quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Uma lição para aprender?

Acha-se que o povo não é inteligente e continua a ser provocado. És que os governantes responsáveis pela situação de transportes públicos no mais independente mais do que no tempo colonial que se desdobram para ir ofendê-lo. É a governadora do Maputo, essa que detém um gabinete fútil, mas muito sofiscado com meios financeiros e humanos que vai às escolas para ensinar aos alunos a não exercerem a sua cidadania. Ainda não reparei a lei de direito à manifestação para ver com que base estes dirigentes foram, ainda usando meios do estado, a pôr em causa o direito de cidadania dos alunos. Crianças não têm o direito de protestar? E se algum economista calcular pelo que se aloca ao gabinete da governadora da Cidade de Maputo criado pelo governo de Armando Guebuza, será que não concluiria que esse montante podia-se minimizar o problema de transportes públicos nesta urbe?

Seja como for, as próprias crianças, nomeadamente, os alunos da escola secundária de Laulane, deram a resposta que a governadora Rosa Silva, queria e a merecia, ler aqui. É que é ofender às crianças acusá-las de serem manipuladas pelos adultos ao participarem em manifestação contra a subida de tarifas como se estas crianças não fossem utentes de chapas, por um lado. Por outro lado, como se a subida de tarifas de transportes e do preço do pão não reflectisse nas vidas delas e pior ainda, elas fossem anastesiadas para não sentirem as consequências. E parabéns menina Lurdes Muianga pela coragem de informar à Sra Rosa Silva de que os jovens participaram da manifestações conscientemente.

Outro dirigente que se não fosse pela ganância do poder e verdadeira manipulação partidária se ocuparia em outras coisas que fingir-se de fazer uma governação aberta desplanificada ou seja improvisada, é o Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, Eneas Comiche. Talvez, Comiche, respeitando o seu eleitorato, fizesse uma outra coisa que tentar atirar culpa a outrem pelas manifestações. E, a população descontente chegou mesmo a exigir que o Edil, caso continuasse a ter o mesmo fio de pensamento, abandonasse o local e a deixasse. Para muitos o que Eneias Comiche dizia não passava de disparates, ler aqui . Talvez seja o tempo de os nossos digerentes aprenderem a respeitar ao povo.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Caso inédito em África

Edward Lowassa demitiu-se do cargo de Primeiro-Ministro da Tanzania por alegado envolvimento num escândalo financeiro, isto é, num caso de corrupção (leia aqui). Depois de ter citado num caso de corrupção, Lowassa anunciou quinta-feira passada ao Parlamento ter apresentado a sua demissão.

Segundo um relatório apresentado ao Parlamento sobre um contrato de fornecimento de electricidade assinado entre o Governo e a empresa norte-americana Richmond, Lowassa e outros altos responsáveis governamentais teriam intervindo na altura do lançamento do concurso a favor desta última.

PS: Como se consideraria um caso destes no meu Moçambique?

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

O Estado Mocambicano?

Como resposta às manifestacões contra o agravamento da tarifa de transportes, vulgo chapas, ocorridas na Cidade de Maputo, capital do país, o Estado prometeu que vai subsidiar a a parte agravada da tarifa para os passageiros manterem-se a pagar o valor anterior leia aqui. Tomando em conta apenas esta decisão, dá entender que ganharam os manifestantes e os chapeiros, pois ambas as partes vão obter o que exigem sem ser necessariamente analisada a essência das exigências. Como não sou economista, pelo que não posso apresentar uma análise exaustiva sobre o agravamento das tarifas, mas lendo o comentário do Oxalá no imensis pode-se interrogar se o tal agravamento corresponde à subida do combustível como os chapeiros clamam. Também não é porque os chapeiros não possam ter suas razões, mas essas podem não ser apenas de subida de combustível. Será que o preço das peças, reparações, o vencimento dos motoristas e ajudantes se mantêm desde que a anterior tarifa foi estabelecida? Apenas um dos meus pontos de reflexão sobre a causa de agravamento da tarifa.

Seja como for, a manifestação popular na cidade de Maputo, foi necessária, pois mostrou de quão o povo pode resistir aos abusos. Agravar preços a quase ou igual a 50 %, é na minha opinião um abuso ao consumidor.

Mas quem perdeu nesta batalha? Não será o Estado Moçambique e tudo devido a um governo irresponsável? Não terão os governantes interesses nesta decisão que cheira mais uma maneira de tirar o dinheiro do cofre do Estado sem controle? Primeiro, este governo esbanja o dinheiro do cofre do Estado distribuindo-o aos seus “boys” de diferentes formas, e não nos surpreenderá se daqui há dias se instituir mais um ministério – “Ministério das Subvencões das Chapas do Maputo” (MSCM). Já nos lembramos de um novo governo na Cidade do Maputo, Secretários-permanentes, administradores de municípios, ministério da função pública, instituições criadas para os “boys” terem “job”.

Contudo, mais uma pergunta é de quem, isto é, de que chapeiro vai-se alegar que recebe o subsídio, como e porquê? Aquele que comprou um carro e registou como chapa? Aquele que tem a chapa em circulação? Mas qual tipo de circulação? Transportando sempre o público ou fazendo viagens pessoais? Como se controlará isso? Através do ministério, o MSCM que suponho vir-se a criar? Como é que se saberá que o chapeiro x transportou tantos (y) passageiros que deviam pagar (w), para se avaliar o que ele tem por receber como subsídio? As perguntas são tantas, mas prossigo com outras.

Porquê razão o governo decidiu em subsidiar só aos chapeiros da Cidade de Maputo? Por que foram só eles que agravaram as tarifas forçando o governo para subvênção do Estado? Que o agravamento das tarifas foi por razões de a vida ser mais cara em Maputo em relação às outras partes do país? Por que o preço de combustível subiu só em Maputo? Por que os chapeiros de Maputo conduzem em estradas péssimas, exigindo-os mais reparações que os que conduzem para os distritos, localidades, isto é no país real? Ou é por que foi a população da capital, nas barbas da comunidade internacional e imprensa independente que manifestou? Como seria se fosse a população a população de Nipepe, em Niassa, a reclamar por um problema nacional? Aliás, até eu devia dizer a população de Mocímboa da Praia ou de Montepuez, Aiúbe para que não seja apenas uma suposição, mas algo muito concreto para comparar. Parece que aos olhos da comunidade internacional e da imprensa privada, já que a pública continua a sonegar tudo nem que os factos se dêem em Maputo, o método é dar-se uma resposta que faz calar os gritos do povo ao mesmo tempo que beneficiará ao poder. Fazer calar de imediato à população de Maputo, chapeiros e os passageiros, para que não seja exemplo das restantes e pior ainda fazer ver o descontentamento dos moçambicanos à comunidade internacional. Se fosse em Montepuez ou Mocímboa da Praia, a medida era outra – meter todos os reivindicadores numa caixinha para morrerem asfixiados ou embuscá-los e matá-los à catanada. Em Maputo é só prometer-se a distribuição do dinheiro do Estado.

Reflectindo sobre Moçambique

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

ATACAR OS ORTODOXOS? CORRESPONDER AOS SEUS ATAQUES?

Canal de Opinião: por Noé Nhantumbo,

Uma necessidade inadiável…


Beira (Canal de Moçambique) - Não é 100% certo que de facto sejam ortodoxos, marxistas-leninistas da linha original ou suas reminiscências. Com tantas corruptelas a solta por aí, nada nos garante que seja o produto original. Até porque não é importante que sejam ou não ortodoxos. Relevante é o que fazem e dizem. É o que planificadamente e com a anuência dos titulares dos cargos públicos lhes é permitido que façam.
O importante é o que se deve fazer com essas fontes permanentes de opiniões e sobretudo de manifestações claras de intolerância politica.
Usando meios públicos e órgãos de comunicação social públicos avançam de maneira aberta na protecção das irregularidades e do ilícito primando pelo silencio quando é importante referir e mencionar os factos que ocorrem na praça publica.
Os nossos problemas entanto que país são muitos e evitar acrescentar outros não é o que se necessita de momento.
Impõe-se sim transferir a riqueza discursiva de alguns mestres do passado, que teimam em continuar a baralhar e distribuir as cartas como se o país fosse só deles para frentes de trabalho onde tal é necessário.
Não se pode negar a utilidade e necessidade de se usar da experiência que essas forças do passado possuem. Mas não se lhes pode conceder o monopólio da opinião nos órgãos de comunicação pública e nem se pode atribuir uma importância e papel que não possuem.
Quando analisadas com atenção, as acções por eles executadas no passado recente do país até foram fracassos. Tanto em política económica proposta e executada, como seu trabalho noutras esferas da vida nacional, somos levados a dizer que deixaram muito pouco a desejar. Não se pode de maneira alguma subestimar o papel que certas pessoas tiveram nos esforços para a conquista da independência nacional. Mas é preciso ter muitas cautelas e atenção para não se cair no erro de sobrestimar os feitos e colocar os participantes na luta pela libertação nacional num pedestal imerecido.
Os moçambicanos têm de ser capazes de avaliar os factos que se lhes apresentam de maneira clara e tirar as conclusões que interessam a maioria. Não podemos continuar presos a teorias duvidosas que não até nem conseguiram provar noutras latitudes.
A tentativa persistente de associar os destinos deste país ao que somente uma minoria de “eleitos” julga que é o melhor para ele, já provou ser um caminho errado. Sempre que a opção privilegiada e aplicada foi a promoção de “supostos eleitos” e a exclusão da maioria enveredou-se para práticas que desembocaram no desentendimento, crises e conflitos. Os mestres do passado tem um conhecimento profundo do país mas isso não significa que as soluções por eles propostas sejam sempre as melhores.
De combatentes declarados da burguesia, a realidade não deixa mentir, muitos dentre eles transformaram-se em burgueses de facto, capitalistas e accionistas que até Marx e Lenine de seus túmulos devem estar abominando.
Aqui a questão não é estar contra a riqueza de fulano ou beltrano. Pretende-se é discutir ou trazer para domínio público aquilo que é público e de interesse público.
Aparentar, esconder, encobrir, proteger, usar de subterfúgios e estratagemas para manter a situação imutável, são práticas sobejamente conhecidas entre nós.
Só que há alguns erros na avaliação dos mestres e paladinos do socialismo de ontem, hoje capitães do capitalismo selvagem. Eles partem de pressupostos errados e desse modo arriscam-se a levar o país para crises e conflitos perfeitamente evitáveis. A intolerância e o receio activo de alguns mestres, de que a alternância democrática no país possa conduzir a situações em que eles sejam julgados por acções passadas leva-lhes a cultivarem, promoverem e usarem toda uma série de meios para perpetuar o status. Compreende-se o seu medo. Afinal. Alguns dentre eles poderiam de facto ser considerados culpados de actos merecedores de sanção judicial.
Outra coisa que lhes faz correr e defender o indefensável são as regalias e privilégios que a sua posição actual garante. Julgam que poderiam desaparecer em caso de mudança de governantes. Essa realidade em que vivem, torna estes mestres do passado extremamente perigosos e acutilantes nas suas acções.
Desamarrar os nós estabelecidos, as alianças em que existem, as tendências megalómanas que teimam em manifestar são acções que requerem muita inteligência, tácticas e habilidades.
Confrontar com dinossauros, poderosos e entrincheirados em estruturas políticas omnipresentes, requer capacidade, discernimento, persistência.
Está claro que uma das armas eleitas pelos defensores da manutenção do status é a distribuição de favores políticos, económicos e financeiros.
Fazem de conta que estão aceitando a integração de novos elementos no seu partido mas na verdade estão só garantindo que nas regiões estratégicas haja votantes a seu favor. Não é que tais novos membros cheguem algum dia a ocupar posições com peso para desequilibrar a balança. Tudo o que é permitido aos novos membros é brilharem e comerem das migalhas que restam do banquete principal.
Esta maneira de proceder não é exclusiva do partido no poder. Sempre que conta, é alguém do núcleo dirigente que toma funções e dirige as acções. Os partidos da oposição em Moçambique aparentemente também aprenderam a fazer o mesmo.
É toda esta ortodoxia que importa contrariar através de uma acção inteligente e continuada para assim se conseguir trazer aos moçambicanos, alternativas e soluções para os problemas que teimam em não conhecer fim.
Não se pode desarmar numa situação em que estão em risco não só nós assim como as gerações do amanhã.

Fonte: Canal de Mocambique


Democracia bizarra

A talhe de foice

Por Machado da Graça

Há poucos dias ouvi na rádio uma notícia que aumentou, ainda mais, a minha estranheza em relação à nossa tão bizarra democracia.
Em linhas gerais, a questão foi assim: um grupo de cidadãos da Manhiça sentiu que estava a ser lesado e que as suas terras estavam a ser usurpadas. Não faço ideia se tinham razão nem isso vem para o caso.
Para defenderem os seus interesses, elaboraram um documento e decidiram ir entregá-lo a quem de direito. E decidiram que, como forma de dar maior peso à sua preocupação, fariam uma marcha pacífica através da Manhiça até à repartição onde iriam entregar o documento.
Gente ordeira e sem nenhuma intenção de criar desordem, os organizadores da marcha informaram a Polícia da data e local em que pretendiam realizá-la. E pediram que a Polícia os protegesse durante a manifestação.
Se bem percebi a notícia, ninguém lhes respondeu. Nem sim, nem não, nem sequer talvez.
No dia e à hora marcadas lá se juntaram os marchantes para irem levar a sua carta ao destino.
E, provavelmente, terão ficado satisfeitos por verem a Polícia presente, de acordo com o que tinham pedido.
Erro deles.
A Polícia estava lá, mas era para carregar violentamente contra os marchantes.
Não era para manter a ordem, em nada ameaçada pelos pacíficos manifestantes, mas para criar a desordem e a confusão através do seu comportamento violento e totalmente desnecessário.
Quando será que as autoridades deste país percebem que a manifestação pacífica é um direito democrático?
E, se a actual lei das manifestações põe demasiados condicionalismos absurdos à sua realização, essa lei deve ser urgentemente alterada para que não continuem a acontecer coisas destas.
Custa a perceber que a nossa Polícia não seja capaz de acabar com a criminalidade no país, mas gaste os seus esforços a reprimir cidadãos pacatos que em nada ameaçavam a segurança ou a paz local.
Coisas de uma democracia mal aprendida e pior posta em prática por pessoas que de democratas pouco têm.
É a nossa realidade...

Fonte: Mocambique para todos

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

O Quénia, uma surpresa?

SAVANA, David Aloni

Só em África é que isso pode acontecer, porque os Partidos no poder são alérgicos à alternância do poder. Para eles é apenas fachada ou traça do edifício. O conteúdo do conceito não interessa. Só querem o poder e à foça. Só que a explosão da população do Quénia veio dizer basta de fraudes eleitorais e basta de ser explorada pelos seus próprios concidadãos. Donde se poderá inferir que o que está a acontecer no Quénia é a luta de classes sociais (“Class Struggle”): os ricos demais de um lado, e os pobres demais do outro. Foi assim que a fúria contra os ricos demais eclodiu por todo o Quénia. Não é tanto o tribalismo, embora este possa ter contribuído, em parte (“somehow”), mas em menor escala. São muitas as lições que os países africanos devem (“must=have to”) extrair do “Caso Kenya”, porque a África ainda não está em Paz real e efectiva. E como bem o disse o prof. Dr. Lourenço do Rosário, no âmbito da Conferência Internacional, do MARP, realizada na capital moçambicana: “NÃO HÁ POVOS PACÍFICOS, NO MUNDO”.

Logo, é falsa e enganosa a premissa segundo a qual o Povo Moçambicano é pacífico. Isso não é verdade! É só para fazer dormir o boi. O povo vai sendo domesticado e enganado, com falácias políticas dos detentores do poder político-administrativo e económico. Por isso, eu digo com muita convição socio-antropológica e psicológica que, em Moçambique, todas as possibilidades são possíveis para a eclosão de um conflito social e económico. E hoje, mais do que nunca, a luta de classes é evidente, no nosso País. Cuidem-se os dirigentes políticos, porque a vida não está fácil, está muito difícil para o povo, e os pobres demais estão a ferver. Estão num estado de ebulição psico-sociólogica de consequências imprevisíveis. Povo é igual a si mesmo, em todo o
Mundo.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Renamo mexe quadros

A RENAMO acaba de proceder a mexidas na sua organização interna, num processo que visa colocar o homem certo pelo lugar certo, com vista a responder aos desafios decorrentes da participação do partido nas próximas eleições.

Assim, segundo fonte da organização, Fernando Mazanga cessa as funções de chefe do Departamento de Informação, cedendo o lugar a Rahil Khan que é também deputado da Assembleia da República. Mazanga vai trabalhar no gabinete presidencial, como assessor para a comunicação, mantendo ainda as funções de porta-voz do partido. Fernando Mazanga foi igualmente designado chefe do gabinete central de eleições para a área de marketing, comunicação e imagem.

De acordo com a mesma fonte, a Renamo criou um novo gabinete virado à organização, que será chefiado por João Alexandre, deputado da Assembleia da República. Alexandre foi em tempos secretário-geral da “perdiz”. Este departamento fica com a responsabilidade de garantir a implantação do partido a todos os níveis e imprimir uma nova dinâmica nas suas actividades, tendo sempre presente os desafios políticos da organização.

Por outro lado, Artur Vilanculos, deputado da Assembleia da República, cessa as funções de chefe do Departamento das Relações Exteriores, cargo que passa a ser ocupado por Ivone Soares. Este departamento tem a responsabilidade de controlar e mobilizar os membros da Renamo na diáspora, sabido que estes serão sempre chamados a participar em processos políticos, segundo estabelece a Lei Eleitoral.

O coronel José Manuel vai chefiar o Departamento dos Assuntos Sociais e desmobilizados, lugar vago na sequência da morte do seu titular, o general Mário Frank.

A nossa fonte disse que estas movimentações foram feitas pelo presidente do partido, Afonso Dhlakama, ao abrigo das competências e atribuições que lhe são conferidas pelos estatutos.

Dentro de dias os nomeados serão convidados para o acto de posse.
A fonte partidária confidenciou-nos que dentro da reorganização interna a Renamo irá proceder a outras mexidas na perspectiva de injectar novo sangue nas veias da organização e imprimir nova dinâmica no seu funcionamento.

Fonte: Jornal Notícias

quinta-feira, janeiro 31, 2008

A guerra blogsférica continua?


A lista de supostas pessoas que desistiram e continuam em contribuir no Diário de um sociólogo e as respectivas qualificacões e desqualificações feitas por um “anónimo”, é muito e muito interessante. Ainda preciso de muito tempo para eu encontrar o que essas pessoas têm em comum. Não é fácil para mim, e, para tomar como exemplo, a Fátima Ribeiro tem mostrado interesse em discutir assuntos relacionados à educação/pedagogia; o Bayano comentou há pouco num assunto que achou importante e teve tempo para deixar algumas palavras e eu pude o referir na última postagem a partir daquela fonte; o chapa 100 contribue onde quer que seja e em assuntos que quer, dependendo do tempo, Florêncio, Egídio, Agry, idém. Dos seus desqualificados, talvez o melhor é eu não mexê-los, mas a verdade deve ser por serem de opinião contrária. Então não é aquilo que suspeitei que anda nos blogues um tipo de guerra, um de recrutamento de associados, partindo de uma construção de um “Nós e os Outros”? Que saudade eterna de Edward Said!

Tenho visto no Diário de um sociólogo e em muitos blogues moçambicanos, muitas pessoas a insultarem às outras e as mesmas a queixarem-se de ser insultadas e, isso acontece quando a alguém tiver atingido nos pontos mais sensíveis da outra pessoa, do seu “adversário” ou sentir-se assim atingido.

Não vamos nos enganar, aqui na blogsfera moçambicana, são pouquíssimas as pessoas que respeitam o pensar diferente, mas todos reclamam o direito ao respeito e à tolerância do pensar diferente. Há muita agressão, muito grupismo ou tendência para isso, muita defensiva vs ofensiva, muito desprezo, muita dedicação à desqualificação, muita intolerância, muito recrutamento. Pessoalmente, não vejo os motivos, por exemplo, de alguém ter que se revoltar por uma lista dos mais ricos em Mocambique, ainda que o seu nome não esteja lá. Em muitos países este tipo de lista é normal.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

A STV: A Frelimo vai recuperar os municípios sob governacão da Renamo?

A Frelimo vai ou não recuperar os municípios em poder da Renamo nas próximas eleições autárquicas?

Esta é uma pergunta problemática como o Bayano afirma no Diário de sociólogo e fundamentalmente porque as autarquias não pertencem a nenhum partido, mas sim ao estado moçambicano, tendo os partidos e associações moçambicanos, a pé de igualdade, o direito de concorrer para governá-las. Mas porque a STV optou por servir a retórica do Filipe Paúnde, vou tentar analisar neste texto o serviço prestado por este meio de comunicação social. A pergunta parece ser mais intencionada para exprimir o desejo do jornalista ou da direcção do STV de fim da democracia multipartidária e regresso ao regime monopartidário como Marcelino dos Santos e Mariano Matsinhe declararam publicamente.

Recuperar como se reaver algo perdido de seu direito inalienável como é o caso dos municípios da Beira, Nacala-Porto, Ilha de Moçambique e Angoche e porque não Marromeu é falacioso. Se na altura das assembleias distritais a Frelimo os governava foi por imposição, foi por ditadura. Se a Frelimo governou todos os 33 municípios como resultado das eleições autárquicas de 1998, foi por os partidos da oposição e em particular a Renamo ter as boicotado. Ainda, há que notar que a participação foi de menos de 15 % dos eleitores e mesmo contando com votos enchidos fraudulentamente nas urnas. A exemplo está o que foi provado em Dondo (ver aqui). Acima de tudo, houve uma campanha nacional de boicote a estas eleições o que pelo elevado número de abstenções nos pode criar dúvida se não é o boicote que havia ganho naquele escrutínio.
Nas eleições de 2003, houve uma repetição de um fluxo de abstenções embora houvesse a participação dos partidos da oposição. Os resultados, que devem ter sido influenciados pelo grande número de abstenções, foi totalmente contrário as previsões (ver aqui ) baseadas nos resultados das eleições gerais de 1994 e 1999. Segundo AWEPA, a previsão era de a Frelimo ganhar em 18 e a Renamo em 15 municípios, enquanto que em dois, nomeadamente Nampula e Quelimane seria uma disputa renhida entre os partidos principais. Aliás nesta previsão a Renamo estava segura em sete municípios e a Frelimo quinze e, em disputa estavam onze municípios. Surpreendemente, a Renamo ganhou em 2 dos municípios seguros e 2 dos em disputa.

Para mim, uma pergunta válida e favorável à democracia multipartidária seria de se a Renamo recuperaria o seu apoio eleitoral, ela conseguiria mobilizar o seu potencial eleitoral para ir às urnas nas próximas eleições autárquicas. Isto porque na percepção de muitos analistas, um dos grandes causadores das derrotas da Renamo é o maior número de abstenções do seu potencial eleitoral.

terça-feira, janeiro 29, 2008

O Secretariado-geral da Renamo reestrutura-se

O Secretariado-geral da Renamo da Renamo reestrutura-se, ficando assim:
João Alexandre - chefe do departamento de organizacão
Rahil Khan - chefe do departamento de informacão
Ivone Soares - chefe do departamento das relacões externas
José Manuel - chefe do departamento de assuntos sociais e desmobilizados
Armindo Milaco - chefe do departamento de mobilizacão

Leia mais aqui !

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Parabéns Itoculo (2)

Continuando,o tema anterior, ver aqui, venho com este texto apresentar a minha reflexão sobre a racionalizacão da HCB, tomando como exemplo, o consumo da sua energia no Posto Administrativo de Itoculo, em Monapo.
O distrito do Monapo conheço todo, pois que já o percorri em todas as suas localidades duma ou doutra forma. A maior parte do solo do distrito do Monapo é fértil para a prática de agricultura sobretudo para o algodão, milho, feijões. Por estas razões, o distrito do Manapo teve desde o tempo colonial grandes plantações de algodão que abandonadas pelos colonos se transformaram em machambas estatais Unidade de Producão como na altura se chamavam. No Itoculo, a zona de Marua, é o centro agrário. Em Monapo, tem-se Metocheria e Miserpane enquanto que em Netia se tem Imala 2, Mecuco e e Há também no Monapo muitas plantações de sisal as quais fazem com que o distrito tenha muitas pequenas vilas, tais como a de Ramiane no Itoculo, Mecuco em Netia, a Jagaia, Metocheria, Miserepane em Monapo, sem me esquecer da plantação de sisal situada entre a vila do Monapo e a Monapo-Rio. As plantações de sisal têm fábricas de sisal.

Contudo, há partes do distrito do Monapo com solos menos férteis ou que dão para o cultivo de cereais para o consumo familiares e um pouco mais para a comercialização. A zona onde se descreve como tendo se instalado a rede de energia eléctrica é totalmente desta úúltima categoria.

Com esta pequena apresentação do distrito do Monapo, em termos de agricultura, pretendo criar uma reflexão sobre se a ligação de energia de HCB é um investimento economicamente rentável ou não. O texto do notícias aponta claramente que apenas 25 pessoas e eu traduzo isto como famílias num universo de centenas em Muelege e Itoculo sede, onde foram instalados PTs (postos de transformação), são as que consomem a energia eléctrica.
No artigo não aparece o impacto positivo da ligação da energia eléctrica na produção de cereais e de culturas de rendimento de que o posto administrativo de Itoculo é potencial e aparece sublinhado no sua introduccão. E, pode-se compreender que embora o investimento igual seja discursivamente para estimular a produção, a instalação de energia eléctrica até no Itoculo-Sede está longe de ser essa realidade, quanto muito, ela é para o consumo privado. Mas quem são esses privados? O administrador, alguns funcionários públicos, tais como professores, o pessoal da saúde e outros que duma ou doutra forma têm trabalho assalariado. Essas que na sua totalidade são 25 pessoas ou famílias como eu quero designá-las.

Para se falar de um impulso na produção de cereais e culturas de rendimento com a instalação de energia da HCB, era necessário que se dissesse o que isto concretamente vai acontecer e onde. Com a iluminação de poucas casas não impulsionará qualquer produção agrícola, sem eu dizer que não há nisso um algum impacto positivo. Esperando que o Ministério de Educação quererá pagar pela energia, as escolas de Muelege e Itoculo, ambas leccionando até a 7a classe, isto é, EP-Completas, serão electrificada e assim se poderá frequentar em curso nocturno. A vida cultural será mais viva e os professores jovens nunca mais passarão ao que me aconteceu: sair de Muelege para Monapo-sede para assistir a um filme regressar no fim dele era uma noite sem dormir.

Mas a HCB é uma empresa com qualquer privada ou estatal que deve funcionar para fins lucrativos. São os impostos e dividendos que HCB de que todos os moçambicanos se beneficiarão e não energia eléctrica gratuita como a coisa parece ou que muitas vezes não se explica O Jornalista Mouzinho de Albuquerque já deu esta atencão. Mas se bem que são os impostos e dividendos provenientes dos lucros que a empresa paga aos Estado, o nosso bem-comum, constitui nosso prejuizo quando se investe tanto para uma perda prevista. No caso vertente de Itoculo, era pelo menos justificável se a prioridade fosse de instalar a rede de energia em Ramiane ou Mecuco em Netia nas plantações e fábricas de sisal para uma melhor produtividade nas respectivas fábricas. Aqui, acredito que o número de consumidores privados podia ser maior ao de Itoculo. Mas mesmo isto tinha que ser avaliado em relação aos custos e eventuais lucros.

Entrevista com o escritor Henning Mankell*

O que me revolta


O escritor sueco Henning Mankell um dos romancistas mais lidos no mundo, um pé em Moçambique e outro na Suécia, concedeu uma entrevista exclusiva à revista francesa “Le Nouvel Observateur” (que aqui reproduzimos integralmente) e onde fala da sua querida África, dos seusenvolvimentos, do seu sogro, Ingmar Bergman, e do romance policial “O Chinês” que acaba de terminar, um olhar desapaixonado e muito crítico sobre o que, na sua óptica, se está a passar em Moçambique e no continente africano.Há mais de vinte anos que você vive metade do ano em Moçambique e a outra metade na Suécia.Gosta de dizer “Tenho um pé na neve e outro na areia”.

Nada me obrigava a partir para África: era uma escolha íntima. Aos 20 anos, quando era um jovem autor, tinha a nítida impressão de procurar um outro ponto de vista sobre o Mundo além do etnocentrismo europeu. Já faz muito tempo, em 1972. Desembarquei na Guiné-Bissau, na época ainda colónia portuguesa. Foi uma experiência iniciadora. É o mesmo desejo que me empurra sempre de regresso a África: para ter uma melhor perspectiva do Mundo. Digo muitas vezes que essa experiência africana fez de mim um melhor europeu. Isso explica-se muito facilmente. Esse distanciamento permite-me ver melhor o Mundo – quer se trate da minha mulher, do meu trabalho ou do que leio no jornal — e aperceber-me de forma lúcida tanto do seu funcionamento como das suas falhas. A persistente importância para a Europa da herança dos Lumière e da Revolução Francesa, mas também os problemas que se colocam ao nosso continente. O que aprendi em África permitiu-me tornar-me numa pessoa melhor, e, por isso, espero viver uma vida melhor. Graças a África, conheço melhor o Mundo.

Ocorre-lhe algum exemplo?

O romance que acabo de escrever chama-se “O Chinês”. Há já algum tempo que estou horrorizado por ver como é que os chineses se comportam em África. Parecem-me neo-colonizadores, o que para mim é ainda mais doloroso pelo facto de ter crescido com a ideia de que a China ajudava os países africanos a libertarem-se.E se escrevi este livro é porque sobre essas atitudes eu sei coisas que em geral ignoramos. Vi os chineses na construção, em Moçambique e noutros lugares em África. A China tem um problema de excesso de população rural. Os seus 200 milhões de camponeses não param de empobrecer, e um dia correm o risco de se revoltarem e de “tomar a Bastilha”, ou seja, de se oporem ao Partido Comunista. Os dirigentes chineses prevêem portanto exportar o problema e transplantar para África os camponeses mais pobres (nada menos que 4 milhões!) para que cultivem a terra. É uma forma terrível de colonização, e é exactamente o que fizeram os portugueses antigamente em Moçambique. Pode-se sujeitar os pobres a tudo. E é claro, os dirigentes de Moçambique tirarão proveito financeiro dessa política chinesa. Nos anos 1960, durante a minha adolescência, a China gozava de um imenso prestígio. Mao tinha conseguido alimentar 1 bilião de habitantes. O meu próximo livro tem, pois, como objecto a minha própria desilusão. Há cinco anos, a China fez um donativo a Moçambique, e aproveitou-se disso para enviar a sua própria mão-de-obra. Pouco tempo depois correu um rumor segundo o qual os trabalhadores chineses maltratavam os seus homólogos africanos já instalados, mas o escândalo foi abafado. Esse incidente foi o “clic” para mim: lancei-me em pesquisas na China e em África que resultaram neste livro.

Então não é o petróleo que atrai os chineses em Moçambique?

Sim, não há petróleo, mas há outras matérias-primas que despertam o seu interesse. Há falta de tudo na China, principalmente de matérias-primas. Ela também vê nisso um meio de resolver os seus problemas exportando em massa para o mercado africano. Se apanharem o avião de Joanesburgo para Harare (Zimbabwe), podem constatar que quase todos os passageiros são chineses. Eles estão a criar uma situação sobre a qual os africanos não têm nenhum controlo. Da mesma maneira enviam para a Argélia milhares de operários, que muitas vezes eram prisioneiros na China. Isso também muitas vezes ignoramos. Este livro, que abraça muitas questões, será publicado simultaneamente em vários países em Maio próximo, dois meses antes dos Jogos Olímpicos de Pequim.

Você diz: “Sabemos como morrem os africanos, mas nunca como vivem”.

Cada vez que regresso à Europa e assisto ao Telejornal, só vejo imagens de morte. Mas os africanos também vivem: amam, lutam, sonham, trabalham. E nunca sabemos nada sobre isso. Tento, portanto, oferecer uma outra imagem de África diferente daquela; maioritariamente negativa, veiculada pelos media a quem culpo bastante. Porquê uma tal situação? Hoje, a África não representa grande coisa para nós, económica e politicamente. Mas estamos enganados: neste contexto de globalização, não podemos fazer de conta que a África não existe. É um imenso mal-entendido. E espero que os jovens acabem por se revoltar contra essa situação.

A Europa e a África

Quais os deveres da Europa para com a África?

Antes de mais deveríamos fazer com que o africano fosse tão bem alimentado como o resto do mundo. Se perguntamos onde se encontra o centro da Europa, alguns responderão Bruxelas (centro político da União Europeia), Londres (centro económico e financeiro), Paris ou Berlim (na qualidade de centros culturais). Para mim, o centro simbólico da Europa é a pequena ilha de Lampedusa, ao sul da Itália. Porque é aí que encalham diariamente os cadáveres de imigrantes clandestinos vindos de África. Acho isso repugnante (dégeulasse – em francês no texto). E esse escândalo obriga-nos a perguntarmo-nos: podemos aceitar um mundo assim? Não há outro modo de prever a imigração? Tenho um sonho simples: construir uma ponte entre Marrocos e a Espanha. Sabemos bem que precisamos desses imigrantes.

Os imigrantes e o seu destino desempenham um papel importante nas suas peças de teatro e nos seus romances.

É a imigração que faz a Europa. A história europeia é um assunto de imigração e de emigração. Há um século, muitos suecos partiram para os Estados Unidos em busca de uma vida melhor, e encontraram-na. Nós temos a memória curta! Os europeus conservadores têm medo que os imigrantes lhes venham roubar o seu trabalho. Balelas! Eles vêm fazer o trabalho que nós não queremos fazer. Essa hostilidade corre o risco de nos causar problemas: daqui a vinte anos, quando formos muito velhos, quem se irá ocupar de nós? Coloco, portanto, muita esperança na juventude actual, porque a nossa geração perdeu a batalha. Vivemos num mundo terrível, em que as pessoas não tiram nenhuma lição da sua memória e da sua experiência. Pergunto-me o que diria Voltaire se visse a Europa de hoje. Acho que exclamaria: “É mais do que tempo de recomeçar as Luzes!”.

Quando volta à Suécia como é que vê a evolução do seu país? O modelo sueco, esse paraíso social-democrata de Olof Palme, é um mito ou uma realidade?

Continuo a acreditar que a Suécia é uma sociedade justa, comparada com outras. Mas estou consciente que é confrontada com problemas que não existiam há quinze anos. Assistimos a uma evolução perigosa de Estado-providência. Claro que é preciso proceder a reformas, mas muitas delas têm efeitos negativos. Estou, portanto, inquieto quanto ao futuro. Mesmo se ainda hoje os imigrantes que chegam à Suécia se creiam no paraíso, em comparação com a sua vida anterior. Mas é preciso estar atento para não perder o espírito de solidariedade, que é o fundamento da nossa sociedade. É preciso estar pronto a lutar para conservá-lo.

Mas nos seus romances policiais a Suécia não tem nada de paraíso.

Esse paraíso é um mito criado por vocês e não por nós. São os estrangeiros que ficaram fascinados por esse “modelo sueco” e... pelo loiro das suecas! A Suécia não é responsável pela mitologia que a envolve. E naturalmente ela conhece a sua dose de problemas, nomeadamente aquele de que falo nos meus livros: a relação entre democracia e sistema judicial. Se a justiça funciona mal, a democracia não pode funcionar. A Suécia conheceu vários escândalos, que levam a pensar que a corrupção e o crime organizado estão a desenvolver-se. Constatamos mesmo tendências racistas, com certeza muito menos pronunciadas que noutros países. Os suecos seguiram com atenção os tumultos nos subúrbios franceses. Ainda não chegámos a esse ponto, mas corremos o risco de isso acontecer se não formos vigilantes. Porque a Suécia tem o mesmo tipo de subúrbios, exclusivamente povoados de imigrantes pobres, e onde o sistema educativo é sacrificado. Há algumas semanas foi organizada uma viagem para permitir a adolescentes dos subúrbios da Estocolmo filhos da imigração descobrirem a zona suburbana parisiense. No regresso, todos eles disseram estar mais bem servidos! Mas é preciso estar atento. O maior problema é um problema de pobreza, ao mesmo tempo económica e cultural. A Europa inteira sofre hoje de ignorância. Precisamos de uma nova era das Luzes, uma nova Renascença. Estou assustado pela falta de cultura dos adolescentes. Um jovem sueco, interrogado recentemente sobre as causas da Segunda Guerra Mundial respondeu que Hitler e Estaline disputavam entre si Marilyn Monroe! É muito engraçado, mas é também consternador... Os jovens não compreendem que a democracia pode ser ameaçada por um regresso do fascismo.

Em que é que os seus romances policiais são um bom espelho da sociedade sueca?

Creio que o recurso a uma intriga criminal é um dos mais antigos processos literários. Basta pensar em “Medeia”, uma peça escrita há 2.500 anos, em que a heroína mata os seus filhos por ciúme. É um policial em que não me reconheço! Quando me perguntam qual é a melhor intriga policial jamais escrita, respondo sempre “Macbeth”. O crime como espelho da sociedade não data portanto de Edgar Poe ou de Conan Doyle. Um crime, um conflito mortal actua como revelador dos pensamentos das personagens, das reacções da sociedade. E, depois, todo o mundo gosta de ler um bom policial! A intriga criminal é um bom meio de captar a atenção do leitor, de seduzir os jovens dos subúrbios, por exemplo. Na Suécia, tenho muitos leitores entre os imigrantes recentes. E estou orgulhoso disso, porque isso significa que os meus livros os ajudam a aprender o sueco. Estou convencido que, dentro de vinte ou trinta anos, um autor de romances policiais acabará por receber o prémio Nobel. É um género de tal maneira vivo! E quem ousaria negar que um autor como John le Carré nos ensina coisas importantes sobre o nosso mundo?

Teatro em Moçambique

A sua vida literária é muito variada: escreve romances policiais, romances “literários”, peças de teatro, livros para crianças. Para além disso, é editor e director de teatro em África. Como é que consegue conciliar todas essas actividades?

Trabalho muito! Um dia só tem vinte e quatro horas, e é impossível pedir emprestado cinco anos de vida a alguém... Portanto, a única solução é decidir o que não” vamos fazer. Por exemplo, se diariamente vir uma hora a menos de televisão que o resto das pessoas, isso far-me-á ganhar 365 horas por ano, o que deixa tempo para fazer muitas outras coisas. Um escritor deve amar todos os seus livros com o mesmo amor, como um pai ama os seus filhos. Não pode renegar nenhum. E creio profundamente que todos os meus livros têm um ar de família.

Definir-se-ia como um escritor comprometido?

Sim! Para mim, é uma evidência. Quando me levanto de manhã, sei que me vou encontrar num mundo do qual não posso abstrair. Por exemplo: hoje, estamos a falar de literatura, enquanto que há no mundo milhões de crianças que nunca terão a possibilidade de aprender a ler e a escrever. Para eles, um livro não é nada. É terrível. Mas o mais terrível é que teríamos podido remediar esse problema há anos. Há dois ou três anos, uma organização britânica, creio, avaliou o custo de uma erradicação completa do analfabetismo. Isso seria muito caro, mas não mais do que o que gastamos anualmente em comida para gatos e para cães... Isso revolta-me, pensar que milhões de crianças jamais conhecerão essa maravilhosa experiência que é a leitura. O analfabetismo é uma epidemia ao mesmo nível que a SIDA.

Em Maputo, você é encenador do teatro Avenida. Qual é o seu repertório?

Neste momento, estou a montar “Um eléctrico chamado Desejo” de Tennessee Williams. Mantenho o cenário de Nova Orleães, mas transponho a acção para o seio de uma família negra, em 1955. A estreia terá lugar a 3 de Fevereiro. Acontece-me encenar tragédias gregas, mas como 75% dos espectadores não sabem ler nem escrever, não se pode impor-lhes intrigas demasiado ligadas a uma outra tradição cultural. Eu poderia muito bem montar “Hamlet”: dispomos dos actores apropriados. Mas o público tem necessidade de conhecer a sua própria história. Aí está porque é que escrevo muitas das peças que encenamos.

Livros preferidos

No seu romance “Profundidades”, publicado esta semana em França, como em toda a sua obra, as personagens são, muitas vezes, depressivas. Você pertence a essa tradição escandinava da melancolia e da ansiedade, de Strindberg a Hamsun?

Se quer literatura verdadeiramente melancólica, veja em Portugal! Não estou certo de que a melancolia seja um traço dominante da cultura sueca ou escandinava. É um mito propagado pelos filmes do meu sogro, Ingmar Bergman. Ele dizia muitas vezes, a brincar, que tudo isso era culpa dele! Mas existe uma melancolia inerente à Europa que procura hoje uma nova identidade.

De que é que falava com Bergman?

Nós éramos muito chegados, muito cúmplices. Nos últimos anos, eu era uma das raras pessoas com as quais ele mantinha contacto. Falávamos muito, a maioria das vezes de música. Pode-se falar de música de mil maneiras diferentes. Ele tinha um pequeno cinema só para ele. Devemos ter visto juntos uns 150 filmes: tanto clássicos mudos como filmes recentes. Era sempre apaixonante escutar os seus comentários. Era o primeiro leitor das minhas peças. Faz-me muita falta.

Ocorre-lhe alguma lembrança?

Ele era muito feliz pelo facto de eu, como ele, amar “A Hora do Lobo”, um dos seus filmes menos conhecidos, menos amados. Acho que representava para ele o irmão que nunca teve. A última vez que o vi foi algumas horas antes da sua morte. Eu sabia que ele estava moribundo. E de facto, ele morreu à hora do lobo, entre as 4 e 5 da manhã, à hora, segundo se diz, em que as pessoas nascem ou morrem.

A música desempenha um papel importante na sua vida.

Sonho sempre em escrever como tocava Charlie Parker. Nos seus solos, ele sabia sempre onde ia, e era justamente isso que lhe permitia improvisar. Aprendi muito sobre a escrita graças ao Bird, Coltrane, mas também a Bach. Eles foram uma inspiração em matéria de técnica literária. Para mim, escutar música é sempre uma fonte de reflexão.

Quais os três livros que levaria para uma ilha deserta?

Acabámos de celebrar o cinquentenário do prémio Nobel de Camus. Foi um autor muito importante para mim quando era jovem. E ainda o releio às vezes, menos pelas histórias do que pela sua forma de contá-las. O que seria do mundo sem os escritores franceses? Um dos que mais influenciou a minha vida foi Balzac. Já faz pelo menos trinta anos que ele me acompanha. O seu talento para descrever a sociedade continua única e inigualável. Em matéria de prosa narrativa, ele é o mestre absoluto. Da sua obra eu escolheria “os Camponeses”. E levaria sem dúvida “Cem Anos de Solidão” de Gabriel Garcia Marquez, um livro fundamental. E se queremos compreender o que é ser Humano, levaria “Crime e Castigo” de Dostoïevski. Finalmente, se tenho direito a um quarto livro, escrito por um autor vivo, escolheria “Sorrisos de lobo” de Zadie Smith, que me parece marcar o início de uma obra.

* entrevista conduzida por Gilles Anquetil e François Armanet. Tradução, entre títulos da responsabilidade do

SAVANA – 18.01.2008

Retirado do Mocambique para todos.



terça-feira, janeiro 22, 2008

Revistando a primeira fase do censo eleitoral


Revistando a primeira fase do recenseamento eleitoral, fica-se a saber que 7,6 milhões de eleitores correspondendo 75 % dos previstos, foram recenseados no período entre 24 de Setembro a 15 de Dezembro findo.

Em nove (9) das 11 províncias foram recenseados mais eleitores que o total dos recenseados em 1999. Entretanto, em Nampula e Zambézia, províncias mais populosas do país, com 40 % da população geral recensearam-se menos eleitores que em 1999. Estas são também as únicas províncias que recensearam menos de 70 % dos eleitores. Na província de Sofala o registo eleitoral atingiu apenas a 75 % dos previstos.

Algumas questões preocupantes e sensíveis ao processo democrático:

- Nampula e Zambézia a Renamo arrecada mais votos.
- Uma das queixas justificáveis nas eleições de 2004 foi de que em áreas consideradas bastiões da Renamo da província da Zambézia, alguns eleitores não haviam sido recenseados.
- Há denúncias no decorrente processo de recenseamento, concretamente na província da Zambézia que parecem justificar o número relativamente inferior de recenseados. Alega-se que secretários dos bairros, portanto, agentes do partidão, isto é agentes da Frelimo (ver aqui) promovem exclusão. Estavamos num Estado de Direito a investigação teria sido de imediato.
- As três províncias, Sofala, Zambézia e Nampula estão afectadas pelas cheias, com vias rodoviárias intransitáveis.
- Embora o Secretariado Técnico da Adnmistração Eleitoral (STAE) tenha prometido ser melhor nesta fase que na primeira, por ter pessoal mais preparado a dominar o material informático, sabe-se que muitos dos brigadistas, cerca de 10 %, cerca de 1300 dos 13000 (ver aqui) abandonaram as brigadas do censo eleitoral. Em Sofala, o número deve ter sido ainda maior.Já se relatam avarias de computadores. Tal como na primeira fase, os computadores já andam avariados e isso não é em qualquer pronvíncia, mas em

Nampula

Outras fontes: AWEPA

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Para a resolução de conflitos em África

Um dos grandes problemas que temos em África é "envolver" alguém como mediador de fim de conflitos quando de antemão sabemos que esse pode constituir barreira ou pelo menos retardar o processo de diálogo, paz e reconciliação. Ora, em conflitos há duas ou mais partes beligerantes e essas têm a quem de facto preferem confiar como mediador. E nós em África não aproveitamos todos os recursos humanos que temos e muito menos a nossa própria experiência. A União Africana (UA) e as organizações regionais como a SADC, por exemplo, insistem em confiar apenas aos antigos presidentes que normalmente saem do clube onde muitos deles passaram a vida a defender os membros desse mesmo, tal como assistimos no caso do Zimbabwe.

O processo de diálogo para a paz em Moçambique não podia constituir uma boa experiência para a resolução dos conflitos noutros países africano? O nosso processo de negociação da paz entre o governo da Frelimo e a Renamo mudou de país em país e de personalidades em personalidades para mediá-lo até que se encontrou o país, a Itália e pessoas que fossem de confiança tanto para a Frelimo como para a Renamo.

Quanto ao conflito do Quénia já assistimos e vamos assistindo uma série de movimentação de muitas personalidades, mas a mim falta ainda saber se a rejeição das mãos destes não se trata de falta de confiança delas por parte dos ou de um dos envolvidos no conflito. Apercebendo-me agora que pretende-se ou já se envolve a Graça Machel, não tenho nada contra, antes pelo contrário, também Benjamin Nkapa, Kofi Annan entre outros, interrogo-me pela recusa de uso do nosso capital da paz em Moçambique, nomeadamente, Afonso Dhlakama, Raúl Domingos, entre outros. Aí temos os casos da República Democrática do Congo, Uganda, Sudão que se arrastam anos sobre anos. O nosso ex- PR, Joaquim Alberto Chissano, um dos mais envolvidos na resolução de conflitos no continente devia se lembrar do nosso próprio processo e usar o nosso capital da paz como catalisador das negociações. Isso salvaria algumas vidas.

domingo, janeiro 20, 2008

O Município da Beira em balanço

A Sociedade beirense vai avaliar amanhã, dia 21 de Janeiro, a gestão do elenco em exercício. Leia mais

quinta-feira, janeiro 17, 2008

A justiça esperada

Por João Baptista André Castande

“Tribunal popular
Fogo de barragem. Um homem crucificado nas suas palavras. Um homem escovado, posto ao sol. A contundência verbal. O afiar das facas, à luz de metal duma tarde que se escoa de mansinho. Um homem de cócoras. Um homem a chorar devagarinho.
Os garfos dilacerando a memória.
Um homem, e a verdade transitória das palavras que diz e ficam por dizer.
Um homem que morre, na tarde a morrer.
Um homem que nasce, inteiramente novo, moldado e forjado nesta palavra: povo”, Jorge Alberto Viegas, in “O Núcleo Tenaz”, pp22


SR. DIRECTOR!
Finalmente, e como aliás era de esperar, o cidadão Dr. Augusto Raul Paulino, outrora juiz-presidente do Tribunal Judicial da Província do Maputo e agora em funções de Procurador-Geral da República, decidiu processar o semanário “Zambeze” e o respectivo jornalista de nome Alvarito de Carvalho, além de apresentar participação no Conselho Superior de Magistratura Judicial contra a juíza Dra. Isabel Rupia, esta por se ter pronunciado publicamente sobre “matéria de que tomou conhecimento através da leitura do processo em que esteve envolvida na qualidade de representante do Ministério Público” e aqueles “pelo conjunto de artigos que, na óptica do cidadão, ofendem a sua honra, bom nome e reputação”, segundo uma notícia inserida na página 9 do semanário “Domingo”, edição de 13-01-2008.

No meu primeiro pronunciamento sobre a questão em apreço, publicado pelos jornais “Notícias” e “Diário de Moçambique” de 24 e 26 de Dezembro de 2007, respectivamente, sugeri que tendo em atenção que “a vozearia criada em volta do Procurador-Geral da República, Dr. Augusto Raul Paulino, atinge gravemente o seu bom nome e dignidade, seria de boa norma que o Conselho Superior da Magistratura Judicial se pronunciasse publicamente, repondo a verdade dos factos em defesa da honra da pessoa visada”, sob pena de “a honra, o bom nome, a reputação e a imagem pública da pessoa atingida ficarem definitivamente beliscados, inclusive a credibilidade do povo em toda a máquina estatal de administração da justiça”.

A sugestão em alusão, teve como base a forte convicção de que se fosse o próprio Dr. Augusto Paulino a propor procedimento criminal contra os detractores da sua pessoa, como agora ficou decidido, o respectivo processo seria por demais polémico na medida em que a parte contrária olharia para ele não como um qualquer ser humano em pleno exercício do seu direito de cidadania mas sim como homem de Estado, com poder de pôr a magistratura do Ministério Público a agir em defesa de causa própria na medida em que como foi alegado por antecipação, “os magistrados formam um corpo mais ou menos fechado...”!

Desta feita e tomando em consideração a forma como agora os factos se apresentam, só resta-nos apelar e esperar que nos processos a serem instaurados brevemente, todas as partes intervenientes saibam agir com serenidade e ponderação, isto é, sem precipitação e muito menos alegações sofistas, desconexas e/ou destrutivas.

Indubitavelmente, o momento será de decisivo e abnegado engajamento de todos na busca da verdade material que cada uma das partes defende, de modo a habilitar da melhor forma o juiz da causa a ditar um veredicto final insuspeito.

De resto, sendo a República de Moçambique um Estado de Direito democrático e de justiça social, que por isso subordina-se à Constituição e funda-se na legalidade, espero que nada nem ninguém ficará prejudicado na peleja jurídica a ter lugar em breve, peleja essa que, diga-se em abono da verdade, prevê-se que será tão dura como renhida, a medir pelos pesos-pesados com que contam ambas as partes.
Razão pela qual julgo que a justiça está sem dúvidas nenhumas sairá a ganhar, para a felicidade de todos nós. É a justiça esperada!

Tenho dito.

sábado, janeiro 12, 2008

Sobre a crise de Quénia Machado da Graça faz uma analogia

... E sabemos que não é só no Quénia que essas coisas acontecem. Casos como o do sr. Albuquerque, na Beira, apanhado em flagrante delito de falsificação de números a favor da FRELIMO, ou dos distritos de Tete em que houve muitos mais votos a favor da FRELIMO do que o número de votantes no seu total, são recordações que não podemos deixar de ter em conta.
E que assustam quando vemos, no Quénia, até onde podem levar um país aparentemente calmo e pacífico.
No nosso caso, Sousa, talvez o mais preocupante tenha sido o facto de que os criminosos ficaram impunes, protegidos por aqueles a quem favoreceram com os seus actos. Ninguém puniu o sr. Albuquerque, ninguém puniu os responsáveis das mesas de voto, em Tete, de onde previamente tinham sido expulsos os representantes da oposição.
De resto, a nova lei eleitoral parece feita de propósito para que actos destes se repitam. Se a memória não me falha, diz que, nos casos em que os números de votos na urna e de votantes registados nos cadernos sejam diferentes, prevalece o número de votos na urna. Isto quer dizer que se, numa mesa de votação, tiverem votado 30 pessoas mas aparecerem na urna 500 votos, esses votos são considerados válidos.
Há um provérbio antigo que diz que, ao vermos as barbas do vizinho a arder, o melhor é metermos as nossas dentro de água.
Neste momento as barbas do Quénia estão a arder violentamente. Tenhamos o bom senso de, nos próximos processos eleitorais, mantermos as nossas barbas dentro de água.Um abraço para ti, do

Leia todo o texto aqui

PS: O sublinhado é meu

O perigo da manipulação

Por Pedro Nacuo

HÁ-DE ser a quinta ou sexta vez que aqui falámos de quem fala em nome do povo, mentindo às toneladas, metendo na boca desse sempre necessário e quase invisível fenómeno, quando a ambição se torna desmedida, o POVO! Não é por acaso que se trata de uma designação com raízes políticas, para se referir às pessoas. E povo acaba sendo um termo a usar sempre que nos descobrimos insignificantes para determinadas aventuras.

É o povo que gosta de um determinado dirigente, é o povo que não quer isto e aquilo assim como é o povo que quis fosse representado por quem o representa, ainda que em poucas vezes razoavelmente, mas muitas vezes mediocremente. E é usando o povo que os nossos dirigentes são todos os dias enganados.

São enganados que são da total estima do povo, esse que dizem que faz ofertas aos seus dirigentes: galinhas, cabritos, cabeças de vaca, objectos de arte, etc. Diz-se que é o povo que está a oferecer. Nenhum governador disse ao Presidente da República ou outro dignatário hierarquicamente superior que a oferta foi maquinada por si e nalguns casos custou a força para obrigar o povo a dar. Ninguém já disse que noutros casos eles mesmos tiveram que comprar para oferecerem-no em nome do povo.

Os políticos são facilmente enganáveis, não sei porquê! E assim quando descem aos distritos, os governadores são “vítimas” do mesmo tratamento pelos administradores e outros funcionários subalternos, tudo em nome do povo. Qualquer dia receberão (se ainda não aconteceu) um produto roubado ao povo para serem oferecidos em nome do mesmo.

Ora, em Quissanga, num comício popular orientado pelo governador provincial, levantam-se intervenientes que disseram que estavam a gostar do novo administrador. Estavam a falar em nome dos outros, do povo. Que era um dirigente que se algum dia tivessem que mexe-lo fosse apenas para subir de cadeira. Ou é administrador de Quissanga ou sobe para qualquer coisa como director provincial de outra coisa, ou governador, ou outra coisa ainda superior. Isso meteu-se na boca do povo.

Disseram, em nome do povo, que uma viatura para o senhor administrador, é pouco. Justificaram que quando ela está com o secretário permanente, o administrador fica sem meio para locomoção. Certo! Então o povo estava a pedir mais uma viatura para o administrador. Esse povo!!!

Entretanto, aqui perto dos jornalistas alguém da audiência quer saber quem é que estava a falar, pois não se tratava duma cara facilmente identificável. Até se queria saber donde tinha vindo, primeiro pela forma como falou em nome do povo, segundo, simplesmente porque parecia uma pessoa desconhecida.

Em Palma, muito já se disse. O administrador distrital pós no programa do governador a visita a uma pensão na vila, construída recentemente, numa sede distrital onde não havia nenhum lugar de hospedagem. Bravo! Quando se quis saber de quem é a pensão, a resposta não se fez esperar: do senhor administrador, aliás, da esposa do senhor administrador. Ficou mais intransparente do que opaco ou translúcido.

E o povo veio ao comício denunciar um comboio de desmandos do chefe máximo do distrito. E o outro povo, este constituído por sete a oito pessoas, no mesmo comício, disse tudo de bom do administrador: que tinha feito uma pensão, trouxera uma parabólica para ver televisão, a água voltara a jorrar e a energia eléctrica havia, igualmente, regressado ao convívio de gente média da sede do distrito.

O povo de Palma virou povos! Todos os presentes viram-se complicados a ponto de o governador mandar impor disciplina, porque quando um povo falava o outro povo contradizia em voz alta, de forma claramente indisciplinada. Saímos sem saber de que povo se tratava. Vieram as acusações mútuas de terem sido contratados para falar.

Eliseu Machava (a experiência manda...) tinha que cair numa acertada medida: mandar ir perceber! Para tanto, enviou os seus homens de competência técnica e investigativa reconhecida para trazer algo que se aproxime à verdade, entre tudo o que um povo disse, o outro povo desmentiu e aquilo que se disse do povo nos relatórios e mensagens. Estamos à espera do relatório.

Em Nangade, sempre que se fala da aproximação de uma visita importante há um agente económico que prepara pessoas para irem depor contra alguns sectores de actividade, bastas vezes, a Migração, as Alfândegas, a Guarda-Fronteira e a Polícia da República de Moçambique.

São instituições incómodas para o caso de Nangade, sobretudo para quem, sendo agente económico, pretende exercer a actividade, aparentemente para o benefício do povo, mas sem pagar os impostos e taxas correspondentes, que na verdade são para o benefício desse mesmo povo.

Disseram-nos que até paga a quem vai falar. E quem fala, fá-lo em nome do povo, porque é ao povo que se pede que fale. E assim os comícios animam, há muitos aplausos, gritos estridentes, acabando por se ficar com a sensação de uma boa reunião onde o povo se expressou a contento.

O agente económico, bem conhecido, até vai ao comício controlar os seus mandados, a ver se colocaram os pontos como queria, normalmente que enfraquecem as instituições, principalmente quando a resposta do chefe for de condenar as pretensas atitudes dos agentes do estado.

P.S. E aí está o cúmulo da instrumentalização: em Nangade um cego levantou-se para dizer ao governador que andava muito decepcionado com a educação pois que ultimamente via (de ver) alunos sujos e rotos a irem para a escola, onde encontravam os professores aprumados, asseados e todos com batas limpas. E para ele a educação não está a funcionar bem porque também não ensina os alunos a ficarem limpos.

Fonte: Jornal Notícias

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Parabéns Itoculo (1)

Parabenizo ao posto administrativo de Itoculo, distrito do Monapo, na província de Nampula por ter passado a consumir energia eléctrica de “HCB”. A notícia vem veiculada no Jornal Notícias, na sua edição de 11-01-2008.

terça-feira, janeiro 08, 2008

O recenseamento eleitoral na segunda fase

Publicou-se no Jornal Notícias, na sua edicão de hoje, um abandono de de centenas brigadistas e educadores cívicos do recenseamento eleitoral na província de Sofala. Não consegui abrir a página.

PS: este assunto desenvolverei depois.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Luta Blogosférica mocambicana

Luta por uma blogosfera clânica em Moçambique?

Pelo que tenho lido em alguns blogues moçambicanos, nestes últimos dias, não me deixa sossegado sem manifestar a minha indignação quanto ao que parece um manifesto contra alguma coisa que ainda não sei dar nome. Uma guerra na blogosfera moçambicana? E se isso for qual é a razão de ser e qual é o objectivo? Será que os blogues estão incomodando a certas pessoas ou a um grupo? Quais ou qual? Em que os blogues incomodam? Em suma, quem se sente ameaçado pelo desenvolvimento de blogues em Moçambique?

Uma das minhas indignações pende-se na tendência de constituição de clãs blogosféricos moçambicanos, algo que não deixa transparecer em alguns textos que manifestam uma campanha de mobilização de apoiantes, por vezes bem seleccionados. Há um pior nisso que constitue em amarrumação em carapu de corrida de que se é esperto, julgando-se aos outros, incluindo a maioria que vive pelo dumba-nengue ou o informal, e, porque não pela agricultura sustentária, que é a maioria moçambicana também analfabeta e nem sabe da existência de blogues, a quem não entende o jogo. Neste sentido, mata-se silenciosamente o slogan "unidade nacional" e criando-se blogues clânicos que nem que não respeitem ou sigam um tipo de fronteiras já reconhecidas de qualquer modo, na blogosfera parece estarmos para dois clãs a do PODER e do Povo . A selecção de melhores "o quê" do ano 2007 e pedido de aderência ao grupo dos melhores, em 2008, parece ser um dos manifestos.

Felizmente, não estamos em 1975, mas o que vivemos hoje na blogosfera pode um dia constituir uma infelicidade, porque mais do que discurso ou atitude dessa época, precisamos agora de mais de uma coerência e prudência nos nossos discursos. Temos que ir à realidade e agirmos consoante ela.

Felizmente, temos ainda bloguistas que procuram nos fazer entender que as guerras clânicas na blogosfera moçambicana são absolutamente desnecessárias.

Que ano de 2008 seja de Paz também na blogosfera moçambicana!

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Quénia em chamas? (1)

Tornou-se público, em muitos jornais do mundo, que a CNE queniana foi pressionada a anunciar vitória de Kibaki, uma denúncia feita pelo seu presidente, Samuel Kivuiti. Leia + aqui

sábado, dezembro 29, 2007

Feliz Ano Novo

Reflectindo conjuntamente sobre Moçambique, ao longo de todo um ano, é chegado o momento de endereçarmos um abraço fraterno a todos aqueles que prestigiaram este espaço.

Na diaspora ou no nosso belo Moçambique, velhos ou novos amigos, incompreendidos ou que não me compreenderam, dando a cara ou acobertos pelo manto do anonimato, como meros observadores ou participantes, como criticos ou apoiantes dos debates aqui havidos, bem hajam pela vossa reflexão (interiorizada ou exteriorizada).

Reflectindo sobre Moçambique deseja a todos Festas Felizes e que 2008 seja o ano da realização pessoal de cada um, em particular, e de Moçambique, em geral, pelo que, a reflexão continua.

terça-feira, dezembro 18, 2007

O caso Augusto Paulino, PGR, e a Desinformação do Paul Fauvet

Paul Fauvet publicou ontem no allafrica (pode ler aqui), um artigo de opinião descrevendo o artigo do Zambeze, o qual se pode ler na sua íntegra no Nação Coragem, como uma desinformação. Leia também alguns comentários no Diário de um sociólogo.

Nota:O que me surpreende é de todo o seu esforço de fazer do artigo do Zambeze uma desinformação, Paul Fauvet não diz se os 300 milhões de meticais de antiga família foram ou não levantados e para que fim. A outra coisa é de Fauvet alegar que o processo-crime contra Augusto Paulino se destinava para fazer com que ele não fosse nomeado Procurador-Geral da República. Então, terá sido algum dos conselheiros de Armando Guebuza a fazer esta conspiração, supondo que só eles é que conhecem o plano do PR?

IMPORTADOS DA ÁSIA COMO MATERIAL DE PROPAGANDA FRELIMO CONTRABANDEA ELECTRODOMÉSTICOS

Retirado na sua íntegra daqui.

O Departamento de Administração e Finanças do partido FRELIMO está a encobrir a importação clandestina de televisores, antenas, leitores DVDs, cassetes áudio, aparelhos de frio, máquinas de lavar entre outros electrodomésticos, ao solicitar às Alfandegas a saída antecipada desta mercadoria alegando tratar-se de material para propaganda política. Na Direcção Nacional das Alfandegas há apenas o registo de saída antecipada de contentores de máquinas eléctricas para escrever, capulanas e pastas dentífricas com o retrato de Armando Emílio Guebuza.
Acredita-se que a referida mercadoria destinava-se ao abastecimento de diversos estabelecimentos comerciais pertencentes a simpatizantes da formação política no poder
Em contrapartida, o partido ganha alguma comissão em função da quantidade e da origem do produto importado ao país.
Segundo apurámos no passado dia 29 de Abril de 2004, o Departamento de Administração do partido FRELIMO enviou um ofício à Direcção Nacional das Alfândegas solicitando a saída antecipada de três contentores contendo 3300 caixas de pastas dentífricas destinadas à próxima campanha eleitoral.
“Pela presente, solicita-se a V. Excia, a saída antecipada de 3 contentores contendo pastas dentífricas pertencentes ao partido FRELIMO, conforme factura proforma nº MIT/EXP/2975/2004 de 26 de Janeiro de 2004”, lê-se no expediente assinado pelo chefe do Departamento da Administração da FRELIMO, Maria Luísa Tembe.
De acordo com fontes do ZAMBEZE, um dos contentores trazia diversa mercadoria não declarada no expediente daquele partido com destaque para 21 televisores Samsung, seis caixas de antenas, cinco caixas de cassetes áudio TDK, três caixas contendo leitores para DVDs, Shampoo, 83 caixas de diversas marcas de perfume e cerca de 60 caixas de copos no valor de 41 mil dólares norte-americanos.
Apesar desta ilegalidade constatada pelos supervisores das Alfandegários, o director Nacional das Alfândegas, Barros dos Santos, deu parecer favorável ao partido e ordenou ao mesmo para que regularizasse a situação num período de dez dias.
No mesmo despacho, Barros dos Santos ordenou à Direcção de Investigação daquela instituição subordinada ao Ministério do Plano e Finanças para acompanhar o expediente até ao seu desfecho.
De acordo com dados na posse do ZAMBEZE, no passado dia 12 de Maio de 2004, a Frente de Libertação de Moçambique solicitou à Direcção Nacional das Alfândegas a saída antecipada de um contentor contendo quantidades não especificadas de máquinas eléctricas para escrever.
Ironicamente uma semana antes da entrada deste pedido, o director Nacional das Alfândegas emitiu um despacho favorável ao expediente da FRELIMO na qual recomendava àquela formação política para regularizar a situação no prazo de uma semana.
“Autorizo a saída antecipada. Prazo para regularizar oito dias”, lê-se no despacho de Barros dos Santos lavrado no dia 07 de Maio último.
Na sede do Partido Frelimo, o ZAMBEZE não pode obter a versão de Maria Luísa Tembe, chefe do Departamento de Administração e responsável indicada para se pronunciar sobre este assunto. Ela andava sempre ocupada, segundo nos disseram.

ZAMBEZE - ALVARINHO DE CARVALHO - 26.08.2004

Nota:
A publicacão deste artigo neste blogue, se deve para provar ao anónimo da sua originalidade, associando à minha preocupação pessoal por este caso não ter tido pés para andar. Afinal, este é um dos exemplos dum aparelho judiciário paralítico que temos.

Meu caro anónimo

Para permitir que muitos dos frequentadores deste blog possam ler a sua opinião do artigo de opinião de Edwin Hounnou publicado neste a 30 de Julho de 2007, sob o título, Frelimo faz contrabando de mercadorias, transcrevo na íntegra o seu comentário:

"O SENHOR PSEUDONOMINADO Edwin Hounou , achamos que deve estar tolo em publicar fofocas e mentiras em todos cantos a procura de algum lugar na perdiz , duvido que atinja seus objectivos pois nos proximos pleitos eleitorais a sua ave sera sepultada."



Nota do Reflectindo:

- É importante que o caro anónimo saiba que não foi Edwin Hounnou que publicou o seu artigo neste blog. Fui eu;

- Edwin Hounnou não me pediu para publicar o seu artigo, porque ele nem sequer me conhece. O artigo foi publicado em primeira mão pelo jornal Tribuna Fax;

- Se Edwin Hounnou não tem o direito de publicar actos de corrupção e de paralesia do nosso aparelho judiciário como estes, isto é o seu direito de cidadania não se estende até lá, por suas simpatias partidárias(?), não cabe a mim para dizer. Para mim, ele está no seu direito pleno de combater ilegalidades e injustiça, usando os instrumentos que possui. Se estou errado que os leitores me corrijam.

- Para saber que nem foi Edwin Hounnou que publicou o facto (a descrição dá para acreditar que é um facto) pela primeira vez, publicarei nas próximas horas o artigo original, publicado a 26.08.2004, por Alvarinho de Carvalho, no Zambeze.

domingo, dezembro 16, 2007

Quem interpela a Filipe Paúnde? (1)

Filipe Paúnde, Secretário-Geral da Frelimo, é citado pelo allafrica como tendo afirmado o seguinte:

... The most important of these is the central port city of Beira, the second largest city in the country. Paunde declared that the major improvements this year in Beira - including protection against coastal erosion, the new water supply system, a new morgue, and new health facilities - were not the work of the Renamo municipal council, but of the Frelimo central government.
"The amount of money Beira Council raises from its own resources in a year isn't even enough to pay their staff for five months"...


Eu pergunto se há em Moçambique quem o possa interpelar por um discurso como este em que ele mete muita confusão entre a Partido Frelimo e Governo moçambique e Partido Frelimo e o Estado moçambicano.

Sobre a crítica e os críticos do crítico: o caso Custódio Duma

Imaginem isto que se passou num tribunal em Nampula (tudo com pessoas que conheço): um indivíduo se queixa que um amigo a quem lhe confiara dinheiro para a compra duma casa, lhe desviou todo ele. Ao notificá-lo, o queixoso escreve com erro o nome do amigo desviante. Mas o interessante, foi de que chegados no tribunal, o advogado do desviante pega como sua defesa que o arguido não era seu cliente porque o nome o seu (do cliente) não se escrevia como o que era na notificação. Qual é a utilidade na sociedade deste tipo de defesa? Sabia o advogado de quanto custou aquele tempo todo aos moçambicanos em termos de salários de toda a gente que esteve no tribunal naquele dia?

Esta introdução é a propósito da discussão sobre as críticas do jurista Custódio Duma.

Custódio Duma deve estar muito feliz porque pelo menos e pelo que podemos ler no Diário de um sociólogo também aqui e em muitos outros blogues, muitos são os que o aplaudem. Isto se os seus críticos não forem arrogantes, achando-se, isto é, auto-classificando-se de maioria em "qualidade", os melhores analistas, de melhores cientistas, de únicos objectivistas, de mais realistas, eticetra, eticetra. Mas isso não é problema nem é anormal.

Por outro lado, ele, Duma, deve estar ciente senão mesmo felicíssimo que é por acertar a sua crítica e a quem critica, por ser frontal e dar uma mensagem clara, que há os que apontam canhão contra ele. Isto é o que ele expressa claramente aqui. Não digo e nunca direi que ao Custódio Duma não se deva interpelar, pois só com interpelações ele, um cidadão e jovem promissor , poderá se desenvolver. Porém, o que tem me preocupado é de a maioria dos seus críticos jogarem o papel de advogados à situação a que Duma critica. É pior a tendência de o desqualificar profissionalmente, não menos pela escolha que fez em trabalhar com assuntos ligados a direitos humanos e numa organização não governamental como a Liga dos Direitos Humanos (LDH). E, não é menos pior que os seus críticos sejam pessoas ligadas ao poder em Moçambique que manifestam claramente um medo às suas críticas, lançando Custódio Duma para arena política como seu aspirante e consequentemente quem fará o que os actuais governantes fazem. - saque ao Estado Isto é ao menos desacreditar a todos os moçambicanos. É uma autêntica especulação, uma intriga que menos perturba aos seus críticos.

Entanto que seu leitor assíduo, penso que Custódio Duma não critica para ser aplaudido por todos, antes pelo contrário. Como seria isso possível que até aos que ele critica, ele quisesse que o aplaudissem? Mesmo quem o aplaude não vai ao debate para encerrá-lo, vencendo os críticos do Duma. Custódio Duma, pessoa com quem nunca fisicamente me encontrei, é frontal e diz o que lhe vem da alma e solidarizando-se com os espezinhados . Nos debates dos seus textos, exigindo-se provas das suas afirmações, têm havido esforço por parte de alguns em apresentar casos de exemplos em relação à sua preocupação. Tristemente, esses casos não interessam aos seus críticos que preferem encontrar onde ele falha ao invés de o completarem.

Apenas para lembrar a alguns, estando Custódio Duma a estudar no Brasil, fez ele uma crítica severa a embaixadora do Brasil em Moçambique e não só, mas também descreveu a forma como o racismo manifesta num país sob slogan de Brasil um país de mestiçagem. Foi um tema polémico entre brasileiros pelo menos no Moçambique para todos, onde se notavam comentários de muitos a favor e contra ele.

Em 2005, Custódio Duma, ainda com o seu posto de trabalho em Nampula, repudiou publicamente o discurso anti-constitucional do então Primeiro-Secretário da Frelimo, leia (aqui) escrevendo uma carta aberta. Infelizmente, um artigo publicado em blogues bem frequentados, nomeadamente no Moçambique para todos e ideias para debates nenhum dos actuais críticos comentou antes pelo contrário ele sofreu ameaças fortes o que podia ter-lhe afrouxado, se não escolhe o desafio como parte da sua vida e forma de contribuir para o País.

Custódio Duma não se limita à análise da situação do país, mas a do continente, o que revela preocupação dum africano pela situação em que o continente se encontra como se pode ler aqui. É neste contexto, que acho que o mais importante seria começar a discutir a solução dos problemas que analisar palavra por palavra que ele escreve, por vezes isoladamente para desqualificá-lo e, o mesmo é com Azagaia ou seja com o jovem Edson da Luz com o risco de isso não se limitar em debates. Uma análise de palavra por palavra, frase por frase e tudo isolado ao contexto é para além de ser inútil é dispendioso.

É estranho, mas é verdade que há quem pensa que contribui num debate, quando num comentário querem saber se um outro queria escrever caro ou carro enquanto que o contéudo deixa tudo clarinho que ele queria escrever caro. E, porque não ir até onde se procura a autoridade de quem processa um criminoso assumido e reconhecido? E, não fomos obrigados a provar que em Moçambique não há corruptos porque não há autoridade para processar a um corrupto?

Mas a análise ortográfica, morfológica e sintética em temas que nada tem a ver com a linguística, parece-me ter um único objectivo: fazer escapar os criminosos.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Administrador de Moatize demitiu-se

Coisa inédita em Mocambique, mas muito boa e que vale a uma publicacão ampla. Segundo o Mocambique para todos, o administrador de Moatize, Adelino Andissene, pôs o seu cargo à disposição do governador da província de Tete. Há quatro meses que a administração distrital de Moatize não recebe dinheiro nem do Fundo de Iniciativa Local nem para as despesas de funcionamento. As contas da administração são pagas pelo próprio administrador.
Sou de opinião que se os nossos governantes, os altos funcionários do Estado ou outros em comissão de serviço aprendessem a agir como este administrador, Moçambique teria começado a caminhar para frente.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Sobre a sondagem interessante.

Na página de oponião do Jornal Notícias na edicao de 11/1272007, Mia Couto escreve sobre a sondagem interessante.

Eis o artigo:

Brown e Mugabe: a propósito duma sondagem!

SR. DIRECTOR!

Na sua edição do passado sábado, dia 8 de Dezembro, o seu jornal publicou uma notícia que, a nosso ver, constitui um grave atentado à verdade dos factos. A notícia intitulada “BROWN PERDE APOIO A FAVOR DE MUGABE” refere uma “sondagem pública feita pela prestigiada estação BBC. O articulista da AIM diz textualmente que “a sondagem deixa muito claro que o público mundial apoia o Presidente Mugabe...”

1. Na realidade, não se trata de uma sondagem. A rubrica “Have You Say” é um blog promovido pela BBC e em nenhuma circunstância se apresenta ou pode ser tomado por uma sondagem. O jornalista sabe a diferença entre uma coisa e outra.

2. A pergunta formulada pela BBC nesse fórum de debate não é se se apoia Mugabe ou Brown. A pergunta é completamente outra: se se apoia ou não a atitude do primeiro-ministro Gordon Brown em não participar na Cimeira de Lisboa. Os leitores poderão consultar esse blog no seguinte endereço: http://newsforums.bbc.co.uk e verificarão por si mesmos que a pergunta não tem nada a ver com o que o jornalista da AIM estranhamente conclui para, a seguir, embandeirar em arco sobre ilações como esta “que em eleições mundiais... Mugabe iria ganhar com uma vitória esmagadora, enquanto Brown sofreria a sua maior e humilhante derrota...”

3. Consultado o site, os leitores poderão confirmar que a pergunta sobre a adequação da postura de Gordon Brown é explicada num texto que contrapõe Brown a Durão Barroso, e não a Robert Mugabe. Reproduzimos textualmente as perguntas que encerram o texto: “Who is right on the boycott issue, Mr Brown or Mr Barroso? Could the row between Britain and Zimbabwe overshadow other issues at the summit? What do you want the summit to achieve?” Quem está certo na questão do boicote, o Sr. Brown ou o Sr. Barroso? Pode o clamor entre a Grã-Bretanha e o Zimbabwe ofuscar os restante assuntos da cimeira? O que desejaria que a cimeira alcançasse? como se pode constatar, nada, mas absolutamente nada sobre um eventual apoio ao Presidente Robert Mugabe.

4. Quem visitasse o blog no dia 8 de Dezembro verificaria que os 840 comentários registados apresentavam um balanço equilibrado entre quem apoiasse e criticasse a postura de Gordon Brown. Constataria, igualmente, que muitos dos que se opunham ao boicote de Brown também condenavam o regime de Mugabe.

Em conclusão, a notícia mencionada é um grave atentado contra a ética profissional e, não fosse conhecer o autor, poderia concluir que se trata de uma tentativa tosca de manipular a opinião pública moçambicana.

Mia Couto

sábado, dezembro 08, 2007

Uma sondagem interessante

O jornalista e director da Agência de Informação de Moçambique (AIM), Gustavo Mavie, escreve um grande artigo sobre a presença do Robert Mugabe na Cimeira de Lisboa. Mavie, baseando-se em resultados de uma sondagem, cobrindo apenas a 151 pessoas, diz que Brown perde a favor de Mugabe. Ainda, interpretando esta sondagem, Mavie vê-na mundialmente representativa como o posso citar: ”… esta sondagem mostra que é vista da mesma maneira pela maioria das pessoas em todo o mundo”. ( Gustavo Mavie in Jornal Notícias online, 8/12/07).
Assim estamos a ter boas informações sobre a cimeira de Lisboa.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Não há barulho

Sob proposta do Conselho Municipal e quando aprovada pela Assembleia Municipal de Maputo, o órgão legislativo, Marcelino dos Santos poderá ser nome duma rua, nomeadamente a chamada Dr. Lacerda de Almeida, no bairro de Chamanculo.

Porém, admiro bastante da maneira como o Notícias escreve sobre esta proposta que nada traz diferença em relação a proposta e aprovação da denominação à Praça André Matsangaisse, na cidade da Beira.

Secretismo na Comissão Nacional Eleitoral

Primeiro para uma reflexão!

É do conhecimento de muitos que a Comissão Nacional Eleitoral em Moçambique se tem regido por um secretismo. Mas porquê ele tem que existir? Quem se beneficia dele?

terça-feira, dezembro 04, 2007

Moçambique: de república à monarquia

Falar de Moçambique rumo a um sistema monárquico como afirma o deputado António Muchanga, parece ser muito coerente. Mas que tal se isto passasse por um referendo que por uma decisão que pareça vir de uma única família? Leia os artigos do Miradouro e da Nação Coragem.
P.s.
No blogue da Ivone Soares já se discutiu também sobre a incursão da Primeira-Dama. Leia aqui.

domingo, dezembro 02, 2007

Pedro Nacuo debruca-se sobre o caso das bandeiras

Retirado do Jornal Notícias
Por Pedro Nacuo
EXTRAS - As bandeiras...

NAS vésperas das últimas eleições legislativas e presidenciais, em 2004, o Partido Independente de Moçambique (PIMO), veio a Cabo Delgado, sob direcção da sua principal testa, Yá-cub Sibinde, em viaturas e algumas dezenas de litros de tinta branca e uns tantos pincéis, para colocar o seu nome em quase tudo o que fosse fixo.

Paredes, estradas nacionais, árvores de reconhecida exuberância e pedras à beira da estrada em todo o corredor para o norte da província, distritos de Macomia, Mocímboa da Praia, Mueda, Muidumbe e Nangade, e para o sul, Chiúre até atravessar o rio Lúrio, nos distritos de Eráti e Nacarôa.

Tudo pela estrada era PIMO e, na véspera da visita do então, Presidente da República, Joaquim Chissano, a ECMEP recebeu ordens de se munir com a mesma capacidade que o PIMO tinha, desta feita para ir apagando todo o PIMO pela estrada. Parecia brincadeira, uma viatura com tinta preta e pincéis para ir apagando o que a branco estava escrito. E a ECMEP esqueceu-se (não conseguiu ver) em pelo menos duas pedras depois de Chiúre e igual número entre Ancuabe e cruzamento de Meluco...

Na cidade de Pemba, o delegado político do PIMO acabou sendo intimado para responder em tribunal por haver colocado a sua propaganda em locais “não próprios” e sujado a cidade com a sua tinta.

Isto nos vem à memória por causa das bandeiras (políticas) da Beira, sobretudo porque as análises que estão a ser feitas são-no no sentido de que estão na Beira, uma forma distorcida que, infelizmente, os cientistas e comentaristas da actualidade encontraram para serem úteis. É como me dizia, em 1985, Kurt Madorim, um holandês que “numa sociedade de muita preguiça todos correm para a política, a única forma de ser importante, muitas vezes sem fazer nada...”

Nos tempos que correm ainda se pretende confundir a política com algumas leis, interpretadas, como é lógico, ao sabor dos respectivos protagonistas, daí que “lugar impróprio” tanto pode ser perceptível como não significar quase nada.

Ora, não sendo só das leis actualmente em vigor que nós vivemos, vamo-la perceber como, e muitas vezes, vivemos também das normas éticas e morais, não previstas em algum instrumento legal e assim fazemos a convivência democrática, consolidamos a paz e fazemos a unidade nacional.

Comecemos pelos símbolos do PIMO pelos locais e estradas de Cabo Delgado, que tiveram que ser apagados. Deviam sê-lo? Não deviam? A imprensa escreveu inclusive quando foi para o município de Pemba processar judicialmente o representante daquele partido...

Não havia analistas, comentaristas e o Ministério da Administração Estatal (MAE) estava? Estava claro que ninguém, à luz da lei, poderia proibir aquele partido de fazer o que fez, mas que ficava feio, também é verdade! Todo o lado PIMO, PIMO, PIMO... estava em demasia em locais “impróprios”, impróprios não por lei, mas do ponto de dista ético e moral saía muito mal.

Ninguém já ficou preso, na Beira, Pemba, Ilha de Moçambique e outras cidades, principalmente costeiras, por prática de fecalismo a céu aberto, simplesmente porque nada está legislado contra esse procedimento. Mas há que reconhecer, pelo menos em relação à Beira e Pemba, que o fenómeno tende a diminuir e no caso de Pemba está quase no fim.

É porque as normas éticas, o dia-a-dia e a mensagem da municipalidade foram mais fortes que a lei que não existe, “que não se deve defecar em lugares impróprios”. Se se apanhar a fazê-lo ninguém te leva à prisão, mas fica feio!

Também por lei todos podemos colocar as bandeiras onde quisermos. Mas não me dirão que fica bonito o que vejo pelas matas da minha província, Renamo e Frelimo em cima de árvores de florestas liana, estepe ou de savana, onde ninguém vive... pelas bermas das estradas, bandeiras em quase todas as casas, outras a confundirem-se com aquelas que identificam casas de curandeiros ou aquelas de onde saíram crianças para ritos de iniciação...

Em Pemba, jovens organizados por quem (não sei), sempre que há uma visita alguém abastece de combustível as suas motorizadas, das tantas “Xintians” que há por aí e vão ao aeroporto, como se de batedores se tratassem, receber a ilustre visita.

Se calhar, conforme a origem do patrocínio, os jovens amarram bandeirinhas nas motorizadas para a recepção. E quiseram fazer isso com Jaime Gama, presidente da Assembleia da República portuguesa e viriam a piorar com a Sua Alteza, príncipe Aga Khan. Receber visitas com bandeiras partidárias! Bonito? Era local próprio?

A nossa desatenção levou-nos a que, como não somos proibidos de fazer e as normas éticas e morais estão a ser subalternizadas, as nossas cidades virassem verdadeiras “mó-mó-mós” em termos de cores. Aceitamos que cada inquilino aceitasse o amarelo e o azul das nossas duas empresas de telefonia móvel e hoje as cidades moçambicanas, principalmente a Beira, Tete e agora Pemba viraram cidades de cores que em criança tinha aprendido serem de mulheres ciumentas e más.

Em Pemba, até os transportes públicos urbanos, que traziam aquelas suas cores, que temos ainda nas outras cidades, viraram de cor amarelada e com desenhos que só quando os autocarros estão próximos te sentes próximo de um “mó-mó-mó”. São muito feios!

Agora, bandeiras! Se só forem bandeiras, não outra coisa, na verdade, durante muito tempo têm lugares próprios, de respeito, que quando alguém passa diz “aqui é a sede deste partido” e se calhar até passa com um respeito à medida da consideração que tem por ele.

Esse respeito não está em alguma lei, mas existe da mesma forma que não se pode levar alguém à prisão por não ter estado em sentido quando a Bandeira Nacional está a ser içada ou arreada. Mas fica feio ser-se indiferente. São outras normas, muitas vezes com mais valor do que as leis propriamente ditas.

No dia em que, com as bandeiras do Costa do Sol, Chingale, Ferroviários, também levarmos as dos nossos partidos, diremos todos que as levamos para local impróprio. Ou não é?

É dizer a beleza das cidades ou o seu contrário nunca serão legislados e é por aí que elas são diferentes, como pode ser verdade o que uma professora de Economia Doméstica dizia em Chibututuíne, na Manhiça, “a casa tem a cara de quem a habita”.

sábado, dezembro 01, 2007

António Hama Thai no INGC

Segundo o Jornal Notícias do dia 30 de Novembro, o general de reserva, membro do Comité Central da Frelimo, António Hama Thai, esteve na célula do partido da Frelimo no Instituto Nacional de Gestão das Calamidades Naturais.

Ajudem-me para voltar ao tema!!!!!!

Recomendação

Recomendo a leitura dos artigos do economista Eugénio Chimbutane no seu blogue “racionalidade económica”, sobretudo os seguintes:
PORQUÊ A HCB AINDA NÃO É NOSSA
PORQUÊ A HCB AINDA NÃO É NOSSA (2)
Multinacionais e Recursos Naturais: Que benefícios para Moçambique?