quarta-feira, Fevereiro 25, 2009

Língua materna

Por Mouzinho Albuquerque

AINDA bem que, efectivamente, acabámos de comemorar o 21 de Fevereiro, Dia da Língua Materna, que na província nortenha de Nampula coincidiu com o lançamento de um vasto programa de debates sobre vários aspectos relacionados com o actual estágio de desenvolvimento da cultura, isto em preparação da II Conferência Nacional de Cultura, que se realiza no mês de Maio deste ano, em Maputo.

Não se pretende neste modesto cantinho definir o conceito de língua materna, este instrumento naturalmente muitíssimo valioso para a nossa evolução linguística, porque isso requeria muita filosofia e imensas palavras, mas dizem os dicionários que é aquela que se adquire na primeira infância.

Sendo assim, e na nossa percepção, é preciso passar à prática das boas intenções no nosso país em relação ao respeito e à valorização da língua materna em Moçambique. Talvez seja isso que levou a que o director provincial adjunto da Educação e Cultura de Nampula, António Pilai, tivesse razões óbvias para lançar um apelo para que cada moçambicano respeite e valorize todas as línguas maternas do país, mesmo que não seja sua.

Talvez seja isso que motivou a que o Executivo moçambicano introduzisse o ensino de algumas das nossas numerosas línguas maternas, em algumas escolas, como forma de respeitar e valorizá-las.

Entretanto, o Dia da Língua Materna foi celebrado numa altura em que ainda prevalecem sinais de tratamento e respeito desigual das nossas línguas em Moçambique. Senão vejamos: não nos parece correcto, por exemplo, que um órgão de comunicação social de grande alcance das massas como a TVM promova uma publicidade sobre a prevenção e o combate à cólera, em duas ou numa única língua nacional, sabendo que esta doença está a afectar um pouco por todo o país. Isso constitui uma afronta, mesmo que indirecta, às outras línguas maternas deste país.
A Televisão de Moçambique precisa de promover aquele tipo de publicidade de forma abrangente, em termos linguísticos, o contrário estará a incentivar o tribalismo e regionalismo linguísticos que não precisamos neste momento. Ainda bem que a nossa televisão pública já tem uma nova direcção, que esperamos faça a devida correcção. É que as pessoas de outras línguas também precisam de perceber o teor daquelas mensagens, que têm sido passadas nos ecrãs da nossa televisão nacional.

Por outro lado, não nos parece correcto que num programa de debate de qualquer tema promovido pela Rádio Moçambique ou Rádio Encontro em língua macua, em Nampula, alguém que a fala fluentemente, aparentemente não queira falá-la, alegando que não entende ou não domina, refugiando-se na de Camões, mesmo que a fale e perceba muito mal, trocando letras na escrita e na pronúncia.

Para mim, a aparente privação de alguns direitos, como falar ou divulgar um programa de educação social em qualquer órgão de comunicação social ou outros meios, através de uma determinada língua nacional vai-nos tornando mais mesquinhos e passando a mensagem de que não somos realmente merecedores das boas coisas que todas essas nossas línguas nos ensinam.

Às vezes temos que parar e ficar a pensar na graça de certas coisas que acontecem, no nosso seio, entanto que cidadãos desta Pátria que pretendemos unidos pelos mesmos objectivos, um dos quais é a valorização de todas as nossas línguas nacionais, aliás, maternas. Ainda há aquelas coisas das quais não precisamos conscientemente, mas das quais parece termos pena nos desfazermos, que estão a ocupar o espaço valioso que poderia estar sendo usado para a difusão das outras línguas nacionais, mas que não se sabe lá o porquê acontece isso, fica difícil perceber!

É preciso mudar de atitude. Será que não somos capazes? O importante é cortar os habituais preconceitos que se utilizam para que o tratamento e a valorização desigual que se tem dado das nossas línguas maternas por algumas pessoas não se instituam.

Só assim é que, por exemplo, um cidadão ronga ou machangana é que valorizará a língua macua e o macua fará o mesmo quanto à língua changana ou ronga. Só assim é que um maconde, sena, chuabo ou ndau valorizarão as línguas maternas que não são suas, assim sucessivamente.

E é isto que se deve incutir nos alunos nas nossas escolas, porque se optar pela valorização de algumas línguas em prejuízo de outras, estas vão perder o seu sentido ou o sentido da nossa identidade cultural, que é também fundamental na consolidação da unidade nacional. Não devemos esconder a nossa realidade com as cortinas de fumo e outras habilidades de ocasião, só para manchar a nossa identidade etno-linguística.

Paremos para reflectir sobre o caminho que queremos para o futuro da língua materna em Moçambique. As nossas línguas maternas devem ser vistas também, na sua globalidade, como sendo um veículo importante na luta contra a pobreza, analfabetismo, tribalismo, regionalismo e outras formas de discriminação social no nosso país.

Realmente é preciso perceber que se tem que mudar e isso começará em nós, não naqueles que querem levar-nos para o seu “feudo”, cheio de arrogância tribal e sem futuro.

Retirado do Jornal Notícias

domingo, Fevereiro 22, 2009

Ser político é sinónimo de ser mentiroso?

Parece haver uma luta de alguns políticos em se desacreditarem a si próprios e fazerem desacreditar o político e a política. Porquê será? Para que o cidadão perca o interesse sobre ele, deixando assim pressionar o político porque sempre é mentiroso?

A nossa própria história recente está cheia de mentiras e oculta factos que muitos cidadãos sabem, viveram e sobreviveram, mas mesmo assim muitos políticos não deixam de dizer barbaridades perante uma multidão a quem deviam dizer a verdade. O pior de tudo, é que as mentiras em Moçambique passam inquestionáveis pelos órgãos de informação. Mas porquê isso é muito possível nesta terra amada?

O que me levou a escrever este texto, é a afirmação da deputada Verónica Macamo, uma deputada de reputação, a afirmar que a vitória de Ossufo Chale em Nacala-Porto é limpa. Para ela reforçar isto e sustentando que não houve fraude, a Verónica Macamo disse ainda que:
“Em Nacala-Porto não estiveram só a Frelimo e a Renamo. Estiveram lá muitos observadores, até os observadores locais e jornalistas. Nós estivemos lá e não vimos nenhuma manifestação de fraude”, disse, apelando ser necessário “crescer” e, se o processo decorreu bem, “deve haver coragem de reconhecer”.

Não choca isto a consciência de um ser racional? Eu pelo menos acho que esta era a oportunidade deVerónica Macamo, em nome da Frelimo, e, até em nome da Nação Moçambicana, distanciar-se dos actos perpetrados e já denunciados de Arsénio Geraldo Joaquim Nkabwebe, Amido Fernando e Antoninho Maia. Estou sozinho a pensar assim? Se ela não se distância deste acto fraudulento e criminoso, não podemos concluir que foi a mando do partido Frelimo? Desta forma, será que é possível convencer-me (a mim) que os únicos actos fraudulentos em Nacala-Porto, foram os detectados pelos observadores? E de que observadores e jornalistas a Macamo fala? Os que fecharam os olhos para não verem o escândalo? Dos que viram tarde de Nampula e sairam cedo de autocarros especiais como Edwin Hounnou chegou de descrever?

Enfim, tenho muitas questões, mas acho muito útil não desanimarmos em cumprir o nosso dever de cidadãos isso concordando como Zacarias Chambe.
P.S: Não adoro muito em dar no blog referâncias de filósofos, mas agora e em voz baixa, recomendo aos interessados a lerem algumas obras da Hannah Arendt.


CNE diz que houve crime eleitoral

Mais do que ser apenas uma dúvida, é amplamente reconhecido que houve fraude eleitoral em na segunda volta da eleição do Presidente daquele Município. O O País online escreve que a Comissão Nacional da Eleições, na pessoa do seu Presidente, João Leopoldo da Costa,na imagem, reconhece que houve crime eleitoral, como se pode ler:

"A CNE reconhece que houve má fé na anulação dos votos por parte de alguns interessados e intervenientes no processo eleitoral em Nacala-Porto, recorrendo ao uso da tinta indelével ou esferográfica em prejuízo dos dois candidatos.

As declarações de Da Costa dão razão à Renamo e à AWEPA que dizem ter havido fraude massiva em Nacala-Porto com proporções criminais.

Apesar da CNE repugnar estas irregularidade e reconhecer que constituem um acto ilícito eleitoral, previsto e punível nos termos do artigo 175, da Lei n.o 18/2007, não diz o que irá fazer daqui em diante com vista ao esclarecimento deste crime e punição dos seus perpetradores, muito menos põe em causa a vitória do candidato da Frelimo."

Leia todo o artigo clicandoaqui

Obs:

Do que a PRM, a PGR estão a espera para começarem a investigar? Que os donos dos votos invalidados façam queixa? Quem sabe de qual eleitor foi o voto? Que Manuel dos Santos, o prejudicado, faça a queixa? Como têm se feito para os casos conhecidos em Manica, Nampula e outras partes? Não tem sido a PRM e PGR a agir mesmo que apenas suspeitos? Ou agora é "quem põe o guiso no pescoço do gato"? Estamos de olho!


sábado, Fevereiro 21, 2009

O Observatório Eleitoral denuncia actos ilícitos em Nacala Porto

O Observatório Eleitoral diz ter assistido aos membros das mesas de voto a sujar os boletins com tinta indelével, em Nacala Porto, e prontifica-se a identificar os prevaricadores.

A maior mancha das eleições autárquicas de segunda volta em Nacala Porto veio dos membros das mesas de voto.

Recrutrados pelo STAE para instruir cidadãos como proceder à votação, os membros das mesas de voto despiram-se das suas funções, e dedicaram anular os votos depositados nas urnas pelos eleitores, com recurso à tinta indelével e esferográficas, como forma de alterar a vontade dos munícipes daquela urbe, expressa através do voto depositado nas urnas.

O observatório eleitoral condena esta prática, e o seu presidente, Sheik Abdul Carimo, diz ter assistido a este acto ilícito, e prontifica-se a identificar os seus mentores.

Os resultados finais do escrutínio de Nacala foram divulgados ontem pela CNE, e conferiu vitoria ao candidato da Frelimo, Chale Ossufo.

Retirado do O País onlaine

sexta-feira, Fevereiro 20, 2009

Governação anárquica em Nacala-Porto?

Leiam isto que extrai do Jornal Notícias:

MUNÍCIPES entrevistados pela nossa Reportagem em Nacala-Porto disseram, entre outras coisas, que, durante os cinco anos do seu mandato, a Renamo, com Manuel dos Stos na direcção do município, empreendeu uma governação anárquica. Segundo os nossos entrevistados, os munícipes de Nacala-Porto gozam duma total liberdade, de tal forma que não precisam de andar com documentos de identificação pessoal nos bolsos, porque a Polícia não tem ordens expressas para exigi-la, mesmo quando suspeite de algum caso que atente contra a lei e ordem.

Ademais, as taxas municipais são pagas quando os citadinos podem, ou seja, aqueles que podem pagar cumprem a obrigação e os que nada podem continuam a praticar o seu negócio na maior das tranquilidades. As nossas fontes consideram que devido ao não pagamento regular de taxas, algumas melhorias que deviam ser feitas mesmo nos mercados ou noutras partes não estão a acontecer.

Questionado sobre o facto, Manuel dos Santos afirmou que tal não corresponde bem à verdade. “Não é bem assim. Nós sempre cobramos as taxas. O que eu disse durante a minha campanha é que uma pessoa que estivesse a praticar um pequeno negócio, cujo lucro é ínfimo, podia pagar 2,50 meticais. Os que tivessem um lucro mais razoável e que podiam pagar cinco ou dez meticais então podiam pagar. Removemos o impedimento a pessoas que traziam os seus produtos de fora da cidade, permitindo que elas pudessem vender a grosso, mas contra o pagamento duma taxa. Dantes as pessoas pagavam a taxa no controlo e isso não podia ser”, explicou.

O Presidente do Conselho Municipal de Nacala-Porto disse não ser verdade que a Polícia tinha ordens expressas de não pedir identificação a nenhum cidadão, mesmo em caso de atentado à lei e ordem, porque senão não se estaria a viver dentro duma urbe. Segundo afirmou, a Polícia actua com justiça e não a seu bel-prazer.

“A Polícia tem que ter uma causa para prender ou repreender o cidadão. A Polícia actua sim senhor! Já viu uma cidade sem Polícia?”, questionou.

Manuel dos Santos disse que o povo de Nacala é amante da paz e respeita as autoridades, mas reage quando os seus direitos são violentados.

“O povo de Nacala não é violento. É amante da paz, mas está sendo ensinado a ser violento. Este povo merece tranquilidade e desfrutar de todas as oportunidades de desenvolvimento. A economia da província (de Nampula) provém de Nacala e o Governo tem que prover serviços a este povo. O facto de muitos não saberem escrever não significa que não pensam”, disse.

Fonte: Jornal Notícias

Haverá aqui algo que indique que Nacala-Porto teve uma governação anárquica?


Sobre o Assassinato de Eduardo Mondlane

Com base na carta de Sérgio Vieira aos amigos com o título: Sobre quarenta anos depois de um crime, publicada no semanário Domingo e eu republiquei neste blog, veja aqui, iniciámos um debate sobre a morte de Dr. Eduardo Mondlane. Com um artigo, Barnabé Lucas Ncomo, autor do livro URIA SIMANGO, Um homem, uma causa, reage à carta do coronel na reserva.

Aconselho à leitura tanto da carta de Sérgio Vieira como a reacção de Barnabé Ncomo, talvez descubram como eu, o caminho longo que temos a percorrer para apenas conhecermos factualmente o que aconteceu quando alguns de nós haviam nascido ou mesmo eram adultos.

Por enquanto, publiquei  a carta de Sérgio Vieira, mas que por ser longa, projecto publicá-la em partes a reacção de Barnabé Ncomo. Clique aqui para lê-la.

quinta-feira, Fevereiro 19, 2009

O dever do cidadão nas eleições Presidenciais e Legislativas de 2009

Achei interessante este texto de Zacarias Chambe, estudante da Faculdade de Ciências Sociais Curso de História Política e Gestão Pública pela Universidade Pedagógica-Nampula, por não criticar apenas os políticos sobretudo os dos partidos com assentos na AR, como é caso hábito em Moçambique. Zacarias Chambe fala da responsabilidade de cada cidadão quanto às mudanças e ele escreve o seguinte:

"A superação deste quadro [leia no seu texto] é possível e necessária, mas não se resolve na base das lamúrias. É preciso mobilização social de baixo para cima para enfrentar os escândalos que se sucedem. Reclamos insistentes com o vizinho, indignação de sofá e cuspir respostas mecânicas como “ninguém presta” e “político é tudo ladrão”, só colaboram para ampliar o distanciamento das pessoas da participação política na definição dos rumos do país, que é tudo que os donos do poder querem.

O remédio é exactamente o contrário: protestar organizadamente contra este estado de coisas, agir politicamente a favor de uma reforma que fortaleça os partidos e enfraqueça os coronéis, diferenciar a banda podre da banda sadia do parlamento. Enfim, tornar os brasileiros verdadeiros protagonistas das mudanças necessárias."

O texto foi publicado no Jornalismo Moçambicano. Leia todo o texto clicando aqui

O que apoquenta o amigo Jafar Buana

Após a publicação do “Vamos ter um “quinto poder”?” nas edições do Jornal Notícias da semana passada, me pus aqui a “contar carneiros” a ver se “extraía o caldo” da série do nosso reputado jornalista Jafar Buana!
Não faço ideia até quantos carneiros contei, mas de facto, porque muitos, perdi a conta!

o que poderemos fazer para agradá-lo, amigo Jafar Buana?? Criamos uma “Polícia de Internet”?? O amigo Buana aceitaria gerir o “Departamento de Plágios”?? Ficaríamos quites?? Leia aqui no Desenvolver Moçambique.

Nacala a ferro e fogo

Por: Edwin Hounnou

A segunda volta para a eleição do presidente municipal de Nacala, que teve lugar no dia 11 de Fevereiro de 2009, demonstrou que o partido Frelimo é, de facto, dominante, capaz de subverter a máquina do Estado, manipular a consciência de indivíduos mais desprevenidos, usando truques ilícitos, na luta titânica para ficar com o poder. Os partidos disputam o acesso ao poder com base em leis, diferente do que acontece entre nós, em que o partido no poder domina os órgãos eleitorais, à excepção do Conselho Constitucional.

Está vedado, por regras internacionais, o acesso ao poder por via de golpe militar. Sem igualdade de oportunidades para se beneficiar dos meios financeiros, humanos e outros disponibilizados pelo Estado, se se pretende evitar convulsões de graves proporções, tais regras continuam injustas. A alternância na governação é um pressuposto democrático que não deve ser impedido com recurso à força, intimidações ou chantagem. O ser funcionário público não implica que seja, só por si, membro do partido no poder. A adesão a um partido deve
ser um acto voluntário.

Nos dias em que decorreu o processo eleitoral, a cidade de Nacala estava sitiada, como forma de intimidar que os eleitores votem em conformidade com os ditames da consciência. O SISE meteu-se no barulho, em Socorro do patrão. Não é tarefa dos Serviços de Informação e Segurança do Estado, SISE, ajudar o partido Frelimo. Nacala não tem presença significativa de militares, mas, era comum encontrar viaturas civis trans-portando soldados, portando capacetes com inscrição PM. O que faz a Polícia Militar num jogo que deve envolver, apenas, partidos e populações?

O Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique despachou um importante contingente para Nacala. Dos distritos vizinhos de Nacala, chegaram polícias e respectivos comandantes. Nos dias imediatos à divulgação dos resultados, viaturas, com timbres do partido Frelimo, carregavam pessoas trajadas a civil, porém, tratavam-se policias, de regresso, como foi o camião de marca TATA, MNP–11-20, cor branca, a 15 de Fevereiro, que monitorei até ao Comando Provincial. Um polícia disse que tinham ido à Nacala para bater! Nem mesmo os deputados da oposição escaparam à pancadaria e detenções.

Jovens, apoiantes da Frelimo, conversam Jovens, apoiantes da Frelimo, conversam, orgulhosos de terem participado na distribuição de arroz, óleo e outros produtos, pelas mesquitas. Outros diziam ter introduzido, pelo menos, mais que um boletim de voto nas urnas, seguindo a instrução recebida de arregaçar a manga direita da camisa logo que se chegassem à mesa de votação. O sinal era conhecido dos presidentes de mesa.

O uso de tinta, como foi na Mocímboa da Praia, em 2005, para inutilizar votos, voltou a funcionar, em Nacala. O presidente da mesa 1894 inutilizou 109 votos favoráveis a Santos. Noutra mesa vizinha, com o mesmo processo, anularam 149. O partido Renamo é incapaz de impedir que o seu adversário faça fraudes. O partidono poder, Frelimo, sempre, há-de fazer ilícitos em pleitos eleitorais até que apareça um adversário forte e organizado, capaz de evitálos. O poder não se oferece.

Fonte: ATribunaFax, edicão N° 904 de 18-02-2009

LÍDER DA RENAMO PROCURA "ABRIGO" EM NAMPULA

Para alegada salvação dos “escravos”

O líder da Renamo, maior partido da oposição em Moçambique, está à procura de uma residência na capital provincial de Nampula, onde possa se acomodar, enquanto ainda estiver no exercício da actividade política.

Falando em Conferência de Imprensa na chamada capital do Norte, Dlhakama disse que prefere viver em Nampula, por tempo indeterminado, para, alegadamente, salvar os macuas que ele considera estarem a viver momentos de grande opressão protagonizada pela Frelimo.

Afonso Dlhakama diz ter vivido muitos anos na cidade da Beira e por três meses em Quelimane em missão do seu partido, e desta vez prefere residir em Nampula para poder dinamizar as actividades da Renamo ao nível das regiões centro e norte.

Segundo explicou à imprensa, Dlhakama só deverá deslocar-se à capital do país para se reunir com a direcção do partido, individualidades nacionais e estrangeiras ou para visitar a sua família.

O líder da Renamo, que se encontra em Nampula desde o mês passado, agendou para a próxima semana uma deslocação aos distritos do interior da província, nomeadamente, Malema, Lalaua, Ribáuè, Mecuburi e Murrupula, depois de ter trabalhado em Nacala-Porto, Angoche, Ilha de Moçambique e Eráti, incluindo a capital da província.

WAMPHULA FAX - 18.02.2009

Retirado do Moçambique pata todos

terça-feira, Fevereiro 17, 2009

Renamo e Frelimo acusam-se pela morte de Amândio de Sousa

Segundo o O País online, a Renamo e Frelimo acusam-se mutuamente pela morte de Amândio de Sousa.

A Renamo através do seu porta-voz, Fernando Mazanga, diz que Amândio de Sousa foi assassinato pela Frelimo que não queriam ver presente na produção e embalagem do material eleitoral para a 2.a volta em Nacala-Porto. Recordemos que Amândio de Sousa foi encontrado morto num hotel em Durban, África do Sul, onde estava em trabalho da CNE, veja aqui e aqui.

Por ser turno, Edson Macuácua, porta-voz da Frelimo diz que a Renamo é que estava interessada na morte de Amândio de Sousa por este apoiar Daviz Simango. Macuácua revelou ainda que a Renamo já havia solicitado à Comissão Nacional das Eleições de de Sousa. Mais ainda, Edson Macuacua acrescentou que Amândio de Sousa já vinha sofrendo ameaças de norte por parte de indivíduos da própria Renamo.

Fonte: O País online

Para Algo para reflectir!


segunda-feira, Fevereiro 16, 2009

Cabo Delgado: Sangria na Renamo

Por Pedro Nacuo

MAIS de 150 membros da Renamo, na província de Cabo Delgado, declararam publicamente, sexta-feira última, o seu afastamento do partido e consequente adesão a um movimento que visa a criação de um novo partido político, a ser liderado por Daviz Simango, actual presidente do Conselho Municipal da Cidade da Beira.

Dos vários nomes sonantes, destacam-se Eduardo Pintane, então chefe da comissão política provincial, Juma Rafim, da área de mobilização, Luís Culaire, do sector de estatística, Catarina Ratibo e Namoja Ali, da liga feminina, e Adriano Eduardo, da liga da juventude. Pintane, que já foi deputado da Assembleia da República pela bancada da Renamo, acabava de ser designado para as funções de chefia em finais do mês passado, substituindo Cornélio Quivela, destituído do cargo por ordens do presidente do partido, Afonso Dhlakama.

A nível da Comissão Política da cidade de Pemba destacam-se Xavier Amade, Mussa Lourenco e António Romano.

A renúncia aconteceu no decurso de um encontro orientado por Luís Maúne, então quadro sénior da Renamo e que na altura se identificou como mandatário do projectado Movimento Democrático de Moçambique, cujo núcleo fundador se encontra na cidade da Beira.

Eduardo Pintane disse que os recentes problemas ocorridos na delegação política provincial da Renamo em Cabo Delgado e que culminaram com a sua indicação para o cargo de chefia deram-no indicações claras de que este partido está cada vez mais distante de constituir alternativa política em Moçambique, conclusão a que chega volvidos 17 anos de filiação nesta organização.

“Quando aderi à Renamo há sensivelmente 17 anos não precisava de nenhum bem material. Aliás, pelo contrário, dei à Renamo o pouco que eu tinha como empresário. Mas agora conclui que este partido não vai longe. São derrotas consecutivas, cujo responsável número um é o presidente do partido, Afonso Dhlakama”, queixou-se.

Lembrou que em 1994, durante as primeiras eleições legislativas e presidenciais, numa decisão inexplicável e de última hora, Afonso Dhlakama ordenou a retirada dos delegados de mesa da Renamo dos postos de votação para instantes depois mandá-los de volta. Recordou ainda que em 1999, numa altura em que a Renamo gozava de muita simpatia no seio do eleitorado, Afonso Dhlakama criou problemas no partido com a expulsão de Raul Domingos, facto que dividiu seriamente esta organização política. Frisou que antes, em 1998, Afonso Dhlakama tinha decidido afastar o partido da corrida para as eleições autárquicas, sendo que o resultado de todas estas manobras foram as derrotas pesadas do partido em todos os pleitos eleitorais.

“Há dias, Afonso Dhlakama mandatou uma brigada que veio a Pemba destituir o delegado político, colocando outros elementos na direcção do partido nesta cidade. Essa decisão não agradou a muitos militantes, a maior parte dos quais está hoje de malas aviadas para o novo projecto político”, disse.

Acrescentou que estes problemas estão a ser geridos desde há bastante tempo mas porque atrasam politicamente o partido e os seus membros que aspiravam novos voos outra solução não existe senão abraçar o projecto liderado por Daviz Simango.

Juma Rafim que já foi delegado político distrital de Ancuabe e ultimamente chefe provincial da mobilização e membro do conselho nacional, denuncia a falta de clareza na direcção da Renamo e olha para o futuro movimento democrático com muita seriedade.

Sobre alegações de que foi destituído das suas anteriores funções em conexão com ligações ao movimento de Daviz Simango, Juma Rafim respondeu que tudo são desconfianças.

“De facto esteve cá uma brigada desse movimento, mas não chegou a reunir com ninguém. A maneira como fui destituído amargurou-me bastante e vi que não havia seriedade na Renamo”, explicou.

MAINGUE AMEAÇA DISSIDENTES DA “PERDIZ”

Entretanto, o “Notícias” contactou o chefe nacional da organização e estatística da Renamo, Francisco Maingue, sobre estas dissidências, ao que respondeu:

“Acabo de tomar conhecimento através dos meus chefes que Eduardo Pintane está indisponível para continuar ligado ao partido. Neste momento a comissão provincial está a ser assegurada por Alberto Bacar e Mustagibo Bachir”, indicou.

Soubemos, entretanto, de algumas ameaças de Maingue a certos membros da Renamo que se filiaram ao movimento democrático de Daviz Simango.

António Romão, que até sexta-feira fazia parte da comissão da cidade de Pemba, diz ter recebido do seu antigo correligionário Ambrósio Vicente uma mensagem via telemóvel a dizer que tinham sido identificados todos os traidores do partido e que uma tempestade os iria arrasar.

Entretanto, Ambrósio Vicente negou a autoria dessa mensagem. Disse, por outro lado não conhecer António Romano.
“Esses senhores não conseguiram o que queriam na Renamo. Não podemos assim falar de uma Renamo em crise. A Renamo existe em Cabo Delgado”, afirmou.

Fonte: Retirado do Jornal Notícias

Daviz junta vereações e nomeia novas caras

Retirado na íntegra do Savava

(Beira) Das cerca de dez vereações que anteriormente existiam, Daviz Simango, presidente eleito do Município da Beira, reduziu para apenas seis, as vereações do município tendo para a sua direcção confiado quatro novos elementos. Simango poderá efectuar mais nomeações nos próximos dias.

Os novos vereadores são, Borges Gada Cassucussa, Francisco Majoi, Carla Maria Samuel e Samuel Mateus, vão dirigir as aglutinadas vereações de agro-pecuária, pesca e género, transportes, protecção e segurança; plano finanças, industria, comércio e turismo; educação e cultura e juvetude e desporto, respectivamente.

Simango manteve Alexandre Vasco, da área institucional e Geremias Liando, da gestão urbana e ambiente, tendo para todos lançado o apelo no sentido de trabalhar para o “orgulho beirense”.

Da lista dos novos vereadores não consta nenhum familiar do presidente, como aconteceu na passada legislatura que contava com, pelo menos, três familiares, facto que motivou muitas críticas. Daviz recorreu aos anónimos membros da Renamo para a direcção destas vereações, com a excepção de Gada Cassicussa, que foi presidente da Assembleia Municipal na legislature passada.

No entanto, o presidente da Assembleia Municipal da Beira, Mateus Saize, chamou a atenção ao órgão executivo autárquico no sentido a trabalhar dentro das normas que regem o funcionamento municipal.

Saize, membro da Frelimo que dirige a Assembleia Municipal da Beira, apelou ainda a necessidade de se trabalhar em coordenação com a assembleia municipal, pois este é um complemento do órgão autárquico. (Domingos Bila)

Savana, 16.02.2009

domingo, Fevereiro 15, 2009

O Novo Partido e os Contra

Um novo partido que por vontade de muitos cidadãos amantes da democracia multipartidária, vai se formar. Para dirigir o partido, propõe-se Daviz Simango, actual edil da Beira que nas últimas eleições autárquicas venceu folgadamente a Lourenço Bulha e Manuel Pereira.

Numas consultas feitas a nível nacional para se apurar a condição de criação deste partido, colheram-se perto de 300 000 assinaturas. Isto supera o que foi estipulado pela lei de partidos políticos a qual diz que para a oficialização de um partido, precisam-se no mínimo 2000 assinaturas, sendo no minimo 100 em cada província.

Que há muito apoio a este projecto tanto ao nível nacional como internacional, parece não haver dúvidas. Não há dúvidas que verdadeiros amantes da democracia multipartidária e alternância governativa, incluindo membros da Frelimo, o partido no poder, apoiem nem que indirectamente este projecto por algumas razões:

a) A Renamo já perdeu totalmente a sua capacidade de maior partido da oposição. Em Milange até ela passou para o terceiro lugar o que é inconcebível. A oposição está se transformando em insignificante.

b) Definitivamente a Renamo já não é alternativa à governação da Frelimo. Mas isto não preocuparia a quem se beneficia pelo poder.

c) Na ausência de partido da oposição sério, estagna-se totalmente o partido no poder. No pior de tudo, a liberdades dentro do partido no poder ficam limitadas.

d) O fim da Renamo é um projecto de algum sector da Frelimo já declarado oficialmente por Marcelino dos Santos e Mariano Matsinhe.

Porém, há sinais de que para que não haja frustração no novo projecto, precisa-se de uma atenção especial quanto aos planos de sabotagem que por vezes são como uma boa contribuição ao projecto. Reparem contribuições como os de Xicoxa e Nuno Amorim, aliás Fernando Machado, no Diário de um Sociólogo que por vezes são doces quando ao projecto, mas na verdade são um ácido. Leia com atenção os posts aqui e aqui e também ao que o Nuno Amorim insistentemente colocou no Meu Ser Original da Ivone Soares. É isto que mais me convidou para escrever este texto, esperando uma participacão activa de Nuno Amorim.

É óbvio que não são apenas estes que têm me dado atenção pela vida política moçambicana, nos últimos meses. Eu já havia escrito um artigo em 4 séries com o títuto: apetites, voos e ameaças que Eng.o Daviz Simango representa – focus. Veja aqui. A quem eu refiro nunca direi a quem quer que seja, pois que vão eles aparecendo. A única coisa que convido ao mundo, é a observação directa. Veja-se só que é possível verificar que um indivíduo que critica Afonso Dhlakama com severidade como destrutor da democracia nunca se pronunciar sobre Daviz Simango como alternativa. Claramente, esse “pro-democrata” está a espera ou procurando de algo que lhe sirva de ataque a Daviz.

O pior para Mocambique, os contra a constituição de novo partido basicamente popular são os oportunistas do actual regime. E os anti-democráticos como o tal Xicoxa acha que é algo bom para o país fazer-se Guebuza de um vencedor incontestável nas próximas eleições. Xicoxa nunca faz cálculos dos custos da sua concepção ao país. Não será este também o custo de um currículo escolar deficiente?

sábado, Fevereiro 14, 2009

2.ª volta em Nacala-a-Porto (4) - Manobras

Notei que Nuno Amorim colocou uma questão embora sem referências e tema impróprio, o que de certo modo deixa a muitos sem motivação para a réplica. Fui procurando ao que ele havia alegado e felizmente o Savana já havia escrito sobre. Acho a questão importante para um debate sério, como ponto de reflexão sobre alguns actos que possam minar o nosso processo democrático. Eis o que o Savana escreve:

Manobras

A Frelimo e a Renamo interceptaram-se transportando seus membros para votarem a favor de um dos partidos.
Ossufo Quitine, porta-voz da Renamo em Nacala-Porto, confirmou ao SAVANA que cinco viaturas indicadas pelo seu partido transportaram cerca de 700 eleitores de Ontupia para Nacurula-Cidade.

Quitine explicou que a medida surgiu como retaliação supostamente ao facto do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) local ter movimentado cadernos dum lugar para o outro. Com a movimentação dos cadernos, o STAE local visava, segundo Quitine, beneficiar a Frelimo. A fonte acusa ainda a Frelimo de ter transportado jovens membros da Organização da Juventude de Moçambique da cidade de Nampula, um dos tentáculos políticos da Frelimo, para votar na cidade portuária.

Na verdade, o STAE deslocou as duas mesas (1886 e 1887) de Ontupaia para a Escola Primária Completa (EPC) de Nacurula. A situação suscitou uma confusão e a Renamo decidiu transportar seus militantes de Ontupaia para votarem em Nacurula num carro do Conselho Municipal. O director do STAE em Nacala, Gilberto Sapile, justificou a transferência das duas mesas como medida para corrigir a irregularidade verificada na primeira volta.

Fim

sexta-feira, Fevereiro 13, 2009

Subsídio de um anónimo ao novo Partido

Um anónimo mas com amor à pátria moçambicana, deixou um comentário que pela sua importância e se ter publicado num artigo antigo, republico-o aqui:


De forma ainda muito amiúde tomou-se conhecimento que o senhor D.Simango vai concorrer ás eleiçoes presidenciais. Na minha humilde opinião acho ser demasiado cedo, a não ser que queira testar a sua organização partidaria em termos operacionais e alinhavar as arestas para o futuro. Contudo a manter este plano, então que consega “roubar” votos aos dois principais partidos que poderá ditar uma segunda volta presidencial e criar uma bancada acima dos 60 deputados no parlamento.

Para isso é preciso trabalahar MUITO nas provinciais de Nampula, Zambézia, Sofala, Manica e Tete de modo a equilibrar os 100% da Frente de Libertação de Moçambique no sul do país. Julgo que não se devem preocupar em arranjar um nome pomposo para o Movimento ou Partido. Sirvam-se da palavra incontornavel “MOÇAMBIQUE”, ou seja Partido Moçambique. Todos os partidos têm lá na sigla “M” de Moçambique e os eus discursos de apelo é sempre por Moçambique (promoção gratuita para o senhor D. Simango). Quanto a símbolos, porque não escolher um fundo preto com o desenho de três arvores bem juntas (zona sul,norte e centro) cujos multipulos ramos (lugar para todos) se entrelaçam e uma fusão das amarelo,verde e vermelho da bandeira nacional e em baixo a cor branca a palavra Moçambique. As arvores estão em todos os sitios..... não há melhor promoção,penso. Não façam um discurso populista.A Frente de Libertação de Moçambique tem um discurso bastante materialista: Nós é que sabemos, nós é que fazemos. É um discurso muito condicionado aos seus actos.

A Resistencia Nacional Moçambicana tem um discurso de auto-flagelação, de bota-baixo.Façam uma campanha que permita ouvir das pessoas, estabelecer um dialogo, dando sempre uma grande importancia as ideias das pessoas, contrapondo sem impôr, com gentileza e respeito.Potenciar sempre as ideias e fazer alusão a essas ideias nos discursos mais formais identificando as suas origens de modo que as pessoas se sintam MOÇAMBIQUE.As pessoas estão desejosas de exteriorizar o que lhes vai a muito no intimo sem condicionalismos.Criem Feiras do dialogo, que a tornar-se uma mania, até cinco pessoas ao sabor de uma cerveja podem trocar impressões. Estas feiras multiplicadas......

É preciso reanimar as tradições das populações: o respeiro pelo outro, a educação da mulher, crianças.Sem pregar, alimentar nas pessoas a necessidade de preencher um vazio, a esperitualidade, a necessidade em acreditar em algo que não vemos mas sentimos para partilhar nos momentos de alegria e acreditar nas suas capacidades nos momentos de tristeza.Uma simples contribuição.

quinta-feira, Fevereiro 12, 2009

2.ª volta em Nacala-a-Porto (3) - Resultados

A Frelimo vence em Nacala

Chale Ossufo (Frelimo) conquistou ontem 55% dos votos para presidente do município de Nacala, em comparação com os 45% de votos para Manuel dos Santos (da Renamo e atual presidente do município), de acordo com a contagem paralela realizada pelo Observatório Eleitoral. Apesar da chuva, a afluência foi semelhante à taxa de 56%, na primeira volta das eleições em 19 de Novembro.

As assembleias de voto abriram a tempo, e foram capazes de fechar a tempo, porque só havia um boletim para que as pessoas pudessem votar rápidamente. Mas há indícios de fraude em pelo menos cinco assembleias de voto.

Anulação de votos da Renamo

Cinco assembleias de voto registaram um grande número de votos nulos, o que pode indicar a a possibilidade de ocorrência de fraude. Em Matalane, a equipa editorial do Boletim viu realmente o pessoal da mesa invalidar votos para o candidato Renamo, Manuel dos Santos.

Na assembleia de voto 1894, Ossufo teve 207 votos e dos Santos 149, com 109 votos nulos. O presidente da assembleia de voto, Arsénio Geraldo Joaquim Nkabwebe, foi acusado de invalidar a maioria destes votos, colocando uma marca adicional sobre eles, utilizando a tinta indelével destinada a marcar os dedos dos eleitores. O vice-presidente, Amido Fernando, também foi visto usando tinta indelével no polegar direito, para invalidar outros boletins favoráveis a dos Santos. A acção de Fernando foi testemunhada quer pelo Editor Adjunto do Boletim quer pelos nossos Assistentes de Pesquisa, Adriano Nuvunga e Tânia Frechauth.

Na assembleia de voto 1893, Chale Ossufo (Frelimo) teve 250 votos e Manuel dos Santos (Renamo) 66 votos, com um incrível número de 137 votos nulos. Destes 137, cerca de 115 foram boletins de voto em que o eleitor votou a favor dos Santos com uma impressão digital, mas cada boletim teve um traço idêntico, riscado com uma caneta azul, por cima da foto de Chale Ossufo. O presidente da assembleia de voto foi Antoninho Maia, que é director pedagógico da Escola 4° Congresso.

A assembleia de voto 1832, em Ontupaia, teve 140 boletim nulos. A sua comparação com as assembleias de voto vizinhas, 1829 e 1830, sugere que algo está errado. Ver o quadro aqui.

Em todas as três assembleias, os votos para Ossufo são semelhantes, mas na assembleia de voto1832, existem cerca de 150 votos a menos favorecendo dos Santos e 114 votos nulos extra.

Duas outras assembleias de voto também registaram um elevado número de nulos: EPC Mathapue 1839 com 72 nulos e EPC Murrupulane 1898 com 55 nulos.


Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique

quarta-feira, Fevereiro 11, 2009

Há indícios de fraude eleitoral em Nacala

Segundo AWEPA, há indícios de fraude eleitoral a favor da Frelimo, em Nacala-Porto. Os indícios referem-se a pelo menos cinco mesas de voto.

Desta vez há nomes dos presidentes da mesa e alguns indiciados na prática de fraude, tratando-se de Antonio Maia,da Escola 4. o Congresso adjunto-pedagógico, presidente da mesa 1893, enquanto que Arsénio Geraldo Joaquim Nkabwebe e Amido Fernando da mesa 1894, foram vistos a invalidarem boletins.

Uma outra notícia do “O País”, indica que um cidadão foi ontem detido pela polícia por ter sido encontrado com dez (10) boletins de voto.

O governo da Frelimo ameaça cortar investimentos para Nacala-Porto

Segundo o Boletim do Processo Político em Moçambique (AWEPA), o Ministro de Planificação e Desenolvimento, Aiuba Cuereneia, ameaçou aos munícipes de Nacala-Porto de retirarem-se os projectos de investimentos, caso o candidato da Frelimo, Ossufo Chale, não venha a ser o vencedor do escrutínio que hoje, dia 11 de Fevereiro, tem lugar naquela urbe.

As ameaças foram proferidas por aquele membro governamental, durante o lançamento de dois projectos de investimento do governo central que tiveram lugar poucas horas antes do início da campanha eleitoral. No lançamento estiveram presentes líderes comunitários, incluindo Dom Germano Crachane, o bispo da diocese de Nacala.

Ainda, neste lançamento, Ossufo Chale, o candidato da Frelimo, afirmou que os 47 milhões de dólares americanos doados pelos Estados Unidos da America para o Millennium Challenge Account (MCA), os quais são para o melhoramento do abastecimento de água, construção de uma nova barragem e melhoramento da drenagem, são em apoio à Frelimo. Veja aqui.

Recordem-se que o jornalista Mouzinho de Alburqueque de Nampula, a 27 de Novembro de 2008, já havia escrito o seguinte:

”Entretanto, os resultados destas eleições devem ser interpretados como um aviso à navegação. Como, por exemplo, em Nacala-Porto, onde a Renamo e o seu candidato perderam as eleições, algumas pessoas disseram ter optado em votar na Frelimo e no seu candidatado por estarem “fartas” da política penalizante do partido no poder em termos de concretização de projectos de desenvolvimento, que sempre “olhou” mal aquela cidade por ser governada pela oposição, e não por convicção ou por amor à camisola partidária.” Veja aqui.

Neste contexto, Cuereneia e Chale nada mais fizeram no lançamento dos dois projectos que confirmar o que alguns nacalanses haviam informado ao jornalista Alburquerque.

Assim vai a nossa democracia em Moçambique. Daqui há algumas horas, se é que não se declarou, dir-se-á que a 2.a volta em Nacala-Porto foi livre, justa e transparente.

SOBRE QUARENTA ANOS DEPOIS DE UM CRIME

Carta a Muitos Amigos

Por Sérgio Vieira

Passaram-se quarenta anos desde o dia em que uma bomba, preparada na Beira pelo sinistro inspector da PIDE, Casimiro Monteiro, assassinou Eduardo Chivambo Mondlane, Presidente da Frelimo. Muito do que descrevo já o Presidente Chissano declarou na Assembleia da República, pareceu-me pois útil, no meu exercício de memória, pôr os pontos nos is , para ajudar o fim da especulação com boa ou má fé. A essência dos dados, incluindo a origem da bomba, na época, a INTERPOL a pedido do governo tanzaniano investigou e difundiu.

Casimiro Monteiro, de origem goesa, preparou na Beira um livro com uma bomba armadilhada, numa obra do marxista Plekhanov. Ignora-se quem o instruiu para tal. No Malawi, no consulado português em Blantyre, dirigido por Jaime Pombeiro de Sousa, um associado de Jorge Jardim, Orlando Cristina entregou um pacote a um sacerdote belga, o Padre Pollet, que missionara muitos anos em Sofala e aí travara amizade com o Padre Mateus Pinho Gwenjere. Orlando Cristina pediu ao Padre Pollet, que ia para Songea, que levasse o embrulho para essa fronteira e aí buscasse alguém da FRELIMO, para que o remetesse a Silvério Nhungu ou a Urias Timóteo Simango em Dar-es-Salam. Assim fez o sacerdote e, encontrando na fronteira Samuel Rodrigues Dhlakama, que já conhecia, solicitou-lhe que entregasse o volume a Simango ou Nhangu.
De nenhum modo se pode afirmar que o Padre Pollet, com quem ainda falei depois do assassinato de Mondlane, conhecesse o conteúdo e o objectivo do embrulho. Ele mencionou-me que Cristina lhe entregara e o remetera a Samuel Rodrigues Dhlakama, que encontrara por acaso. Igualmente nunca se encontraram quaisquer dados sobre o envolvimento do Cônsul Jaime Pombeiro de Sousa, que dirigia o Consulado em Blantyre. O Padre Pollet disse-me que, após os eventos, as circunstâncias lhe criaram suspeição, encontro no consulado português e entrega do embrulho por Cristina, conhecido como agente português. Ele, como missionário, na região de Sena, necessitava de estar em contacto com as autoridades e sempre que ia a Blantyre, cumprimentava o cônsul ou outro representante do consulado. Se revoltado pela sua instrumentalização, se pela idade ou saúde, o Padre Pollet retirou-se de Moçambique.

Chegado a Dar-es-Salaam, Samuel Rodrigues Dhlakama telefonou a Nhungu, que lhe marcou um encontro num quarto de hotel (não me recordo do nome), que ficava junto à representação do MPLA em Dar-es-Salaam. Dhlakama entregou o embrulho a Nhangu, que estava acompanhado por Simango. Num dos dias seguintes, quando o Presidente Mondlane estava a sair do escritório, dirigindo-se para Oyster Bay, para casa de Betty King, onde trabalhava muitas vezes na ausência dela e do marido, o escritor Willy Sunderland, Nhungu voltou-se para uma camarada, a Rosária,que estava afectada à nossa representação na capital tanzaniana e disse: Corre para o carro do Presidente e entrega-lhe este embrulho. Esqueci-me de lhe dar. Tratava-se de um volume, com a forma de um livro, embrulhado sob a forma de um livro, com selos soviéticos e tanzanianos, e endereçado ao Presidente. Ao abrir o pacote a armadilha funcionou, matando Mondlane instantaneamente, a bomba dilacerou-lhe o tórax.

Dlakama quando transportou o embrulho, este estava dirigido a Nhungu e não se assemelhava a um objecto chegado via correio, segundo declarou a uma comissão de inquérito. A Rosária, segundo também declarou à mesma comissão, lembra-se que recebeu um pacote, com a aprência de vindo através dos correios, com selos e carimbos, endereçado a Mondlane. Pessoalmente, Samuel Dlakama e Rosária, além de outras pessoas, confirmaram este factos e a comissão de inquérito, que eu dirigi, constatou, por unanimidade, não haver qualquer indício que apontasse para o facto de eles não haverem agido de boa fé ou conhecessem o conteúdo do pacote antes do evento fatal, embora houvessem transmitido, depois dos eventos, suspeitas sobre o conteúdo. A Comissão considerou-os livres de qualquer suspeita e inocentes.

Simango e alguns dos seus colaboradores reconheceram os factos, embora Simango declarasse ao CC, em Abril de 1969, que ignorava o conteúdo do embrulho entregue a Silvério Nhungu, na sua presença no hotel.
Lázaro afirmou, a amigos e correligionários em Mtwara, a 1 de Fevereiro de 1969, que havia recebido um telefonema de Simango, nas vésperas do assassinato de Mondlane, para estarem atentos e fazerem uma festa quando recebessem boas notícias.

Fizeram a festa a 3 de Fevereiro depois de receberem um telefonema de Dar-es-Salaam! Quando procurado pela polícia tanzaniana, Lázaro atravessou a fronteira e entregou-se às forças armadas coloniais com alguns dos seus colegas, iniciando então uma actividade colaboracionista com o inimigo, indicando a este onde bombardear aldeias, escolas, hospitais e fazendo apelos à deserção através da rádio e gravações difundidas por altifalantes nos aviões.

O assassinato de Mondlane pelos colonialistas não se tratou de um caso único, infelizmente. Os assassinatos de Mondlane e Amílcar Cabral, respectivamente em 1969 e 1973, o ataque à República da Guiné em 1970, ocorreram durante o consulado de Marcello Caetano. Dificilmente se pode aceitar que o Presidente do Conselho de Ministros ignorasse estas acções e não as houvesse caucionado antes, ou depois.

Espero que os factos, que se podem verificar, ajudem a separar o trigo do joio e contribuam para pôr termo aos mitos de heroicidade de traidores e de satanismo de inocentes.
Um abraço a todos que prezam os ensinamentos de Mondlane.

P.S.: Lamento, depois de celebrarmos a memória do grande lutador Martin Luther King Jr., o plagiador local do sonho abandone o seu ponto de referência e revista-se do manto de Obama de Moçambique.
Como escreveu Engels, quando a História se repete, fá-lo como caricatura.
Precisa Moçambique, a democracia Nacional e a FRELIMO dum verdadeiro número um à cabeça da oposição, um histrião não serve. Consta que o edil da Beira se prepara para organizar um verdadeiro partido que agregue as forças sãs da oposição, que merece melhor.
A expulsão que vitimou o edil não conta. Coragem engenheiro e como César atravessando o Rubicão, saiba galgar o Chiveve.
Um abraço à seriedade e ao patriotismo, SV


DOMINGO - 08.02.2009

Retirado na sua íntegra do Moçambique para todos

Nota do Reflectindo:

Releiam a carta de Sergio Vieira e reflictam comigo

segunda-feira, Fevereiro 09, 2009

A consciência lhe pesou e demitiu-se

O que faz a grandeza do ser humano é a capacidade deste lhe pesar a consciência quando algo horroroso acontece em situações em que ele é responsável. Segundo O País online, assim manifestou a ministra malgaxe de defesa, Cecile Manorohanta, ao demitir-se em consequência e da morte de pelo menos 28 manifestantes, em confrontos com as forças de segurança ocorridos durante o fim-de-semana:

“A missão das forças de segurança é de defender o povo e o seu bem estar”, disse Manorohanta, num comunicado de imprensa depois de os comandos terem disparado contra os manifestantes no sábado, que se haviam aglomerado diante do palácio presidencial na capital Antananarivo.

“Considerando determinados assuntos, que não estão bem claros e que a minha consciência se recusa a aceitar, eu decidi abandonar o governo a partir de hoje (segunda feira)”, refere o comunicado.” Leia mais aqui.

domingo, Fevereiro 08, 2009

Daviz no seu segundo mandato na Beira

Escrito por Francisco Raiva

Outro Simango tomou posse na manha de ontem para o segundo mandato na cidade da Beira. A praça do município da Beira foi pequena para acolher os milhares de Beirenses que foram testemunhar a investidura de Daviz Simango.

Nem a chuva que tem estado a cair nos últimos dois dias na cidade da Beira impediu que a moldura humana acorresse a praça do município da Beira para assistir in-loco a cerimónia de empossamento de Daviz Simango que teve imensas dificuldades para prestar juramento como edil da cidade devido ao barulho ensurdecedor dos munícipes que o aclamavam.

Depois da assinatura da declaração do compromisso de honra, Daviz Simango dirigiu-se aos Beirenses prometendo muito trabalho.

Por sua vez, o ministro de Administração estatal, Lucas Chomera, mostrou-se igualmente satisfeito pelo comportamento dos Beirenses, que por suas palavras, mostraram que em Moçambique é possível instalar-se uma verdadeira democracia.

A investidura de Daviz Simango coincidiu com o seu aniversário. Precisamente hoje o edil da Beira completa 45 anos de vida, facto que tornou a festa mais animada com corte de bolo e champanhe pelo meio.

Individualidades presenciam empossamento de Daviz

Várias figuras da arena política religiosa e cultural marcaram presença na cerimonia da investidura de Daviz Simango. A Renamo mais uma vez pautou pela ausência.

A liderança da Renamo a nível da cidade da Beira preferiu ausentar-se da cerimónia de tomada de posse de Daviz Simango para o seu segundo mandato em frente à edilidade da cidade da Beira. Todavia, Maria Moreno, chefe da bancada parlamentar da Renamo na Assembleia da República e alguns deputados e membros desta formação estiveram presentes.

A outra figura de destaque no encontro foi o Arcebispo da Beira, Dom Jaime Pedro Gonçalves, que agradeceu os feitos do edil no mandato anterior e prometeu muita ajuda.

Fonte: O País Online

Reflexão sobre o novo curriculo na UEM

Haverá quem duvude que o ensino superior em Moçambique precisa de mudanças ou reformas? Parece que esse não é o problema. Mas há muitos preocupados quanto
às reformas que resolvam os probemas actuais do ensino superior em Moçambique.

Sem dúvidas, reformas curriculares em todo ensino universário precisam-se e muito urgente. Mas para tal, deve-se fazer primeiro um estudo sério. Mesmo ao que Filipe Couto quer copiar, mereceu estudos e está sempre em testagem e avaliação.

Portanto, o que nos conduz a uma batatalha sobre as mudanças curriculares da UEM é a forma como elas são feitas. Isto é, as mudanças são mais administrativas que académicas. Pelo que entendo sobre estas reformas é o poder e o direito que Couto tem, na sua qualidade de reitor.

É para mim concordável que , por exemplo, muitos cursos tenham o bacharelato, mas há os que assim não devem ser feitos pela sua complexidade. O curso da medicina, por exemplo, é tão complicado e de responsabidade que precisa duma rigorisidade minusiosa no terreno. Sejamos prudentes nisto.

Agora o que será o estudante da medicina em três anos?Enfermeiro, para-médico ou técnico-superior da medicina, médico?

Suécia, país muitíssimo desenvolvido, correspondendo a um meio (1/2), tanto em tamanho superficial como em populacional de Moçambique, tem pelo que me vem, na cabeça apenas, três universidade que formam médicos. A universidade de Örebro por exemplo, uma instituição do ensino superior desde 1968, é universidade apenas desde 1998, está há mais de quatro anos lutando pelo mais ambicionado curso de medicina. Entretanto, os avaliadores que são cientistas e apolíticos acham que a universidade de Örebro não está ainda em condições para formar médicos. Um curso da medicina é muito caro.

Afinal qual é a base da formação de médicos? A primeira e fundamental, está na capacidade do hospital aí existente. O hospital regional tem que ter condições em termos materiais, laboratórios e pessoal, (médicos pós-graduados e com investigação reconhecida) isto é, professores em medicina. Portanto, é diferente aos títulos que se atribuem a todos que sejam médicos ou tenham qualquer doutoramento em Moçambique. Na Suécia, é primeiro o hospital local que ganha o títuto de universidade (por ex: Hospital Universitário da Carolina, de Umeå, de Gutemburgo ou Örebro) e depois é que a instituição do ensino superior com muita experiência de formar pessoal da saúde ou medicina.

Seja ou não a nossa ambição de formar doutores, a ponto de, em Moçambique, chamarmos curandeiros ou feiticeiros a doutores (sem conhecimentos em anatomia), a formação de médicos é complicada e requer muitos anos. Daí me interrogo se UniLúrio é mesmo uma universidade. Será que o Hospital Central de Nampula tem Professores (médicos pós-graduados ) e quantos são com o tempo suficiente para os pacientes e estudantes da medicina? A pesar de Nampula ser a minha província, nada tenho a jubilar pela UniLúrio por não ter visto as condições que lha permitisse ser uma universidade. Julgo ser uma decisão política que científica essa de uma universidade de raiz. Mas entendo que muitos políticos querem ser “doutores honoris” uma atribuição que recebem de “Professores honoris”

Em termos de engenharia, há muitos cursos que julgo puderem ser feitos com bacharelamento, mas que a transição ao mestrado deve depender do mérito prático ou teórico do indivíduo/estudante.

Sou da opinião que um enfermeiro, se chama assim, qualquer indivíduo que tenha preferido estar apenas em três anos na cadeira da universidade em ciências da saude, devia passar pela licenciatura como uma das possibilidades para a sua progressão profissional.

Estou achando que não estamos a discutir o problema da reforma curricular universitária, isso que deveria ser para todas as nossas universidades em moçambique e não só na UEM. Ver a discussão no Diário de um Sociólogo.

Quem garante que o facto de declarar-se 3 anos na UEM, acabarão as reprovações? Serão logo passagens automáticas?

Acho nisto, duas coisas distintas: reforma curricular e o problema das reprovações. Porém tanto um como outro passa aqui em/por conversas. Parece-me que a reforma curricular resulta duma decisão do reitor sem basear-se dum estudo nem consultas nem que políticas fossem. Já me parece que uma vez Couto fora da reitoria, logo virá um novo currículo. Aliás, é isso mesmo que aconteceu com a UCM (Universidade Católica de Moçambique). Lembram-se?

O mesmo faz-se com a questão das reprovações. Num país com muitas reprovações e mesmo no ensino superior, onde normalmente vão indivíduos supostamente com dedicação aos estudos, isto é, os melhores dos melhores no ensino pré-universitário. As reprovações no Ensino Superior deviam merecer um estudo particular e não fazerem-se em conversas.

sexta-feira, Fevereiro 06, 2009

Para Assembleia Municipal da Beira o CC aprovou a lista original

Amanhã sábado, dia 7 de Fevereiro, toma posse no Município da Beira o presidente. Para a felicidade de Daviz Simango e felicidade da nossa democracia, o Conselho Constitucional aprovou a lista original dos candidatos da Renamo para deputados da Assembleia Municipal.

A lista original da Renamo foi a que inicialmente fora submetida à Comissão Nacional das Eleições e ela havia sido elaborada antes de Daviz Simango ser preterido pela liderança da Renamo. Uma vez Daviz preterido, a Renamo entendeu elaborar uma nova lista onde a ordem da primeira foi alterada de formas que todos os apoiantes do candidato independente estavam em posições inelegíveis. Assim, a lista da Renamo aprovada pelo CC conforta de certo modo o edil da Beira que amanhã sábado toma posse.

Fonte: Boletim do Processo Político em Moçambique Eleições n.o 26 – 6 February 2009 sobre as eleções autárquica 2008.

2.ª volta em Nacala-a-Porto (2)

Isto é o que a nossa imprensa sobretudo a pública não divulga e foi publicado pelo CIP e AWEPA:

Alguns cartezes de ambos os partidos mas na sua maioria da Frelimo continuam colados nos edifícios públicos como é o caso da Escola Primária Completa de Mocone, no Hospital Geral de Nacala-Porto e no Tribunal Distrital localizado na Cidade Baixa.

Os dois partidos continuam a usar meios públicos (viaturas). Enquanto a Renamo usa viaturas do município, a Frelimo mobilizou grande parte das viaturas da instituições do Estado (direcções provinciais), que dificilmente se podem identificar, porque colam panfletos dos candidatos nas portas onde vem o timbre das instituições e na parte da matrícula, mas conseguimos apurar a chapa de inscrição (Toyota Hilux) cabine dupla MMH-02-84 que é da direcção provincial de educação que tem panfletos de Chale Ossufo e da Frelimo, enquanto que a edilidade usa camiões basculantes que são para a recolha de lixo.

Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique e CIP, 05-02-2009

quinta-feira, Fevereiro 05, 2009

A 2.ª volta em Nacala-a-Porto

Em jeito de avaliação da campanha da eleitoral referente à segunda volta das eleições municipais em Nacala-a-Porto publicarei aqui nas próximas horas, um texto em que desenvolverei os seguintes temas:

1. O papel da imprensa

2. A acção da Polícia

3. O legado de César Gabriel, presidente da OCINA

4. As tensões entre simpatizantes de Chale Ossufo e Manuel dos Santos

Aguardem!

Daviz Simango não pretende criar um partido

Tenho defendido a tese sobre a qual não se pode dizer nem considerar que Daviz Simango esteja para criar um partido político. Há entre muitas razões que tenho defendido o seguinte.

1) Daviz Simango nunca mostrou, pelo menos publicamente esse interesse;

2) Ninguém viu Daviz Simango a percorrer as províncias para as consultas de que se têm falado na imprensa. Na verdade, o que sem omissão se tem veiculado na Imprensa, tem sido que apoiantes de Daviz Simango estão fazendo consultas a nível nacional para saber se há condições para a criação de um partido. Embora o processo pareça acontecer pela primeira vez na história da criação de partidos políticos em Moçambique, a lei de criação de partidos políticos determina que um partido é reconhecido como legal se tiver o mínimo de 2000 (dois mil) filiados, sendo o mínimo de 100 (cem) em cada uma das províncias.

3) Um partido político é uma organização colectiva em que todos os filiados devem se sentir donos, guiando-se pelos estatutos do mesmo, um dos requisitos para a sua legalização. Por diferentes razões, temos tido partidos em que os seus dirigentes se consideram donos e se veneram. Aliás este não é um problema singular de Moçambique, mas dos partidos políticos em África como se aponta neste estudo. A consequência disso tem sido o não cumprimento dos deveres básicos dos filiados, tal como o pagamento das quotas, enquanto que o líder é superior que os estatutos. Isto torna os partidos insustentáveis.

4) Daviz Simango parece ser muito atencioso por entender esta problemática que tem paralisado os partidos políticos em Moçambique e aliado à sua recente experiência, ele prefere dar importância aos seus apoiantes que a si mesmo, como se pode ver nesta peça noticiária do O País:

Simango diz que não pretende criar um partido

O edil da Beira, Daviz Simango, nega que pretende criar um partido político. Falando ao nosso jornal, Simango disse que tem acompanhado informações a esse respeito, mas concluiu que tal vontade nunca foi expressa por si.

“É preciso dialogar com as pessoas que estão por frente disso. É preciso conversar com as pessoas que querem ver a política moçambicana a ir para a frente e contribuir para o desenvolvimento do país. Mas, Daviz Simango, como singular, não tem intenção de formar um partido político”.

Contudo, nas últimas duas semanas várias brigadas cridas pelos apoiantes de Daviz Simango escalaram todo o país com a intenção de medir o pulsar da ideia da criação de um partido político liderado por Daviz Simango.

Para Faque Ferraria, delegado político da Renamo na Beira, a ideia de criação de um partido esteve entre as razões que ditaram o afastamento de Simago do partido Renamo, ano passado.


Fim

Quanto ao Faque Ferreira, é só dizer amém que esse o partido vem aí e mostrará uma diferenca (Reflectindo).

terça-feira, Fevereiro 03, 2009

Eternizar Eduardo Mondlane e seus feitos

Segundo O Paísonline, a Governadora da cidade de Maputo, a capital moçambicana, Rosa da Silva, apelou hoje aos professores do país para ensinarem vigorosamente os feitos de Eduardo Mondlane , arquitecto da unidade nacional, aos seus alunos como forma de manter conhecida a História daquele herói. Acredito que todo o Moçambicano acata este e outros apelos que visam eternizar Mondlane e seus feitos. Contudo, será que os professores terão que ensinar algumas inverdades aos seus alunos sobre Mondlane?

Pessoalmente, se eu tivesse uma turma para ensinar a história sobre Eduardo Mondlane e outros heróis nacionais, punha-a a investigar sobre ele. Depois seria um seminário para apresentação e discussão sobre o resultado da investigação. De certeza, os alunos encontrariam algumas contradições entre a história oficial e a que é escrita por algunss historiadores sérios e mesmo aquilo que se conta gota a gota por alguns veteranos que já não conseguem continuar a mentir. Mas eu como professor, como satisfaria as preocupações dos meus alunos em relação a figura de Eduardo Mondlane, a sua filosofia e tudo aquilo que é importante para o conhecimento das novas gerações?

Aliás, eu próprio tenho uma série de perguntas semelhantes as que Jonathan McCharty no Desenvolver Moçambique nos apresenta partindo de que:

Se quisermos recordar Eduardo Mondlane, é nossa obrigação que nos perguntemos, quantos mais anos precisarão passar, para que (re)iniciemos a trajectória de progresso económico, político e social idealizada e que nos foi negada, com a eliminação desse e doutros verdadeiros nacionalistas!! (leia + aqui)

José Balmiro, jornalista do O País, publicou um artigo baseado em livros publicados sobre ele [Mondlane] e do Lutar por Moçambique de autoria de Eduardo Mondlane. O texto é mais rico que o discurso oficial. O texto de Balmiro (leia aqui) sugere-nos que o marxismo-leninismo introduzindo na Frente de Libertação e consumado em 1977 passando a Frelimo a Partido de Vanguarda do Povo Moçambicano, Partido Marxista-Leninista, não era da filosofia de Eduardo Chivambo Mondlane.

PROJECTOS DIRECIONADOS A NACALA TERÃO ISENÇÃO FISCAL

Texto retirado na íntegra do Moçambique para todos

No âmbito da Zona Económica Especial

Alguns projectos a serem implementados na cidade portuária de Nacala e uma parte do distrito de Nacala-a-Velha, inseridas no âmbito da Zona Económica Especial (ZEE), irão beneficiar de isenção total de direitos fiscais, sobretudo na importação de materiais de construção, máquinas, equipamentos, acessórios, entre outros, uma medida que tem em vista atrair investimentos para aquela região costeira. De acordo com o decreto aprovado recentemente pelo Conselho de Ministros.

Aiuba Cuereneia, Ministro de Planificação e Desenvolvimento do nosso país, que deu a conhecer o facto no acto do lançamento do projecto de ZEE, disse que os operadores terão os referidos benefícios num espaço de tempo de dez anos.

Aquele governante referiu, ainda, que os prováveis investidores gozarão, também, de regimes especiais em várias áreas, nomeadamente cambial, laboral, entre outras.

A fonte acrescentou que, para a materialização da iniciativa, foi recentemente criado o respectivo órgão de tutela, com a denominação de Gabinete das Zonas Económicas de Desenvolvimento Acelerado (GAZEDA), que se incumbirá de promover acções relacionadas com a gestão das zonas económicas, incluindo as zonas francas.

Entretanto, o projecto tem como meta a instalação de infra-estruras socio- económicas, redimensionamento do porto de Nacala, construção de mais portos em Nacala-avelha, aumento da capacidade do Corredor de Desenvolvimento de Nacala, ordenamento territorial, abastecimento de água, linhas de transmissão de energia eléctrica, etc.

Os regimes fiscal, aduaneiro e laboral, sobretudo na contratação de mão de obra estrangeira e no processo de licenciamento, entre outros benefícios, só serão abrangentes no perímetro da ZEE de Nacala. Sublinhou Cuereneia.

Soubemos que, ainda este ano, irá arrancar um estudo de viabilidade com vista à identificação da região onde serão direccionados todos os projectos referentes à ZEE.

WAMPHULA FAX – 02.02.2009

Nota: ouvi falar de coisa parecida nos finais da década 80, penso ser em 1988. Se for a mesma coisa, trata-se de um projecto atrasado a mais de 20 anos.

segunda-feira, Fevereiro 02, 2009

Consumando-se na Renamo

Com a Renamo de Afonso Dhlakama é difícil não se prever a chegada do diabo. Não passou sequer uma semana desde que que o Canal de Moçambique e O Paísonline publicaram uma informação segundo a qual Afonso Dhlakama já tinha a lista dos membros desobedientes às suas ordens.

Vem nessas peças de notícia, que ele já havia decidido para a substituição dos actuais membros da Renamo e da coligação RUE, que assumem cargos nas comissões da Assembleia da República. Para isto consumar-se, parece que deve passar pela Comissão Permanente da Assembleia da República. Então, é um pouco complicado.

Enquanto isto demora por depender de quem por lei não cumpre ordens de lideranças partidárias, Dhlakama começou a consumar o seu plano a partir da província nortenha de Cabo Delgado, mandando cessar Conélio Quivela, delegado político provincial, Celiano Salimo, delegado político distrital de Montepuez, e Juma Rafim, chefe do Departamento de Mobilização em Cabo Delgado.

Contudo, estas destituições todas são ilegais por lesarem os estatutos do partido, uma das condições para que um partido seja legalizado em Moçambique. Só para ilucidar, por exemplo, os Estatutos da Renamo no seu Artigo 41 refere que o é a Conferência Provincial que elege o Conselho Provincial e no Artigo 43 refere que o Conselho Provincial elege o Delegado Político Provincial e a Comissão Política Provincial. O mesmo é quanto aos órgãos distritais referidos nos Artigos 54 e 56.

Por diversas vezes tenho apontado aqui violações à lei dos partidos políticos, ver nas páginas 23 e 24 e os estatutos da Renamo que por minha surpresa, muitos jornalistas não têm dado conta este facto quando escrevem sobre destituições e nomeações no lugar de eleições naquele partido.

Os Nacalenses devem se cuidar das mentiras

Eis o que o Notícias escreve sem crítica:

"No comício agendado para a abertura da sua campanha, Chale Ossufo disse que o seu manifesto eleitoral já está a ser implementado, estando a sua execução em cerca de 30 por cento, focalizando a área de abastecimento de água e expansão da rede sanitária, abertura de furos e a construção de um novo hospital geral.

E eu pergunto:

Como é que Ossufo Chale tenha executado o seu manifesto em 30 %, se ele não está ainda no executivo municipal? Será que no manisfesto do Chale contém o que foi executado por Santos? Significa isto que ele não tem muito a oferecer aos nacalenses?

Os nacalenses devem se cuidar das mentiras!