quinta-feira, fevereiro 11, 2010

O PESO DA ETNIAS E O PODER POLÍTICO

Por Noé Nhantumbo

Um “Dejá Vu” ou algo a que ninguém resiste…
Há rumores e rumores… O que de facto é verdade só os tempos é que dirão. Muitos dizem que os esforços e arranjos que se fazem no seio dos partidos políticos são no sentido de acomodar personalidades influentes e assegurar uma obediência e cumprimento de determinada orientações e sobretudo uma agenda política que não se compadece com pessoas manifestamente independentes.
Por outro lado tenho notícias não oficiais de remodelação da estrutura directiva de um partido recém-formado, o MDM. Se na Renamo temos na prática uma remodelação por força da desobediência de uma parte de seus membros eleitos deputados para a Assembleia da República e em assembleias provinciais, ter também uma remodelação por força do que seja ao nível do MDM é um sinal de que alguma coisa está acontecendo na cena política moçambicana.
Se queremos ser honestos e politicamente coerentes teremos de dizer que os partidos políticos moçambicanos possuem em si problemas que complicam a sua actuação política. Em virtude de toda a força que a ambição dos nossos políticos possui, o tipo de atitude e postura dos mesmos, leva a que sejam levados facilmente para águas obscuras e se entreguem a realização de agendas que não interessam aos cidadãos.
Há toda uma carga de impurezas de natureza tribal que afogam os esforços de suas lideranças em contribuir para a Unidade Nacional. O cancro da Unidade Nacional é sem dúvida o tribalismo e qualquer outro tipo de descriminação. Tanto o racismo como o tribalismo não servem a causa nacional e qualquer tentativa de encobrir a sua existência não é bem-vindo.
Diz-se a boca pequena de que o MDM é um partido com bastante influência da tribo Ndau. Diz-se que há uma forte tendência de fazer equilíbrios através da colocação cimeira de elementos provenientes desta tribo em detrimento de gente com outra origem étnica. Historicamente não se pode negar ou condenar um indivíduo só porque é Ndau ou de uma outra etnia. Também não se pode condenar os provenientes do Sul do país só porque não são Ndaus. O facto da origem de parte significativa dos membros fundadores do MDM ser de origem Ndau decerto que influi na composição de seus órgãos dirigentes. Se a Frelimo tem dado proeminência aos elementos provenientes do Sul do país no que respeita a nomeações ou atribuição de cargos de relevo na organização, isso não deve levar a que outros políticos enveredem pelo mesmo caminho. Cabe à direcção do MDM fazer todo o tipo de escolhas necessárias para o funcionamento de seu partido tendo sempre em conta que Moçambique é o tal País de todos e não só dos que pertencem a esta ou aquela etnia. Não vamos deixar de tomar decisões só porque tal pareceria tribalismo ou algo idêntico. Vai haver uma tentativa de impedir que se tomem decisões no seio dos partidos da oposição para não se receber o catálogo de tribalista.
Esta e outro tipo de acção vão ser tentadas e utilizadas pelos que trabalham para minar os esforços dos outros partidos políticos.
Se durante muitos anos foi palavra de ordem escolher e utilizar gente de uma mesma tribo para a ocupação de cargos numa organização política como ao partido Frelimo isso não deve levar o MDM a copiar o mesmo procedimento.
Temos de admitir que pertencemos todos a uma determinada tribo e que não é proibido falarmos da nossa tribo. O que talvez seja problemático e perigoso e de questionar é a tendência de utilizar a nossa tribo como critério de escolha de alguma coisa que diga respeito a todos. Moçambique não é país Ronga ou Ndau. A pertença à estrutura directiva de um partido não se deve basear em pertencer a uma tribo ou a outra.
Quando me dizem que o MDM vai nomear uma nova Comissão Política porque a actual foi integralmente destituída estamos em presença de uma crise política. Não tenho elementos suficientes para analisar a dimensão e o tipo de crise. Pode ser que esta seja a via encontrada para resolver alguns problemas do partido em referência. Também pode ser que esta seja a manifestação de uma luta entre linhas no seio de um partido que teve um parto difícil ao receber no seu seio pessoas com as mais variadas histórias e passados. Alguns dos que se apresentam como pessoas influentes e preponderantes neste partido ou que fazem parte de suas estruturas directivas e são também deputados no Parlamento nacional são pessoas manifestamente ambiciosas que se tem apresentado como autênticos animais políticos por todo o lado em que passam.
Esperemos que a motivação da crise não seja de origem étnica e que nem sejam laços de familiaridade que estão determinando a decisão de destituir. Fazer política activa e constituir um partido político é algo que se faz através de uma determinação forte que vence dificuldades e crises de todo o tipo. Os que foram destituídos consoante os rumores não devem procurar lavar roupa suja na rua porque isso só seria utilizado e aproveitado pelos seus opositores. Diremos o que já antes disse. Muitos não vão resistir as vicissitudes da política. Muitos vão desistir e recuar perante ou face à primeira dificuldade do processo.
O tachismo de muitos dos políticos que aderiram ao projecto do MDM vai-se manifestar aquando do aparecimento das primeiras dificuldades.
Há toda a necessidade de clarificação dos procedimentos no seio do MDM e de outros partidos políticos que se querem apresentar como alternativa ao actual partido no poder.
Não se pode esperar facilidade por parte de quem está no poder e há que acreditar que o grau de infiltração nos partidos é uma realidade. Embora não se possa falar qualificadamente sobre tal grau de infiltração a verdade parece ser no sentido de se acreditar que há uma grande actuação dos serviços de inteligência do partido no poder no sentido de sabotar os outros partidos e a sua pretensão de um dia governar Moçambique.
É necessário aceitar que os outros que não são da nossa tribo também são moçambicanos.
Já se falou de uma determinada carga tribal na Renamo e na Frelimo e é importante que os partidos políticos moçambicanos sejam capazes de estar e viver na política sem ter que recorrer a artifícios como a tribo.
Nascemos sendo membros de uma tribo mas não podemos jamais esquecer que Moçambique é o país a que pertencemos

(Noé Nhantumbo)

Fonte: CANALMOZ – 11.02.2010

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

90 moçambicanos foram formados na Suécia

Em 30 anos de cooperação entre ASDI e UEM

Pelo menos 60 Professores Doutores e 30 mestres beneficiaram de formações, fruto de uma cooperação entre a Agência Sueca de Desenvolvimento (Asdi) e a Universidade Eduardo Mondlane. Esta informação foi avançada ontem por Filipe Couto, reitor da UEM, que falava à margem de um workshop sobre cooperação entre a UEM e ASDI.
Couto disse que a Agência Sueca de Desenvolvimento vem apoiando a UEM a mais de 30 anos. E é desde o ano de 1978 que Moçambique tem enviado os seus estudantes à Suécia, para se formarem em diversas áreas do saber. “Até ao ano 2008, já tínhamos atingido a cifra 60 PhD e 30 mestres. No quadro desta parceria, foram formados especialistas em Medicina, Engenharias, Letras e Ciências Naturais”, referiu o reitor daquela instituição do ensino superior.
Ainda no âmbito desta parceria, a UEM encontra-se em conversações com a ASDI com vista a fazer novas exigências em relação às condições de trabalho. De acordo com Couto, as mesmas vão consistir em formar especialistas no território nacional e se possível deslocar docentes da Suécia para Moçambique, em casos de necessidade.
“Só a Universidade Eduardo Mondlane conta hoje com 200 doutorados e 300 mestres, é tempo de formar mestres dentro do país. Se antes íamos para Suécia para encontrar professores, agora pensamos na possibilidade de os professores virem até nós”, disse.
Por outro lado, enfatizou a necessidade de haver união entre os parceiros que financiam projectos de investigação naquela universidade, no sentido de não haver interferência nos projectos por ela desenvolvidos. Para Couto, é preciso que a universidade seja actor principal do projecto, pois “as acções de investigação devem ser coordenadas pela universidade”.
“O dinheiro dos parceiros destinado a projectos de investigação deve chegar a tempo e hora”, acrescentou Couto.
A UEM mantém relações com vários parceiros de cooperação, dentre eles a Suécia, Espanha, Brasil, Canadá, Noruega, entre outros.

Fonte: O País online (10.02.2010)

Mandela livre há 20 anos

Há 20 anos, no dia 11 de Fevereiro, Nelson Mandela caminhou, com Winnie, com quem era casado na altura, pelo braço, em direcção a um mar de gente que o aguardava nas ruas, sem aparato de segurança especial, dando início a um processo de edificação de uma democracia plena e representativa que ainda hoje surpreende o mundo Esse gesto, aparentemente intrépido, de um líder que viveu 27 anos encarcerado por ousar opor-se a um regime brutal, encerra em si próprio a natureza do político que acredita que quando a causa é justa não há lugar para o medo.Por isso, foi sempre coerente nas suas abordagens e na vida, quer como cidadão, quer como chefe de Estado quer como líder na reforma.
Essa atitude perante a vida e perante o povo criou dores de cabeça sem fim aos seguranças ao longo dos últimos 20 anos: quando Mandela caminha não há barreiras que o segurem.
Em certa medida, Frederik de Klerk, o homem que ordenou a libertação do “pai” da democracia sul-africana, tem uma abordagem semelhante perante o processo político. Frederik de Klerk, que em 2 de Fevereiro de 1990, poucos meses após ter sido eleito, ordenou a libertação de Mandela e a legalização dos partidos políticos e sindicatos, mostrou durante as fases críticas do processo de transição o mesmo espírito temerário, apesar das ameaças que enfrentava de todos os sectores, designadamente do seu próprio povo, os afrikaners, para quem, na altura, simbolizava “o supremo traidor”.
A importância do papel de De Klerk na libertação de Mandela e no sucesso do processo de reconciliação que se seguiu ainda hoje não é pacífico.  .>>>

Fonte: Jornal Notícias (11.02.2010)

terça-feira, fevereiro 09, 2010

As Notícias do Niassa

Conheça as notícias da província do Niassa através do semanário independente Faísca, clicando aqui.

Haitiano resgatado cerca de mês depois do sismo


UM homem de 28 anos foi encontrado segunda-feira com vida entre os escombros de um edifício no Haiti, onde terá estado preso desde 12 de Janeiro, data do terramoto que abalou aquele país das Caraíbas.
A cadeia de televisão norte-americana CNN informou que o homem, identificado como Evan Muncie, foi encontrado entre os escombros de um mercado onde vendia arroz, segundo revelaram membros da sua família aos médicos da Universidade de Miami (EUA), que estão a trabalhar no Haiti.
Quando foi encontrado, Muncie estava desidratado e desnutrido, mas aparentemente não tinha ferimentos graves, indicaram os médicos. Leia mais

Nigéria : Jonathan assume poder interinamente

O PARLAMENTO nigeriano decidiu reconhecer ontem o vice-presidente, Goodluck Jonathan, como presidente interino na ausência do presidente eleito, Umaru Yar’Adua.
As resoluções que adoptam a medida determinam que Jonathan promulgue as leis e actue como comandante-em-chefe das Forças Armadas até que o presidente Umaru Yar’Adua regresse ao país e seja declarado capacitado para retomar os seus deveres como chefe de Estado. “O Vice-presidente deve a partir de hoje assumir as funções na presidência da república e no comando das forças armadas da federação como presidente,” determinou uma das resoluções aprovadas no parlamento.
Entretanto, segundo a Reuters, a posição parlamentar choca com os preceitos defendidos pela Constituição nigeriana, que, de acordo com a agência, não prevê esta medida tomada pelo parlamento, mas sim que o presidente em funções “faça uma declaração escrita” referindo que se encontra de férias ou incapaz de desempenhar as suas funções, antes que a transferência de poderes ocorra.
Yar'Adua encontra-se hospitalizado na Arábia Saudita faz mais de dois meses a receber tratamento médico devido a problemas cardíacos, situação que compromete muito a agenda governamental da Nigéria.
“Os últimos 79 dias foram muito difíceis para nós como nação…Examinamos todas as opções disponíveis e concluímos que se revela necessário tomarmos este passo, de modo a levarmos o nosso país a bom porto,” disse o presidente do Senado, David Mark.
Num discurso no parlamento, Mark disse ainda que as resoluções ora aprovadas testam as leis nigerianas e realçou que o parlamento fez o que era necessário quando se defrontou com uma situação que não está prevista na Constituição.
David Mark referiu ainda que a entrevista concedida por Yar'Adua na Arábia Saudita e difundida pela BBC, a 12 de Janeiro, foi uma prova irrefutável da sua ausência no país para tratamento médico no estrangeiro.
O Parlamento nigeriano deixou claro que Jonathan assume os poderes executivos até que Yar’Adua se sinta capacitado para voltar a tomar os destinos da nação.

Fonte: Jornal Notícias (10.02.2010)

EMPODERAMENTO ECONÓMICO NEGRO?

Agora é a vez da “Cidadela da Matola”

Por Noé Nhantumbo

Beira (Canalmoz) - Na verdade o que já se havia dito há bastante confirma-se agora com afirmações do vice-presidente sul-africano. O Black Economic Empowerment foi um fiasco e continua a ser um fiasco. Tudo o que se queria fazer ou se dizia que se pretendia não tem resultado. Os planos de trazer desenvolvimento e riqueza para os chamados negros que a história havia condenado à pobreza não têm sido mais do que um conjunto de mentiras do tamanho dos palácios que alguns dos beneficiários do BEE têm construído.
Como na origem do BEE, em Moçambique o BEE tem sido um sistema utilizado para garantir o enriquecimento de alguns nomes da nomenclatura, em geral ligados ao partido no poder. Todas proposições feitas aquando da instituição do sistema ou programa têm servido para enriquecer pessoas que estão ligadas ao procurement e aquisições estatais e proprietários de empresas fornecedoras. A economia tão falada tem-se resumido aos interesses de alguns detentores do poder e suas relações.
Quando parecia que todas as minas estavam descobertas não é que os empreendedores ligados ao poder aparecem com mais uma carta no baralho. Agora que já não há mais património do Estado para vender ou negociar e que as reservas do Estado em termos de terreno estão esgotadas e até as barreiras antes território proibido ao nível da cidade de Maputo, já estão completamente ocupadas, era necessário descobrir algum lugar.
Estrategicamente situada entre a fronteira sul-africana e Maputo está a cidade da Matola. Se o Belo Horizonte já se apresenta ocupado e não atrai propriamente o tipo de investidor elitista sul-africano, habituado ou com recordação do apartheid, nada mais do que oferecer-lhe de bandeja o que era parque da Rádio Moçambique. Desanexar e entregar os terrenos foi a fórmula encontrada pelos detentores do poder. Aos investidores não se fazem muitas perguntas e nem os locais estão preparados para fazerem muitas perguntas sobre os contornos que teve o negócio da terra. Afinal a terra é do Estado ou de quem com uso de posições governamentais e partidárias conseguiu acumular hectares e hectares para utilização estratégica sempre que surgem joint-ventures. Do lado dos moçambicanos a moeda de troca é a tal terra que pertence ao Estado. Todos e mesmo os que não acreditavam de quem é a terra agora já devem ter ficado esclarecidos.
O aparecimento de projectos de construção civil com os mais diversos fins é salutar do ponto de vista económico. E quando se fala de 8 mil empregados resultantes de tal projecto melhor ainda. Mas quando tudo se faz num secretismo que não deixa oportunidade de esclarecer os cidadãos sobre os contornos reais e contrapartidas deste tipo de projecto chegamos à conclusão de que o vice-presidente da África do Sul tem razão ao afirmar que o BEE não tem os resultados esperados.
Enriquecer uma minoria e através da utilização do inside trading e tráfico de influências, da venda ou compra de algo para o Estado através de esquemas de procurement suspeitos, quando tudo se faz sem a transparência que deveria acompanhar e caracterizar acções em que intervém o governo, contribui-se para a promoção da corrupção e da má-governação.
Noutras latitudes do País o mesmo vai acontecer sempre que algum investidor estrangeiro se apresentar com arcaboiço suficiente para implantar projecto de igual natureza. Vai-se descobrir terreno nem que se tenha que afugentar alguns locais que estejam lá instalados.
Estamos perante mais uma situação em que algo vai ser feito ou um projecto realizado sem respeitar o direito que os moçambicanos têm de saber como se coloca a sua terra à disposição dos investidores. Mais uma vez teremos um investimento executado sem respeitar o que os moçambicanos realmente necessitam. Porque é de interesse de gente da nomenclatura não há impedimentos burocráticos de nenhuma natureza. Já não há problemas de atribuir títulos nem de demarcar. Até terra e instalações que eram património do Estado se negoceiam sem se seguir trâmites legais.
Para os promotores do Empoderamento Económico Negro em Moçambique não há limites nem travões de nenhum tipo.
Afinal quem é que governa? Quem fez e quem faz?...

(Noé Nhantumbo)

Fonte: CanalMoz (09.02.2010)

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Numa entrevista com José Luíz Cabaço

Numa entrevista da Revista Crioula, José Luiz Cabaço, sociólogo e antigo Ministro da Informação, a qual se pode conferir no Diário de um sociólogo e aqui  afirma o seguinte, na pág 9:

"... FRELIMO faz o acordo com o FMI e substitui a economia estatal por uma economia privada, “comprando” — com surpreendente facilidade, diga-se de passagem —o pacote neoliberal, o que inicialmente parecia ser o projeto programático da RENAMO. Assim, temos hoje uma situação anacrônica: o programa político, econômico e social que prevalece no país é o enunciado inicialmente pela RENAMO, mas o poder político continua nas mãos da FRELIMO. Podemos dizer, na prática, que a RENAMO venceu ideologicamente e a FRELIMO venceu politicamente, uma vez que continua no poder."


O Dilema de Paúnde

Por Ricardo dos Santos*

Maputo (Canalmoz) - Um Estado partidarizado é sinónimo de um Estado enfraquecido e este, por sua vez, será sempre um Estado totalitário. É dos livros.
Por isso, preste-se atenção à ênfase de Filipe Paúnde nos funcionários públicos. Se bem que ninguém nunca foi capaz de penetrar na consciência de outrem, há factores que determinam a direcção do voto em períodos eleitorais, nomeadamente o questionário verbal que as células da Frelimo submetem os funcionários públicos a três meses de cada pleito, indiscriminadamente. “Qual é o número do seu cartão de Eleitor”. Aqui responde-se a duas questões. Primeiro, já se fica a saber se o funcionário Vota. Segundo, já se saberá em que lista vai estar. E também, já se saberá onde será convocado para participar na campanha eleitoral. “Você é membro do partido Frelimo? Gostaria de se filiar nele?”. Se não for, deverá responder provavelmente que sim, porque o histórico da organização assim recomenda. Logo, com o Cartão de Eleitor já identificado e membro efectivo da célula, a probabilidade do funcionário ir votar e no candidato esperado cresce para os 80%. “Gostaria de participar no convívio de angariação de fundos do partido Frelimo, ou, gostaria de contribuir para as actividades da célula do partido Frelimo. De que modo?” Isto permite responder se o funcionário é ao menos simpatizante daquele partido. Logo, um membro potencial.
A propaganda eleitoral exclusivamente da Frelimo aparece livremente afixada em todas as repartições públicas. Embora muitos regulamentos internos (vide caso UEM/Min. Defesa) proíbam este procedimento, eles só se aplicam aos partidos e simpatizantes da oposição.
O sector dos Recursos Humanos é a peça mais importante neste esquema. Porque eles confundem-se com a CÉLULA, quando fazem a triagem dos seus membros, avaliando a capacidade profissional de cada um. Obviamente, os mais dotados são propostos para cargos de chefia. Os que não pertencem à célula, são descartados, por muito competentes que sejam. Alguns são até transferidos para sectores onde podem ser “dissecados devagar”. Chama-se a isso: ACANTONAR. Outros, por serem imprescindíveis, são mantidos no sector, mas um colega seu – membro da célula – é encarregue de o monitorizar permanentemente e captar o máximo que puder de conhecimento técnico. Quando estiver mais apto, tomará naturalmente o seu lugar. E para incentivar estes actos de militância, bolsas de estudos e outros “subsídios” são oferecidos, por sugestão da célula implantada nos Recursos Humanos. Como é evidente, os Recursos Humanos articulam directamente com a chefia do Sector/Direcção que endossa as recomendações ao mais alto nível.
Perto de 500.000 pessoas, ou seja, 2,5% da população de Moçambique, e muito provavelmente mais de 25% da população activa de Moçambique, tem o seu sentido de voto pré-condicionado pelo punho de aço destas células. Por alguma razão, Filipe Paúnde defende-las com garras e dentes. Se tivermos em conta que no sector privado, grosso modo, o empresariado militante ou expatriado também faz o seu papel de célula, em certas ocasiões pressionando ainda mais do que as células da função pública, pois tem a prerrogativa de despedir o funcionário sem Justa Causa (ou com a causa da cabeça dele), esta cifra ultrapassará os 50% da população activa.
Número suficiente para se ter uma vitória retumbante garantida – garantidamente sem fraudes – em todas as eleições, ainda por mais, conhecendo previamente QUEM consta das listas, as quais, poderão, a nível dos órgãos eleitorais, ser validadas “em conformidade antecipada”. Isto é, não se imagina que sejam invalidadas pela CNE, nem que chovam canivetes...
Por isso, no equilíbrio político do País uma coisa não pode ser desprezada: O papel nevrálgico das células da Frelimo na Função Pública!
Este sistema de células seria perfeito e até passaria despercebido, caso não sofresse das imperfeições que caracterizam a ambição humana. Assim, começámos a ter variantes oportunistas. Por exemplo, para futuros candidatos à chefia, promoção ou mesmo premiação (seja monetária/bolsa no exterior/etc.) outros “critérios” são agora tidos em conta: O grau de parentesco; a cor da pele; e ultimamente, a etnia.
O parentesco torna-se importante quando para o mesmo benefício há dois membros da célula oriundos de famílias diferentes. Apesar da LEI proibir o nepotismo na função pública (foi criada no período colonial), difícil é aplicá-la. Como é evidente, quem tiver o “calcanhar paterno” mais forte é que avança. A cor da pele é outro critério – normalmente até o primário – que por vezes funciona como moeda de desempate para resolução de conflitos de “calcanhar paterno”. É evidente que para chefia, os mais originários são preferencialmente os escolhidos. Ultimamente, como medida de distensão interna na Frelimo e para abocanhar os poucos nichos que sobejaram para a oposição, o factor étnico, pode-se – excluído o factor rácico desta análise – se sobrepor aos demais. Por ser um critério novo, o vale-tudo ainda prevalece. Mas é uma questão de tempo, para que outras variáveis de filtragem assimilem o processo.
Outra característica nefasta das células da Frelimo na função pública é o absentismo que elas induzem. Em cinco anos de legislatura, a cada pleito eleitoral, perdem-se seis (6) meses de trabalho na Função Pública, sendo três, antes e depois das eleições. Se tivermos em conta que Moçambique conhece a cada legislatura, dois pleitos, então, com rigor, 50% da população activa de Moçambique passa 20% de cada legislatura em comícios e passeatas. Ora, isso tem um custo económico violento. Motivos que justificam a erradicação das células na Função Pública.
Aliás, a Função Pública não deveria permitir qualquer célula, de partido algum. Deveria ser um sector profissionalizado imune a todas vicissitudes do País, nomeadamente, a mudança de governo. Como acontece em Itália.
Portugal, não é definitivamente o melhor exemplo para nós modernizarmos a Função Pública nos diferentes sectores só por causa da herança administrativa. Até, deverá ser o pior exemplo de todos...Porque, um país de 100.000 km2 com perto de 1 milhão de pessoas na Função Pública provoca calafrios ao mais incauto dos observadores.
Esta medida impõe-se como urgente, ainda por cima agora que o Ministério da Função Pública nos apresentou um novo sistema de avaliação de Desempenho do Funcionário Público. Sendo o seu princípio baseado no mérito, acreditará alguém na imparcialidade das células caso um membro seu for penalizado?
Em suma, duas medidas devem ser tomadas para endireitar as coisas: Proibição de células de partidos na Função Pública; Legalização do Sindicato da Função Pública, de filiação livre e apartidária, expurgando o risco de, por factores circunstanciais, qualquer partido convertê-lo numa espécie de confederação de células de militantes, como nos mostra, uma vez mais, o mau exemplo Português. Porque, caso contrário, calam-se as vozes dos que pugnam pela extinção das células na Função Pública, mas preserva-se a sua acção na mesma. Desta feita, em maior promiscuidade, com os Recursos Humanos acasalados aos próprios sindicalistas tornando a vida do Funcionário Público num autêntico purgatório.
O lugar das células de partidos é nos círculos eleitorais onde os cidadãos estão inscritos e se conhecem. E isto, deveria ser estendido aos candidatos a deputados às Assembleias. Assim é num estado de direito moderno.
Este é o nó de estrangulamento do nosso País que, o presidente Guebuza, quando decidir desatá-lo, terá o meu voto garantido. Incondicionalmente.

*(Ricardo Santos, analista de sistemas)

Fonte: CanalMoz 2010-02-08

Reflectindo: Caro Basílio e caros compatriotas, com base no que Ricardo dos Santos descreve em reacção à revelação do secretário-geral da Frelimo, Filipe Paúnde, podemos discutir a questão de partidarizacão das instituições públicas.

domingo, fevereiro 07, 2010

Motlanthe admite fracasso do BEE na RAS

O “BLACK Economic Empowerment” (BEE), um programa adoptado na África do Sul pouco depois da abolição do apartheid em 1994, para permitir a participação dos negros na economia do país, é hoje dado como um fracasso.
Transcorridos cerca de 16 anos da nova conjuntura socio-económica na África do Sul, esta ambiciosa iniciativa continua a não responder os ideais pelos quais foi adoptada, por estar a beneficiar apenas uma minoria.
Reconhecendo este facto, o Vice-Presidente sul-africano, Kgalema Motlanthe, descreveu o BEE como erva escorregadia, por estar a excluir aqueles que no passado sofreram, na carne, a política do apartheid...
A estratégia do Governo quando esta iniciativa foi publicada em 2003 previa que o BEE seguisse um novo rumo, o que não veio a acontecer... As autoridades sul-africanas pretendiam alargar o BEE não em termos de posse de capitais para todos, mas permitir equidades, incluindo a criação de mais negócios e treinamento de trabalhadores. Mas o que viria a acontecer foi o contrário.
... Embora Kgalema não admita abertamente que isso seja uma forma de corrupção, mas este programa “vestiu-se”, em vários momentos, de uma máscara com tendências de corrupção, como o caso do controverso negócio de armas.
Hoje, passados mais de 15 anos desde a erradicação do sistema de apartheid na África do Sul, o BEE não passa mais de uma “sátira” para os desgraçados, por não terem o mínimo espaço nesta iniciativa.
Apesar de ter contribuído para a mudança da pigmentação da economia sul-africana, o programa peca quando enriquece a um punhado de indivíduos com afinidades no Governo.

Fonte: AIM in Jornal Notícias (07.02.2010)

Pontos nos iiiiiii

Por Machado da Graça

A pessoa que assina Tadeu Phiri voltou ao Domingo para responder à minha crónica no Savana. Mais uma vez tomei conhecimento disso com atraso. Acho que vou ter que voltar a ler regularmente o Domingo.
E o curioso é que, enquanto no seu primeiro texto me acusava, no essencial, de ter mudado, agora acusa-me, no essencial, de não ter mudado.
Agora acha mal que eu continue comunista, leninista para ser mais exacto, quando tudo o mais no mundo mudou.
E mais uma vez me tenta colocar na posição de alguém que está isolado numa posição contrária a tudo aquilo que é normal e bom.
De forma que, para acabar com toda esta confusão, intencional ou não, o melhor é mesmo esclarecer as coisas.
Para isso vamos lá andar um bocado para trás na História. E fiquemo-nos por Moçambique, dado que é mais fácil e, nesse aspecto, o que se passou em Moçambique não foi essencialmente diferente do que se passou em muitas outras partes do mundo.
Pois chegámos à independência e o poder político foi entregue à Frelimo, na sua qualidade de vencedor da guerra de libertação.
E a Frelimo tinha evoluído, desde a última fase da vida de Eduardo Mondlane, para uma posição socialista, do tipo marxista-leninista.
Foi portanto natural que ao proclamar a independência tenha dado ao país o nome de República Popular de Moçambique. E que a Constituição aprovada tenha sido de tipo socialista. E que todas as orientações fossem igualmente nesse sentido.
Ora a independência já não me apanhou criança. Já estava mais perto dos 30 que dos 20 e já tinha uma formação política de alguma solidez. E, claramente, de esquerda.
Portanto não foi dificil identificar-me com o novo regime que nascia e cuja cara mais visível era o Presidente Samora Machel. E onde pontificavam outros tantos socialistas como Joaquim Chissano, Armando Guebuza, Chipande e todos os outros dirigentes vindos da guerrilha ou que se juntaram à Frelimo já depois da independência.
Com muito poucas excepções todos líamos pela mesma cartilha. E, dessas excepções, só recordo um sector que se manifestava abertamente, a hierarquia católica.
E com poucas mudanças assim ficámos até à morte de Samora Machel. Entre as poucas mudanças contou-se a privatização de pequenas empresas quando se percebeu que o Estado não tinha capacidade para gerir uma infinidade de pequenas lojas, oficinas e coisas similares.
E isto já no início da década de 80. Eu próprio, nessa altura Director Adjunto do Instituto Nacional do Livro e do Disco, tomei a inciativa, que foi superiormente aprovada, de privatizar algumas das muitas pequenas empresas que o INLD tentava gerir com grande dificuldade.
O que, de resto, não agradou a um assessor cubano que apoiava a direcção…
Mas, no essencial, a política mantinha-se a mesma, virada no sentido de um maior equilíbrio social, diminuindo a diferença entre ricos e pobres. Fazendo subir os pobres, por vezes à custa de fazer descer os ricos. Era a fase da aliança operario-camponesa. Da criação do Homem Novo.
Cometeram-se erros? Sem dúvida. Estou hoje convencido que o monopartidarismo foi um erro. Mas era de regra nos países do chamado “socialismo real” e isso foi, naturalmente, copiado.
Cometeram-se crimes? Infelizmente também disso não há dúvida.
Mas o objectivo final era, pensava eu na altura e continuo a pensar ainda hoje, correcto.
É claro que isso não agradava ao chamado Ocidente. Moçambique estava alinhado com os países do bloco socialista e também com a China e a Coreia, comunistas fora do bloco. E, no mundo dividido da altura, funcionava bastante o “quem não é por mim é contra mim”.
Com uma política externa inteligente, Moçambique foi-se abrindo ao Ocidente sem abandonar as suas alianças tradicionais com o Leste.
E é através dessa abertura que começam as pressões externas do Ocidente sobre o nosso país. Não nasceram hoje com o G19. Começaram ainda Samora era vivo.
Pressões que eram acompanhadas por uma simpatia, quando não mesmo apoio declarado, à Renamo e ao seu combate desestabilizador. Foi a fase do pau (Renamo, Rodésia e África do Sul) e da cenoura (pequenos apoios económicos ao país).
Com a morte de Samora, e grande parte da sua equipa dirigente, as pressões dos dois tipos foram aumentadas até o país ser obrigado a fazer o flic-flac a favor do capitalismo.
Um capitalismo, é óbvio, quase sem capita¬listas, porque a política da Frelimo era “matar o crocodilo (capitalista) enquanto era pequeno” ou mesmo “no ovo”.
Como em, 20 anos, se formou a classe capitalista moçambicana é aquilo a que continuamos a assistir todos os dias. Praticamente sem regras, com quase total tolerância para todo o tipo de desbragamentos.
E o mais chocante é que os actuais grandes crocodilos saíram, na sua grande maioria, de ovos chocados na Pereira do Lago.
Perante a obrigatoriedade de passarmos ao capitalismo, decretada pela comunidade inter¬nacional, em vez de os nossos antigos socialistas/comunistas usarem o poder de que continuaram a gozar para moderarem e moralizarem esse processo, assistimos, pelo contrário, à entrada alegre e desenfreada de muitas dessas pessoas na luta pela fortuna à custa do vale tudo.
E com cobertura do seu antigo partido e das estruturas do Estado, que ele controla.
De partido socialista marxista-leninista a Frelimo transformou-se, num estalar de dedos, através de um milagre de Sto. Cifrão em partido capitalista convicto e entusiasta.
E quem não quis aderir ao regabofe afastou-se e permanece calado na sombra.
É portanto aqui que estamos neste momento. Um partido no Poder que usa o mesmo nome do de Samora para defender políticas opostas às de Samora. Onde Samora aconselhava que se matasse o crocodilo ainda pequeno, agora defende-se que não nos devemos envergonhar de ser ricos. E, mais do que isso, deixa-se no esquecimento a forma como muitos deles se tornaram ricos.
E é de tudo isto que eu não gosto. Daí deriva aquilo a que ele chama o meu “divórcio” com a Frelimo. Pelo menos com esta Frelimo que hoje nos governa.
Se sou o padrão da honestidade samoriana? Não, não sou. Não sou padrão de coisa nenhuma. Mas é uma memória que muito respeito.
Dito isto, para esclarecimento do Tadeu Phiri, continuo a lamentar que a polémica se desenrole com ele a saber bem quem eu sou e com acesso a arquivos e à “memória do pai”, enquanto eu não faço ideia de quem ele é.
Ou mesmo se existe, de facto, alguém com esse nome…

Fonte: Savana  (05-02.2010)

A consciência do general da reserva Mateus Ngonhamo

Numa entrevista do savana a conferir aqui, Mateus Ngonhamo, o ex-Chefe do Estado Maior-General, vindo das forças guerrilheiras da Renamo, agora na reserva, deixa palavras muitíssimo imprtantes para uma sociedade democrática como a que pretendemos construir em Moçambique. Eis como ele responde algumas perguntas:

Savana: Como membro da Renamo, não devia saber das manifestações?

Ngonhamo: Não sou membro da Renamo. Nunca tive cartão de nenhum partido político. Estive na Renamo quando ainda era um movimento que lutava pela democracia. Quando terminou a guerra, fui destacado para integrar um exército apartidário do Estado, portanto as FADM, mas depois disso não posso dizer mais nada sobre a política, porque não estou envolvido em actividades políticas.

Savana: O facto de estar na reserva não é justificação para não exercer a política activa. Se calhar seja por razões pessoais. É isso?

Ngonhamo: As opções das pessoas dependem das suas consciências individuais. Os oficiais a que se refere já passaram do quadro militar para o quadro político. Estão na reserva exercendo a política… mas no meu caso isso não passa pela minha cabeça.

Savana: É o que estamos a dizer, as suas razões são mais pessoais do que de impedimento legal…

Ngonhamo: É uma questão de consciência pessoal, pois as normas que construímos dizem que as FADM são apartidárias. Se alguém opta por exercer uma dupla função aí já é uma questão pessoal. O militar é militar mesmo estando na reserva.

Reflectindo: as palavras do general da reserva Mateus Ngonhamo deviam servir de exemplo para muitos militares e não só, mas também para todos aqueles que não sabem que numa sociedade democrática, o lugar dos militares e policiais é nos quarteis e comandos da polícia. Recordo-me duma afirmação na blogosfera, durante a campanha eleitoral, segundo a qual Daviz Simango não estava a altura de governar Moçambique porque não lhe faltaria apoio militar e policial. A minha reacção imediata foi de questionar se o regime de facto no país era democrático ou militar.
Na minha opinião, o general da reserva Mateus Ngonhamo tem uma visão democrática, pena é que não são muitos com esta visão em Moçambique.

sábado, fevereiro 06, 2010

Televisão via Internet em Moçambique

Foi lançado esta sexta-feira em Maputo um projecto denominado Tv Mozambique.net que vai explorar um canal de televisão via Internet, sob os auspícios da AR Broadcasting Mozambique, em parceira com o Grupo Porto Tv, que opera em Portugal.
A expectativa é que com a Tv Mozambique.net se alarguem as facilidades de acesso à informação 24 horas por dia a partir dum simples computador ou telefone móvel. O turismo, a cultura, o desporto, sociedade e informações sobre diversas instituições estarão reflectidos em forma de notícia no canal.
Uma das apostas da Tv Mozambique.net é a divulgação do perfil das actividades das empresas que têm o selo Made in Mozambique.

Fonte: @ Verdade (06.02.2010)

IESE lança colectânea sobre desafios do país

UMA colectânea de reflexões sobre os desafios do país nas esferas política, económica, social e internacional vai ser lançada em meados do corrente mês pelo Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE). O livro, intitulado “Desafios para Moçambique”, reúne considerações de 22 investigadores, segundo refere um comunicado do IESE.
Desafios da Construção Democrática, Desafios da Construção de uma Economia Sustentável, Desafios de Cidadania, Educação e Habitação e Desafios de Integração e Cooperação são os grandes pontos de reflexão apresentados neste livro, que conta com a participação de investigadores como Carlos Nuno Castel-Branco, Luís de Brito, Narciso Matos, Nelson Saúte, Magid Ossman, João Mosca, Salvador Forquilha, Sérgio Chichava e Lídia Brito.
Segundo o IESE, o livro pretende ser um contributo para as reflexões e para os debates sobre o presente e o futuro de Moçambique.

São desafios para todos e para toda a sociedade.

O desafio de pensar, discutir abertamente, avançar pontos de vista fundamentados na vida prática e na análise mais académica, o desafio de não cruzar os braços ou baixar a cabeça perante obstáculos e dificuldades, o desafio de questionar o presente pensando e acreditando em diferentes futuros possíveis, de procurar os caminhos e identificando os desafios para lá chegar, de remover os obstáculos, de pensar de novo e de acreditar, de procurar os pontos nevrálgicos que fazem funcionar o corpo, de definir o que é prioritário para o desenvolvimento do país.

Fonte: Jornal Notícias (05.02.2010)

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Filipe Paúnde: a Frelimização das instituições públicas vai acelerar

Filipe Paúnde anunciou numa conferência de imprensa em Nampula, leia aqui, a continuação e o aceleramento da frelimização das instituições no país. Nessa conferência de imprensa, Paúnde, na foto, esclareceu sobre os períodos de frelimização e desfrelimização da função pública, o que coincide com o que tenho explicado, embora sem eu precisar dos congressos da Frelimo. Neste Reflectindo e noutros blogs tenho procurado esclarecer sobre o processo aos que acham que a partidarização (frelimização) das instituições públicas não tenha nascido hoje, mas que vem de há muito e que nunca tenha cessado. É que na verdade, embora Filipe Paúnde fale de a frelimização das instituições públicas se ter anulado no VI congresso da Frelimo, ela começara a desaparecer ainda nos princípios da segunda-metade da década 80.

Grupo de 16 deputados desafia publicamente Afonso Dhlakama

Maputo (Canalmoz) – O Grupo de 16 deputados eleitos pelas listas da Renamo que tomou posse na primeira sessão da Assembleia da República dirigida pelo chefe de Estado Armando Guebuza, está a partir de ontem declaradamente a desafiar o líder tradicional do partido, Afonso Dhlakama, presentemente acantonado em Nampula, na rua das Flores.
O grupo deu ontem uma conferência de Imprensa no Kaya Kwanga, em Maputo, acusando indirectamente o presidente Dhlakama de procurar “bodes expiatórios” para tentar justificar por “norma e de forma repetida” os “sucessivos desaires eleitorais”.
O Grupo está desavindo, aparentemente, com o que tem sido o seu habitual líder, Afonso Dhlakama, por este estar a usar interpostas figuras, sem, no seu entender, qualquer representatividade legítima no seio do partido, para os acusar de “traidores” e “ameaçar”, “com severas medidas punitivas” quando na verdade, segundo um comunicado distribuído na conferência de Imprensa “na III sessão ordinária da Comissão Política Nacional do Partido, reunida de 19 a 21 de Novembro de 2009 na cidade de Nampula, com a agenda única “análise do decurso do processo eleitoral atinente às eleições Presidenciais, Legislativas e Provinciais de 28 de Outubro de 2009 o que ficou decidido foi que a Renamo assumindo a sua responsabilidade de manter a paz e a estabilidade, condições fundamentais para o desenvolvimento sócio-económico e o estabelecimento do Estado de Direito e de Justiça Social, iria liderar manifestações populares pacíficas em todo o território nacional”, coisa que até agora não aconteceu em absoluto.
“A partir dessa altura, os membros e simpatizantes da Renamo aguardavam pelo início das manifestações de repúdio aos resultados eleitorais” mas o Conselho Constitucional acabou por “validar os resultados” e “o Partido (Renamo) não reagiu” como havia “deliberado a Comissão Política nem deu perspectivas aos membros e simpatizantes sobre as manifestações”.
“Contra todas as expectativas e ante o espanto de membros e simpatizantes do Partido, viu-se nos órgãos de comunicação social, o presidente do Partido e seguidamente vários porta-vozes transmitindo uma outra vertente de algo que não tinha abordado”. Andaram a dizer “que os membros eleitos das assembleias provinciais e os deputados da Assembleia da República eleitos pelas listas da Renamo estavam proibidos de tomar posse dos respectivos órgãos” quando, segundo o G-16 da Renamo afirma que não foi nada disso que foi deliberado na sessão atrás já referida da Comissão Política Nacional, em Nampula.
“É nosso entendimento que as posições do Partido são tomadas ou em sede da Comissão Política Nacional nos termos do nr. 4 do artigo 31 dos Estatutos do Partido ou em sede do Conselho Nacional”, lê-se no comunicado distribuído ontem à imprensa.
No mesmo comunicado lê-se ainda que ao abrigo do artigo 24 do Estatutos da Renamo “o Conselho Nacional é o órgão deliberativo do Partido no intervalo entre dois congressos”.
“A posição dos membros das assembleias provinciais e dos deputados (da Assembleia da República) não tomarem posse não foi decisão de nenhum desses órgãos (do Partido)”, expressa claramente o grupo que ontem resolveu quebrar o silêncio em clara afronta ao seu próprio líder tradicional que agora corre o risco de ter de se demitir ou de os expulsar a todos como já aconteceu com outros.
Com o que ontem aconteceu no Kaya Kwanga está claro que o grupo está desavindo com Afonso Dhlakama.
O grupo chega mesmo a falar em “artes mágicas” quando se “constata que mesmo os mais próximos de Dhlakama acabaram por tomar posse em todas as assembleias provinciais e na Assembleia da República”.
A crise interna na Renamo é tão grave que a certa altura, a um indivíduo de nome Meque Braz, que para o grupo é um “paraquedista usado por Dhlakama” para os denegrir, perguntam: “acaso sabe o senhor Meque Braz quanto dinheiro recebeu o Partido através da sua representação parlamentar desde 1994 e que percentagem foi destinada aos desmobilizados de todo o País para fazerem os seus projectos, para hoje vir dizer que a desgraça dos desmobilizados se deve à tomada de posse dos deputados a 12 de Janeiro de 2010? ”
“Desde 1994 com sucessivos bodes expiatórios não acha senhor Meque Braz que chegou o momento de se reflectir, discutir e encontrar os motivos e verdadeiros responsáveis dos desaires eleitorais no lugar de distrair a opinião pública?”, conclui o grupo dos 16 deputados da Renamo agora em clara e aberto desafio a Afonso Dhlakama.

(Fernando Veloso)

Fonte: CanalMoz (05.02.2010)

Reflectindo: Agora fica claro que os deputados da Zambézia tomaram posse à revelia de Afonso Dhlakama, mas ainda fica a pergunta de se AD acha que continua líder da Renamo.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Por uma leitura sócio‐histórica da etnicidade em Moçambique (3)

Por Sérgio Chichava

continuacão

I‐“A Frelimo é tribalista”!
Para compreender os contornos da questão identitária em Moçambique, partir‐se‐á, antes de mais, do período da formação da Frelimo e da guerra colonial (1962‐1974). Em seguida, ir‐se‐á analisá‐la no contexto do partido único de orientação “marxista‐leninista” e, enfim, na actual era pluralista (1990‐...)

O chigondo8 só serve de “carne para canhão”

Antes de mais, é preciso recordar que a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), constituída em 1962 em Dar‐es‐Salam, na Tanzânia, é, oficialmente, resultado da fusão de três movimentos: a União Nacional Democrática de Moçambique (UDENAMO); a União Nacional Africana de Moçambique (MANU) e União Nacional para Moçambique Independente (UNAMI). A UDENAMO tinha como seus fundadores emigrantes moçambicanos na antiga Rodésia do Sul, cuja maioria era originária do antigo distrito de Manica e Sofala (caso de Uria Simango), à excepção do seu presidente Adelino Gwambe, nascido em Inhambane, sul de Moçambique, mas que, antes de emigrar para a Rodésia do Sul, tinha trabalhado na Beira, antiga capital do distrito de Manica e Sofala. A MANU, cujos lideram eram Mateus Mole e Malinga Milinga, era um movimento essencialmente formado por emigrantes macondes no Quénia e na Tanzânia. A UNAMI, cujo líder era Baltazar da Costa Chagonga, originário do antigo distrito de Tete, tinha sido formada em 1961, essencialmente, por nativos do mesmo distrito. Eduardo Mondlane, um changane, originário de Chibuto na província de Gaza, sul de Moçambique, foi eleito presidente da Frelimo e Uria Simango, vice‐presidente.
Com base no discurso oficial acima apresentado, é‐nos mais fácil compreender o que vem a seguir, nomeadamente, porque razão a Frelimo ― cuja direcção era, maioritariamente, composta por indivíduos do sul de Moçambique ― foi sempre acusada de discriminar os moçambicanos do norte do rio Save9. Alguns episódios que iremos relatar a seguir são reveladores das tensões étnico‐tribais no seio deste movimento durante este período.
Pouco tempo após a sua formação, alguns Macondes ― que constituíam o grosso dos emigrantes moçambicanos na Tanzânia ― começaram a queixar‐se de que não havia nenhum maconde nos lugares direcção da Frelimo (Mateus Mole, antigo líder da MANU, que na Frelimo ocupava o posto de tesoureiro, tinha sido expulso por divergências), que não recebiam bolsas de estudo, que só serviam a Frelimo para pagar quotas e nada mais, que este movimento era apenas para gente do Sul10.
Em 1968, estudantes do Instituto Nacional Moçambicano em Dar es‐Salaam, na sua larga maioria do norte do Save, acusaram a direcção da Frelimo de tribalismo e de regionalismo, e tomaram posição contra certos professores brancos na Instituição (aparentemente, apenas contra os brancos de origem portuguesa)11. Os estudantes apontavam como exemplos daquilo que consideravam como falta de igualdade na Frelimo o facto de que, para além de a maioria dos dirigentes serem do sul de Moçambique, quando um estudante do norte reprovava nos exames finais, era enviado para os campos de treino, enquanto um estudante do sul em idêntica situação não o era12. Esta situação levou a eclosão de desacatos que levaram não só ao fecho temporário do Instituto, como também à morte de Mateus Sansão Mutemba, nascido no sul de Moçambique, na altura membro do Comité Central da Frelimo.
A crise iria atingir o seu auge após a morte do primeiro presidente da Frelimo, Eduardo Mondlane, em Fevereiro em 1969, isto porque Uria Simango, então vice‐presidente, devia substituí‐lo, mas foi descartado, e um triunvirato composto por Samora Machel, Marcelino dos Santos, e do próprio Simango, foi constituído para dirigir o movimento. Isto acentuou as divergências no seio Frelimo, sobretudo entre os membros do triunvirato, pois Simango não estava de acordo com esta nova situação. Assim, em Novembro de 1969, Uria Simango publicou um documento intitulado Gloomy Situation in Frelimo (Triste situação na Frelimo), no qual afirmava que o tribalismo dos dirigentes sulistas da Frelimo era uma dos principais responsáveis pela crise pela qual o movimento estava a passar:
“Desde 1966, tem‐se manifestado uma tendência no grupo, infelizmente composto por gentes do sul, que incluíam o falecido presidente da Frelimo, no sentido de tomarem decisões por eles próprios e impô‐las aos outros por meio das suas manobras. O falecido presidente da Frelimo foi criticado por certas pessoas do Sul pelas consequências que este método poderia trazer na causa final. Não se fez caso deste aviso. Este grupo continua com este método. Realizaram‐se vários encontros na casa de Janet [esposa de Eduardo Mondlane] tendo tomado parte neles só membros da tribo. Temos de compreender que em Moçambique não existe nenhuma tribo superior às outras...Todas as tribos devem receber um tratamento idêntico. Devem ter os seus direitos actualmente, durante a luta, e depois, na independência”13.
Oficialmente, foi na sequência deste texto que Uria Simango foi expulso da Frelimo.
Também, foi se queixando de discriminação que alguns antigos membros da Frelimo e do Coremo ― Amós Sumane, Matias Tenda, Mazunzo Bobo ― criaram um movimento separatista em 1968, a União Nacional da Rombézia (UNAR). Segundo os dirigentes deste movimento ― que pretendia a independência da região que vai do Rovuma até ao Zambeze (Cabo Delgado, Niassa, Nampula, Tete e Zambézia), ― os dirigentes sulistas da Frelimo, movidos meramente por intuitos “tribais”, para além de usar os nortenhos como “carne para canhão” ― ficando eles nos gabinetes ou indo estudar no estrangeiro ―, moviam a guerra apenas no Norte de Moçambique, castigando duramente as populações desta região14. De acordo com os dirigentes da UNAR, o tribalismo da Frelimo, ilustrado pelo seu presidente, Eduardo Mondlane, que se tinha rodeado apenas por pessoas do Sul, tinha criado discórdia e divisões no seio dos moçambicanos. Mas, um tanto paradoxalmente, a UNAR propunha eliminar o tribalismo e o regionalismo da Frelimo, considerados como obstáculos à unidade nacional, defendendo...a divisão de Moçambique. Como explicar isso?
De certa maneira, a UNAR representa um dos exemplos clássicos da negação do Moçambique‐tal‐como‐foi‐“fabricado” pelos Portugueses, isto é, de um espaço não necessariamente vivido por todos os moçambicanos. O estudo da UNAR põe a lume as dificuldades que há de se falar de “uma nação moçambicana”. A confortar esta posição, está o facto de que, ainda durante a guerra colonial, muitos moçambicanos do Norte e Centro do país abandonaram a Frelimo, acusando este movimento de ser “tribalista”.
Mas se nos atermos apenas à tese “tribalista” para explicar estas deserções ou o desconforto de muitos moçambicanos do Norte do Save no seio da Frelimo, ficaríamos numa análise superficial da questão. Em primeiro lugar, é preciso dizer que estas deserções se explicam mais pela diferença de trajectórias socioculturais do que por meras questões “tribais”. Os moçambicanos idos das diferentes regiões não se conheciam, e pouco fora o contacto existente entre eles durante a colonização. Moçambique como nação não existia, e provavelmente ainda não existe, porque não é necessariamente vivido como tal por todos os moçambicanos15.
A maneira como foi organizada a economia de Moçambique nos finais do século XIX, com a emergência do capitalismo colonial, é outro factor de explicação. Nessa altura, a economia de Moçambique foi transformada numa “economia de serviços”, baseada na exploração dos portos e caminhos-de-ferro que serviam essencialmente os países vizinhos, nomeadamente as antigas Rodésias (do Norte e do Sul) e a África do Sul. O antigo distrito de Manica e Sofala (correspondente as actuais províncias com o mesmo nome), foi ligado, no centro, às Rodésias e a Lourenço Marques (actual Maputo), e, no extremo sul, à África do Sul. Nenhuma ligação ferroviária Norte‐Sul foi construída, como teria sido importante numa óptica de estruturação do espaço moçambicano. A economia de Moçambique estava então dependente dos seus vizinhos exportadores. Este período corresponde, também, a emergência de desequilíbrios regionais entre as três regiões do país (norte, Centro e Sul). Lourenço Marques, no extremo sul, que gozava da grande ascensão económica da África do Sul, tornou-se a nova capital e o novo “coração” económico de Moçambique, em substituição da Ilha de Moçambique, no norte. Se Beira aproveitou um pouco da sua ligação com as Rodésias, o mesmo não se pode dizer doutras regiões do país, onde o Estado português, na impossibilidade de rentabilizá-las, teve que cedê-las a companhias concessionárias dotadas na sua maioria de capitais estrangeiros, que também não trouxeram nenhum progresso. Podemos, pois, datar dessa época (finais do século XIX), a origem dos ressentimentos das elites dessas regiões em relação ao Sul. A hegemonia do Sul sobre as outras regiões vem daí, e exprime as mudanças regionais decorrentes do desenvolvimento económico do Rand e do Transval. De certa maneira, a marginalidade ou a marginalização dessas regiões e das suas respectivas elites vem daí.

Continua!

Nota do Reflectindo: 1) recomendo sempre que leiam todo o artigo  aqui, pois aí vêm as notas do autor. 2) leiam aqui o artigo de Uria Simango sob o títuto "Gloomy Situation in Frelimo".

Falta de passageiros limita circulação de embarcações

A circulação das embarcações que estão fazer a ligação marítima entre as cidades de Maputo, Matola e o distrito de Boane, através do posto administrativo da Matola-rio, na província do Maputo, no sul de Moçambique, esta limitada devido à falta de passageiros.
Ernesto Nhambi, administrador da Transmarítima, instituição que gere as embarcações, revelou que desde que os barcos começaram a operar, no dias 23 de Janeiro ultimo, são poucas as pessoas que preferem este serviço, daí não se justificar a colocação de todas as embarcações a navegar. Nhambi disse que as embarcações não foram definitivamente retiradas da circulação, apenas estão a circular com limitações, medida que visa conter os gastos decorrentes da movimentação destas unidades sem rendimento.
“Os barcos estão a circular de uma forma limitada. Um fica posicionado no atracadouro da Matola-Rio e está sempre pronto a iniciar a viagem quando houver um determinado número de passageiros que justifique a sua movimentação”, disse Nhambi, adiantando que não se justifica movimentar um barco com capacidade de 70 passageiros para transportar menos de dez. Segundo explicou, cada uma das três embarcações baptizadas pelos nomes de “Mulauze”, “Baía” e “Paulo Santos” consome 130 litros de gasóleo, quantidades que requerem gastos monetários elevados para a sua aquisição, “daí a necessidade de contenção de gastos sempre que necessário”.
A previsão, segundo Nhambi, era de que o “Mulauze”, também chamado “Táxi Marítimo”, efectuasse oito viagens diárias e o “Paulo Santos” apenas quatro, cobrando tarifas que variam de quatro a trinta meticais, dependendo do percurso. Segundo Nhambi, citado pelo “Noticias”, aventa-se a possibilidade de as tarifas praticadas serem elevadas como uma das razões que inibe os passageiros de optarem por aquele serviço, se tomar em consideração que a maior parte dos residentes da Matola recorre ao transporte rodoviário, que e’ mais barato, para chegar aos seus destinos.
O “Mulauze” cobra a tarifa de 30 Meticais (cerca de um dólar) entre os dois extremos e a “Paulo Santos” 21 Meticais para o mesmo trajecto, numa zona onde os Transportes Públicos de Maputo cobram cinco Meticais e o semi-colectivo de passageiros (vulgo chapa) cobra 7,5 Meticais por passageiro no trajecto Maputo/Matola.
As embarcações têm uma capacidade para transportar cerca de 70 pessoas cada, tem como terminais as pontes-cais de Maputo e Matola-Rio, com uma paragem intermediária na Escola de Pesca. Espera-se que esta acção seja brevemente complementada com a conclusão dos trabalhos em curso, de forma a estender esta rota até ao bairro da Costa do Sol e ao Distrito Municipal da Inhaca, todos na cidade de Maputo.

Fonte: AIM in @Verdade (03.02.2010)

Reflectindo: assim vai a nossa planificacão!?!?!?

Aumenta número de professores sem turma

Algumas escolas de diferentes níveis de ensino, na cidade de Nampula, estão a enfrentar graves problemas na afectação de professores para o presente ano lectivo, devido à sua superlotação nos respectivos estabelecimentos, agravada pela colocação em massa de docentes recém-graduados por parte das autoridades de tutela.
Por causa desta situação, segundo apurou o nosso jornal, muitos professores estão sem turmas, facto que obriga as direcções das escolas em que foram afectados a repartir os alunos para formar novas turmas que, entretanto, estão sujeitas a receber as aulas ao relento.
A título de exemplo, a nossa reportagem efectuou uma ronda às Escolas Primárias Completas de Napipine, Teacane, Muthita, Barragem, onde constatou que, em cada uma delas existem, no mínimo, mais de oito professores sem turma, aguardando pela eventualidade de surgirem vagas derivadas de professoras com licença de parto, um cenário que tem estado a verificar-se um pouco por todas as escolas da cidade de Nampula.
Alguns responsáveis das mencionadas escolas, que falaram à nossa reportagem na condição de anonimato, revelaram que os professores em causa, por não poderem ir trabalhar nos distritos por vários motivos, são ali colodacos arbitrariamente pela própria Direcção Provincial de Educação. E, então, os responsáveis ao nível da cidade, impossibilitados de os devolver à procedência, são obrigados a entulhálos, em regime de reserva, naquelas escolas mesmo sabendo que as mesmas não têm vagas para docentes.
Aliás, as mesmas fontes observaram que os professores recem graduados deveriam, na sua maioria, ser colocados nos distritos para dar oportunidades a outros profissionais de educação interessados em continuar os seus estudos na capital provincial. Nós recebemos quse todos os dias professores, para cuja afectação não temos capacidade, devido, sobretudo, à falta de salas de aulas (porque não podemos formar turmas com menos de trinta alunos).
Por isso, temos estado a colocar (desnecessariamente) alguns deles na secretaria, enquanto recambiamos outros (com muita dificuldade) para a direcção da cidade. Disseram os nossos interlocutores, apelando para que as autoridades de Educação em Nampula se empenhem no sentido de inverter este cenário, que, directa e indirectamente, tem afectado negativamente o funcionamento normal das escolas na província.

Fonte: WamphulaFax In @Verdade (04.02.2010)

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Almerinho Manhenje, ex-ministro do Interior, é posto em liberdade esta

Uma fonte autorizada confirmou hoje a Rádio Moçambique, que o antigo Ministro do Interior, Almerino Manhenje, será posto em liberdade amanhã, quinta-feira.
A mesma fonte disse que outros dois detidos em conexão com o desfalque de 220 milhões de Meticais no Ministério do Interior, serão igualmente postos em liberdade no mesmo dia, após pagamento de caução. São eles Rosário Carlos Fidelis e Álvaro Alves Nuno de Carvalho.
A libertacao dos quatro arguidos foi decidida em resposta ao pedido formulado pelo advogado de Almerinho Manhenje para que possa aguardar o decurso normal do processo e o julgamento em liberdade.
O Procurador-Geral da República, Augusto Paulino, disse ser compreensível esta decisão judicial, uma vez que, os arguidos encontravam-se sob prisão preventiva há mais de um ano.
Entretanto, o juiz Octávio Tchuma, do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, ordenou, segunda-feira, a libertação de outros quatro co-arguidos do “Caso 220 biliões de meticais” (cerca de oito milhões de dólares ao câmbio actual).
Trata-se de Lourenço Jaquessone Mathe, Manuel Luís Mome, Serafim Carlos Sira e Dionísio Luís Colege.
No ano passado, o juiz da causa restituiu à liberdade condicional Luís Rusé Colete, um arguidos deste processo, após pagar uma caução de 50 mil meticais. Ainda neste processo, o ex-Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), Armando Pedro Muiuane Júnior, foi despronunciado por insuficiência de provas.
O grupo foi conduzido à Cadeia Civil a 22 de Setembro de 2007, por ordem da Procuradoria da República da cidade de Maputo, acusados de envolvimento no desfalque de somas avultadas no Ministério do Interior.
O ex – ministro do Interior, Almerino Manhenje foi detido na sequência das investigações feitas com relação ao desfalque de 220 biliões de meticais da antiga família das contas relativas ao exercício de 2004, por ordens do actual Ministro, José Pacheco.
Na altura, José Pacheco solicitou a auditoria para avaliar o estado de desenvolvimento dos recursos humanos e gestão administrativa e financeira do seu pelouro que começou a dirigir em Fevereiro de 2005.
O próprio Ministro do Interior, José Pacheco, procedeu a entrega do relatório de auditoria ao então Procurador-geral da Republica, Joaquim Madeira em Março de 2006.

Fonte: Rádio Mocambique (03.02.2010)

ESQUEMAS USADOS PELOS CORRUPTOS PARA DEFRAUDAR INSTITUIÇOES PÚBLICAS

Por Gustavo Mavie

A menos que se ponham travões aos sofisticados esquemas usados pelos corruptos no desvio dos fundos das instituições públicas em que estão afectos, jamais se conseguirá reduzir e, muito menos, por fim à corrupção em Moçambique.
Também será impossível erradicar a corrupção enquanto o seu combate depender apenas das denúncias que, amiúde, são feitas pelos funcionários mais corajosos, ou pelos que se vêem excluídos da sua partilha, como aconteceu nos Aeroportos de Moçambique do tempo de Cambaza, cuja sentença será lida a 26 do corrente mês.
Neste artigo elaborado a base de uma investigação minha para diagnosticar este problema, que para mim é um dos maiores senão mesmo o maior obstáculo ao desenvolvimento normal de qualquer país, tento expor alguns dos esquemas mais usados pelos corruptos para delapidar os orçamentos das instituições onde, regra geral, desempenham as funções de chefia aos mais diversos níveis. Como qualquer estudo, neste cinjome mais no dia-a-dia de uma instituição pública que investiguei, pois esteve mais de 20 anos nas mãos de um grupo de corruptos que devido a sua ganância acabaram reduzindo-a a uma verdadeira ruína.
O cenário só melhorou quando, finalmente, se procedeu à substituição do seu principal dirigente por um outro averso à corrupção e aos próprios corruptos, tendo imediatamente adoptado medidas draconianas e que tiveram o condão de reduzir ao máximo possível os roubos. Por razões que se prendem com o princípio de bom-nome, não irei identificar tanto essa instituição como os referidos corruptos que o seu novo timoneiro tratou de os desmamar, para que não seja acusado de difamação ou de acusar publicamente algo que carece de sancionamento judicial.
Para melhor compreensão da natureza da corrupção e, sobretudo, dos esquemas adoptados pelos corruptos para se apoderarem dos fundos públicos sem deixarem pistas facilmente desvendáveis, passo a descrever alguns truques usados pelo grupo da instituição de que me servi como caso estudo para se apoderarem dos duodécimos que lhes eram periodicamente atribuídos pelo Tesouro.
Antes, devo vincar que a maioria dos esquemas que diagnostiquei são basicamente os mesmos usados por corruptos de outras instituições públicas e até privadas. A sobre-facturação, simulação das compras e pagamento de certos serviços que, forjadamente, são arrolados nas facturas que indicam a natureza do que se alega ter sido feito, são alguns dos esquemas que o grupo usava para se apoderar do dinheiro e despistar os auditores que se baseiam apenas em dados documentais, tais como facturas e recibos, e não também em resultados como é prática recorrente noutros países.
No caso de prestação de serviços, simulam que se fez isto mais aquilo, quando, muitas vezes, não se fez nada ou, se fizeram, é algo muito superficial, mas facturado a preço de ouro. Para este fim, e tal como já afloramos, os corruptos da instituição de que me servi para escrever este artigo, tinham uma rede de agentes económicos seus cúmplices, que permitiam que as suas empresas fossem usadas para drenar os fundos da referida instituição pública, através da emissão de facturas e subsequentes recibos em troca de cheques que eram passados em nome dessas suas empresas ou casas comerciais, sob o pretexto de que teria sido feito a compra de determinados bens, ou prestados serviços a essa instituição quando, na verdade, nada disso havia sido feito.
Por exemplo, no caso vertente, os tais corruptos podiam emitir uma ordem de pagamento no valor de 100 mil meticais em nome de uma certo estabelecimento, que podemos chamar de Papelaria Rolexado, em troca de facturas e recibos que serviam de justificativo para a emissão do cheque que supostamente, teria sido usado para a aquisição de material diverso de escritório, tais como resmas, rolos de fax, tinta de impressão para computadores e máquinas de fotocopiar.
Um dos casos que ilustra quão grave é este problema de simulação de compras que nunca são feitas é que uma vez se apurou que o chefe do Economato da tal instituição alvo da minha investigação, chegou a “comprar” numa dada altura grandes quantidades de rolos de telex que, na altura do inventario, seriam para mais de cinco anos consecutivos, mas, entretanto, não existia nenhum rolo no armazém. Isto mostra que o gestor só usava a referida papelaria para tirar dinheiro, porque na verdade, ele não comprava tantos rolos quanto declarava. Com este jogo, o dono dessa papelaria, que aceitava ser usado para defraudar essa instituição, recebia por cada cheque emitido a seu favor entre 20 a 30 por cento de cada pagamento.
Quer dizer, ele não precisava ter muitos trabalhadores, pois limitava-se apenas a receber os cheques e depositálos depois na sua conta, e receber em troca 20 a 30 por cento de cada pagamento. Ora, isto era muito para ele, tanto mais que havia corruptos de outras instituições públicas que também iam trocar os seus cheques, dividindo o dinheiro na mesma proporção.

Troca de cheques é outro dos esquemas usados

Outro dos esquemas usados pelos corruptos consiste em trocar cheques das suas instituições na boca dos caixas daquelas empresas em que o público consumidor procede ao pagamentos de alguns serviços em numerário, como por exemplo, a EDM e outras que prestam serviços ao público em geral. Para este esquema, os tais corruptos emitiam um cheque de um certo valor, por exemplo 60 mil meticais, como se fossem pagar energia, sendo depois recebido pelo caixa e logo trocado em numerário, através da retirada na caixa de um valor igual ao constante nesse cheque.
Assim, o cheque fica a fechar o buraco contabilístico aberto com o valor retirado da caixa. Este esquema permitia que os corruptos se apoderassem de 60 mil meticais desse empresa numa ápice, ficando, como dissemos, o cheque a fechar contabilisticamente o que se retirou. Na verdade, quem ficava prejudicado é a instituição cujo cheque era trocado em dinheiro vivo, porque se tratou de uma “operação limpa” de saída de fundos, apesar de ser através de um cheque.
Tal como nas compras fictícias, neste esquema também os caixas beneficiam-se de entre 20 a 30 por cento do valor retirado da caixa, que depois fechavam com esses cheques. Este esquema chegou a ser comprovado e teve que se levantar um processo disciplinar contra um dos membros do grupo, tendo culminado com a sua expulsão da instituição. No caso dos corruptos da instituição em que me baseei para diagnosticar este esquema, os seus mentores chegaram a um tal extremo de desvios que praticamente destinavam quase todo o orçamento de funcionamento e de investimento para o benefício próprio.
Veja que este grupo até vendia, a 80 por cento o custo do litro, as senhas de combustível com que se devia abastecer os carros dessa instituição.

Da gestão ruinosa à necessidade de formas mais eficazes de fiscalização e auditoria

O nível de corrupção nessa instituição reduziu-a a uma degradação total e completa, de tal modo que para quem a visitasse, nunca podia imaginar que fosse um local onde ainda havia funcionários a trabalharem nela. Na verdade, já não trabalhavam, porque não havia condições para eles trabalharem. Muitos deles acabaram saindo dela como ratos num barco que se está a afundar, indo fundar as suas próprias empresas ou se foram empregar noutras, porque todos os seus meios de trabalho estavam inoperacionais ou sido puramente vendidos, incluindo aqueles cuja falta numa certa instituição acaba impossibilitando qualquer actividade.
Por exemplo, apesar de a sua actividade depender fundamentalmente da disponibilidade de computadores e viaturas operacionais, estes meios não eram reparados ou repostos há muitos anos, ao mesmo tempo que os seus telefones tinham sido cortados por acumulação de dívidas. Curiosamente, esse grupo de corruptos não parava de emitir cheques supostamente para pagar reparações das viaturas, aparelhos de ar condicionado, computadores e outros equipamentos como o seu gerador que estava paralisado há anos por uma pequena avaria, mas que na verdade não se reparava nada.
O que este grupo fazia era simular reparações para sacar o dinheiro, forjando documentos em que se dizia que estavam investindo na sua reparação. Esta forma de desviar dinheiro não é facilmente detectável através duma auditoria clássica feita com base na análise simplista dos documentos. Há que se combinar com os resultados, o que passa pela avaliação rigorosa do património, para aferir se aquilo que foi gasto corresponde ao serviços prestados ou materiais adquiridos. Isto porque no caso deste grupo, apenas se valia das oficinas usadas para este fim, para obter as facturas e os recibos simulando que haviam sido feitas reparações quando, de facto, não tinha havido nada.
Tal como nas compras fictícias, o grupo emitia os cheques em nome dessas oficinas como se estivesse a pagar essas reparações. Com este esquema, o grupo estava certo que nenhuma auditoria seria capaz de desvendar o seu esquema, pois a saída dos valores estava devidamente justificada. De tanto se fiarem neste tipo de esquemas, o grupo não se eximia em defender-se ou desafiar todos que ousassem lhes apontar o dedo, dizendo que eles não roubavam dinheiro de ninguém. Eles diziam isso porque sabiam que a maneira como roubavam era tão científica quanto a própria ciência, como dizia sempre o líder deste grupo.
De facto, eles sabiam que as auditorias limitavam-se a vasculhar a documentação e observar os aspectos legais, quando a melhor auditoria é que toma em conta os resultados. Como bons cabritos que eram, o grupo cumpria com todos os aspectos legais e outras normas previstas na condução dos concursos públicos atinentes às compras e outras aquisições de bens e serviços. Este facto mostra, de per si, que a maneira como as auditorias são feitas, é mais simbólica que profunda, e está muito longe de desvendar os desvios de fundos que ocorrem um pouco por muitas instituições.
Para se estancar este tipo de corrupção que aqui espelhei, há que se dar primazia ao que se vê materialmente à volta das instalações, para se aferir se justifica ou não o que se gastou. Por exemplo, seis meses antes do fim do mandato do último governo do Presidente Chissano, o Ministério da Saúde gastou mais de 700 mil dólares para a “reabilitação” das suas instalações, mas na verdade, o que foi feito, nem podia ter custado 100 mil dólares.
Na própria instituição que me inspirei para escrever este artigo, durante muitos anos foram gastos várias centenas de milhões de meticais, que eram justificadas como tendo sido gastas na reabilitação das suas instalações, quando, na verdade, estavam caindo de podre até à altura da mudança do seu timoneiro. Uma auditoria deve ser capaz de dizer aos auditados que o trabalho feito ou esta reabilitação não pode ter custado o que se diz que custou nos documentos.
Para mim, para se acabar com a corrupção em Moçambique, deve-se exigir mais resultados e não se limitar ao legalismo ou apenas no cumprimento do que está previsto na regra dos concursos públicos. Isto porque os corruptos limitamse a cumprir as formalidades previstas na Lei que norteia as UGEA´s, mas já não se sentem e nem são depois obrigados a cumprir com tudo o que dizem que vão fazer. Na verdade, os vistos que o Tribunal Administrativo vai atribuindo pedidos de adjudicação disto e daquilo, acabam sendo documentos que apenas dão luz verde para se roubar mais dinheiro do erário público.
Se quisermos de facto combater a corrupção em Moçambique, deve-se adoptar novas formas de fiscalização e de auditoria, sob pena de que nunca sairemos da cepa torta em que estamos. Basta que nos lembremos do estado das estradas de Maputo antes da ascensão de Comiche à Presidência do Município de Maputo. Já nem semáforos haviam, e os que haviam, mal funcionavam. A mesma degradação assistia-se nos nossos hospitais antes do aguerrido e incansável lutador contra a corrupção, que é o Ministro Ivo Garrido.
Em apenas cinco anos no cargo de Ministro, Garrido foi capaz pode repor tudo o que se havia deixado degradar em 30 anos. Sei que ele é combatido, mas salvo algumas excepções em que ele possa ter culpa no cartório, julgo que muitos que o diabolizam são exactamente os mesmos que hoje se vêem impedidos de continuar a roubar. Todos os que têm lutado contra a corrupção, são diabolizados em nome dos trabalhadores mas, na verdade, quem os causa são estes punhados de corruptos que se vão enriquecendo á velocidade da luz. Diabolizar é uma táctica universal e secular, se bem que pode ser nova em Moçambique, porque antes de nós, já aconteceu com Cícero em Roma.
Este também era tão combatido e diabolizado pelos mesmos cujos males combatia implacavelmente, mas ao mesmo tempo que era acusado de todos os males, o povo, esse, testemunhando as melhorias, o aplaudia vivamente. Portanto temos que estar prontos para combater os corruptos, porque eles irão recorrer a todas as formas de luta sempre embalados com o som ou gritos de “viva o passado, fora do passado não há salvação”. Uma das tácticas será difamar os que os combatem ou que os não deixam roubar
Reiteramos que para se decantar este tipo de corrupção que acabamos de espelhar, torna-se imperioso e urgente, que se passe a analisar os concursos que são submetidos pelas UGEA´s, e fiscalizar o que se propõe fazer. Outra medida que julgo que se deve adoptar é o envolvimento de mais funcionários de cada instituição na preparação e aprovação de cada concurso, e que tudo seja feito de modo transparente. Mais do que auditar as contas, deve-se fazer uma inspecção “in loco”, para se ver e avaliar o que estava escrito no concurso, de modo a ser aferir se foi totalmente feito ou bem feito, no caso duma reabilitação.
Não se pode limitar a dar-se vistos, sem que se faça depois uma inspecção “in loco”. Temos que ter em conta que o Estado deve fiscalizar o próprio Estado, para evitar que um punhado de indivíduos tire proveito do erário público. Com este método, seria possível reduzir ao máximo as simulações de reabilitações e de compras deste e daquele equipamento, e ao mesmo tempo acabar com a prestação forjada de serviços, porque seria possível analisar com mais detalhe os resultados dos dados constantes nos papeis.

A luta contra os corruptos será difícil porque usarão todos os meios ao seu alcance para continuarem a roubar

Ao longo dos anos que tenho estado a estudar as corrupção, cheguei à conclusão de que luta contra os corruptos nunca será fácil e tão pouco pacífica, porque está mais do que provado que eles nunca aceitarão mudanças e muito menos que se lhes ponha fim ao desvio de fundos. Quando se sentirem impedidos de roubar, eles vão usar todos os meios ao seu dispor, sempre ao som do tal seu grito de guerra de viva o passado, fora do passado não há salvação, ao mesmo tempo que nunca perderão a oportunidade de desferir golpes baixos contra todos os que se lhes oporem à prossecução dos seus intentos.
Termino citando o colega Emílio Manhique, quando, um dia desses, disse ao Ministro Garrido que a maneira tão ousada com que tem inviabilizado os corruptos no seu pelouro, ele deveria precaver-se, e solicitar ao Presidente Guebuza um reforço da sua protecção pessoal, pois corre o risco de ser alvo de um atentado. Este alerta pode parecer exagerado, mas neste país já houve pessoas que tombaram vítimas dos corruptos.

Fonte: AIM (02.02.2010), arquivado aqui

terça-feira, fevereiro 02, 2010

No fim todos serão soltos e se possível indemnizados, mas houve um desfalque

Desfalque no MINT: Libertados quatro do “caso 220 biliões”

LOURENÇO Jaquessone Mathe, Manuel Luís Mome, Serafim Carlos Sira e Dionísio Luís Colege, quatro co-arguidos do “caso 220 biliões” do Ministério do Interior, foram ontem postos em liberdade por ordens do juiz Octávio Tchuma, da 8ª Secção do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo. Detidos continuam Almerino Manhenje, ex-ministro do Interior, e dois dos seus colaboradores, nomeadamente, Rosário Carlos Fidelis e Álvaro Alves Nuno de Carvalho. Domingos Alfredo Mathe, que nunca chegou a ser detido, foi despronunciado, escreve o Jornal Notícias.

No ano passado o juiz da causa restitui à liberdade condicional Luís Rusé Colete, um dos oito arguidos deste processo, após pagar uma caução de 50 mil meticais. Ainda neste processo, o ex-Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), Armando Pedro Muiuane Júnior, foi despronunciado por insuficiência de provas. Em tempo o Ministério Público recorreu da decisão do juiz Octávio Chuma, por ter deixado de fora alguns arguidos que acredita que tiveram participação directa no desvio de fundos do ministério - acrescenta o Notícias

Fonte: Jornal Notícias (03.02.2010)

Reflectindo: Ora, que no Ministério do Interior houve um desfalque de 220 biliões de meticais, é um facto. Até aqui ninguém disse o contrário. O que não se provou até aqui é quem é autor do desfalque. Pouco a pouco estão saindo todos os detidos em conexão com o desfalque e sempre será por insuficiência de provas. Se eles quiserem, poderão exigir indemnização, um valor a somar com os 220 biliões saídos das contas do Estado. Isto sem contar com os custos ao Estado desde finais de 2007. Uma pergunta pode ser do porquê foram detidos se não havia razão suficiente para tal?

Os interesses empresariais dos ‘novos’ ministros

Quase todos os ministros que recentemente iniciaram funções possuem interesses empresariais em diversas áreas. Os irmãos Fernando Sumbana Júnior, ministro do Turismo, e António Sumbana, ministro na Presidência para os Assuntos da Casa Civil, são os que mais participações têm. A ministra da Função Pública, Vitória Diogo, não fica para trás, tendo, pelo menos numa das empresas, a sua irmã Luísa Diogo como sócia, e noutra a firma de construção civil Teixeira Duarte. Nesta edição, damos a conhecer os interesses empresariais de seis membros do Governo, nomeadamente Aires Ali, Vitória Diogo, António Sumbana, Fernando Sumbana e Cadmiel Mutemba.

Continue a ler aqui

Fonte: Savana (29.01.2010)

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

PRESS RELEASE: PROJECTO VIDA MOÇAMBIQUE CRESCE

1 de Fevereiro de 2010

Hospital Central da Beira é o novo beneficiário.

VIDA MOÇAMBIQUE, Projecto de Desenvolvimento Humano cujo principal objectivo visa eliminar a carência de leite existente nas pediatrias dos hospitais e centros de apoio as crianças desfavorecidas do país, apoiando assim ao Governo de Moçambique na melhoria nutricional das crianças e redução da taxa de mortalidade infantil com vista ao alcance dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.
Iniciado a 01 de Janeiro de 2008, consistiu num projecto piloto de 6 meses, com fornecimento regular de leite, para 2 centros carentes do país, nomeadamente Hospital Geral da Machava, onde estão internadas crianças com malnutrição associado ao HIV e outras doenças gerais; e o Centro de Reabilitação Psicossocial das Mahotas, que é um centro de tratamento para crianças com atraso no desenvolvimento psico motor e paralesia cerebral.
Ainda em 2008, mais propriamente em Julho, foi adicionado ao projecto, o Infantário da Matola, onde vivem crianças orfãs, de rua e marginais.
Devido aos resultados reportados pelos responsáveis dos centros, onde se notou considerável melhoria na situação clínica das crianças internadas, o projecto VIDA MOÇAMBIQUE adicionou em 2009, outros 3 centros, que estão já a beneficiar-se do fornecimento de leite, nomeadamente: Pediatria do Hospital Geral José Macamo, Pediatria do Hospital de Chamanculo e Pediatria do Hospital Geral de Mavalane.
Apartir de hoje, 1 de Fevereiro de 2010, também devido a melhoria na situação clínica das crianças internadas nas 6 anteriores unidades beneficiárias do projecto, o VIDA MOÇAMBIQUE adicionou o Hospital Central da Beira.
De referir que o custo inicial do projecto em 2008 foi de 375.000.00 mts, passando em 2009 para 1.200.000.00 mts, e para o presente ano de 2010 estão já garantidos 1.500.000.00 mts.
Realçar que a coordenação do projecto está a cargo da conceituada médica Moçambicana Dra. Noorjehan Abdul Magid, e o financiamento é exclusivamente garantido pela GRINGO, patrona do projecto.
“Chegará com certeza, ainda, o dia em que não haverá falta de leite para a crianças em Moçambique. Estamos a construir esse dia.” –

Abdul Karim,
Director Executivo GRINGO.

Detalhes do novo Governo

QUEM É QUEM NO NOVO GOVERNO? Aqui está a lista completa e amplamente detalha, produzida por AWEPA/CIP.

Boletim sobre o processo político em Moçambique – Número 45 – 1 de Fevereiro de 2010