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terça-feira, abril 26, 2016

Comunicado sobre manifestação nacional nos dias 29 e 30 de Abril agita moçambicanos

Circulam nas redes sociais um “comunicado” dando conta que nos próximos dias 29 e 30 haverá uma manifestação pacífica ao nível nacional.
“Não irão circular viaturas, as escolas estarão fechadas, o comércio não irá funcionar durante a referida manifestação”, pode ler-se no comunicado.
A mensagem viralizou em questão de minutos.
Confira a mensagem abaixo:
Mega Manifestação pacífica
Chega de impunidade
Os moçambicanos vão mostrar quem é que manda aqui.
Vamos parar o país antes que este acabe conosco.

No dia 29 a 30 todo moçambicano sairá as ruas para repudiar a guerra e a corrupção. Ler mais (Mozmassako – 26.04.2016)

quinta-feira, janeiro 14, 2010

As manifestações


A talhe de foice

Por Machado da Graça

A questão das manifestações de protesto da Renamo, por causa dos resultados das últimas eleições, começa a ficar preocupante.
Não propriamente por causa das próprias manifestações, que são um direito legal e constitucional de todos os moçambicanos, mas por tudo o que está a acontecer à sua volta.
Sempre que alguém ligado, seja de que forma for, à Frelimo, fala destas manifestações dá-lhes sempre uma conotação de serem coisas proibidas e perigosas.
E não há ninguém, ligado à Frelimo, que não fale deste assunto. Seja onde for, seja a que pretexto for.
E, no caso de pessoas responsáveis, como o Ministro e o Vice-ministro do Interior, com frases ameaçadoras, informando que a polícia está armada até aos dentes e coisas do mesmo teor.
E não se trata apenas de coisas que se dizem. Aparentemente, Afonso Dhlakama e todos os principais dirigentes da Renamo estão, neste momento, sob permanente vigilância policial.
Uma fonte do Ministério do Interior disse ao Diário da Zambézia que “as manifestações serão prontamente anuladas em todos os pontos do país e na Zambézia em particular, onde estão posicionados homens da FIR e SISE incluindo até Polícia Militar que dia e noite vigiam as residências dos membros da perdiz”.
Numa atitude claramente divisionista a mesma fonte do DZ disse mesmo que não haveria nenhum problema de a Renamo organizar manifestações se não fosse com Dhlakama a liderar. Porque com ele as manifestações podem não ser pacíficas.
O mesmo jornal, num texto depois repetido no Magazine Independente, citando também “uma fonte sénior do Ministério do Interior”, referiu-se longamente a movimentações de homens armados da Renamo em alguns distritos da Zambézia e mesmo à travessia desses elementos de e para o Malawi. Com essas movimentações justificava o envio de elementos policiais e viaturas potentes para esses distritos. Segundo o jornal, a sua fonte terá dito: “Já temos homens lá e os alvos são os respectivos delegados da Renamo”
Ora tudo isto tem o ar de uma campanha de intoxicação da opinião pública, levando-a a acreditar que as anunciadas manifestações são um perigo enorme para a segurança pública e o Estado está a tomar medidas para defender essa segurança.
Mas qual será o objectivo dessa campanha de intoxicação?
Como não estou dentro da cabeça de quem planeou tudo isto não posso saber ao certo, mas tenho receio que seja para dar cobertura a alguma acção do Governo contra a Renamo. Seja uma acção de tipo militar, seja de tipo político (por exemplo a interdição daquele partido ou a sua decapitação afastando Dhlakama) ou mesmo uma combinação das duas coisas.
É sabido que o Governo da Frelimo tem, desde há muito, vontade de desarmar os homens da Renamo residentes em Maringué. E pode ser que, a cavalo na sua recente vitória eleitoral, se esteja a preparar para o fazer usando as manifestações como pretexto próximo. O actual estado de fraqueza da Renamo, destroçada nas eleições e com sérios problemas internos, poderá estar a dar a ideia de que este é o momento para actuar sem correr grandes riscos.
Espero estar enganado no que tenho estado a dizer, porque aí sim correríamos o risco de voltar a um conflito que, embora eu creia que seria vencido rapidamente pela Frelimo, iria custar vidas humanas e recursos de que precisamos para o país andar para a frente.
Deixemo-nos, portanto, de belicismos, verbais ou outros, e pensemos antes em construir a felicidade de todos os moçambicanos, sejam eles de que partido forem ou até não sejam de nenhum.
Quanto à Renamo, creio que quanto mais rapidamente realizar as manifestações pacíficas melhor será para todos, a começar por ela própria. A incerteza que permanece só alimenta todo este clima de preocupação, desinformação e ameaças.
Clima em que às vezes, com um pequenino pretexto, fortuito ou intencional, se começam grandes desastres.

Fonte: SAVANA (08.01.2010)

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Manifestações


Por Mouzinho de Albuquerque

REZEI por inspiração, não porque estivesse vazio de ideias para escrever esta crónica, mas sim, por ser um assunto que considero como sendo daqueles que possa não ser suficientemente entendido, tendo em conta a sua complexidade política e de alguma “provocação” com que tento “imprimir”. É a política estúpida? Ou a estupidez é dos nossos políticos?
Por conseguinte, fico muito contente por saber que há muita gente neste país que percebe ou “descobre” a razão das minhas imensas dificuldades na abordagem deste tipo de temas, que mexem com a sociedade, incluindo o poder político instituído.

Até porque a psicologia evolutiva diz-nos que, apesar de vivermos num mundo moderno, estamos ainda programados para resolver os problemas como faziam os nossos antepassados. Acontece que não se pode comparar o incomparável. As épocas não são as mesmas, hoje é preciso prever e assumir os riscos, por exemplo de uma manifestação de contestação disto ou daquilo.

Embora tudo dependa do ponto de vista de cada um, mas é do domínio comum que em África, dum modo geral, convive-se mal com a democracia multipartidária e se todas as manifestações que são organizadas pelos partidos da oposição em alguns países do nosso continente fossem previsíveis, em termos de prejuízos humanos que causam, não passariam dos estágios iniciais.

Do que se sabe e acompanho é que as manifestações de protestos contra má governação, fraude eleitoral ou regime ditatoriais que ainda prevalecem em África têm levado a morte de muitas pessoas com as respostas violentas ou repressivas que os poderes políticos optam.

Na verdade, no nosso planeta, em que o nosso país não é excepção, há muito com que as pessoas possam contra-atacar, por motivações políticas, mas não vejo que seja coerente morrer-se numa manifestação de protesto político, neste caso resultado das eleições, num país de pluralidade democrática. É nestas e outras fervuras políticas que gosto de voltar a lembrar do que deve ou devia ser claro para toda a gente sobre o perigo destas manifestações.

Não me parece que preciso de muito tempo, a imaginar a intenção ou o processo de decisão que leva as pessoas a organizarem uma manifestação e a polícia a atirar a matar, mesmo que elas (manifestações) sejam pacíficas, mas uma força política que se queira destacar das outras de grandeza e inserção no seio do povo, como a Renamo, tende de começar (embora tarde demais) a lançar para cá fora suas estratégias que não façam com que se conclua que ela nunca pensou que a vida política é uma actividade de riscos quando se fazem manifestações mesmo que, como está dito, não atinjam contornos perturbadores.

A pergunta sobre a realização de uma manifestação política, neste caso da Renamo, não é se ela é válida ou inválida, mas se apanharam ou não matéria incriminatória ou será que somos obrigados a lutar constantemente contra nós mesmos para nos manter fiéis eternamente aos partidos políticos? Meditemos profundamente sobre as consequências nefastas que trazem esse tipo de protestos.

Seja qual for o desfecho que será dessas propaladas manifestações que o partido Renamo quer organizar, que logo à partida, apelo que não sejam realizadas se primamos pelo bom senso político de que é necessário evitar o pior, haverá sempre o antes e depois de se saber que elas foram mais um motivo da violência política, que nunca precisamos no nosso país.

É que ficamos chocadíssimos com as mortes dos nossos pais, tios, sobrinhos, avós, vizinhos, colegas de serviço, crianças e outras pessoas que acontecem nessas manifestações que caracterizam o momento menos bom da nossa democracia multipartidária.

Por isso saibamos, como moçambicanos, construir caminhos de paz, de diálogo permanente em prol da maturidade democrática na nossa pátria, e esse caminho passa pela existência do espírito de ponderação e compreensão mútua no tratamento de casos “quentes” como este de manifestações de contestação dos resultados das eleições.

É que está provado que a violência não se resolve com a violência. Não precisamos que haja manifestações em cada pleito que se realiza no país. É que mesmo sendo pacíficas as mortes acontecem na mesma e os autores tanto das manifestações como dos disparos continuam impunes. Sendo assim, apelo à consciência da Renamo para evitar mortes dos moçambicanos inocentes nas suas manifestações. Que também as pessoas não adiram a essas manifestações.

Fonte: Jornal Notícias (03.11.2009)

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Governo, FEMATRO e chapeiros (1)

Ao acompanher a greve dos chapeiros, em Maputo, voltei a ler o que a 7 de Fevereiro eu havia escrito e me interrogado e o comentário da Ximbitane que num resumo fala da problematica dos transportes públicos em Maputo. Éis o comentário .

Reflectindo, deveras interessante as questões levantadas. Já me havia posto algumas das questões que constam neste artigo.

A meu ver, o público manifestante só sai a ganhar se ao manterem-se os preços respeitem-se as rotas determinadas, pois essa era uma das grandes questões da manifestação.

A FEMATRO fala dum estudo feito, a seu pedido, não sei a que instituição ou analista, que concluiu que a subida os preços do combustivel no mercado internacional estavam a desequilibrar as contas dos chapas por cá.

A alternativa é a subida do proço das tarifas, muito certo! Logo vê-se que a preocupação dos chapeiros é de longe o bem estar e conforto dos utentes dos mesmos, apenas o seu proprio bolso.

No que concerne a distribuição dos tais subsidios governamentais, hummm..., prevejo muita confusão.

Primeiro no seio dos proprios chapas, que já mal gerem as tarifas diarias (que supunha-se ser uma fonte para a renovação das frotas dos membros)e segundo do Governo (a nao ser que o Ministerio sugerido pelo Reflectindo seja criado para o efeito!!!).