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quarta-feira, setembro 20, 2017

IESE afirma que houve deterioração do sistema político e democrático nos últimos 10 anos

Salvador Forquilha alega que perseguição que investigadores do IESE são vítimas é fruto do actual contexto político vivido no país
O Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE) considera que, nos últimos 10 anos, houve deterioração do sistema político democrático e do nível de participação pública em Moçambique. Este posicionamento foi defendido pelo director do IESE, Salvador Forquilha, na abertura da V Conferência Internacional da instituição.
O director do IESE diz que a instituição que dirige tem como objectivo promover o debate sobre as políticas públicas que são implementadas no país, com a finalidade de contribuir para a construção da cidadania activa em Moçambique. Entretanto, considera que este propósito não foi compreendido pelas elites políticas. “No auge da intolerância política e aversão ao pensar diferente, que, infelizmente, têm vindo a caracterizar o nosso país nos últimos anos, muitas vezes, investigadores do IESE, por causa dos seus posicionamentos, foram acusados de ser ‘anti-patriotas’, ‘apóstolos da desgraça’, com ameaças e intimidações à mistura, visando não só desacreditar o trabalho do instituto como também silenciar as suas vozes”, referiu.

sexta-feira, março 17, 2017

IESE questiona destino dos montantes que sobram do OE

Pesquisadores do Instituto de Estudos Económicos e Sociais realizaram uma pesquisa que conclui que anualmente há montantes do Orçamento do Estado que não são executados e cujo destino não é transparente, ou pelo menos tornado público.
Intitulada “A Face Oculta do Orçamento do Estado Moçambicano: Saldos de Caixa são fictícios?”, a pesquisa, da autoria dos economistas António Francisco e Ivan Semedo, começa por questionar: “Como se explica que 25% do total de recursos financeiros colocados à disposição do Estado de Moçambique, na forma de saldo de caixa, sejam mantidos à margem do Plano Económico e Social (PES) e da sua expressão financeira no Orçamento do Estado (OE), como se de um fundo oculto ou paralelo se tratasse?”. Prossegue afirmando que “ainda que sejam reportados na Conta Geral do Estado (CGE), fiscalizados e confirmados pelo Tribunal Administrativo (TA), os saldos de caixa são geridos como um novo tipo de fluxos extra-orçamentais, à margem da execução orçamental do Governo, nem a Assembleia da República (AR) se pronuncia sobre eles, quando delibera sobre os níveis de despesas, empréstimos, subsídios, avales e donativos”.
Segundo a publicação (datada de 13 de Março corrente) as três últimas CGE (2013-2015) o valor transitado rondou em média 63 mil milhões de meticais anuais. Trata-se de um valor superior ao capital social das 114 empresas com participação do Estado, quatro vezes maior do que o capital social das 14 empresas públicas com 100% de capital do Estado, e ainda suficiente para liquidar 91% do stock total da dívida interna em 2015.

Fonte: O País – 16.03.2017

quarta-feira, maio 21, 2014

Quando as organizações não agradam ao regime


IESE vai mesmo abandonar as instalações

O Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE) uma das mais reputadas organizações de investigação científica independente no país, com intervenção a vários níveis, recebeu, no dia 12 de Maio, uma notificação da APIE com ordem de despejo. Num prazo de 15 dias deve abandonar o edifício onde tem os seus escritórios, e que ocupa há cerca de sete anos por contrato com a SOCIMO.



Sete anos depois, a administração do Parque Imobiliário do Estado vem alegar que o imóvel não é da SOCIMO, mas sim do Estado moçambicano.

quarta-feira, maio 14, 2014

IESE evicted from its offices

IESE was Monday given 15 days to vacate its institute building on Av Patrice Lumumba in Maputo. IESE (Instituto de Estudos Sociais e Economicos; Social and Economic Studies Institute) is Mozambique's best known independent research institute and it has occupied the building since 2007.

Officially, the reason is a dispute between two state bodies. IESE has been renting the building from Socimo, a company with close state and security sector links. But the state buildings agency APIE (Administracao Do Parque Imobiliario Do Estado) has decided that Socimo has no right to the building, so is evicting IESE.

quinta-feira, fevereiro 20, 2014

segunda-feira, setembro 03, 2012

III Conferencia do IESE e lancamento de livros (descontos)


Segue, em anexo, o programa da III Conferência do IESE, a ter lugar a 4 e 5 de Setembro (próximas terça e quarta feiras), em Maputo, no Indy Village, e  o cartaz sobre os três livros que vamos lançar na Conferência, no fim do primeiro dia.

No dia do lançamento, os livros serão vendidos com um desconto de 20% em relação ao preço a que estarão, posteriormente, disponíveis no mercado.

quinta-feira, abril 26, 2012

TAXAS DIRECTORAS E PRODUÇÃO DOMÉSTICA

Por Sofia Amarcy

Recentemente o Banco de Moçambique (BdM) anunciou a redução das taxas directoras (taxas de juro  determinadas pelo Banco Central, também chamadas de taxas de referência, e que determinam as taxas de  juro de mercado). Segundo o BdM, esta redução visa responder ao ambiente de “estabilidade” do sector  financeiro, através da expansão do crédito bancário ao sector privado. Com uma redução nas taxas de referência, seria expectável que ocorresse um aumento nos níveis de consumo devido ao aumento da  capacidade de aquisição de bens e serviços. No entanto, o efeito pode ser inverso se não estiverem criadas as  condições domésticas para fazer face a este aumento da procura, e neste caso é de esperar que aconteça um  aumento no nível de preços e consequentemente um aumento dos níveis de inflação, que, de facto, contraria as  expectativas da política monetária em vigor. Ler mais

quinta-feira, dezembro 15, 2011

Call for papers - III Conferência do IESE/IESE's III Conference

O IESE anuncia a realização de uma conferência subordinada ao tema Moçambique: Acumulação e Transformação num Contexto de Crise Internacional, a ter lugar em Maputo, nos dias 4 e 5 de Setembro de 2012. Em anexo, veja o convite para submissão de comunicações para esta conferência. Agradecemos que circule esta mensagem. O convite para submissão de comunicações pode também ser descarregado do website do IESE,http://www.iese.ac.mz/.

IESE hereby announces that it will hold a conference on the theme: Mozambique: Accumulation and Transformation in a Context of International Crisis, in Maputo, on 4-5 September 2012. Please, find attached the call for papers for the conference. We would be grateful if you could circulate this message. The call for papers can also be downloaded from IESE’s website, http://www.iese.ac.mz/.

Carlos Castel-Branco
Director

segunda-feira, junho 06, 2011

Protecção Social Financeira e Demográfica em Moçambique: Oportunidades e Desafios para uma Segurança Humana Digna

Cadernos Iese nº 10
O IESE lança um novo número da sua colecção "Cadernos IESE”. O caderno nº 10 contém o artigo “Protecção Social Financeira e Demográfica em Moçambique: Oportunidades e Desafios para uma Segurança Humana Digna”, da autoria de António Francisco, Rosimina Ali e Yasfir Ibraimo.
O artigo mostra que Moçambique carece de um processo de transformação estrutural da economia e dos mecanismos institucionais, fomentador de sistemas de protecção social viáveis e sustentáveis, capazes de substituírem progressivamente os mecanismos antigos de protecção social demográfica.

Disponível no seguinte link: (http://www.iese.ac.mz/lib/publication/cad_iese/

terça-feira, abril 19, 2011

IESE - Convite

O IESE convida todos os interessados para o lançamento do segundo número da série “Desafios para Moçambique”, iniciada pelo IESE no ano de 2010, e que tem como objectivo primeiro contribuir para o debate público sobre temas relevantes da vida do país.

O livro “Desafios para Moçambique, 2011” foi organizado por Luís de Brito, Carlos Castel-Branco, Sérgio Chichava e António Francisco, e editado pelo IESE, e contém quinze artigos, agrupados em seguintes secções: política, economia, sociedade e Moçambique no mundo.

A apresentação do livro será feita por um painel composto por Carlos Castel-Branco, Domingos de Rosário, Fernanda Massarongo, Rosimina Ali e Sérgio Chichava.

Data: 20 de Abril (4ª Feira)
Horário: 17.30 – 19.30
Local: Indy Village

segunda-feira, abril 04, 2011

GOVERNAÇÃO PARA O DESENVOLVI​MENTO EM ÁFRICA

A School of Oriental and African Studies, SOAS (da Universidade de Londres) e o Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE), com financiamento da Fundação Mo Ibrahim organizam, de 4 a 8 de Abril, no Indy Village, em Maputo, um programa de formação sobre “Governação para o desenvolvimento em África”.


Nos dias 4 e 5 de Abril, das 18h30 às 20h30, no Indy Village haverá uma palestra e um painel de debate, abertos a todo o público interessado, que abordarão, respectivamente, os temas “Crescimento e Pobreza”, e “Problemática de Financiamento do Estado”.


Data
Hora
Tema
Apresentadores

04/04/2011
2ª Feira

18:30 - 20:30

Palestra:
“Crescimento e Pobreza


Professor Marc Wuyts
(ISS)
05/04/2011
3ª Feira

18:30 - 20:30



Painel de Debate:
“Problemáticas de Financiamento do Estado


Professor Marc Wuyts (ISS), Professor Jonathan Di John (SOAS), Professor Carlos Castel-Branco (IESE)






http://masterpieces.asemus.museum/uploads/images/SOAS.jpg        iese        http://www.sierraexpressmedia.com/wp-content/uploads/2010/06/mo_ibrahim_foundation.gif

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

IESE - Boletim Bibliográf​ico nº 18

Boletim Bibliográfico (Bibliographic Bulletin) no. 18, February 06, 2011. This bulletin is a monthly edition of the IESE´s Documentation Centre. It aims at disseminating information about IESE´s publications and other bibliographic material available in the Documentation Centre. Click on the following link to download: http://www.iese.ac.mz/lib/publication/outras/BB/BB_18.pdf

IESE - Boletim Bibliográf​ico nº 17

Boletim Bibliográfico n.º 18, de 06 de Fevereiro de 2011. O Boletim Bibliográfico do Centro de Documentação do IESE, com periodicidade mensal, tem como objectivo informar sobre os trabalhos editados pelo IESE e sobre as publicações recebidas. O Boletim está disponível no seguinte link: http://www.iese.ac.mz/lib/publication/outras/BB/BB_18.pdf

segunda-feira, abril 12, 2010

Em Moçambique e Angola: Frelimo e MPLA apropriam-se do Estado

– conclui um estudo do IESA

Os partidos governamentais de Moçambique e de Angola, respectivamente a Frelimo e o MPLA, estão-se a consolidar no poder com a tendência de controlarem perpetuamente os respectivos Estados. Esta é a conclusão de um estudo comparativo apresentado no último fim-de-semana, em Maputo, durante uma conferência internacional sobre os processos eleitorais, movimentos de libertação e mudanças democráticas em África, organizado pelo Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE), em colaboração com o Chr. Michelsens Institutt (CMI) da Noruega.
A conferência contou com a participação de investigadores científicos e de políticos provenientes da Etiópia, Uganda, Moçambique, Suécia, Bélgica, África do Sul, Noruega, Malawi e Zâmbia.
O estudo comparado revela que as lideranças da Frelimo, partido no poder em Moçambique, e do MPLA, partido no poder em Angola, tendem a alargar a sua influência de modo a dominar todas as estruturas sociais do Estado.
Outra questão que é referida no estudo são os discursos dos dirigentes destes partidos que, segundo refere, manifestam uma tendência de querer dominar “tudo e todos”, com políticas de concentração de poderes.

Moçambique e o estudo

A conclusão alcançada pelo estudo, para o caso de Moçambique, vem apenas formalizar o debate que tem existido na opinião pública em relação à tendência de querer dominar tudo por parte do partido Frelimo.
No ano passado, o relatório interno do Fórum Nacional do Mecanismo Africano de Pares (MARP) também fez referência ao facto de o partido no poder ter a tendência de querer substituir o Estado.
Em relação aos discursos com tendências de dominação, dos dirigentes partidários, o partido Frelimo é um exemplo vivo. Recentemente, o secretário-geral do partido Frelimo, Filipe Chimoio Paúnde, veio a público dizer que é imperiosa a continuação da implantação de células dentro do aparelho do Estado. Estas declarações vieram deixar claro a questão da afinidade partidária, como condição fundamental para trabalhar no aparelho do Estado, ou seja, este partido controla, a favor dos seus interesses partidários, o funcionamento do aparelho de Estado.

(Matias Guente)

Fonte: CanalMoz - 2010.04.12

sábado, fevereiro 06, 2010

IESE lança colectânea sobre desafios do país

UMA colectânea de reflexões sobre os desafios do país nas esferas política, económica, social e internacional vai ser lançada em meados do corrente mês pelo Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE). O livro, intitulado “Desafios para Moçambique”, reúne considerações de 22 investigadores, segundo refere um comunicado do IESE.
Desafios da Construção Democrática, Desafios da Construção de uma Economia Sustentável, Desafios de Cidadania, Educação e Habitação e Desafios de Integração e Cooperação são os grandes pontos de reflexão apresentados neste livro, que conta com a participação de investigadores como Carlos Nuno Castel-Branco, Luís de Brito, Narciso Matos, Nelson Saúte, Magid Ossman, João Mosca, Salvador Forquilha, Sérgio Chichava e Lídia Brito.
Segundo o IESE, o livro pretende ser um contributo para as reflexões e para os debates sobre o presente e o futuro de Moçambique.

São desafios para todos e para toda a sociedade.

O desafio de pensar, discutir abertamente, avançar pontos de vista fundamentados na vida prática e na análise mais académica, o desafio de não cruzar os braços ou baixar a cabeça perante obstáculos e dificuldades, o desafio de questionar o presente pensando e acreditando em diferentes futuros possíveis, de procurar os caminhos e identificando os desafios para lá chegar, de remover os obstáculos, de pensar de novo e de acreditar, de procurar os pontos nevrálgicos que fazem funcionar o corpo, de definir o que é prioritário para o desenvolvimento do país.

Fonte: Jornal Notícias (05.02.2010)

sexta-feira, novembro 27, 2009

Sociedade Civil em Moçambique e no Mundo


Por António Francisco

Pretende-se com este texto compartilhar algumas ideias e questões relevantes sobre a sociedade civil moçambicana (SCM), algumas das principais evidências do conhecimento actual sobre o estado da SCM, evidências que corroboram a percepção, amplamente generalizada, segundo a qual a SCM é fraca, nas suas principais dimensões: estrutura, ambiente, valores e impacto.(i)
Na década passada, a literatura internacional sobre a arena pública designada por sociedade civil (SC) acumulou valiosa informação, qualitativa e quantitativa, contribuindo para um conhecimento actualizado
e sistemático, sobre o estado da sociedade civil no mundo. Porém, à semelhança do que acontece noutras áreas de investigação, a mera acumulação de conhecimento não gera imediatamente melhor entendimento sobre a realidade. Isto porque o entendimento não depende tanto da acumulação de dados empíricos, mas sim da disponibilidade de conceitos, explicações e teorias adequadas (Deutsch, 2000; Francisco e Ali, 2008).
A maior parte do conhecimento disponível actualmente sobre a SCM assenta em análises descritivas, em torno de questões sobre “o quê”, “onde”, “quando”, “quanto” e “em que direcção” a sociedade civil cresce e evolui. Mas o entendimento é ainda fraco quanto às questões relacionadas com o entendimento; por exemplo: “porquê”, “como”, “quais as causas” das mudanças e dinâmicas da estrutura da realidade em estudo.
Entretanto, na corrente década emergiram algumas experiências de pesquisa
prometedoras, destacando-se em particular: 1) O The Johns Hopkins Centre for Civil Society Studies tem investigado o funcionamento da sociedade civil, assente em unidades sem fins lucrativos, voluntárias e filantrópicas (www.ccss.jhu.edu); (2) O Global Survey on the State of Civil Society, um projecto internacional da CIVICUS (Aliança Mundial para a Participação do Cidadão) (http://www.civicus.org/ ). Recorrendo a metodologias diferentes, mas complementares, ambos projectos já contam com pesquisas em mais de 50 países, incluindo Moçambique (Francisco et. al., 2008; INE, 2006).
O Inquérito Global da CIVICUS criou o chamado Índice da Sociedade Civil (ISC), um indicador agregado, com base na média da pontuação atribuída a aproximadamente 80 variáveis, organizadas em 27 subdimensões e quatro dimensões (Heinrich, 2004, 2007)(ii).
Até aqui, o Inquérito Global da CIVICUS tem investido mais na actualização do conhecimento do que no entendimento explicativo do estado da sociedade civil no mundo. Isto é compreensível, considerando que no passado o conhecimento era superficial e disperso. Apesar disso, o facto de as pesquisas serem concebidas dentro de um quadro conceptual estruturado, em termos analíticos e metodológicos, potencia o surgimento de pesquisas (inferenciais e analíticas aprofundadas) no domínio do entendimento explicativo. Existem limitações questionáveis na actual metodologia do ISC, mas os seus méritos (e.g. abrangência, sistematização e adaptabilidade à natureza fluida da sociedade civil) superam os deméritos (e.g. dúvidas quanto à generalização de certas avaliações) das pesquisas anteriores, assentes em métodos simplistas e ad hoc.

Clique o seguinte link: http://www.iese.ac.mz/lib/publication/outras/ideias/Ideias_24.pdf para ler todo o artigo.

segunda-feira, julho 06, 2009

Estratégias individuais de sobrevivência de mendigos na cidade de Maputo:

Por Emílio Dava

Introdução

Segundo dados oficiais produzidos pelo inquérito aos agregados familiares (IAF) de 2003, 54% da população em Moçambique ainda se encontra abaixo da linha da pobreza absoluta. O discurso político actual, tanto do Presidente da República como de outros membros do governo central e das administrações locais, concentra-se em mobilizar os cidadãos pobres para encontrarem soluções criativas para o problema da pobreza. Comummente, a pobreza é atribuída à falta de iniciativa, criatividade, espírito empreendedor e engenhosidade dos pobres por estes não saberem usar os recursos e outras condições disponíveis em seu benefício.

Será, no entanto, possível e adequado discutir engenhosidade e criatividade individuais independentemente das condições, ambiente, oportunidades, desafios e tensões económicos e sociais de que as pessoas são parte? Será que todas as formas de engenhosidade e criatividade individuais conduzem à redução da pobreza e da dependência e à dignificação das pessoas? O foco deste IDeIAS é contribuir para a discussão destes pontos com referência à situação dos mendigos e vendedores informais que pululam na cidade de Maputo.

Engenhosidade individual

Embora fortemente contestados por um número crescente de grupos sociais e estudiosos , e seguramente questionáveis quanto à sua eficácia social, o teor, o foco de incidência e as metas das grandes estratégias de combate à pobreza (por exemplo, o PARPA e os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio) são geralmente tornados públicas e conhecidos. No entanto, não muito bem estudadas, documentadas, publicadas e talvez por isso, também pouco conhecidas, são as estratégias individuais de combate à pobreza ou simplesmente de sobrevivência
quotidiana.

Na área urbana de cidade de Maputo, tem aumentado o número de mendigos e de “informais” em quase todos os principais focos de aglomeração de pessoas de rendimento médio ou alto, com particular destaque para os que se localizam em locais de concentração de actividade comercial e de afluência de turistas estrangeiros. Cruzamentos e semáforos, onde as viaturas e pessoas são obrigadas a parar, são locais predilectos para pedintes e vendedores.

O fenómeno não é novo, mas novos são a intensidade e as formas peculiares que nos últimos tempos têm sido usadas nestas actividades. As estratégias são realmente impressionantes do ponto de vista de criatividade; mas são chocantes na óptica da ética e decência humana, focando-se no apelo à sensibilidade, compaixão humana e empatia para o alcance dos seus objectivos.

Os exemplos mais comuns das novas práticas de mendigos são:
• Mulheres (jovens e idosas) usam bebés ou crianças (que nem sempre são seus filhos) para apelarem à sensibilidade das pessoas e com isso, obterem preferencialmente apoio financeiro;

• Algumas pessoas encenam doenças, ferimentos, deficiências ou outras formas de vitimização (por exemplo, envolvendo partes do seu corpo com ligaduras), “provando”, assim, que não podem gerar o seu próprio rendimento por outra forma que não seja a esmola. Alguns indivíduos
simulam que têm uma doença muito grave, mas não têm dinheiro para tratamento pelo que precisam de apoio;

Em muitas esquinas e semáforos, o principal “negócio” é “chocar” as pessoas com deficiências (de nascença ou criadas por acidentes) para atrair a sua simpatia e, por consequência, uma dádiva em dinheiro. Num certo sentido, nestes casos ser portador de deficiência tornou-se numa vantagem pois é uma via através da qual mendigos conseguem atrair algum rendimento.

• O mesmo acontece com idade: ser idoso ou ser criança ficou uma “oportunidade” para apelar à simpatia e obter uma esmola. Há crianças que circulam pela cidade dizendo que foram assaltadas e perderam os livros escolares, o lanche e o dinheiro do “chapa”. Nos períodos das matrículas escolares, os cruzamentos com semáforos enchem-se de crianças pedindo dinheiro para as matrículas, livros e fardamento escolar. Em alguns cruzamentos, ao fim do dia, concentrações de idosos e idosas pedem simpatia e uma esmola para as suas “causas” específicas: a refeição da noite, o transporte de regresso a casa ou a visita ao hospital.

• Algumas pessoas fixam-se em paragens de autocarros ou nas suas proximidades simulando não terem o montante em dinheiro para transporte até um local distante. Pedem selectivamente a pessoas que pareçam ingénuas e com meios para lhes darem o dinheiro em falta. Todavia, quando conseguem o dinheiro “em falta” continuam a pedir ao maior número possível de pessoas.

• Outras pessoas pedem dinheiro argumentando que lhes faltam apenas 2, 5 ou 10 meticais para tirar fotocópias ou autenticar um documento importante, geralmente para conseguir emprego;
Recentemente, aparecem indivíduos que dizem ter perdido tudo por causa da violência xenófoba na África do Sul. Por isso, precisam de apoio (de preferência algum dinheiro) para recomeçar a sua vida.

Estes exemplos demonstram haver grande engenhosidade na procura de soluções de sobrevivência individual de curto prazo. Esta engenhosidade reflecte-se não só no leque variado e evolutivo de opções, mas também na adequação dessas opções aos acontecimentos e condições sociais de momento (por exemplo, em relação com a xenofobia na África do Sul ou com o período das matrículas) e às condições sociais dos grupos alvo dos pedintes e aos momentos do dia (por exemplo, muitas das acções descritas ocorrem nas zonas mais abastadas da cidade com enfoque nos períodos críticos do dia).
leia mais clicando aqui

segunda-feira, junho 29, 2009

A Primeira Reforma Fiscal Autárquica em Moçambique

Por Eduardo Jossias Nguenha

Em 1997, o Estado criou as autarquias locais. Foi, igualmente, estabelecido o modelo do seu financiamento, compreendendo (i) receitas próprias provenientes de impostos e taxas (de serviços prestados e de licenças concedidas); (ii) transferências fiscais do Estado; e (iii) possibilidades de contracção de créditos. Em 2008, através da Lei Nº 1/2008, de 16 de Janeiro, o Estado realizou a primeira reforma fiscal autárquica, redefinindo os parâmetros do exercício de autonomia financeira e de competências fiscais das autarquias locais. Por quê esta reforma? O que alterou e o que significa essa alteração na capacidade financeira das autarquias? No presente texto procura-se dar respostas a estas perguntas.

Possíveis Razões da Reforma Fiscal Autárquica

Desde o início da sua efectividade em 1998, as autarquias experimentaram múltiplas dificuldades financeiras para responder às competências próprias de investimento público. As dificuldades de geração de receitas são conhecidas como resultantes (i) da falta de capacidade local de planificação, mobilização e de gestão de recursos financeiros – a maioria dos municípios arrecada localmente pouco mais de 40% de recursos necessários para financiar seus orçamentos (Orçamentos do Estado, 2007, 2008 e 2009); (ii) das dificuldades por parte do Estado de cumprir a rigor a legislação sobre as transferências fiscais – por exemplo, as transferências fiscais do Estado para as autarquias não atingiram o mínimo estabelecido por lei de 1.5% de receitas totais do Estado de 1998 a 2007 (Governo de Moçambique, 2003; Vasconez e Ilal, 2008; Boex et al, 2008). Sendo assim, afiguram-se como possíveis razões desta reforma fiscal autárquica a necessidade de:

1. Ajustamento das responsabilidades partilhadas entre as esferas nacional e autárquica às reais condições económicas e políticas do p a í s . A p a r t i lha d e responsabilidades quer de despesa pública, quer de tributação, entre o Estado e os municípios foi desenhada sob uma lógica da racionalidade política. A elevação de algumas cidades e vilas à categoria de autarquias subestimou os sublimes critérios de existência de base económica local e da sua capacidade financeira para a prossecução das atribuições que lhes são cometidas . Consequentemente, o rácio de financiamento de despesas de funcionamento pelas receitas próprias varia entre 0.2 e 0.5, o que significa que sem as transferências do Governo Central grande parte das autarquias, simplesmente não funcionaria (Nguenha, 2007);

2. Ampliação da possibilidade de geração de recursos próprios através do repasse de tributos até então na responsabilidade do Estado (SISA, ISVA) e de criação de novos tributos autárquicos (contribuição de melhorias).
Em todo o caso, a recente reforma fiscal pretende corrigir alguns erros (comuns) de uma descentralização iniciada sem experiência (em que todos os órgãos do Estado aprendem fazendo) e com poucas referências da real capacidade política, económica e financeira do Governo e das autarquias.

O Que Alterou com a Reforma Fiscal das Autarquias?

A reforma fiscal das autarquias significou a formulação da Lei Nº 1/2008, de 16 de Janeiro (que define o regime financeiro, orçamental e patrimonial das autarquias locais e o sistema tributário), revogando a Lei Nº 11/97, de 31 de Maio. Consequentemente foi aprovado um novo Código Tributário Autárquico, pelo Decreto Nº 63/2008, de 30 de Dezembro, em revogação do Decreto Nº 52/2000, de 21 de Dezembro que aprovava o anterior Código Tributário Autárquico.
A dimensão desta reforma deve ser compreendida a partir das alterações que ela significou ao nível dos elementos do modelo de financiamento das autarquias, nomeadamente ao nível da tributação, das transferências fiscais do Governo e do recurso ao crédito.

Tributação. As alterações a este nível compreenderam: (a) a eliminação do imposto autárquico de comércio e indústria; (b) a graduação do imposto pessoal autárquico em 1%, 2%, 3% e 4% do salário mínimo nacional para as autarquias de categoria D, C, B e A, respectivamente; eliminando a anterior situação em que a taxa deste imposto era uniforme, independentemente da categoria do município, que é, de certo modo, indicativo da potencial capacidade contributiva dos cidadãos que nele residem; (c) a diferenciação da taxa do imposto predial autárquico incidente sobre prédios destinados à habitação (0.4% do valor patrimonial) e aos destinados à actividades económicas (0.7% do valor patrimonial). Três situações registaram-se ao nível deste imposto: a taxa de imposto reduziu em cerca de 30%; a taxa foi diferenciada entre prédios destinados à habitação e à actividade comercial; e foi estabelecida isenção ao pagamento do imposto por cinco anos aos prédios novos destinados à habitação com licença em nome do proprietário; (d) a passagem da competência de cobrança e de gestão do imposto sobre veículos automóveis para as autarquias. Este imposto, que anteriormente era cobrado pelo Governo e transferidos 75% do produto de sua cobrança para as autarquias, passa a ser cobrado directamente pelas autarquias. Existe uma potencial perda de recursos deste imposto, na medida em que os custos administrativos de sua cobrança e fiscalização pelas autarquias poderão exceder os 25% que anteriormente remuneravam o Governo Central; (e) transferência do imposto de transmissão de propriedade (o SISA) para as autarquias e criação da contribuição de melhorias, sendo este último é um tributo novo no sistema tributário nacional. Leia todo o artigo aqui.

domingo, junho 14, 2009

Protecção Social no Contexto da Bazarconomia de Moçambique

Por António Francisco

1. Protecção social, na perspectiva do artigo que inspirou esta nota (Francisco, 2009) é o sistema de mecanismos, iniciativas e acções destinados a libertar os cidadãos de dois medos: 1) Medo da agressão física e psicológica; e 2) Medo da carência, seja ela acidental, crónica ou estrutural.
A origem desta definição pode ser traçada, primeiro, ao trabalho realizado, há dez anos atrás, no âmbito dos dois primeiros relatórios nacionais de desenvolvimento humano (RNDH) em Moçambique.
O RNDH de 1998 abordou a questão da transição da insegurança nacional para a segurança humana, representada por um gráfico1 similar ao da Figura 1 e dois eixos analíticos: 1) Paz social, a vários níveis: nacional, comunitária e individual; 2) Crescimento económico, viável e sustentável, intimamente ligado ao desenvolvimento humano (Gordon & Spicker, 1999: 119: UNDP, 1994; PNUD, 1998, 2009).
A segunda fonte de inspiração da definição de protecção social, apresentada acima, é a comunicação de Francisco (2009) à II Conferência do IESE, em Abril passado. Esta nota partilha alguns aspectos da perspectiva de protecção social defendida no referido artigo; uma perspectiva que questiona os modelos de protecção importados e implementados pelo Governo Moçambicano e dos seus parceiros internacionais2.

2. LIBERDADE NEGATIVA E PROTECÇÃO SOCIAL AMPLA

A definição de protecção social, no início deste texto, veicula uma perspectiva ampla e abrangente de todos cidadãos. Neste contexto, as formas de protecção social restritas e específicas, focalizadas em grupos de risco e vulneráveis, surgem como complementares, mas apenas parte de uma visão de segurança humana mais abrangente e inclusiva.
A dimensão ampla de protecção social pode ser associada, grosso modo, à ideia de liberdade “negativa”, na dupla classificação de liberdade, proposta por Isaiah Berlin: liberdade negativa e liberdade positiva (Brelin, 1969)3, Por liberdade negativa entende-se “ausência de coerção” ou de obstáculos externos e institucionais, que impeçam alguém de realizar algo relevante para a sua liberdade económica e segurança humana.
A liberdade de expressão e de circulação, os direitos de propriedade e a segurança pública, entre outras, são indispensáveis ao fortalecimento da liberdade negativa. Elas dependem das condições
institucionais, legais ou extralegais, associadas às regras de jogo prevalecentes na sociedade; em geral, dependem menos da disponibilidade de recursos financeiros e logísticos, do que da vontade política, e sobretudo, da eficiência e eficácia institucionais...

Leia todo o artigo clicando aqui.

domingo, maio 24, 2009

Moçambique: de uma economia de serviços a uma economia de renda

Por Luís de Brito

A periodização que se segue tem como objectivo dar uma visão geral da evolução da economia moçambicana e situar a indústria no contexto desse desenvolvimento histórico. Uma das conclusões que se pode tirar desta visão panorâmica é que, mais de um século depois da partilha de África na Conferência de Berlim e de 35 anos de independência, a economia moçambicana apresenta ainda um padrão de tipo colonial, tendo como traço dominante a exportação de matérias-primas e recursos naturais.

Leia todo o artigo aqui e mais artigos ou livros publicados aqui.