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sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Grupo de 16 deputados desafia publicamente Afonso Dhlakama

Maputo (Canalmoz) – O Grupo de 16 deputados eleitos pelas listas da Renamo que tomou posse na primeira sessão da Assembleia da República dirigida pelo chefe de Estado Armando Guebuza, está a partir de ontem declaradamente a desafiar o líder tradicional do partido, Afonso Dhlakama, presentemente acantonado em Nampula, na rua das Flores.
O grupo deu ontem uma conferência de Imprensa no Kaya Kwanga, em Maputo, acusando indirectamente o presidente Dhlakama de procurar “bodes expiatórios” para tentar justificar por “norma e de forma repetida” os “sucessivos desaires eleitorais”.
O Grupo está desavindo, aparentemente, com o que tem sido o seu habitual líder, Afonso Dhlakama, por este estar a usar interpostas figuras, sem, no seu entender, qualquer representatividade legítima no seio do partido, para os acusar de “traidores” e “ameaçar”, “com severas medidas punitivas” quando na verdade, segundo um comunicado distribuído na conferência de Imprensa “na III sessão ordinária da Comissão Política Nacional do Partido, reunida de 19 a 21 de Novembro de 2009 na cidade de Nampula, com a agenda única “análise do decurso do processo eleitoral atinente às eleições Presidenciais, Legislativas e Provinciais de 28 de Outubro de 2009 o que ficou decidido foi que a Renamo assumindo a sua responsabilidade de manter a paz e a estabilidade, condições fundamentais para o desenvolvimento sócio-económico e o estabelecimento do Estado de Direito e de Justiça Social, iria liderar manifestações populares pacíficas em todo o território nacional”, coisa que até agora não aconteceu em absoluto.
“A partir dessa altura, os membros e simpatizantes da Renamo aguardavam pelo início das manifestações de repúdio aos resultados eleitorais” mas o Conselho Constitucional acabou por “validar os resultados” e “o Partido (Renamo) não reagiu” como havia “deliberado a Comissão Política nem deu perspectivas aos membros e simpatizantes sobre as manifestações”.
“Contra todas as expectativas e ante o espanto de membros e simpatizantes do Partido, viu-se nos órgãos de comunicação social, o presidente do Partido e seguidamente vários porta-vozes transmitindo uma outra vertente de algo que não tinha abordado”. Andaram a dizer “que os membros eleitos das assembleias provinciais e os deputados da Assembleia da República eleitos pelas listas da Renamo estavam proibidos de tomar posse dos respectivos órgãos” quando, segundo o G-16 da Renamo afirma que não foi nada disso que foi deliberado na sessão atrás já referida da Comissão Política Nacional, em Nampula.
“É nosso entendimento que as posições do Partido são tomadas ou em sede da Comissão Política Nacional nos termos do nr. 4 do artigo 31 dos Estatutos do Partido ou em sede do Conselho Nacional”, lê-se no comunicado distribuído ontem à imprensa.
No mesmo comunicado lê-se ainda que ao abrigo do artigo 24 do Estatutos da Renamo “o Conselho Nacional é o órgão deliberativo do Partido no intervalo entre dois congressos”.
“A posição dos membros das assembleias provinciais e dos deputados (da Assembleia da República) não tomarem posse não foi decisão de nenhum desses órgãos (do Partido)”, expressa claramente o grupo que ontem resolveu quebrar o silêncio em clara afronta ao seu próprio líder tradicional que agora corre o risco de ter de se demitir ou de os expulsar a todos como já aconteceu com outros.
Com o que ontem aconteceu no Kaya Kwanga está claro que o grupo está desavindo com Afonso Dhlakama.
O grupo chega mesmo a falar em “artes mágicas” quando se “constata que mesmo os mais próximos de Dhlakama acabaram por tomar posse em todas as assembleias provinciais e na Assembleia da República”.
A crise interna na Renamo é tão grave que a certa altura, a um indivíduo de nome Meque Braz, que para o grupo é um “paraquedista usado por Dhlakama” para os denegrir, perguntam: “acaso sabe o senhor Meque Braz quanto dinheiro recebeu o Partido através da sua representação parlamentar desde 1994 e que percentagem foi destinada aos desmobilizados de todo o País para fazerem os seus projectos, para hoje vir dizer que a desgraça dos desmobilizados se deve à tomada de posse dos deputados a 12 de Janeiro de 2010? ”
“Desde 1994 com sucessivos bodes expiatórios não acha senhor Meque Braz que chegou o momento de se reflectir, discutir e encontrar os motivos e verdadeiros responsáveis dos desaires eleitorais no lugar de distrair a opinião pública?”, conclui o grupo dos 16 deputados da Renamo agora em clara e aberto desafio a Afonso Dhlakama.

(Fernando Veloso)

Fonte: CanalMoz (05.02.2010)

Reflectindo: Agora fica claro que os deputados da Zambézia tomaram posse à revelia de Afonso Dhlakama, mas ainda fica a pergunta de se AD acha que continua líder da Renamo.

terça-feira, janeiro 19, 2010

Mais deputados da Renamo foram ontem empossados


QUATRO deputados da Renamo que no dia 12 de Janeiro estiveram ausentes na cerimónia de investidura da VII Legislatura da Assembleia da República tomaram posse ontem, na sede do Parlamento, em Maputo, perante a Presidente do órgão, Verónica Macamo.
Trata-se de Mário Cinquenta Naula, Maria Ivone Soares, Carlos Manuel e Mussitagibo Bachir que, na ocasião, juraram servir fielmente o Estado e a pátria, dedicando todas as suas energias à causa do povo moçambicano, respeitar a Constituição e a Lei, no exercício dos seus mandatos de deputado. No total são agora 20 os parlamentares da Renamo empossados, contrariando ordens do seu líder, Afonso Dhlakama, segundo as quais os deputados do seu partido não deveriam ser investidos nas suas funções.

Fonte: Jornal Notícias (20.01.2010)

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Agudiza-se crise no seio da Renamo

Por Eleutério Fenita
Correspodente da BBC, em Maputo

Em Moçambique há sinais crescentes de um crise interna no maior partido da oposição, acentuada pela estrondosa derrota sofrida nas últimas eleições municipais.
Numa entrevista à BBC, a Chefe da Bancada Parlamentar da Renamo, Maria Moreno, reconhece a existência da crise e questiona o anúncio do seu líder Afonso Dhlakam de que iría empossar à força os candidatos daquela formação política derrotados no escrutínio de Dezembro.

Os actos de tomada de posse paralela pelos candidatos da Renamo, em municípios do centro e norte do país, seríam segundo disse o próprio Afonso Dhlakama, em protesto contra o que ele considera ter sido "um crime eleitoral".

Dlakama refere-se a alegadas irregularidades que na sua opinião terão adulterado os resultados finais do escrutínio de Dezembro, do qual a Renamo saíu derrotada em todas os municípios, incluindo os que governava, à excepção de Nacala que ainda vai a uma segunda volta.

Um desses municípios chama-se Cuamba, por cuja presidência e pela Renamo concorreu Maria Moreno, por sinal chefe da bancada parlamentar do maior partido da oposição. Foi a partir daquela cidade que ela falou à BBCparaÁfrica.

“Não sei se a governação e tomada de posse paralela vão resolver os problemas agudíssimos que temos em Moçambique de liberdade política e falta de democracia. Eu penso que este não é o caminho”.

Questionada sobre se isto significava que ela não iria aderir à estratégia do seu líder, Afonso Dhlakama, respondeu taxativamente que “Não, não vou. Em princípio não vou porque para mim até agora ainda não faz sentido.”

Contestado

Mas não terá este posicionamento o potencial para minar a autoridade do líder da Renamo, por sinal contestado ainda que à boca fechada por outros sectores do partido?

“Nós aguardávamos que houvesse um encontro entre deputados e o presidente do partido o que não foi possível, de forma que ficamos um pouco à solta para encontrarmos soluções para os nossos problemas locais," continuou Maria Moreno.

" Não sei há falta de concertação. Não podemos falar de alas ou grupos mas realmente é um momento sensível que carece de um encontro que até agora ainda não aconteceu”.

Perguntamos se achava que a Renamo estava em crise, a chefe da bancada parlamentar da Renamo reconheceu que “com o resultado nas autarquias a Renamo está em crise”.

E o que reserva então o futuro político da Renamo? Maria Moreno junta-se às figuras de algum peso que a partir das fileiras daquela formação política defendem ser tempo para uma profunda reflexão.

“Estamos desfazados”, sentenciou. Mas passará a resolução da crise pela saída de Afonso Dhalakama, como tem sido defendido por alguns?

”Um membro não sugere a substituição de um membro do partido, mas um congresso podería resolver estes problemas, encaminhando a pessoa se assim ficasse decidido ou escolhendo uma outra pessoa. Era necessário que houvesse um Congresso”, disse Maria Moreno.

Fonte: BBC (27.01.2009)