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sexta-feira, julho 27, 2012

Lady SOAS ou o diálogo com os mortos


(A propósito de uma entrevista de Graça Machel)


Por: Barnabé Lucas Ncomo

Há afirmações de figuras políticas nacionais que são de tal forma controversas e desfasadas da realidade que acabam por assumir foros surrealistas. Viu-se isso numa entrevista recente ao canal televisivo, TVM, em que Graça Machel se viu confrontada com perguntas acutilantes do jornalista Simião Ponguane. Graça Machel reclamou representar uma ala liberal no seio da Frelimo e, por inerência, do regime que essa formação política tem dirigido desde há mais de três décadas. Quando o entrevistador indagou sobre as razões da Frelimo não ter conseguido gerir o descontentamento de alguns moçambicanos a ponto de haver um movimento que, depois, se chamou Renamo, Graça Machel descartou-se com algo inesperado, afirmando desconhecer que alguma vez os cidadãos moçambicanos tivessem colocado as suas posições perante o regime, tal como a Frelimo havia feito em relação ao governo português antes do início da luta armada. Graça Machel rematou o seu argumento, afirmando: 

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Eternizar Eduardo Mondlane e seus feitos

Segundo O Paísonline, a Governadora da cidade de Maputo, a capital moçambicana, Rosa da Silva, apelou hoje aos professores do país para ensinarem vigorosamente os feitos de Eduardo Mondlane , arquitecto da unidade nacional, aos seus alunos como forma de manter conhecida a História daquele herói. Acredito que todo o Moçambicano acata este e outros apelos que visam eternizar Mondlane e seus feitos. Contudo, será que os professores terão que ensinar algumas inverdades aos seus alunos sobre Mondlane?

Pessoalmente, se eu tivesse uma turma para ensinar a história sobre Eduardo Mondlane e outros heróis nacionais, punha-a a investigar sobre ele. Depois seria um seminário para apresentação e discussão sobre o resultado da investigação. De certeza, os alunos encontrariam algumas contradições entre a história oficial e a que é escrita por algunss historiadores sérios e mesmo aquilo que se conta gota a gota por alguns veteranos que já não conseguem continuar a mentir. Mas eu como professor, como satisfaria as preocupações dos meus alunos em relação a figura de Eduardo Mondlane, a sua filosofia e tudo aquilo que é importante para o conhecimento das novas gerações?

Aliás, eu próprio tenho uma série de perguntas semelhantes as que Jonathan McCharty no Desenvolver Moçambique nos apresenta partindo de que:

Se quisermos recordar Eduardo Mondlane, é nossa obrigação que nos perguntemos, quantos mais anos precisarão passar, para que (re)iniciemos a trajectória de progresso económico, político e social idealizada e que nos foi negada, com a eliminação desse e doutros verdadeiros nacionalistas!! (leia + aqui)

José Balmiro, jornalista do O País, publicou um artigo baseado em livros publicados sobre ele [Mondlane] e do Lutar por Moçambique de autoria de Eduardo Mondlane. O texto é mais rico que o discurso oficial. O texto de Balmiro (leia aqui) sugere-nos que o marxismo-leninismo introduzindo na Frente de Libertação e consumado em 1977 passando a Frelimo a Partido de Vanguarda do Povo Moçambicano, Partido Marxista-Leninista, não era da filosofia de Eduardo Chivambo Mondlane.