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quinta-feira, dezembro 28, 2017

Dossier sobre descentralização depositado na AR antes de Março

Senhor presidente, em princípios de Setembro deste ano, anunciou, na serra da Gorongosa, aos seus membros, durante uma reunião de quadros do seu partido, que a eleição de governadores era um dado adquirido, no âmbito da descentralização do país, e que até Dezembro deste ano, o documento atinente à eleição em referência seria depositado na Assembleia da República (AR). Estamos praticamente no fim do ano e nada em concreto avançou. O que aconteceu?

Tem razão… mas começaria por explicar que negociar não é fácil e torna-se ainda mais difícil quando se trata de negociar assuntos políticos que mexem com a vida de milhões de pessoas e com o futuro de partidos políticos. As negociações estão em curso e dentro em breve o documento em torno deste assunto dará entrada à Assembleia da República, com a proposta para a revisão pontual da Constituição, tendo em conta que, neste momento, este documento mãe indica que deve ser o Presidente da República a indicar governadores. Isto já está tudo acordado entre a Renamo e o Governo.

segunda-feira, outubro 24, 2016

Acidente de Mbuzini deveu-se a uma série de erros cometidos pela tripulação, João Cabrita

João Cabrita nasceu na Beira e, após a independência nacional, saiu do país, tendo vivido em Portugal, África do Sul e há mais de 30 anos vive na Suazilândia. Em 2005, aventurou-se na escrita, tendo lançado o livro “A Morte de Samora Machel”, que traz uma versão diferente da comum sobre a tragédia de Mbuzini

O que o levou a escrever sobre o assunto?
Este foi um acidente que se tornou num caso político e isso tornou o caso mais apaixonante e eu, por ter seguido todo aquele processo inicial da investigação, da polémica em torno do processo de investigação, nomeadamente, a forma como seriam extraídos os dados das caixas negras do avião e até a fase de elaboração do relatório, decidi que seria oportuno escrever sobre esse tema, uma vez que em Moçambique o tema nunca foi aprofundado. Falava-se sempre na questão de o acidente ter sido provocado por um aparelho falso, o chamado radiofarol“VOR” falso e falava-se também na implicação da África do Sul como causa fundamental deste acidente, mas não se aprofundava a questão dos factos desse acidente, factos esses apurados pelas três partes. Portanto, eu tive acesso ao relatório da comissão de inquérito sul-africana, que ao abrigo da Convenção de Chicago, que rege este tipo de acidentes, é o Estado de ocorrência do acidente que institui a comissão de inquérito e é esse Estado que publicou o relatório da Comissão de Inquérito. E tive acesso, também, ao Relatório Factual do Acidente, neste caso, foi um relatório unânime, assinado pelos três países e esse relatório, só por si, ilustra claramente o que se passou naquele voo do dia 19 de Outubro de 1986 e eu achei que esses pormenores, esses factos contidos no relatório, não eram de conhecimento geral em Moçambique.

quarta-feira, abril 20, 2016

Filipe Nyusi na Alemanha: "Moçambique vai ultrapassar todas as crises"

Em entrevista exclusiva à DW, o Presidente moçambicano culpa a RENAMO por não aceitar as regras do jogo democrático, pondo em perigo a paz. Filipe Nyusi desvaloriza ainda as notícias sobre os escândalos económicos.

De visita à capital alemã, Berlim, Filipe Nyusi destaca a sua vontade pessoal, assim como do seu partido, a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e o seu Executivo, de encontrar soluções pacíficas, políticas e negociadas para o conflito político-militar que assola o país. "Porque a paz é o garante de todos os investimentos", sublinha.

A chanceler Angela Merkel anunciou terça-feira (19.04) que a Alemanha está disponível para apoiar o restabelecimento da paz em Moçambique. "Vamos ver que canais podem ser aproveitados para melhorar as possibilidades de diálogo e claro que isso tem de ser levado a cabo pelos representantes do Governo e da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO)", afirmou Merkel, após um encontro com Nyusi. Ler mais (20.04.2016)

segunda-feira, maio 12, 2014

Afonso Dlakhama diz que cessar-fogo pode ser assinado a qualquer momento

Em Moçambique, o cessar-fogo pode ser assinado a qualquer momento entre o Governo e Renamo, disse Afonso Dlakhama, que atribui ao Executivo de Maputo a responsabilidade da situação actual.

Em entrevista à RDP a partir de local desconhecido, Afonso Dlakhama diz que o cessar-fogo pode ser assinado já esta semana desde que o Governo resolva a questão pendente: a constituição das forças armadas e de segurança.

Dlakhama diz que cessar-fogo pode ser assinado em breve - 2:13

Dlakhama destaca a importância da nova lei eleitoral e a composição dos órgãos eleitorais que, para ele, constituem um ganho para o país.

domingo, abril 20, 2014

A última entrevista de Kumba Yala à VOA: "sou um cidadão engajado"

A 19 de Novembro do ano passado, o agora falecido Kumba Yala concedeu uma entrevista à Voz da América, que terá sido uma das suas últimas entrevistas à imprensa internacional.

Kumba Yala, a última entrevista - 13:37

Fonte: VOA - 04.04. 2014

domingo, dezembro 22, 2013

“Estou no mesmo sítio” – Entrevista a Afonso Dhlakama

“Estou no mesmo sítio, muito próximo dali onde estava, em Sadjundjira, a poucos quilómetros. Daqui basta-me levantar a cabeça e vejo os outros a andar. Como sabe, ali onde estive estava sempre a FIR (Força de Intervenção Rápida), mas nunca entrámos em confrontações. Os nossos homens bebiam e tudo, com a Frelimo. O Guebuza é que quis aquilo! No dia 21 de Outubro tentou matar o Dhlakama e agora está embaraçado porque não conseguiu”, começou assim a entrevista exclusiva que o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, concedeu ao director do Canal de Moçambique quando eram 23 horas da noite de segunda-feira, 09 de Dezembro de 2013.
Na entrevista que nos concedeu, que temos gravada e durou 31 minutos, Dhlakama disse, em seguida: “Nunca tinha entrado na nossa cabeça que se declarasse um conflito como a guerra dos 16 anos”.
“Admiramo-nos quando (Guebuza) mandou o grupo dele para mandar matar o Dhlakama onde havia jornalistas e os do Observatório Eleitoral enviados dele. Foi uma tentativa de praticar um crime, mas agora está envergonhado por estarmos vivos e agora estarmos a reagir para eles enquanto querem ainda nos matar. Por isso gritam, no Rio Save, e gritam aqui na Gorongosa. Até há gente que diz: mas se a guerra está em Sadjundjira por que é que atacam no Rio Save? Atacamos no Rio Save porque é ali onde passam todos os miúdos treinados em Maputo, com blindados e com tanques para virem aniquilar a Renamo. E qualquer estratega pensa em diminuir a intensidade da logística de quem ataca.
Escreva que falo para si em exclusivo mas dentro em breve convocarei uma conferência de Imprensa.
Dhlakama-gorongoza
Canal – Podemos publicar já ou é sigilosa esta nossa entrevista?
Dhlakama – Não é nenhum sigilo. Já passa um mês e meio que estou caladinho.
Canal – Mas presidente: nós Canal de Moçambique/Canalmoz ouvimos dizer todos os dias que o senhor já não estava vivo.
Dhlakama – Então é melhor publicar já. Publique já! Amanhã mesmo. Diga: falei com o Dhlakama e ele estava com um tom de poder, com um tom de satisfação, com um tom de desprezo pelo Guebuza e pela Frelimo. Escreva que o Dhlakama acha que pode chegar o dia de morrer mas não vai ser a Frelimo que o há-de matar. Porque não vai conseguir!
E escreva ainda que da mesma maneira que não me conseguiram matar, durante 16 anos quando havia cubanos, alemães do leste, russos, tanzanianos e zimbabweanos, não seria hoje com crianças e miúdos com idade dos filhos dele que podem matar o Dhlakama.
Canal – Hoje segunda-feira, 09 de Dezembro de 2013, seria mais um dia de conversações, em Maputo, mas não houve.
Dhlakama – Sim. Não há nada porque tudo ainda não está organizado e porque o Dhlakama se lembra ainda do dia 21 de Outubro em que seria morto. Estas coisas primeiro devem ser bem organizadas! Ainda estou a lembrar-me do Guebuza que ataca o Dhlakama e depois marca reuniões em que a data do encontro é tudo uma confusão.

“Matar o Dhlakama é acelerar a revolução”

Canal – Mas o senhor acha que realmente o que o senhor Guebuza quer é matá-lo?
Dhlakama – Com certeza. Quer matar-me só que não está a conseguir.
Canal – Desculpe levar a conversa para este outro ponto: Acha que a Renamo acaba se o matarem?
Dhlakama – Se eu dissesse que sim estaria a seguir a estratégia do Caso Savimbi. Penso que não! O que posso dizer é que matar o Dhlakama é acelerar a revolução.
O Dhlakama tem generais mais novos. O Dhlakama já tem 60 anos mas tem rapazes que são generais com 35 anos, treinados pelo Dhlakama, que não haveriam de tolerar que me matassem. Se o Dhlakama tem tolerado durante estes últimos vinte anos ser atacado sem responder, de facto a geração nova de generais que o Dhlakama treinou e lutou com eles, esses podem surpreender o mundo e surpreender a Frelimo.

“A morte de Dhlakama não é o fim da Renamo”

A morte de Dhlakama não é o fim da Renamo, assim como a morte do André Matsangaice, em 1979, não foi o fim da Renamo. Podia ter desaparecido quando o André morreu. Agora com mais pessoas e generais que são mais radicais, em 24 horas podem pôr a Frelimo a desaparecer. Mas, se isso não acontece, é porque o Dhlakama tem outra formação, tem por natureza outro comportamento e é tolerante. A morte do Dhlakama deixou de ser um perigo que possa ditar o fim da Renamo.
Canal – Muitos observadores concordam com essa sua visão (de que a morte de Dhlakama não é o fim da Renamo) mas parece que o assalto a Sadjundjira de facto tinha o objectivo de fazer com que o presidente da Renamo deixasse de existir.
Dhlakama – Não, não, não, não! Não vamos dizer assalto a Sadjundjira. Vamos dizer ataque a Sadjundjira. Porque se eu for atacar o palácio não quero matar os filhos, nem a mulher, nem qualquer trabalhador; quero atingi-lo a ele, porque ele é que vive aí. E atacar Sadjundjira, o sítio onde todos os jornalistas vinham, não era um sítio escondido e até bebíamos cerveja com o administrador e os meus guardas. Éramos família. Num dia em que eu acabava de fazer um discurso sobre o 17 de Outubro em que falava do desenvolvimento de infra-estruturas, de eleições livres e transparentes, na presença de jornalistas de renome, atacam a minha residência. Não restam dúvidas que era uma tentativa de matar o Dhlakama para acabar com a Renamo como aconteceu com o MPLA e com a UNITA. Não acertou. Foi uma estratégia errada.

“Pazes com Daviz? Para quê?”

Canal – O senhor estaria disposto a fazer as pazes com Daviz Simango?
Dhlakama – Não! Para quê?
Canal – Muita gente, na opinião pública, defende que o senhor e o engenheiro Daviz Simango, sem terem que se juntar deviam fazer as pazes como o senhor fez com Raul Domingos.
Dhlakama – Mas eu vou dizer-lhe o seguinte: eu sei que o meu amigo apesar de ser branco é beirense. O Daviz é da Machanga e eu também sou de Chibabava e por natureza eu e o Daviz somos mandaus. Quem é que é mau? – Eu reconheço que o engenheiro Daviz Simango é um engenheiro da construção civil. Quem meteu o Daviz Simango na política fui eu, contra tudo e todos. Contra o meu partido, em 2003. O Daviz Simango andava em Inhambane a construir casas. Eu é que o fui buscar. Não por ser Ndau. Achei naquela altura que podia ser o nosso candidato na Beira, contra todos. Diziam-me que o pai é traidor. Mas o miúdo, com a ganância do poder estragou tudo. Eu é que disse ao povo da Munhava: votem neste!
Mas ele fez o que fez, falcatruas, começou a corromper-se e começou a estragar tudo. Pronto! E em 2008 dissemos que já não podia continuar como candidato. Eu Afonso Dhlakama não fui à Beira desmentir e pedir para que os beirenses não votassem nele. Ele continuou a dizer “Papa Dhlakama” e tudo…
Apesar de ser mandau ninguém votou no Manuel Pereira e eu nem apoiei a candidatura dele. Nem fui à Beira para dizer “abaixo o Simango” ou “agora viva o Manuel Pereira”.
Isto é para as pessoas entenderem bem. Ele tem de entender quem o meteu na política. Ele tem de reconhecer: o pai é o pai.
E veja lá!: os beirenses da Renamo, porque não quiseram que a Frelimo levasse a Beira, votaram nele (Daviz Simango). Não porque é boa pessoa…Mesmo aquele miúdo machuabo, Manuel de Araújo, sabe que o Dhlakama se quisesse pô-lo fora, podia. Os membros da Renamo porque não quiseram que o Município de Quelimane esteja com os comunistas, voltaram a votar nele agora.
Mesmo em Nampula as pessoas não foram votar, mas mesmo assim deram a vitória ao MDM. Era vingança: a Renamo não veio aqui mas nós não podemos deixar esses da Frelimo ganharem aqui. Tal e qual como aconteceu com o Venâncio, em Maputo. Se tudo tivesse corrido bem, havia de ganhar. Não tem nada a ver com o MDM. É tudo contra o Guebuza, porque a Renamo não concorreu.
As pessoas devem ter consciência de que é o fim do MDM no dia em que a Renamo concorrer.
Agora respondendo à sua pergunta: cabe ao Daviz pedir desculpa porque é um miúdo que nós criámos. Mesmo aquele irmão dele mais velho – aquele traidor – fui eu que pus na Assembleia da República em 1999 com a Renamo-União Eleitoral…foi ele que andou a aliciar os membros da Renamo para irem para o MDM. No dia em que o Dhlakama andar a mobilizar as pessoas, todos aqueles vêm e o MDM vai ficar a zero.
Agora se me perguntar: está disposto a fazer com que o MDM viva mais dez (10) ou vinte (20) anos, posso dar cinco (05) anos, posso dar vinte (20) anos, porque veja lá: não há sequer um que não tenha sido Renamo, a partir da Beira até Nampula !
Agora, eu posso dizer que no dia em que o partido e o Daviz, humildemente se “ajoelharem” porque ofenderam muita gente…É que ele tem dezasseis 4×4 e eu não tenho nem uma barraca…isso não é traição?

“Eu sei que a Frelimo já perdeu agora!”

Canal – Mas a questão que as pessoas põem vai para além de tudo o que se passou. As pessoas o que dizem é que, se a Frelimo, a Renamo e o MDM entrarem, se os três entrarem a Frelimo perde as eleições…
Dhlakama – Eu sei que a Frelimo já perdeu agora! Veja lá meu irmão: 80% não foi votar do Rovuma ao Maputo, nos Municípios. Não foi porque a Renamo andou a disparar e as pessoas pensaram que “se for votar vão-me matar”. 80% não foram votar e isso significa que as pessoas não estavam satisfeitas. Concordaram com os argumentos da Renamo. Se a Renamo tivesse ido a eleições limparia tudo isto! Você como jornalista e todos podem ver que a Renamo conseguiu que as suas políticas fossem concordadas pela maioria.
Canal – O senhor acha que a abstenção é uma resposta ao seu apelo, ao apelo da Renamo?
Dhlakama – Sim, senhor!!! Afinal de contas você viu alguém atacar a Beira ou atacar aonde para as pessoas não irem votar? Foi uma questão política! E votando como não o regime não vai mudar. Por isso a maioria não foi votar. Meia dúzia foi votar. Os que não foram votar foram organizados por um partido organizado. Não foi preciso dizer a quem vai votar que vamos matar. E se andássemos a disparar em redor ninguém mesmo teria ido votar.
A Renamo demonstrou que se votarem o regime mesmo assim vai continuar.  Se a Renamo tivesse concorrido, seria o fim do MDM.
Agora quando me pergunta se o Dhlakama e o Daviz Simango podem fazer as pazes, dependerá dele como miúdo que tentou trair o próprio pai.

Guebuza vai sair se não vão matá-lo

“A Frelimo já o mandou passear”
Canal – Acha que o senhor Guebuza vai mesmo deixar a Presidência ou vai tentar se impor?
Dhlakama – Eu sei que vai deixar, porque se tentar impor-se vão lhe matar. Ele vai deixar. A partir do dia 22 vai deixar.
O que (Guebuza) pode fazer é tentar impor a sua influência, tentar pôr uma Teresa ou uma Maria qualquer que vai obedecer a ele e quando for eleito não venha a levar Guebuza para a prisão, por causa dos roubos. De certeza que Guebuza não vai concordar com figuras importantes que lhe possam complicar se for presidente da República. Mas ele vai deixar (o cargo de Presidente). Vai ter de deixar porque se não vão-lhe fazer como fizeram noutros países.
Canal – Falou no dia 22. O que quer dizer esse dia 22?
Dhlakama – Eu sei que dia 22 (deste mês) vai começar a reunião do Comité Central (da Frelimo) que tem dois pontos de agenda. PONTO UM: analisar por que é que a Frelimo teve derrota e por que é que as pessoas não foram votar no dia 20 de Novembro. PONTO DOIS: a indicação do substituto como presidente do partido Frelimo.
Canal – Já ouviu alguma coisa sobre o possível substituto do senhor Guebuza?
Dhlakama – Não!! Eu sei que há muitos candidatos. Sei que há candidatos do Partido Frelimo e depois há os candidatos da preferência dele como pessoa. Em África às vezes os comunistas fazem isso; não dão liberdade ao partido. Pensam em continuar a mandar. Mas a Frelimo já o mandou passear. Ele tentou fazer essas brincadeiras mas acho que já não consegue. Tentou ter as Forças Armadas, o SISE, os funcionários. Ele estava apostado em pessoas sujas, como ele, corruptas e analfabetas. Mas eu não sou membro da Frelimo para fazer juízos. Apenas estamos a acompanhar isso.
Paz ainda este ano?

“A guerra dos 16 anos durou muito porque não havia investimento estrangeiro”

Canal – Presidente Dhlakama, acha que vamos ter paz este ano?
Dhlakama – Vamos ter!
Canal – Este ano?
Dhlakama – Este ano pode não ser, mas em Janeiro ou Fevereiro vamos ter. Sabe? Eu estou convencido! Sabe por que é que eu estou motivado?
Canal – Diga, diga!…
Dhlakama – Os americanos estão a fazer a prospecção de gás e petróleo na Bacia do Rovuma. Os navios norte-americanos por dia estão a gastar 01 milhão de dólares. Já andam nisto há muitos meses. Num mês gastam trinta milhões de dólares ou mais. Mesmo os brasileiros, da Vale, e os australianos, da Rio Tinto, em Moatize/Tete estão a gastar muito a investir. Nas areias pesadas, em Moma, estão a gastar muito. Várias prospecções estão a ser feitas por franceses, britânicos, portugueses…eu não quero por isso aceitar que esses países permitam que a Frelimo continue a fazer desmandos para obrigar a que a Renamo destrua tudo.
A guerra dos 16 anos durou muito porque não havia investimento estrangeiro. Era tudo estatal ou para-estatal. Por isso os zimbabweanos entraram para destruir tudo ao proteger o Corredor da Beira. Por isso tanzanianos e cubanos entraram. Hoje a comunidade internacional não vai permitir que alguém entre para destruir um, cinco, dez biliões de dólares investidos, antes de haver retorno. Quer na Renamo, quer mesmo os grandes quadros da Frelimo já têm carpintarias, moageiras, muitas coisas e não querem que essas coisas sejam afectadas pela guerra.

Mensagem aos soldados governamentais

“Estão a morrer para manterem Guebuza no poder, a roubar tudo em Moçambique”
Canal – Tem alguma mensagem para os soldados governamentais?
Dhlakama – Abandonem a luta contra a Renamo porque é uma luta sem justificação!
Canal – Acha que já estamos em guerra civil?
Dhlakama – Não estamos em guerra civil porque os jovens nem sabem, nem estão a entender por que é que estão a lutar. Estão a lutar só para defenderem os interesses do Guebuza e das suas filhas(os).
Todos os militares sabem que aqui em Sadjundjira fogem 30 a 40 por dia; em Casa Banana, em Marínguè, mesmo na Ponte do Rio Save 20 a 30 fogem por dia, outros vão presos, outros largam as armas e vão para o Zimbabwe e para a África do Sul porque não entendem por que é que estão a morrer.
Sabem que estão a morrer para manterem Guebuza no poder, a roubar tudo em Moçambique. É totalmente diferente de guerra civil.
Canal – O que é que os civis devem fazer entre Muxúnguè e o Rio Save? Devem deixar de passar ou podem continuar a passar desde que não tenham nas suas viaturas soldados ou polícias?
Dhlakama – Meu amigo. No dia 17 de Outubro fiz uma declaração a desafiar o Governo da Frelimo para deixar de haver colunas. Com uma BTR à frente a 150 kms, depois deixam os carros sozinhos. É atacada e depois pegam numa criança e dizem que a Renamo atacou civis…
Eu gostaria que declarássemos cessar-fogo entre Muxúnguè, Chibabava, minha terra, até ao Rio Save porque aquilo não significa nada; é só um negócio sujo… Não serve para nada. Os camiões são obrigados a pagar aos militares para correrem e deixarem os carros sozinhos. A Renamo não ataca civis, ataca militares.
E ataca militares porque a maioria que escraviza o Centro e o Norte provém da Região Sul. Vêm para paralisar ou matar os “chingondos”. Qualquer general sabe que se deve fechar o caminho por onde passa a logística de quem ataca.
Os civis devem saber que é por ali que passa a logística de quem vem atacar Sadjundjira e Dhlakama.
A Frelimo faz campanha e diz que a Renamo não é nada. Depois um civil morre. Devem saber que essa propaganda é conhecida!
Todos os generais sabem, generais americanos, franceses…sabem que um exército quando está a perder leva crianças e mulheres grávidas para dar a entender que “aqueles do mato é que estão a matar”. Mas não é isso: o que se passa em Muxúnguè é um negócio que a Frelimo está a fazer. No dia em que deixar de passar a logística da Frelimo para virem atacar em Sadjundjira, a Renamo e Dhlakama, os civis vão poder passar à vontade. Aliás, a guerra acabou em 94. Em 22 anos de guerra nunca fechámos o Save. Agora fazemos isso porque a Frelimo nos ataca e veio atacar Sadjundjira.



quinta-feira, março 07, 2013

Greves em Moçambique: um sinal de mudança?

As greves e manifestações em Moçambique mexem com o Governo. Este tem optado pelo uso da força, em jeito de intimidação e repressão, causando indignação no país. Estará o país a transformar-se numa ditadura?

A DW África ouviu o pesquisador do departamento de ciências políticas e admnistração pública da Universidade Eduado Mondlane, João Pereira, sobre o assunto.

DW África: A revindicação por melhores condições de vida por via das greves, substituindo as manifestações sem cara, significam um amadurecimento da sociedade moçambicana? Ler mais

terça-feira, março 05, 2013

Moçambique: Entrevista exclusiva ao líder do MDM, Daviz Simango

Maputo - «Moçambique deve aproveitar as capacidades e oportunidades da crise na Europa para promover incentivos ao investimento privado português», refere Daviz Simango (DS), Presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), em entrevista exclusiva à PNN.

O líder do terceiro maior partido da oposição reconhece que Portugal enfrenta vários problemas internos, típicos da conjuntura da União Europeia, que o MDM tem esperança que irá, com tempo, ultrapassar.

PNN – Qual é o posicionamento do MDM face à situação da Renamo, ao negar participação nas Eleições Autárquicas de 2013? 

DS - Os partidos políticos regem-se por princípios próprios, equipam-se e montam estratégias próprias para atingirem os seus objectivos e planos, por isso, penso que eles sabem o que fazem. Ler mais

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

“Interessa-me analisar os discursos do mais alto magistrado da Nação”

“Fui das pessoas que promoveu um abaixo-assinado por não concordar que a ponte do Rio Zambeze fosse chamada Armando Emílio Guebuza”.
Aquando da sua chegada ao poder municipal teria afirmado que herdou uma dívida de cerca de quatro milhões de meticais da anterior gestão, de Pio Matos. Esta dívida ficou ou não esclarecida?
De facto, nós herdámos. A princípio, tínhamos a indicação dos papéis que nos foram entregues oficialmente, que eram 4 600 000,00 meticais e, ao longo do tempo, esta dívida foi subindo, porque apareciam mais empresários que traziam documentos que comprovavam que a edilidade tinha mais dívidas do que as que tinha apresentado. Então, pegámos na lista das dívidas e fizemos várias cartas endereçadas ao governador da Zambézia; secretário permanente; directora provincial das Finanças; ministro da Planificação e Desenvolvimento; primeiro-ministro e; ministro das Finanças. Do ministro das Finanças recebemos uma resposta extremamente profissional: enviou-nos dois activistas baseados em Maputo e na Beira, a quem entregámos a lista oficial das dívidas. Dessa lista fizeram uma auditoria, contactaram os provedores e constataram que algumas dívidas eram ilegais, outras foram contraídas por pessoas sem capacidade de endividamento em nome do município. Assim, nós recebemos, há cerca de um mês, um relatório que diz que as dívidas, efectivamente, baixaram dos cinco milhões para cerca de 1.5 milhão de meticais. Portanto, essa é que é a dívida legítima e legal que nós somos obrigados a pagar.

quarta-feira, janeiro 09, 2013

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS: O desafio político para 2013

AS eleições autárquicas, a terem lugar em Outubro próximo no país, constituem o grande desafio político, sobretudo para os três maiores partidos, nomeadamente Frelimo, Renamo e Movimento Democrático de Moçambique (MDM).

Esta convicção foi manifestada pelo jurista e político Carlos Jeque, numa entrevista concedida ao “Notícias”, na qual, para além dos desafios políticos do presente ano, faz uma resenha daquilo que foram os acontecimentos que marcaram o ano 2012.  
Sobre as acções que marcaram o ano passado Carlos Jeque não tem dúvidas que foi a realização do X Congresso da Frelimo que, segundo ele, criou uma nova correlação de forças internas, com o presidente do partido, Armando Guebuza, a consolidar o seu poder no seio do partido; e a realização do primeiro congresso do MDM que, referiu, veio confirmar a percepção de que se trata da terceira maior força política nacional, cujos dirigentes sabem o que querem e onde pretendem chegar. De seguida acompanhe os extractos mais significativos da referida entrevista:

quarta-feira, outubro 03, 2012

Frelimo deve adoptar políticas de inclusão e boa convivência com os partidos da oposição


“Diário de Moçambique” (“DM”): Senhor pastor, o país comemora, a 4 de Outubro, 20 anos de paz. O que se lhe oferece comentar?

Domingos Salvador Abrantes (DSA): Bem, é assim, primeiro para dizer que não somente eu mas todos os moçambiqcanos estão felizes porque, como os políticos têm dito, a paz veio para ficar. Eu penso que, de facto, a paz veio para ficar. Estamos em paz, estamos felizes. Só que neste ano, já que a celebração do Acordo Geral de Paz (quase) coincide com a realização do 10º Congresso da Frelimo, penso que uma vez que o partido está (esteve) reunido, devia criar condições para reforçar a paz para torná-la efectiva.

“DM”: De que maneira?

DSA: É assim, nós os religiosos temos acompanhado pequenos tumultos que se registam pelo país. Isso não é bom. Por exemplo, aquela confusão que aconteceu em Nampula entre a FIR e os homens armados da Renamo. Também as queixas dos partidos da oposição de lhes serem retiradas as suas bandeiras em algumas zonas do país. Nós religiosos vemos isso como alguma insegurança por parte da Frelimo, porque ontem a questão era inversa. Era a Renamo que agredia as populações ou fazia outros desmandos, mas hoje nós estamos a ver que é o partido Frelimo que está a tentar criar alguma agitação, quando devia dar um bom exemplo.

sexta-feira, setembro 07, 2012

Recusamos a publicar a carta de Sérgio Vieira

MOÇAMBIQUE PARA TODOS, em igualdade de tratamento, publica de seguida o áudio com a entrevista concedida por Sérgio Vieira ao repórter Bernardo Álvaro, bem como o que hoje o mesmo semanário escreve sobre a posição que tomou.
Ouça aqui entrevista
Sobre o desmentindo à entrevista concedida ao Canal de Moçambique
Acusamos, no dia 31 Agosto de 2012, a recepção de uma carta, sem destinatário, supostamente dirigida à Direcção Editorial do Canal de Moçambique e assinada pelo senhor Sérgio Vieira. A referida carta desmente que o Sr. Sérgio Vieira tenha concedido uma entrevista ao repórter Bernardo Álvaro, do Canal de Moçambique. Ler mais

terça-feira, maio 29, 2012

Grande Entrevista: José Castiano 1 de 2


José Castiano considera que os últimos 20 anos são mais de “ócio do que de trabalho.  Portanto, a indústria do ócio desenvolveu-se muito. Tu podes ficar sentado todo o dia e teres a pretensão de estar ocupado”. (versão imprenso aqui)

Reflectindo: uma entrevista de passagens interessantes. "antes do aluno aprender a desmontar um carro nas escolas de artes e ofícios, tinha a bíblia...

terça-feira, maio 15, 2012

Manuel de Araújo em entrevista exclusiva ao Canal de Moçambique: SISE e Frelimo usam imprensa para destruir oposição (repeticão 2)

Um dos mais notáveis deputados da Assembleia da República na presente legislatura Manuel de Araújo acompanha a vida política do País a par e passo. Nesta entrevista exaustiva ao Canal de Moçambique, fala do Parlamento moçambicano, que o considera “irmão mais pobre” dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judicial). Diz que no actual sistema de eleição dos deputados, o Parlamento estará sempre ao serviço dos partidos políticos e não dos cidadaos (povo).
Considera que a Assembleia da República não desempenha, com zelo, nenhuma das suas tres funções. Acusa os doadores de terem substituído a Assembleia da República na fiscalização das acções do Governo.
Sem evasivas, Araújo torna-se num dos poucos, senão primeiro deputado a falar do SISE em entrevista a comunicação social. Aventa a possibilidade de o Serviço de Informação e Segurança do Estado estar a usar a imprensa para destruir partidos de oposição. Eis Manuel de Araújo em discurso directo.

Como avalia o desempenho da Assembleia da República na presente VI legislatura?
 - Penso que foi o desempenho possível, dadas as circunstâncias e condições, quer humanas, quer em termos orçamentais. A nossa AR tem o potencial para fazer três vezes mais o que tem estado a fazer. Para que isso aconteça existe a necessidade de rever o modus operandi da Casa do Povo. É importante que a sociedade defina o que quer com aquela casa, pois a continuar assim acabaremos matando uma das pedras mais importantes da nossa democracia. A sociedade civil, os jornalistas, os partidos politicos, os jovens, as mulheres, os académicos, as minorias devem reverse na nossa AR. A AR deve ser o espelho da sociedade. Como sabe, a AR tem três funções fundamentais: a representativa, legislativa e fiscalizadora. Infelizmente, nenhuma destas funções é feita cabalmente por razões estruturais internas da própria Assembleia, mas também por razões estruturais e conjunturais externas.
A AR nos moldes actuais é prisioneira dos partidos politicos. É importante que ela se autonomize para que possa exercer cabalmente as funções que a Lei Mae e a sociedade esperam dela. Os deputados devem libertar-se para que possam libertar o povo!

Falou de factores estruturais internas e conjunturais externas que inibem o pleno funcionamento da AR. Quais são?
               Em primeiro lugar existe um coeficiente de ignorância não aceitável por parte dos proprios deputados sobre a sua função, o seu estatuto e papel na sociedade. Em segundo lugar existe uma ignorância também inaceitável para uma sociedade que se quer democrática, por parte da sociedade civil, política académica e inclusive da classe jornalística. Em terceiro lugar, existe uma vontade ferrea por parte do executivo de amordaçar e secundarizar a AR e os deputados. A AR neste momento é o irmão pobre dos dois pilares da democracia, o executivo e o judicial. Se queremos ter uma democracia genuína e que funcione, é importante resgatar a imagem da AR, dotando-lhes dos recursos humanos e financeiros à altura da sua missão. Nos ultimos 18 anos de paz a comunidade internacional privilegiou a sua cooperacao com o governo, marginalizando a AR. Ou seja a AR e o filho bastardo da cooperação internacional.

Em relação a função fiscalizadora, sente que os deputados da Frelimo, bancada do partido governamental, possuem liberdade suficiente para fiscalizarem o governo?

Não. Nem na função fiscalizadora e muito menos nas funções representativas e legislativas. No momento de tomada de decisão, o estômago e não a consciência do deputado, fala mais alto! Os deputados do partido no poder ainda não vivem o advento da democracia, eles funcionam na base do centralismo democrático da era do mono-partidarismo! Poucas não foram as vezes em que meus colegas da bancada maioritária tiveram que me passardossiers e até perguntas, porque eles não podiam apresenta-las! Modestamente falando, acho que ajudei a libertar-los do jugo centralista! A única excepção naquela bancada era o deputado Frangoulis, que por sinal não passou nas recentes eleições internas. Já se ve para onde vamos na próxima legislatura; uma bancada super submissa, igual a da Assembleia Popular!

Como avalia o facto de a bancada da Frelimo ter tendêndia de apreciar positivamente todas propostas provenientes do Governo, em debate na AR?

Muito simples. Enquanto os deputados continuarem a ser nomeados e não verdadeiramente eleitos, então continuaremos a ter um sistema político extremamente centralizado. Muitas das vezes a eleição do deputado para as listas depende mais das lideranças, sejam distritais, provinciais como centrais. Então ai, o deputado não se preocupa em representar o povo, mas sim em representar e satisfazer aquele que lhe colocou na lista! Este é um problema não apenas extensivo a Moçambique, mas dada a nossa história de centralismo e ditadura, que aliás insistem em chamá-lo de democrático, as suas consequências são mais nefastas para o edifício democrático. Eu preferia um sistema em que a eleição dos deputados dependesse mais das bases, do povo do que dos líderes! Isso diminuiria a influência dos líderes e libertaria os deputados, pois aqueles que não servissem os eleitores, não seriam eleitos na legislatura seguinte! Hoje o  que acontece e o contrário, aquele deputado que muitas vezes serve o povo mas não serve o chefe não é re-eleito!
É mais ou menos o que está a acontecer com o nosso País. O executivo está mais preocupado em satisfazer os doadores, do que em satisfazer o povo! Ou seja a soberania nacional, ja não reside no povo, reside nos doadores! Ora nesse ambiente é quase impossível ter uma bancada maioritaria a críticar, ou fiscalizar de forma aceitável ao executivo. Nestas circunstâncias cabe a bancada ou bancadas minoritárias e à imprensa, a árdua tarefa de fiscalizar o executivo. A imprensa passa assim a ocupar o papel de bancada maioritária! Como se explica que a AR reclame que não tem dinheiro se é ela que aprova o Orçamento Geral do Estado? E absurdo!
Hoje quem fiscaliza o executivo não é a AR mas sim os doadores! Os doadores estão a matar a democracia em Moçambique.

O fim da 6ª legislatura da AR marca o fim de 30 anos do Parlamento, divididos ao meio entre Assembleia Popular, no regime monopartidário e Assembleia da República, no actual regime monopartidário. Para além da mudança do nome, sente que a passagem de monopartidarismo para o multipartidarismo, contribuiu em termos efectivos para a consolidação do papel da AR?

Penso que sim. No monopartidarismo tinhamos apenas um partido. E com partido único o papel da Assembleia Popular resume-se em carimbar o que o Executivo diz. Hoje temos dois partidos no parlamento. Já tivemos três bancadas na nossa AR e há possibilidades de na próxima legislatura entrarem na AR mais partidos. Isso é salutar para os partidos, como também para a própria sociedade! Haverá maior e melhor pluralidade.

Em termos de fiscalização, apesar de no fim do dia a bancada maioritaria apoiar sempre o executivo, no multipartidarismo os deputados da oposição têm a possibilidade de fiscalizarem o executivo. Claro que temos que olhar para a fiscalização do executivo em Mocambique com algum cuidado. Enquanto melhora a capacidade de fiscalização da oposição dentro do parlamento, há outros fenómenos que enfraquecem essa melhoria.

Infelizmente, o papel de fiscalização do nosso executivo foi sorateira e paulatinamente retirado da AR. Hoje quem fiscaliza o executivo não é a AR, mas sim os doadores! É ai onde tenho dito que os doadores estão a matar a democracia em Moçambique.

Fundamentando...

Quando os doadores notaram que a AR não exercia a sua função fiscalizadora, ao invés de apoiarem a AR capacitando-a, quer em termos de recursos humanos, quer em termos financeiros (como fizeram e continuam a fazê-lo em relação ao executivo), os doadores preferiram arrancar (trazer para si) esse papel da AR, substituindo-a! Veja que o Orçamento de estado antes de ir a AR e aprovado pelos doadores! Se já está aprovado, então para que é que vai para a AR? A resposta é simples, para inglês ver! Esta é uma democracia do 'faz de contas' para satisfazer quem no fim do dia paga as nossas contas, que é a comunidade internacional!

Ora em termos de sustentabilidade isso trás consequências muito graves. Em primeiro lugar, o executivo quando se sente encurralado pode recorrer sempre a desculpa de ingerência em assuntos internos. Em segundo lugar, o pessoal que trabalha nas chancelarias e agências de cooperação fica no País por um periodo curto, entre quatro a cinco anos no máximo, com raras excepções. Quando saem para outras missões, perde-se o know how e cria-se um vazio! Terceiro, a função fiscalizadora é por excelência uma função parlamentar e soberana. Infelizmente, o actual status quo beneficia ao executivo e aos doadores! Tenho feito um trabalho nas chancelarias, quer em Maputo, quer nas sedes diplomáticas e parlamentares  na Europa e nos EUA no sentido de alertar a quem de direito desta realidade! Felizmente algumas portas começam a abrir-se. A reacção dos deputados alemães ao apoio orçamental é um dos resultados desta e de outras acções daquilo que chamo de 'diplomacia parlamentar', que em Moçambique não só é incipiente, como é triplamente  combatida, tanto pela liderança da AR, como pelo  executivo e os doadores. Felizmente as Nações Unidas acordaram e a Westminster Foundation (Britânica) se houver vontade politica da nossa parte, vai apoiar a nossa AR a partir do próximo ano.. O Banco Mundial e o Fundo Monetário internacional também mostraram interesse em trabalhar com a nossa AR. A bola esta do nosso lado. A nossa AR ao nível do Secretariado não tem capacidade autonoma ou não lhe é permitida buscar e implementar parcerias! E a famigerada falta de vontade política! E isto tem que mudar!

Em democracia é preciso vencer com legitimidade e com a cobertura da razão

Mesmo com o advento do multipartidarismo, a Frelimo continuou sempre com a maioria na AR, podendo, portanto, decidir sempre pelas propostas em debate, mesmo contra a vontade da oposição. Não acha que este aspecto perpetuou, de certo modo, o monopartidarismo?

Penso que não. Apesar de no fim de contas as decisões serem tomadas com a ditadura da maioria, o facto de haver espaço para debates, enfraquece o vencedor. Ou seja a vitória tem sabor à derrota! O povo ouve os argumentos e como a galinha faz, grão a grão vai enchendo o papo, contra a ditadura da maioria! Em democracia não basta vencer, é preciso vencer com legitimidade e com a cobertura da razão! Ou seja, vencer com a força da razão e não com a razão da força!

As sessões a porta fechada são uma aberração a democracia!

Concorda que a AR continuem a ter sessões plenárias à porta-fechada? Por exemplo, quando se apresenta relatório da Comissão de Petições.

As sessões a porta fechada são uma aberração a democracia! É uma vergonha que um partido como a Frelimo recorra ao uso da força para poder vincar o seu raciocínio, ao invés de recorrer a força da razao! É uma tragédia nacional! A decisão de manter sessões à porta fechada foi uma das decisões mais infelizes que a Frelimo tomou desde a proclamação da nossa Independência Nacional, pois representa a negação de uma das conquistas do povo! Representa a vitória do 'umbigo sobre o cérebro'; da ditadura sobre a democracia e a liberdade! É uma hipocrisia que deve ser revertida! E o povo ao exercer o seu direito de voto deve lembrar-se de quem mandou encerrar as portas da AR.

Se os deputados com todo o leque de imunidades e privilégios que têm não se sentem livres, então quem é que se sente livre no Pais?

A disciplina partidária que guia os deputados nos debates das matérias na AR, não acha que limita a consciência individual destes? Manuel de Araújo estaria a altura de votar a favor de uma matéria rejeitada pela bancada da qual faz parte, por exemplo?

Em qualquer sistema democrático existe a disciplina partidaria, contudo no nosso País ela é abusada a ponto de matar a liberdade dos deputados e por sinal a liberdade da sociedade no geral! Se os deputados com todo o leque de imunidades e privilégios que tem não se sentem livres, então quem é que se sente livre no Pais? A resposta é simples, NINGUEM! Respondendo a sua questão, sim seria e sou capaz de votar!
Há casos de deputados que para além de trabalharem na AR, são PCA’s de empresas públicas. É o caso da primeira vice-presidente da AR, Verónica Macamo, que é igualmente PCA do Fundo Nacional de Turismo. Como avalia esta situação num Estado que opta pela separação tripartida de poderes?

A questão das incompatibilidades deve ser revista! Não podemos continuar a ter deputados que são assessores de ministros! Temos um caso que não recorda o diabo. A Presidente da Comissão do Plano e Orçamento, é simultaneamente deputada, funcionária e assessora do Ministério das Finanças! Nunca ouvi tamanha aberração! Para começar em muitos países, a Comissão do Plano e Orçamento é dirigida pela oposição, pois a ela cabe a função de aprovar e fiscalizar o processo de produção e materialização de instrumentos importantes de governação como o Orçamento Geral do Estado, os Planos Quinquenais, e os Planos Económicos e Sociais. Se ela é presidida por alguém que também assessora o Ministério, então dá para ver em que democracia vivemos! Felizmente os donos da nossa democracia já estao a acordar! Há cerca de dois meses o embaixador Sueco apoiou esta ideia de a presidência da comissão do Orçamento passar a oposição! Oxalá mais embaixadores tenham a coragem do embaixador sueco que fez um belissimo trabalho na Tanzania, onde também era embaixador!
A Renamo tem que fazer uma escolha importante mudar ou desaparecer do mapa politico!

A Renamo, partido pelo qual Araújo foi eleito deputado da AR, acha que ainda poderá ganhar eleições e governar Moçambique?

Acho que sim. Mas para isso a Renamo deverá deixar o seu actual modus operandi e adoptar um posicionamento moderno e compatível com as leis vigentes no País. O partido Renamo não pode continuar a viver do seu passado, mas sim do presente, produzindo e engajando-se no debate de ideias, fiscalizando o executivo, representando o seu eleitorado, granjeando simpatias dentro e fora do País, trazendo modelos de governação alternativos, elogiando o adversário quando está certo e criticando-o quando está errado.

Infelizmente, algumas pessoas na Renamo, como na Frelimo vivem do passado e do engraxismo barato! É importante que essas pessoas sejam ou modernizadas, recicladas para a modernidade ou então atiradas ao caixote de lixo da história! A Renamo tem que fazer uma escolha importante, mudar ou desaparecer do mapa político! E as eleições de 2009 são uma oportunidade ímpar que a Renamo tem para fazer essa escolha dolorosa, mas inadiável! O povo moçambicano quer uma oposição séria, eficaz, transparente e moderna! Se a Renamo não ocupar o seu lugar histórico, outros partidos o farão brevemente!

O que estará a faltar para que isso se efective?

Há razões internas e outras externas. Umas estruturais e outras conjunturais. A Renamo nasceu num determinado momento histórico e a natureza dos inimigos que teve de enfrentar moldou de alguma forma a sua imagem e a sua estrutura. Como sabe a Renamo teve que lutar simultaneamente contra um partido no poder, um Estado dirigido por esse partido num contexto regional que não lhe era favorável. Veja que ao contrário da UNITA que recebia apoio directo e até aprovado pelo Congresso dos EUA, a Renamo não teve tais apoios. Pelo contrário, em plena Guerra Fria, Samora Machel, foi recebido por Margaret Thatcher e mais tarde por Ronald Reagan! E mais, a Grã-Bretanha, liderada por Margaret Thatcher aceitou treinar as Forças Populares de Libertação de Moçambique (FPLM), o exército governamental em Nyanga no Zimbabwe, que na altura lutavam contra a Renamo! Ou seja um Comunista convicto, Samora Machel, era recebido no altar dos defensores da liberdade e da democracia! Essa, penso ter sido a maior vitória diplomática de Machel e a maior derrota diplomática da Renamo durante a luta! Como dizia, os exércitos do Zimbabwe, da Tanzania, do Malawi e outros participaram em operações militares contra a Renamo! Mas a Renamo resistiu, lutou contra tudo e todos e venceu! Mas essa vitória teve um preço e é esse preço que estamos a pagar, como democracia e como país!
Para sobreviver a este mar de dificuldades internas, regionais e globais a Renamo teve que se cristalizar! Essas intempéries tornaram a liderança da Renamo opaca, singularizada, disciplinada e extremamente militarizada! De outra forma a renamo teria desaparecido do mapa! Ora o pensamento militar, a doutrina militar ditam inter alia, que o subalterno mesmo quando convencido de que a ordem é errada, deve cumprí-la e querendo, pode reclamar depois. A democracia dita que o subalterno não deve cumprir uma ordem superior se ela  for contra a Constituição ou contra as leis. Ora esses dois paradigmas são literalmente opostos. Quem viveu durante muito tempo num dos lados dificilmente será bom noutro! Penso que as mudanças são algumas vezes paulatinas e outras vezes violentas! Algumas vezes doces, outras vezes amargas!
Dhlakama deve mostrar que ele não lutou pelo poder, mas sim que lutou pela democracia

E o presidente Afonso Dhlakama, acredita que ainda pode conquistar simpatia dos moçambicanos e chegar à presidência da República?

Penso que sim. Dhlakama é um lider carismatico. Mas deverá mudar alguns métodos de trabalho e adoptar outros! Se não mudar ficará na história como aquele líder que lutou contra a ditadura e trouxe a liberdade, mas que não resistiu aos ditames da democracia, o que seria uma grande pena, para um homem que tanto fez por este País e por este Povo! Dhlakama deve mostrar que ele não lutou pelo poder, mas sim que lutou pela democracia! A mulher do César não basta ser fiel, deve parecê-lo! A luta contra a ditadura, a libertação deste povo (em termos de direitos politicos e civeis) é uma marca que ninguém lhe poderá retirar! Mas que poderá ficar indelevelmente manchada de nódoas se continuar a agir como o dono absoluto da Renamo! O dono da Renamo não deve ser um homem ou uma mulher, o dono da Renamo é o povo moçambicano que consentiu sacrifícios para que hoje vivessemos em paz, em democracia! O dono de Renamo é o povo que perdeu seus entes e queridos para que hoje tivessemos a liberdade de opinião, de expressão, de movimento, de reunião. Para que hoje o jornalista podesse escrever o que lhe vai na alma! Podesse escrever o que vai na alma do povo sem medos, receios nem ameaças. A Renamo deve criar o hábito do diálogo, da troca de ideias! E mais deve incentivar o surgimento de alternativas internas, quer em termos de liderança, quer em termos de ideias e ideais! Só assim a Renamo sobreviverá aos desafios da modernidade! Felizmente, a luta entre o velho e o novo, é uma das leis imutáveis da história! E essa luta sempre teve um vencedor, o NOVO!
Há correntes de opinião que advogam que em Moçambique não existe pressupostos para surgimento de terceiro partido político que possa superar a Frelimo e Renamo. Concorda com este tipo de pensamento?

Não concordo. Penso que há condições quer ideológicas, quer filosóficas, históricas, como materiais, para que surjam outros partidos que não seja a Frelimo e a Renamo. Negar isso é não saber ler a história! É negar a própria história da evolução humana! A humanidade já teve várias civilizações que desapareceram, o Egipto, Roma, Monomotapa.... Até o PRI, um partido que esteve no poder no Mexico por mais de trinta anos, acabou perdendo as eleições! Ninguém deve ou pode parar a roda da história! Penso que é salutar para Frelimo e a Renamo, para a democracia e para o país que haja outros partidos fortes. Assim deixariamos de ter a polarização na vida politica nacional!

Os que assim pensam, citam os casos de PDD, PIMO, FUMO, entre outros partidos, que aquando do seu surgimento, criaram muitas expectativas nos moçambicanos, mas ao fim do dia, viu-se que nem um assento parlamentar conseguiram conquistar...

Penso que as circunstâncias são diferentes! Por exemplo não tenho dúvidas nenhumas que o MDM irá conquistar alguns assentos no Parlamento! E isso é bom. Não posso precisar quantos. Mas posso vaticinar que poderá andar entre um mínimo de 10 e um máximo de 40. Isso é salutar para a democracia moçambicana! Antes havia a barreira dos 5% que foi um artifício montado em Roma para evitar a entrada de partidos que não ultrapassassem essa fasquia. Hoje esse obstáculo foi removido.
Manuel de Araújo, um dos poucos deputados jovens da AR, conseguiu se notabilizar logo pela coerência das suas intervenções. Qual é o seu futuro político? Recandidata-se a candidato a deputado pela Renamo?

Penso que o senhor jornalista precipitou-se um pouco. Está a assumir inter alia que eu já tomei a decisão de que quero continuar a ser deputado! (risos). Feliz ou infelizmente essa não é a verdade. Ainda não tomei tal decisão. Provavelmente entre os dias

20 a
25 de Julho de 2009 tomarei a posição. E caso tome a decisão de continuar como deputado, nessa altura também terei que tomar a decisão de por que partido concorrer! Sei que o tempo não esta do meu lado, mas resta algum que se bem gerido poderá possibilitar a tomada de uma decisão acertada!

Durante os 5 anos de engajamento político activo aprendi muito, ganhei muito em termos políticos, penso também ter contribuído para uma outra maneira de fazer política. Mas infelizmente algumas coisas e algumas agendas pessoais e sociais ficaram a perder! A minha vida académica e a FDZ (Fundação para o Desenvolvimento da Zambézia) foram os dois aspectos da minha vida que mais perderam com o meu engajamento político activo.
Neste momento estou a fazer um esforço titânico para recuperar uma parte desse outro Manuel de Araújo, que também tem direito a existência e que até certo ponto sustenta intelectual e financeiramente o Manuel de Araújo político.
Também tenho alguns projectos empresariais que ficaram a perder com a minha entrada na política activa! Infelizmente o politico honesto em Moçambique ainda morre a fome! Infelizmente inda não da para viver de politica honesta!
De recordar que apesar da minha formação, nos últimos 5 anos, devido a filiação partidária não ganhei nenhuma consultoria, ou nenhum projecto pois neste País para se ganhar uma consultoria, um projecto, um negocio e imperioso ter o cartão vermelho!

Numa entrevista que tive consigo um pouco depois das eleições autárquicas de Novembro, disse que a Renamo precisava de uma reestruturação política, que passava pela realização de um congresso, onde seria eleito o novo dirigente do partido, que até podia ser Afonso Dhlakama. O congresso não aconteceu e o líder continua o mesmo. Como membro senior do partido, que (auto)avaliação faz ao seu partido?

Para já não sou membro senior do partido! (risos). Sou um cidadão nacional que num dado momento da história do meu País decidiu ser útil ao seu País. Como sabe vivi e trabalhei durante vários anos no exterior. E nessa altura achei que juntar me a oposição seria a forma mais salutar de ajudar o meu País a crescer, pois qualquer democracia que se preze deve ter uma oposição forte. E mais, o partido no poder deveria ter na altura 20 senão 30 pessoas com a minha formação académica. A oposição não tinha muitas condições para atrair pessoas com o meu currículo. Portanto, decidi juntar me àquele que na minha opinião mais precisava dos meus serviços e não tinha recursos para pagar tais serviços!

Permita-me dizer-lhe que esse posicionamento na sua entrevista, exigir congresso, fez com que eu e o Dr Quelhas fossemos vistos e considerados por algum sector senior dentro do partido como não 'merecendo confiança politica' e a respectiva desvinculação do 'famigerado governo sombra'! Felizmente eu já me tinha 'auto-desvinculado' do tal governo por divergências internas em termos de acções, visão e de estratégias!

Devo confessar que até hoje não consegui perceber como o partido ainda não realizou o Congresso! A não realização do Congresso foi, na minha opinião a pior decisão que a actual liderança da Renamo tomou! Continuo esperançado que cedo o congresso se realizará, pois a realização do Congresso já deixou de ser um assunto interno da Renamo! É um imperativo nacional, pois está em jogo a democracia!

Imagine que a Frelimo decide que este ano não haverá eleições porque não há dinheiro! A Renamo seria a primeira a cá vir e dizer que a Frelimo é anti-democrática! É uma lógica perigosa para a democracia! No parlamento ou fora dele, no partido ou fora dele, na academia ou fora dela lutarei incansavelmente para que a democracia em Moçambique se consolide e não tenha donos!
Acha que Afonso Dhlakama está apegado ao poder?

Ao não realizar o congresso ele deixa passar essa imgem, que não é boa nem para ele, nem para o partido e muito menos para o País!

SISE e Frelimo usam jornalistas  para eliminar da oposição pessoas que pensam

Há uma certa imprensa moçambicana que o referenciou como possível sucessor de Afonso Dhlakama na presidência do partido. Já ambicionou ser presidente da Renamo e quiça chegar à presidência da República?

(Risos...) Infelizmente encontrava me em Washington quando alguém me enviou um sms a informar-me que um semanário da praça havia feito essa elegação. Não liguei e nem li o referido artigo pois achei que se tratava de uma brincadeira!
Agora que me fazes esta pergunta começo a pensar se os que inventaram tal brincadeira não foram os mesmos que alimentaram a conversa fiada de que Daviz Simango queria substituir Afonso Dhlakama! E se não foram os mesmos que alimentaram a conversa fiada que levou a expulsão de Raul Domingos! Veja que esses boatos todos sem fundamento começam do mesmo sítio! Ou seja uma estratégia do SISE e da Frelimo, que usa jornalistas (incautos) para eliminar da oposição pessoas que pensam!

Fernando Mazanga, porta-voz da Renamo, disse à imprensa nos finais do ano passado, que “a classe intelectual da Renamo não constitui mais valia para o partido”. Fazia referência a si, Ismael Mussa e João Colaço. Os outros dois já se despediram do partido e muito provavelmente, juntaram-se ao MDM de Daviz Simango. Manuel digeriu estes pronunciamentos?

Meu pai, pessoa que venero bastante ensinou-me inter alia duas coisas! A primeira que se um maluco te insulta não deves respondê-lo, pois quem sai a perder és tu, e não o maluco!
Em segundo lugar, ele me ensinou que os homens de bem não devem discutir pessoas. Devem discutir ideias! Conheço o Colaço desde a Escola Secundaria em Quelimane e desde essa altura somos amigos. Conheço o Ismael desde os finais da década de 80. Fomos colegas até ao segundo ano no Instituto Superior de Relações Internacionais, até a altura em que ele desistiu do curso e foi estudar no Brasil. Fomos não só colegas de turma como de camarata! É meu amigo!
Não acredito que  algum deles tenha deixado o partido por causa dos pronunciamentos do Mazanga! Seria uma total aberração! Seria dar muita importância ao Mazanga, coitado! Sabe que as vezes até sinto pena dele?
A corrupção tem manchado a nossa imagem no exterior.

Por último, como é visto Moçambique na diáspora?

Felizmente Moçambique tem uma boa imagem no exterior. Infelizmente tem se dito que e no pano branco que cai a nódoa! A corrupção tem manchado a nossa imagem no exterior. Os sinais de regresso ao monopartidariasmo, o despesismo orçamental, a dependência externa, falta de transparência, a partidarização do Estado, as assimetrias regionais, o incremento da pobreza, o enriquecimento ilícito, o crime organizado, o endeusamento de Guebuza são nódoas que devem ser limpas com a maior urgência.

Acha que a dependência externa do país atenta contra a soberania do Estado?

Não diria que a dependência externa atenta contra a soberania do Estado, mas sim contra a soberania do povo!
A ajuda externa virou uma indústria
Que fazer, na sua opinião, para que a dependência externa passse para história em Moçambique?

É preciso compreender que a dependência é um pau de dois bicos. A ajuda externa virou uma indústria. Ela foi, é, e sempre será um instrumento de política externa dos Países desenvolvidos.

Infelizmente alguns países como o nosso, desenvolveram uma capacidade não de produzir riqueza, mas sim de gerir ajudas!
E neste jogo existe um pacto entre os doadores e os membros dos governos recipientes! Ambos tiram dividendos! Quem sai a perder é o povo que perde a sua soberania!
A dependência cria vícios insanáveis, tanto do lado dos doadores, como do nosso lado!
A única saída é melhorarmos a nossa capacidade de produção e de produtividade é descobrirmos os nossos nichos, ou seja as nossas vantagens comparativas e competitivas! E entrarmos no mundo de cabeça erguida! Mas isso só se faz se melhorarmos a nossa educação, a nossa saúde ao mesmo tempo que melhoramos a nossa infrastrutura e o nosso ambiente de negócios! Se implementarmos as reformas que possibilitem melhorarmos a nossa capacidade de fazer negócio, diminuir os custos de produção, melhorarmos a nossa produtividade, diminuirmos  a corrupção, as barreiras alfandegárias e não alfandegárias que emperram o nosso empreendedorismo, despartidarizar e despolitizar a área de negócios, melhorar a concessão de créditos ao empresariado, ai sim!

Quem é Manuel de Araújo?

Manuel de Araújo, presentemente deputado da Assembleia da República pela bancada da Renamo-União, diz-se interessado de várias áreas: Economia, Relações Internacionais, Direitos Humanos e Desenvolvimento. Apesar de ser deputado, não assume ser político. “Estou emprestado a politica por tempo determinado”, afirma. É fundador da Associação de Estudantes de Relações Internacionais, do Conselho Nacional da Juventude, da Associação Juvenil para o Desenvolvimento do Voluntariado, da Fundação para o Desenvolvimento da ZAMBÉZIA, da Associação Moçambicana no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e do Centro de Estudos Moçambicanos e Internacionais (CEMO). E Vice-Presidente do Forum Parlamentar sobre Armas Pequenas e Ligeiras e membro do Parliamentarians for Global Action (PGA), com sede em Nova York. É natural da província da Zambézia, onde frequentou a primeira escola da sua vida. “O meu percurso académico vai da Escola Primária de Coalane, Anexa ao Centro de Formação de Professores Primários de Nicoadala, Secundaria 25 de Junho, Pré-Universitária 25 de Setembro, todas na Cidade de Quelimane. Fiz o ensino superior no ISRI (Instituto Superior de Relações Internacionais, e nas Universidades do Zimbabwe e Fort Hare (MPS), na Universidade de Londres (MSc SOAS) e na Universidade de East Anglia (MPhil), no Reino Unido da Inglaterra e Irlanda do Norte. Leccionei na 25 de Setembro, Francisco Manyanga, ISRI, ISCTEM e Universidade A Politécnica.

Canal de Moçambique, 23.07.2009 in Mocambique para todos