sábado, maio 17, 2008

Recenseamento eleitoral: Observatório Eleitoral regista várias irregularidades

O Observatório Eleitoral recomenda o STAE e a CNE a retirarem os nomes dos cidadãos cujas idades não atingem os 18 anos inscritos durante o recenseamento eleitoral terminado a 15 de Março passado.

A Organização que junta a sociedade civil e algumas seitas religiosas sublinha ter registado durante o recenseamento eleitoral terminado a 15 de Março passado, várias irregularidades, algumas das quais com a participação de partidos políticos e a polícia.

O relatório apresentado hoje em Maputo, pelo Observatório Eleitoral salienta que existiram casos em que os partidos políticos pressionavam os brigadistas a inscreverem eleitores sem residência na área do posto de recenseamento.

O documento refere que o recenseamento eleitoral foi ainda manchado pelo facto de alguns agentes da polícia apresentarem-se embriagados e a inscreverem cidadãos em alguns postos e ainda pelo problema da dupla inscrição.

Quanto a dupla inscrição, o relatório avança terem sido registados casos nos postos de Boane e Maputo como consequência da deficiência do equipamento informático.

O presidente da Observatório Eleitoral, Brazão Mazula sublinhou ainda que a Organização constatou casos de existirem cidadãos com cartão de eleitor e cuja identificação não confere a que consta nos cadernos eleitorais.

fonte: RM

Retirado na sua íntegra do imensis

sexta-feira, maio 16, 2008

Para a Presidência da Beira

Segundo o Autarca, Manuel Pereira já tomou uma decisão que posso considerar de favorável à Renamo ao recuar da dita candidatura à presidência da Cidade da Beira. Leia mais aqui.

quarta-feira, maio 14, 2008

Para uma reflexão?

Com a devida vénia, publico na íntregra a entrevista ao Dr. Máximo Dias pelo Notícias e publicada a 13 de Maio:
Renamo não quer conquistar o poder – diz Máximo Dias, líder do MONAMO, diz em entrevista ao “Notícias” que sem união a oposição nunca vai chegar à Ponta Vermelha

O FUNDADOR do Movimento Nacionalista Moçambicano (MONAMO), Máximo Dias, acha que a Renamo não está interessada em conquistar o poder. Numa entrevista ao “Notícias” destinada a avaliar a actual situação política nacional, o também deputado do Parlamento pela Renamo-União Eleitoral (RUE), explica que os três anos de governação do actual Executivo suportado pela Frelimo, já criaram o que considerou de um desgaste que permitiria que o maior partido de oposição nacional assumisse o poder nas próximas eleições gerais, aprazadas para o ano de 2009. Máximo Dias, falou também da “saúde” da democracia multipartidária no nosso país, defendendo que o país está ainda perante um sonho almejado tanto pelo partido no poder, quanto pela oposição. São alguns dos tópicos da entrevista que se segue:

NOTÍCIAS (NOT) - Que apreciação faz do desempenho dos partidos políticos na oposição no país?

MÁXIMO DIAS (MD) – A democracia multipartidária ainda é um sonho que almejamos quer pelo partido no poder, quer por aqueles que militam na oposição. A única força política partidária que está na oposição que poderia conquistar o poder, parece que ela não está interessada nessa conquista porque não tem mudado a sua forma de combate político, desde 1992 para cá. A Renamo mantém o mesmo processo de combate político para a conquista do poder. Uma vez que alega ser vítima de fraude eleitoral, já deveria estar preparado para reduzir o mínimo das fraudes eleitorais, e como o Governo da Frelimo está naturalmente desgastado, qualquer partido político que está no poder há mais de 10 anos começa a desagradar, não só pelas suas más políticas, mastambém porque alguns dos seus dirigentes começam a criar vícios, a própria rotina é primeiro vicio, retira o espírito de iniciativa, retira o empreendedorismo, o que leva a perder a base política de sua sustentação, por isso que a Renamo está em condições de colher para si o descontentamento da grande parte do povo, os efeitos políticos que a Frelimo sofre do desgasto político tudo a seu favor, mas parece que a Renamo continua com uma política que o não leva a conquistar o poder de forma democrática.

NOT- Na sua óptica o que é que deveria fazer a Renamo por forma a conquistar o poder?
MD- O que devia fazer era organizar-se melhor, quando se perde uma eleição é preciso pensar por que é que se perdeu esta corrida. Se a Renamo goza de uma grande base social, o tal descontentamento do povo e o desgaste do partido Frelimo poderia ser uma das formas da Renamo chegar ao poder. Quem está no poder não larga o poder. Nas últimas eleições gerais o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) instalou 11254 mesas de voto, as chamadas assembleias de voto. Desse número, a Renamo só conseguiu colher os editais dos resultados das eleições fixados na porta das mesas das assembleias de voto apenas em cerca de quatro mil mesas de votos. Ficaram cerca de oito mil mesas das assembleias de voto livres da fiscalização da oposição.

FALTA DE DETERMINAÇÃO

NOT – A fragilidade financeira da Renamo não terá concorrido para tal situação ?
MD – Não. Não é só fragilidade financeira, é falta de determinação. Aquela determinação que a Renamo teve ao combater o partido único, esse empenhamento está a lhe faltar, parece que alguns dirigentes da Renamo se acomodaram nalguns bens políticos. A preocupação hoje é ser deputado, membro da Assembleia Municipal ou conquistar o lugar de presidente de qualquer município. Então a luta fica aí, a preocupação é saber quem vai ser indicado pelo partido para futuro deputado da Assembleia Nacional, Provincial e Municipal. É preciso uma determinação, porque o trabalho devia ter começado no primeiro dia em que a Renamo foi declarada derrotada. Se diz que ganhou as eleições e não foi declarada vencedor, é porque ela não soube preparar-se, porque se ela tivesse os editais das eleições gerais legislativas e presidenciais de todas as assembleias de voto, a Renamo saberia provar com documentos oficiais. É preciso reclamar exibindo as actas e editais de votos. A Renamo não tem delegados de candidatura em todas as mesas, os tais fiscais, deixam o campo livre com árbitro apenas ligado ao partido no poder.

NOT– Tem a certeza que a Renamo não está a preparar-se para os próximos pleitos?
MD – Eu sou um pouco dissidente da Renamo, por isso a minha posição é suspeita, mas por aquilo que conheço da Renamo, por aquilo que eu vejo no terreno, penso que não alterou uma vírgula do seu texto inicial de 1992, para cá. Ainda estou ligado à Renamo numa coligação que acaba no dia 31 de Dezembro de 2009, ou melhor, quando tomarem posse os deputados da nova legislatura. Eu falo porque quando eu me juntei era efectivamente porque acreditei que a Renamo era uma força política no contexto sócio político e económico do país, que podia fazer frente ao partido no poder, porque a Frelimo teve uma génese militar durante 10 anos gloriosos na conquista da independência e não há nenhum moçambicano que não esteve com a Frelimo na sua luta pela independência.

A UNIÃO QUE FALTA

NOT – Qual tem sido o seu papel dentro da Renamo, sobretudo nas eleições gerais de 2004, tendo em conta a vossa coligação?

MD – Quando entrei eu e mais outros nove partidos, a Renamo só não ganhou as eleições mesmo dando por inexistentes fraudes, porque as fraudes não existiram. Perdeu as eleições apenas com 304 mil votos, isto em 1999, pelo menos em relação às eleições presidenciais. Significa que esteve iminente a sua vitória, mas em 2004 a Renamo apesar de ter mantido a coligação com outros oito partidos, nós não trabalhamos porque o presidente Afonso Dhlakama disse que cada um vai fazer a sua campanha. No dia que foram apresentadas as listas dos deputados, o líder da Renamo dirigiu-se aos presidentes dos partidos com os quais se coligou e deu-lhes o seguinte recado: cada um trabalhe sozinho apesar de estarmos numa lista de coligação. Ora, as pessoas juntam as forças para a união fazer a força maior. Portanto, a Renamo juntou-nos, mas não quis que nós fizéssemos a união de forças, o que significa que a maioria dos partidos coligados com a Renamo não trabalhou tirando apenas a MONAMO, a quem eu pertenço, que fez uma grande campanha na Zambézia e foi por isso que a “perdiz” não perdeu naquela província.

Not – Se a Renamo tem estas dificuldades, não consegue mudar o cenário, por que é que os outros partidos na oposição, incluindo o MONAMO não tomam a dianteira do processo?

MD – Minha senhora, é certo que os partidos poderiam continuar a lutar, sobretudo aqueles que têm líderes jovens, o partido MONAMO tem um líder com 70 anos e não encontra jovens determinados para me substituir na liderança, isto porque os nossos militantes não estão connosco nem conseguem vir da Matola para a baixa, se não forem pagas as despesas de transporte e serem garantidos o lanche. Portanto, os nossos militantes não estão em condições e mais, nos distritos, os membros dos partidos da oposição ainda sofrem perseguições pelos senhores administradores. É preciso perceber que a maioria da nossa população vive numa situação de fome, já não é de pobreza é de fome. Trata-se de uma fome institucionalizada no país, por duas razões, uma porque não há uma política económica definida. Não temos uma política agrária, agrícola e agro-pecuária, por outro lado.

NOT- Perante este cenário como vê o futuro dos partidos políticos da oposição em Moçambique?

MD – Em bom rigor nem deviam ser chamados partidos políticos, mas é assim que se começa, embora passam 15 anos da democratização. Mas esta situação vai prevalecer enquanto a economia continuar frágil, a televisão não abranger metade da população moçambicana, enquanto o jornal não chegar a 25 por cento da população, não é possível as minhas ideias chegarem às zonas rurais, o partido que mais escreveu sobre ideologia e política é o MONAMO. A continuar assim a Renamo vai cair também.

NOTICIAS- Não acha que a união dos partidos seria a melhor solução?

MD – Seria, mas os partidos não sabem unir-se, as uniões que fazem não duram. Mas para isso é preciso que essas uniões sejam lideradas por gente que não se sirva do partido para viver. Agora que estamos à porta das eleições tem aparecido movimentos aglutinadores, façamos justiça ao senhor do PIMO, Ya-qub Sibindy, que tenta fazer alguma coisa nesse sentido. É verdade que este movimento depois cai porque começa a fazer o uso da coligação em defesa de um ou dois partidos, os outros não são bem consultados. Não existe uma verdadeira entrega nacionalista, a maior parte dos partidos que existe em Moçambique em número de 50 ou mais, eu já perdi o número desses partidos que aparecem todos os dias porque não tem qualquer significado, por isso que estou a acabar com MONAMO.

NOTÍCIAS - Mas acha que a solução é acabar com o MONAMO ou continuar a lutar para a conquista do espaço?

MD – Não é solução, mas eu não quero enganar aqueles que confiam em mim de que podem votar no MONAMO, porque ainda não tenho força para ganhar nenhuma eleição municipal, nem provincial. Vamos fazer força para ganhar o município de Cuamba, apesar de estar a acabar. Está a acabar mas o candidatado vai continuar porque não quer ser apresentado como candidato da Renamo.

NOTÍCIAS – Não acha que não foi um bom líder, ao não ter conseguido preparar um jovem para lhe substituir na liderança do MONAMO?

MD – É frustrante para mim, mas eu não consigo pôr nenhum jovem na situação de líder do partido político que não tenha uma base militar como tem a Frelimo e a Renamo, porque neste momento o povo só conhece estes dois partidos. Primeiro por razões históricas e agora económicas mais aprofundadas.

NOT - Como é que consegue se manter na bancada da oposição mesmo não concordando com algumas posições pela grande maioria dos seus pares?

MD - Se há alguém que mais respeita, que mais grato está a Afonso Dhlakama, esse alguém sou eu. Ficarei eternamente grato ao senhor Dhlakama por me ter dado a liberdade política, por me ter permitido circular pelo país, por me ter permitido conversar com qualquer um sem procurar saber se está ligado ao SNAP ou não. Mas também não menosprezo a liberdade de expressão que a Frelimo me dá. Mas estou profundamente agastado com algumas pessoas que rodeiam o Chefe do Estado, que podem não ser inimigos do Presidente da República, mas são descontentes, que no poder apenas querem se aproveitar do lado das benesses, criando dificuldade de governação. Como exemplo, questiono onde está a política económica agrícola?. Para mim o mais importante neste momento não é ser frelimista nem renamista, mas entrar numa batalha de luta para conquista total de economia, o que passa pela cultura de trabalho, pela educação ou aquilo que eu chamo formação integral, que é uma formação académica, cívica, profissional, ética e deontológica profissional. Há gente no Governo que trabalha, que não tem tempo para ficar em casa e para ambientes familiares, por isso chamo a atenção da sociedade no sentido de que também os governados têm que fazer a sua parte, como fazem os jornalistas que denunciam os erros.

NOT– Já para terminar qual é a sua opinião sobre a data de 19 de Novembro marcada para as eleições autárquicas?

MD - A pergunta que me faz atendendo à actual situação política e económica do país se estamos em condições materiais para realizar os próximos pleitos eleitorais, eu penso que em termos de meios financeiros não estamos e nunca estivemos, mas felizmente contamos com o apoio dos nossos parceiros internacionais que desejam que Moçambique trilhe no processo de democratização e que tem visto com bons olhos o nosso processo eleitoral, a forma como nós conseguimos resolver os nossos conflitos internos, creio que vamos continuar com o apoio desses parceiros.

JOANA MACIE

domingo, maio 11, 2008

A questão da nacionalidade da Primeira-Ministra (1)

Não concordo e nem concordarei com quem analisa (leia os comentários no Moçambique para todos) esta questão como mesquinha. Posso até perceber que muitos se estejam nas mesmas condições de nacionalidades duplas que a Luísa Diogo. Aliás, este tipo de coisas é como a corrupção e o nepotismo em Moçambique - muitos sabem que duma ou doutra forma estão envolvidos - por isso não participam no seu combate. Ora, antes de eu avançar sobre o caso, faço uma analogia, escrevendo resumidamente sobre Ayaan Hirsi Ali.

Muitos devem ter ouvido a historia de Ayaan Hirsi Ali que imigrou para a Holanda em 1992 e ao preencher os formulários de imigração prestou informações falsas para facilitar sua aceitação. E, muitos podem imaginar em que situação ela se encontrava em 1992, com Somália a explodir. Ayaan defensora do direito das mulheres acabou sendo eleita deputada. Mas é importante saber com que preço ela pagou pelas declarações que fez com necessidade, isto é para se salvar do perigo (sobre Ayaan lei mais aqui).

Veja-se como o comentário de Fernando de Sousa no Moçambique para todos nos faz perceber que o caso é grave. Ele afirma, e isso devia ser investigado por alguém de direito, que metade dos deputados tem dupla nacionalidade e, alguns até, tripla nacionalidade. Será isto normal? A norma de candidatura à deputado da Assembleia da República admite isto? Eles gozam de que Constituição? Como é que eles adquiriram essas nacionalidades? Quando é que adquiriram a outra nacionalidade?

O problema é que há cidadãos que por mérito têm o direito à dupla nacionalidade, mas não a adquirem porque os supostos legisladores não o permitem. Imaginemos os moçambicanos que vivem por muitos anos na África do Sul ou os que estão em Portugal há mais de três décadas. Há quem seja capaz de dizer que se trata de ex-colonos, mas para quem chegou a Portugal sabe que até não são esses de que me refiro. Refiro-me a moçambicanos de origem Bantu, esses que me surpreenderam quando visitei Lisboa, em 1992. Esses moçambicanos precisam sim de dupla nacionalidade para fortalecer a sua identidade e cidadania tanto nos países onde vivem como no de origem que é Moçambique.

Podemos perguntar, com que propósito um governante ou legislador tem dupla nacionalidade? É para quando houver caos, por eles criado, em Moçambique saltarem para o outro lado? Serão estes do tipo Alberto Fujimori, do Peru, mas na versão moçambicana?

Portanto, é grave sim e é assunto para falarmos, assunto para se investigar. Sabemos que a constituição que obrigava a mulher moçambicana a perder a nacionalidade quando se casasse com um estrangeiro era injusta e contra o direito de igualdade entre homens e mulheres, mas ela era a lei mãe. Lembro-me que quem abriu uma discussão sem precedentes para aboli-la, no anti-projecto da CR aprovada em 1990, foi a Graça Machel e, foi muito justo. Mas lembro-me também da forma como um dos ministros do governo de Guebuza queria ver a nacionalidade de modo muito restrito e que Albano Silva nunca devia ser moçambicano.

As candidaturas da Beira e a estratégia de vitória (3)

Deviz Simango calcanhar d’Aquiles da Frelimo

Não é difícil entender em Moçambique que a emergência de Deviz Simango constitui grande preocupação para o partido no poder. Aliás, mesmo no partido a que ele pertence, a Renamo, Simango podia ser e é incómodo para alguns membros. Deviz Simango é incómodo da Frelimo porque desde a tomada da edilidade da Beira dedicou-se ao que prometeu aos munícipes. Por exemplo, incomodou o partido no poder ao retomar o imóvel do município que vinha sendo saqueado. Deviz desafiou até a decisão partidária tomada em nome de instituições judiciárias, admitindo saque ao Estado.

Mas Deviz Simango não se sentou apenas no Gabinete para tomar decisões, trabalhou lado a lado com os munícipes para resolver os problemas de saneamento, por exemplo (veja aqui). Esta maneira de trabalhar, que em nada permitia a propaganda dos seus adversários, aparentemente forçou o governo de Guebuza a criar administradores municipais. A história dos administradores dos municípios ou cidades começou na Beira. Contudo, devido às críticas e para fingir que o alvo não era Simango, o governo de Guebuza sentiu-se obrigado a nomear tais administradores em todos os municípios.A intenção foi única: sufocar Deviz Simango na Beira já que Manuel dos Santos, em Nacala-Porto estava sob o controlo do poder central. De recordar que Manuel dos Santos já tinha dado um outro passo que provocou à Frelimo. Manuel dos Santos formou um governo municipal inclusivo ao nomear Miguel Herculano e António Manuel Ferreira Brito, da Frelimo, como vereadores. De Nacala-Porto, podemos nos lembrar dos pronunciamentos desconcertadosde Maria da Luz Guebuza, a Primeira-Dama.

Quanto ao Município da Beira, muita coisa escrita já lemos, sobretudo no Jornal Notícias. Lembro-me do discurso, também desconcertado, de Carmelita Namashulua, mas ao contrário da Primeira-Dama esta tinha o direito de fazer propaganda política porque falava em nome do partido. O erro de Namachulua foi falar de propriedade do Estado como se esta fosse da Frelimo, isto ao dizer que a boa governação do Deviz Simango se efectivava pelos meios alocados pelo Estado. Ao menos ela apreciou a boa administração do Simango, embora não fosse de um certo círculo da Renamo ou parceira estrangeira como o director do Notícias nos querer meter na cabeça.

O director do Jornal Notícias, jornal a serviço do partido no poder brinda-nos com o que apelida de mito de boa governação à administração do Deviz Simango. A boa governação de Deviz Simango é um mito? Será que o que o director daquele diário chama de prova se deve à má governação, à falta de preocupação de Simango ou simplesmente à falta de meios?

Pelo que percebo, o jovem engenheiro, Deviz Simango goza de popularidade sem fronteira partidária. Deviz Simango, pode não ter acesso aos meios de comunicação do Estado, devido a campanha do partido no poder, mas pela imprensa independente (STV), sei que é o orgulho moçambicano quanto à governação, como Lurdes Mutola é para o atletismo.

Mas os frelas aproveitam-se da falta de coesão dos renas e assim a estratégia de vitória dos primeiros é gratuita. Não é por acaso que o Notícias (veja também aqui) já nos últimos dias se dedica muito do Deviz Simango, o calcanhar d’Aquiles da Frelimo. E a questão pode não ser apenas da Beira, mas também da Ponta Vermelha para a Renamo.

sábado, maio 10, 2008

Candidaturas na Beira e a estratégia da vitória (2)

Candidato renamista

Na entrevista feita pelo jornal electrónico Autarca (leia aqui e continua aqui), os comentários dados nos Jornal Notícias aqui e no allafrica escreve-se que membros da Renamo exigem que o candidato a edil da Beira seja renamista. Infelizmente, nenhum dos jornalistas questionou a definição de membro da Renamo segundo os estatutos do Partido. Mais do que uma análise, o autor da peça no Allafrica comentou, construindo a história ao seu gosto, que parte da classificação ou etiquetação de Manuel Pereira e Daviz Simango quanto à Renamo. Segundo ele, Daviz Simango é membro do PCN, contrariando aquilo que podemos ler sobre o edil no portal do Município da Beira.

Não me importando, neste momento, com quem quer ser oportunista, a minha reflexão vai ao pronunciamento do membro da Renamo, entrevistado pelo Autarca. O entrevistado diz o seguinte: "... nós precisamos de repor a legalidade, precisamos colocar um candidato que seja da Renamo, que nós conhecemos que é de facto da Renamo e que tem bases históricas na própria Renamo."

Esta afirmação, se for mesmo de um membro da Renamo e não uma atribuição do jornalista, pode ser preocupante pois deixa todo o mundo com muita dúvida sobre a legalidade que ele(s) evoca(m) sobre o que é ser da Renamo e que bases históricas a Renamo exige para se eleger e ser eleito.
Pode-se, portanto, concluir que todos os que de forma aberta não participaram na guerra de guerrilha não são membros da Renamo? Com certeza estamos aqui mais uma vez a debater a questão da falta de estratégia de vitória nas eleições.

Se os renamistas da Beira com bases históricas puderem olhar para além desta urbe, hão-de ver que o falecido Carlos Tembe que serviu para dar vitória e mesmo alguma reputação à Frelimo, na cidade da Matola, foi da Renamo. O mesmo acontece com Pio Matos, presidente da Cidade de Quelimane, uma das cidades onde a Renamo goza de maior popularidade, que foi da Renamo. Então, é fácil entender que a Frelimo teve aqui uma estratégia de vitória. Em Quelimane, entanto que zona da Renamo, era preciso arranjar um candidato que gozasse de certa confiança ou popularidade por parte de muitos membros da Renamo e os frelimistas apenas alinharam para festejar a vitória.

Alguns renamistas perdem tempo acusando este e aquele de cair de paraquedas, surpreendemente o mesmo discurso usado por frelimistas para destruir a Renamo. Estes são os termos usados contra os académicos que aderiram recentemente à Renamo mas que sem dúvida fazem a Renamo somar pontos. Uma das estratégias de vitória da Renamo devia consistir em recrutar novos quadros, sobretudo jovens, académicos, esses que não participaram na guerrilha, mas que são entusiastas para contribuirem com o seu saber, a sua força tenra para o desenvolvimento da nossa pátria amada.

(A série continua)

Comparando a COSATU com a OTM-CS

Estava a projectar para fazer uma comparação entre a COSATU (Congress of South African Trade Unions) e a OTM-CS e eis que Gabriel Simbine (veja aqui), uma das pessoas que admiro pelos seus artigos de opinião, no Notícias, por dizer a verdade e sobretudo aquilo que lhe vem na alma, publica este.

Sabe-se que os sindicatos, em geral, apoiam um partido e isso também o faz a COSATU que é um braço de apoio do ANC, o Partido no poder na África do Sul. Isto, pode significar que a OTM-CS, gozando de estatutos similares, pode apoiar abertamente à Frelimo, desde que não obrigue os seus membros e os trabalhadores, em geral, a apoiar à Frelimo.

Contudo, há muita diferença entre a OTM-CS e a COSATU ou qualquer sindicato de trabalhadores de um país democrático. A OTM-CS está presa aos princípios do sistema comunista/socialista, embora o partido que ela apoia tenha se abraçado ao capitalismo selvagem. Por outro lado, este não é problema apenas da OTM, mas de todas as organizações da Frelimo como da Renamo, os principais partidos moçambicanos. E, o pior de tudo, notamos o mesmo em organizações (ONGs ou as ditas da sociedade civil, igrejas) que seguem o mesmo rumo da OTM, OMM e OJM presas ao poder.

Sempre me interroguei daqueles que marcharam em Maputo contra a invasão americana ao Afegnestão. Quem tinha organizado aquela marcha? Porquê não organiza agora uma semelhante quando a questão diz respeito aos nossos irmãos do zimbabwe e aliás a nós mesmos, pois que sofremos directamente o impacto?

Em suma, estas organizações demitem-se da sua função principal que é a de constituírem internamente grupos de pressão. Gabriel Simbine acertou, ao dar exemplo da accão da COSATU. Se não fosse a COSATU, a organização dos jovens e das mulheres do ANC, Thabo Mbeki teria continuado presidente do partido, consequentemente se recandidataria ao terceiro mandato.

quarta-feira, maio 07, 2008

Candidaturas da Beira e a estratégia de vitória (1)

Dupla candidatura

Uma das fragilidades da Renamo é a falta de estratégia para vencer as eleições. Essa falta de estratégia consiste em grande parte na falta de coesão e os adversários da Renamo tiram maior proveito dessa fragilidade. Aliás, ouso dizer que muitos renamistas atentos sabem disso, porque nas eleições autarquícas de 2003 provou-se que em municípios onde houve candidatos estrategas, a Renamo venceu. A derrota da Renamo nos municípios onde ela goza de popularidade, baseando-se nos resultados das eleições gerais de 1994 e 1999 (ver aqui, na p.6), deveu-se em grande parte à falta de estratégia. Acredito que se se basear nesta análise, ao invés de apenas se concentrar na crítica à estratégia de vitória do adversário, no pior de tudo facilitada por si mesma ou por alguns membros, a Renamo vai a tempo de mostrar o seu punho nas eleições vindouras.

Entre muitas reflexões a fazer, uma é sobre a dupla candidatura da Renamo à presidência do município da Beira. Beira é um dos municípios onde a Renamo venceu as eleições autárquicas de 2003 precisamente por ter tido uma boa estratégia, incluindo aquela em que a acção fraudulenta do Alburquerque foi neutralizada.

Por outro lado, a Renamo não ganhou apenas a presidência do município, mas um quadro que é invejado, sobretudo pelo partido no poder, com boa reputação ao nível nacional e internacional ao contrário do que Rogério Sitói, director do Jornal Notícias chama de mito no neste seu artigo de opinião.

Deste modo, a pergunta é: há membros da Renamo que preferem desperdiçar as vitórias somadas pelo partido pela governação exemplar da Beira? Preferem de facto perder aquilo que constitue prova de que a Renamo pode governar o nosso Moçambique?

A minha reflexão é também sobre a questao seguinte: como é possível que membros seniores da Renamo nos brindem com esta surpresa, se é que é uma surpresa? Não tem isto razão de existir? Isto é, não é a manifestação da não existência de um espaço para debates? E quem pode criar esse espaço? Não são eles mesmos, os membros seniores do partido? Ou será falta de noção sobre um espaço de debates de um grupo coeso, neste caso, de um partido? Quando falo de espaço, quero claramente referir-me aos órgãos e a estrutura funcional do partido

Em princípio, não é nada mau a existência de mais candidatos num único partido para a presidência porque concorrência é um dos princípios democráticos. Isto é o que assistimos nas eleições nos Estados Unidos da América, por acaso uma das poucas coisas que têm me impressionado no processo democrático daquele país. Entretanto, as concorrências internas devem obedecer algumas regras que evitem a divisão dos seus apoiantes e membros no próprio dia de votação. Também não se pode usar a chantagem como me parece ser nesta entrevista feita pelo autarca (ver também aqui).

segunda-feira, maio 05, 2008

A propósito do navio chinês com material bélico

Por Gabriel Simbine

Se o destino do navio chinês fosse Moçambique a OTM-CS não teria nenhuma intervenção, muito menos ainda a Imprensa nacional, os religiosos, os tribunais, as instituições dos direitos humanos, a sociedade civil, etc. Leia mais aqui

sexta-feira, maio 02, 2008

Situação alarmante


Em pleno 1 de Maio, entre escolher ir ao desfile, com bandeirolas com dizeres para o bem do trabalhador, sabendo que o orador é patrão que mal paga e até é o esclavagista da actualidade ou ir a uma barraca para esvaziar garrafas e levantar o polegar para todos os que me vêem para dizer que estou numa well, preferi visitar os blogs da praça. Nessa visita, constatei que um prometedor jovem economista, não só pelo seu trabalho, mas também pelo seu pensar verdadeiramente patriótico e muito mais pela maneira menos egoista e sem arrogância, instruindo-nos minimamente em conceitos de economia, vai deixar a blogsfera.

O jovem economista não deixa a blogsfera por falta de tempo, embora ele aponte isto como um dos factores; ele não deixa a blogsfera por lhe faltar a vontade, porque ainda nos revela a ambição de desenvolver mais três blogues este, este e este. Ele deixa-a porque está procurando o pão para comer e nisso há condicionalismo, pelo que pude entender. Os patrões, com certeza, muitos deles presentes no local mais privilegiado nas celebrações do dia do trabalhador não deixam que um trabalhador escreva o que pensa e quem o faz é etiquetado da oposição ou reaccionário.

Desta maneira podemos ficar preocupados porque essa atitude pode nos revelar muita coisa e pode ser a responsável pela maior parte dos problemas que temos nas instituções públicas, nas organizacões e nos partidos políticos. Não temos pessoas livres que transmitem o seu saber dentro e fora das instituições porque se assim o fizerem são considerados da oposição ou reaccionários e isto é alarmante.

quinta-feira, maio 01, 2008

Quatro ou cinco homens, a mesma história (4)

Didier Ratsiraka

Didier Ratsiraka foi presidente de Madagáscar de 1975 a 2002 com interrupção entre 1993-1997. Muito se pode estudar sobre este homem como é o caso do massacre de 10 de Agosto de 1991, mas não é a isto que dedico os artigos desta série, mas sim sobre os golpes palaciais em África depois das eleições, como se concretizam e quem os concretiza.

Nas eleições presidenciais de 1993, Ratsiraka perdeu a favor do líder oposicionista Albert Safy que foi impugnado em 1996. Ratsiraka recandidatou-se as eleições de 1997 e venceu-as com uma pequena margem ao seu adversário Safy.

Nas eleições de 2001, Ratsiraka perdeu a favor de Marc Ravalomanana. Segundo o Governo, Ravalomanana obteve 46 % enquanto que Ratsiraka 40 %, exigindo o último uma segunda volta. Por seu turno, Marc Ravalomanana alegando ter ganho com mais de 50 %, para evitar a segunda volta, toma posse em Fevereiro de 2002 e deste acto eclode uma guerra entre os apoiantes dos dois. Em poucos meses Ravalomanana ganha o controle do país e Ratsiraka exila-se na França levando consigo oito milhões de dolares do banco central em Toamasina.

Algo que muito estranho nas eleições de 2001, em Madagáscar, foi o facto de o tribunal supremo, que declarara os resultados que obrigavam a uma segunda volta entre Ravalomanana e Ratsiraka, declarar depois o primeiro como vencedor com mais de 50% na primeira volta.


quarta-feira, abril 23, 2008

Os bons sinais da diplomacia moçambicana

O Presidente eleito do Zimbabwe já esteve em Moçambique, veja aqui. Nestas fotos que eu gostaria de postar aqui se mostra um pouco da viragem da diplomacia moçambicana. Nas fotos vêem-se o Presidente do principal partido de oposição, a Renamo, e o ex-Presidente da República a exercerem algo do que uma vez clamei aqui no reflectindo – em Moçambique temos os que podem contribuir para a pacificação de África. Lamento que não se mostram os acompanhantes da delegação do ex-PR, mas na do Presidente da Renamo, se vê Eduardo Namburete, o Ministro-sombra das relações exteriores. Também lamento não ver Raúl Domingos a contribuir na pacificacão do Zimbabwe. Será que Domingos se demitiu?

Nos relatos se diz que o Presidente eleito do Zimbabwe se encontrou com o PR de Moçambique, Armando Guebuza, mas não há fotos que testemunhem. Alguém censurou o encontro?

segunda-feira, abril 21, 2008

Quatro ou cinco homens, a mesma história (3)

Sani Abacha
Sani Abacha é a continuidade de Ibrahim Babangida e que até podia não ser interessante nesta série, razão pela qual o título inicial é quatro ou cinco homens. Porém, há factos importantes que marcaram o regime de Abacha e até ao fim deste.
A 17 de Novembro de 1993, o governo interino de Shonekan apresentou a sua demissão devido a problemas políticos e sociais na Nigéria, ainda que a Suprema Corte o declarasse inconstitucional. Nesse mesmo dia, o Tenente General Sani Abacha, proclamou-se Chefe de Estado da Nigéria e manteve-se à frente do Ministério da Defesa assumindo também o cargo de chefe das forças armadas.

Em Junho de 1994, o presidente eleito e golpeado, Moshood Abiola foi preso. A prisão do Abiola provocou a greve de petroleiros e de outros sectores de produção na Nigéria. Para meter medo, o governo de Sani Abacha executou muitos dos seus opositores entre eles 60 oficiais que participaram num movimento contra o ditador.

A execucão por enforcamento do activista Ogoni Ken Saro-Wiwa, a prisão do presidente eleito Abiola e do general Olusegun Obasanjo, a condenação em "abstentia" do proeminente escritor Wole Soyinka, o banimento dos partidos políticos e o controle da imprensa, foram alguns dos pontos mais altos do regime ditatorial de Sani Abacha.

Abacha morreu subitamente em Junho de 1998 e o chefe do Estado Maior Abdulsalami Abubakar foi empossado Presidente da República. Abubakar rapidamente anunciou a transição do país à democracia o que permitiu que Olusengun Obasanjo fosse democraticamente eleito Presidente da República

Fonte: ver aqui e

Kofi Annan preocupado com situação do Zimbabwe

Para Thabo Mbiki, Armando Guebuza, José Eduardo dos Santos não há crise no Zimbabwe, mas assim não é julga o homem que já lidou com muitas crises ao nível mundial. O Ex-Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, faz as seguintes perguntas: "Onde estão os africanos? Onde estão os líderes e os países da região? O que estão a fazer? Como podemos ajudar a resolver a situação?”

sexta-feira, abril 18, 2008

Quatro ou cinco homens, a mesma história (2)

Ibrahim Babangida
Quando em 1993, o Reino Unido e os Estados Unidos da América suspenderam a ajuda militar e congelaram as relações diplomáticas com a Nigéria, sob regime ditatorial do general Ibrahim Babangida, este viu-se forçado a promover eleições presidenciais que já vinham sendo adiadas e que realizaram-se a 12 de Junho de 1993.

Nessas eleições, Bashir Tofa, candidato pessoal do ditador Ibrahim Babangida ou da ala governamental, foi derrotado pelo empresário oposicionista Moshood Abiola. Posto que o candidato do regime nao foi eleito pelo povo nigeriano, Babangida anulou as eleições, alegando fraude.

Dois meses depois, fingindo vontade em deixar o poder, Babangida nomeiou Ernest Shonekan para presidente do governo interino a que chamou de GUNN (Governo da Unidade Nacional da Nigéria) e que duraria até Fevereiro de 1994. Neste governo, Sani Abacha é nomeado Ministro da Defesa.

Fonte: Aqui

quinta-feira, abril 17, 2008

Moçambique e a pedofilia

Há ou não há pedofilia em Moçambique? Ximbitane na lenha escreveu um artigo para debate. Leia aqui!

segunda-feira, abril 14, 2008

Quatro ou cinco homens, a mesma história (1)













O que se está a passar no Zimbabwe é apenas uma repetição do muito que se passa na nossa África. Alguns casos são ou foram bem visíveis e convincentes tanto mais que à nossa história, a história de África e a do mundo inteiro, não se lhe escapou registar com letras garrafais.

Alguns escaparam e outros foram apenas registados por algumas pessoas que o quiseram fazer ou o viram com outros olhos. O nosso próprio país tem muitas histórias relacionadas com as eleições. Infelizmente são histórias registadas por quem o quis fazer ou teve o cuidado em distinguir o estranho, isto é, o normal do anormal.Entre os casos bem registados, na nossa história, está a Nigéria de Ibrahim Babangida e depois Sani Abacha, o Madagascar de Didier Ratsiraka, o Quénia de Mwai Kibaki e o agora recente Zimbabwe de Robert Mugabe.Para ver-se a analogia, entre os quatro ou cincos homens, vou tentar descrever, numa série de artigos, como eles fizeram golpe palacial depois de derrota eleitoral.



sábado, abril 12, 2008

Governo da unidade nacional (1)

Será que se procura agora a criacão de um governo da unidade nacional? Ao MDC se deve impor isso como se fez em Quénia? Porquê agora um governo de unidade nacional e não antes? Estes são alguns dos meus pobres pontos de reflexão.

quinta-feira, abril 10, 2008

SADC – que esperamos deste clube político?

Segundo muitas fontes a SADC convocou uma cimeira de emergência para intervenção na crise do Zimbabwe onde os resultados das eleições presidenciais não saiem só porque o Robert Mugabe as perdeu. Que SADC tenha convocado uma cimeira ou uma reunião de alto nível é de elogiar porque permite-nos ouvir o clube, chamo-o eu, em discurso directo. De lembrar que o SADC tem uma grande responsabilidade nisto, pois se pode questionar pela sua missão de observadora nessas eleições em que os resultados nunca saiem.

Porém, sou muito céptico como muitos entre eles o meu mundo, quanto ao que membros do mesmo clube podem fazer. Lembro-me do que aconteceu em Março do ano passado quando o regime mandou amachucar o presidente eleito pelos zimbaweanos, Morgan Tsvangirai, (o resto são tretas, pois como disse Desmond Tutu, se Robert Mugabe tivesse vencido nestas eleições teriamos o ouvido e visto a jubilar) o clube foi para Dar-es-Salam. Antes da cimeira o Presidente zambiano tinha uma posicão de louvar, pois condenava a atitude do regime do Mugabe. Porém, chegado em Tanzania virou a favor do Mugabe e o seu regime responsabilizando à Grã-bretanha pelo sofrimento do povo irmão do Zimbabwe. Por esta razão, começo a receiar que os membros do clube vão lá para empossar o Mugabe como rei de Mugabeland.

Ora nessa cimeira do sábado, dia 12 de Abril estará provavelmente o tirano Mugabe a falar e não o presidente eleito Tsvangirai. Se o Mugabe não estiver lá por ser “persona no grata
”, será de facto, pela primeira vez na história de SADC. Entretanto, é exactamente isto que a SADC precisa para que a vejamos não como um clube de amigos, mas numa organização séria da nossa região. Se durante o regime do apertheid e minoritário na África do Sul e então Rodésia, os seus governos não iam para as cimeiras da então SADCC, não há agora que se reaceiar em pôr de fora o Mugabe e o seu regime.

segunda-feira, abril 07, 2008

Aziz Pahad e a teoria de conspiração

O caso da demora dos resultados eleitorais

É do nosso conhecimento que a maioria dos governantes africanos constituiu um clube onde os seus adversários são os seus próprios povos e quem queira falar em defesa desses povos africanos. Se jornalistas, esses que em eleições democráticas têm o poder investigativo e muitas vezes os primeiros o anunciar o prognóstico dos resultados, logo depois do encerramento das urnas, baseando-se de entrevistas aos eleitores são também adversários do clube dos governantes. Agora ao falarem de riscos a uma fraude eleitoral nas presidenciais do Zimbabwe, tudo é uma teoria de conspiração. É isto que Aziz Pahad, Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros de África do Sul nos mete nas nossas cabeças em defesa de quem faz coisas que o regime do apartheid já fez contra o povo sul-africano.

Todo aquele que suspeita o motivo da demora da publicação dos resultados das eleições presidenciais no Zimbabwe não faz mais nada que uma teoria de conspiração. Segundo, o clube, em Zimbabwe nunca houve fraude eleitoral. Mesmo em Moçambique nunca houve, pois a discussão era a mesma e as equipas do jogo eram as mesmas.

Os nossos governantes não gostam de observadores independentes como é o caso de jornalistas independentes, jornalistas não preparados para escamotear a verdade. Os independentes revelam a verdade o incomoda ao clube dos dirigentes africanos – essa verdade deve-se transformar em teoria de conspiração.

Para os governantes africanos, os governados devem esperar pela vontade de quem tem o poder. E, tudo o que de lá se diz é uma verdade absoluta. Até eles preocupam-se por coisas que para os governados são mesquinhas, pois, há mais garantia de que eles vão revitalizar o seu clube com membros mais robustos do que ao contrário. São escassos os casos em que a transferência de poderes é a favor do povo, isso que teria sido fácil naltura das independências dos país africanos ou com a introdução do multipartidarismo, mas não aconteceu em muitos casos, exceptuando o Botswana e Cabo Verde entre os poucos. Os jornalistas estão a cumprir a sua tarefa e não fazem nenhuma teoria de conspiração.
Leia também aqui

sexta-feira, abril 04, 2008

Na audição pela PIC: Ziqo confirma vídeo pornográfico e chora

O CANTOR moçambicano Ziqo, ouvido ontem pela Polícia de Investigação Criminal (PIC) da cidade de Maputo, confirmou ser ele a pessoa que aparece no vídeo pornográfico com uma jovem de identidade não revelada, acto descrito pelas autoridades como sendo de ultraje à moral pública. Durante a audição, o músico mostrou-se arrependido de ter feito o referido vídeo, tanto mais que chorou perante o agente da PIC encarregue de investigar o caso.

Ao que apurámos, o processo aberto contra Ziqo, de 26 anos de idade e que se fazia acompanhar do seu advogado, Hélder Mathaba, e agente, Bang, foi instruído pela PIC e Ministério Público, após considerá-lo um atentado à moral pública e ao bom nome. Para as autoridades, porque se dá o benefício da dúvida, ainda não há matéria que possa conduzi-lo à prisão.

O delito está previsto Artigo 420 do Código Penal que determina: “O crime escrito ou desenho publicitário ou por outro qualquer meio de publicação, a pena será a de prisão até seis meses e multa até um mês”.

O seu julgamento é sumário, mas, porque faltam alguns elementos por esclarecer no processo, como audição da jovem que aparece no vídeo, sua amiga e o “câmara-men”, bem como a identificação do local do crime e equipamento usado para o efeito, a polícia aventa a hipótese de o mesmo vir a levar alguns dias.

Em declarações à PIC, Ziqo disse que o vídeo foi feito num dos compartimentos da sua casa, em que tomaram parte quatro pessoas. Para além dele e da moça, estiveram um dos seus amigos e autor das filmagens, de único nome Leonildo, e uma segunda jovem amiga da que aparece no filme.

Conforme explicou, o acto aconteceu depois de muita insistência por parte da moça que, se declarando sua fã, insistentemente pediu para que os dois se avistassem, pedido que veio a ser aceite no segundo semestre do ano passado. Ao invés de a jovem fã se deslocar à casa do músico sozinha, fê-lo na companhia de uma amiga.

De acordo com Ziqo, nesse dia acabou envolvendo-se em relações sexuais com a fã e a amiga recusou-se a fazer o mesmo com o amigo do cantor, neste caso o operador do vídeo (Leonildo), alegando não ter gostado dele.

Assim, ainda segundo as declarações do músico, prestadas à PIC, enquanto ele mantinha relações sexuais com a jovem, Leonildo procedia à filmagem do acto e a amiga da fã limitava-se a assistir, mas nua.

Terminado o acto, de acordo com as suas palavras, as duas jovens desapareceram e nunca mais voltou a se cruzar com elas, muito menos manter qualquer contacto via telefone.

Entretanto, segundo Ziqo, a 18 de Agosto do ano passado, foi-lhe roubado o telemóvel que continha o vídeo. O referido larápio é um homossexual que o identificou pelo único nome de Engrácio, que naquele dia esteve em sua casa. Questionado se havia feito qualquer participação do roubo às autoridades da Lei e Ordem, Ziqo não conseguiu justificar, muito menos explicar as razões que o levaram a ficar em silêncio quando o vídeo começou a circular na Internet e em vários telemóveis.

Em breves declarações à Imprensa, o agente do músico, Bang, da Bang Entretenimento, confirmou o rompimento do contrato entre a mcel e o músico. Segundo ele, tal medida não se estende à sua agência e em nenhum momento, segundo as suas palavras, os 13 músicos que fazem parte da Bang Entretenimento irão deixar de prestar apoio ao Ziqo, visto ser este o produtor da maioria dos colegas.

Nos próximos dias, as audiências para este caso prosseguem, devendo a PIC ouvir Engrácio, suposto ladrão do telemóvel de Ziqo, as duas jovens e o autor do vídeo.

Retirado daqui

quinta-feira, abril 03, 2008

Eleições do Zimbabwe IV

Quem são os amputados?

Pelo menos os resultados das eleições legislativas no vizinho Zimbabwe já foram oficialmente publicados pela comissão eleitoral. Estas foram ganhas pelo principal partido da oposição, o MDC do Morgan Tsvangirai. O MDC venceu 99 assentos no parlamento contra os 97 do partido do presidente Mugabe, o Zanu-PF. Isto, enquanto que 10 assentos foram conquistados pelo MDC de Arthur Mutambara e 1 pelo candidato independente Jonathan Moyo, o antigo ministro de Informação do Robert Mugabe, uma vez vaiado pelos jornalistas moçambicanos em Maputo. Esperamos agora com certa (im)paciência os resultados das eleições presidenciais. Para alguns de nós é difícil encontrar a razão da demora do anúncio destes resultados.

Desde que as eleições foram realizadas, a 29 de Março, nunca ouvimos mais o Robert Mugabe a falar. Já deixou de cantar que Tsvingirai e o MDC eram agentes britânicos enquanto que ele e a sua ala do Zanu-PF os nacionalistas? E o que diria ele agora quanto ao povo zimbabweano que não os votou maioritariamente?

Seja como for é razoal dizer que Robert Mugabe já foi amputado. Mas será só e a sua ala do Zanu-PF os únicos amputados pelas eleições zimbabweanas? Isso não parece ser. Há poucas semanas antes das eleições veio o Mammar Kadaffi ao público para dizer que Robert Mugabe devia ser presidente vitalício; para a cimeira UE-África surgiram vozes mesmo em Moçambique em apoio ao Robert Mugabe; Armando Guebuza e José Eduardo dos Santos declaram-se contra conversações directas entre Robert Mugabe e Morgan Tsvangirai talvez naquilo de verem o último (Tsvangirai) um insignificante. E hoje que dizem Mrs Guebas e Zedu?

quarta-feira, abril 02, 2008

Mocambique nao defende seus cidadaos no exterior

constatação de Manuel de Araújo, deputado da RUEMaputo (Canal de Moçambique) – O presidente substituto da Comissão de Relações Internacionais na Assembleia da República (AR), Manuel de Araújo, defendeu em entrevista exclusiva ao «Canal de Moçambique» que "Moçambique ignora a defesa da dignidade de cidadãos nacionais residentes no exterior bem como dentro do seu próprio País". Segundo aquele parlamentar, "devido à postura dos governantes moçambicanos, o nosso cidadão é considerado como sendo de segunda classe no seu próprio País e no mundo, daí o desrespeito que tem merecido no exterior". Manuel de Araújo, que teceu estes comentários em volta de um assunto recentemente reportado pela Televisão de Moçambique, dando conta de que nossos concidadãos estão a ser maltratados por sul-africanos no país vizinho, tendo aparentemente como móbil, de acordo com a referida reportagem a disputa de empregos, dado que os moçambicanos são mão de obra barata e fazem concorrência considerada desleal pelos trabalhadores sul-africanos preteridos. Leia mais aqui

Eleicões do Zimbabwe III

Acompanhe os resultados das eleições de Zimbabwe que estão sendo divulgados pelo
Zimbabwe’s Independent News Agency aqui

terça-feira, abril 01, 2008

Festus Mogae entrega o poder

Festus Magoe Festus Mogae retira-se e entrega o poder a Ian Khama
O PRESIDENTE cessante do Botswana, Festus Mogae, entregou ontem o poder ao novo Chefe de Estado deste país da África Austral, Ian Khama, numa transição tranquila que contrasta com os cenários políticos de outros países do Continente Africano

Leia: mais

Eleicões do Zimbabwe II

O Bosse está a juntar no seu blog muitos artigos de notícias e opinião interessantes sobre as eleicões no Zimbabwe. Leia por exemplo este:
Mugabe e Africa Austra . Também leia o artigo do chapa100 e os do diário de um sociólogo

segunda-feira, março 31, 2008

As eleicões do Zimbabwe

Eleicoes zimbabweanas : ZANU/PF e MDC em luta renhida - indicam os primeiros resultados que entretanto davam ontem uma escassa vantagem ao partido no poder

O ANUNCIO dos resultados oficiais da eleição dos membros do Parlamento continuou noite a dentro devido á lentidão no processo de verificação dos votos das harmonizadas eleições de sábado no Zimbabwe. Entretanto, até às 19.30 horas de ontem tinham sido divulgados os resultados de 52 dos 210 círculos eleitorais, a ZANU/PF seguia em frente com 26 deputados eleitos, contra 25 da facção do MDC, de Morgan Tsvangirai, e um do MDC, de Arthur Mutambara. Os dados oficiais da eleição presidencial só poderão ser anunciados ao longo do dia de hoje, mas Tsvangirai e o seu partido declaram-se ja vencedores do escrutínio.

Até aqui, a ZANU/PF perdeu um dos seus bastiões, Makoni Central, círculo eleitoral do ministro da Justiça e Assuntos Legais e Parlamentares Patrick Chinamaza, a favor do MDC, de Tsvangirai.

A ZANU/PF tem estado muito longe da Imprensa, contrariamente ao seu rival, o MDC, facção de Tsvangirai, que ontem voltou a convocar a Imprensa para dizer que já esta a pensar na formação de Governo e disse que estava desapontado com a lentidão no anúncio dos resultados oficiais.

Um comunicado do “Independent Results Centre” dava vitoria a Tsvangirai, com 58 por cento, seguido de Mugabe, com 37 por cento; o MDC/Tsvangirai, com 62 por cento e a ZANU/PF com 26 por cento.

Espera/se que os resultados da eleição presidencial sejam conhecidos ao longo do dia de hoje, como prometeu ontem o presidente da Comissão Eleitoral do Zimbabwe (ZEC), George Chiweche. Este indicou que a instituição que dirige precisa de dois dias para anunciar todos os resultados, dada a dimensão destas eleições em que os zimbabweanos foram às urnas para eleger, em simultâneo, um presidente, membros das duas camarás do Parlamento, e representantes locais.

Entretanto, o grupo de observadores da COMESA, da União Africana e da SADC procuravam ontem harmonizar as suas conclusões sobre a avaliação das eleicoes de sábado no Zimbabwe, de forma a produzirem um relatório único.

No entanto, a missão de observadores da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) considerou as eleicoes harmonizadas do sábado no Zimbabwe como pacíficas e credíveis e apelou aos partidos políticos e candidatos concorrentes a respeitarem os resultados do escrutínio.

Num pronunciamento que pareceu mais individual do que de grupo, segundo fontes bem situadas, o chefe dos observadores da SADC, o ministro angolano da Juventude e Desportos, Marcos Barrica, disse que as eleicoes foram caracterizadas pela tolerância e paz e respeitaram os padrões e os princípios da organização regional sobre a matéria.

Barrica disse ser esperança da missão que os políticos zimbabweanos continuem a cooperar e a pautarem pela responsabilidade mostrada ao longo da campanha, considerando que independentemente de quem vencer, ]e preciso respeitar a vontade do povo zimbabweano.

A missão identificou preocupações que, segundo o governante angolano, deverão ser corrigidos nos próximos pleitos eleitorais, como, por exemplo, o acesso desproporcional do acesso aos meios de comunicação pelos diferentes candidatos.

Lázaro Manhiça, em Harare

Fonte: Jornal Notícias

O Comportamento inaceitável do Zico ou Ziqo

Não tenho como evitar um assunto que mexe a minha cabeça como o de um cantor de moda em Moçambique, promovido a star na telefonia móvel como o savana o descreveu. Antes de eu dizer o que está no meu cérebro, quero dizer que fiquei esperando o que vinha dos de tantos que já foram críticos da Dama Bling por mostrar as suas pernas ou para em busca de razão humana por ela ter remexido, remexido a barriga, enquanto estava grávida, ou a Neyma pelos seus olhos azuis. E para já é também importante referir-me da crítica incessável ao Azagaia vinda da classe académica e ou política. Mas o Azagaia transmite uma mensagem à nação de luta contra certa atitude inaceitável de certos governantes, responsáveis pela destruição do nosso tecido social.

O Zico ou Ziqo agiu duma forma inaceitável. Não podemos fazer de contas que não vimos isso. Um artista que devia ser o exemplo de sucesso para os nossos jovens não devia estar a produzir filmes pornográficos como ao que vimos. Até me interrogo se aquela mulher jovem foi voluntariamente filmada a fazer relações sexuais assim visivelmente. Se foi voluntariamente sabia ela da consequência como está de voluntaria ou invonluntariamente estar a assistí-la? Alguma medida correctiva devia se tomar pela sociedade. A medida tomada pelo Mcel é muito correcta entanto que é uma empresa. Resta saber o que mais se fará para marcar-se a fronteira entre o que aceitamos e o que não aceitamos.

domingo, março 30, 2008

O homem branco é salvador da mulher negra?

A nossa escritora Paulina Chiziane acaba lançando um livro que ainda não o li, mas julgo-o de muito interessante por ela abrir mais um espaço para debate social em Moçambique. No título de um artigo que retirei do Mocambique para todos vem: Muitas mulheres moçambicanas olham homem branco como salvação. Isso por si é interessante.

Também me interrogo pela afirmação de que a província da Zambézia tenha a maior miscigenacão. O que dizem as nossas estatisticas, os nossos sociólogos, historiadores ou todos esses estudiosos das ciências socias? Revelam este segredo? E se não, porquê? Disto recordo-me de a Zambézia ter sido considerada a província com mais assimilados ou cidadãos com nacionalidade portuguesa na altura da independência nacional. E o que aconteceu a esses concidadãos? Há quem ousa estudar esse fenómeno?

O título também me lembra do Ualalapi que li há muitos anos atrás sobre como a mulher indígena era usada sexualmente pelo homem branco. Haverá alguma contradição? Será que a mulher indígena, a negrita, que se metia com homem branco, fazia isso voluntariamente, isto é, era para fazer filhos mulatos que escapassem do xibalo ou escravatura? E (todo) o homem branco que se metia sexualmente com uma mulher negra/indígena era de facto por amor? Se pus o todo entre parenteses é porque de facto conheci homens brancos que se casaram com negras por amor embora não saiba se as negras aceitaram os brancos como uma salvação ou por amor.

Profundamente indo, podemos reflectir do porquê no tempo colonial era difícil que um homem negro se casasse com uma mulher branca? Indo aos factos, parece que isto mudou ou ficou equilibrado depois da independência. Mas teria isto mudado por uma declaracão? Porquê agora e não antes?


Há algo a reparar, pois enquanto uma mulher portuguesa de cor branca, era até 1975 difícil de se casar com um moçambicano negro, hoje há muitas mulheres, principalmente doutros países que Portugal que se casam com negros moçambicanos. Como se explica isto?

domingo, março 23, 2008

Túnel sem luz

Mais uma vez trago aqui um artigo de um dos meus cronistas mais favoritos. Deliciem, caros leitores do reflectindo sobre Mocambique

A talhe de foice

Por Machado da Graça

Neste nosso bizarro mundo político estamos a assistir a um fenómeno interessante: Por um lado, temos as duas principais figuras do Estado, o Presidente da República e o Presidente do Parlamento, a fazer análises políticas, de alguma forma auto-críticas, das razões que levaram às manifestações de Fevereiro e à onda de linchamentos a que continuamos a assistir.
Por outro lado temos uma quantidade de gente, na área do Poder (no Estado ou no partido Frelimo), a dizer uma série de disparates para justificar os mesmos acontecimentos, em que aparecem sempre, com destaque, as famosas mãos estranhas.
Segundo o Canal de Moçambique, Guebuza terá dito: “As manifestações que aconteceram em Maputo no passado dia 5 de Fevereiro e que certamente todos acompanhámos, e que alguns chamaram de greve e outros de tumultos sociais se devem ao facto de o povo estar cansado de sofrer e servem de lição para que se redobrem esforços na mitigação dos problemas de que padece o país..”
Por seu lado Eduardo Mulembué terá dito: “As questões relacionadas com a pobreza urbana têm recebido pouca atenção em Moçambique, embora a taxa de pobreza urbana seja elevada e a desigualdade urbana esteja a subir. Nos bairros de Maputo o desemprego, criminalidade e altos custos da alimentação, habitação e terra inibem os pobres de converterem o progresso na educação e saúde em rendimento e consumo melhorados. Num contexto onde o dinheiro é uma parte integrante da maioria das relações sociais, os mais destituídos tornam-se marginalizados sem ninguém a quem recorrer. A subida da pobreza urbana e desigualdade em Maputo causam também um impacto adverso nas relações vitais urbano-rurais e podem por em perigo a estabilidade política.”
Outras vozes, do lado da Frelimo, se fizeram igualmente ouvir. Uma delas foi a do antigo Ministro da Saúde, Dr. Fernando Vaz, que afirmou: “Só quem não olha muito profundamente para os problemas do povo é que pode ter fé que isto está bem. Nada disso. Na verdade nada está bem e o país vai mal. Se pretendermos explicar a génese do problema, veremos que não há um factor só para este tipo de manifestações. (...) Penso que os sociólogos já disseram tudo e avançaram com algumas ideias. Não há outra hipótese se não o governo olhar para as condições sociais das pessoas. Têm que se criar políticas sociais e para isso os governantes devem ter criatividade. Isto não é tarefa fácil e que se resolve do dia para a noite, com o pagamento de gasolina aos chapas. As manifestações são produto de um movimento espontâneo e não orquestrado. As pessoas reclamam porque não têm e nunca sabem quando as terão.
Como é óbvio não se trata de vozes de marginais irresponsáveis. Trata-se de pessoas que olham para os problemas sem os simplismos de quem nem sequer reconhece a existência de problemas quanto mais ter capacidade para encontrar soluções para esses problemas.
E aqui acabamos por encontrar um dilema que poderá estar na base de tudo isto: Por um lado o actual sistema político exige a existência de um partido forte que permita ganhar eleições e manter o Poder político para implementar estratégias e tentativas de solução.
Por outro lado a organização partidária da Frelimo foi destruída e transformada numa mera máquina de conquistar votos, seja lá como for. Sem consistência ideológica e sem quadros dedicados a uma causa que não seja o seu próprio enriquecimento pessoal. A reflexão política foi substituída pelo arrivismo, pela procura dos benefícios pessoais e pelo desprezo pelos problemas dos outros. Pelos problemas da maioria dos moçambicanos.
E, quando ouvimos comentários como os que se transcrevem acima, já estranhamos, já nos parecem coisas de um outro mundo há muito ultrapassado e esquecido.
Ao contrário dos primeiros anos da Independência, em que nos diziam para pensarmos e encontrarmos soluções, agora dizem-nos para não pensarmos muito e votarmos em quem nos dá camisolas, bonés ou pasta para os dentes. Mesmo que esses produtos cheguem ao país em contentores contendo contrabando para algumas figuras do partido.
Isto para além de haver locais onde, para ganhar as eleições, se expulsam os fiscais da oposição e se atulham as urnas com votos a favor do partido dirigente. E fique toda a gente impune apesar de estes dislates serem denunciados e provados.
A sensação que fica é que a direcção da Frelimo teve muito trabalho a rodear-se de gente que não faz ondas, obedece e cumpre o que lhe mandam, afastando assim as cabeças pensantes mais solidamente formadas em termos ideológicos.
Se tivéssemos uma oposição capaz eu diria que era tempo de a Frelimo passar um mandato ou dois fora do Poder para se voltar a encontrar e voltar a saber o que quer e como lá quer chegar.
Como não temos, não vejo solução a curto prazo. Sou francamente pessimista.
A terceira força não surgiu e, portanto, continuamos sem saber se devemos ficar na frigideira ou se devemos saltar fora e ir cair no fogo.
Só que, continuando as coisas assim, tenho a desagradável sensação de que vamos viver cada vez mais momentos de desassossego e violência no nosso dia-a-dia.
Sem que se veja a famosa luz ao fim do túnel...
SAVANA – 21.03.2008

quinta-feira, março 20, 2008

rotatividade política?

Essa de rotatividade não entendi ou claramente dizendo, fiquei confuso. Falar de rotatividade gera muita confusão para mim, pois que, uma rotatividade num sistema político é diferente da do sitema solar. Falando de rotatividade política até dá-me outras dores de cabeça porque sei que é na sua falta que tudo está parado em Mocambique. Parece-me que haja quem pense que uma estação do ano deva obrigatoriamente ser igual a uma geracão humana. É que por exemplo a Primavera reaparece depois de cada ano, mas geracões humanas são sempre diferentes

Concordo com ideia do ex-general Malaqueta de rotatividade, mas como se faria e como vai-se fazer? Respeitando as regras do AGP de Roma ou voltando ao regime de partido único???

Não haverá aqui uma razão para suspeitar que a remodelacão ora feita tenha um único vítima???: Mateus Ngonhamo, pois que o Lagos Lidimo pode ser nomeado a qualquer coisa no governo da Frelimo. Mas se ser moçambicano não é necessariamente ser membro e simpatizante das rufadas do batuque e a massaroca, não há razão de vermos Mateus Ngonhamo nas ruas ou baracas de Maputo. Ngonhamo elevou o seu nível académico, muitos de nós sabem. Entretanto, se isso acontecer, Ngonhamo não será a primeira prova da frelimizacão da cidadania mocambicana. Tivemos o caso do falecido Eng Domingos Pilale que não só ele foi vítima, mas também a esposa sob campanha aberta do dono da Frelimo. Temos o caso do Benjamim Pequenino, mestrado em governação e desenvolvimento, na Grã-bretanha e acima de tudo mostrou individualmente o melhor desempenho dum dirigente moçambicano ao reogarnizar efectiva e examplarmente os Correios de Moçambique. Entretanto, Benjamim Pequenino, de pessoa muito grande e que devia ser muito mais, foi feito de de mais pequenino. E assim é o governo de Armando Emílio Guebuza.
Uma das coisas mais interessantes na teoria de comspiracão em Mocambique é acontecer tudo o que se prevê. Falou-se há meses duma possível vassoura nas FDM onde Mateus Ngonhamo seria um dos vítimas e aconteceu. Fala-se de o Presidente da República nunca vir a exonerar o ministro-cunhado responsável pelas mortes em Maputo e de facto não o faz.

quarta-feira, março 12, 2008

A Renamo e o futuro

Por Jeremias Langa
10/08/2007

A Renamo está, esta semana toda, concentrada no seu burgo, na Beira, a fazer aquilo que poucas vezes fez nestes 17 anos todos em que se transformou em partido político: revisitar os seus processos, estratégias e preparar-se para os grandes embates que a esperam. Dir-se-ia, em outras palavras, que a Renamo finalmente compreendeu que os seus sucessivos desaires eleitorais não surgem por acaso. Mais importante ainda, a Renamo parece perceber, agora, a dimensão das suas responsabilidades no xadrez político nacional.

É um sinal encorajador para a nossa democracia este súbito despertar da Renamo, porque é um partido com uma base de apoio considerável no país e, apesar das suas fraquezas estruturais, é o pilar que faz o contraponto ao quase hegemónico poder da Frelimo. Quer queiramos, quer não, temos que aceitar que com uma Renamo enfraquecida, a democracia fica permanentemente em perigo em Moçambique.

A Renamo habituou-se a culpar a Frelimo pelas suas derrotas. Perdeu eleições? É porque a Frelimo fez fraude; os seus membros desertaram? A Frelimo aliciou-os. Todas as coisas menos boas da Renamo aprenderam a ter um e único rosto: a Frelimo. Dito de outro modo: a Renamo nunca assumiu as suas fraquezas e responsabilidades no seu próprio insucesso. Eles foram sempre culpa dos outros. Este foi sempre o maior inimigo da Renamo.

O Conselho Nacional que realizou na Beira, esta semana, e a reunião da sua Comissão Política marcam uma viragem importante na forma de ser e de estar da Renamo, que ameaçava se transformar num partido monárquico, onde o presidente quer, pode e manda ante o olhar impávido e sereno dos órgãos e militantes do partido! Mas as reuniões da Beira foram apenas o começo. De agora até 16 de Janeiro de 2008, a Renamo tem que provar até que ponto os seus militantes são capazes de pôr em prática as estratégias definidas nos encontros de Chiveve. Aliás, as eleições provinciais são uma excelente oportunidade para o maior partido da oposição testar o seu grau de popularidade junto do eleitorado.

Mas um conselho nacional não substitui um congresso. O congresso é o órgão máximo em qualquer formação política e a ele cabe tomar as decisões de fundo do partido, como a estratégia eleitoral. Sobretudo num ciclo de eleições como o que vamos ter, a Renamo devia ter feito tudo o que estava ao seu alcance para realizar o seu 5º congresso antes de ir a eleições, mas não fez. A desculpa de que não tem dinheiro não chega para justificar (mais um) adiamento. Num congresso, os militantes têm, através dos seus delegados, a oportunidade de escolher quem acham que melhor os pode dirigir, e uma liderança partidária legitimada pelo voto do congresso é uma liderança fortificada para atacar as eleições.

Para além das provinciais, próximo ano também haverá eleições autárquicas, pelo que um congresso na última semana de Junho pode não ser uma boa opção estratégica para a Renamo. Primeiro, porque terão passado seis meses após a realização das “provinciais”, isto é, será tarde demais para analisar o que se terá passado nestas eleições e, a partir dos erros, perspectivar-se a sua correcção tendo em vista as autárquicas e gerais. Segundo, o congresso pode “cair em cima” das eleições autárquicas, não dando muitas chances ao congresso de engendrar uma nova estratégia.

Por tudo isso, creio que, não conseguindo realizar o seu congresso antes das eleições provinciais, a Renamo o deveria ter agendado para logo a seguir a estas eleições. Mas os militantes da Renamo sabem melhor que eu com que linhas se cose o seu partido.

Fonte: País online

Where are the Frelimo bloggers?

It is striking that the Mozambican blogosphere is dominated by creative, bright, alert and sharp Renamo sympathisers. Are the Frelimistas hiding, are they shy or don't they feel at ease demonstrating where they belong?

It's about time you come out from your closets, camaradas!

Fonte: Bosses blog



Fazendo uma traducão livre:

É impressionante que a blogosfera moçambicana está/é dominado por simpatizantes creativos, brilhantes, atentos e simpatizantes alertos da Renamo. Os frelimistas estão a se esconder, são tímidos ou não sentem na facilidade de demonstrar onde pertencem?
É tempo de vocês sairem dos vossos armários, camaradas!


A Renamo e o futuro – opinião do Jeremias Langa

Nas próximas horas vou postar integralmente aqui no Reflectindo sobre Moçambique, o artigo do jornalista Jeremias Langa, publicado no dia 10 de Agosto de 2007, no País onlíne.

quarta-feira, março 05, 2008

Quem pode fazer parar isto?

O governo da Frelimo, sem dó nem piedade, está decidido em dar emprego com bons salários e regalias aos seus membros. É exactamente aquilo que em linguagem popular se chama de: the job for the boys. O governo da Frelimo não precisa de pensar de tantos desempregados em Mocambique; de professores e enfermeiros com salários miseráveis e sem moradias decentes e muito menos de que o orcamento geral do estado é sustentado pelos doadores. Ao que interessa este governo é dar trabalho a todo e qualquer que levanta mais alto o punho e diz: Viva a Frelimo. Eis que hoje aparece mais uma notícia em que diz que as localidades terão representante do Estado. E, eu pergunto se em Mocambique não há quem possa fazer parar isto que constitue apenas um esbanjamento dos poucos recursos que temos. Leia mais
aqui do jornal notícias

domingo, março 02, 2008

Oposicão requer um trabalho visível para ter impacto

O Miradouro escreveu uma série de 4 pequenos artigos com o título: Oposição requer um trabalho visível para ter impacto. A série é importante por alertar à oposição no que deve fazer para mudar o estado em que o nosso país está mergulhado. Leia aqui

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Quando o poder é do povo eles têm nomes

Por Pedro Nacuo

EXTRAS - O que é isto?

Está a pegar moda a população correr para uma democracia efectiva. Por outra, quer exercer o poder que se diz pertencer-lhe. Cabo Delgado, desta vez, também está a ser pioneira: só neste ano, primeiro foi em Palma e agora em Meluco. Pede, de dia, em plenos comícios populares, a retirada imediata de administradores. Quer provar até onde vai o seu poder.
Trata-se de um fenómeno que tem a desvantagem de alterar a ordem das coisas, já que, nesta fase do exercício democrático no nosso país, ainda os governadores, administradores e outros, devem ser “impostos” por quem tenha sido eleito. Daí o nepotismo, o amiguismo, em algum momento, um certo regionalismo, que envolveram a utilização do fundo dos sete (agora nove) milhões de meticais, destinados às iniciativas locais.

Quais são as razões que assistem à população de Meluco, que lhe fizeram despir o seu lado tradicionalmente tolerante, para pedir a Eliseu Machava levar consigo o seu administrador, Vitorino Benjamim Chaúque! Que deveria ir, naquele dia, e que se não houvesse lugar nas 10 viaturas da comitiva, se encarregava em localizar uma que se encontrava parqueada na sede do Partido Frelimo?

Chegaram os primeiros sete milhões de meticais. A população disse que não percebeu como se correu a investir numa antena parabólica, um tractor, um carro-aviário, principalmente porque a antena serve apenas ao administrador; o tractor ainda não lavrou; o carro dizem que nem sabe para quê serve, e ainda assim, o furo que constava do programa para aquele lote, dizem que transitou para este ano.

A única transparência que a população facilmente consegue identificar é que o dinheiro foi distribuído entre os membros do governo distrital e outros assalariados dependentes de instituições do Estado. E o povo disse o que disse:

Que José Muchanga, um escriturário da administração local, na companhia de Cabral Anli, é que estão sentados em cima da “mola”, confiados pelo Conselho Consultivo Distrital (?). Só dão dinheiro a quem lhes dá alguma percentagem do valor total, assim como falsificam dados. Recebeu 100 quem recebeu 50 mil meticais!

Que Hermenegildo Matola, agente da PRM, veio transferido de Maputo, directamente para o distrito rústico de Meluco. Sete meses depois já era elegível junto do Conselho Consultivo Distrital e beneficiou de 150 mil meticais. Imediatamente a seguir voltou para Maputo, alegando ir passar férias. Ainda não regressou passam já quatro meses. Desconfia-se que “abriu” de vez. Vinha pegar o “taco” em Meluco.

Que o anterior chefe distrital da Polícia de Investigação Criminal (PIC) de nome Assane, beneficiou de um montante de 50 mil meticais, depois do que foi transferido para Mecúfi, onde se pensa irá aplicá-lo. Tal como Assane, outro indivíduo de nome Gomes, que também trabalhava em Meluco, agora está em Montepuez, onde comprou um “mini-bus” com que está a fazer dinheiro para si, beneficiando não a população de Meluco.

Que Abdul Salimo, funcionário da administração do distrito, recebeu o dinheiro do fundo de investimento das iniciativas locais e foi aplicá-lo em Awasse, localidade pertencente ao distrito de Mocímboa da Praia, sua terra natal. Que, finalmente, o anterior secretário permanente, Jaime Raimundo, beneficiou do fundo e logo foi transferido para Ancuabe. Levou consigo a “mola”!

Em todos estes casos fica difícil saber como serão justificados os valores levantados, mas é fácil saber que eles o foram ao gosto de quem montou esta engenhosa estratégia. Não se chama a isso, desorganização? Merece outro nome?

O administrador?! Sereno e impávido corre a dizer que está com a consciência limpa. Que correm processos. O disciplinar, entretanto, tem como instrutor um beneficiário destas falcatruas, o director distrital da Saúde, que igualmente faz parte do grupo dos funcionários públicos confiados pelo Conselho Consultivo Distrital para produzir comida, gerar emprego e rendimento.

Para dar razão às suspeitas populares, há oito meses que o processo disciplinar não é concluído, nem o instrutor é punido pelo incumprimento dos prazos processuais, conforme mandam as normas e demais regulamentos. É, por outro lado, sintomático, que a Frelimo tenha entrado neste caso, denunciando os desvios e ajudando, inclusive, por via do seu comité de verificação, os prejudicados.

Seja o que seja, tendo em conta os objectivos do dinheiro de investimento às iniciativas locais, estamos perante uma orgia que não parece ter sido planificada por curiosos. Por isso, tem lugar a pergunta: o que é isto?

Fonte: Jornal Notícias

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Governo, FEMATRO e chapeiros (1)

Ao acompanher a greve dos chapeiros, em Maputo, voltei a ler o que a 7 de Fevereiro eu havia escrito e me interrogado e o comentário da Ximbitane que num resumo fala da problematica dos transportes públicos em Maputo. Éis o comentário .

Reflectindo, deveras interessante as questões levantadas. Já me havia posto algumas das questões que constam neste artigo.

A meu ver, o público manifestante só sai a ganhar se ao manterem-se os preços respeitem-se as rotas determinadas, pois essa era uma das grandes questões da manifestação.

A FEMATRO fala dum estudo feito, a seu pedido, não sei a que instituição ou analista, que concluiu que a subida os preços do combustivel no mercado internacional estavam a desequilibrar as contas dos chapas por cá.

A alternativa é a subida do proço das tarifas, muito certo! Logo vê-se que a preocupação dos chapeiros é de longe o bem estar e conforto dos utentes dos mesmos, apenas o seu proprio bolso.

No que concerne a distribuição dos tais subsidios governamentais, hummm..., prevejo muita confusão.

Primeiro no seio dos proprios chapas, que já mal gerem as tarifas diarias (que supunha-se ser uma fonte para a renovação das frotas dos membros)e segundo do Governo (a nao ser que o Ministerio sugerido pelo Reflectindo seja criado para o efeito!!!).

Nampula : Público questiona papel dos secretários permanentes

REPRESENTANTES de diferentes segmentos da sociedade civil em Nampula manifestam-se agastados com o que consideram de excesso de burocracia e burocratismo nas secretarias distritais, e atiram culpas aos secretários permanentes indiciando-os de nada fazerem para corrigir as irregularidades.

Reunidos recentemente naquela urbe, os mesmos apelaram aos secretários permanentes distritais para envidarem esforços visando a melhoria da qualidade de prestação de serviços à população. Este facto, segundo vincaram, passa necessariamente pela adopção de mecanismos de coordenação das actividades a serem implementadas com os respectivos administradores distritais.

Disseram que a expectativa que se gerou em torno da criação da figura de secretário permanente distrital era de libertar o administrador da carga de trabalho a que estava sujeito. Pelo contrário, segundo acrescentaram, o efeito disso é contrário.

Agira Muanema, representante de uma organização social baseada em Memba, disse que o secretário permanente local tem demonstrado falta de articulação com o respectivo administrador, na execução das actividades planificadas.

Estou contrariada com a criação da figura de secretário permanente distrital porque, pelo menos em Memba, a mesma vem complicar a vida da população. Os períodos relativamente curtos que esperávamos para um encontro com o administrador, agora viraram longos períodos como se nada a fazer tenhamos. Isto é mesmo um calvário. Alguma coisa tem de mudar, referiu.

Por seu turno, Américo Jacinto, da Associação para o Desenvolvimento Comunitário (ADEC) em Nampula, afirmou que sendo o papel do Estado, através das suas instituições, como as secretarias permanentes, garantir uma prestação de serviços cada vez adequada a dinâmica do desenvolvimento que o país vem registando em, vários domínios, é inadmissível que se criem esses órgãos para complicar a vida do cidadão.

Por exemplo, algumas actividades programadas pelas organizações da sociedade civil ao nível dos distritos onde a ADEC tem projectos em curso, ficam por implementar ou acontecem tardiamente devido à descoordenação que caracteriza o relacionamento entre o secretário permanente distrital e o administrador, denunciou Américo Jacinto.

O deputado da Assembleia da República pela bancada da Frelimo Alfredo Gamito, que esteve a moderar o encontro disse haver várias percepções sobre o desempenho do Governo e seus órgãos por parte da sociedade civil e ajuntou que as críticas feitas devem servir de factor motivador para a melhoria da prestação de serviços ao público.

O encontro tinha igualmente como finalidade, a divulgação dos resultados da auscultação das pesquisas no quadro do Mecanismo Africano de Revisão de Pares (MARP).

Fonte: Notícias

domingo, fevereiro 24, 2008

Dhlakama recorre a Franciscanos

Para realizar seminário com seus membros

Percorreu toda cidade de Quelimane até “cair” nas mãos dos padres. Quando o líder da Renamo-União Eleitoral, Afonso Dhlakama, chegou a cidade de Quelimane, afim de realizar mais um encontro com os seus membros, tal como veio fazendo na Beira, Nampula e por ai fora, de repente as casas que têm acolhido este tipo de eventos, simularam que estavam ocupadas. Leia mais

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Respostas as preocupações ?

As minhas dúvidas em relação às manifestações populares, essas que alguns indivíduos intencionalmente chamam de tumultos ou vandalismo, têm tido algumas respostas. Por vezes, as respostas são em forma de outras perguntas, outras são em forma de uma análise ou uma combinação de questionamento e análise. É também uma forma de resposta as manifestações de Chokwè, Chibuto, Jangamo, Manjancaze, na zona sul do país e em áreas fora da capital. Espero que não se pense que as populações do centro e norte de Moçambique estejam satisfeitas ou com medo de reagir como estas do sul. O que a população daquelas zonas um pouco afastadas da capital mostrou, é de que ela tem os mesmos problemas dos concidadãos que vivem em Maputo e Matola. Esses problemas são semelhantes aos das zonas centro e norte. Neste caso, foi logo uma crítica ao que Nelson Scott no blog do Manuel de Araújo chamou por penso rápido, isto é, à decisão de o governo subsidiar aos chapeiros da cidade capital, sem ter em contam aos restantes do país inteiro. Segundo O País online, a reclamarem pelo subsídio, estão também os transportadores inter-provinciais e distritais. Sobretudo, receiar que o tal subsídio venha alimentar aos predadores, não é apenas o meu problema como se pode ler no blog A voz do povo
Uma das perguntas que fiz no post anterior foi sobre o motivo de aumento incrível de tarifa das chapas, quase na ordem de 50 %. Na minha opinião, isto não pode depender apenas do último aumento do combustível ou só do preço do combustível. Nesta pergunta encontro resposta na análise do Eugénio Chimbutane, no seu blog racionalidade económica ao falar dos problemas de infra-estruturas e ou estradas e mesmo de investimento e ou crédito, leia aqui. As condições das estradas elevam os custos dos chapeiros para manterem os seus carros em funcionamento. Eles têm que substituir as peças dos carros com mais frequência porque se desgatam rapidamente e com frequência. Gastam mais tempo a fintarem os buracos, etc. Contudo, o problema de infras-estrutura pode em si não ser combustível para atiçar uma manifestação daquela. Era preciso que a crise abalasse à maioria das populações para ser ela a fazer uma manifestação que mexesse os governantes.
Quanto à falta de investimentos e ou créditos, já Eugênio Chimbutane explica-nos que um chapeiro com menos de 5 carros não consegue operar neste negócio por muito tempo, porque a margem do lucro, não dá para manter os carros a funcionarem.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Qual é o problema em Chiúre?

Qual é o problema em Chiúre?

O delegado provincial da Renamo em Cabo Delgado e o deputado Cornélio Quivela, diz que o presidente Afonso Dhlakama, de passagem por Chiúre, ofereceu a grupos de dança uniformes constituídos de capulanas e aos anciãos que são da simpatia da Renamo distribuiu camisas, calças e chapéus, do mesmo tecido e cor. Entretanto, o administrador-substituto, António Ntchonho, chama de distribuicão de uniforme a líderes comunitários. Outro caso, interessante é a problematizacão de bandeiras. Leia mais

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

O Povo Saiu da Garrafa

Já que andamos duvidosos, que tiremos ilacão no seguinte:

"O Povo Saiu da Garrafa”


Nos últimos dias há um novo Ditado que circula em Moçambique, principalmente nos principais centros urbanos, fazendo referência a manifestação popular da semana passada em Maputo, em protesto ao anúncio do agravamento das tarifas dos transportes semi-colectivo de passageiros.
“O Povo Saiu da Garrafa” é o novo Ditado que corre de maior frequência nos chapas. Estudiosos já tentam interpretar isso de múltiplas maneiras, mas pare-ce que a expressão remete para o sentido de liberdade ganha, dos direitos afirmados. Por outro lado, é também importante saber que existe localmente a crença de que os feiticeiros são capazes de engarrafar pessoas, quer dizer, são capazes de meter pessoas dentro de garrafas (alguns académicos também acreditam nisso).
O AUTARCA - 15.02.2008