua viatura, investigava casos de raptos em que se suspeita estar envolvido Danish Satar, sobrinho de Nini Satar, um dos condenados no caso de morte a tiro do categorizado jornalista investigativo moçambicano, Carlos Cardoso.

terça-feira, abril 12, 2016

PGR cria equipa para investigar assassinato de magistrado

A Procuradoria-geral da República (PGR) criou uma equipa para investigar o assassinato do procurador Marcelino Vilanculos. Taibo Mucobora, procurador-geral-adjunto, disse hoje, em conferência de imprensa, que o crime não vai fragilizar o desempenho do Ministério Público.
“A PGR e o Conselho Superior da Magistratura do Ministério Público repudiam veementemente este acto macabro que prematuramente tirou a vida a um magistrado de elevadas qualidades e reconhecida competência como era o Dr. Vilanculo”, disse Mucobora.
Marcelino Vilanculos foi morto por volta das 19 horas desta segunda-feira a um passo da sua casa, no bairro Tsalala, no município da Matola. O procurador da sessão criminal do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo foi crivado de quatro balas por indivíduos desconhecidos.

Fonte: O País – 12.04.2016

Ainda sobre o assassinato de Marcelino Vilanculos

De acordo com o diário, o magistrado tinha a seu cargo as investigações em torno de raptos em que supostamente está envolvido Danish Satar, sobrinho de Nini Satar, que está em liberdade condicional após ter cumprido pena por envolvimento no homicídio, em 2000, do jornalista Carlos Cardoso.
Danish Satar foi deportado de Itália para Moçambique no final do ano passado, após ter saído do país em circunstâncias até agora desconhecidas, uma vez que se encontrava em liberdade provisória a aguardar o andamento do processo em que é indiciado de envolvimento em raptos.

Fonte: LUSA – 12.04.2016

segunda-feira, abril 11, 2016

Assassinato o Procurador Marcelino Vilanculos

Foi baleado mortalmente, há momentos, o Procurador, Marcelino Vilanculos no município da Matola.
O Procurador que levou três tiros na cabeça tinha em mãos, vários casos de raptos.
Notícias em actualização. In Magazine Independente

Fonte: Magazine Independente – 11.04.2016

sexta-feira, fevereiro 19, 2016

Crime organizado em Gaza

Por Lázaro Mabunda

Detido na 2a Esquadra da PRM Xai-Xai (escrevi aqui), por aluguer de arma do tipo mauser, usado na caça furtiva, o membro da PRM, candeeiro, foi encontrado no sábado passado, durante revista nas celas, com uma pistola metralhadora.
Candeeiro e outro detido, pertencem ao Comando distrital da PRM Massingir, liderada por uma Comandante que aparentemente tentou ocultar o caso de aluguer de arma de fogo. A comandante é esposa do chefe do departamento da logística e finanças do Comando provincial da PRM Gaza. Igualmente, é mãe de um agente recentemente expulso da corporação por envolvimento na caça furtiva em Massingir. O chefe da logistica é tio, logo a comandante é tia, do chefe da Brigada da PIC em Massingir, que também esteve preso a um mes por envolvimento na caça furtiva em Massingir. Agora, sabe se que está envolvido também no aluguer de armas no distrito de Massingir.


Fonte: Mural de Lázaro Mabunda – 19.02.2016

segunda-feira, novembro 23, 2015

Crime organizado é ameaça à liberdade de imprensa em Moçambique – Ex-director do jornal Notícias

O ex-director de informação do Notícias, principal diário moçambicano, Rogério Sitoe considerou hoje em Maputo o crime organizado uma ameaça à independência editorial dos órgãos de comunicação social do país.

"Em Moçambique, há fartas evidências empíricas demonstrando que as ameaças à independência editorial, também determinantes para a limitação do pluralismo de opinião, podem vir tanto da interferência política, como da acção do poder económico e, igualmente, do crime organizado", afirmou Sitoe, durante a Conferência Nacional de Comunicação Social, Violência e Paz, promovida pelo Conselho Superior da Comunicação Social.

Sitoe apontou os obstáculos à liberdade de imprensa, quando apresentava o tema "Da independência editorial ao pluralismo de opinião".

quinta-feira, março 26, 2015

Família de Cistac recorre à justiça francesa

Na queixa pede-se ao Ministério Público de França que investigue o homicídio do constitucionalista este mês em Maputo.

O advogado da família do constitucionalista franco-moçambicano Gilles Cistac, assassinado a tiro em Maputo, anunciou ontem que a família apresentou queixa na justiça francesa por homicídio. A queixa, dirigida ao Ministério Público de Paris, pede que “todas as diligências sejam feitas” no âmbito deste caso, afirmou Thierry Carrère, citado na edição eletrónica do jornal francês 20 Minutes, quando passam três semanas sobre o homicídio de Cistac, ainda por desvendar pelas autoridades moçambicanas.

“Parece que ele foi assassinado simplesmente porque tinha emitido uma interpretação sobre o texto da Constituição moçambicana”, declarou o advogado, antigo colega de Cistac quando ambos estudavam Direito na Universidade de Toulouse.

terça-feira, março 17, 2015

Polícia diz que não há evolução na investigação à morte de Gilles Cistac

A Polícia da República de Moçambique (PRM) informou hoje que ainda não há evolução na investigação sobre o homicídio do constitucionalista moçambicano de origem francesa Gilles Cistac, quando passam hoje duas semanas após o crime.
"Ainda não temos novidades, a polícia está a trabalhar", afirmou, em conferência de imprensa de balanço semanal da actividade da corporação, o porta-voz do Comando-Geral da PRM, Pedro Cossa.
Cossa recordou que as autoridades pediram ajuda à Interpol (Polícia Internacional) e às polícias dos países da África Austral, que possam ter na sua posse informações que levem à captura dos autores do homicídio.

Fonte:  LUSA - 17.03.2015

quarta-feira, março 04, 2015

Dhlakama quer vingar morte de Gilles Cistac

Afonso Dhlakama responsabiliza os “radicais da Frelimo” pelo assassinato do constitucionalista Gilles Cistac e diz que a Renamo vai se vingar do crime. O líder da Renamo não tem dúvidas de que o assassinato de Cistac esteja relacionado com os pronunciamentos públicos do académico sobre a constitucionalidade das províncias autónomas.
O presidente do MDM, Daviz Simango, também considera que o assassinato do Professor Catedrático não passa de uma encomenda de uma elite política moçambicana que se sentia incomodada com as opiniões da vítima, em matérias constitucionais e administrativas.
Já o ex-bastonário da Ordem dos Advogados, Gilberto Correia, teme que o país esteja a caminhar para uma fase em que o “pensar diferente” pode levar à morte.
Fonte: O País – 03.03.2015

terça-feira, março 03, 2015

Terceiro maior partido diz que Cistac foi assassinado por encomenda

O líder do MDM (Movimento Democrático de Moçambique), terceiro maior partido, disse hoje que o constitucionalista Gilles Cistac foi assassinado por encomenda, após pronunciamentos que "irritaram uma elite política intolerante".

"Não tenho dúvidas nem reservas de que este assassinato é uma encomenda", afirmou Daviz Simango, em declarações à Lusa, considerando que o atentado contra Cistac, hoje manhã no centro de Maputo, como "uma grande tragédia", cujo esclarecimento imediato se tornou num "imperativo nacional".

Gilles cistac perdeu a vida no Hospital Central de Maputo

O constituicionalista Gilles Cistac, baleado esta manhã na cidade de Maputo quando saía da pastelaria ABC no Eduardo Mondlane, não resistiu aos ferimentos e morreu esta tarde no Hospital Central de Maputo (HCM). 

O académico, após ter sido atingido por vários disparos de desconhecidos na avenida Eduardo Mondlane, centro de Maputo, foi encaminhado para o HCM em estado grave.


João Fumane, director clínico do HCM, disse aos jornalistas que os esforços do pessoal médico foram insuficientes para salvar o académico de origem francesa, dada a gravidade dos ferimentos e a elevada quantidade de sangue perdida, tendo o óbito sido declarado cerca das 13h00.
Na semana passada, o jurista anunciou que ia processar um homem que, através do Facebook e com o pseudónimo Calado Kalashnikov, acusou Chistac de ser um espião francês que obteve a nacionalidade moçambicana de forma fraudulenta. 

Cistac foi um dos principais especialistas em assuntos constitucionais do país e, em entrevistas recentes, considerou que não há impedimentos jurídicos à pretensão da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) de criar regiões autónomas no país.

Fonte: SAPO - 03.03.2015

sábado, maio 10, 2014

Renamo acusa polícia e pessoas próximas do Governo pelo crime organizado

António Muchanga diz que a polícia tem que explicar por que os assassinos do juiz usavam uniforme e armas da corporação.

A propósito do assassinato hoje em Maputo do juiz Dinis Nhavotso Silica, o porta-voz da Renamo António Muchunga disse que os homens que balearam o magistrado trajavam uniforme e usaram armas da polícia.

Muchunga fez estas acusações em entrevista hoje à Voz da América e afirmou que cabe à polícia explicar o ocorrido.
O porta-voz da Renamo vai mais longe e adusa a polícia de estar ao serviço do crime organizado.


Fonte: VOA – 08.05.2014

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Vicente Ramaya foi morto

Vicente Ramaya, que cumpria pena em liberdade condicional pelo seu envolvimento na morte do conhecido jornalista Carlos Cardoso, foi mortalmente baleado perto das 13:00 de hoje quando circulava de carro na zona da Polana na cidade de Maputo.
Na sua companhia vinha o Selecionador Nacional de Basquete Feminino o também conhecido Nazir Salé que ficou incólume.
O corpo do malogrado está no Hospital Central em Maputo para onde foi levado imediatamente após a ocorrência. No local já se encontram vários familiares.

Fonte: TIM - 21.02.2013

terça-feira, janeiro 28, 2014

SUPOSTA EXECUÇÃO DA POLÍCIA



O antigo Director da Polícia de Investigação Criminal António Frangoulius e o jurista António Boene são unânimes. A polícia teria intenção de matar os dois indivíduos alvejados mortalmente no bairro Triunfo em Maputo. Para estes juristas, os autores dos disparos poderão ser criminalizados.

Fonte: TIM - 28.01.2014

quarta-feira, julho 18, 2012

Raptos em Maputo: Polícia acciona ‘caça’ aos mandantes após detenção de operacionais

Uma vez detidos os indivíduos descritos como sendo os operacionais na prática de crimes de rapto de pessoas, com enfoque para agentes económicos, que se vinham registando no país, as atenções das autoridades policiais viram agora para a procura dos respectivos mandantes.

quarta-feira, março 02, 2011

APREENDIDO EM MAPUTO CONTENTOR COM ARMAS E DROGA

Maputo, 02 Março (AIM) - As Alfândegas de Moçambique acabam de apreender, no Porto de Maputo, Sul do país, um contentor com armas de fogo e drogas.
O jornal “O Pais”, editado em Maputo, escreve hoje que a Polícia moçambicana (PRM) e as Alfândegas um alerta, há 15 dias, sobre o embarque desta mercadoria com destino a Maputo e desde essa altura acompanharam o percurso da mesma na esperança de encontrar o seu proprietário.

sábado, maio 01, 2010

Ordem para matar terá vindo de dentro

Nos últimos dias José não coordenava operações dentro das Alfândegas

- Consta que a mais alta hierarquia das Alfândegas e da Autoridade Tributária desconheciam a operação da apreensão das três viaturas de luxo e os passos que Orlando José deu no dia da morte
-“ …vamos considerar a possibilidade de uma conspiração interna nas Alfândegas contra a vítima”, Carlos Comé, director nacional da PIC
Muito ainda estará por contar sobre o assassinato que eliminou um dos “incómodos” na actuação de redes mafiosas nas Alfândegas de Moçambique. O crime ainda está envolto em muita penumbra, nomeadamente, o papel de alguns poderosos alfandegários na decisão da morte. Eles ter-se-ão aproveitado da demasiada exposição pública de Orlando José nas últimas duas semanas para executar um plano há muito meticulosamente preparado.
Linguista e com uma pós-graduação em crimes aduaneiros, o director de Investigação, Auditoria e Inteligência da Direcção Geral das Alfândegas, Orlando José, foi morto na sua residência, no emergente bairro de Zimpeto, cidade de Maputo, abatido com três tiros de um gang a soldo, ainda a monte.
O baleamento ocorreu no final da tarde desta Segunda-feira, três horas após José ter anunciado a apreensão de três viaturas de luxo, uma delas pertencente a um poderoso grupo económico com sede na província de Nampula.

quinta-feira, abril 29, 2010

O Orlando e o crime no nosso país

Por Elísio Macamo

Conheci o jovem director das Alfândegas ainda bébé e vi-o crescer. Uma e outra vez deixei-o jogar à bola connosco. Fiquei recentemente orgulhoso de ler o seu nome em conexão com a neutralização dum acto ligado a uma possível fuga de capitais. Fiquei estarrecido e aterrado ao ver a sua foto a ilustrar a notícia sobre a morte violenta dum alto funcionário das Alfândegas. Lembrei-me dele ainda miúdo, pequenino, sempre asseiado, a caminho ou de volta da escola. Tive até a crueldade de esperar que se tratasse de outra pessoa, não do Orlando de Xai-Xai, qualquer pessoa, menos ele, menos esse jovem que chutou a bola na areia quente do bairro quatro de Xai-Xai, em frente à Igreja da Missão Suíça com a minha permissão. Os meus irmãos rebentaram com essa esperança confirmando que se tratava mesmo dele. Do Orlando.

A reacção normal nestas circunstâncias, uma reacção que é característica entre nós, foi de amaldiçoar o que nos torna tão vulneráveis. No fundo de mim mesmo amaldiçoei as nossas instituições, a sua vulnerabilidade perante o crime. Não fui tão longe como muitos outros o estão a fazer – e com legitimidade – isto é, tão longe ao ponto de culpar, como sempre, o governo e as suas possíveis ligações com o crime organizado. A indignação que gente de bem sente em relação a este crime hediondo é enformada, com certa razão, pela constatação da nossa vulnerabilidade geral em relação a gente do mal. Ninguém, em Moçambique, está seguro, nem mesmo aqueles que pensam que mandam no país. O que aconteceu ao Orlando pode acontecer a qualquer um de nós, incluindo àqueles que pactuam com o crime. Estamos entregues.

Mas a questão é de saber em que medida estamos entregues e que dimensões é que o crime em Moçambique envolve. Não vai ressuscitar o Orlando, mas ajuda neste momento de consternação repensar a nossa maneira de falar sobre o crime no país. Talvez encontremos nesse repensar outras abordagens e outros vocabulários mais úteis ao seu combate. O repensar impõe-se, sobretudo, em relação à extensão do problema e à natureza da fragilidade ou cumplicidade do poder. Este repensar impõe-se já há muito tempo. Contudo, tem sido difícil concentrar a nossa atenção porque os acontecimentos não nos dão nenhuma trégua. Não nos dão nem trégua, nem nos permitem discernir a sua verdadeira natureza porque assim que nos visitam socorremo-nos imediatamente de frases feitas e lugares-comuns que apenas nos dão conforto, mas pouco explicam ou clarificam.

O QUE SABEMOS SOBRE O CRIME?

Comecemos pela extensão do problema. Infelizmente, o Ministério do Interior e seus órgãos de garantia da lei e ordem não dispõem de dados úteis. Os que devem combater o crime sabem pouco acerca dele ou se sabem não partilham connosco. Cada um de nós depende apenas da sua própria sensação para determinar os níveis de crime. Embora saibamos quantos homicídios ocorrem no país, as estatísticas que fazem parte do informe do Ministro do Interior no Parlamento são duma generalidade arrepiante. Não nos dizem se a nossa Polícia sabe que proporções de homicídios têm a ver com ajustes de contas entre grupos de criminosos, que proporções têm a ver com descuidos na execução dum outro crime, que proporções têm a ver com retaliações, vinganças, avisos, silenciamento de testemunhas, etc. Nenhuma desta informação vai devolver à vida os que foram vítimas de homicídio, mas o seu conhecimento exacto e partilhado com o resto da sociedade pode ajudar de duas maneiras importantes.

A primeira pode ser de desdramatizar parcialmente a situação. Na verdade, a falta de informação exacta promove a ideia duma violência generalizada que não me parece ser o caso. Para um país com instituições tão frágeis como o nosso parecem ser poucos os homicídios como o que acaba de ceifar a vida do Orlando, isto é de pessoas íntegras e honestas ao serviço do Estado. O ideal seria que não acontecessem, mas o ideal não se compadece com a fragilidade das nossas instituições. Todavia, na falta de informação qualquer morte violenta desta natureza tem o condão de exagerar o fenómeno. E num contexto de exagero é difícil pensar friamente no que é preciso fazer.

Neste caso particular parece haver problemas graves de articulação entre os vários órgãos de segurança. Se os órgãos de segurança tivessem uma ideia mais discriminada da morfologia do crime violento não constituiria problema criar mecanismos de protecção dos funcionários do Estado sob forte risco. Se se conhecesse a morfologia do crime teria sido instintivo activar os mecanismos de protecção ao Orlando, dada a natureza das coisas que o ocuparam últimamente. Isso não teria impedido a gente do mal de tentar chegar a ele, mas a ideia da protecção não é de tornar a violência impossível, mas sim de a tornar mais difícil ainda.

A segunda maneira que o conhecimento discriminado do fenómeno do homicídio teria de ajudar consistiria em orientar melhor a discussão do que falhou e distribuir responsabilidades. Neste momento é difícil fazer isto senão duma forma generalizada, como é costume entre nós. O que falhou? Quem falhou? É nas alfândegas que devemos procurar pela responsabilidade olhando mais de perto para a forma como ela protege os seus quadros? É nos serviços de segurança que, talvez, deveriam ter ficado de sobre-aviso assim que o jovem director provocou a gente do mal? É na esquadra local da Polícia que, provavelmente, não dispõe de nenhum sistema claro de prevenção do crime, nem de reacção rápida nestas circunstâncias? É no Ministério do Interior que aparentemente não faz a mínima ideia do que é preciso fazer para estar à altura do crime? É na falta de meios? O que revolta nestas circunstâncias não é tanto o crime em si quanto a ausência de alguém a quem responsabilizar. E quando é assim alguma coisa não está bem no nosso sistema político e na nossa estrutura social.

PROTEGER A SOBERANIA

Assim, passo agora para o segundo aspecto que devíamos repensar, o mais cômodo é lançar todas as culpas ao poder. Se é verdade que é para isso que temos o poder institucionalizado, não é menos verdade que essa é também a maneira mais rápida de evitar pensar seriamente o problema. Teoricamente, o que define o poder institucionalizado é o monopólio do uso de meios da violência. Isto é, o poder institucionalizado que, por definição – pelo menos no contexto do Estado de direito – reserva a si próprio o uso da violência contra os seus sujeitos. A noção de legitimidade deriva parcialmente daí, na medida em que o monopólio da violência implica, em grande medida, que nós os cidadãos conferimos esse poder ao aparelho estatal. Esta é a teoria. A prática é um pouco complicada. Deter o monopólio da violência não significa que a violência criminosa não possa acontecer. Nem significa que todos vão aceitar a legitimidade desse monopólio.

Não obstante, a mera existência desse monopólio implica necessariamente que todo o acto de violência que ocorre fora do poder institucionalizado constitui um desafio aberto ao Estado. Portanto, todo o crime violento é um atentado à nossa soberania. Neste sentido, importa saber até que ponto é que a nossa classe política está comprometida com a nossa soberania e de que maneira é que, pela sua acção ou inacção, ela pode encorajar atentados à sua própria integridade. Isto não significa ainda responsabilizar o governo por todo o crime que acontece, mas dá algumas indicações sobre os factores que podem tornar o Estado frágil.

Um desses factores pode ser o envolvimento dos seus funcionários com o mundo do crime. Não somos o primeiro e único país no mundo onde isso acontece. Seria até bastante estranho se o nosso país fosse o único sem esse tipo de ligações perigosas. Essas ligações não precisam de ter cunho ou motivação política, basta apenas que haja um número suficiente ou estratégico de gente disposta a vender a sua integridade e a soberania do país em troca do conforto material. E não só. Basta que haja criminosos suficientemente determinados a ameaçar gente íntegra para que essas ligações se consumam, quer por conluio ou por medo.

O que isto quer dizer é que talvez fosse oportuno não apenas deplorar as ligações perigosas e refugiarmo-nos na cômoda posição de acusar o governo ou o partido no poder de estar feito com o mundo do crime; nem tão pouco basta rezar para que nasça uma geração de políticos íntegros ou limpos para substituir os que temos agora. Talvez o que é necessário é discutir se a natureza do nosso sistema político permite que o Estado se proteja da infinita artimanha e do poder aparentemente superior que o crime organizado detém. Será que a concentração do poder em poucas mãos e poucas instâncias ajuda a proteger o nosso Estado das investidas da gente do mal? Eu duvido, e se calhar é aqui onde devemos começar a procurar pela responsabilidade do poder.

Seria talvez até do interesse do próprio poder delegar, desconcentrar e descentralizar como forma de evitar estar na carreira de tiro quando crimes forem cometidos. A separação clara de poderes pode ser, nestas circunstâncias, um trunfo. A independência dos tribunais e da Procuradoria, a autonomia da Polícia, a responsabilidade dos escalões mais baixos são tudo questões que importaria reflectir agora. O jurista francês Gilles Cistac, professor na faculdade de Direito da Universidade Eduardo Mondlane, lançou um debate sobre os poderes do Chefe de Estado que, infelizmente, alguns sectores próximos do poder tentaram transformar em ingerência em assuntos moçambicanos, ao invés de o acolher como uma oportunidade para repensar o sistema político e o que o pode fragilizar. Um Chefe de Estado que, por inerência constitucional, controla tudo e dirige um governo que, por essa mesma razão, também controla tudo não é forte, pelo menos nas condições actuais do nosso país. É apenas forte no sentido de distribuição patrimonial de prebendas, mas extremamente vulnerável à chantagem daqueles que se insinuam ilicitamente do poder e sujeito sempre à crítica mesmo quando não tenha feito nada irrepreensível.

É bem possível que esta estrutura de poder que nós temos se erga como obstáculo à procura e captura dos que mataram o Orlando. E isso não será porque o poder esteja feito com o crime organizado. Alguém que devia investigar vai pensar que talvez não seja do interesse do poder investigar; alguém que sabe, viu ou suspeita vai pensar que o melhor é ficar calado; alguém vai ficar indeciso por não saber como interpretar os discursos políticos que vão prometer a investigação: é a sério ou apenas para a imprensa? E porquê? Porque talvez ainda não começamos a reflectir na possibilidade de proteger a nossa soberania distribuindo responsabilidades. A moral desta história é simples: o país não precisa duma classe política íntegra; nunca nenhum país precisou disso. O país precisa apenas duma classe política precavida que procura em arranjos institucionais que salvaguardem a nossa soberania a melhor maneira de se proteger a si própria, de si própria e do longo alcance da gente do mal.

Nada disto vai ajudar o Orlando. Mas há tantos outros Orlandos e Orlandas fazendo o seu trabalho com brio e integridade à extensão do país. Poderíamos começar a pensar neles e nelas repensando a forma como abordamos o crime na nossa sociedade. É tarde para alguns, mas nunca para a maior parte de nós.
•Elísio Macamo

Fonte: Jornal Notícias - 29.04.2010