Por: Luciano Armando Tarieque
Tenho dito e vou continuar a dizer: esta guerra não é só de um partido da oposição. É de toda a oposição. É de todo o povo que quer mudança, que quer justiça e que quer um país diferente.
Já viram? Quando a oposição luta entre si, a FRELIMO luta e combate toda a oposição ao mesmo tempo. Enquanto gastamos energia a nos atacar, o regime avança, prende, cala e persegue. E no fim, quem sangra somos todos nós. O militante, o simpatizante, o cidadão comum que só quer viver em paz.
No dia 12 de agosto, em Nampula, foi o MDM que sofreu. E o que ouvi? Em vez de solidariedade, saíram insultos vindos da própria oposição. "Vocês acabaram. Vão lá se juntar com o ANAMOLA". Como se a dor de um fosse motivo de festa para o outro. Como se a repressão contra um fosse vitória para o outro lado.
No dia 15, em Quelimane, foi a ANAMOLA que sofreu. E adivinha? A pergunta voltou: "Os outros partidos da oposição estão onde?" Ninguém lembrou que o problema é comum. Ninguém lembrou que a mão que bate hoje em um, bate amanhã em todos.
O maior problema está dentro de nós. É a síndrome do "só o meu partido salva". Há dirigentes e militantes na oposição que juram de pé junto que só a sua sigla tem moral, só o seu líder tem visão, só a sua estratégia funciona. E desprezam todos os outros. Esquecem que solução não está no nome do partido. Solução está no pensamento. Está na comunicação eficaz. Está na planificação séria. Está na produção de estratégias com eficácia. Está na capacidade de ouvir o povo e unir forças.
Esse orgulho cego está a matar a luta. É o "meu partido primeiro, o país depois". É o "se não for comigo, então que se dane". É o "eu sou mais oposição que tu". Mas pergunto: de que vale ter o melhor discurso se não consegues chegar ao povo? De que vale ter as melhores ideias se não consegues dialogar com quem pensa diferente? De que vale chamar-se de alternativa se age igual ao regime, dividindo, excluindo e humilhando?
O povo não vota em sigla. O povo vota em esperança. E esperança se constrói com pensamento claro, com comunicação eficaz e com planificação e estratégia. Pensamento claro é saber qual é o problema real do país e qual é a proposta concreta para resolver. Não basta gritar "abaixo". É preciso dizer "vamos fazer assim". Comunicação eficaz é falar a língua do povo. É ir às rádios comunitárias, às igrejas, aos mercados, aos bairros. É explicar sem arrogância e ouvir sem interromper. O povo está cansado de discursos de palco. Planificação e estratégia é ter um plano para ganhar eleições, para fiscalizar, para governar e para resistir à repressão. Estratégia não é improviso. É trabalho de gabinete, de base e de formação de quadros.
Nenhum partido sozinho tem tudo isso. A RENAMO tem história e estrutura. O MDM tem quadros técnicos. A ANAMOLA tem a energia da juventude e das ruas. O PODEMOS tem penetração nova. A Nova Democracia tem quadros. Separados, cada um tem uma peça do puzzle. Juntos, temos o quadro completo. Mas enquanto cada um achar que só a sua peça serve, o puzzle nunca vai ficar pronto.
A história já nos avisou. Basta lembrar o que aconteceu com o PDD entre 2008 e 2009. Naquele tempo o PDD deu esperança a muitos moçambicanos. Fabricava roupa com timbre do partido. Distribuía motas da marca Salink quase para todos os distritos. Entregava roupas em grande quantidade. O povo acreditou, porque estava cansado e queria acreditar em algo novo. Mas o povo descobriu tarde demais que o PDD era um prolongamento da língua da FRELIMO, criado com um único objetivo: combater a RENAMO e dividir a oposição. Era isco. Era armadilha. Em menos de 5 anos o PDD desapareceu. E o final do jogo? O fundador e presidente foi premiado como embaixador de um país X. Enquanto isso, os militantes ficaram sem partido, sem rumo e com a esperança traída.
É por isso que temos que ter cuidado com alguns espetáculos dos nossos líderes. Há oposições e discursos que só servem para garantir o império de Gaza. Há gente que prefere ser líder de três gatos a ser parte de uma frente que muda o país. Há gente que troca o futuro da nação por protagonismo barato.
A oposição deve sentir e respeitar o posicionamento da outra oposição. Deve entender que a diferença de ideias não pode virar guerra. Pode haver divergência de estratégia, pode haver debate, pode haver crítica. Mas nunca pode haver traição, insulto e humilhação pública. No final, temos que nos juntar para buscar solução. Sentar à mesma mesa. Ouvir. Ceder. Construir. Sem insultar. Sem humilhar. Sem apontar dedo.
Porque se continuarmos assim, vamos ser derrotados um por um. Separados somos alvos fáceis. Juntos somos força. Juntos somos voz. Juntos somos voto. Juntos somos história.
O povo já está cansado de ver a oposição a morder a própria cauda enquanto o regime ri. O povo quer ver unidade. Quer ver maturidade. Quer ver que os líderes entendem que a causa é maior que o partido, maior que a sigla, maior que o ego.
Hoje é o MDM. Amanhã é a ANAMOLA, o PODEMOS, a Nova Democracia. Depois de amanhã pode ser a RENAMO. E depois? Quem sobra? Se não nos levantarmos agora, não sobra ninguém.
A luta é de todos. A dor é de todos. A vitória tem que ser de todos. Chega de vaidade. Chega de achar que só o meu partido salva. Chega de infantilidade política. Hora de sentar, conversar e construir uma frente comum. Hora de colocar o país acima do partido. Hora de provar que estamos prontos para governar, porque primeiro aprendemos a caminhar juntos.
Porque no dia em que a oposição entender que o problema é um só e a solução é coletiva, nesse dia o regime vai tremer.
LATA
Cidadão vigilante na reserva aberta





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