Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel dos Santos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel dos Santos. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, janeiro 27, 2012

Ex-edil da Renamo em Nacala-Porto reclama dinheiro prometido pela Frelimo

Manuel dos Santos traído pelos “camaradas”

Maputo (Canalmoz) – Em 2009, aquando da realização das quartas eleições gerais e primeiras para as Assembleias Provinciais, o ex-presidente do Município de Nacala-Porto então eleito pelas listas da Renamo, Manuel dos Santos, que perdera pouco antes a sua reeleição a favor do candidato da Frelimo na segunda volta, apareceu a apoiar a Frelimo, jogando farpas para a Renamo, partido pelo qual havia concorrido. Nas eleições municipais um ano atrás concorrera pela Renamo. Afinal tudo era fruto de negociatas envolvendo dois milhões e quinhentos mil meticais.
Agora que “o dinheiro prometido pela Frelimo a Manuel dos Santos não sai”, o ex-edital começa a revelar segredos e cita o nome do empresário Celso Correia, da INSITEC, como a pessoa que iria pagar o tal dinheiro ao ex-edil da Renamo.
Informações que circulam em Nacala, dadas como saindo do próprio ex-edil, indicam que as negociações para Manuel dos Santos mudar da Renamo para Frelimo foram conduzidas pelo jovem empresário Celso Correia e ele próprio tinha-se encarregado de efectuar o pagamento do valor acordado de dois milhões e quinhentos mil meticais. Mas já lá vão três anos, e Manuel dos Santos só recebeu uma parte desse dinheiro. Ler mais

Reflectindo: só pormenores faltam. Quando dia antes o Nuno Amorim apareceu por aqui a dizer que uma bomba ia explodir em Nacala-Porto, eu fui lhe claro que tratou-se duma negociata.  

quarta-feira, janeiro 25, 2012

Ex-edil da Renamo em Nacala-Porto reclama dinheiro prometido pela Frelimo

Manuel dos Santos traído pelos “camaradas”
Maputo (Canalmoz) – Em 2009, aquando da realização das quartas eleições gerais e primeiras para as Assembleias Provinciais, o ex-presidente do Município de Nacala-Porto então eleito pelas listas da Renamo, Manuel dos Santos, que perdera pouco antes a sua reeleição a favor do candidato da Frelimo na segunda volta, apareceu a apoiar a Frelimo, jogando farpas para a Renamo, partido pelo qual havia concorrido. Nas eleições municipais um ano atrás concorrera pela Renamo. Afinal tudo era fruto de negociatas envolvendo dois milhões e quinhentos mil meticais.

quinta-feira, outubro 15, 2009

Ex-edil de Nacala Porto já é da Frelimo

Escrito por N.C.

Quinta, 15 Outubro 2009 12:14

Poderá ser apresentado esta sexta-feira
(Maputo) O antigo edil de Nacala – Porto pela Renamo, Manuel dos Santos poderá ser apresentado esta sexta-feira como novo membro do partido Frelimo naquela cidade portuária.
A apresentação deverá ser feita num comício popular no âmbito da campanha eleitoral em curso para a votação de 28 de Outubro corrente. Manuel dos Santos, num pronunciamento a órgãos de comunicação social apenas disse que, a ser aceite pela Frelimo, continuaria a dar os seus préstimos a este partido e, sobretudo, para o desenvolvimento nacional.
Uma das razões apontadas para a filiação de Manuel dos Santos na Frelimo é a alegada existência de contas mal paradas no Conselho Municipal de Nacala Porto. Os problemas das contas naquele município foram provocados, segundo acusações do actual edil, Chale Ossufo, durante a governação de Manuel dos Santos. O actual edil de Nacala Porto que concorreu pela Frelimo já, publicamente, disse que iria levar à barra do tribunal as pessoas que delapidaram os cofres do Conselho Municipal. Um dos acusados é, exactamente, o antigo edil, Manuel dos Santos. Assim, uma das formas encontradas por Dos Santos para minorar as acusações dos alegados desvios de dinheiro no Conselho Municipal é a sua filiação à Frelimo.

Fonte: SAVANA/MÉDIAFAX

quarta-feira, abril 22, 2009

Entrevista do Canal de Moçambique com Manuel dos Santos

“A Renamo era uma esperança que desiludiu o povo moçambicano”

- Manuel dos Santos, ex-presidente do Município de Nacala em entrevista exclusiva ao «Canal de Moçambique»

“Era contra a minha vontade que houvesse guerra”. “Fiz o que se deve fazer em domocracia” Na entrevista o ex-edil da capital portuária do Norte critica frontalmente o método autocrático de Afonso Dhlakama e acusa-o de ter precipitado o futuro da “perdiz” para o abismo ao expulsar jovens quadros e figuras que haveriam de suportar e levar a Renamo à frente. Chegou mesmo a afirmar que depois da expulsão de Daviz Simango “a Renamo perdeu a sua base de apoio”. “Perdeu muito, perdeu noventa por cento. Não por ser Daviz. Podia ser uma outra pessoa qualquer. Mas aquele procedimento arreou com a Renamo”.

Beira (Canal de Moçambique) – A liderança da Renamo está a empurrar Manuel dos Santos para fora do partido em mais uma purga das várias que Afonso Dhlakama tem vindo a fazer. Foi o próprio que nos disse, em entrevista que concedeu em exclusivo ao «Canal de Moçambique», na sua residência, na Beira, onde se encontra de férias. Manuel dos Santos lamenta que “devido às intrigas inter-pessoais e a uma ambição desmedida de se manter no posto”, o presidente da Renamo esteja a “destruir” a organização que “era a esperança do povo moçambicano”.
O presidente cessante do Conselho Municipal de Nacala, Manuel dos Santos (MS), disse ainda que a liderança da Renamo cortou todas as relações com ele e está a empurrando para fora do partido porque “à revelia” de Afonso Dhlakama, decidiu entregar as chaves à Frelimo e ao seu sucessor, Ossufo Chalé.
Instado a traçar uma antevisão do futuro do movimento que forçou o reconhecimento dos Direitos Humanos, a consagração da democracia e o pluralismo multi-partidário, bem como outras liberdades e garantias na Constituição de Moçambique, entretanto transformado em partido após o Acordo Geral de Paz de Roma, e que ainda é o maior partido de oposição em Moçambique, Manuel dos Santos opinou que a Renamo “foi a esperança do povo moçambicano, mas o povo acabou se desiludindo com ela”.
Lei a seguir em discurso direito como foi a entrevista que Manuel dos Santos, ex-edil de Nacala-Porto, concedeu ao «Canal de Moçambique»

Canal - Qual é o balanço que faz, depois de cinco anos à frente do Município de Nacala?

Manuel dos Santos (MS): Durante a minha governação houve muitas barreiras, como é o caso da dupla administração que a Frelimo colocou. Com advento da governação da Renamo, a Frelimo colocou lá um encarregado do Governo no município, que tinha a missão de dificultar o meu trabalho, denegrindo o meu partido. No País democrático, deveria ter havido coordenação, ao invés do que aconteceu. Faltou compreensão da democracia. A democracia é cara, exige que haja pessoas tolerantes, que saibam perdoar. A representação do Estado devia reunir na eventualidade de uma situação análoga. Aquilo que passei foi um revés tendo em vista apagar-se a democracia. Apesar disso, fiz um trabalho visível para o desenvolvimento de Nacala.

Canal - A “guerra de água” que se vivia em Nacala, onde assistimos a completa escassez do líquido e o Governo imputando responsabilidade à edilidade, terá influenciado os resultados da eleição em que saiu derrotado?

MS: Não é em pouco tempo que será resolvida a questão da falta de água em Nacala. Agora sei que há um projecto, que ficou congelado porque não queriam que fosse a Renamo a implementá-lo. A cidade precisa de água. Ela tem muitas fontes, que poderiam ser bem aproveitadas. Houve erros graves na dimensão das tubagens e por isso a capacidade de resposta não é boa.

Não merecemos a devida atenção do Conselho Constitucional

Canal - Atendendo a que Nacala foi berço da oposição, o que acha que levou à mudança repentina dos eleitores, que preteriram a Renamo e Manuel dos Santos em favor da Frelimo e Ossufo Chale?

MS: Eu não diria que foi a população que determinou as mudanças, mas sim as imposições políticas. Houve um trabalho que deu a entender que a população foi quem decidiu. Fizemos demarches que provaram que houve fraude, mas não merecemos a devida atenção do Conselho Constitucional. Todo mundo sabe o que aconteceu. Tínhamos esperança que o Conselho Constitucional iria tomar a reclamação a peito. Eu percebi que na decisão do CC havia uma força maior que o obrigou a validar o resultado para que se entregasse Nacala à Frelimo. O que verifiquei é que a imposição é tal que se viveu um período de tensão muito grande em Nacala, para onde foram chamados tanques, armas. Não sei se aquilo se direccionava à população ou aos membros da Renamo. Achei que não podia dar espaço a isto. Quis evitar a guerra. Neste momento em que tanto se fala de paz no mundo, achei que não se poderia derramar sangue por causa do Conselho Municipal de Nacala. O poder é efémero. Passa e volta. Na minha consciência, contra todas as pressões contrárias, acabei entregando as chaves, porque quis salvar vidas. Ao fazer isto não fui compreendido: Fui um grande traidor do partido. Hão-de dizer que recebi dinheiro. Mas a história irá absolver-me. O partido deveria reverificar a minha posição, chamar-me. Ninguém quis saber de mim. Foram aos órgãos de comunicação social chamar-me traidor. Acabar me misturando com Dom Jaime, uma pessoa que pensa da sua maneira e tem as suas convicções.

Era contra a minha vontade que houvesse guerra

Canal - As suas relações com a Renamo esfriaram-se?

MS: Acho que sim. Cortaram-se todas as linhas de comunicação. Ao longo da transição mantinha contactos regulares com o presidente Dhlakama, com os deputados. Mas tudo eclipsou-se. Comuniquei-lhes a situação tensa na cidade, mas me diziam que deixasse como estava. Era contra minha vontade que não houvesse guerra. A cidade é pequena. Muita gente iria morrer. Os alvos já estavam identificados. Eu não sei dizer se a Renamo tinha lá seus homens armados. Seria uma chacina, uma limpeza, vamos dizer, étnica. Eu falei dos riscos todos, mas diziam que deixasse as coisas com eles. Iria haver mortos e depois alguém iria aparecer a dizer que no país não há democracia. Em Nacala as pessoas optaram por ficar em casa.

Dificuldade de Dhlakama

Canal - Depois da situação que descreveu, alguma vez tentou falar com Dhlakama?

MS: Eu conheço o presidente que tenho. Uma pessoa que foi muito chegada, amiga, mas que tem essa particularidade. Dificilmente consegue se aproximar dos seus subordinados, dizer, apesar de tudo que aconteceu, preciso falar consigo, dizer vem cá eu quero entender o que aconteceu. Se há uma chicotada, que me desse nessa altura.

Fiz o que se deve fazer em democracia

Canal - Dhlakama fechou-se?

MS: Sim, mas não sei porquê fez isso. Isto contribuiu muito para a queda de quadros, de pessoas. O dirigente é o pai de muitos. Ele tem que saber educar, relacionar, perdoar. Há noutros partidos gente que é repreendida e dão-lhes outras tarefas. O que estamos a verificar no meu partido, que já não sei se é o meu ou dos outros, quando uma pessoa falha põem-no de lado. Mas eu não falhei. Eu fiz o que devia ser feito. Democraticamente eu fiz o que devia fazer. Pode doer, mesmo a mim doeu perder o poder. Mas tinha que ser assim. Não era justo que morresse uma que fosse a pessoa para que eu sentasse no poder.

Já não sou querido na Renamo

Canal - Tem estado a equacionar se continua na Renamo ou vai para outro partido?

MS: Ainda é muito prematuro responder a essa pergunta. As coisas estão frescas. Há uma doença. Quando o bicho político entra na cabeça há-de sempre mexer com a cabeça dessa pessoa, que vai registando coisas erradas. Com certeza quando isso ocorrer vou-me juntar a um grupo que corresponde às minhas aspirações. Eu penso que devia continuar na Renamo, mas já não posso me agarrar num sítio onde já não sou querido. Lamento muito este tipo de procedimento.

Canal - Há quantos anos está filiado na Renamo?

MS: Desde 1981.

Canal - Pode nos dizer uma obra sua concreta, de que se sente orgulhoso?

MS: São as duas vias principais de Nacala, que no mandato anterior estavam esquecidas, obras na entrada do hospital, que era uma dor de cabeça. Fiz um centro de saúde a 20 kms da sede do município, uma escola, fizemos muito trabalho de protecção costeira, reposição de solos nas vias. Em termos de construção, abrimos espaço para que todo e qualquer um pudesse construir a sua casa. Se for a Nacala vai ver isso. Mas há mais coisas que deviam ser feitas, como duas obras de vias de acesso na cidade baixa. Nos outros tempos nunca foram mexidos. Comprámos uma máquina de “Pave’s”, tractores, carros de lixo, obras, máquinas bulldozer. Formámos quadros de nível superior, que não havia anteriormente.

Recebi ameaças de morte

Canal - Terá sido vítima de uma agressão ou recebido alguma ameaça?

MS: Não fui batido. felizmente ninguém me tocou. Recebi ameaças de morte. Uma mensagem que está no meu telefone celular, cujo teor é o seguinte: “Você entregou o Município de Nacala à Frelimo. Queremos o município de volta para a Renamo. Eu sou membro da Renamo, devolva o município. Se você não fizer isto nós vamos te matar.” Peguei no telefone e fiz uma chamada para a pessoa e ela respondeu: “De facto, é isso que você viu na mensagem.” Eu quis saber quem era ele e me respondeu que não “interessa saber. Eu sou membro da Renamo.” E desligou o telefone. Isto deu-se pouco depois de eu ter anunciado que entregaria as chaves ao vencedor da Frelimo, Ossufo Chalé.
Passados dias recebi em minha casa uma pessoa que disse ter sido mandatado pelos religiosos muçulmanos, o qual me dissera que não deveria entregar o município ao Chale, mesmo apesar de me ter comprometido nesse sentido.
Eu perguntei, se eu não entregar o que iria acontecer? Irá se responsabilizar pelas consequências daí advenientes? A pessoa se foi e nunca trouxe resposta. Mas eu já me tinha decido a entregar. Com certeza, acabei entregando. Antes disso, no dia anterior à a entrega, peguei no telefone e tentei falar com o presidente Dhlakama. Não consegui. Falei com um dos deputados da Renamo, e lhe pus ao corrente da situação. Este me recomendou a desaparecer, que deixasse tudo e sumisse daí. Me aconselhou a deixar a casa e o edifício do Conselho Municipal à disposição, ir para onde achava melhor, pois estava interdito de assistir à cerimónia de transição de poder. Achei ridículo. O presidente da Assembleia Municipal fê-lo tal como o recomendaram, mas no meu caso era diferente. Eu devia responder pelos fundos que entraram no município. Era muito dinheiro. Era da minha responsabilidade. Eu não podia abandonar naquela situação. Não seria prático abandonar, pegar o carro e desaparecer, quando estamos em paz. Foi por isso que procedi da maneira que se conhece. Aliás, no encontro que tive com o partido havia explicado as razões que me levariam a tal procedimento.

Apanhado na correlação de forças

Canal - Como é que olha o seu futuro político, depois de ser considerado traidor ?

MS: Um agricultor tem que saber perder. Um agricultor faz uma grande machamba. Tem esperança que vai produzir, mas depois não sabe se a chuva há-de cair. Ou o regadio não foi eficiente. Acaba não tendo nada, mas não significa que tem deixar de ir a machamba. Eu sinto que apesar desta frustração do meu partido, penso que foi uma acção programada. Porque primeiro sendo eu familiar de Daviz Simango, me interrogo se não teria sido apanhado nesta onda de correlação de forças. Segundo, as pessoas podem estar a pensar assim, mas de maneira nenhuma não posso cortar relação com Simango. Ademais temos em comum o facto de termos sido colegas. Terceiro, não sou impedido de ir a qualquer que seja o partido. A via não devia ser esta.

Afastaram-me quanto antes

Canal - Considera que está a ser forçado a deixar a Renamo?

MS: A percepção para eles é que a entrega das chaves sobrevinha a tudo o resto, com todas as consequências daí advenientes. A ideia é que não iria para nenhum partido, como também não ficaria na Renamo. Penso que também devem estar a pensar que depois de entregar o município fui para o MDM. Daí devem ter decido precipitar os acontecimentos, antes que eu manifeste a minha posição. Afastaram-me quanto antes. De toda a maneira estou ainda a pensar no meu futuro. Se eu achar que devo ir ao MDM vou, se achar que não, não.

Sempre falo com Daviz Simango

Canal - Já teria recebido um convite do MDM nesse sentido, depois que foi chamado traidor?

MS: Sempre falo com Daviz Simango. Mesmo que eu lá for não será nenhum pecado. Estou consciente, se alguém se quisesse aproveitar do meu pensamento, acção, já o teria dito. Eu não sei como um indivíduo deve ser compreendido, a democracia exige esforço.

Muita solidariedade em Moçambique

Canal - Terá recebido alguma solidariedade da parte dos embaixadores, comunidade internacional?

MS: Recebi telefonema de uma pessoa que já conhecia, da Suécia. Ligou-me a dar-me forças. Também recebi telefonema de uma outra pessoa que está naquele país que me saudou pela minha decisão. De Moçambique recebi muita solidariedade.

Estranha maneira da Renamo perder tudo

Canal - A Renamo perdeu todos os cinco municípios que detinha. Agora é essa questão melindrosa de Nacala, em que está envolvido. O que acha na sua óptica que está a falhar na Renamo?

MS: É estranha a maneira como nós perdemos. Logo os cinco municípios. Deveriam ter restado um ou dois sobre a nossa gestão. E perdemos outros, que considerávamos potencialmente nossos: dez, quinze, vinte. A nossa perspectiva para essas eleições era de atingirmos acima de trinta municípios. Mas à medida que fomos avançando para o período eleitoral vi muitas movimentações estranhas. Todo o membro da Renamo achava-se presidenciável. A própria direcção não conseguiu gerir isso. Nessa acção havia muita informação da base dirigida ao topo, intrigas, que fulano é isto, aquilo, aqueloutro. Fabricaram-se mentiras, sobre pseudo-conexões entre algum e outra vítima com a Frelimo. Isto desorientou a liderança, a cabeça do partido. Um dirigente tem que saber seleccionar as coisas, de contrário dá nisto. Vi um Conselho Nacional muito estranho na Renamo, em Quelimane. Para mim, aquilo não foi nenhum Conselho Nacional. Foi uma reunião que se convocou onde apenas falaram duas pessoas que disseram o que queriam. É esta falha que tem que ser corrigida. Quem estiver como cabeça tem que saber ouvir e tem que ouvir a pessoa acusada. Não se pode julgar a pessoa, à revelia. Deviam ouvir o Daviz, falar com ele, e ouvir da sua justiça. Para mim, Daviz Simango não fez nada. Ele me dizia que o seu compromisso era com a Renamo. Antes da sua expulsão vi que ele já tinha organizado material propagandístico com bandeiras da Renamo. Ele fê-lo com muita antecedência. E porquê o tomam por rebelde? Fabriaram mentiram, e se não for mentira alguém foi comprado para afastar o Daviz Simango do concurso às eleições autárquicas. A direcção do partido precisa de ser trabalhada. Há muita intriga na Renamo. Tenho muita pena. O povo tinha muita esperança na Renamo. Infelizmente desvaneceu. A Renamo demonstrou incapacidade. Na cabeça da Renamo há muita coisa que tem que ser mexida. Eu já assisti a um encontro em que se dizia que Daviz é uma criança. Mas afinal hoje nós somos pais. Levamos um filho ao colo. Educamo-lo, amanhã passados vinte anos, ele se forma, torna-se doutor e caminha com os seus próprios pés, tornando-se homem de amanhã. O que nós esperamos desse homem? O Daviz não é criança. Já bebeu muita política. Tem o seu pensamento. Não é justo que o tratemos dessa maneira. É ali onde a política da Renamo falha. Não considerar os seus quadros.

Depois de Daviz Simango sair da Renamo…

Canal - Depois que Daviz Simango foi expulso, acha que a Renamo perdeu a sua base de apoio?

MS: Perdeu muito. Noventa por cento. Não por ser Daviz. Podia ser uma outra pessoa qualquer. Mas aquele procedimento arriou com a Renamo. Isto que estou a dizer é bom que registe bem. Não por ser Daviz Simango, mas por se tratar de um político. Um político que fez um trabalho que toda gente viu e gostou. Valorizou outros municípios.

A Renamo caiu 90% por ter tirado o Daviz

Canal - Acredita que as expulsões que se tornaram uma prática dentro da Renamo há-de ter contribuído para a perda de fé na parte das bases que a suportavam?

MS: Isto não pode duvidar. Retirou.

Canal - A sua ilação é de que a Renamo não pode continuar a expulsar pessoa?

MS: Não pode fazer isto. A mim já me puseram fora. Ao Daviz Também. Mas se a Renamo quer ser um partido, que quer avançar, se a Renamo quer ser uma oposição credível, não pode continuar com esse procedimento. Tem que valorizar os seus quadros. A Renamo arriou noventa por cento por ter tirado o Daviz. Marcou-se passos para traz. Faltou seriedade. Isto é ambição do poder. Lá em cima. Sustenta-se que Daviz queria ser presidente do partido, o que duvido muito. Eu converso com Simango. Em nenhum momento ele me disse que estava interessado de deter a liderança do partido. O facto teve sua origem na imprensa que começou a tratar o Daviz Simango como alguém capaz de suceder a liderança da Renamo. Acho que a imprensa apenas viu o empenho do Daviz Simango. No meu lugar, ao invés de se chegar aonde se chegou, eu chamava o Daviz, dentro do espírito democrático, e punha-o como secretário-geral. Faltou conversa.

Dhlakama assustado com Daviz

Canal - A partir do momento que Daviz Simango começou a ter uma projecção nacional assustou a direcção da Renamo?

MS: Assustou a liderança, que acha que não podia ser outra pessoa se não ela. A certas coisas que deveriam ser feitas. Sacrificou-se a sobrevivência do partido, em benefício de vantagens pessoas. O que vai acontecer agora é que o partido deverá trabalhar muito para reaver o que perdeu. Não sei o que se deve fazer. Mas o partido deve trabalhar. Eu não estou contra o partido Renamo. Fui à Renamo por vontade própria. Deu o meu máximo. Os municípios que perdemos eram uma base importante para as eleições presidenciais. Não é fácil começar de zero.

Nunca falei com D. Jaime

Canal - A liderança da Renamo tomou o Arcebispo Dom Jaime Gonçalves como um traidor na mesma linha consigo e Daviz Simango. Já teve algum contacto com o Arcebispo Dom Jaime?

MS: Nunca falei com Dom Jaime Gonçalves.

Canal - Não terá recebido alguma pressão da Igreja Católica para entregar as chaves?

MS: Nem da Igreja católica nem da Igreja Protestante.

Estou de férias

Canal - Vai regressar às Águas de Nacala, agora que cessou as funções no Conselho Municipal?

MS: Estou de férias. Ainda não mexi nada. Eu preciso de férias. Na sei se eu volto para as Águas de Nacala. Quando sai para o Município fiz um pedido escrito nesse sentido.

(Adelino Timóteo) 22-04-2009

Fonte: Canal de Mocambique.

terça-feira, abril 07, 2009

Manuel dos Santos sofre ameaças de morte

O PRESIDENTE cessante do município de Nacala-Porto, Manuel dos Santos (na foto), disse esta semana que está a ser alvo de ameaças de morte protagonizadas por alguns membros seniores do partido Renamo, do qual é militante há décadas.

Segundo ele, as ameaças que lhe têm sido feitas de forma sistemática por via de chamadas e mensagens telefónicas se devem ao facto de se ter recusado a cumprir a orientação do líder do seu partido, Afonso Dhlakama, de não entregar a gestão da edilidade aos órgãos autárquicos eleitos, alegadamente por o escrutínio referente à segunda volta ter sido fraudulento.

Manuel dos Santos explicou que o conteúdo das chamadas telefónicas e das mensagens alertam-no para o facto de se preparar para a morte, a qual poderá acontecer a qualquer momento, ainda que peça protecção policial, por desobediência e traição ao partido, incluindo o seu dirigente máximo.

Adianta que há cerca de duas semanas três influentes membros e ex-guerrilheiros da Renamo com a patente de generais, nomeadamente César Alberto, Saimone Macuiana e um tal Mainga, foram enviados a Nacala-Porto por ordens de Afonso Dhlakama, para influenciá-lo no sentido de não entregar o município a Chale Ossufo, bem como orientar os membros daquele partido escolhidos para fazer parte da Assembleia Municipal para não participarem na cerimónia de investidura havida segunda-feira última.

Os três generais da Renamo estiveram na cidade de Nacala-Porto e chegaram a marcar um encontro por via telefónica para se encontrarem comigo e assim me transmitirem a mensagem que traziam do presidente da Renamo. Estranhamente eles não chegaram a falar comigo, mas com outros membros da cúpula a nível distrital e passados alguns dias soube que regressaram a Nampula e depois a Maputo - disse Manuel dos Santos.
Os membros da Assembleia Municipal eleitos pela Renamo não chegaram a tomar posse, cumprindo assim a orientação superior do seu partido.

Recentemente, a Renamo em Nacala-Porto acusou Manuel dos Santos de traição ao seu partido depois que anunciou a intenção de entregar o município de Nacala-Porto aos órgãos autárquicos eleitos nas terceiras eleições municipais e segunda volta das presidenciais.

O político referiu que não duvida da possibilidade de vir a ser expulso do partido, acrescentando que vai acolher essa possível decisão com muita tranquilidade, pois reconhece que agiu em respeito aos órgãos de soberania e ao Estado moçambicano em geral.

Jamais me sentirei arrependido por entregar o município aos justos vencedores das eleições autárquicas recentemente realizadas, igualmente não vou mergulhar em actos ilícitos que só podem contribuir para o atraso do desenvolvimento da cidade de Nacala-Porto de que sou munícipe e guardo-a no meu coração. – finalizou.

Fonte: Notícias

Nota do Reflectindo:

Se em Nacala-Porto e, sobretudo, nesta segunda volta houve vencedor justo, tenho dúvidas. Só se for vencedor justo a lá moçambicana, aí não vou discutir. Também discuto a forma como se faz a justiça eleitoral em Moçambique. Até aqui não estou entender de como é possível que funcionários eleitorais que foram detectados a invalidar votos, prática de um crime, estejam em liberdade.

Porém, uma coisa é certa, Manuel dos Santos agiu duma forma muito prudente, porque sabemos do que seria a consequência - um banho de sangue como sempre tem sido. Enviarem pessoas para Nacala para irem provocar mortes não é justo. Quem quer disputar coisas a sério, faz isso em Maputo onde se encontra o governo central. Em parte esta é a consequência do ambiente criado pela própria liderança da Renamo, que mostrou ao eleitorado que não era séria. Que se deixe o Santos em paz!

segunda-feira, março 23, 2009

O Poder Judicial em Mocambique

De acordo com o Canal de Mocambique, pode ler aqui, Manuel dos Santos, até aqui Presidente do Município de Nacala, foi intimado para apresentar-se e responder perante o Tribunal da urbe da província de Nampula. A notificação enviada ao Edil não dá indicações do motivo que terá levado o tribunal a querer ouvir Manuel dos Santos, da Renamo.

Há especulações que Manuel dos Santos tenha sido intimado alegadamente para responder num caso em que se irá tratar de destruição de material eleitoral do partido Frelimo, neste caso de uma bandeira pertencente àquele partido, aquando das eleições autárquicas. Vamos esperar da explicação sobre os motivos da intimação e o desenrolar do caso.

Contudo, mais uma vez algo me chama atenção. Quando é que o Tribunal de Nacala vai intimar Antoninho Maia, Arsénio Geraldo Joaquim Nkabwebe, Amido Fernando entre outros que invalidaram votos?

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Governação anárquica em Nacala-Porto?

Leiam isto que extrai do Jornal Notícias:

MUNÍCIPES entrevistados pela nossa Reportagem em Nacala-Porto disseram, entre outras coisas, que, durante os cinco anos do seu mandato, a Renamo, com Manuel dos Stos na direcção do município, empreendeu uma governação anárquica. Segundo os nossos entrevistados, os munícipes de Nacala-Porto gozam duma total liberdade, de tal forma que não precisam de andar com documentos de identificação pessoal nos bolsos, porque a Polícia não tem ordens expressas para exigi-la, mesmo quando suspeite de algum caso que atente contra a lei e ordem.

Ademais, as taxas municipais são pagas quando os citadinos podem, ou seja, aqueles que podem pagar cumprem a obrigação e os que nada podem continuam a praticar o seu negócio na maior das tranquilidades. As nossas fontes consideram que devido ao não pagamento regular de taxas, algumas melhorias que deviam ser feitas mesmo nos mercados ou noutras partes não estão a acontecer.

Questionado sobre o facto, Manuel dos Santos afirmou que tal não corresponde bem à verdade. “Não é bem assim. Nós sempre cobramos as taxas. O que eu disse durante a minha campanha é que uma pessoa que estivesse a praticar um pequeno negócio, cujo lucro é ínfimo, podia pagar 2,50 meticais. Os que tivessem um lucro mais razoável e que podiam pagar cinco ou dez meticais então podiam pagar. Removemos o impedimento a pessoas que traziam os seus produtos de fora da cidade, permitindo que elas pudessem vender a grosso, mas contra o pagamento duma taxa. Dantes as pessoas pagavam a taxa no controlo e isso não podia ser”, explicou.

O Presidente do Conselho Municipal de Nacala-Porto disse não ser verdade que a Polícia tinha ordens expressas de não pedir identificação a nenhum cidadão, mesmo em caso de atentado à lei e ordem, porque senão não se estaria a viver dentro duma urbe. Segundo afirmou, a Polícia actua com justiça e não a seu bel-prazer.

“A Polícia tem que ter uma causa para prender ou repreender o cidadão. A Polícia actua sim senhor! Já viu uma cidade sem Polícia?”, questionou.

Manuel dos Santos disse que o povo de Nacala é amante da paz e respeita as autoridades, mas reage quando os seus direitos são violentados.

“O povo de Nacala não é violento. É amante da paz, mas está sendo ensinado a ser violento. Este povo merece tranquilidade e desfrutar de todas as oportunidades de desenvolvimento. A economia da província (de Nampula) provém de Nacala e o Governo tem que prover serviços a este povo. O facto de muitos não saberem escrever não significa que não pensam”, disse.

Fonte: Jornal Notícias

Haverá aqui algo que indique que Nacala-Porto teve uma governação anárquica?


sábado, fevereiro 14, 2009

2.ª volta em Nacala-a-Porto (4) - Manobras

Notei que Nuno Amorim colocou uma questão embora sem referências e tema impróprio, o que de certo modo deixa a muitos sem motivação para a réplica. Fui procurando ao que ele havia alegado e felizmente o Savana já havia escrito sobre. Acho a questão importante para um debate sério, como ponto de reflexão sobre alguns actos que possam minar o nosso processo democrático. Eis o que o Savana escreve:

Manobras

A Frelimo e a Renamo interceptaram-se transportando seus membros para votarem a favor de um dos partidos.
Ossufo Quitine, porta-voz da Renamo em Nacala-Porto, confirmou ao SAVANA que cinco viaturas indicadas pelo seu partido transportaram cerca de 700 eleitores de Ontupia para Nacurula-Cidade.

Quitine explicou que a medida surgiu como retaliação supostamente ao facto do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) local ter movimentado cadernos dum lugar para o outro. Com a movimentação dos cadernos, o STAE local visava, segundo Quitine, beneficiar a Frelimo. A fonte acusa ainda a Frelimo de ter transportado jovens membros da Organização da Juventude de Moçambique da cidade de Nampula, um dos tentáculos políticos da Frelimo, para votar na cidade portuária.

Na verdade, o STAE deslocou as duas mesas (1886 e 1887) de Ontupaia para a Escola Primária Completa (EPC) de Nacurula. A situação suscitou uma confusão e a Renamo decidiu transportar seus militantes de Ontupaia para votarem em Nacurula num carro do Conselho Municipal. O director do STAE em Nacala, Gilberto Sapile, justificou a transferência das duas mesas como medida para corrigir a irregularidade verificada na primeira volta.

Fim

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

2.ª volta em Nacala-a-Porto (2)

Isto é o que a nossa imprensa sobretudo a pública não divulga e foi publicado pelo CIP e AWEPA:

Alguns cartezes de ambos os partidos mas na sua maioria da Frelimo continuam colados nos edifícios públicos como é o caso da Escola Primária Completa de Mocone, no Hospital Geral de Nacala-Porto e no Tribunal Distrital localizado na Cidade Baixa.

Os dois partidos continuam a usar meios públicos (viaturas). Enquanto a Renamo usa viaturas do município, a Frelimo mobilizou grande parte das viaturas da instituições do Estado (direcções provinciais), que dificilmente se podem identificar, porque colam panfletos dos candidatos nas portas onde vem o timbre das instituições e na parte da matrícula, mas conseguimos apurar a chapa de inscrição (Toyota Hilux) cabine dupla MMH-02-84 que é da direcção provincial de educação que tem panfletos de Chale Ossufo e da Frelimo, enquanto que a edilidade usa camiões basculantes que são para a recolha de lixo.

Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique e CIP, 05-02-2009

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

A 2.ª volta em Nacala-a-Porto

Em jeito de avaliação da campanha da eleitoral referente à segunda volta das eleições municipais em Nacala-a-Porto publicarei aqui nas próximas horas, um texto em que desenvolverei os seguintes temas:

1. O papel da imprensa

2. A acção da Polícia

3. O legado de César Gabriel, presidente da OCINA

4. As tensões entre simpatizantes de Chale Ossufo e Manuel dos Santos

Aguardem!

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Os Nacalenses devem se cuidar das mentiras

Eis o que o Notícias escreve sem crítica:

"No comício agendado para a abertura da sua campanha, Chale Ossufo disse que o seu manifesto eleitoral já está a ser implementado, estando a sua execução em cerca de 30 por cento, focalizando a área de abastecimento de água e expansão da rede sanitária, abertura de furos e a construção de um novo hospital geral.“

E eu pergunto:

Como é que Ossufo Chale tenha executado o seu manifesto em 30 %, se ele não está ainda no executivo municipal? Será que no manisfesto do Chale contém o que foi executado por Santos? Significa isto que ele não tem muito a oferecer aos nacalenses?

Os nacalenses devem se cuidar das mentiras!


quinta-feira, janeiro 01, 2009

Nacala-Porto, ano político 2009 e a supervisão das leis

O município de Nacala-Porto que vai à histórica segunda-volta para a eleição de seu edil e já constitue um dos pontos de partida político de 2009, em Moçambique. As acusações sobre uma pré-campanha não tardaram como se pode ler aqui. Contudo, não sei porque seria interessante queixar-se de pré-campanha que me parece não ser ilegal em Moçambique. Ou?

Se a pré-campanha não é ilegal, o melhor é que tanto Santos como Chale a façam livremente. Não há necessidade de falar-se de campanhas de outros, embora eu pense ser justo em falar-se das formas da campanha. Quanto às formas, refiro-me ao que viola a lei eleitoral mocambicana e por vezes a Constituição da República. Quer dizer, que ninguém seja forçado a ir para uma campanha eleitoral e muito menos a votar para um condidato e que ela (a campanha) não seja feita em locais interditos pela lei elitoral.

Se a pré-campanha eleitoral for proibida por alguma lei moçambicana, que essa lei seja supervisada por quem a compete e os violadores sejam severamente punidos. Tenho a certeza que quem supervisa as leis não são partidos políticos.