domingo, março 23, 2008

Túnel sem luz

Mais uma vez trago aqui um artigo de um dos meus cronistas mais favoritos. Deliciem, caros leitores do reflectindo sobre Mocambique

A talhe de foice

Por Machado da Graça

Neste nosso bizarro mundo político estamos a assistir a um fenómeno interessante: Por um lado, temos as duas principais figuras do Estado, o Presidente da República e o Presidente do Parlamento, a fazer análises políticas, de alguma forma auto-críticas, das razões que levaram às manifestações de Fevereiro e à onda de linchamentos a que continuamos a assistir.
Por outro lado temos uma quantidade de gente, na área do Poder (no Estado ou no partido Frelimo), a dizer uma série de disparates para justificar os mesmos acontecimentos, em que aparecem sempre, com destaque, as famosas mãos estranhas.
Segundo o Canal de Moçambique, Guebuza terá dito: “As manifestações que aconteceram em Maputo no passado dia 5 de Fevereiro e que certamente todos acompanhámos, e que alguns chamaram de greve e outros de tumultos sociais se devem ao facto de o povo estar cansado de sofrer e servem de lição para que se redobrem esforços na mitigação dos problemas de que padece o país..”
Por seu lado Eduardo Mulembué terá dito: “As questões relacionadas com a pobreza urbana têm recebido pouca atenção em Moçambique, embora a taxa de pobreza urbana seja elevada e a desigualdade urbana esteja a subir. Nos bairros de Maputo o desemprego, criminalidade e altos custos da alimentação, habitação e terra inibem os pobres de converterem o progresso na educação e saúde em rendimento e consumo melhorados. Num contexto onde o dinheiro é uma parte integrante da maioria das relações sociais, os mais destituídos tornam-se marginalizados sem ninguém a quem recorrer. A subida da pobreza urbana e desigualdade em Maputo causam também um impacto adverso nas relações vitais urbano-rurais e podem por em perigo a estabilidade política.”
Outras vozes, do lado da Frelimo, se fizeram igualmente ouvir. Uma delas foi a do antigo Ministro da Saúde, Dr. Fernando Vaz, que afirmou: “Só quem não olha muito profundamente para os problemas do povo é que pode ter fé que isto está bem. Nada disso. Na verdade nada está bem e o país vai mal. Se pretendermos explicar a génese do problema, veremos que não há um factor só para este tipo de manifestações. (...) Penso que os sociólogos já disseram tudo e avançaram com algumas ideias. Não há outra hipótese se não o governo olhar para as condições sociais das pessoas. Têm que se criar políticas sociais e para isso os governantes devem ter criatividade. Isto não é tarefa fácil e que se resolve do dia para a noite, com o pagamento de gasolina aos chapas. As manifestações são produto de um movimento espontâneo e não orquestrado. As pessoas reclamam porque não têm e nunca sabem quando as terão.
Como é óbvio não se trata de vozes de marginais irresponsáveis. Trata-se de pessoas que olham para os problemas sem os simplismos de quem nem sequer reconhece a existência de problemas quanto mais ter capacidade para encontrar soluções para esses problemas.
E aqui acabamos por encontrar um dilema que poderá estar na base de tudo isto: Por um lado o actual sistema político exige a existência de um partido forte que permita ganhar eleições e manter o Poder político para implementar estratégias e tentativas de solução.
Por outro lado a organização partidária da Frelimo foi destruída e transformada numa mera máquina de conquistar votos, seja lá como for. Sem consistência ideológica e sem quadros dedicados a uma causa que não seja o seu próprio enriquecimento pessoal. A reflexão política foi substituída pelo arrivismo, pela procura dos benefícios pessoais e pelo desprezo pelos problemas dos outros. Pelos problemas da maioria dos moçambicanos.
E, quando ouvimos comentários como os que se transcrevem acima, já estranhamos, já nos parecem coisas de um outro mundo há muito ultrapassado e esquecido.
Ao contrário dos primeiros anos da Independência, em que nos diziam para pensarmos e encontrarmos soluções, agora dizem-nos para não pensarmos muito e votarmos em quem nos dá camisolas, bonés ou pasta para os dentes. Mesmo que esses produtos cheguem ao país em contentores contendo contrabando para algumas figuras do partido.
Isto para além de haver locais onde, para ganhar as eleições, se expulsam os fiscais da oposição e se atulham as urnas com votos a favor do partido dirigente. E fique toda a gente impune apesar de estes dislates serem denunciados e provados.
A sensação que fica é que a direcção da Frelimo teve muito trabalho a rodear-se de gente que não faz ondas, obedece e cumpre o que lhe mandam, afastando assim as cabeças pensantes mais solidamente formadas em termos ideológicos.
Se tivéssemos uma oposição capaz eu diria que era tempo de a Frelimo passar um mandato ou dois fora do Poder para se voltar a encontrar e voltar a saber o que quer e como lá quer chegar.
Como não temos, não vejo solução a curto prazo. Sou francamente pessimista.
A terceira força não surgiu e, portanto, continuamos sem saber se devemos ficar na frigideira ou se devemos saltar fora e ir cair no fogo.
Só que, continuando as coisas assim, tenho a desagradável sensação de que vamos viver cada vez mais momentos de desassossego e violência no nosso dia-a-dia.
Sem que se veja a famosa luz ao fim do túnel...
SAVANA – 21.03.2008

quinta-feira, março 20, 2008

rotatividade política?

Essa de rotatividade não entendi ou claramente dizendo, fiquei confuso. Falar de rotatividade gera muita confusão para mim, pois que, uma rotatividade num sistema político é diferente da do sitema solar. Falando de rotatividade política até dá-me outras dores de cabeça porque sei que é na sua falta que tudo está parado em Mocambique. Parece-me que haja quem pense que uma estação do ano deva obrigatoriamente ser igual a uma geracão humana. É que por exemplo a Primavera reaparece depois de cada ano, mas geracões humanas são sempre diferentes

Concordo com ideia do ex-general Malaqueta de rotatividade, mas como se faria e como vai-se fazer? Respeitando as regras do AGP de Roma ou voltando ao regime de partido único???

Não haverá aqui uma razão para suspeitar que a remodelacão ora feita tenha um único vítima???: Mateus Ngonhamo, pois que o Lagos Lidimo pode ser nomeado a qualquer coisa no governo da Frelimo. Mas se ser moçambicano não é necessariamente ser membro e simpatizante das rufadas do batuque e a massaroca, não há razão de vermos Mateus Ngonhamo nas ruas ou baracas de Maputo. Ngonhamo elevou o seu nível académico, muitos de nós sabem. Entretanto, se isso acontecer, Ngonhamo não será a primeira prova da frelimizacão da cidadania mocambicana. Tivemos o caso do falecido Eng Domingos Pilale que não só ele foi vítima, mas também a esposa sob campanha aberta do dono da Frelimo. Temos o caso do Benjamim Pequenino, mestrado em governação e desenvolvimento, na Grã-bretanha e acima de tudo mostrou individualmente o melhor desempenho dum dirigente moçambicano ao reogarnizar efectiva e examplarmente os Correios de Moçambique. Entretanto, Benjamim Pequenino, de pessoa muito grande e que devia ser muito mais, foi feito de de mais pequenino. E assim é o governo de Armando Emílio Guebuza.
Uma das coisas mais interessantes na teoria de comspiracão em Mocambique é acontecer tudo o que se prevê. Falou-se há meses duma possível vassoura nas FDM onde Mateus Ngonhamo seria um dos vítimas e aconteceu. Fala-se de o Presidente da República nunca vir a exonerar o ministro-cunhado responsável pelas mortes em Maputo e de facto não o faz.

quarta-feira, março 12, 2008

A Renamo e o futuro

Por Jeremias Langa
10/08/2007

A Renamo está, esta semana toda, concentrada no seu burgo, na Beira, a fazer aquilo que poucas vezes fez nestes 17 anos todos em que se transformou em partido político: revisitar os seus processos, estratégias e preparar-se para os grandes embates que a esperam. Dir-se-ia, em outras palavras, que a Renamo finalmente compreendeu que os seus sucessivos desaires eleitorais não surgem por acaso. Mais importante ainda, a Renamo parece perceber, agora, a dimensão das suas responsabilidades no xadrez político nacional.

É um sinal encorajador para a nossa democracia este súbito despertar da Renamo, porque é um partido com uma base de apoio considerável no país e, apesar das suas fraquezas estruturais, é o pilar que faz o contraponto ao quase hegemónico poder da Frelimo. Quer queiramos, quer não, temos que aceitar que com uma Renamo enfraquecida, a democracia fica permanentemente em perigo em Moçambique.

A Renamo habituou-se a culpar a Frelimo pelas suas derrotas. Perdeu eleições? É porque a Frelimo fez fraude; os seus membros desertaram? A Frelimo aliciou-os. Todas as coisas menos boas da Renamo aprenderam a ter um e único rosto: a Frelimo. Dito de outro modo: a Renamo nunca assumiu as suas fraquezas e responsabilidades no seu próprio insucesso. Eles foram sempre culpa dos outros. Este foi sempre o maior inimigo da Renamo.

O Conselho Nacional que realizou na Beira, esta semana, e a reunião da sua Comissão Política marcam uma viragem importante na forma de ser e de estar da Renamo, que ameaçava se transformar num partido monárquico, onde o presidente quer, pode e manda ante o olhar impávido e sereno dos órgãos e militantes do partido! Mas as reuniões da Beira foram apenas o começo. De agora até 16 de Janeiro de 2008, a Renamo tem que provar até que ponto os seus militantes são capazes de pôr em prática as estratégias definidas nos encontros de Chiveve. Aliás, as eleições provinciais são uma excelente oportunidade para o maior partido da oposição testar o seu grau de popularidade junto do eleitorado.

Mas um conselho nacional não substitui um congresso. O congresso é o órgão máximo em qualquer formação política e a ele cabe tomar as decisões de fundo do partido, como a estratégia eleitoral. Sobretudo num ciclo de eleições como o que vamos ter, a Renamo devia ter feito tudo o que estava ao seu alcance para realizar o seu 5º congresso antes de ir a eleições, mas não fez. A desculpa de que não tem dinheiro não chega para justificar (mais um) adiamento. Num congresso, os militantes têm, através dos seus delegados, a oportunidade de escolher quem acham que melhor os pode dirigir, e uma liderança partidária legitimada pelo voto do congresso é uma liderança fortificada para atacar as eleições.

Para além das provinciais, próximo ano também haverá eleições autárquicas, pelo que um congresso na última semana de Junho pode não ser uma boa opção estratégica para a Renamo. Primeiro, porque terão passado seis meses após a realização das “provinciais”, isto é, será tarde demais para analisar o que se terá passado nestas eleições e, a partir dos erros, perspectivar-se a sua correcção tendo em vista as autárquicas e gerais. Segundo, o congresso pode “cair em cima” das eleições autárquicas, não dando muitas chances ao congresso de engendrar uma nova estratégia.

Por tudo isso, creio que, não conseguindo realizar o seu congresso antes das eleições provinciais, a Renamo o deveria ter agendado para logo a seguir a estas eleições. Mas os militantes da Renamo sabem melhor que eu com que linhas se cose o seu partido.

Fonte: País online

Where are the Frelimo bloggers?

It is striking that the Mozambican blogosphere is dominated by creative, bright, alert and sharp Renamo sympathisers. Are the Frelimistas hiding, are they shy or don't they feel at ease demonstrating where they belong?

It's about time you come out from your closets, camaradas!

Fonte: Bosses blog



Fazendo uma traducão livre:

É impressionante que a blogosfera moçambicana está/é dominado por simpatizantes creativos, brilhantes, atentos e simpatizantes alertos da Renamo. Os frelimistas estão a se esconder, são tímidos ou não sentem na facilidade de demonstrar onde pertencem?
É tempo de vocês sairem dos vossos armários, camaradas!


A Renamo e o futuro – opinião do Jeremias Langa

Nas próximas horas vou postar integralmente aqui no Reflectindo sobre Moçambique, o artigo do jornalista Jeremias Langa, publicado no dia 10 de Agosto de 2007, no País onlíne.

quarta-feira, março 05, 2008

Quem pode fazer parar isto?

O governo da Frelimo, sem dó nem piedade, está decidido em dar emprego com bons salários e regalias aos seus membros. É exactamente aquilo que em linguagem popular se chama de: the job for the boys. O governo da Frelimo não precisa de pensar de tantos desempregados em Mocambique; de professores e enfermeiros com salários miseráveis e sem moradias decentes e muito menos de que o orcamento geral do estado é sustentado pelos doadores. Ao que interessa este governo é dar trabalho a todo e qualquer que levanta mais alto o punho e diz: Viva a Frelimo. Eis que hoje aparece mais uma notícia em que diz que as localidades terão representante do Estado. E, eu pergunto se em Mocambique não há quem possa fazer parar isto que constitue apenas um esbanjamento dos poucos recursos que temos. Leia mais
aqui do jornal notícias

domingo, março 02, 2008

Oposicão requer um trabalho visível para ter impacto

O Miradouro escreveu uma série de 4 pequenos artigos com o título: Oposição requer um trabalho visível para ter impacto. A série é importante por alertar à oposição no que deve fazer para mudar o estado em que o nosso país está mergulhado. Leia aqui

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Quando o poder é do povo eles têm nomes

Por Pedro Nacuo

EXTRAS - O que é isto?

Está a pegar moda a população correr para uma democracia efectiva. Por outra, quer exercer o poder que se diz pertencer-lhe. Cabo Delgado, desta vez, também está a ser pioneira: só neste ano, primeiro foi em Palma e agora em Meluco. Pede, de dia, em plenos comícios populares, a retirada imediata de administradores. Quer provar até onde vai o seu poder.
Trata-se de um fenómeno que tem a desvantagem de alterar a ordem das coisas, já que, nesta fase do exercício democrático no nosso país, ainda os governadores, administradores e outros, devem ser “impostos” por quem tenha sido eleito. Daí o nepotismo, o amiguismo, em algum momento, um certo regionalismo, que envolveram a utilização do fundo dos sete (agora nove) milhões de meticais, destinados às iniciativas locais.

Quais são as razões que assistem à população de Meluco, que lhe fizeram despir o seu lado tradicionalmente tolerante, para pedir a Eliseu Machava levar consigo o seu administrador, Vitorino Benjamim Chaúque! Que deveria ir, naquele dia, e que se não houvesse lugar nas 10 viaturas da comitiva, se encarregava em localizar uma que se encontrava parqueada na sede do Partido Frelimo?

Chegaram os primeiros sete milhões de meticais. A população disse que não percebeu como se correu a investir numa antena parabólica, um tractor, um carro-aviário, principalmente porque a antena serve apenas ao administrador; o tractor ainda não lavrou; o carro dizem que nem sabe para quê serve, e ainda assim, o furo que constava do programa para aquele lote, dizem que transitou para este ano.

A única transparência que a população facilmente consegue identificar é que o dinheiro foi distribuído entre os membros do governo distrital e outros assalariados dependentes de instituições do Estado. E o povo disse o que disse:

Que José Muchanga, um escriturário da administração local, na companhia de Cabral Anli, é que estão sentados em cima da “mola”, confiados pelo Conselho Consultivo Distrital (?). Só dão dinheiro a quem lhes dá alguma percentagem do valor total, assim como falsificam dados. Recebeu 100 quem recebeu 50 mil meticais!

Que Hermenegildo Matola, agente da PRM, veio transferido de Maputo, directamente para o distrito rústico de Meluco. Sete meses depois já era elegível junto do Conselho Consultivo Distrital e beneficiou de 150 mil meticais. Imediatamente a seguir voltou para Maputo, alegando ir passar férias. Ainda não regressou passam já quatro meses. Desconfia-se que “abriu” de vez. Vinha pegar o “taco” em Meluco.

Que o anterior chefe distrital da Polícia de Investigação Criminal (PIC) de nome Assane, beneficiou de um montante de 50 mil meticais, depois do que foi transferido para Mecúfi, onde se pensa irá aplicá-lo. Tal como Assane, outro indivíduo de nome Gomes, que também trabalhava em Meluco, agora está em Montepuez, onde comprou um “mini-bus” com que está a fazer dinheiro para si, beneficiando não a população de Meluco.

Que Abdul Salimo, funcionário da administração do distrito, recebeu o dinheiro do fundo de investimento das iniciativas locais e foi aplicá-lo em Awasse, localidade pertencente ao distrito de Mocímboa da Praia, sua terra natal. Que, finalmente, o anterior secretário permanente, Jaime Raimundo, beneficiou do fundo e logo foi transferido para Ancuabe. Levou consigo a “mola”!

Em todos estes casos fica difícil saber como serão justificados os valores levantados, mas é fácil saber que eles o foram ao gosto de quem montou esta engenhosa estratégia. Não se chama a isso, desorganização? Merece outro nome?

O administrador?! Sereno e impávido corre a dizer que está com a consciência limpa. Que correm processos. O disciplinar, entretanto, tem como instrutor um beneficiário destas falcatruas, o director distrital da Saúde, que igualmente faz parte do grupo dos funcionários públicos confiados pelo Conselho Consultivo Distrital para produzir comida, gerar emprego e rendimento.

Para dar razão às suspeitas populares, há oito meses que o processo disciplinar não é concluído, nem o instrutor é punido pelo incumprimento dos prazos processuais, conforme mandam as normas e demais regulamentos. É, por outro lado, sintomático, que a Frelimo tenha entrado neste caso, denunciando os desvios e ajudando, inclusive, por via do seu comité de verificação, os prejudicados.

Seja o que seja, tendo em conta os objectivos do dinheiro de investimento às iniciativas locais, estamos perante uma orgia que não parece ter sido planificada por curiosos. Por isso, tem lugar a pergunta: o que é isto?

Fonte: Jornal Notícias

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Governo, FEMATRO e chapeiros (1)

Ao acompanher a greve dos chapeiros, em Maputo, voltei a ler o que a 7 de Fevereiro eu havia escrito e me interrogado e o comentário da Ximbitane que num resumo fala da problematica dos transportes públicos em Maputo. Éis o comentário .

Reflectindo, deveras interessante as questões levantadas. Já me havia posto algumas das questões que constam neste artigo.

A meu ver, o público manifestante só sai a ganhar se ao manterem-se os preços respeitem-se as rotas determinadas, pois essa era uma das grandes questões da manifestação.

A FEMATRO fala dum estudo feito, a seu pedido, não sei a que instituição ou analista, que concluiu que a subida os preços do combustivel no mercado internacional estavam a desequilibrar as contas dos chapas por cá.

A alternativa é a subida do proço das tarifas, muito certo! Logo vê-se que a preocupação dos chapeiros é de longe o bem estar e conforto dos utentes dos mesmos, apenas o seu proprio bolso.

No que concerne a distribuição dos tais subsidios governamentais, hummm..., prevejo muita confusão.

Primeiro no seio dos proprios chapas, que já mal gerem as tarifas diarias (que supunha-se ser uma fonte para a renovação das frotas dos membros)e segundo do Governo (a nao ser que o Ministerio sugerido pelo Reflectindo seja criado para o efeito!!!).

Nampula : Público questiona papel dos secretários permanentes

REPRESENTANTES de diferentes segmentos da sociedade civil em Nampula manifestam-se agastados com o que consideram de excesso de burocracia e burocratismo nas secretarias distritais, e atiram culpas aos secretários permanentes indiciando-os de nada fazerem para corrigir as irregularidades.

Reunidos recentemente naquela urbe, os mesmos apelaram aos secretários permanentes distritais para envidarem esforços visando a melhoria da qualidade de prestação de serviços à população. Este facto, segundo vincaram, passa necessariamente pela adopção de mecanismos de coordenação das actividades a serem implementadas com os respectivos administradores distritais.

Disseram que a expectativa que se gerou em torno da criação da figura de secretário permanente distrital era de libertar o administrador da carga de trabalho a que estava sujeito. Pelo contrário, segundo acrescentaram, o efeito disso é contrário.

Agira Muanema, representante de uma organização social baseada em Memba, disse que o secretário permanente local tem demonstrado falta de articulação com o respectivo administrador, na execução das actividades planificadas.

Estou contrariada com a criação da figura de secretário permanente distrital porque, pelo menos em Memba, a mesma vem complicar a vida da população. Os períodos relativamente curtos que esperávamos para um encontro com o administrador, agora viraram longos períodos como se nada a fazer tenhamos. Isto é mesmo um calvário. Alguma coisa tem de mudar, referiu.

Por seu turno, Américo Jacinto, da Associação para o Desenvolvimento Comunitário (ADEC) em Nampula, afirmou que sendo o papel do Estado, através das suas instituições, como as secretarias permanentes, garantir uma prestação de serviços cada vez adequada a dinâmica do desenvolvimento que o país vem registando em, vários domínios, é inadmissível que se criem esses órgãos para complicar a vida do cidadão.

Por exemplo, algumas actividades programadas pelas organizações da sociedade civil ao nível dos distritos onde a ADEC tem projectos em curso, ficam por implementar ou acontecem tardiamente devido à descoordenação que caracteriza o relacionamento entre o secretário permanente distrital e o administrador, denunciou Américo Jacinto.

O deputado da Assembleia da República pela bancada da Frelimo Alfredo Gamito, que esteve a moderar o encontro disse haver várias percepções sobre o desempenho do Governo e seus órgãos por parte da sociedade civil e ajuntou que as críticas feitas devem servir de factor motivador para a melhoria da prestação de serviços ao público.

O encontro tinha igualmente como finalidade, a divulgação dos resultados da auscultação das pesquisas no quadro do Mecanismo Africano de Revisão de Pares (MARP).

Fonte: Notícias

domingo, fevereiro 24, 2008

Dhlakama recorre a Franciscanos

Para realizar seminário com seus membros

Percorreu toda cidade de Quelimane até “cair” nas mãos dos padres. Quando o líder da Renamo-União Eleitoral, Afonso Dhlakama, chegou a cidade de Quelimane, afim de realizar mais um encontro com os seus membros, tal como veio fazendo na Beira, Nampula e por ai fora, de repente as casas que têm acolhido este tipo de eventos, simularam que estavam ocupadas. Leia mais

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Respostas as preocupações ?

As minhas dúvidas em relação às manifestações populares, essas que alguns indivíduos intencionalmente chamam de tumultos ou vandalismo, têm tido algumas respostas. Por vezes, as respostas são em forma de outras perguntas, outras são em forma de uma análise ou uma combinação de questionamento e análise. É também uma forma de resposta as manifestações de Chokwè, Chibuto, Jangamo, Manjancaze, na zona sul do país e em áreas fora da capital. Espero que não se pense que as populações do centro e norte de Moçambique estejam satisfeitas ou com medo de reagir como estas do sul. O que a população daquelas zonas um pouco afastadas da capital mostrou, é de que ela tem os mesmos problemas dos concidadãos que vivem em Maputo e Matola. Esses problemas são semelhantes aos das zonas centro e norte. Neste caso, foi logo uma crítica ao que Nelson Scott no blog do Manuel de Araújo chamou por penso rápido, isto é, à decisão de o governo subsidiar aos chapeiros da cidade capital, sem ter em contam aos restantes do país inteiro. Segundo O País online, a reclamarem pelo subsídio, estão também os transportadores inter-provinciais e distritais. Sobretudo, receiar que o tal subsídio venha alimentar aos predadores, não é apenas o meu problema como se pode ler no blog A voz do povo
Uma das perguntas que fiz no post anterior foi sobre o motivo de aumento incrível de tarifa das chapas, quase na ordem de 50 %. Na minha opinião, isto não pode depender apenas do último aumento do combustível ou só do preço do combustível. Nesta pergunta encontro resposta na análise do Eugénio Chimbutane, no seu blog racionalidade económica ao falar dos problemas de infra-estruturas e ou estradas e mesmo de investimento e ou crédito, leia aqui. As condições das estradas elevam os custos dos chapeiros para manterem os seus carros em funcionamento. Eles têm que substituir as peças dos carros com mais frequência porque se desgatam rapidamente e com frequência. Gastam mais tempo a fintarem os buracos, etc. Contudo, o problema de infras-estrutura pode em si não ser combustível para atiçar uma manifestação daquela. Era preciso que a crise abalasse à maioria das populações para ser ela a fazer uma manifestação que mexesse os governantes.
Quanto à falta de investimentos e ou créditos, já Eugênio Chimbutane explica-nos que um chapeiro com menos de 5 carros não consegue operar neste negócio por muito tempo, porque a margem do lucro, não dá para manter os carros a funcionarem.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Qual é o problema em Chiúre?

Qual é o problema em Chiúre?

O delegado provincial da Renamo em Cabo Delgado e o deputado Cornélio Quivela, diz que o presidente Afonso Dhlakama, de passagem por Chiúre, ofereceu a grupos de dança uniformes constituídos de capulanas e aos anciãos que são da simpatia da Renamo distribuiu camisas, calças e chapéus, do mesmo tecido e cor. Entretanto, o administrador-substituto, António Ntchonho, chama de distribuicão de uniforme a líderes comunitários. Outro caso, interessante é a problematizacão de bandeiras. Leia mais

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

O Povo Saiu da Garrafa

Já que andamos duvidosos, que tiremos ilacão no seguinte:

"O Povo Saiu da Garrafa”


Nos últimos dias há um novo Ditado que circula em Moçambique, principalmente nos principais centros urbanos, fazendo referência a manifestação popular da semana passada em Maputo, em protesto ao anúncio do agravamento das tarifas dos transportes semi-colectivo de passageiros.
“O Povo Saiu da Garrafa” é o novo Ditado que corre de maior frequência nos chapas. Estudiosos já tentam interpretar isso de múltiplas maneiras, mas pare-ce que a expressão remete para o sentido de liberdade ganha, dos direitos afirmados. Por outro lado, é também importante saber que existe localmente a crença de que os feiticeiros são capazes de engarrafar pessoas, quer dizer, são capazes de meter pessoas dentro de garrafas (alguns académicos também acreditam nisso).
O AUTARCA - 15.02.2008

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Uma lição para aprender?

Acha-se que o povo não é inteligente e continua a ser provocado. És que os governantes responsáveis pela situação de transportes públicos no mais independente mais do que no tempo colonial que se desdobram para ir ofendê-lo. É a governadora do Maputo, essa que detém um gabinete fútil, mas muito sofiscado com meios financeiros e humanos que vai às escolas para ensinar aos alunos a não exercerem a sua cidadania. Ainda não reparei a lei de direito à manifestação para ver com que base estes dirigentes foram, ainda usando meios do estado, a pôr em causa o direito de cidadania dos alunos. Crianças não têm o direito de protestar? E se algum economista calcular pelo que se aloca ao gabinete da governadora da Cidade de Maputo criado pelo governo de Armando Guebuza, será que não concluiria que esse montante podia-se minimizar o problema de transportes públicos nesta urbe?

Seja como for, as próprias crianças, nomeadamente, os alunos da escola secundária de Laulane, deram a resposta que a governadora Rosa Silva, queria e a merecia, ler aqui. É que é ofender às crianças acusá-las de serem manipuladas pelos adultos ao participarem em manifestação contra a subida de tarifas como se estas crianças não fossem utentes de chapas, por um lado. Por outro lado, como se a subida de tarifas de transportes e do preço do pão não reflectisse nas vidas delas e pior ainda, elas fossem anastesiadas para não sentirem as consequências. E parabéns menina Lurdes Muianga pela coragem de informar à Sra Rosa Silva de que os jovens participaram da manifestações conscientemente.

Outro dirigente que se não fosse pela ganância do poder e verdadeira manipulação partidária se ocuparia em outras coisas que fingir-se de fazer uma governação aberta desplanificada ou seja improvisada, é o Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, Eneas Comiche. Talvez, Comiche, respeitando o seu eleitorato, fizesse uma outra coisa que tentar atirar culpa a outrem pelas manifestações. E, a população descontente chegou mesmo a exigir que o Edil, caso continuasse a ter o mesmo fio de pensamento, abandonasse o local e a deixasse. Para muitos o que Eneias Comiche dizia não passava de disparates, ler aqui . Talvez seja o tempo de os nossos digerentes aprenderem a respeitar ao povo.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Caso inédito em África

Edward Lowassa demitiu-se do cargo de Primeiro-Ministro da Tanzania por alegado envolvimento num escândalo financeiro, isto é, num caso de corrupção (leia aqui). Depois de ter citado num caso de corrupção, Lowassa anunciou quinta-feira passada ao Parlamento ter apresentado a sua demissão.

Segundo um relatório apresentado ao Parlamento sobre um contrato de fornecimento de electricidade assinado entre o Governo e a empresa norte-americana Richmond, Lowassa e outros altos responsáveis governamentais teriam intervindo na altura do lançamento do concurso a favor desta última.

PS: Como se consideraria um caso destes no meu Moçambique?

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

O Estado Mocambicano?

Como resposta às manifestacões contra o agravamento da tarifa de transportes, vulgo chapas, ocorridas na Cidade de Maputo, capital do país, o Estado prometeu que vai subsidiar a a parte agravada da tarifa para os passageiros manterem-se a pagar o valor anterior leia aqui. Tomando em conta apenas esta decisão, dá entender que ganharam os manifestantes e os chapeiros, pois ambas as partes vão obter o que exigem sem ser necessariamente analisada a essência das exigências. Como não sou economista, pelo que não posso apresentar uma análise exaustiva sobre o agravamento das tarifas, mas lendo o comentário do Oxalá no imensis pode-se interrogar se o tal agravamento corresponde à subida do combustível como os chapeiros clamam. Também não é porque os chapeiros não possam ter suas razões, mas essas podem não ser apenas de subida de combustível. Será que o preço das peças, reparações, o vencimento dos motoristas e ajudantes se mantêm desde que a anterior tarifa foi estabelecida? Apenas um dos meus pontos de reflexão sobre a causa de agravamento da tarifa.

Seja como for, a manifestação popular na cidade de Maputo, foi necessária, pois mostrou de quão o povo pode resistir aos abusos. Agravar preços a quase ou igual a 50 %, é na minha opinião um abuso ao consumidor.

Mas quem perdeu nesta batalha? Não será o Estado Moçambique e tudo devido a um governo irresponsável? Não terão os governantes interesses nesta decisão que cheira mais uma maneira de tirar o dinheiro do cofre do Estado sem controle? Primeiro, este governo esbanja o dinheiro do cofre do Estado distribuindo-o aos seus “boys” de diferentes formas, e não nos surpreenderá se daqui há dias se instituir mais um ministério – “Ministério das Subvencões das Chapas do Maputo” (MSCM). Já nos lembramos de um novo governo na Cidade do Maputo, Secretários-permanentes, administradores de municípios, ministério da função pública, instituições criadas para os “boys” terem “job”.

Contudo, mais uma pergunta é de quem, isto é, de que chapeiro vai-se alegar que recebe o subsídio, como e porquê? Aquele que comprou um carro e registou como chapa? Aquele que tem a chapa em circulação? Mas qual tipo de circulação? Transportando sempre o público ou fazendo viagens pessoais? Como se controlará isso? Através do ministério, o MSCM que suponho vir-se a criar? Como é que se saberá que o chapeiro x transportou tantos (y) passageiros que deviam pagar (w), para se avaliar o que ele tem por receber como subsídio? As perguntas são tantas, mas prossigo com outras.

Porquê razão o governo decidiu em subsidiar só aos chapeiros da Cidade de Maputo? Por que foram só eles que agravaram as tarifas forçando o governo para subvênção do Estado? Que o agravamento das tarifas foi por razões de a vida ser mais cara em Maputo em relação às outras partes do país? Por que o preço de combustível subiu só em Maputo? Por que os chapeiros de Maputo conduzem em estradas péssimas, exigindo-os mais reparações que os que conduzem para os distritos, localidades, isto é no país real? Ou é por que foi a população da capital, nas barbas da comunidade internacional e imprensa independente que manifestou? Como seria se fosse a população a população de Nipepe, em Niassa, a reclamar por um problema nacional? Aliás, até eu devia dizer a população de Mocímboa da Praia ou de Montepuez, Aiúbe para que não seja apenas uma suposição, mas algo muito concreto para comparar. Parece que aos olhos da comunidade internacional e da imprensa privada, já que a pública continua a sonegar tudo nem que os factos se dêem em Maputo, o método é dar-se uma resposta que faz calar os gritos do povo ao mesmo tempo que beneficiará ao poder. Fazer calar de imediato à população de Maputo, chapeiros e os passageiros, para que não seja exemplo das restantes e pior ainda fazer ver o descontentamento dos moçambicanos à comunidade internacional. Se fosse em Montepuez ou Mocímboa da Praia, a medida era outra – meter todos os reivindicadores numa caixinha para morrerem asfixiados ou embuscá-los e matá-los à catanada. Em Maputo é só prometer-se a distribuição do dinheiro do Estado.

Reflectindo sobre Moçambique

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

ATACAR OS ORTODOXOS? CORRESPONDER AOS SEUS ATAQUES?

Canal de Opinião: por Noé Nhantumbo,

Uma necessidade inadiável…


Beira (Canal de Moçambique) - Não é 100% certo que de facto sejam ortodoxos, marxistas-leninistas da linha original ou suas reminiscências. Com tantas corruptelas a solta por aí, nada nos garante que seja o produto original. Até porque não é importante que sejam ou não ortodoxos. Relevante é o que fazem e dizem. É o que planificadamente e com a anuência dos titulares dos cargos públicos lhes é permitido que façam.
O importante é o que se deve fazer com essas fontes permanentes de opiniões e sobretudo de manifestações claras de intolerância politica.
Usando meios públicos e órgãos de comunicação social públicos avançam de maneira aberta na protecção das irregularidades e do ilícito primando pelo silencio quando é importante referir e mencionar os factos que ocorrem na praça publica.
Os nossos problemas entanto que país são muitos e evitar acrescentar outros não é o que se necessita de momento.
Impõe-se sim transferir a riqueza discursiva de alguns mestres do passado, que teimam em continuar a baralhar e distribuir as cartas como se o país fosse só deles para frentes de trabalho onde tal é necessário.
Não se pode negar a utilidade e necessidade de se usar da experiência que essas forças do passado possuem. Mas não se lhes pode conceder o monopólio da opinião nos órgãos de comunicação pública e nem se pode atribuir uma importância e papel que não possuem.
Quando analisadas com atenção, as acções por eles executadas no passado recente do país até foram fracassos. Tanto em política económica proposta e executada, como seu trabalho noutras esferas da vida nacional, somos levados a dizer que deixaram muito pouco a desejar. Não se pode de maneira alguma subestimar o papel que certas pessoas tiveram nos esforços para a conquista da independência nacional. Mas é preciso ter muitas cautelas e atenção para não se cair no erro de sobrestimar os feitos e colocar os participantes na luta pela libertação nacional num pedestal imerecido.
Os moçambicanos têm de ser capazes de avaliar os factos que se lhes apresentam de maneira clara e tirar as conclusões que interessam a maioria. Não podemos continuar presos a teorias duvidosas que não até nem conseguiram provar noutras latitudes.
A tentativa persistente de associar os destinos deste país ao que somente uma minoria de “eleitos” julga que é o melhor para ele, já provou ser um caminho errado. Sempre que a opção privilegiada e aplicada foi a promoção de “supostos eleitos” e a exclusão da maioria enveredou-se para práticas que desembocaram no desentendimento, crises e conflitos. Os mestres do passado tem um conhecimento profundo do país mas isso não significa que as soluções por eles propostas sejam sempre as melhores.
De combatentes declarados da burguesia, a realidade não deixa mentir, muitos dentre eles transformaram-se em burgueses de facto, capitalistas e accionistas que até Marx e Lenine de seus túmulos devem estar abominando.
Aqui a questão não é estar contra a riqueza de fulano ou beltrano. Pretende-se é discutir ou trazer para domínio público aquilo que é público e de interesse público.
Aparentar, esconder, encobrir, proteger, usar de subterfúgios e estratagemas para manter a situação imutável, são práticas sobejamente conhecidas entre nós.
Só que há alguns erros na avaliação dos mestres e paladinos do socialismo de ontem, hoje capitães do capitalismo selvagem. Eles partem de pressupostos errados e desse modo arriscam-se a levar o país para crises e conflitos perfeitamente evitáveis. A intolerância e o receio activo de alguns mestres, de que a alternância democrática no país possa conduzir a situações em que eles sejam julgados por acções passadas leva-lhes a cultivarem, promoverem e usarem toda uma série de meios para perpetuar o status. Compreende-se o seu medo. Afinal. Alguns dentre eles poderiam de facto ser considerados culpados de actos merecedores de sanção judicial.
Outra coisa que lhes faz correr e defender o indefensável são as regalias e privilégios que a sua posição actual garante. Julgam que poderiam desaparecer em caso de mudança de governantes. Essa realidade em que vivem, torna estes mestres do passado extremamente perigosos e acutilantes nas suas acções.
Desamarrar os nós estabelecidos, as alianças em que existem, as tendências megalómanas que teimam em manifestar são acções que requerem muita inteligência, tácticas e habilidades.
Confrontar com dinossauros, poderosos e entrincheirados em estruturas políticas omnipresentes, requer capacidade, discernimento, persistência.
Está claro que uma das armas eleitas pelos defensores da manutenção do status é a distribuição de favores políticos, económicos e financeiros.
Fazem de conta que estão aceitando a integração de novos elementos no seu partido mas na verdade estão só garantindo que nas regiões estratégicas haja votantes a seu favor. Não é que tais novos membros cheguem algum dia a ocupar posições com peso para desequilibrar a balança. Tudo o que é permitido aos novos membros é brilharem e comerem das migalhas que restam do banquete principal.
Esta maneira de proceder não é exclusiva do partido no poder. Sempre que conta, é alguém do núcleo dirigente que toma funções e dirige as acções. Os partidos da oposição em Moçambique aparentemente também aprenderam a fazer o mesmo.
É toda esta ortodoxia que importa contrariar através de uma acção inteligente e continuada para assim se conseguir trazer aos moçambicanos, alternativas e soluções para os problemas que teimam em não conhecer fim.
Não se pode desarmar numa situação em que estão em risco não só nós assim como as gerações do amanhã.

Fonte: Canal de Mocambique


Democracia bizarra

A talhe de foice

Por Machado da Graça

Há poucos dias ouvi na rádio uma notícia que aumentou, ainda mais, a minha estranheza em relação à nossa tão bizarra democracia.
Em linhas gerais, a questão foi assim: um grupo de cidadãos da Manhiça sentiu que estava a ser lesado e que as suas terras estavam a ser usurpadas. Não faço ideia se tinham razão nem isso vem para o caso.
Para defenderem os seus interesses, elaboraram um documento e decidiram ir entregá-lo a quem de direito. E decidiram que, como forma de dar maior peso à sua preocupação, fariam uma marcha pacífica através da Manhiça até à repartição onde iriam entregar o documento.
Gente ordeira e sem nenhuma intenção de criar desordem, os organizadores da marcha informaram a Polícia da data e local em que pretendiam realizá-la. E pediram que a Polícia os protegesse durante a manifestação.
Se bem percebi a notícia, ninguém lhes respondeu. Nem sim, nem não, nem sequer talvez.
No dia e à hora marcadas lá se juntaram os marchantes para irem levar a sua carta ao destino.
E, provavelmente, terão ficado satisfeitos por verem a Polícia presente, de acordo com o que tinham pedido.
Erro deles.
A Polícia estava lá, mas era para carregar violentamente contra os marchantes.
Não era para manter a ordem, em nada ameaçada pelos pacíficos manifestantes, mas para criar a desordem e a confusão através do seu comportamento violento e totalmente desnecessário.
Quando será que as autoridades deste país percebem que a manifestação pacífica é um direito democrático?
E, se a actual lei das manifestações põe demasiados condicionalismos absurdos à sua realização, essa lei deve ser urgentemente alterada para que não continuem a acontecer coisas destas.
Custa a perceber que a nossa Polícia não seja capaz de acabar com a criminalidade no país, mas gaste os seus esforços a reprimir cidadãos pacatos que em nada ameaçavam a segurança ou a paz local.
Coisas de uma democracia mal aprendida e pior posta em prática por pessoas que de democratas pouco têm.
É a nossa realidade...

Fonte: Mocambique para todos

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

O Quénia, uma surpresa?

SAVANA, David Aloni

Só em África é que isso pode acontecer, porque os Partidos no poder são alérgicos à alternância do poder. Para eles é apenas fachada ou traça do edifício. O conteúdo do conceito não interessa. Só querem o poder e à foça. Só que a explosão da população do Quénia veio dizer basta de fraudes eleitorais e basta de ser explorada pelos seus próprios concidadãos. Donde se poderá inferir que o que está a acontecer no Quénia é a luta de classes sociais (“Class Struggle”): os ricos demais de um lado, e os pobres demais do outro. Foi assim que a fúria contra os ricos demais eclodiu por todo o Quénia. Não é tanto o tribalismo, embora este possa ter contribuído, em parte (“somehow”), mas em menor escala. São muitas as lições que os países africanos devem (“must=have to”) extrair do “Caso Kenya”, porque a África ainda não está em Paz real e efectiva. E como bem o disse o prof. Dr. Lourenço do Rosário, no âmbito da Conferência Internacional, do MARP, realizada na capital moçambicana: “NÃO HÁ POVOS PACÍFICOS, NO MUNDO”.

Logo, é falsa e enganosa a premissa segundo a qual o Povo Moçambicano é pacífico. Isso não é verdade! É só para fazer dormir o boi. O povo vai sendo domesticado e enganado, com falácias políticas dos detentores do poder político-administrativo e económico. Por isso, eu digo com muita convição socio-antropológica e psicológica que, em Moçambique, todas as possibilidades são possíveis para a eclosão de um conflito social e económico. E hoje, mais do que nunca, a luta de classes é evidente, no nosso País. Cuidem-se os dirigentes políticos, porque a vida não está fácil, está muito difícil para o povo, e os pobres demais estão a ferver. Estão num estado de ebulição psico-sociólogica de consequências imprevisíveis. Povo é igual a si mesmo, em todo o
Mundo.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Renamo mexe quadros

A RENAMO acaba de proceder a mexidas na sua organização interna, num processo que visa colocar o homem certo pelo lugar certo, com vista a responder aos desafios decorrentes da participação do partido nas próximas eleições.

Assim, segundo fonte da organização, Fernando Mazanga cessa as funções de chefe do Departamento de Informação, cedendo o lugar a Rahil Khan que é também deputado da Assembleia da República. Mazanga vai trabalhar no gabinete presidencial, como assessor para a comunicação, mantendo ainda as funções de porta-voz do partido. Fernando Mazanga foi igualmente designado chefe do gabinete central de eleições para a área de marketing, comunicação e imagem.

De acordo com a mesma fonte, a Renamo criou um novo gabinete virado à organização, que será chefiado por João Alexandre, deputado da Assembleia da República. Alexandre foi em tempos secretário-geral da “perdiz”. Este departamento fica com a responsabilidade de garantir a implantação do partido a todos os níveis e imprimir uma nova dinâmica nas suas actividades, tendo sempre presente os desafios políticos da organização.

Por outro lado, Artur Vilanculos, deputado da Assembleia da República, cessa as funções de chefe do Departamento das Relações Exteriores, cargo que passa a ser ocupado por Ivone Soares. Este departamento tem a responsabilidade de controlar e mobilizar os membros da Renamo na diáspora, sabido que estes serão sempre chamados a participar em processos políticos, segundo estabelece a Lei Eleitoral.

O coronel José Manuel vai chefiar o Departamento dos Assuntos Sociais e desmobilizados, lugar vago na sequência da morte do seu titular, o general Mário Frank.

A nossa fonte disse que estas movimentações foram feitas pelo presidente do partido, Afonso Dhlakama, ao abrigo das competências e atribuições que lhe são conferidas pelos estatutos.

Dentro de dias os nomeados serão convidados para o acto de posse.
A fonte partidária confidenciou-nos que dentro da reorganização interna a Renamo irá proceder a outras mexidas na perspectiva de injectar novo sangue nas veias da organização e imprimir nova dinâmica no seu funcionamento.

Fonte: Jornal Notícias

quinta-feira, janeiro 31, 2008

A guerra blogsférica continua?


A lista de supostas pessoas que desistiram e continuam em contribuir no Diário de um sociólogo e as respectivas qualificacões e desqualificações feitas por um “anónimo”, é muito e muito interessante. Ainda preciso de muito tempo para eu encontrar o que essas pessoas têm em comum. Não é fácil para mim, e, para tomar como exemplo, a Fátima Ribeiro tem mostrado interesse em discutir assuntos relacionados à educação/pedagogia; o Bayano comentou há pouco num assunto que achou importante e teve tempo para deixar algumas palavras e eu pude o referir na última postagem a partir daquela fonte; o chapa 100 contribue onde quer que seja e em assuntos que quer, dependendo do tempo, Florêncio, Egídio, Agry, idém. Dos seus desqualificados, talvez o melhor é eu não mexê-los, mas a verdade deve ser por serem de opinião contrária. Então não é aquilo que suspeitei que anda nos blogues um tipo de guerra, um de recrutamento de associados, partindo de uma construção de um “Nós e os Outros”? Que saudade eterna de Edward Said!

Tenho visto no Diário de um sociólogo e em muitos blogues moçambicanos, muitas pessoas a insultarem às outras e as mesmas a queixarem-se de ser insultadas e, isso acontece quando a alguém tiver atingido nos pontos mais sensíveis da outra pessoa, do seu “adversário” ou sentir-se assim atingido.

Não vamos nos enganar, aqui na blogsfera moçambicana, são pouquíssimas as pessoas que respeitam o pensar diferente, mas todos reclamam o direito ao respeito e à tolerância do pensar diferente. Há muita agressão, muito grupismo ou tendência para isso, muita defensiva vs ofensiva, muito desprezo, muita dedicação à desqualificação, muita intolerância, muito recrutamento. Pessoalmente, não vejo os motivos, por exemplo, de alguém ter que se revoltar por uma lista dos mais ricos em Mocambique, ainda que o seu nome não esteja lá. Em muitos países este tipo de lista é normal.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

A STV: A Frelimo vai recuperar os municípios sob governacão da Renamo?

A Frelimo vai ou não recuperar os municípios em poder da Renamo nas próximas eleições autárquicas?

Esta é uma pergunta problemática como o Bayano afirma no Diário de sociólogo e fundamentalmente porque as autarquias não pertencem a nenhum partido, mas sim ao estado moçambicano, tendo os partidos e associações moçambicanos, a pé de igualdade, o direito de concorrer para governá-las. Mas porque a STV optou por servir a retórica do Filipe Paúnde, vou tentar analisar neste texto o serviço prestado por este meio de comunicação social. A pergunta parece ser mais intencionada para exprimir o desejo do jornalista ou da direcção do STV de fim da democracia multipartidária e regresso ao regime monopartidário como Marcelino dos Santos e Mariano Matsinhe declararam publicamente.

Recuperar como se reaver algo perdido de seu direito inalienável como é o caso dos municípios da Beira, Nacala-Porto, Ilha de Moçambique e Angoche e porque não Marromeu é falacioso. Se na altura das assembleias distritais a Frelimo os governava foi por imposição, foi por ditadura. Se a Frelimo governou todos os 33 municípios como resultado das eleições autárquicas de 1998, foi por os partidos da oposição e em particular a Renamo ter as boicotado. Ainda, há que notar que a participação foi de menos de 15 % dos eleitores e mesmo contando com votos enchidos fraudulentamente nas urnas. A exemplo está o que foi provado em Dondo (ver aqui). Acima de tudo, houve uma campanha nacional de boicote a estas eleições o que pelo elevado número de abstenções nos pode criar dúvida se não é o boicote que havia ganho naquele escrutínio.
Nas eleições de 2003, houve uma repetição de um fluxo de abstenções embora houvesse a participação dos partidos da oposição. Os resultados, que devem ter sido influenciados pelo grande número de abstenções, foi totalmente contrário as previsões (ver aqui ) baseadas nos resultados das eleições gerais de 1994 e 1999. Segundo AWEPA, a previsão era de a Frelimo ganhar em 18 e a Renamo em 15 municípios, enquanto que em dois, nomeadamente Nampula e Quelimane seria uma disputa renhida entre os partidos principais. Aliás nesta previsão a Renamo estava segura em sete municípios e a Frelimo quinze e, em disputa estavam onze municípios. Surpreendemente, a Renamo ganhou em 2 dos municípios seguros e 2 dos em disputa.

Para mim, uma pergunta válida e favorável à democracia multipartidária seria de se a Renamo recuperaria o seu apoio eleitoral, ela conseguiria mobilizar o seu potencial eleitoral para ir às urnas nas próximas eleições autárquicas. Isto porque na percepção de muitos analistas, um dos grandes causadores das derrotas da Renamo é o maior número de abstenções do seu potencial eleitoral.

terça-feira, janeiro 29, 2008

O Secretariado-geral da Renamo reestrutura-se

O Secretariado-geral da Renamo da Renamo reestrutura-se, ficando assim:
João Alexandre - chefe do departamento de organizacão
Rahil Khan - chefe do departamento de informacão
Ivone Soares - chefe do departamento das relacões externas
José Manuel - chefe do departamento de assuntos sociais e desmobilizados
Armindo Milaco - chefe do departamento de mobilizacão

Leia mais aqui !

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Parabéns Itoculo (2)

Continuando,o tema anterior, ver aqui, venho com este texto apresentar a minha reflexão sobre a racionalizacão da HCB, tomando como exemplo, o consumo da sua energia no Posto Administrativo de Itoculo, em Monapo.
O distrito do Monapo conheço todo, pois que já o percorri em todas as suas localidades duma ou doutra forma. A maior parte do solo do distrito do Monapo é fértil para a prática de agricultura sobretudo para o algodão, milho, feijões. Por estas razões, o distrito do Manapo teve desde o tempo colonial grandes plantações de algodão que abandonadas pelos colonos se transformaram em machambas estatais Unidade de Producão como na altura se chamavam. No Itoculo, a zona de Marua, é o centro agrário. Em Monapo, tem-se Metocheria e Miserpane enquanto que em Netia se tem Imala 2, Mecuco e e Há também no Monapo muitas plantações de sisal as quais fazem com que o distrito tenha muitas pequenas vilas, tais como a de Ramiane no Itoculo, Mecuco em Netia, a Jagaia, Metocheria, Miserepane em Monapo, sem me esquecer da plantação de sisal situada entre a vila do Monapo e a Monapo-Rio. As plantações de sisal têm fábricas de sisal.

Contudo, há partes do distrito do Monapo com solos menos férteis ou que dão para o cultivo de cereais para o consumo familiares e um pouco mais para a comercialização. A zona onde se descreve como tendo se instalado a rede de energia eléctrica é totalmente desta úúltima categoria.

Com esta pequena apresentação do distrito do Monapo, em termos de agricultura, pretendo criar uma reflexão sobre se a ligação de energia de HCB é um investimento economicamente rentável ou não. O texto do notícias aponta claramente que apenas 25 pessoas e eu traduzo isto como famílias num universo de centenas em Muelege e Itoculo sede, onde foram instalados PTs (postos de transformação), são as que consomem a energia eléctrica.
No artigo não aparece o impacto positivo da ligação da energia eléctrica na produção de cereais e de culturas de rendimento de que o posto administrativo de Itoculo é potencial e aparece sublinhado no sua introduccão. E, pode-se compreender que embora o investimento igual seja discursivamente para estimular a produção, a instalação de energia eléctrica até no Itoculo-Sede está longe de ser essa realidade, quanto muito, ela é para o consumo privado. Mas quem são esses privados? O administrador, alguns funcionários públicos, tais como professores, o pessoal da saúde e outros que duma ou doutra forma têm trabalho assalariado. Essas que na sua totalidade são 25 pessoas ou famílias como eu quero designá-las.

Para se falar de um impulso na produção de cereais e culturas de rendimento com a instalação de energia da HCB, era necessário que se dissesse o que isto concretamente vai acontecer e onde. Com a iluminação de poucas casas não impulsionará qualquer produção agrícola, sem eu dizer que não há nisso um algum impacto positivo. Esperando que o Ministério de Educação quererá pagar pela energia, as escolas de Muelege e Itoculo, ambas leccionando até a 7a classe, isto é, EP-Completas, serão electrificada e assim se poderá frequentar em curso nocturno. A vida cultural será mais viva e os professores jovens nunca mais passarão ao que me aconteceu: sair de Muelege para Monapo-sede para assistir a um filme regressar no fim dele era uma noite sem dormir.

Mas a HCB é uma empresa com qualquer privada ou estatal que deve funcionar para fins lucrativos. São os impostos e dividendos que HCB de que todos os moçambicanos se beneficiarão e não energia eléctrica gratuita como a coisa parece ou que muitas vezes não se explica O Jornalista Mouzinho de Albuquerque já deu esta atencão. Mas se bem que são os impostos e dividendos provenientes dos lucros que a empresa paga aos Estado, o nosso bem-comum, constitui nosso prejuizo quando se investe tanto para uma perda prevista. No caso vertente de Itoculo, era pelo menos justificável se a prioridade fosse de instalar a rede de energia em Ramiane ou Mecuco em Netia nas plantações e fábricas de sisal para uma melhor produtividade nas respectivas fábricas. Aqui, acredito que o número de consumidores privados podia ser maior ao de Itoculo. Mas mesmo isto tinha que ser avaliado em relação aos custos e eventuais lucros.

Entrevista com o escritor Henning Mankell*

O que me revolta


O escritor sueco Henning Mankell um dos romancistas mais lidos no mundo, um pé em Moçambique e outro na Suécia, concedeu uma entrevista exclusiva à revista francesa “Le Nouvel Observateur” (que aqui reproduzimos integralmente) e onde fala da sua querida África, dos seusenvolvimentos, do seu sogro, Ingmar Bergman, e do romance policial “O Chinês” que acaba de terminar, um olhar desapaixonado e muito crítico sobre o que, na sua óptica, se está a passar em Moçambique e no continente africano.Há mais de vinte anos que você vive metade do ano em Moçambique e a outra metade na Suécia.Gosta de dizer “Tenho um pé na neve e outro na areia”.

Nada me obrigava a partir para África: era uma escolha íntima. Aos 20 anos, quando era um jovem autor, tinha a nítida impressão de procurar um outro ponto de vista sobre o Mundo além do etnocentrismo europeu. Já faz muito tempo, em 1972. Desembarquei na Guiné-Bissau, na época ainda colónia portuguesa. Foi uma experiência iniciadora. É o mesmo desejo que me empurra sempre de regresso a África: para ter uma melhor perspectiva do Mundo. Digo muitas vezes que essa experiência africana fez de mim um melhor europeu. Isso explica-se muito facilmente. Esse distanciamento permite-me ver melhor o Mundo – quer se trate da minha mulher, do meu trabalho ou do que leio no jornal — e aperceber-me de forma lúcida tanto do seu funcionamento como das suas falhas. A persistente importância para a Europa da herança dos Lumière e da Revolução Francesa, mas também os problemas que se colocam ao nosso continente. O que aprendi em África permitiu-me tornar-me numa pessoa melhor, e, por isso, espero viver uma vida melhor. Graças a África, conheço melhor o Mundo.

Ocorre-lhe algum exemplo?

O romance que acabo de escrever chama-se “O Chinês”. Há já algum tempo que estou horrorizado por ver como é que os chineses se comportam em África. Parecem-me neo-colonizadores, o que para mim é ainda mais doloroso pelo facto de ter crescido com a ideia de que a China ajudava os países africanos a libertarem-se.E se escrevi este livro é porque sobre essas atitudes eu sei coisas que em geral ignoramos. Vi os chineses na construção, em Moçambique e noutros lugares em África. A China tem um problema de excesso de população rural. Os seus 200 milhões de camponeses não param de empobrecer, e um dia correm o risco de se revoltarem e de “tomar a Bastilha”, ou seja, de se oporem ao Partido Comunista. Os dirigentes chineses prevêem portanto exportar o problema e transplantar para África os camponeses mais pobres (nada menos que 4 milhões!) para que cultivem a terra. É uma forma terrível de colonização, e é exactamente o que fizeram os portugueses antigamente em Moçambique. Pode-se sujeitar os pobres a tudo. E é claro, os dirigentes de Moçambique tirarão proveito financeiro dessa política chinesa. Nos anos 1960, durante a minha adolescência, a China gozava de um imenso prestígio. Mao tinha conseguido alimentar 1 bilião de habitantes. O meu próximo livro tem, pois, como objecto a minha própria desilusão. Há cinco anos, a China fez um donativo a Moçambique, e aproveitou-se disso para enviar a sua própria mão-de-obra. Pouco tempo depois correu um rumor segundo o qual os trabalhadores chineses maltratavam os seus homólogos africanos já instalados, mas o escândalo foi abafado. Esse incidente foi o “clic” para mim: lancei-me em pesquisas na China e em África que resultaram neste livro.

Então não é o petróleo que atrai os chineses em Moçambique?

Sim, não há petróleo, mas há outras matérias-primas que despertam o seu interesse. Há falta de tudo na China, principalmente de matérias-primas. Ela também vê nisso um meio de resolver os seus problemas exportando em massa para o mercado africano. Se apanharem o avião de Joanesburgo para Harare (Zimbabwe), podem constatar que quase todos os passageiros são chineses. Eles estão a criar uma situação sobre a qual os africanos não têm nenhum controlo. Da mesma maneira enviam para a Argélia milhares de operários, que muitas vezes eram prisioneiros na China. Isso também muitas vezes ignoramos. Este livro, que abraça muitas questões, será publicado simultaneamente em vários países em Maio próximo, dois meses antes dos Jogos Olímpicos de Pequim.

Você diz: “Sabemos como morrem os africanos, mas nunca como vivem”.

Cada vez que regresso à Europa e assisto ao Telejornal, só vejo imagens de morte. Mas os africanos também vivem: amam, lutam, sonham, trabalham. E nunca sabemos nada sobre isso. Tento, portanto, oferecer uma outra imagem de África diferente daquela; maioritariamente negativa, veiculada pelos media a quem culpo bastante. Porquê uma tal situação? Hoje, a África não representa grande coisa para nós, económica e politicamente. Mas estamos enganados: neste contexto de globalização, não podemos fazer de conta que a África não existe. É um imenso mal-entendido. E espero que os jovens acabem por se revoltar contra essa situação.

A Europa e a África

Quais os deveres da Europa para com a África?

Antes de mais deveríamos fazer com que o africano fosse tão bem alimentado como o resto do mundo. Se perguntamos onde se encontra o centro da Europa, alguns responderão Bruxelas (centro político da União Europeia), Londres (centro económico e financeiro), Paris ou Berlim (na qualidade de centros culturais). Para mim, o centro simbólico da Europa é a pequena ilha de Lampedusa, ao sul da Itália. Porque é aí que encalham diariamente os cadáveres de imigrantes clandestinos vindos de África. Acho isso repugnante (dégeulasse – em francês no texto). E esse escândalo obriga-nos a perguntarmo-nos: podemos aceitar um mundo assim? Não há outro modo de prever a imigração? Tenho um sonho simples: construir uma ponte entre Marrocos e a Espanha. Sabemos bem que precisamos desses imigrantes.

Os imigrantes e o seu destino desempenham um papel importante nas suas peças de teatro e nos seus romances.

É a imigração que faz a Europa. A história europeia é um assunto de imigração e de emigração. Há um século, muitos suecos partiram para os Estados Unidos em busca de uma vida melhor, e encontraram-na. Nós temos a memória curta! Os europeus conservadores têm medo que os imigrantes lhes venham roubar o seu trabalho. Balelas! Eles vêm fazer o trabalho que nós não queremos fazer. Essa hostilidade corre o risco de nos causar problemas: daqui a vinte anos, quando formos muito velhos, quem se irá ocupar de nós? Coloco, portanto, muita esperança na juventude actual, porque a nossa geração perdeu a batalha. Vivemos num mundo terrível, em que as pessoas não tiram nenhuma lição da sua memória e da sua experiência. Pergunto-me o que diria Voltaire se visse a Europa de hoje. Acho que exclamaria: “É mais do que tempo de recomeçar as Luzes!”.

Quando volta à Suécia como é que vê a evolução do seu país? O modelo sueco, esse paraíso social-democrata de Olof Palme, é um mito ou uma realidade?

Continuo a acreditar que a Suécia é uma sociedade justa, comparada com outras. Mas estou consciente que é confrontada com problemas que não existiam há quinze anos. Assistimos a uma evolução perigosa de Estado-providência. Claro que é preciso proceder a reformas, mas muitas delas têm efeitos negativos. Estou, portanto, inquieto quanto ao futuro. Mesmo se ainda hoje os imigrantes que chegam à Suécia se creiam no paraíso, em comparação com a sua vida anterior. Mas é preciso estar atento para não perder o espírito de solidariedade, que é o fundamento da nossa sociedade. É preciso estar pronto a lutar para conservá-lo.

Mas nos seus romances policiais a Suécia não tem nada de paraíso.

Esse paraíso é um mito criado por vocês e não por nós. São os estrangeiros que ficaram fascinados por esse “modelo sueco” e... pelo loiro das suecas! A Suécia não é responsável pela mitologia que a envolve. E naturalmente ela conhece a sua dose de problemas, nomeadamente aquele de que falo nos meus livros: a relação entre democracia e sistema judicial. Se a justiça funciona mal, a democracia não pode funcionar. A Suécia conheceu vários escândalos, que levam a pensar que a corrupção e o crime organizado estão a desenvolver-se. Constatamos mesmo tendências racistas, com certeza muito menos pronunciadas que noutros países. Os suecos seguiram com atenção os tumultos nos subúrbios franceses. Ainda não chegámos a esse ponto, mas corremos o risco de isso acontecer se não formos vigilantes. Porque a Suécia tem o mesmo tipo de subúrbios, exclusivamente povoados de imigrantes pobres, e onde o sistema educativo é sacrificado. Há algumas semanas foi organizada uma viagem para permitir a adolescentes dos subúrbios da Estocolmo filhos da imigração descobrirem a zona suburbana parisiense. No regresso, todos eles disseram estar mais bem servidos! Mas é preciso estar atento. O maior problema é um problema de pobreza, ao mesmo tempo económica e cultural. A Europa inteira sofre hoje de ignorância. Precisamos de uma nova era das Luzes, uma nova Renascença. Estou assustado pela falta de cultura dos adolescentes. Um jovem sueco, interrogado recentemente sobre as causas da Segunda Guerra Mundial respondeu que Hitler e Estaline disputavam entre si Marilyn Monroe! É muito engraçado, mas é também consternador... Os jovens não compreendem que a democracia pode ser ameaçada por um regresso do fascismo.

Em que é que os seus romances policiais são um bom espelho da sociedade sueca?

Creio que o recurso a uma intriga criminal é um dos mais antigos processos literários. Basta pensar em “Medeia”, uma peça escrita há 2.500 anos, em que a heroína mata os seus filhos por ciúme. É um policial em que não me reconheço! Quando me perguntam qual é a melhor intriga policial jamais escrita, respondo sempre “Macbeth”. O crime como espelho da sociedade não data portanto de Edgar Poe ou de Conan Doyle. Um crime, um conflito mortal actua como revelador dos pensamentos das personagens, das reacções da sociedade. E, depois, todo o mundo gosta de ler um bom policial! A intriga criminal é um bom meio de captar a atenção do leitor, de seduzir os jovens dos subúrbios, por exemplo. Na Suécia, tenho muitos leitores entre os imigrantes recentes. E estou orgulhoso disso, porque isso significa que os meus livros os ajudam a aprender o sueco. Estou convencido que, dentro de vinte ou trinta anos, um autor de romances policiais acabará por receber o prémio Nobel. É um género de tal maneira vivo! E quem ousaria negar que um autor como John le Carré nos ensina coisas importantes sobre o nosso mundo?

Teatro em Moçambique

A sua vida literária é muito variada: escreve romances policiais, romances “literários”, peças de teatro, livros para crianças. Para além disso, é editor e director de teatro em África. Como é que consegue conciliar todas essas actividades?

Trabalho muito! Um dia só tem vinte e quatro horas, e é impossível pedir emprestado cinco anos de vida a alguém... Portanto, a única solução é decidir o que não” vamos fazer. Por exemplo, se diariamente vir uma hora a menos de televisão que o resto das pessoas, isso far-me-á ganhar 365 horas por ano, o que deixa tempo para fazer muitas outras coisas. Um escritor deve amar todos os seus livros com o mesmo amor, como um pai ama os seus filhos. Não pode renegar nenhum. E creio profundamente que todos os meus livros têm um ar de família.

Definir-se-ia como um escritor comprometido?

Sim! Para mim, é uma evidência. Quando me levanto de manhã, sei que me vou encontrar num mundo do qual não posso abstrair. Por exemplo: hoje, estamos a falar de literatura, enquanto que há no mundo milhões de crianças que nunca terão a possibilidade de aprender a ler e a escrever. Para eles, um livro não é nada. É terrível. Mas o mais terrível é que teríamos podido remediar esse problema há anos. Há dois ou três anos, uma organização britânica, creio, avaliou o custo de uma erradicação completa do analfabetismo. Isso seria muito caro, mas não mais do que o que gastamos anualmente em comida para gatos e para cães... Isso revolta-me, pensar que milhões de crianças jamais conhecerão essa maravilhosa experiência que é a leitura. O analfabetismo é uma epidemia ao mesmo nível que a SIDA.

Em Maputo, você é encenador do teatro Avenida. Qual é o seu repertório?

Neste momento, estou a montar “Um eléctrico chamado Desejo” de Tennessee Williams. Mantenho o cenário de Nova Orleães, mas transponho a acção para o seio de uma família negra, em 1955. A estreia terá lugar a 3 de Fevereiro. Acontece-me encenar tragédias gregas, mas como 75% dos espectadores não sabem ler nem escrever, não se pode impor-lhes intrigas demasiado ligadas a uma outra tradição cultural. Eu poderia muito bem montar “Hamlet”: dispomos dos actores apropriados. Mas o público tem necessidade de conhecer a sua própria história. Aí está porque é que escrevo muitas das peças que encenamos.

Livros preferidos

No seu romance “Profundidades”, publicado esta semana em França, como em toda a sua obra, as personagens são, muitas vezes, depressivas. Você pertence a essa tradição escandinava da melancolia e da ansiedade, de Strindberg a Hamsun?

Se quer literatura verdadeiramente melancólica, veja em Portugal! Não estou certo de que a melancolia seja um traço dominante da cultura sueca ou escandinava. É um mito propagado pelos filmes do meu sogro, Ingmar Bergman. Ele dizia muitas vezes, a brincar, que tudo isso era culpa dele! Mas existe uma melancolia inerente à Europa que procura hoje uma nova identidade.

De que é que falava com Bergman?

Nós éramos muito chegados, muito cúmplices. Nos últimos anos, eu era uma das raras pessoas com as quais ele mantinha contacto. Falávamos muito, a maioria das vezes de música. Pode-se falar de música de mil maneiras diferentes. Ele tinha um pequeno cinema só para ele. Devemos ter visto juntos uns 150 filmes: tanto clássicos mudos como filmes recentes. Era sempre apaixonante escutar os seus comentários. Era o primeiro leitor das minhas peças. Faz-me muita falta.

Ocorre-lhe alguma lembrança?

Ele era muito feliz pelo facto de eu, como ele, amar “A Hora do Lobo”, um dos seus filmes menos conhecidos, menos amados. Acho que representava para ele o irmão que nunca teve. A última vez que o vi foi algumas horas antes da sua morte. Eu sabia que ele estava moribundo. E de facto, ele morreu à hora do lobo, entre as 4 e 5 da manhã, à hora, segundo se diz, em que as pessoas nascem ou morrem.

A música desempenha um papel importante na sua vida.

Sonho sempre em escrever como tocava Charlie Parker. Nos seus solos, ele sabia sempre onde ia, e era justamente isso que lhe permitia improvisar. Aprendi muito sobre a escrita graças ao Bird, Coltrane, mas também a Bach. Eles foram uma inspiração em matéria de técnica literária. Para mim, escutar música é sempre uma fonte de reflexão.

Quais os três livros que levaria para uma ilha deserta?

Acabámos de celebrar o cinquentenário do prémio Nobel de Camus. Foi um autor muito importante para mim quando era jovem. E ainda o releio às vezes, menos pelas histórias do que pela sua forma de contá-las. O que seria do mundo sem os escritores franceses? Um dos que mais influenciou a minha vida foi Balzac. Já faz pelo menos trinta anos que ele me acompanha. O seu talento para descrever a sociedade continua única e inigualável. Em matéria de prosa narrativa, ele é o mestre absoluto. Da sua obra eu escolheria “os Camponeses”. E levaria sem dúvida “Cem Anos de Solidão” de Gabriel Garcia Marquez, um livro fundamental. E se queremos compreender o que é ser Humano, levaria “Crime e Castigo” de Dostoïevski. Finalmente, se tenho direito a um quarto livro, escrito por um autor vivo, escolheria “Sorrisos de lobo” de Zadie Smith, que me parece marcar o início de uma obra.

* entrevista conduzida por Gilles Anquetil e François Armanet. Tradução, entre títulos da responsabilidade do

SAVANA – 18.01.2008

Retirado do Mocambique para todos.



terça-feira, janeiro 22, 2008

Revistando a primeira fase do censo eleitoral


Revistando a primeira fase do recenseamento eleitoral, fica-se a saber que 7,6 milhões de eleitores correspondendo 75 % dos previstos, foram recenseados no período entre 24 de Setembro a 15 de Dezembro findo.

Em nove (9) das 11 províncias foram recenseados mais eleitores que o total dos recenseados em 1999. Entretanto, em Nampula e Zambézia, províncias mais populosas do país, com 40 % da população geral recensearam-se menos eleitores que em 1999. Estas são também as únicas províncias que recensearam menos de 70 % dos eleitores. Na província de Sofala o registo eleitoral atingiu apenas a 75 % dos previstos.

Algumas questões preocupantes e sensíveis ao processo democrático:

- Nampula e Zambézia a Renamo arrecada mais votos.
- Uma das queixas justificáveis nas eleições de 2004 foi de que em áreas consideradas bastiões da Renamo da província da Zambézia, alguns eleitores não haviam sido recenseados.
- Há denúncias no decorrente processo de recenseamento, concretamente na província da Zambézia que parecem justificar o número relativamente inferior de recenseados. Alega-se que secretários dos bairros, portanto, agentes do partidão, isto é agentes da Frelimo (ver aqui) promovem exclusão. Estavamos num Estado de Direito a investigação teria sido de imediato.
- As três províncias, Sofala, Zambézia e Nampula estão afectadas pelas cheias, com vias rodoviárias intransitáveis.
- Embora o Secretariado Técnico da Adnmistração Eleitoral (STAE) tenha prometido ser melhor nesta fase que na primeira, por ter pessoal mais preparado a dominar o material informático, sabe-se que muitos dos brigadistas, cerca de 10 %, cerca de 1300 dos 13000 (ver aqui) abandonaram as brigadas do censo eleitoral. Em Sofala, o número deve ter sido ainda maior.Já se relatam avarias de computadores. Tal como na primeira fase, os computadores já andam avariados e isso não é em qualquer pronvíncia, mas em

Nampula

Outras fontes: AWEPA

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Para a resolução de conflitos em África

Um dos grandes problemas que temos em África é "envolver" alguém como mediador de fim de conflitos quando de antemão sabemos que esse pode constituir barreira ou pelo menos retardar o processo de diálogo, paz e reconciliação. Ora, em conflitos há duas ou mais partes beligerantes e essas têm a quem de facto preferem confiar como mediador. E nós em África não aproveitamos todos os recursos humanos que temos e muito menos a nossa própria experiência. A União Africana (UA) e as organizações regionais como a SADC, por exemplo, insistem em confiar apenas aos antigos presidentes que normalmente saem do clube onde muitos deles passaram a vida a defender os membros desse mesmo, tal como assistimos no caso do Zimbabwe.

O processo de diálogo para a paz em Moçambique não podia constituir uma boa experiência para a resolução dos conflitos noutros países africano? O nosso processo de negociação da paz entre o governo da Frelimo e a Renamo mudou de país em país e de personalidades em personalidades para mediá-lo até que se encontrou o país, a Itália e pessoas que fossem de confiança tanto para a Frelimo como para a Renamo.

Quanto ao conflito do Quénia já assistimos e vamos assistindo uma série de movimentação de muitas personalidades, mas a mim falta ainda saber se a rejeição das mãos destes não se trata de falta de confiança delas por parte dos ou de um dos envolvidos no conflito. Apercebendo-me agora que pretende-se ou já se envolve a Graça Machel, não tenho nada contra, antes pelo contrário, também Benjamin Nkapa, Kofi Annan entre outros, interrogo-me pela recusa de uso do nosso capital da paz em Moçambique, nomeadamente, Afonso Dhlakama, Raúl Domingos, entre outros. Aí temos os casos da República Democrática do Congo, Uganda, Sudão que se arrastam anos sobre anos. O nosso ex- PR, Joaquim Alberto Chissano, um dos mais envolvidos na resolução de conflitos no continente devia se lembrar do nosso próprio processo e usar o nosso capital da paz como catalisador das negociações. Isso salvaria algumas vidas.

domingo, janeiro 20, 2008

O Município da Beira em balanço

A Sociedade beirense vai avaliar amanhã, dia 21 de Janeiro, a gestão do elenco em exercício. Leia mais

quinta-feira, janeiro 17, 2008

A justiça esperada

Por João Baptista André Castande

“Tribunal popular
Fogo de barragem. Um homem crucificado nas suas palavras. Um homem escovado, posto ao sol. A contundência verbal. O afiar das facas, à luz de metal duma tarde que se escoa de mansinho. Um homem de cócoras. Um homem a chorar devagarinho.
Os garfos dilacerando a memória.
Um homem, e a verdade transitória das palavras que diz e ficam por dizer.
Um homem que morre, na tarde a morrer.
Um homem que nasce, inteiramente novo, moldado e forjado nesta palavra: povo”, Jorge Alberto Viegas, in “O Núcleo Tenaz”, pp22


SR. DIRECTOR!
Finalmente, e como aliás era de esperar, o cidadão Dr. Augusto Raul Paulino, outrora juiz-presidente do Tribunal Judicial da Província do Maputo e agora em funções de Procurador-Geral da República, decidiu processar o semanário “Zambeze” e o respectivo jornalista de nome Alvarito de Carvalho, além de apresentar participação no Conselho Superior de Magistratura Judicial contra a juíza Dra. Isabel Rupia, esta por se ter pronunciado publicamente sobre “matéria de que tomou conhecimento através da leitura do processo em que esteve envolvida na qualidade de representante do Ministério Público” e aqueles “pelo conjunto de artigos que, na óptica do cidadão, ofendem a sua honra, bom nome e reputação”, segundo uma notícia inserida na página 9 do semanário “Domingo”, edição de 13-01-2008.

No meu primeiro pronunciamento sobre a questão em apreço, publicado pelos jornais “Notícias” e “Diário de Moçambique” de 24 e 26 de Dezembro de 2007, respectivamente, sugeri que tendo em atenção que “a vozearia criada em volta do Procurador-Geral da República, Dr. Augusto Raul Paulino, atinge gravemente o seu bom nome e dignidade, seria de boa norma que o Conselho Superior da Magistratura Judicial se pronunciasse publicamente, repondo a verdade dos factos em defesa da honra da pessoa visada”, sob pena de “a honra, o bom nome, a reputação e a imagem pública da pessoa atingida ficarem definitivamente beliscados, inclusive a credibilidade do povo em toda a máquina estatal de administração da justiça”.

A sugestão em alusão, teve como base a forte convicção de que se fosse o próprio Dr. Augusto Paulino a propor procedimento criminal contra os detractores da sua pessoa, como agora ficou decidido, o respectivo processo seria por demais polémico na medida em que a parte contrária olharia para ele não como um qualquer ser humano em pleno exercício do seu direito de cidadania mas sim como homem de Estado, com poder de pôr a magistratura do Ministério Público a agir em defesa de causa própria na medida em que como foi alegado por antecipação, “os magistrados formam um corpo mais ou menos fechado...”!

Desta feita e tomando em consideração a forma como agora os factos se apresentam, só resta-nos apelar e esperar que nos processos a serem instaurados brevemente, todas as partes intervenientes saibam agir com serenidade e ponderação, isto é, sem precipitação e muito menos alegações sofistas, desconexas e/ou destrutivas.

Indubitavelmente, o momento será de decisivo e abnegado engajamento de todos na busca da verdade material que cada uma das partes defende, de modo a habilitar da melhor forma o juiz da causa a ditar um veredicto final insuspeito.

De resto, sendo a República de Moçambique um Estado de Direito democrático e de justiça social, que por isso subordina-se à Constituição e funda-se na legalidade, espero que nada nem ninguém ficará prejudicado na peleja jurídica a ter lugar em breve, peleja essa que, diga-se em abono da verdade, prevê-se que será tão dura como renhida, a medir pelos pesos-pesados com que contam ambas as partes.
Razão pela qual julgo que a justiça está sem dúvidas nenhumas sairá a ganhar, para a felicidade de todos nós. É a justiça esperada!

Tenho dito.

sábado, janeiro 12, 2008

Sobre a crise de Quénia Machado da Graça faz uma analogia

... E sabemos que não é só no Quénia que essas coisas acontecem. Casos como o do sr. Albuquerque, na Beira, apanhado em flagrante delito de falsificação de números a favor da FRELIMO, ou dos distritos de Tete em que houve muitos mais votos a favor da FRELIMO do que o número de votantes no seu total, são recordações que não podemos deixar de ter em conta.
E que assustam quando vemos, no Quénia, até onde podem levar um país aparentemente calmo e pacífico.
No nosso caso, Sousa, talvez o mais preocupante tenha sido o facto de que os criminosos ficaram impunes, protegidos por aqueles a quem favoreceram com os seus actos. Ninguém puniu o sr. Albuquerque, ninguém puniu os responsáveis das mesas de voto, em Tete, de onde previamente tinham sido expulsos os representantes da oposição.
De resto, a nova lei eleitoral parece feita de propósito para que actos destes se repitam. Se a memória não me falha, diz que, nos casos em que os números de votos na urna e de votantes registados nos cadernos sejam diferentes, prevalece o número de votos na urna. Isto quer dizer que se, numa mesa de votação, tiverem votado 30 pessoas mas aparecerem na urna 500 votos, esses votos são considerados válidos.
Há um provérbio antigo que diz que, ao vermos as barbas do vizinho a arder, o melhor é metermos as nossas dentro de água.
Neste momento as barbas do Quénia estão a arder violentamente. Tenhamos o bom senso de, nos próximos processos eleitorais, mantermos as nossas barbas dentro de água.Um abraço para ti, do

Leia todo o texto aqui

PS: O sublinhado é meu

O perigo da manipulação

Por Pedro Nacuo

HÁ-DE ser a quinta ou sexta vez que aqui falámos de quem fala em nome do povo, mentindo às toneladas, metendo na boca desse sempre necessário e quase invisível fenómeno, quando a ambição se torna desmedida, o POVO! Não é por acaso que se trata de uma designação com raízes políticas, para se referir às pessoas. E povo acaba sendo um termo a usar sempre que nos descobrimos insignificantes para determinadas aventuras.

É o povo que gosta de um determinado dirigente, é o povo que não quer isto e aquilo assim como é o povo que quis fosse representado por quem o representa, ainda que em poucas vezes razoavelmente, mas muitas vezes mediocremente. E é usando o povo que os nossos dirigentes são todos os dias enganados.

São enganados que são da total estima do povo, esse que dizem que faz ofertas aos seus dirigentes: galinhas, cabritos, cabeças de vaca, objectos de arte, etc. Diz-se que é o povo que está a oferecer. Nenhum governador disse ao Presidente da República ou outro dignatário hierarquicamente superior que a oferta foi maquinada por si e nalguns casos custou a força para obrigar o povo a dar. Ninguém já disse que noutros casos eles mesmos tiveram que comprar para oferecerem-no em nome do povo.

Os políticos são facilmente enganáveis, não sei porquê! E assim quando descem aos distritos, os governadores são “vítimas” do mesmo tratamento pelos administradores e outros funcionários subalternos, tudo em nome do povo. Qualquer dia receberão (se ainda não aconteceu) um produto roubado ao povo para serem oferecidos em nome do mesmo.

Ora, em Quissanga, num comício popular orientado pelo governador provincial, levantam-se intervenientes que disseram que estavam a gostar do novo administrador. Estavam a falar em nome dos outros, do povo. Que era um dirigente que se algum dia tivessem que mexe-lo fosse apenas para subir de cadeira. Ou é administrador de Quissanga ou sobe para qualquer coisa como director provincial de outra coisa, ou governador, ou outra coisa ainda superior. Isso meteu-se na boca do povo.

Disseram, em nome do povo, que uma viatura para o senhor administrador, é pouco. Justificaram que quando ela está com o secretário permanente, o administrador fica sem meio para locomoção. Certo! Então o povo estava a pedir mais uma viatura para o administrador. Esse povo!!!

Entretanto, aqui perto dos jornalistas alguém da audiência quer saber quem é que estava a falar, pois não se tratava duma cara facilmente identificável. Até se queria saber donde tinha vindo, primeiro pela forma como falou em nome do povo, segundo, simplesmente porque parecia uma pessoa desconhecida.

Em Palma, muito já se disse. O administrador distrital pós no programa do governador a visita a uma pensão na vila, construída recentemente, numa sede distrital onde não havia nenhum lugar de hospedagem. Bravo! Quando se quis saber de quem é a pensão, a resposta não se fez esperar: do senhor administrador, aliás, da esposa do senhor administrador. Ficou mais intransparente do que opaco ou translúcido.

E o povo veio ao comício denunciar um comboio de desmandos do chefe máximo do distrito. E o outro povo, este constituído por sete a oito pessoas, no mesmo comício, disse tudo de bom do administrador: que tinha feito uma pensão, trouxera uma parabólica para ver televisão, a água voltara a jorrar e a energia eléctrica havia, igualmente, regressado ao convívio de gente média da sede do distrito.

O povo de Palma virou povos! Todos os presentes viram-se complicados a ponto de o governador mandar impor disciplina, porque quando um povo falava o outro povo contradizia em voz alta, de forma claramente indisciplinada. Saímos sem saber de que povo se tratava. Vieram as acusações mútuas de terem sido contratados para falar.

Eliseu Machava (a experiência manda...) tinha que cair numa acertada medida: mandar ir perceber! Para tanto, enviou os seus homens de competência técnica e investigativa reconhecida para trazer algo que se aproxime à verdade, entre tudo o que um povo disse, o outro povo desmentiu e aquilo que se disse do povo nos relatórios e mensagens. Estamos à espera do relatório.

Em Nangade, sempre que se fala da aproximação de uma visita importante há um agente económico que prepara pessoas para irem depor contra alguns sectores de actividade, bastas vezes, a Migração, as Alfândegas, a Guarda-Fronteira e a Polícia da República de Moçambique.

São instituições incómodas para o caso de Nangade, sobretudo para quem, sendo agente económico, pretende exercer a actividade, aparentemente para o benefício do povo, mas sem pagar os impostos e taxas correspondentes, que na verdade são para o benefício desse mesmo povo.

Disseram-nos que até paga a quem vai falar. E quem fala, fá-lo em nome do povo, porque é ao povo que se pede que fale. E assim os comícios animam, há muitos aplausos, gritos estridentes, acabando por se ficar com a sensação de uma boa reunião onde o povo se expressou a contento.

O agente económico, bem conhecido, até vai ao comício controlar os seus mandados, a ver se colocaram os pontos como queria, normalmente que enfraquecem as instituições, principalmente quando a resposta do chefe for de condenar as pretensas atitudes dos agentes do estado.

P.S. E aí está o cúmulo da instrumentalização: em Nangade um cego levantou-se para dizer ao governador que andava muito decepcionado com a educação pois que ultimamente via (de ver) alunos sujos e rotos a irem para a escola, onde encontravam os professores aprumados, asseados e todos com batas limpas. E para ele a educação não está a funcionar bem porque também não ensina os alunos a ficarem limpos.

Fonte: Jornal Notícias

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Parabéns Itoculo (1)

Parabenizo ao posto administrativo de Itoculo, distrito do Monapo, na província de Nampula por ter passado a consumir energia eléctrica de “HCB”. A notícia vem veiculada no Jornal Notícias, na sua edição de 11-01-2008.

terça-feira, janeiro 08, 2008

O recenseamento eleitoral na segunda fase

Publicou-se no Jornal Notícias, na sua edicão de hoje, um abandono de de centenas brigadistas e educadores cívicos do recenseamento eleitoral na província de Sofala. Não consegui abrir a página.

PS: este assunto desenvolverei depois.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Luta Blogosférica mocambicana

Luta por uma blogosfera clânica em Moçambique?

Pelo que tenho lido em alguns blogues moçambicanos, nestes últimos dias, não me deixa sossegado sem manifestar a minha indignação quanto ao que parece um manifesto contra alguma coisa que ainda não sei dar nome. Uma guerra na blogosfera moçambicana? E se isso for qual é a razão de ser e qual é o objectivo? Será que os blogues estão incomodando a certas pessoas ou a um grupo? Quais ou qual? Em que os blogues incomodam? Em suma, quem se sente ameaçado pelo desenvolvimento de blogues em Moçambique?

Uma das minhas indignações pende-se na tendência de constituição de clãs blogosféricos moçambicanos, algo que não deixa transparecer em alguns textos que manifestam uma campanha de mobilização de apoiantes, por vezes bem seleccionados. Há um pior nisso que constitue em amarrumação em carapu de corrida de que se é esperto, julgando-se aos outros, incluindo a maioria que vive pelo dumba-nengue ou o informal, e, porque não pela agricultura sustentária, que é a maioria moçambicana também analfabeta e nem sabe da existência de blogues, a quem não entende o jogo. Neste sentido, mata-se silenciosamente o slogan "unidade nacional" e criando-se blogues clânicos que nem que não respeitem ou sigam um tipo de fronteiras já reconhecidas de qualquer modo, na blogosfera parece estarmos para dois clãs a do PODER e do Povo . A selecção de melhores "o quê" do ano 2007 e pedido de aderência ao grupo dos melhores, em 2008, parece ser um dos manifestos.

Felizmente, não estamos em 1975, mas o que vivemos hoje na blogosfera pode um dia constituir uma infelicidade, porque mais do que discurso ou atitude dessa época, precisamos agora de mais de uma coerência e prudência nos nossos discursos. Temos que ir à realidade e agirmos consoante ela.

Felizmente, temos ainda bloguistas que procuram nos fazer entender que as guerras clânicas na blogosfera moçambicana são absolutamente desnecessárias.

Que ano de 2008 seja de Paz também na blogosfera moçambicana!

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Quénia em chamas? (1)

Tornou-se público, em muitos jornais do mundo, que a CNE queniana foi pressionada a anunciar vitória de Kibaki, uma denúncia feita pelo seu presidente, Samuel Kivuiti. Leia + aqui