Mostrar mensagens com a etiqueta multipartidarismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta multipartidarismo. Mostrar todas as mensagens

sábado, dezembro 01, 2018

No multipartidarismo os partidos políticos procuram ter cidadãos exemplares como membros


E assim devia ser mesmo hoje e em todos os partidos políticos. Não há onde consta que na democracia liberal, na democracia multipartidária, no sistema de economia de mercado ou como queiram chamar, os partidos políticos têm que ter como membros, os preguiçosos, os ladrões, os fraudulentos, os trafulhas, embusteiro, aldrabões, vigaristas, trapaceiros, gente sem dignidade, sem ética. Antes pelo contrário, nos verdadeiros sistemas multipartidários os partidos querem ter como membros os cidadãos exemplares e por isso, no caso de um membro que mostrar valores comprometedores se demite logo e logo e nunca se promove como temos visto em Moçambique. Caso não o eleirorado PUNE.


A imagem pode conter: 1 pessoa

quarta-feira, agosto 15, 2018

"Da democracia partidária e o artigo 74 da Constituição

Por Teodato Hunguana

Introdução

A recente revisão constitucional, ao introduzir a designação dos candidatos a presidentes dos municípios por via da modalidade de cabeça de lista, veio suscitar, no processo da sua implementação pelos partidos políticos, problemas cuja relevância não se confina aos partidos envolvidos.
O facto de que esses problemas evidenciam essencialmente a mesma natureza, obriga a uma reflexão séria, já que nos termos da própria Constituição, no n°1 do artigo 74, «Os partidos expressam o pluralismo político, concorrem para a formação e manifestação da vontade popular e são instrumento fundamental para a participação democrática dos cidadãos na governação do país». Por conseguinte, a qualidade da nossa democracia há-de necessariamente resultar, ou há-de estar à medida, da assunção pelos partidos desses desiderata inscritos na Constituição.
Na fase de designação dos candidatos a cabeças-de-lista ocorreram situações em que estes resultaram, ou podem ter resultado estatutariamente, da indicação do Presidente do partido (tal terá sido o caso do MDM), outras em que trânsfugas de um partido caíram de pára-quedas noutro, para logo ficarem cabeças-de-lista, ao arrepio dos militantes naturalmente candidatáveis (tal terá sido o caso da RENAMO), e ainda aquelas situações em que procedimentos de afastamento de candidatos foram questionados publicamente pelas presumíveis «vítimas» (caso da Frelimo).
Considero importante empreender-se um esforço de análise objectiva dessas situações, formalmente diversas, mas em princípio apenas formalmente diversas, para se identificar a natureza desses fenómenos. Essa análise só pode ser relevante se assumir uma perspectiva supra-partidária, porque, como disse, essas situações prendem-se com a qualidade da nossa democracia, o que consubstancia um interesse que é de toda a sociedade.
A perspectiva da Constituição é justamente aquela que nos coloca na linha dessa objectividade, já que ela, a Constituição, é, por definição, apartidária, e assenta em valores que são, inquestionavelmente, do consenso de toda a sociedade e de todos os partidos.
Será, pois nessa perspectiva, e apenas nela, que me vou situar.

Da Constituição

Na prática as vicissitudes do processo de designação de candidatos a cabeça-de-lista são encaradas como questões internas de cada partido, e, mesmo nas situações mais gritantes de inobservância dos princípios mais elementares de democracia, assume-se uma atitude de tolerância, de complacência ou de mansidão crítica. Próprias de um ambiente em que, havendo tantos telhados de vidro, ninguém quer atirar pedras.
Sendo que no funcionamento da nossa democracia, e, diga-se, no de tantas outras, as escolhas do eleitorado são limitadas ou condicionadas pelas escolhas dos partidos, se estas não obedecerem a princípios estritamente democráticos, a sociedade corre um sério risco de ser levada a fazer escolhas não democráticas e até mesmo antidemocráticas.
Eis porque a Constituição não poderia ser omissa a este respeito.
Com efeito o n°2 do artigo 74, que contém o princípio que transcrevi mais acima, estabelece de forma clara que «A estrutura interna e o funcionamento dos partidos políticos devem ser democráticos».
Isto é, não só a «estrutura» fixada nos estatutos deve ser democrática, como o próprio «funcionamento». Por outra palavra, a vida dos partidos, deve ser democrática.
Este é um comando constitucional e, como qualquer outro comando, não é de observância opcional mas imperativa. Nem é de carácter programático mas vinculativo.
Da operacionalização do comando constitucional
Assumida a clareza do comando constitucional e a vinculação dos partidos à sua observância, a questão que se coloca a seguir é a de como se operacionaliza a sua obrigatoriedade. Em princípio devemos encontrar a resposta na lei ordinária, a qual pode ser omissa, esparsa ou lacunosa, sobre a matéria.
Vejamos então o que a Lei N°14/92, de 14 de Outubro, estabelece sobre este assunto:
O Artigo 3° (Regras básicas) desta Lei, em consonância com a Constituição, preconiza no n°1, alínea h), «não ter natureza antidemocrática», no n°2, alínea a), «definir os seus objectivos políticos, sua estruturação interna e seu modo de funcionamento».
Na alínea c) do n°2 do Artigo 6°, estabelece-se que os estatutos devem conter, entre outras indicações, «os objectivos e princípios por que se rege o partido, designadamente o princípio da eleição democrática e de responsabilidade dos titulares dos seus órgãos»
Estes e outros requisitos são submetidos ao crivo do Ministério da Justiça no requerimento para a constituição dos partidos, e de cuja decisão cabe recurso para o Tribunal Administrativo.
Ora, uma vez aprovados os Estatutos contendo aqueles requisitos, que consubstanciam os princípios fixados no artigo 74 da Constituição, a questão que se coloca, e que é da maior relevância, é a seguinte: o que acontece se, na prática, esses princípios constitucionais e legais não são observados?
Das competências do Conselho Constitucional
Como disse atrás, em matéria de democraticidade, as questões que se suscitam na vida dos partidos têm sido encaradas como estritamente internas, e relegadas ao seu foro privado. Mas tal não passa de mero equívoco, porque se assim fosse delas não cuidaria a Constituição e ainda menos a lei ordinária.
Por isso a Constituição previu, entre as competências do Conselho Constitucional, na alínea f) do n°2 do artigo 244, a de «julgar as acções de impugnação de eleições e de deliberações dos órgãos dos partidos políticos».
Significa que quando ocorrem situações litigiosas na vida dos partidos, elas podem encontrar solução satisfatória e pacífica dentro dos próprios partidos. Mas pode dar-se o caso de não haver resposta consensual. Quando estão em causa ou em litígio prerrogativas de membros, individualmente, é normal invocar-se a disciplina partidária para se pôr fim ao litígio. E normalmente os membros, de boa ou de má vontade, acabam por se submeter, convencidos da justeza das soluções ou convencidos de que não existe outra via, de que não há nada a fazer. Sobretudo convencidos de nada poderem fazer contra o peso esmagador dos aparelhos partidários.
Ora a disciplina partidária não é algo que se sobreponha aos direitos dos membros, a tal ponto que, em nome dela a eles se deva renunciar. Sobretudo não pode a disciplina partidária servir para encobrir violações dos estatutos e para calar quem seja prejudicado por tais violações.
Por outro lado, a dimensão partidária não se pode sobrepor nem à Constituição nem á lei, e a filiação partidária não significa nem implica renúncia de cidadania. Antes de se ser membro de um partido é-se cidadão, e permanece-se cidadão sempre. De tal forma que se um membro de partido se vê prejudicado, de forma injusta e anti estatutária, e não consegue fazer valer o seu direito no quadro do partido, como cidadão, ele tem a prerrogativa de requerer ao Conselho Constitucional a reposição da legalidade estatutária se esta tiver sido violada.
Certamente muitos acharão estranha a ideia de um membro pleitear contra o seu partido. Mas na realidade não está rigorosamente a pleitear contra o partido, mas contra decisões ou deliberações de órgãos ou de dirigentes do seu partido.
E isso só será estranho num clima ou numa cultura dominada pelo endeusamento, pelo culto da personalidade ou pela usurpação dos direitos dos membros pelos aparelhos partidários. Já num Estado de Direito Democrático efectivo tem de ser considerado absolutamente normal.
Assim, nos desenvolvimentos que nos é dado observar, tanto os casos de evidente pára-quedismo, como naqueles chamados de «democracia a dedo», como naqueles em que candidaturas foram afastadas «de forma menos clara» ou de forma «não explicada», todos eles podiam dar lugar a impugnações junto ao Conselho Constitucional.
Sem dúvida que teria sido do interesse da sociedade e do Estado de Direito Democrático ver tais situações esclarecidas ou decididas com toda a objectividade e transparência.
Ao fazer estas análises e considerações não estou dizendo algo de estranho ou de inaudito. O Partido Frelimo, que na verdade, quer se goste quer não, tem sido a matriz de onde os demais partidos replicam normas e práticas, à medida das suas conveniências, passou por fases diferentes daquela em que estão agora a ocorrer as situações a que aludi. Apenas para fazer um breve relance que reavive a memória dos contemporâneos e dê a conhecer aos que vieram depois, relevemos o seguinte:
Quando o Dr. Eneias Comiche, actual cabeça-de-lista da Frelimo para cidade de Maputo, foi candidato a Presidente do Município, foi-o numa ampla e concorrida Conferência Eleitoral em que disputou a designação com um oponente de grande peso, o Dr. Teodoro Waty. Foi uma disputa renhida que se prolongou quase até à boca das urnas. A inquestionável democraticidade do processo conferiu grande legitimidade ao vencedor, primeiro dentro do Partido e, depois, como Presidente eleito do Município.
Mas já na tentativa legítima de renovação do mandato o processo obedeceu a outra norma, entretanto introduzida no Partido Frelimo: a de que a eleição dos candidatos deixava de ser em Conferências Eleitorais para passar a ser competência dos Comités ao nível de cada autarquia. Esta alteração, certamente ditada pela necessidade de maior dirigismo dos processos, evidenciou uma drástica redução da democraticidade que tinha caracterizado os processos anteriores. Daí resultou que, apesar do grande prestígio e popularidade granjeados, no seio do Partido e na sociedade, graças ao seu desempenho, o Dr. Eneias Comiche, na eleição restrita ao Comité da Cidade, perdeu para David Simango.
A evolução das regras ou dos procedimentos eleitorais no seio do Partido Frelimo manteve-se nessa lógica até hoje. Mas é importante referir que essa evolução não tem ocorrido sempre de forma tão pacífica e unânime. Recordemos que, aquando do processo que culminou com a designação de Filipe Nyussi como candidato da Frelimo para as últimas eleições presidenciais, a lista fechada de três candidatos que tinha sido decidida pela Comissão Política, teve que ser aberta por pressão de franjas significativas do Partido, e por força, finalmente, da posição da ACCLN, expressamente inconformada com o carácter fechado dessa lista. Com a abertura conferiu-se, de algum modo e naquelas circunstâncias, maior democraticidade ao processo.
Para dizer simplesmente que a contestação ou «rebeldia», a que assistimos hoje, prende-se fundamentalmente com esta problemática da democraticidade dos processos, e vai levar forçosamente ao repensar de normas e procedimentos. Porque, na minha opinião, e na de muitos, no contexto de uma democracia efectiva e mais ampla, certamente que não fariam sentido algum essas contestações ou «rebeldias».
Em conclusão
É imperioso que os partidos observem a Constituição da República nos seus estatutos, na sua estrutura e no seu funcionamento. Mas para que isso se efective é imperioso que os militantes dos partidos não percam nunca de vista que são cidadãos cujas prerrogativas não são diminuídas nem subalternizadas pela condição de militantes. Que a sua condição de cidadãos não é apropriada pelos partidos.
A democraticidade do funcionamento dos partidos, não é interesse privado dos partidos, antes constitui condição indispensável da democracia e interesse fundamental do Estado. Por conseguinte, não deve ser ignorada, prejudicada ou negligenciada."

Retirado daqui (15.08.2018)

terça-feira, abril 17, 2018

Apenas um ponto de reflexão: Monopartidarismo no Multipartidarismo?


Num país que se diz multipartidário não se pode nomear para o cargo de embaixador quem não seja membro do partido no poder? Que risco corremos com o pessoal nas nossas embaixadas em geral e embaixadores (todos moçambicanos) em particular no dia que houver alternância governativa em Moçambique? Exoneracão imediata de todos para nomeação de pessoal com a cor do partido no poder?
________
P.S. Parece-me que a democracia e multipartidarismo não são do nosso agrado, mas uma imposição.

quarta-feira, novembro 29, 2017

Risco de “revoluções incontroladas” levou Frelimo a antecipar mudanças em 1990

Joaquim Chissano deu ontem uma aula sobre “desafios de liderança e boa governação em Moçambique”. O evento marcou as celebrações do primeiro aniversário do Instituto de Governação, Paz e Liderança, de que o antigo Estadista é patrono.
A introdução da democracia multipartidária em 1990 foi uma das maiores transições políticas que Moçambique experimentou desde a proclamação da independência. À época Presidente da República, Joaquim Chissano defende que a abertura política e económica foi uma resposta antecipada aos desafios que se colocariam no futuro: o momento histórico da evolução do Estado e da sociedade moçambicana impunha um novo modelo de governação capaz de defender os interesses comuns dos moçambicanos. E mais: a democracia multipartidária constituía-se como o único mecanismo capaz de viabilizar as negociações de paz e reconciliação no período pós-guerra.
Mas há outras razões que ditaram o fim do monopartidarismo. O antigo Estadista lembra que, na segunda metade da década de 1980, começaram a registar-se profundas transformações políticas e económicas, tanto a nível regional como internacional. Essas transformações tiveram o respaldo da comunidade internacional ou, para ser mais preciso, do Ocidente, que faz coro pela democratização dos Estados africanos. Em Moçambique, a pressão externa pela abertura política é recebida num contexto de guerra fratricida, pelo que o risco de haver “revoluções incontroladas” era maior. Por isso, nota Chissano, era preferível ser a Frelimo a controlar as mudanças. E assim foi.

quarta-feira, setembro 21, 2016

Teodato Hunguana defende que o sistema de Governo no país é perigoso

O antigo governante e quadro sénior do partido Frelimo, Teodato Hunguana, defende que a construção do Estado de Direito iniciado na década 90 é inacabado e lento. Orador de uma palestra sobre o Estado de Direito, ontem, no Instituto Superior de Relações Internacionais, o antigo Ministro defendeu também que o sistema de Governo no país é perigoso e é urgente garantir a separação do poder, descentralização e despartidarização do Estado.
No começo da sua explanação, Hunguana analisou a transição do monopartidarismo para o multipartidarismo com a adopção da constituição de 1990, considerando que as transformações ocorridas não foram profundas. Para o antigo Ministro da Justiça e vice do Interior, o partido no poder revelou dificuldades de adaptação à nova realidade multipartidária.
Na visão do jurista, a transformação resultou numa tensão entre a velha Frelimo monopartidária e a nova Frelimo no contexto multipartidário. “O velho não desapareceu totalmente e o novo não se afirmou completamente”. Ou seja, de acordo com Hunguana, o antigo partido único apostou na continuidade ao invés de adequar-se à nova constituição.

quinta-feira, outubro 02, 2014

Renamo insiste no "sacrifício" de Dhlakama para acabar com monopartidarismo

A mensagem da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) para as eleições gerais de 15 de outubro insiste na máxima de um estado liberto do monopartidarismo, dando continuidade ao "sacrifício" por esta causa do seu líder histórico, Afonso Dhlakama.
Num manifesto de conteúdo marcadamente político, o documento exibe à cabeça uma imagem e uma citação do líder da Renamo, maior partido de oposição, vincando a mensagem que tem transmitido desde que começou a campanha eleitoral, personificando "a história de sacrifício e batalhas vencidas em prol da libertação e bem-estar do povo".
O manifesto para as eleições presidenciais, legislativas e assembleias provinciais de 15 de outubro destaca a "despartidarização e separação de poder no aparelho do Estado", uma reivindicação antiga da Renamo face aos 40 anos de governação da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) e utlizada recentemente como argumento para a confrontação armada com o exército, oficialmente terminada a 05 de setembro.

Fonte: LUSA – 02.10.2014

domingo, julho 27, 2014

O PREÇO QUE OS MOÇAMBICANOS PAGAM PARA MANTER A FRELIMO NO PODER

Por Alfredo Manhiça

Conta-se que quando o Cardeal Richelieu (que era também primeiro-ministro de Luís XIII) morreu, em Dezembro de 1642, circulou por Paris o seguinte epitáfio:

Aqui Jaz um famoso Cardeal
Que fez muito mal e muito bem
Todo o bem que fez, fê-lo mal
E todo o mal que fez, fê-lo bem

O que os habitantes de Paris pensavam, quatro séculos atrás, do primeiro-ministro de Luís XIII é, provavelmente, o mesmo que os moçambicanos pensam, hoje, do digníssimo esposo da Dra. Maria da Luz Dai Guebuza. Como no caso de Armando Guebuza e do seu partido, também a política irresponsável de Richelieu era destinada a ter repercussões desastrosas para a França, mesmo nos anos sucessivos à sua morte. A este propósito gostaria de fazer uma breve consideração sobre o «cancro social» causado pelo Governo da Frelimo com a criação da instituição dos «líderes comunitários». Segundo o «Correio da manhã», edição N° 4247, do dia 20 de Janeiro de 2014, cerca de 138,3 milhões de meticais do Orçamento do Estado de 2014 será utilizado para pagar os subsídios mensais de cerca de 25.863 «líderes comunitários».

quarta-feira, setembro 04, 2013

MDM: Ousadia que vai colocar a Frelimo em pânico

NA LIDERANÇA DO PAÍS A PARTIR DOS MUNICÍPIOS...

Para uns, no caso em apreço, os mais cép­ticos, consideraram a iniciativa do fazedor de política Daviz Simango como sendo paranóico, chegando-se inclusive de se lhe apelidar com vários nomes, desde os nojentos aos mais lindos. Todavia, arojado como tem sido este político, deu avante com o seu projecto da expansão do seu partido de modo a fazer-se sentir quase em todo o país.

Depois de bisbilhotecar a realidade política moçam­bicana, juntamente com colegas membros seniores deste partido, desencadea­ram um trabalho exaustivo no terreno afim de con­quistar maior número de simpatinzates, facto que foi sendo atingido paulati­namente.

Mesmo cientes da dimen­são e delicadeza do mega projecto político, Daviz Si­mango lutou até que o seu partido tivesse elementos suficientes para uma cober­tura nacional, o que ficou confirmado na apresenta­ção dos seus candidatos às eleições autárquicas a terem lugar em Novembro próximo. Ler mais

segunda-feira, março 11, 2013

Opinião de Noé Nhantumbo

Engana-se quem pensa que a democracia é um processo que se concretiza sem que seus sujeitos abdiquem de vícios do passado monopartidário.
A carga cultural transportada pelos “políticos” moçambicanos, pelos que se querem manter no poder a qualquer custo está interferindo abertamente com a agenda proclamada.

terça-feira, outubro 30, 2012

Vozes “sonantes” já dizem que oposição ainda não é alternativa…

Por Noé Nhantumbo

Engraçado, caricato?

Em 1975 a Frelimo estava preparada para assumir o poder?…


Beira (Canalmoz) - “Uma no cravo e outra na ferradura”? Há sinais de que alguns dos nossos intelectuais andam atrapalhados com os seus próprios pontos de vista e opiniões? Quando surpreendem pela positiva com posições inequivocamente a favor de Moçambique, logo em seguida são como que obrigados a retratar-se e avançar com proclamações preocupantes.

terça-feira, setembro 20, 2011

Não há democracia sem eleições – defende Joaquim Chissano

Embora as eleições não sejam o único instrumento de medição da democracia, elas continuam a ser o seu alicerce fundamental. Sem eleições, a democracia não passa de uma autêntica farsa.

Esta tese é defendida pelo antigo Chefe do Estado mocambicano e actual presidente do Fórum Africano dos ex-chefes de Estado e de Governo, Joaquim Alberto Chissano.

terça-feira, julho 26, 2011

Frelimo não quer deixar espaço para oposição em Gaza

A Frelimo diz não pretender dar espaço à propaganda da oposição na província de Gaza. Esta ideia foi defendida pelo secretário do Comité Central da Frelimo para Organização, Sérgio Pantie, que recentemente escalou aquela província para um trabalho de quatro dias, no quadro do acompanhamento do funcionamento dos órgãos de base do seu partido com vista à preparação do X Congresso.

quarta-feira, janeiro 26, 2011

ACLLN e Continuadores são organizações sociais do Partido Frelimo?

Difundido pela imprensa moçambicana, aqui e aqui, Filipe Paúnde considerou a Associação dos Combatentes de Luta de Libertação Nacional (ACLLN), a Organização da Mulher Moçambicana (OMM), a Organização da Juventude Moçambicana (OJM) e a “Continuadores”, sendo organizações sociais do Partido Frelimo. Se apesar das siglas confusas é bem sabido e ficou desde há muito tempo claro que a OJM e OMM são organizações sociais da Frelimo, é para mim ainda menos claro que ACLLN e Continuadores são partidárias. E, por OMM e OJM serem organizacões partidárias, acredito que são jurídica e administrativamente ligadas ao partido Frelimo. O Tribunal Administrativo deve estar muito claro quanto a isso.
Mas será o mesmo com a ACLLN e Continuadores? ACLLN e Continuadores e o respectivo pessoal estão desvinculados do Estado Moçambicano em termos financeiros? Como actua a Continuadores nas escolas ou ACLLN entre os antigos combatentes?
Mania de cooptar organizações civis?

sábado, janeiro 15, 2011

Da indignação de Edson Macuácua a factos (1)

Eis um artigo publicado no Jornal Notícias a 28 de Abril de 2007:

Oposição deve ser reduzida a nada

A oposição no país não deve desaparecer, mas sim o partido Frelimo, no poder, deve continuar a envidar esforços de tudo fazer com vista a reduzi-la cada vez mais à sua insignificância, segundo defendeu Mariano Matsinhe. Disse que nem que passam milhares de anos e figuras como ele, que estiveram a frente da fundação da Frelimo e lutaram contra o colonialismo português, venham a deixar o mundo dos vivos, a Frelimo não pode e nem deve sair do poder.

quinta-feira, janeiro 13, 2011

“O multipartidarismo é uma conquista irreversível”

Frelimo diz-se indignada com a carta pastoral dos bispos católicos
O porta-voz da Frelimo, Edson Macuácua, diz que os pontos que serão objecto da revisão constitucional não são públicos porque ainda não chegou o tempo.
O partido Frelimo, através do seu secretário para a Mobilização e Propaganda, Edson Macuácua, reagiu ontem à carta pastoral dos bispos católicos moçambicanos, que alerta para a “forte possibilidade do regresso ao monopartidarismo” em Moçambique.

terça-feira, dezembro 28, 2010

“Ainda não existe verdadeiro pluralismo político em Moçambique”

Segundo o Dom Jaime Gonçalves, Arcebispo da Beira

Para este líder religioso, o executivo deve sair do discurso para a implementação de medidas tendentes a melhorar o ambiente político-social no país.
O arcebispo da Beira, Dom Jaime Gonçalves, apelou aos governantes moçambicanos a implementarem um verdadeiro pluralismo político no país e não limitarem-se apenas a defendê-la em papéis e discursos.

terça-feira, agosto 31, 2010

Daviz Simango quer afirmar-se e conquistar mais membros no país

MDM celebrou “dia da revolução”

O presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, diz que o seu partido vai continuar a apostar na conquista de mais espaço e enraizamento em todo o território nacional, como forma de angariar mais membros para o “Galo”.
“Queremos estar em todas as províncias, distritos e povoados do país, para que o nosso partido seja mais visível”, disse.
Esta informação foi tornada pública durante a comemoração do “dia da Revolução” daquela formação política. Aliás, Simango defendeu que a afirmação do seu partido no país visa, basicamente, poder concorrer nos próximos pleitos em pé de igualdade com as outras formações políticas.

“Acabei com a bipolarização parlamentar”

Em contacto com o “O País”, Simango deixou ficar que a tão propalada “revolução” de 28 de Agosto foi uma mais-valia, porque terminou com a bipolarização parlamentar, exactamente com a entrada do seu partido no panorama eleitoral do país.

Fonte: O País online - 31.08.2010

Reflectindo: com alternativa e partidos de oposicão fortes o povo é que ganha. Não podemos duvidar que agora estamos a colher o fruto da fragilacão da Renamo e golpe ao MDM obra da Frelimo. Temos que guardar esta memória até em 2013 e 2014.  

quinta-feira, março 04, 2010

SEQUELAS DE MAIS DE DÉCADA E MEIA DE MONOPARTIDARISMO NO PÓS-INDEPENDÊNCIA

Medo e mudança lenta de mentalidade minam valores democráticos em Moçambique
Formalmente, copiámos das leis mais democráticas do mundo, mas o nosso dia-a-dia não está alinhado com os valores e liberdades democráticos. Sente-se o medo nas pessoas, um medo infundido pelo passado monopartidário e pelas características próprias das sociedades africanas –Silvério Ronguane, analista político e docente universitário
Os direitos e liberdades democráticos estão lá, mas são muito poucos os moçambicanos que os conhecem, mesmo entre as classes mais esclarecidas há um desconhecimento – António Gaspar, analista e docente no Instituto Superior de Relações Internacionais (ISRI)

JOSÉ MACHICANE *

A cultura de medo e a mudança lenta de mentalidade para os valores democráticos, após longos anos de monopartidarismo, condicionam a qualidade da democracia em Moçambique, consideram analistas em Maputo.
Apesar de Moçambique celebrar este ano 20 anos desde a aprovação da primeira
Constituição democrática e multipartidária, ainda prevalece entre os moçambicanos o medo da repressão, método que foi muito comum durante os mais de 15 anos de vigência do regime monopartidário, nota Silvério Ronguane, analista político e docente universitário.
“Formalmente, copiámos das leis mais democráticas do mundo, mas o nosso dia-a-dia não está alinhado com os valores e liberdades democráticos. Sente-se o medo nas pessoas, um medo infundido pelo passado monopartidário e pelas características próprias das sociedades africanas”, considera aquele académico.
Para Silvério Ronguane, o exercício de cidadania em Moçambique limita-se a um reajuste ao discurso das elites dominantes, que inibem o surgimento do pensamento alternativo e diferente.
“A opinião própria é reprimida e é logo conotada. É o resquício mais vivo da lógica do reaccionário, uma catalogação que tanto mal fez aos que tentaram pensar diferente dos poderes instalados logo após a independência, em 1975”, sublinha Silvério Ronguane.

Pensamento africano

A desconfiança do poder em relação ao debate público também reflecte o pensamento tradicional africano, em que se “premeia a hipocrisia da humildade e se combate a ambição”, diz ainda Silvério Ronguane.
António Gaspar, analista e docente no Instituto Superior de Relações Internacionais (ISRI), aponta a mudança de mentalidade dos moçambicanos como o principal desafio para o pleno usufruto dos direitos e liberdades democráticos.
“Os direitos e liberdades democráticos estão lá, mas são muito poucos os moçambicanos que os conhecem, mesmo entre as classes mais esclarecidas há um desconhecimento”, diz António Gaspar.
António Gaspar aponta o que considera “característica atípica da democracia moçambicana”, a cultura da não aceitação dos resultados eleitorais, mas sempre equilibrada pela submissão às regras do jogo democrático.
“Felizmente, as eleições valor democrático, são apenas um dos momentos”, enfatiza aquele docente universitário, acrescentando que “mal passam as eleições, os outros parâmetros de medição do processo democrático tomam o seu curso”.
Por isso, considera aquele analista, a avaliação do processo democrático moçambicano é positiva, porque os pilares fundamentais estão já montados e a funcionar.
* da LUSA & Redacção

Fonte: CORREIO DA MANHÃ in Moçambique para todos – 03.03.2010

domingo, novembro 29, 2009

Que quer dizer realmente ‘level playing field’? (2)

Quando é que os truques são justos?

Inevitavelmente, os partidos políticos tentam “fintar” uns aos outros mas até que ponto a desigualdade torna isto injusto? A Frelimo usou o procedimento engendrado pela Renamo para seleccionar representantes da sociedade civil como membros das comissões eleitorais para garantir que muitos dos membros da “sociedade civil” tinham simpatias pela Frelimo. Era tudo legal; a Frelimo simplesmente viu melhor que a Renamo como usar a lei em seu benefício. Mas apesar disso deixa um amargo de boca. E criou comissões eleitorais cujas simpatias eram conhecidas de todos e foram assumidas como sendo parciais; acreditou-se que um só partido levava vantagem injusta. A declaração preliminar da União Europeia notava que havia ”falta de confiança geral na independência da CNE”. Isto relacionava-se directamente com o obsessivo secretismo e falta de transparência – documentos que eram secretos e deviam ser públicos, chegavam às mãos da Frelimo mas não da oposição.

Um truque comum em muitos países é um partido tentar ocupar um lugar onde outro partido vai ter um comício de campanha. Mas em Moçambique, quando a oposição comunica à polícia onde vai fazer o seu comício e a polícia diz à Frelimo, isto torna-se subitamente injusto e o terreno fica desnivelado. Um partido fica com uma vantagem injusta.

Continua.

Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique – Número 43 – 19 de Novembro de 2009 – 4

sábado, novembro 28, 2009

E nós, cá no “burgo”?

Por Mouzinho de Albuquerque

ÀS vezes questiono o que se faz ou tem sido feito em Moçambique para preservar a nossa democracia multipartidária. Aliás, não resisto ao prazer de reproduzir um artigo muito interessante que veio publicado neste matutino, mais precisamente na sua página internacional, no dia dezanove do corrente mês. Pelo seu sentido político para o nosso país e constituir, na minha modesta percepção, uma das chaves para o fortalecimento dessa democracia, aqui transcrevo algumas passagens:
“O parlamento da Guiné-Bissau aprovou uma lei que extingue partidos políticos que não alcancem 0,5 por cento de votos válidos nas eleições, no âmbito da reforma da lei eleitoral, revelou terça-feira o presidente da Comissão Jurídica e Constitucional local”.

“Segundo Humberto Có, os deputados decidiram aprovar alguns acréscimos à lei eleitoral, introduzindo mecanismos que disciplinem as candidaturas a cargos públicos. Com esta medida, o parlamento pretende ver extinto automaticamente um partido que não tenha atingido 0,5 por cento de votos validamente expressos ou que não tenha conseguido um mandato, ou seja, um deputado numa eleição”.

É verdade que a política interna daquele país lusófono é diferente da de Moçambique e em termos de dimensão Guiné-Bissau é muito pequeno em relação ao nosso país, tem uma população de mais de um milhão de habitantes e acima de 30 partidos políticos, contra mais de 20 milhões de moçambicanos, com cerca de 40 partidos.

Mas essa lei, embora ainda não tenha sido aprovada pelo Presidente da República da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, tal como acontece com uma outra, desta feita que agrava os requisitos para a candidatura à presidência da República da Guiné-Bissau, pode ser interessante para nós moçambicanos, se entendemos ser urgente enfrentar os grandes desafios da democracia multipartidária e construir alternativas políticas credíveis.

Sem antecipar juízos e muito menos condenações, mas pode ser interessante para o nosso país, na medida em que, à semelhança do que acontece na Guiné-Bissau, aqui também temos situações relacionadas com à proliferação de partidos políticos, que ao invés de contribuírem para a solidificação do nosso processo democrático, são cada vez mais, expressão de interesses de grupos e de personalidades ao serviço de objectivos particulares ou obscuros das suas lideranças.

Talvez se seguíssemos esse exemplo nos desse um novo modelo de desenvolvimento político ou outra forma e visão de encarar a política, que permitisse a adopção de metas legalmente obrigatórias para a redução de partidos políticos irresponsáveis, cujos perigos para a sobrevivência da pluralidade democrática estão suficientemente demonstrados, principalmente a partir das últimas eleições gerais.

Um modelo que igualmente não permitisse que em cada eleição que tivéssemos, alguns partidos não aumentassem a descrença quase generalizada na política e nos políticos. Um modelo que leve os nossos políticos a trabalharem com seriedade, responsabilidade e não com cultura de subserviência, mas sim com a cultura do progresso democrático para o desenvolvimento social e económico do país.

Um modelo que também “ilumine” os cidadãos que ainda se encontram na “penumbra” da bananeira, para que possam começar, efectivamente, a formar o seu juízo e saber se certas figuras políticas têm ou não idoneidade para exercerem cargos nos partidos, para quando chegar o tempo das eleições penalizá-los, como aconteceu no escrutínio de 28 de Outubro passado.

Com efeito, não chega pensar que a democracia multipartidária é boa, torna-se necessária para daí se tirarem todos os resultados: civismo, competência e profissionalismo político. Por isso, exigir-se-ia também no nosso país, a existência de partidos políticos sérios e credíveis e os que não conseguissem ultrapassar a barreira de 5 por cento, no nosso caso, fossem, à semelhança do que poderá acontecer na Guiné-Bissau, suprimidos sem complacência do “mapa político” nacional. Sempre se disse que destruir é muito mais fácil do que construir.

No caso da nossa “jovem” democracia que custou tanto, aliás, que veio depois de tantas destruições de vidas humanas e importantes infra-estruturas (precisávamos isso, compatriotas?), acredito pouco que depois da sua destruição possa ser fácil construí-la de novo, embora esteja ciente de que a acontecer, não será através de uma outra guerra fratricida.

Que Moçambique possa conhecer uma mudança para melhor em termos democráticos, depois da destruição do processo, enquanto tivermos alguns políticos que surgem da forma que surgem e os seus líderes fazerem a política da forma que fazem. Não tenhamos dúvidas e todos vamos contribuir com frontalidade, honestidade, humildade e não com ameaças para que assim não seja.

Fonte: Jornal Notícias (26.11.2009)