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quinta-feira, maio 01, 2008

Quatro ou cinco homens, a mesma história (4)

Didier Ratsiraka

Didier Ratsiraka foi presidente de Madagáscar de 1975 a 2002 com interrupção entre 1993-1997. Muito se pode estudar sobre este homem como é o caso do massacre de 10 de Agosto de 1991, mas não é a isto que dedico os artigos desta série, mas sim sobre os golpes palaciais em África depois das eleições, como se concretizam e quem os concretiza.

Nas eleições presidenciais de 1993, Ratsiraka perdeu a favor do líder oposicionista Albert Safy que foi impugnado em 1996. Ratsiraka recandidatou-se as eleições de 1997 e venceu-as com uma pequena margem ao seu adversário Safy.

Nas eleições de 2001, Ratsiraka perdeu a favor de Marc Ravalomanana. Segundo o Governo, Ravalomanana obteve 46 % enquanto que Ratsiraka 40 %, exigindo o último uma segunda volta. Por seu turno, Marc Ravalomanana alegando ter ganho com mais de 50 %, para evitar a segunda volta, toma posse em Fevereiro de 2002 e deste acto eclode uma guerra entre os apoiantes dos dois. Em poucos meses Ravalomanana ganha o controle do país e Ratsiraka exila-se na França levando consigo oito milhões de dolares do banco central em Toamasina.

Algo que muito estranho nas eleições de 2001, em Madagáscar, foi o facto de o tribunal supremo, que declarara os resultados que obrigavam a uma segunda volta entre Ravalomanana e Ratsiraka, declarar depois o primeiro como vencedor com mais de 50% na primeira volta.


segunda-feira, abril 21, 2008

Quatro ou cinco homens, a mesma história (3)

Sani Abacha
Sani Abacha é a continuidade de Ibrahim Babangida e que até podia não ser interessante nesta série, razão pela qual o título inicial é quatro ou cinco homens. Porém, há factos importantes que marcaram o regime de Abacha e até ao fim deste.
A 17 de Novembro de 1993, o governo interino de Shonekan apresentou a sua demissão devido a problemas políticos e sociais na Nigéria, ainda que a Suprema Corte o declarasse inconstitucional. Nesse mesmo dia, o Tenente General Sani Abacha, proclamou-se Chefe de Estado da Nigéria e manteve-se à frente do Ministério da Defesa assumindo também o cargo de chefe das forças armadas.

Em Junho de 1994, o presidente eleito e golpeado, Moshood Abiola foi preso. A prisão do Abiola provocou a greve de petroleiros e de outros sectores de produção na Nigéria. Para meter medo, o governo de Sani Abacha executou muitos dos seus opositores entre eles 60 oficiais que participaram num movimento contra o ditador.

A execucão por enforcamento do activista Ogoni Ken Saro-Wiwa, a prisão do presidente eleito Abiola e do general Olusegun Obasanjo, a condenação em "abstentia" do proeminente escritor Wole Soyinka, o banimento dos partidos políticos e o controle da imprensa, foram alguns dos pontos mais altos do regime ditatorial de Sani Abacha.

Abacha morreu subitamente em Junho de 1998 e o chefe do Estado Maior Abdulsalami Abubakar foi empossado Presidente da República. Abubakar rapidamente anunciou a transição do país à democracia o que permitiu que Olusengun Obasanjo fosse democraticamente eleito Presidente da República

Fonte: ver aqui e

sexta-feira, abril 18, 2008

Quatro ou cinco homens, a mesma história (2)

Ibrahim Babangida
Quando em 1993, o Reino Unido e os Estados Unidos da América suspenderam a ajuda militar e congelaram as relações diplomáticas com a Nigéria, sob regime ditatorial do general Ibrahim Babangida, este viu-se forçado a promover eleições presidenciais que já vinham sendo adiadas e que realizaram-se a 12 de Junho de 1993.

Nessas eleições, Bashir Tofa, candidato pessoal do ditador Ibrahim Babangida ou da ala governamental, foi derrotado pelo empresário oposicionista Moshood Abiola. Posto que o candidato do regime nao foi eleito pelo povo nigeriano, Babangida anulou as eleições, alegando fraude.

Dois meses depois, fingindo vontade em deixar o poder, Babangida nomeiou Ernest Shonekan para presidente do governo interino a que chamou de GUNN (Governo da Unidade Nacional da Nigéria) e que duraria até Fevereiro de 1994. Neste governo, Sani Abacha é nomeado Ministro da Defesa.

Fonte: Aqui

segunda-feira, abril 14, 2008

Quatro ou cinco homens, a mesma história (1)













O que se está a passar no Zimbabwe é apenas uma repetição do muito que se passa na nossa África. Alguns casos são ou foram bem visíveis e convincentes tanto mais que à nossa história, a história de África e a do mundo inteiro, não se lhe escapou registar com letras garrafais.

Alguns escaparam e outros foram apenas registados por algumas pessoas que o quiseram fazer ou o viram com outros olhos. O nosso próprio país tem muitas histórias relacionadas com as eleições. Infelizmente são histórias registadas por quem o quis fazer ou teve o cuidado em distinguir o estranho, isto é, o normal do anormal.Entre os casos bem registados, na nossa história, está a Nigéria de Ibrahim Babangida e depois Sani Abacha, o Madagascar de Didier Ratsiraka, o Quénia de Mwai Kibaki e o agora recente Zimbabwe de Robert Mugabe.Para ver-se a analogia, entre os quatro ou cincos homens, vou tentar descrever, numa série de artigos, como eles fizeram golpe palacial depois de derrota eleitoral.