domingo, fevereiro 07, 2010

A consciência do general da reserva Mateus Ngonhamo

Numa entrevista do savana a conferir aqui, Mateus Ngonhamo, o ex-Chefe do Estado Maior-General, vindo das forças guerrilheiras da Renamo, agora na reserva, deixa palavras muitíssimo imprtantes para uma sociedade democrática como a que pretendemos construir em Moçambique. Eis como ele responde algumas perguntas:

Savana: Como membro da Renamo, não devia saber das manifestações?

Ngonhamo: Não sou membro da Renamo. Nunca tive cartão de nenhum partido político. Estive na Renamo quando ainda era um movimento que lutava pela democracia. Quando terminou a guerra, fui destacado para integrar um exército apartidário do Estado, portanto as FADM, mas depois disso não posso dizer mais nada sobre a política, porque não estou envolvido em actividades políticas.

Savana: O facto de estar na reserva não é justificação para não exercer a política activa. Se calhar seja por razões pessoais. É isso?

Ngonhamo: As opções das pessoas dependem das suas consciências individuais. Os oficiais a que se refere já passaram do quadro militar para o quadro político. Estão na reserva exercendo a política… mas no meu caso isso não passa pela minha cabeça.

Savana: É o que estamos a dizer, as suas razões são mais pessoais do que de impedimento legal…

Ngonhamo: É uma questão de consciência pessoal, pois as normas que construímos dizem que as FADM são apartidárias. Se alguém opta por exercer uma dupla função aí já é uma questão pessoal. O militar é militar mesmo estando na reserva.

Reflectindo: as palavras do general da reserva Mateus Ngonhamo deviam servir de exemplo para muitos militares e não só, mas também para todos aqueles que não sabem que numa sociedade democrática, o lugar dos militares e policiais é nos quarteis e comandos da polícia. Recordo-me duma afirmação na blogosfera, durante a campanha eleitoral, segundo a qual Daviz Simango não estava a altura de governar Moçambique porque não lhe faltaria apoio militar e policial. A minha reacção imediata foi de questionar se o regime de facto no país era democrático ou militar.
Na minha opinião, o general da reserva Mateus Ngonhamo tem uma visão democrática, pena é que não são muitos com esta visão em Moçambique.

1 comentário:

Linette Olofsson disse...

Essa afirmação de que o Presidente Daviz nao estaria na altura de governar...porque lhe faltaria o apoio dos militares e policías, foi uma afirmação do actual Vice Ministro de Justiça Nkutumula, que após se tornar membro do governo apagou ou retirou o seu blog da circulação.
Porque?
Haveria muita coisa a questionar....
Muitos politicos até Presidentes da Républica tem o seu espaço neste mundo virtual.