A notícia da
morte de Dom Jaime Gonçalves chegou a todas partes do mundo, inclusive “à parte
incerta”. Por isso, na sequência das condolências relativas à morte do antigo
Arcebispo da Beira, o Líder da Renamo, através de uma ligação telefónica
efectuada há poucos minutos, também manifestou a dor da perda.
Para Afonso
Dhlakama, o episódio da madrugada de hoje é um choque para os moçambicanos
porque além do trabalho religioso realizado a favor da igreja católica, Dom
Jaime lutou pela paz e democracia. E o líder da perdiz lembra-se da dedicação
de Dom Jaime na luta pela construção de um país melhor como se tudo tivesse
acontecido hoje mesmo.
“Quero-me
recordar que Dom Jaime esteve em Roma dois anos e meio, em representação da
igreja Católica, como mediador. Conseguiu, de forma distinta, falar com a
Frelimo e com a Renamo. Aliás, foi ele que trouxe a Maríngwè a mensagem do
Vaticano, em Abril de 1988. Na época, aterrou de avião e encontrou-me para
dizer que queria negociar, quando o presidente Chissano tinha receio de que a
Renamo iria atacar em Maputo. Eu disse-lhe que fosse tranquilizar o presidente
porque a nossa intenção era negociar”, contou Dhlakama, frisando em cada pausa
que Dom Jaime foi um grande irmão.