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sexta-feira, abril 08, 2016

Dom Jaime Gonçalves ficará na história como “uma das grandes figuras de Moçambique”

Será recordado com saudade entre os moçambicanos, afirmou Lourenço do Rosário, académico e ex-mediador na crise política. Realiza-se no sábado (09.04) o funeral de um dos principais arquitetos da paz em Moçambique.
Dom Jaime Gonçalves foi o mediador da Igreja Católica moçambicana e do Vaticano no Acordo Geral de Paz de 1992, que pôs fim a 16 anos de guerra civil entre o Governo da FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique) e a RENAMO (Resistência Nacional Moçambicana). Faleceu na última quarta-feira (07.04) vítima de doença prolongada.
Nos últimos tempos, o arcebispo emérito da cidade da Beira já não gozava da mesma simpatia de outrora por parte dos líderes daqueles partidos. Contudo, entre os moçambicanos, é recordado como uma figura de relevo na vida política, social e religiosa de Moçambique.
A DW África entrevistou Lourenço do Rosário, académico moçambicano e ex- mediador nas conversações entre o Governo e a RENAMO, que lembrou a figura de Dom Jaime Gonçalves. 

Ler mais (Deutsche Welle – 08.04.2016)

quinta-feira, fevereiro 18, 2016

Mediador Católico: Bush influenciou Governo moçambicano a negociar acordos de Roma

O mediador católico do Acordo Geral de Paz em Moçambique Jaime Gonçalves atribui ao ex-presidente norte-americano George Bush influência decisiva junto do Governo moçambicano para que aceitasse o diálogo com a oposição no entendimento histórico de Roma em 1992.
Em entrevista à Lusa, o arcebispo emérito da Beira e figura central dos acordos de Roma, que, a 04 de outubro de 1992, encerraram 16 anos de guerra civil entre Governo moçambicano e Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), afirma que, perante a oposição do partido dominante, Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), ao diálogo direto, era preciso alguém com poder sobre o então Presidente Joaquim Chissano e "quem tinha esse poder era Bush".

Ex-arcebispo da Beira recorda como afastou Portugal e outros países de acordos de Roma

O arcebispo emérito da Beira e figura essencial do Acordo Geral de Paz em Moçambique, Jaime Gonçalves, recorda como Portugal e várias potências estrangeiras tentaram participar na histórica reconciliação de Roma e todos tiveram a mesma resposta: "Vão embora".
Em entrevista à Lusa, o representante do Vaticano e da Igreja Católica de Moçambique conta que, quando finalmente conseguiram sentar as partes beligerantes à mesa de negociações directas em 1992 na capital italiana, os mediadores tiveram uma crise inesperada "e que muitos não sabem", porque o primeiro encontro entre Governo e Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) "mexeu um pouco com as políticas [internacionais] ".
Um dos países que deram conta da sua vontade de participar no diálogo foi Portugal, justificando, segundo o prelado, com a sua condição de antiga potência colonizadora e que nada podia acontecer em Moçambique sem o envolvimento de Lisboa.

Ex-arcebispo da Beira: Acordos de Roma ainda são “a luz para conflitos em Moçambique”

O arcebispo emérito da Beira Jaime Gonçalves, mediador do acordo que selou em 1992 o fim da guerra em Moçambique, defende que o documento ainda é a solução para os conflitos no país e deve ser revisitado pela Igreja.
"O documento do Acordo Geral de Paz continua a ser o mais actual e ainda é a luz para a solução dos conflitos em Moçambique", disse em entrevista à Lusa o mediador da Conferência Episcopal moçambicana e do Vaticano no entendimento alcançado a 04 de outubro de 1992 em Roma entre Governo e Renamo (Resistência Nacional Moçambicana).
Mais de duas décadas após o acordo histórico, que marcou o fim de 16 anos de guerra civil em Moçambique, o país vive sob ameaça de novo conflito entre os mesmos protagonistas e Jaime Gonçalves entende que a Igreja Católica não a pode ignorar.

segunda-feira, maio 19, 2014

Para que o sol de Junho continue a brilhar

Editorial do Savana 

O entendimento que conduziu à cessação das hostilidades para permitir o recenseamento de Afonso Dhlakama, na semana passada, veio provar como é possível, entre os moçambicanos, resolver problemas que à priori podem parecer intragáveis, sem necessidade de uma única gota de sangue.

Sem a pompa e o cerimonial que geralmente acompanham cerimónias formais de assinatura de acordos de paz, o líder da Renamo, unilateralmente decidiu parar com os ataques militares, permitiu que as brigadas do STAE fossem acompanhadas pela polícia, e sem necessidade de qualquer força de interposição, desceu da montanha para se fazer recensear. E fê-lo com alguma dignidade, exibindo o seu passaporte diplomático, documento emitido pelas autoridades moçambicanas, acto que o porta-voz da Frelimo, Damião José, por ignorância legislativa, teima em insinuar como demonstração da condição “não moçambicana e anti-patriótica” de Dhlakama.

quarta-feira, outubro 24, 2012

Reconciliações

Por Machado da Graça
 
No passado dia 4 assistimos a cenas comovedoras nas comemoraçoes dos 20 anos de Paz em Moçambique.
Estou-me a lembrar, por exemplo, de uma porção de pessoas importantes, de mãos dadas, dizendo Olá Paz.
É verdade que todos os que ali estavam, de mãos dadas, pertenciam ao mesmo partido, enquanto os outros celebrantes da Paz e da Reconciliação o faziam em Quelimane, bem longe de Maputo.

domingo, outubro 07, 2012

"E tudo isto nos mantém em cima de uma caixa de explosivos que, a qualquer momento, mesmo por um simples acidente, pode fazer voar pelos ares esta nossa paz"

"Sabes que, desde há muito, tenho a ideia de que assistimos, no nosso país, a dois fenómenos diferentes mas que se completam e reforçam um ao outro: por um lado, temos a atitude do Governo e do partido Frelimo que, montados no conforto do seu poder quase absoluto, discriminam, claramente, a Renamo e os seus militantes, em todos os aspectos, não os deixando sequer chegar perto da mesa onde se consome a riqueza nacional. Por outro lado, temos uma Renamo que, como reacção a isso, se auto-discrimina, virando as costas a tudo o que venha da área governamental. E as duas coisas desembocam neste permanente desencontro, cheio de soberba e amargura, que está a anos luz do espírito de reconciliação de que tanto se falou em Roma." Machado da Graça in Correio da Manhã aqui

sexta-feira, outubro 05, 2012

Os ganhos são enormes mas nem tudo vai bem em Moçambique

Para o economista Ragendra de Sousa, a economia de Moçambique ainda tem muitas ragilidades. Escolas precárias e corrupção, outra dor de cabeça para os cidadãos.
Uma partilha da riqueza mais justa, é o que defende o empresário Fernando Couto, empresário; Ragendra de Sousa, sociólogo de desenvolvimento e economista; Francisco Mazoio, Porta-voz do Movimento Sindical moçambicano; Abel baptista, taxista, e Maria de Fátima, tesoureira.
Estas são as pessoas que falaram à Voz da América sobre os vinte anos de paz em Moçambique.
Uma paz que, apesar de todas as preocupações apresentadas, todos acreditam, veio para ficar.
Escute aqui

Fonte: Voz da América - 04.10.2012


quinta-feira, outubro 04, 2012

Passagem de 20 anos do Acordo Geral da Paz

Nas cerimonias centrais do dia da paz em Nampula, a historia se repete, apenas criancas recrutadas nas escolas e meia duzia de adultos, regra geral, funcionarios do estado. E um funcionario municipal a ralhar com uma menina com uma bandeira de mocambique, por ter ousado parar para ver uma danca dum grupo MDM. Sera que esta gente ainda tem legitimidade para nos governar?

“Durante dois anos em Roma só almocei uma vez com Guebuza”


O antigo chefe de relações exteriores da Renamo e chefe da delegação nas negociações de Roma diz que havia poucas oportunidades para “um social” com a delegação do Governo. Só houve uma ocasião, e essa, por sua iniciativa.

Qual é a sua opinião sobre o estágio da paz 20 anos depois?

20 anos depois, a paz que temos é uma paz do calar das armas. É aquilo a que chamo paz militar. É o que estamos a viver ao longo destes 20 anos. Tenho receio de dizer que Moçambique está efectivamente em paz. Prefiro dizer que estamos apenas num tempo depois do calar das armas. Estamos na possibilidade de uma convulsão social ou política, porque não estão a ser respeitados muitos aspectos, quer do Acordo de Paz, quer da constituição. Basta olhar para o que acontece em cada eleição quanto ao nível de participação dos eleitores. Perguntamo-nos: por que em 1994 as pessoas se interessaram por eleições, e agora não? Estamos a falar de um partido dominante que, do ponto de vista legal, o é porque tem o Parlamento, o Executivo, tem nomeado quase todos os membros do judiciário, mas esse partido, do ponto de vista de legitimidade, é eleito pela minoria. 80% da população não vai votar e não sabemos por que esta população não está a votar. Isto significa que, um dia destes, podemos acordar com um 5 de Fevereiro ou 1 e 2 de Setembro. Ler mais

quarta-feira, outubro 03, 2012

“Com a guerra, a unidade nacional não passava de uma cantiga, e o governo tinha perdido o controlo do território”

“O País” traz, nesta edição, uma entrevista com Dom Jaime,  arcebispo emérito da Arquidiocese da Beira. Dom Jaime foi um dos principais negociadores da paz de que desfrutamos há 20 anos .

O que teria levado a igreja católica a envolver-se na procura de paz para Moçambique?

A Conferência Episcopal de Moçambique entendeu que a resistência liderada pela Renamo incitava os moçambicanos à revolta, expandido por todo o país a guerra civil ou de desestabilização, como queira, isto a partir do início da década 80. Esta resistência contava com o apoio de forças internas, neste caso, os próprios moçambicanos, e externas. Estou a referir-me àquele grupo de países ou pessoas que pretendiam criar a chamada África branca, ou seja, os que não consentiam ligação com países comunistas.

Frelimo deve adoptar políticas de inclusão e boa convivência com os partidos da oposição


“Diário de Moçambique” (“DM”): Senhor pastor, o país comemora, a 4 de Outubro, 20 anos de paz. O que se lhe oferece comentar?

Domingos Salvador Abrantes (DSA): Bem, é assim, primeiro para dizer que não somente eu mas todos os moçambiqcanos estão felizes porque, como os políticos têm dito, a paz veio para ficar. Eu penso que, de facto, a paz veio para ficar. Estamos em paz, estamos felizes. Só que neste ano, já que a celebração do Acordo Geral de Paz (quase) coincide com a realização do 10º Congresso da Frelimo, penso que uma vez que o partido está (esteve) reunido, devia criar condições para reforçar a paz para torná-la efectiva.

“DM”: De que maneira?

DSA: É assim, nós os religiosos temos acompanhado pequenos tumultos que se registam pelo país. Isso não é bom. Por exemplo, aquela confusão que aconteceu em Nampula entre a FIR e os homens armados da Renamo. Também as queixas dos partidos da oposição de lhes serem retiradas as suas bandeiras em algumas zonas do país. Nós religiosos vemos isso como alguma insegurança por parte da Frelimo, porque ontem a questão era inversa. Era a Renamo que agredia as populações ou fazia outros desmandos, mas hoje nós estamos a ver que é o partido Frelimo que está a tentar criar alguma agitação, quando devia dar um bom exemplo.

“De guerra de desestabilização a guerra civil”: historiador moçambicano fala sobre o conflito entre a FRELIMO e a RENAMO



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Para Egídio Vaz, pode dividir-se a guerra dos 16 anos em Moçambique em dois períodos: o de‘guerra de desestabilização’, com apoio externo, e o de ‘guerra civil’, em que os rebeldes tinham já uma agenda política própria.

Ouça aqui

O primeiro período do conflito estendeu-se, segundo o historiador moçambicano, de 1977 até à assinatura do Acordo de Nkomati na África do Sul, em 1984. "Este período foi marcado pela falta de um discurso coerente, de uma causa, e caracterizou-se pela matança, pela destruição e pelo enfraquecimento da infraestrutura nacional", explica Vaz.

Dhlakama: "A partir do dia 5 acabou. A situação vai mudar"

O lider da Renamo, Afonso Dhlakama, diz ter planos de desencadear, a partir de sexta-feira, 5 de Outubro, actos que levem à alteração do ambiente de paz e tranquilidade que se vive em Mocambique desde 1992.
“A festa da paz vai durar até 4 de Outubro. Mas a partir do dia 5, que será sexta-feira, doa a quem doer, o certo é que a situação em Moçambique vai mudar, basta amanhecer no dia 5 e o ambiente será outro”, ameaçou Dhlakama, contrariando-se depois ao tranquilizar que “não se tratará de uma guerra”, porque ele próprio não quer guerra.

Segundo a edicao de hoje do “Diario de Mocambique”, ele fez esta ameaca terca-feira, em Quelimane, no seu primeiro contacto com jornalistas e populares que o aguardavam na zona de Sagrada Família.

Protagonistas da paz em Moçambique comemoram 20.º aniversário em cerimónias distintas

Maputo, 03 out (Lusa) - O 20.º aniversário do Acordo Geral de Paz, que pôs termo a 16 anos de guerra civil em Moçambique, vai ser comemorado em separado pelo Governo e pela Renamo, os protagonistas que rubricaram o pacto em 1992.

segunda-feira, outubro 01, 2012

Acordo de Paz em Moçambique tinha como horizonte as eleições de 1994 - embaixador italiano

Os acordos de paz de 1992, entre o Governo e a Renamo, que acabaram com 16 anos de guerra civil em Moçambique, tiveram como horizonte as eleições multipartidárias de 1994, defendeu o embaixador italiano em Maputo.

sexta-feira, outubro 14, 2011

“Paz” sem PAZ

Por João Mosca

Três breves conversas sobre a paz no dia da “paz”:

Conversa 1

Como paz se maioria é pobre e está com fome?
Só é possível combater a pobreza em paz!
E se em paz não se consegue reduzir a paz e há cada vez mais ricos?
Ah … isso já não sei!

segunda-feira, outubro 10, 2011

PELA PAZ HÁ QUE JOGAR LIMPO E SEM DEMAGOGIAS

Só haverá perdedores se o processo descarrilar…
Por: Noé Nhantumbo

A luta política que se desenrola em Moçambique exibe contornos complicados na medida em que os protagonistas actuam de maneira dúbia e muitas vezes sem a clareza que se impõe.
Há como que uma mistura permanente de interesses individuais com os públicos acompanhado de uma relutância em incluir os outros no projecto de construção da nação moçambicana.

sexta-feira, outubro 07, 2011

CONFABULANDO SOBRE O 4 DE OUTUBRO!
Por Gento Roque Chaleca Jr. em Bruxelas
“A minha cabeça é uma orquestra onde desfilam várias preocupações, desde logo há uma que nunca me deixou descansar: a paz!”. Extracto de uma conversa com os meus sobrinhos.
O povo moçambicano assinalou ontem dia 04 de Outubro, o 19° aniversário da assinatura do Acordo Geral de Paz (AGP). Neste dia, em 1992, o país assistiu com entusiasmo e esperança, na capital italiana, Roma, a assinatura do AGP, rubricado pelo antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, que pôs fim à guerra fratricida que durou 16 anos.

Estaremos realmente em Paz?

Editorial (CanlMoz)

Maputo (Canalmoz) - Fez esta semana, na terça-feira, 19 anos que terminou a Guerra Civil em Moçambique, mas temos dúvidas se é sensato dizer-se que Moçambique celebrou a 04 de Outubro corrente 19 anos de Paz. Ler mais