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quarta-feira, abril 06, 2016

Dom Jaime Gonçalves fará muita falta, dizem personalidades moçambicanas

"Sem Dom Jaime Gonçalves, o país fica órfão de um dos seus melhores filhos," afirma Raúl Domingos
Personalidades moçambicanas lamentam a morte, hoje, de Dom Jaime Gonçalves. O religioso fará muita falta, dizem.
Raúl Domingos, presidente do Partido para a Paz, Democracia e Desenvolvimento, diz que conheceu pessoalmente Dom Jaime Gonçalves em Roma, em 1990. Escutar (Voz da América)

sábado, novembro 28, 2015

“Precisamos de mudar o modelo do sistema político”

- Adverte Raúl Domingos, negociador dos Acordos Gerais de Paz
Aos 33 anos de idade chefiou a delegação da Renamo nas negociações com o Governo, que culminaram, dois anos e quatro meses depois, com a assinatura dos Acordos Gerais de Paz, a 4 de Outubro de 1992, em Roma.
O Presidente do Partido para Paz, Democracia e Desenvolvimento (PDD), Raúl Domingos, concedeu uma entrevista exclusiva à Ídolo, onde analisou a actual situação política de Moçambique e avançou possíveis soluções.
Ídolo (I) - Que apreciação faz da actual situação política do país?
Raúl Domingos  (RD) - Há alguns anos, vaticinei uma situação de conflito armado tendo em conta a intolerância política, falta de diálogo, exclusão, partidarização do Estado e das Forças de Defesa e Segurança (FDS). Ler mais (Ídolo)

sábado, fevereiro 21, 2015

Reflexão sobre uma oposicão sólida

Estou aqui reflectindo sobre como seria recebida por muitos moçambicanos e amigos de Moçambique, uma notícia na STV Noite Informativa em que se dizia: Os líderes dos principais partidos da oposição encontraram-se numa instância turística do país para discutir sobre as províncias autónomas e despartidarização do Estado. No dia seguinte, a notícia seria veiculada nos jornais nacionais. Nas suas capas viria uma imagem grande de Afonso Dhlakama, Daviz Simango e Raúl Domingos.
Apenas uma reflexão NÃO SOLTA.

P.S: Refrescando a memória: como foi quando sob mediação de Manuel de Araújo, Afonso Dhlakama e Raúl Domingos se encontraram em Quelimane depois de sensivelmente doze (12) anos?

quinta-feira, janeiro 22, 2015

"Há sectores interessados nesta crise política", diz Raúl Domingos

O presidente da Renamo Afonso Dhlakama anunciou ontem, 20, no final da reunião extraordinária do Conselho Político Nacional, em Caia, província de Sofala, um encontro para hoje ou amanhã entre o Governo e o seu partido para analisar a proposta de um Governo de gestão.
Hoje, fontes da Frelimo não confirmaram a reunião, depois de ontem o seu porta-voz Damião José ter dito à VOA que o partido governamental rejeita a proposta de Dhalama.
Raúl Domingos defende encontro entre Nyusi e Dhlakama - 3:05
    Raul Domingos, antigo negociador da Renamo e presidente do Partido para a Paz, Democracia e Desenvolvimento diz haver sectores interessados em manter este conflito permanente.

quinta-feira, outubro 02, 2014

Ex-número dois da Renamo acusa Frelimo de investir na violência para se manter no poder

O ex-número dois da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) Raul Domingos acusou a Frelimo de apostar na violência durante a campanha eleitoral, como forma de se manter no poder, porque sente que "o tapete do poder está a fugir-lhe".
Em entrevista à Lusa, para um balanço do primeiro mês de 45 dias de campanha para as eleições gerais de 15 de outubro, Domingos, igualmente líder do extraparlamentar Partido para a Paz, Democracia e Desenvolvimento (PDD), afirmou que as últimas semanas têm sido marcadas por violência física e psicológica alegadamente instigados pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), com o suposto propósito de inviabilizar o trabalho da oposição e assegurar a continuação do monopólio do poder.
"A Frelimo sente que o seu tempo no poder está a chegar ao fim, o tapete do poder está a fugir-lhe. São 39 anos de governação e o país está farto de ver os mesmos a acumular fracassos atrás de fracassos. O partido no poder está claramente a instigar à violência física e psicológica para inviabilizar a ação dos partidos da oposição", afirmou Raul Domingos, cujo partido concorre às eleições legislativas e às assembleias provinciais.
Fonte: LUSA – 01.10.2014

domingo, julho 13, 2014

Negociadores culpam deficiências na aplicação do acordo de paz pela crise em Moçambique

O ex-número dois da Renamo, o principal partido da oposição moçambicana, Raul Domingos e o antigo ministro da Informação moçambicano Teodato Hunguana defendem que a crise no país resulta das "deficiências de implementação" do Acordo Geral de Paz.

segunda-feira, janeiro 13, 2014

Há um sector do poder que quer a guerra

A conclusão de Raul Domingos, antigo negociador chefe nas conversações de Roma


- “Sabemos que numa situação de guerra temos um cenário de Estado dentro de um outro Estado. Até porque esse Estado que nasce torna-se mais forte sobre o Estado natural que já temos…” – anota Raul Domingos.

Raul Domingos, actual presidente do Partido para a Paz, Democracia e Desenvolvimento (PDD) e antigo negociador chefe da Renamo nas conversações que culminaram com a assinatura, em 1992, do Acordo Geral de Paz (AGP) lamenta o ponto que a tensão politico/militar atingiu, mas diz não estar surpreso porque há muito concluiu haver um sector no poder claramente interessado na eclosão de uma nova guerra civil no território nacional.

quinta-feira, novembro 28, 2013

Exclusão e intolerância como causas da crise político-militar

O presidente do Partido para Paz Democracia e Desenvolvimento (PDD), Raúl Domingos, apontou, na sua intervenção, vários factores que estão na origem da actual crise político-militar no país, destacando a intolerância e exclusão como os principais. “Em Moçambique, os partidos políticos sofrem, com dureza, a exclusão, a intolerância e a perseguição política, económica, social e cultural”, disse Domingos.

segunda-feira, abril 01, 2013

Raul Domingos regressa à Renamo

DEPOIS DE LONGOS ANOS DE TRAVESSIA DO DESERTO

antigo “número dois” da Renamo, Raul Domingos, decidiu regressar às fileiras da Renamo, tendo para o efeito solicitado um encontro com o líder da “perdiz”, Afonso Dhlakama, actualmente a residir na serra da Gorongosa, em Sofala.
Foi o próprio Raul Domingos que revelou esta decisão ao Correio da manhã, com a justificação de que quer ajudar Dhlakama a reforçar a capacidade política e organizativa da Renamo na mira do actual calendário eleitoral de Moçambique.
Interrogado sobre a reacção de Dhlakama ao seu pedido, Domingos disse que o líder da Renamo anuiu ao pedido, que deverá ter lugar “nos próximos dias em Santungira”.
Raul Domingos, que foi chefe da delegação renamista nas negociações para a paz em Moçambique realizada em Roma (Itália), foi afastado da Renamo em 2000 acusado pela liderança do maior partido da oposição em Moçambique de conspirar com a Frelimo para fragilizar o antigo movimento guerrilheiro.
Fonte: CORREIO DA MANHÃ in Moçambique para todos – 01.04.2013

Reflectindo: Não esta a mentira do dia?

sexta-feira, novembro 23, 2012

Raul Domingos apela ao diálogo

O presidente do Partido para a Paz, Democracia e Desenvolvimento (PDD), Raúl Manuel Domingos, defendeu nesta quinta-feira, um diálogo entre o governo e a Renamo, para pôr fim à crise instalada entre as partes e que tem como epicentro, a reavaliação dos Acordos Gerais da Paz (AGP).

terça-feira, novembro 06, 2012

Paz inseparável da justiça - defende Raul Domingos


A PAZ não é algo separado da justiça, verdade, solidariedade, equidade e liberdade. É um processo que leva tempo para se enraizar. Ela não envelhece e é essencial para a democracia e desenvolvimento. Quem assim o afirmou foi Raul Manuel Domingos, líder do Partido para a Paz, Democracia e Desenvolvimento (PDD), negociador do AGP, na conferência nacional sobre “a consolidação da paz e democracia em Moçambique: O papel dos partidos políticos”, cujos trabalhos terminaram ontem em Maputo.


Orador do tema “20 anos de paz: Ganhos, constrangimentos, desafios e lições aprendidas”, Raul Domingos afirmou que o Acordo de Roma deu início ao processo de construção duma sociedade assente na paz, liberdade, justiça, harmonia, respeito pelos direitos humanos e o Estado social de Direito democrático.

sexta-feira, outubro 05, 2012

12 anos depois: Dhlakama e Raul Domingos novamente amigos

O presidente da Renamo, principal partido da oposição moçambicana, Afonso Dhlakama, e o seu antigo número dois, Raul Domingos, expulso do partido em 2000, festejaram juntos o Dia da Paz num reencontro de "verdadeira reconciliação".

quinta-feira, outubro 04, 2012

Afonso Dhlakama e Raúl Domingos em Quelimane


“Durante dois anos em Roma só almocei uma vez com Guebuza”


O antigo chefe de relações exteriores da Renamo e chefe da delegação nas negociações de Roma diz que havia poucas oportunidades para “um social” com a delegação do Governo. Só houve uma ocasião, e essa, por sua iniciativa.

Qual é a sua opinião sobre o estágio da paz 20 anos depois?

20 anos depois, a paz que temos é uma paz do calar das armas. É aquilo a que chamo paz militar. É o que estamos a viver ao longo destes 20 anos. Tenho receio de dizer que Moçambique está efectivamente em paz. Prefiro dizer que estamos apenas num tempo depois do calar das armas. Estamos na possibilidade de uma convulsão social ou política, porque não estão a ser respeitados muitos aspectos, quer do Acordo de Paz, quer da constituição. Basta olhar para o que acontece em cada eleição quanto ao nível de participação dos eleitores. Perguntamo-nos: por que em 1994 as pessoas se interessaram por eleições, e agora não? Estamos a falar de um partido dominante que, do ponto de vista legal, o é porque tem o Parlamento, o Executivo, tem nomeado quase todos os membros do judiciário, mas esse partido, do ponto de vista de legitimidade, é eleito pela minoria. 80% da população não vai votar e não sabemos por que esta população não está a votar. Isto significa que, um dia destes, podemos acordar com um 5 de Fevereiro ou 1 e 2 de Setembro. Ler mais

sábado, outubro 08, 2011

Raúl Domingos contesta a forma como os edis renunciaram os cargos

Crescem vozes de contestação as eleições intercalares que se vão realizar nos municípios de pemba, cumba e Quelimane agendadas para o dia 7 de Dezembro.
Depois da Renamo e alguns partidos extra-parlamentares virarem as costas a realização deste escrutínio, agora é a vez de Raúl Domingos colocar em causa a forma como as eleições poderão decorrer.
De acordo com Raul Domingos, tudo leva a crer que os edis destas cidades tenham sido forçados a abandonar os seus cargos.
O líder do Partido para a Paz, Democracia e Desenvolvimento, entende que agora é momento das forças políticas entrarem na corrida para as eleições, uma vez o processo para o escrutínio já estar em curso.
As eleições nos municípios onde os presidentes renunciaram os respectivos cargos realizam-se no dia 7 de Dezembro, estando neste momento os partidos e candidatos a regularizarem as suas candidaturas em que o processo termina no dia 8 de Outubro.

Fonte: TIM - 07.10.2011

quarta-feira, julho 27, 2011

Serão diferentes pontos de vista?

Dhlakama deve ser ponderado – aconselham políticos da oposição

Afonso Dhlakama deve ser ponderado no seu discurso, em nome da consolidação da paz, reconciliação nacional e do desenvolvimento da democracia. Esta posição foi defendida ontem, no Maputo, por dirigentes políticos da oposição, em declarações ao “Notícias”, a-propósito das intervenções inflamatórias do líder da Renamo proferidas recentemente na província de Cabo Delgado. Ler mais

terça-feira, outubro 05, 2010

Raúl Domingos denuncia incumprimento do AGP

Raúl Domingos, uma proeminente figura política moçambicana, por sinal, quem chefiou a delegação da Renamo durante as negociações em Roma com o Governo da Frelimo, que culminaram com a Assinatura do Acordo Geral de Paz (AGP), denunciou, segunda-feira, incumprimentos do tratado.
Actualmente Presidente do Partido para Paz, Democracia e Desenvolvimento (PDD), Raúl Domingos refere, num comunicado de imprensa da sua organização política, que o acordo alcançado em Roma entre a Renamo e o Governo sob mediação da Comunidade Católica de Santo Egídio e a Igreja Católica em Moçambique tinha em vista o alcance de três objectivos centrais, nomeadamente (1) O respeito pela dignidade humana e de modo especial pelos Direitos Humanos; (2) A igualdade de oportunidades perante a Lei; E a Justiça de que é parte integrante a estrita observância da Lei e do Estado de Direito Democrático.

sábado, outubro 02, 2010

Memórias de guerra de um jovem rebelde

Celebrando 18 anos de paz

Por Emídio Beúla

Foi no dia 5 de Maio de 1980 que um jovem de 22 anos decidiu abandonar a família (pais), a namorada, os amigos e o cargo de chefe da secção de desenhos na manutenção portuária nos CFM para se juntar a um movimento de guerrilha ainda em gestação e que se pretendia lutar ideologicamente contra a orientação marxista-leninista que a Frelimo havia assumido nos anos imediatamente após a independência. Estamos a falar da entrada de Raul Domingos no movimento que mais tarde viria a se transformar num partido político (na oposição), a Renamo.

sexta-feira, outubro 01, 2010

Partidarização da polícia volta a debate 18 anos depois do AGP

Teodato Hunguana e Raul Domingos com percepções diferentes

O chefe da delegação da Renamo nas negociações do AGP defende que os serviços de segurança do Estado estão partidarizados, contra o argumento de princípio democrático de Teodato Hunguana.
O Parlamento Juvenil convidou ontem o antigo chefe da delegação da Renamo para as negociações do Acordo Geral de Paz (AGP), Raul Domingos, e o membro da equipa negocial do Governo, Teodato Hunguana, para contarem a epopeia da paz.

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Raúl Domingos, Presidente do PDD, em Discursos Directo

O PDD não sumiu - garante Raul Domingos
RAUL Manuel Domingos, presidente do Partido para a Paz, Democracia e Desenvolvimento (PDD) ainda pensa que as eleições de 28 de Outubro de 2009 foram fraudulentas. Em entrevista ao “Notícias”, disse, entre outras coisas, que militantes do partido no poder foram treinados e ensaiados para intimidar, espancar e impedir que outras forcas políticas fizessem a sua campanha eleitoral. Na mesma entrevista, Raul Domingos analisa vários aspectos da vida política do país, manifesta-se “disponível” para um eventual convite para o regresso às hostes da Renamo, não quis comentar sobre a ideia da oposição construtiva e admite que o partido teve uma má participação nas eleições gerais de 2009.

Notícias (N) – Tem andado ausente do cenário político do país. O que se passa?

Raul Domingos (RD) – Quando a gente não aparece na Imprensa a imagem que fica é a de que andamos ausentes (risos). Acredito que tenha aparecido pouco, mas esta conversa vai ser o quebrar do silêncio e tenhamos aqui e acolá uma rotina que permite que estejamos mais atentos. Na verdade, o nosso povo precisa de ouvir dos seus dirigentes qual é o pensamento político em cada momento. E é mau estar ausente.

N - Que avaliação faz o partido sobre a sua participação nas eleições gerais de 2009?

RD – Bom, tivemos uma má participação em termos de resultados. Mas, podemos dizer que do ponto de vista político estivemos presentes. Fomos uma das forcas políticas que

esteve em sete províncias. Fizemos uma campanha visível, mas os resultados não foram os desejáveis. Daí que diria: participação boa mas um mau desempenho.

N - A que se deveu o mau desempenho?

RD – Há muitos factores. A fraca presença no terreno, a baixa visibilidade nos últimos cinco anos ditou esta resposta do eleitor.

N - Qual, então, vai ser a sorte do PDD?

RD - Naturalmente que vai continuar no cenário político. Não pode desaparecer, porque tem políticos que estão filiados por convicções e acreditam que é através do partido que podem realizar os seus sonhos de ter um Moçambique de paz, de democracia e de desenvolvimento.

N - O senhor não se sente sozinho no partido?

RD - Pelos votos, acreditamos que há pessoas que nos seguem. E um dos sinais evidentes disso é o aparecimento do símbolo do PDD nos boletins de voto para as assembleias provinciais em Mocuba. Sem termos feito campanha, conseguimos um assento em Mocuba. Significa que as pessoas conhecem o símbolo do PDD, conhecem o seu líder e acreditam no partido.

N - Sente-se confortável nestes termos?

RD - Naturalmente que não. Gostaria de ter um assento na Assembleia da República. Podermos usar do pódio da Assembleia da República para dizermos o que pensamos sobre o país. Neste desconforto o desafio é trabalhar para conseguirmos esses objectivos.

N - O senhor já foi deputado. Já esteve numa situação em que lhe davam um minuto para falar. Foi confrangedor não foi?

RD- Bom, foi uma fase. A História deste país tem muitos episódios, um dos quais e triste foi estar na Assembleia da República, confiado pelo povo, mas pelo Regimento Interno ser coarctado do direito de falar e ter um minuto para exprimir um pensamento. Mas não desperdicei minuto que me foram dados. Disse o que tinha a dizer, em cada momento do debate de questões de interesse nacional e acredito que por causa disso politicamente estou vivo e as pessoas continuam a acreditar e a alimentar esperanças de que Raul Domingos e o PDD um dia poderão dar uma contribuição muito positiva para o país.

PAZES COM RENAMO

N - Disse um dia que ainda se sentia da Renamo, apesar de ter sido expulso do partido. Hoje reafirma isso? Pode voltar á Renamo se for convidado a regressar?

RD - Na minha história de vida política completo 30 anos em 2010, dos quais 20 foram vividos na Renamo. A Renamo foi praticamente a minha rampa de lançamento para a vida política. E é preciso recordar que eu não abandonei a Renamo. A Renamo é que me abandonou.

N - Nesta perspectiva poderia aceitar?

RD - Bom, aí está. Como dizia, dos 30 anos da vida política 20 foram vividos na Renamo. A Renamo foi a minha escola e, por causa disso, hoje estou onde estou. O abandono não foi pacífico. Foi, enfim, conflituoso. Se há intenções de se fazer as pazes a paz é boa para todos.

N - Aliás, o senhor é embaixador da paz. Acha que a paz está no bom caminho em Moçambique?

RD - A paz é algo que deve começar de dentro de cada um de nós. A paz deve ser vivida na mente das pessoas, estendendo-se pelas famílias, pelas comunidades, crescendo pelo país e pelas nações. A paz tem uma semente e essa semente é a mente do Homem. Felizmente, a paz em Moçambique ainda temo-la no discurso dos nossos dirigentes. Já é um bom passo. Mas a paz não é apenas o discurso, mas também acções. A paz é o bem-estar. A paz é saúde, é emprego, é transporte, é alimentação. Quando nos escasseiam estes bens materiais a paz também fica afectada. A paz tem a componente espiritual e material. A nossa paz ainda tem muito que andar. A nossa paz serve de alicerce para a democracia e a democracia serve de pilar para o desenvolvimento. É uma paz que deve ser combinada com a democracia e desenvolvimento. Quando não há democracia, a paz fica ameaçada. Neste momento vejo que a nossa democracia é uma democracia que apesar de ter sido conquistada através do Acordo Geral de Paz é ainda ténue. Ainda precisa de muito trabalho para a sua consolidação e mostra sinais de retrocesso. No passado, sempre o disse e reitero que há esforços de retorno ao monopartidarismo e isso ameaça a democracia e, consequentemente, a paz e o desenvolvimento.

N - Mas isso não será resultado dos próprios resultados eleitorais?

RD - É uma questão de perspectiva. É uma questão do ovo e a galinha. Os partidos aparentemente são fracos, mas é importante verificar a que se deve essa fraqueza. São fracos ou são fragilizados? É uma perspectiva que se pode explorar. Convido os académicos e os intelectuais deste país para fazerem esta reflexão. Por outro lado, é preciso ver se não há o esforço de empoderamento de um partido em detrimento doutros. Também é uma outra perspectiva. Quando aparece o partido no poder a criar as suas células em instituições do Estado o que é isso?

N - Os outros partidos foram impedidos de criar as suas células nas instituições?

RD - Não há lei que impede, nem há lei que autoriza. Qual deve ser a reflexão? É ver se isso é ou não viável. Se isso é ou não democrático. Vamos pegar, por exemplo, o Ministério do Interior. Cria-se uma célula do partido nesse ministério. O que se pretende com isso? Num ministério em que o pessoal é maioritariamente polícia e estes são agentes do Estado que devem ser apartidários, mas temos lá uma célula do partido. Se nós quisermos instalar as nossas células lá vamos dividir a Polícia em grupos de vários partidos. O mesmo se pode dizer em relação ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, da Defesa e inclusive outras repartições do Estado. O que é que nós pretendemos com isso? É viável para a democracia? Está claro que estamos a partidarizar. Não é viável porque as instituições do Estado não estão em condições de albergar 40 partidos. Portanto, é anti-democrático. Nós ficamos mais preocupados quando isso vem da boca dum secretário-geral do partido, que diz que é uma recomendação do congresso. A pergunta que se coloca aqui é: esse congresso em que medida vincula o Estado? As decisões do congresso são vinculativas ao Estado moçambicano? As repartições do Estado são obrigadas a albergar células do partido porque o congresso decidiu? Eu chamo a isto o cair da máscara. Durante cinco anos dissemos: estamos a dar passos em direcção ao monopartidarismo. Mas foram dizendo que não, não, não! Portanto, é isto que fragiliza uns a favor doutros. Maioritariamente, os quadros deste país se não estão nas organizações não-governamentais estão no Aparelho do Estado. Então, se são vigiados por uma célula do partido, os outros partidos ficam desprovidos de quadros que podiam fazer oposição responsável e séria.

N - O líder do PIMO, Yá-Qub Sibindy, adoptou uma linha de oposição construtiva. O PDD também pode?

RD - Não quero falar de Yá-Qub Sibindy. Quero falar daquilo que eu penso que devia ser feito mas que não é feito. Eu acho que os outros tem um grande fiscal que e o povo.

PARTICIPAÇÃO NAS ELEIÇÕES DE 2009

N - O que aconteceu em 2009? O senhor não conseguiu candidatar-se. O que se passou?

RD - É natural que me sinta injustiçado. Mas também percebo a agonia em que se encontra o partido no poder, que encontrou a forma de organizar as eleições para garantir a chamada vitória retumbante. Essa vitória retumbante é resultado de muitas operações anti-emocráticas, desde o Conselho Constitucional até às comissões distritais de eleições. Toda uma operação bem orquestrada e com um grande maestro que está de parabéns porque foi bem sucedido. Mas isso não vai continuar assim. O povo não vai permitir e nós como partidos políticos apreendemos a lição. Refiro-me às exclusões que aconteceram, a amputação de partidos, a eliminação de alguns candidatos presidenciais, tudo isso sem fundamentos legais aceitáveis. Viu-se aqui um esforço titânico dos órgãos eleitorais e de Justiça deste país a prepararem uma vitória que se pretendia esmagadora, tal como veio a acontecer. Nós vimos também, mesmo no terreno, os militantes do partido no poder treinados e ensaiados para intimidar, espancar e impedir que os outros fizessem as suas campanhas eleitorais. Eu fui vítima disso.

N - Tem conversado com o Presidente da República?

RD - Converso com ele. Eu sei que ele é aberto ao diálogo. Mas acredito que não é pelo diálogo que ele muda a sua maneira de pensar. Com relação à democracia e à forma como faz essa mesma democracia eu tenho algumas críticas a fazer. Algumas já as fiz pessoal e directamente. Falámos, por exemplo, sobre os administradores distritais, que eu penso que deviam ser cargos a serem ascendidos por concurso público e não por nomeação. Falamos de secretários permanentes e chegámos a um consenso de que de facto devia ser por concurso público e fiquei feliz em saber que esse cargo passa a ser por concurso público. Mas aí está. Parece-me que no que diz respeito à maneira de fazer a democracia ou de agir em democracia ainda estamos muito distantes. Eu estive em Gorongosa e conheci o secretário permanente local, que é ao mesmo tempo o primeiro- secretário do partido Frelimo. Para mim, esta combinação não é democracia. Se nós não chamamos atenção sobre isto vamos seguramente voltar para o monopartidarismo.

N - Está ou não o PDD fragilizado neste momento?

RD - O PDD tem uma boa base de apoio. A fraqueza do PDD que nós temos estado a constatar é a sua ligação do topo À base. Isto é, a sua comunicação..A comunicação com a base requer meios. Por falta de meios e toda uma logística necessária para a comunicação isso cria uma fraqueza. Não diria fragilizado, mas sim fraqueza. Mas estamos a trabalhar no sentido de encontrar formas de ultrapassá-la.

N - É ou não é uma ameaça ao PDD o MDM?

RD - Não é. Nós não somos adversários do MDM. O adversário do MDM acredito que seja o partido no poder. O PDD não olha para nenhum partido da oposição como adversário.

Fonte: Jornal Notícias (22.02.2010)