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quarta-feira, fevereiro 14, 2018

CC determina realização da segunda volta em Nampula até 14 de Março

O Conselho Constitucional determinou, hoje, a realização da segunda volta das eleições intercalares, em Nampula, entre o candidato da Frelimo, Amisse Cololo, que obteve 44.51% dos votos e o candidato da Renamo, Paulo Vahanle, que obteve 40.32%.
A eleição deverá decorrer dentro de 30 dias, ou seja, até o dia 14 de Março.

Fonte: O País – 14.02.2018

sexta-feira, novembro 12, 2010

Alassane Ouattara investido candidato da oposição na Côte d'Ivoire

Alassane Dramane Ouattara foi investido quarta-feira candidato da oposição agrupada no seio da Coligação dos Houphouetistas para a Democracia e Paz (RDHP) para defrontar o Presidente cessante, Laurent Gbagbo, na segunda volta das eleições presidenciais ivoirienses, a 28 de Novembro próximo.
A RHDP é composta pelo Partido Democrático da Côte d'Ivoire (PDCI) de Henri Konan Bédié, pela União para a Democracia e Paz na Côte d'Ivoire (UDPCI) de Albert Mabri Toikeusse e pelo Movimento das Forças do Futuro (MFA) de Anaky Kobenan.
Alassane Ouattara prometeu, em caso de vitória, partilhar o poder com os seus aliados.
"Ser Houphouetista é manter os seus compromissos com os nossos compatriotas mas também connosco mesmo, através da gestão comum do poder por uma distribuição equitativa e justa dos postos ministeriais e eletivos, sob a autoridade do Presidente Henri Konan Bédié. Presidente Bédié, vou trabalhar sob a vossa autoridade para gerir a Côte d'Ivoire", prometeu o candidato da oposição ivoiriense.

Fonte: Panapress - 11.11.2010

terça-feira, abril 07, 2009

Manuel dos Santos sofre ameaças de morte

O PRESIDENTE cessante do município de Nacala-Porto, Manuel dos Santos (na foto), disse esta semana que está a ser alvo de ameaças de morte protagonizadas por alguns membros seniores do partido Renamo, do qual é militante há décadas.

Segundo ele, as ameaças que lhe têm sido feitas de forma sistemática por via de chamadas e mensagens telefónicas se devem ao facto de se ter recusado a cumprir a orientação do líder do seu partido, Afonso Dhlakama, de não entregar a gestão da edilidade aos órgãos autárquicos eleitos, alegadamente por o escrutínio referente à segunda volta ter sido fraudulento.

Manuel dos Santos explicou que o conteúdo das chamadas telefónicas e das mensagens alertam-no para o facto de se preparar para a morte, a qual poderá acontecer a qualquer momento, ainda que peça protecção policial, por desobediência e traição ao partido, incluindo o seu dirigente máximo.

Adianta que há cerca de duas semanas três influentes membros e ex-guerrilheiros da Renamo com a patente de generais, nomeadamente César Alberto, Saimone Macuiana e um tal Mainga, foram enviados a Nacala-Porto por ordens de Afonso Dhlakama, para influenciá-lo no sentido de não entregar o município a Chale Ossufo, bem como orientar os membros daquele partido escolhidos para fazer parte da Assembleia Municipal para não participarem na cerimónia de investidura havida segunda-feira última.

Os três generais da Renamo estiveram na cidade de Nacala-Porto e chegaram a marcar um encontro por via telefónica para se encontrarem comigo e assim me transmitirem a mensagem que traziam do presidente da Renamo. Estranhamente eles não chegaram a falar comigo, mas com outros membros da cúpula a nível distrital e passados alguns dias soube que regressaram a Nampula e depois a Maputo - disse Manuel dos Santos.
Os membros da Assembleia Municipal eleitos pela Renamo não chegaram a tomar posse, cumprindo assim a orientação superior do seu partido.

Recentemente, a Renamo em Nacala-Porto acusou Manuel dos Santos de traição ao seu partido depois que anunciou a intenção de entregar o município de Nacala-Porto aos órgãos autárquicos eleitos nas terceiras eleições municipais e segunda volta das presidenciais.

O político referiu que não duvida da possibilidade de vir a ser expulso do partido, acrescentando que vai acolher essa possível decisão com muita tranquilidade, pois reconhece que agiu em respeito aos órgãos de soberania e ao Estado moçambicano em geral.

Jamais me sentirei arrependido por entregar o município aos justos vencedores das eleições autárquicas recentemente realizadas, igualmente não vou mergulhar em actos ilícitos que só podem contribuir para o atraso do desenvolvimento da cidade de Nacala-Porto de que sou munícipe e guardo-a no meu coração. – finalizou.

Fonte: Notícias

Nota do Reflectindo:

Se em Nacala-Porto e, sobretudo, nesta segunda volta houve vencedor justo, tenho dúvidas. Só se for vencedor justo a lá moçambicana, aí não vou discutir. Também discuto a forma como se faz a justiça eleitoral em Moçambique. Até aqui não estou entender de como é possível que funcionários eleitorais que foram detectados a invalidar votos, prática de um crime, estejam em liberdade.

Porém, uma coisa é certa, Manuel dos Santos agiu duma forma muito prudente, porque sabemos do que seria a consequência - um banho de sangue como sempre tem sido. Enviarem pessoas para Nacala para irem provocar mortes não é justo. Quem quer disputar coisas a sério, faz isso em Maputo onde se encontra o governo central. Em parte esta é a consequência do ambiente criado pela própria liderança da Renamo, que mostrou ao eleitorado que não era séria. Que se deixe o Santos em paz!

quinta-feira, abril 02, 2009

Como vão as coisas aí na província de Nampula?

E devo dizer-te, Abudo, que estou com muito medo do que possa acontecer, nos próximos dias, na cidade de Nacala
Marco do Correio


Por Machado da Graça

Olá amigo Abudo

Como vão as coisas aí na província de Nampula?
Sei que nem tudo é fácil e que a vossa província é hoje um ponto quente na vida política nacional.
E devo dizer-te, Abudo, que estou com muito medo do que possa acontecer, nos próximos dias, na cidade de Nacala.
O facto de o Conselho Constitucional ter validado a vitória do candidato da FRELIMO às recentes eleições autárquicas pode criar enormes problemas, dada a posição intransigente que a RENAMO tem estado a apresentar.
Por um lado, eu acho que a RENAMO não pode pôr em causa a paz interna, indo contra toda a ordem constitucional estabelecida no país. Ao fazê-lo, torna-se culpada dos males que possam advir das suas atitudes.
Mas, por outro, também tenho que dizer que começo a estar farto de resultados eleitorais validados, apesar das irregularidades reconhecidas.
É que as irregularidades são sempre no mesmo sentido, isto é contra a RENAMO, e os culpados nunca são penalizados, por muito comprovados que estejam os seus actos criminosos.
E recordo o nome de um tal Albuquerque, apanhado com a boca na botija a falsificar votos a favor da FRELIMO, às centenas, na Beira, a quem nunca aconteceu nada. Acho que até foi promovido....
Portanto, as coisas não são tão claras como parecem.
O Conselho Constitucional, se não se quer tornar cúmplice deste tipo de situação, e das consequências a que pode levar, deve, na minha opinião, tornar muitíssimo mais severa a sua condenação das permanentes irregularidades eleitorais podendo/devendo ir mesmo até ao ponto de não validar eleições em que se tenham registado irregularidades graves, mesmo que estas não tenham tido reflexos directos nos resultados eleitorais.
Creio que a única forma de evitar que esta pouca vergonha continue é dizer aos infractores (sempre os mesmos) que, com irregularidades, a vitória não lhes é reconhecida, sejam quais forem os resultados contados em votos válidos.
Agora ouvir o venerando Dr. Rui Baltazar a dizer que em todos os processos eleitorais há irregularidades, como se se tratasse de uma fatalidade, é coisa que não esperava e me desilude. Será que na Suécia há irregularidades eleitorais? Será que em Portugal há irregularidades eleitorais? Será que na França há irregularidades eleitorais? Nunca ouvi falar...
Há dias uma pessoa amiga comentava que, para ela, não era importante a quantia que um dirigente corrupto e ladrão tenha desviado em seu proveito. O importante é termos no nosso país um dirigente corrupto e ladrão.
Pois eu acho que o mesmo se aplica a esta questão eleitoral. Não é importante se as irregularidades se traduziram em mais ou menos votos desviados.
Importa sim que, tendo havido votos desviados, a eleição, no seu conjunto, não pode ser considerada séria.
É verdade que a desproporção de votos num ou em outro candidato pode parecer demonstração clara da preferência do eleitorado.
Mas, se assim é, não há razão nenhuma para os previsíveis vencedores recorrerem à fraude. Se são os mais fortes esperem, calmamente, pelos resultados eleitorais.
Mas a coisa parece estar-lhes na massa do sangue. Se puderem, através da falcatrua, aumentar as suas probabilidades, não há escrúpulo moral que os detenha. Honestidade, seriedade, equilíbrio, vai tudo raso à sua frente.
Esperemos que tudo isto não vá fazer correr sangue em Nacala. Esperemos que o bom senso prevaleça e as coisas acalmem.
Mas, se os acontecimentos forem desaguar numa desgraça generalizada, não devemos procurar os culpados apenas entre os boçais militaristas da RENAMO.
Entre os pretensamente civilizados da FRELIMO também haverá muitas culpas no cartório.
Creio que foi o Papa João 23 que disse que “Justiça é o novo nome da Paz”. O que quer dizer que a Paz não é possível se as pessoas não sentirem que existe Justiça na forma como são tratadas.
Ora, não sendo eu simpatizante da RENAMO, tenho que reconhecer que não lhe tem sido feita Justiça em termos eleitorais.
Esperemos que não vamos pagar nós todos essa falta de Justiça gritante.

Um abraço do

Machado da Graça

CORREIO DA MANHÃ - 02.04.2009

Retirado na sua íntegra do Moçambique para todos, veja aqui.
Nota: O título não é original, mas escolhi entre as palavras do autor.

terça-feira, março 31, 2009

Conselho Constitucional confirma vitória da Frelimo em Nacala

Fraude insuficiente para mudar resultado

A vitória da Frelimo na segunda volta das eleições de 11 de Fevereiro para presidente do município de Nacala foi confirmada hoje pelo Conselho Constitucional (CC).

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) informou que alguns boletins de voto foram invalidados de forma fraudulenta, mas alegou que os resultados eram válidos porque a fraude não era suficientemente grande para alterar o resultado - Chale Ossufo da Frelimo venceu por 4119 votos, e o número de votos inválidos foi apenas de 2346. Este facto é aceite pelo CC.

Mas o CC continuou afirmando que era "imperíoso" que a CNE e o Ministério Público tomassem rápidamente medidas para julgar os responsáveis das fraudes. Com efeito, a credibilidade das instituições da administração eleitoral depende da sua tomada de medidas contra aqueles que tenham efectuado estes ”ilícitos criminais”, independentemente de terem ou não afectado o resultado.

No Boletim 28 relatámos que a equipe do Boletim realmente viu Amido Fernando, Vice Presidente assembleia de voto 1894, utilizando tinta para colocar uma segunda marca nos boletins de voto para o candidate da Renamo, Manuel dos Santos, para os inválidar. Pela primeira vez, a CNE analisou mais de perto os boletins de voto inválidos durante o processo de requalificação e, no seu acórdão de 18 de Fevereiro, "constatou, com apreensão, uma anulação feita, de má fé ... com recurso ao uso da tinta indélevel ou esferográfica ". A questão, realçada pelo Boletim e pelos observadores, foi que, em várias assemblias de voto houve invalidações tão grosseiras que eram óbvias - uma segunda marca feita com uma tinta ou uma caneta que não eram acessíveis ao eleitor, enquanto este marcava o seu boletim de voto.

O CC assinalou que duas das 99 assembleia de voto tinham mudado de local por causa das fortes chuvas e que a CNE admitiu que ter havido uma publicidade inadequada sobre tal mudança. No entanto, a afluência nestas duas estações voto foi similar às outras. Assim, o CC concluiu que a mudança foi legal e aceitável.

O resultado final, confirmado pelo CC, foi de 24131 votos para Ossufo (54,7%) e 20012 para dos Santos (45,3%) com uma taxa de afluência de 54%. Na primeira volta nenhum dos candidatos ganhou mais de metade dos votos. Na primeira volta, havia dois candidatos menos importantes e Ossufo ganhou 49,8% e dos Santos 47,8% dos votos, com uma taxa de afluência de 57%.
2
A deliberação, Acórdão n º. 5/CC/2009, será publicada no site do CC: http://www.cconstitucional.org.mz/

Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique, veja aqui

Nota do Reflectindo:

Porquê até aqui o Ministério Público não agiu contra os fraudelentos que sem dúvidas cometeram um crime eleitoral?



domingo, fevereiro 22, 2009

Ser político é sinónimo de ser mentiroso?

Parece haver uma luta de alguns políticos em se desacreditarem a si próprios e fazerem desacreditar o político e a política. Porquê será? Para que o cidadão perca o interesse sobre ele, deixando assim pressionar o político porque sempre é mentiroso?

A nossa própria história recente está cheia de mentiras e oculta factos que muitos cidadãos sabem, viveram e sobreviveram, mas mesmo assim muitos políticos não deixam de dizer barbaridades perante uma multidão a quem deviam dizer a verdade. O pior de tudo, é que as mentiras em Moçambique passam inquestionáveis pelos órgãos de informação. Mas porquê isso é muito possível nesta terra amada?

O que me levou a escrever este texto, é a afirmação da deputada Verónica Macamo, uma deputada de reputação, a afirmar que a vitória de Ossufo Chale em Nacala-Porto é limpa. Para ela reforçar isto e sustentando que não houve fraude, a Verónica Macamo disse ainda que:
“Em Nacala-Porto não estiveram só a Frelimo e a Renamo. Estiveram lá muitos observadores, até os observadores locais e jornalistas. Nós estivemos lá e não vimos nenhuma manifestação de fraude”, disse, apelando ser necessário “crescer” e, se o processo decorreu bem, “deve haver coragem de reconhecer”.

Não choca isto a consciência de um ser racional? Eu pelo menos acho que esta era a oportunidade deVerónica Macamo, em nome da Frelimo, e, até em nome da Nação Moçambicana, distanciar-se dos actos perpetrados e já denunciados de Arsénio Geraldo Joaquim Nkabwebe, Amido Fernando e Antoninho Maia. Estou sozinho a pensar assim? Se ela não se distância deste acto fraudulento e criminoso, não podemos concluir que foi a mando do partido Frelimo? Desta forma, será que é possível convencer-me (a mim) que os únicos actos fraudulentos em Nacala-Porto, foram os detectados pelos observadores? E de que observadores e jornalistas a Macamo fala? Os que fecharam os olhos para não verem o escândalo? Dos que viram tarde de Nampula e sairam cedo de autocarros especiais como Edwin Hounnou chegou de descrever?

Enfim, tenho muitas questões, mas acho muito útil não desanimarmos em cumprir o nosso dever de cidadãos isso concordando como Zacarias Chambe.
P.S: Não adoro muito em dar no blog referâncias de filósofos, mas agora e em voz baixa, recomendo aos interessados a lerem algumas obras da Hannah Arendt.


CNE diz que houve crime eleitoral

Mais do que ser apenas uma dúvida, é amplamente reconhecido que houve fraude eleitoral em na segunda volta da eleição do Presidente daquele Município. O O País online escreve que a Comissão Nacional da Eleições, na pessoa do seu Presidente, João Leopoldo da Costa,na imagem, reconhece que houve crime eleitoral, como se pode ler:

"A CNE reconhece que houve má fé na anulação dos votos por parte de alguns interessados e intervenientes no processo eleitoral em Nacala-Porto, recorrendo ao uso da tinta indelével ou esferográfica em prejuízo dos dois candidatos.

As declarações de Da Costa dão razão à Renamo e à AWEPA que dizem ter havido fraude massiva em Nacala-Porto com proporções criminais.

Apesar da CNE repugnar estas irregularidade e reconhecer que constituem um acto ilícito eleitoral, previsto e punível nos termos do artigo 175, da Lei n.o 18/2007, não diz o que irá fazer daqui em diante com vista ao esclarecimento deste crime e punição dos seus perpetradores, muito menos põe em causa a vitória do candidato da Frelimo."

Leia todo o artigo clicandoaqui

Obs:

Do que a PRM, a PGR estão a espera para começarem a investigar? Que os donos dos votos invalidados façam queixa? Quem sabe de qual eleitor foi o voto? Que Manuel dos Santos, o prejudicado, faça a queixa? Como têm se feito para os casos conhecidos em Manica, Nampula e outras partes? Não tem sido a PRM e PGR a agir mesmo que apenas suspeitos? Ou agora é "quem põe o guiso no pescoço do gato"? Estamos de olho!


sábado, fevereiro 21, 2009

O Observatório Eleitoral denuncia actos ilícitos em Nacala Porto

O Observatório Eleitoral diz ter assistido aos membros das mesas de voto a sujar os boletins com tinta indelével, em Nacala Porto, e prontifica-se a identificar os prevaricadores.

A maior mancha das eleições autárquicas de segunda volta em Nacala Porto veio dos membros das mesas de voto.

Recrutrados pelo STAE para instruir cidadãos como proceder à votação, os membros das mesas de voto despiram-se das suas funções, e dedicaram anular os votos depositados nas urnas pelos eleitores, com recurso à tinta indelével e esferográficas, como forma de alterar a vontade dos munícipes daquela urbe, expressa através do voto depositado nas urnas.

O observatório eleitoral condena esta prática, e o seu presidente, Sheik Abdul Carimo, diz ter assistido a este acto ilícito, e prontifica-se a identificar os seus mentores.

Os resultados finais do escrutínio de Nacala foram divulgados ontem pela CNE, e conferiu vitoria ao candidato da Frelimo, Chale Ossufo.

Retirado do O País onlaine

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Nacala a ferro e fogo

Por: Edwin Hounnou

A segunda volta para a eleição do presidente municipal de Nacala, que teve lugar no dia 11 de Fevereiro de 2009, demonstrou que o partido Frelimo é, de facto, dominante, capaz de subverter a máquina do Estado, manipular a consciência de indivíduos mais desprevenidos, usando truques ilícitos, na luta titânica para ficar com o poder. Os partidos disputam o acesso ao poder com base em leis, diferente do que acontece entre nós, em que o partido no poder domina os órgãos eleitorais, à excepção do Conselho Constitucional.

Está vedado, por regras internacionais, o acesso ao poder por via de golpe militar. Sem igualdade de oportunidades para se beneficiar dos meios financeiros, humanos e outros disponibilizados pelo Estado, se se pretende evitar convulsões de graves proporções, tais regras continuam injustas. A alternância na governação é um pressuposto democrático que não deve ser impedido com recurso à força, intimidações ou chantagem. O ser funcionário público não implica que seja, só por si, membro do partido no poder. A adesão a um partido deve
ser um acto voluntário.

Nos dias em que decorreu o processo eleitoral, a cidade de Nacala estava sitiada, como forma de intimidar que os eleitores votem em conformidade com os ditames da consciência. O SISE meteu-se no barulho, em Socorro do patrão. Não é tarefa dos Serviços de Informação e Segurança do Estado, SISE, ajudar o partido Frelimo. Nacala não tem presença significativa de militares, mas, era comum encontrar viaturas civis trans-portando soldados, portando capacetes com inscrição PM. O que faz a Polícia Militar num jogo que deve envolver, apenas, partidos e populações?

O Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique despachou um importante contingente para Nacala. Dos distritos vizinhos de Nacala, chegaram polícias e respectivos comandantes. Nos dias imediatos à divulgação dos resultados, viaturas, com timbres do partido Frelimo, carregavam pessoas trajadas a civil, porém, tratavam-se policias, de regresso, como foi o camião de marca TATA, MNP–11-20, cor branca, a 15 de Fevereiro, que monitorei até ao Comando Provincial. Um polícia disse que tinham ido à Nacala para bater! Nem mesmo os deputados da oposição escaparam à pancadaria e detenções.

Jovens, apoiantes da Frelimo, conversam Jovens, apoiantes da Frelimo, conversam, orgulhosos de terem participado na distribuição de arroz, óleo e outros produtos, pelas mesquitas. Outros diziam ter introduzido, pelo menos, mais que um boletim de voto nas urnas, seguindo a instrução recebida de arregaçar a manga direita da camisa logo que se chegassem à mesa de votação. O sinal era conhecido dos presidentes de mesa.

O uso de tinta, como foi na Mocímboa da Praia, em 2005, para inutilizar votos, voltou a funcionar, em Nacala. O presidente da mesa 1894 inutilizou 109 votos favoráveis a Santos. Noutra mesa vizinha, com o mesmo processo, anularam 149. O partido Renamo é incapaz de impedir que o seu adversário faça fraudes. O partidono poder, Frelimo, sempre, há-de fazer ilícitos em pleitos eleitorais até que apareça um adversário forte e organizado, capaz de evitálos. O poder não se oferece.

Fonte: ATribunaFax, edicão N° 904 de 18-02-2009

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

2.ª volta em Nacala-a-Porto (3) - Resultados

A Frelimo vence em Nacala

Chale Ossufo (Frelimo) conquistou ontem 55% dos votos para presidente do município de Nacala, em comparação com os 45% de votos para Manuel dos Santos (da Renamo e atual presidente do município), de acordo com a contagem paralela realizada pelo Observatório Eleitoral. Apesar da chuva, a afluência foi semelhante à taxa de 56%, na primeira volta das eleições em 19 de Novembro.

As assembleias de voto abriram a tempo, e foram capazes de fechar a tempo, porque só havia um boletim para que as pessoas pudessem votar rápidamente. Mas há indícios de fraude em pelo menos cinco assembleias de voto.

Anulação de votos da Renamo

Cinco assembleias de voto registaram um grande número de votos nulos, o que pode indicar a a possibilidade de ocorrência de fraude. Em Matalane, a equipa editorial do Boletim viu realmente o pessoal da mesa invalidar votos para o candidato Renamo, Manuel dos Santos.

Na assembleia de voto 1894, Ossufo teve 207 votos e dos Santos 149, com 109 votos nulos. O presidente da assembleia de voto, Arsénio Geraldo Joaquim Nkabwebe, foi acusado de invalidar a maioria destes votos, colocando uma marca adicional sobre eles, utilizando a tinta indelével destinada a marcar os dedos dos eleitores. O vice-presidente, Amido Fernando, também foi visto usando tinta indelével no polegar direito, para invalidar outros boletins favoráveis a dos Santos. A acção de Fernando foi testemunhada quer pelo Editor Adjunto do Boletim quer pelos nossos Assistentes de Pesquisa, Adriano Nuvunga e Tânia Frechauth.

Na assembleia de voto 1893, Chale Ossufo (Frelimo) teve 250 votos e Manuel dos Santos (Renamo) 66 votos, com um incrível número de 137 votos nulos. Destes 137, cerca de 115 foram boletins de voto em que o eleitor votou a favor dos Santos com uma impressão digital, mas cada boletim teve um traço idêntico, riscado com uma caneta azul, por cima da foto de Chale Ossufo. O presidente da assembleia de voto foi Antoninho Maia, que é director pedagógico da Escola 4° Congresso.

A assembleia de voto 1832, em Ontupaia, teve 140 boletim nulos. A sua comparação com as assembleias de voto vizinhas, 1829 e 1830, sugere que algo está errado. Ver o quadro aqui.

Em todas as três assembleias, os votos para Ossufo são semelhantes, mas na assembleia de voto1832, existem cerca de 150 votos a menos favorecendo dos Santos e 114 votos nulos extra.

Duas outras assembleias de voto também registaram um elevado número de nulos: EPC Mathapue 1839 com 72 nulos e EPC Murrupulane 1898 com 55 nulos.


Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Há indícios de fraude eleitoral em Nacala

Segundo AWEPA, há indícios de fraude eleitoral a favor da Frelimo, em Nacala-Porto. Os indícios referem-se a pelo menos cinco mesas de voto.

Desta vez há nomes dos presidentes da mesa e alguns indiciados na prática de fraude, tratando-se de Antonio Maia,da Escola 4. o Congresso adjunto-pedagógico, presidente da mesa 1893, enquanto que Arsénio Geraldo Joaquim Nkabwebe e Amido Fernando da mesa 1894, foram vistos a invalidarem boletins.

Uma outra notícia do “O País”, indica que um cidadão foi ontem detido pela polícia por ter sido encontrado com dez (10) boletins de voto.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

2.ª volta em Nacala-a-Porto (2)

Isto é o que a nossa imprensa sobretudo a pública não divulga e foi publicado pelo CIP e AWEPA:

Alguns cartezes de ambos os partidos mas na sua maioria da Frelimo continuam colados nos edifícios públicos como é o caso da Escola Primária Completa de Mocone, no Hospital Geral de Nacala-Porto e no Tribunal Distrital localizado na Cidade Baixa.

Os dois partidos continuam a usar meios públicos (viaturas). Enquanto a Renamo usa viaturas do município, a Frelimo mobilizou grande parte das viaturas da instituições do Estado (direcções provinciais), que dificilmente se podem identificar, porque colam panfletos dos candidatos nas portas onde vem o timbre das instituições e na parte da matrícula, mas conseguimos apurar a chapa de inscrição (Toyota Hilux) cabine dupla MMH-02-84 que é da direcção provincial de educação que tem panfletos de Chale Ossufo e da Frelimo, enquanto que a edilidade usa camiões basculantes que são para a recolha de lixo.

Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique e CIP, 05-02-2009

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

A 2.ª volta em Nacala-a-Porto

Em jeito de avaliação da campanha da eleitoral referente à segunda volta das eleições municipais em Nacala-a-Porto publicarei aqui nas próximas horas, um texto em que desenvolverei os seguintes temas:

1. O papel da imprensa

2. A acção da Polícia

3. O legado de César Gabriel, presidente da OCINA

4. As tensões entre simpatizantes de Chale Ossufo e Manuel dos Santos

Aguardem!

terça-feira, janeiro 20, 2009

Nacala: 2ª volta a 11 de Fevereiro

Boletim Eleitoral 2008 Número 24 – 20 de Janeiro de 2009

A segunda volta das eleições para a Presidência do Município de Nacala terá lugar na quarta-feira, 11 de Fevereiro próximo. O Conselho de Ministros, reunido hoje em sessão extraordinária, aceitou a data sugerida ontem pela Comissão Nacional de Eleições (CNE). A votação para a segunda volta deve ocorrer no prazo de 30 dias após a verificação dos resultados pelo Conselho Constitucional, que teve lugar na passada sexta-feira, 16 de Janeiro.

A segunda volta é necessária porque nenhum candidato garantiu mais de 50% dos votos em Nacala, durante a primeira volta das eleições. Nacala foi o único dos 43 Municípios de Moçambique onde não houve vencedor imediato nas eleições locais de 19 de Novembro. Antes disso, nunca houve uma segunda volta numa eleição Moçambicana.
Chale Ossufo, o candidato da Frelimo, ganhou 22.736 votos (49,84%), seguido pelo candidato da Renamo e actual edil do município, Manuel dos Santos, com 21.812 votos (47,81%).

Os outros 2,35% dos votos foram arrebatados pelo PDD (Partido para a Paz, Democracia e Desenvolvimento) e o grupo de cidadãos independentes OCINA (Organização dos Candidatos Independentes Nacala).

Publicado por AWEPA, Parlamentares Europeus para a Africa, e CIP, Centro de Integridade Pública