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quinta-feira, janeiro 28, 2016

A história da liga juvenil da Frente de Libertação de Moçambique

Por Eusébio Pedro Gwembe

Dois meses após a formação da Frelimo, um grupo de Jovens, sob direcção de Uria Simango, desenhou e debateu ideias sobre a criação do braço Juvenil do novo Partido. Eis a Lista da precursora da OJM (cada número corresponde ao assinalado na foto)
1. Saide Muchequeche
2. Uria Simango
3. Manuel de Carvalho José Guihole
4. Simone Ally Makaba
5. China Hassane
6. David Mabunda
7. Jaime Moiana
8. Silvério Nungu
9. Carlos Mac Danlod Dewas
10. John Sakupwanya
11. Daniel S. Mahlayeye
12. Francisco Mandega
13. Poland Mapunju
14. Millione Machomba
15. Gabriel Machava
16. Lassau Baridi
17. Filipe Magaia

Fonte: TT. Serviços de Centralização e Coordenação de Informações de Moçambique, 1962-1963, cx n.º 1135, folha 603

P.S. O título é meu

quarta-feira, setembro 19, 2012

As provocações às vítimas de M’telela


Muitos moçambicanos e não menos os que não eram crianças na altura da independência, sabem da insustentabilidade do que se evocou ao criarem-se centros de prisioneiros políticos como M’telela para os considerados reaccionários. Aos que se formavam nos centros de formação de professores se inculcava que Simango foi isto, Gwengere foi aquilo, Joana Simeão aquilo. Hoje, aquelas razões que evocaram são insustetáveis por razões óbvias. Afinal, os ditos “reaccionários” parece que eram os sonhadores.

segunda-feira, agosto 13, 2012

“Participei, por isso testemunho”, Sérgio Vieira, pág. 257,258 e 259( A morte de Eduardo Mondlane)

Passaram-se mais de quarenta anos desde o dia em que uma bomba, pre­parada na Beira pelo sinistro inspector da PIDE, Casimiro Monteiro, assas­sinou Eduardo Chivambo Mondlane, Presidente da FRELIMO. Muito do que descrevo já o Presidente Chissano declarou na Assembleia da República, contudo, pareceu-me útil, no meu exercício de memória, pôr os pontos nos is, para ajudar o fim da especulação com boa ou má-fé. A essência dos dados, incluindo a origem da bomba, na época, a INTERPOL, a pedido do governo tanzaniano investigou e difundiu.
Não se tratou de um caso único, infelizmente, o assassinato de Mon­dlane pelos colonialistas. Os assassinatos de Mondlane e Amílcar Cabral respectivamente em 1969 e 1973, o ataque à República da Guiné em 1970 ocorreram durante o consulado de Marcelo Caetano. Dificilmente se pode aceitar que o Presidente do Conselho de Ministros ignorasse estas acções e não as houvesse caucionado antes, ou depois. Já em 1965 a PIDE assassinara em Espanha o general Humberto Delgado.
Casimiro Monteiro, de origem goesa, preparou na Beira um livro arma­dilhado com uma bomba, numa obra do marxista Plekhanov. Antigos colegas da PIDE de Casimiro Monteiro, incluindo Rosa Casaco, reconheceram esta acção. Rosa Casaco afirma ainda que este seu colega disparou, mortalmente, contra o general Delgado. Ignora-se quem instruiu Casimiro Monteiro para preparar a armadilha contra Mondlane, se um membro do governo central ou da colónia, se o comando das forças armadas em Moçambique, ou da PIDE, ou se tudo se reduziu a uma conjura local com Jardim e Cristina.
No Malawi, no consulado português em Blantyre, dirigido por Jaime Pombeiro de Sousa, um associado de Jorge Jardim que lá se encontrava, por acaso ou deliberadamente, Orlando Cristina, entregou um pacote a um sacerdote belga, o padre Pollet, que missionara muitos anos em Sofala e aí travara amizade com o padre Mateus Pinho Gwenjere. Orlando Cristina pediu ao padre Pollet, que ia para a Tanzânia, que levasse o embrulho para a fronteira e aí buscasse alguém da FRELIMO, para que o remetesse a Silvério Nhungu ou a Urias Timóteo Simango em Dar-es-Salaam. Assim fez o sacerdote e, encontrando na fronteira de Songea Samuel Rodrigues Dhlakhama, que já conhecia, solicitou-lhe que entregasse o volume a Simango ou a Nhungu.
De nenhum modo se pode afirmar que o padre Pollet, com quem ainda falei depois do assassinato de Mondlane, conhecesse o conteúdo e o objectivo do embrulho. Ele mencionou-me que Cristina lho entregara e o remetera a Samuel Rodrigues Dhlakhama, que encontrara por acaso. Igualmente, nunca se encontraram quaisquer dados sobre o envolvimento do cônsul Jaime Pombeiro de Sousa, que dirigia o consulado em Blantyre. O padre Pollet disse-me que após os eventos as circunstâncias lhe criaram suspeição, encontro no consulado português e a entrega do embrulho por Cristina, conhecido como agente português. Ele, como missionário na região de Sena, necessitava de estar em contacto com as autoridades e sempre que ia a Blantyre cumpri­mentava o cônsul ou outro representante do consulado. Se revoltado pela sua instrumentalização, se pela idade ou saúde, o padre Pollet retirou-se de Moçambique.
Chegado a Dar-es-Salaam, Samuel Rodrigues Dhlakhama telefonou a Nhungu, que lhe marcou um encontro num quarto de hotel (não me recordo do nome), que ficava junto à representação do MPLA em Dar-es-Salaam. Dhlakhama entregou o embrulho a Nhungu, que estava acompanhado por Simango. Num dos dias seguintes, quando o Presidente Mondlane estava a sair do escritório, dirigindo-se para Oyster Bay, para a casa de Betty King onde trabalhava muitas vezes na ausência dela e do marido, o escritor Willy Sunderland, Nhungu voltou-se para uma camarada, a Rosaria, que estava afecta à nossa representação na capital tanzaniana e disse: Corre para o carro do Presidente e entrega-lhe este embrulho. Esqueci-me de lho dar, Tratava-se de um volume, com a forma de um livro, embrulhado sob a forma de vim pacote postal, com selos soviéticos e tanzanianos, e endereçado a Mondlane. Ao abrir o pacote a armadilha funcionou, matando instantaneamente o Presi­dente, a bomba dilacerou-lhe o ventre e o tórax, segundo me narraram.
Dhlakhama, quando transportou o embrulho, este estava dirigido a Nhungu e não se assemelhava a um objecto chegado via correio, segundo declarou à comissão de inquérito. A Rosaria, segundo também declarou à mesma comissão, lembra-se de que recebeu um pacote, com a aparência de que vindo através dos correios, com selos e carimbos, endereçado a Mondlane e que Nhungu lhe entregara para remeter ao Presidente. Samuel Dhlakhama sempre insistiu nos seus depoimentos de que o pacote entregue a Nhungu lhe parecia muito maior do que a dum simples livro, ainda que volumoso. Pessoalmente, Samuel Dhlakhama e Rosaria, além de outras pessoas, confir­maram vários destes factos e a comissão de inquérito, que eu dirigi, constatou, por unanimidade, não haver qualquer indício que apontasse para o facto de eles não haverem agido de boa fé ou conhecessem o conteúdo do pacote antes do desfecho fatal, embora houvessem transmitido, depois dos eventos, suspeitas sobre o acontecido. A comissão considerou-os livres de qualquer suspeita e inocentes.
Simango reconheceu os factos, embora declarasse ao CC, em Abril de 1969, que ignorava o conteúdo do embrulho entregue a Silvério Nhungu, na sua presença, no hotel.
Lázaro Nkavandame afirmou a amigos e correligionários em Mtwara, a 1 de Fevereiro de 1969, que havia recebido um telefonema de Simango, para estarem atentos e fazerem uma festa quando recebessem boas notícias. Fizeram a festa a 3 de Fevereiro depois de receberem um telefonema de Dar-es-Salaam! Quando procurado pela polícia tanzaniana, Lázaro atravessou a fronteira e entregou-se às forças armadas coloniais com alguns dos seus colegas, ini­ciando, então, uma actividade colaboracionista com o inimigo, indicando a este onde bombardear aldeias, escolas, hospitais e fazendo apelos à deserção através da rádio e gravações difundidas por altifalantes nos aviões.
No dia 3 de Fevereiro, Samora estava em Moçambique e tomou conheci­mento da tragédia pelos noticiários da rádio tanzaniana. Marcelino acabava de chegar de Moçambique, e não se deslocara ainda ao escritório.
Espero que os factos, que se podem verificar, ajudem a separar o trigo do joio e contribuam para pôr termo aos mitos de heroicidade de traidores e de satanismo de inocentes.

Retirado do Moçambique para todos (14.08.2012)

Nota: Siga o link para ler a réplica de Barnabé Ncomo, autor do livro Uria Simango: Um homen, Uma causa

quarta-feira, agosto 08, 2012

“A mentira não faz História de uma Nação” Fanuel Guidion Mahluza, o homem que deu o nome “FRELIMO” ao movimento de libertação de Moçambique


SAVANA Maputo, Sexta-feira, 20.10.00, Ano VI Nº 353 - Editor: Salomão Moyana

Tema da semana

Por Salomão Moyana

O cidadão que aqui vou entrevistar é natural de Lhovukazi, distrito de Xai-Xai, província de Gaza. Tem 68 anos de idade, dos quais 40 foram passados fora de Moçambique, onde pertenceu a diversos movimentos de libertação nacional. Foi um dos fundadores e vice-presidente da UDENAMO, em 1960 em Bulawayo, foi a pessoa que sugeriu o nome “FRELIMO” ao movimento resultante da união entre UDENAMO e MANU, em 1962 em Acra, e foi adjunto de Marcelino dos Santos na chefia das Relações Exteriores da Frelimo, em Dar-es-Salaam, em Junho de 1962, foi secretário da Defesa do COREMO e foi secretário de Relações Exteriores da Renamo, já nos anos 80. Esteve em várias cadeias, incluindo na de Moçambique “D”, em Cabo Delgado, onde diversos compatriotas nossos foram executados nos anos 70 e 80.

terça-feira, agosto 07, 2012

Fanuel Malhuza continua a desafiar as teses da Frelimo sobre a História:

“Urias Simango foi vítima da demagogia do tsonga”


Por Salomão Moyana

“Urias Simango nunca foi reaccionário. Foi apenas vítima da demagogia tsonga.Quer dizer, os estatutos da Frente de Libertação de Moçambique diziam que, em caso de morte do presidente, o vice-presidente, automaticamente, ascendia à presidência. Mas, quando morreu Mondlane, três tsongas vão a casa de Simango pedir-lhe para não tomar o poder, alegando que era preciso mais tempo para se organizar uma tomada mais pomposa do poder. Simango comete o grande erro de aceitar a proposta dessas pessoas, não tomando o poder, o que deu campo para todas as manobras que culminaram com a sua expulsão da Frelimo, com nomes feios de reaccionário, traidor, etc.”.
É o nosso entrevistado da semana passada, Fanuel Guidion Mahluza, que nos diz estas coisas, as quais não são muito diferentes das que já ouvimos doutros moçambicanos, igualmente, participantes da libertação nacional. Ele fala o resto. Ler mais

segunda-feira, agosto 06, 2012

SITUAÇÃO SOMBRIA NA FRELIMO

Por Uria T. Simango

A Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) foi formada em Junho e 1962 como resultado da fusão de três organizações políticas: UDENAMO, MANU e UNAMI. As pessoas que finalmente trouxeram esta unidade, e  que há quatro anos desertaram, são os senhores Mateus Mmole, presidente da MANU, Adelino Gwambe, presidente da UDENAMO e muitos outros que na época estavam em Dar-Es-Salam.
A unificação dessas organizações foi o mais importante acontecimento realizado pelo povo na luta contra o colonialismo português. Este acontecimento encontrou uma forte oposição de elementos individualistas que entendiam que este processo podia diminuir-lhes a possibilidade de alcançar posições importantes na política. Este processo, que visava juntar, fortificar e dar uma impressionante força a luta contra o colonialismo e o imperialismo, não agradou aos inimigos da liberdade e da independência. Contudo, apesar dos esforços empreendidos para evitar a formação da Frente de Libertação, o desejo do povo moçambicano realizou-se. Ler mais

sábado, junho 23, 2012

Liderança tripartida travou ascensão de Uria Simango - ex-combatente

Nota: Leia todo o artigo porque é uma grande revelação e é pela primeira-vez que a Frelimo iliba Uria Simango de cúmplice no assassinato de Eduardo Mondlane. E o que diz o meu amigo Viriato Tembe?

Liderança tripartida travou ascensão de Uria Simango - ex-combatente

A Frelimo optou pelo triunvirato na liderança do movimento, após o assassínio do seu primeiro presidente, Eduardo Mondlane, para travar a ascensão de Uria Simango, "um líder um bocadinho fraco", disse à Lusa o combatente anticolonial Mariano Matsinha.

domingo, abril 22, 2012

Samora Machel contra a execução de Uria Simango

CRÓNICA exotérica
Por Yahia ben Yokhanon (alias João Craveirinha)

Samora Machel contra a execução de Uria Simango

(Segundo texto apócrifo de Zoao Kraveirinya na era do Tsuname)

Nachingueia, Farm 17, sul de Tanzânia. Manhã de um dia diferente no mês de Janeiro de 1975. Alguns Homens e mulheres abatidos estão perfilados perante Samora Machel e o então 1º Ministro Joaquim Chissano, passando revista e verificando até que ponto a “sessão” da noite anterior no mato (até ao amanhecer), tinham causado danos físicos aos apresentados. O destino desses homens e mulheres estão em jogo.

quinta-feira, outubro 22, 2009

Declarações perigosas da filha do “arquitecto da unidade nacional”


Por Luís Nhachote

Maputo (Canalmoz) – Nyelete Mondlane, que concorre para deputada da Assembleia da República, pelo círculo eleitoral da Zambézia, é citada, na edição de ontem, do «Diário da Zambézia», como tendo dito, no distrito de Gurué, em plena caça ao voto que “Uria Simango é quem matou o meu pai”.
O diário, baseado em Quelimane, diz que Nyelete, terá dito estas palavras, após a passagem de Daviz Simango, por aquele distrito. E não se terá ficado por ai. O veneno a destilar tinha proporções desconhecidas: “Quem matou o meu pai foi Uria Simango e por isso tenham cuidado com as mensagens que recebem”.
Pode-se daqui inferir que Nyelete se referia a Daviz, pois tanto o seu pai, como o pai do candidato do MDM, Daviz Simango, já não estão vivos.
Nyelete, pelo menos conhece o túmulo onde o seu pai foi sepultado. Isto já lhe serve, certamente, de algum consolo. O que já não acontece com Daviz Simango e toda a família Simango. Daviz Simango, não sabe nada do destino dado aos restos mortais dos seus progenitores: Pai e Mãe.
Daviz Simango até já disse, em entrevista ao semanário Canal de Moçambique, que perdoava os algozes do acto ocorrido algures em M´telela, no Niassa.
À época dos factos (morte de Mondlane, 3 de Fevereiro de 1969), tanto Daviz Simango, como Nyelete Mondlane, eram meninos. E, então, estavam na companhia dos seus pais que – por ambos serem o presidente e o vice-presidente da então Frente de Libertação de Moçambique – delineavam as estratégias que culminariam na irreversível independência. Um famoso “golpe palaciano”, não permitiu Uria Simango levar o projecto de Mondlane até ao fim.
Muito cedo, tanto Nyelete como Daviz, em situações distintas, se viram privados de um bem inalienável: o amor e o carrinho dos pais.
Mas isso não pode servir de pretexto para a menina Nyelete – que já está uma moça afoita – na caça ao voto para conseguir ser eleita deputada, mexer em cicatrizes que, apenas, o tempo, ( o tempo, ahh!, essa unidade imensurável), se encarrega de sarar.
Refrescando as ideias: Nyelete ter-se-á, alguma vez, perguntado, porque é que no fatídico dia 3 de Fevereiro de 1969, o seu “papá”, na ausência da sua “mamã”, que estava na Suiça, há já alguns dias, foi para a casa da “Titia” Betty King e não ficou no serviço?
Já se perguntou também, porque é que os “titios” Joaquim Chissano, Marcelino dos Santos, e as “titias” Pamela e a Betty foram detidos por algumas horas, por causa da morte do seu “papá”? Já se terá interrogado por que razão a policia tanzaniana nunca suspeitou de Urias Simango e por isso nunca o deteve?
A Nyelete Mondlane, bela e elegante, perdeu uma oportunidade de não dizer disparates. Queria, por esta via, apelar-lhe para que cace o seu voto até a exaustão, e não desonre a memória do seu pai com declarações infundadas, pois acusar sem provas, neste país até pode não dar muito, mais fica feio para a educação que teve.
Ps: Cara Nyelete Mondlane espero ter sido honesto para consigo, assim como o fui quando subscrevi o abaixo-assinado contra a ponte sobre o Zambeze ter levado o nome que levou, no ano de Eduardo Mondlane.
Abraços.

(Luís Nhachote)

Fonte: CANALMOZ (2009-10-22)

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Sobre o Assassinato de Eduardo Mondlane

Com base na carta de Sérgio Vieira aos amigos com o título: Sobre quarenta anos depois de um crime, publicada no semanário Domingo e eu republiquei neste blog, veja aqui, iniciámos um debate sobre a morte de Dr. Eduardo Mondlane. Com um artigo, Barnabé Lucas Ncomo, autor do livro URIA SIMANGO, Um homem, uma causa, reage à carta do coronel na reserva.

Aconselho à leitura tanto da carta de Sérgio Vieira como a reacção de Barnabé Ncomo, talvez descubram como eu, o caminho longo que temos a percorrer para apenas conhecermos factualmente o que aconteceu quando alguns de nós haviam nascido ou mesmo eram adultos.

Por enquanto, publiquei  a carta de Sérgio Vieira, mas que por ser longa, projecto publicá-la em partes a reacção de Barnabé Ncomo. Clique aqui para lê-la.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

SOBRE QUARENTA ANOS DEPOIS DE UM CRIME

Carta a Muitos Amigos

Por Sérgio Vieira

Passaram-se quarenta anos desde o dia em que uma bomba, preparada na Beira pelo sinistro inspector da PIDE, Casimiro Monteiro, assassinou Eduardo Chivambo Mondlane, Presidente da Frelimo. Muito do que descrevo já o Presidente Chissano declarou na Assembleia da República, pareceu-me pois útil, no meu exercício de memória, pôr os pontos nos is , para ajudar o fim da especulação com boa ou má fé. A essência dos dados, incluindo a origem da bomba, na época, a INTERPOL a pedido do governo tanzaniano investigou e difundiu.

Casimiro Monteiro, de origem goesa, preparou na Beira um livro com uma bomba armadilhada, numa obra do marxista Plekhanov. Ignora-se quem o instruiu para tal. No Malawi, no consulado português em Blantyre, dirigido por Jaime Pombeiro de Sousa, um associado de Jorge Jardim, Orlando Cristina entregou um pacote a um sacerdote belga, o Padre Pollet, que missionara muitos anos em Sofala e aí travara amizade com o Padre Mateus Pinho Gwenjere. Orlando Cristina pediu ao Padre Pollet, que ia para Songea, que levasse o embrulho para essa fronteira e aí buscasse alguém da FRELIMO, para que o remetesse a Silvério Nhungu ou a Urias Timóteo Simango em Dar-es-Salam. Assim fez o sacerdote e, encontrando na fronteira Samuel Rodrigues Dhlakama, que já conhecia, solicitou-lhe que entregasse o volume a Simango ou Nhangu.
De nenhum modo se pode afirmar que o Padre Pollet, com quem ainda falei depois do assassinato de Mondlane, conhecesse o conteúdo e o objectivo do embrulho. Ele mencionou-me que Cristina lhe entregara e o remetera a Samuel Rodrigues Dhlakama, que encontrara por acaso. Igualmente nunca se encontraram quaisquer dados sobre o envolvimento do Cônsul Jaime Pombeiro de Sousa, que dirigia o Consulado em Blantyre. O Padre Pollet disse-me que, após os eventos, as circunstâncias lhe criaram suspeição, encontro no consulado português e entrega do embrulho por Cristina, conhecido como agente português. Ele, como missionário, na região de Sena, necessitava de estar em contacto com as autoridades e sempre que ia a Blantyre, cumprimentava o cônsul ou outro representante do consulado. Se revoltado pela sua instrumentalização, se pela idade ou saúde, o Padre Pollet retirou-se de Moçambique.

Chegado a Dar-es-Salaam, Samuel Rodrigues Dhlakama telefonou a Nhungu, que lhe marcou um encontro num quarto de hotel (não me recordo do nome), que ficava junto à representação do MPLA em Dar-es-Salaam. Dhlakama entregou o embrulho a Nhangu, que estava acompanhado por Simango. Num dos dias seguintes, quando o Presidente Mondlane estava a sair do escritório, dirigindo-se para Oyster Bay, para casa de Betty King, onde trabalhava muitas vezes na ausência dela e do marido, o escritor Willy Sunderland, Nhungu voltou-se para uma camarada, a Rosária,que estava afectada à nossa representação na capital tanzaniana e disse: Corre para o carro do Presidente e entrega-lhe este embrulho. Esqueci-me de lhe dar. Tratava-se de um volume, com a forma de um livro, embrulhado sob a forma de um livro, com selos soviéticos e tanzanianos, e endereçado ao Presidente. Ao abrir o pacote a armadilha funcionou, matando Mondlane instantaneamente, a bomba dilacerou-lhe o tórax.

Dlakama quando transportou o embrulho, este estava dirigido a Nhungu e não se assemelhava a um objecto chegado via correio, segundo declarou a uma comissão de inquérito. A Rosária, segundo também declarou à mesma comissão, lembra-se que recebeu um pacote, com a aprência de vindo através dos correios, com selos e carimbos, endereçado a Mondlane. Pessoalmente, Samuel Dlakama e Rosária, além de outras pessoas, confirmaram este factos e a comissão de inquérito, que eu dirigi, constatou, por unanimidade, não haver qualquer indício que apontasse para o facto de eles não haverem agido de boa fé ou conhecessem o conteúdo do pacote antes do evento fatal, embora houvessem transmitido, depois dos eventos, suspeitas sobre o conteúdo. A Comissão considerou-os livres de qualquer suspeita e inocentes.

Simango e alguns dos seus colaboradores reconheceram os factos, embora Simango declarasse ao CC, em Abril de 1969, que ignorava o conteúdo do embrulho entregue a Silvério Nhungu, na sua presença no hotel.
Lázaro afirmou, a amigos e correligionários em Mtwara, a 1 de Fevereiro de 1969, que havia recebido um telefonema de Simango, nas vésperas do assassinato de Mondlane, para estarem atentos e fazerem uma festa quando recebessem boas notícias.

Fizeram a festa a 3 de Fevereiro depois de receberem um telefonema de Dar-es-Salaam! Quando procurado pela polícia tanzaniana, Lázaro atravessou a fronteira e entregou-se às forças armadas coloniais com alguns dos seus colegas, iniciando então uma actividade colaboracionista com o inimigo, indicando a este onde bombardear aldeias, escolas, hospitais e fazendo apelos à deserção através da rádio e gravações difundidas por altifalantes nos aviões.

O assassinato de Mondlane pelos colonialistas não se tratou de um caso único, infelizmente. Os assassinatos de Mondlane e Amílcar Cabral, respectivamente em 1969 e 1973, o ataque à República da Guiné em 1970, ocorreram durante o consulado de Marcello Caetano. Dificilmente se pode aceitar que o Presidente do Conselho de Ministros ignorasse estas acções e não as houvesse caucionado antes, ou depois.

Espero que os factos, que se podem verificar, ajudem a separar o trigo do joio e contribuam para pôr termo aos mitos de heroicidade de traidores e de satanismo de inocentes.
Um abraço a todos que prezam os ensinamentos de Mondlane.

P.S.: Lamento, depois de celebrarmos a memória do grande lutador Martin Luther King Jr., o plagiador local do sonho abandone o seu ponto de referência e revista-se do manto de Obama de Moçambique.
Como escreveu Engels, quando a História se repete, fá-lo como caricatura.
Precisa Moçambique, a democracia Nacional e a FRELIMO dum verdadeiro número um à cabeça da oposição, um histrião não serve. Consta que o edil da Beira se prepara para organizar um verdadeiro partido que agregue as forças sãs da oposição, que merece melhor.
A expulsão que vitimou o edil não conta. Coragem engenheiro e como César atravessando o Rubicão, saiba galgar o Chiveve.
Um abraço à seriedade e ao patriotismo, SV


DOMINGO - 08.02.2009

Retirado na sua íntegra do Moçambique para todos

Nota do Reflectindo:

Releiam a carta de Sergio Vieira e reflictam comigo

segunda-feira, novembro 24, 2008

Ntelela: campo de extermínio

As missões em directo
MOÇAMBIQUE


Ntelela é um nome topográfico que evoca, no subconsciente colectivo de quem viveu em Moçambique os anos do apertado regime marxista, ressonâncias sinistras semelhantes àquelas que suscitam nomes como Sibéria, Gulag, Auschwitz … porque se trata de um campo de extermínio, do qual dificilmente se saía vivo.

Uma sensação que se tornava sempre aguda para mim cada vez que, com o padre Fernando Rocha, missionário da Consolada, passava na área de floresta que encerrava o segredo de Ntelela. Era então espontâneo falar do padre Estevão Mirassi, de Joana Semeão, fundadora de um partido de oposição, de Ché Mussa, chefe islâmico de Lichinga, todos desaparecidos no nada após a deportação para Ntelela.

Um grande desejo era o de alcançar o referido campo de reeducação política, mas à volta dele reinava o segredo mais absoluto. Até que um dia, uma pessoa, sabendo que queriam apenas ir celebrar uma santa Missa, revelou o segredo indicando a pista existente além de um bocado de floresta.

Superado o medo de transitar numa estrada minada, com o padre Rocha e três cristãos, pusemo-nos a caminho para Ntelela. Após uma vintena de quilómetros encontramos a estrada, mas uma ponte destruída nos obrigou a prosseguir a pé. Apenas passado pouco mais de um quarto de hora surgem os primeiros sinais de presença humana: pareceu-nos vislumbrar sinais de valas comuns em terras que pareciam cultivadas.

Estávamos certamente na área dos trabalhos forçados dos detidos que não eram importantes. Avançamos e encontramo-nos num descampado: uma pista de aterragem para pequenos aviões e, ao longe, edifícios degradados.

Ntelela: era um pequeno posto avançado militar português transformado em lager pela Frelimo. Um dos mais terríveis campos de reeducação criados para arrasar a resistência dos opositores políticos.

Um aperto de coração se apoderou de nós, ninguém falava. Tinha-se a impressão de calcar um terreno sagrado, impregnado de sangue. Cedo tropeçamos no arame farpado cujos suportes de madeira, apodrecidos, caíam um atrás de outro. A área parecia tecida como uma teia de aranha daquele maldito arame.

Um acompanhante nos revelou como decorreu um dia no campo quando esteve ao serviço de um comandante militar que, um dia, pernoitou no campo enquanto viajava para Lichinga. Foi ele a explicar-nos que, no fim do campo, devia estar qualquer coisa porque tinha observado que os guardas acompanhavam detidos que saíam debaixo, para talvez irem aos serviços higiénicos. Dirigimo-nos para lá e vimos uma escadinha que conduzia a uma fossa cimentada: um bunker - prisão?

O homem olhou empedernido e questionava-se como daquele buraco podiam sair e entrar toda aquela gente que tinha visto. Noutro edifício estavam as celas de rigor onde os prisioneiros eram amassados como animais. As construções estavam vazias, depredadas do mobiliário, se existia, das portas e janelas e do teto de lâminas de zinco, algumas das quais estavam ainda espalhadas no vasto espaço defronte.

Aqui e acolá, nos pátios, bidões enferrujados que devem ter sido utilizados como panelas, cacos, pedaços de ferro. Experimentei recolher alguma preciosidade, ma senti-o como ferro incandescente na mão. Ficamos calados.

Cada um de nós pensava nas notícias de tortura e eliminações sumárias filtradas naqueles anos e a quanto tinha revelado um semanário moçambicano pouco tempo antes:
Com engano foram carregados sobre um camião um considerável grupo de prisioneiros dizendo-lhes que se ia para a liberdade e em vez disso foram queimados vivos numa vala comum escavada num dos tantos trajectos secretos que conduziam ao campo.

Será verdade? A noticia não foi desmentida pelo governo, aliás o presidente Chissano, mesmo nesses dias, convidava a não exumar “os esqueletos” para não desencadear violência e vinganças.

À saída do campo olhei o céu: era um dia esplêndido. Também o local, sobre um planalto, podia ser um paraíso mas em vez disso tinha sido um inferno.
Enquanto avançava através do caminho, o olhar caiu sobre uma moita florida: flores maravilhosas, nunca vistas. Parei. Recolhi-as. Senti pulsar a vida. Tanta dor não será em vão: então, só então, consegui rezar.

11 Dezembro 1995. Não pude participar na santa Missa em Ntelela., concelebrada pelo bispo Dom Luís Gonzaga e por vários sacerdotes missionários, porque, alguns dias antes, partia para a Itália. No entanto entrei em contacto com soror Giuseppina Teresa Buzzella e através dela tive notícias sobre o evento.

Naquele dia estavam também presentes a mãe e os irmãos do padre Estevão Mirassi, uma das vítimas, detido e levado embora sem processo: não se soube mais nada dele, nem sequer a comunicação oficial da sua morte. Os familiares, como centenas de outras famílias, esperaram em vão durante anos. Entre os presentes estava também um ex-guarda carcerário, não cristão, que testemunhou e confirmou as muitas crueldades da tortura e as eliminações à traição. Não queria participar nas celebrações para não arriscar. No poder de facto ainda estão os mesmos homens, e o famigerado director do campo, que se vangloriava das suas atrocidades, ainda está no activo. Mas na noite tinha sonhado com uma mulher vestida de branco que lhe disse para não ter medo…

Um momento eucarístico comovente foi o do Pai Nosso. “Perdoai-os como nós perdoamos…”. Perdoar, mas não esquecer a lição da história para que jamais o homem se manchará de tanta criminalidade.

Por muitos anos, o regime obrigou crianças e adultos a desprezar pessoas como Joana Simeão, Uria Simango, Cavandame, como se quase fossem criminosos e não vítimas de uma ideologia de estado que não hesitou eliminar, torturar e deportar inocentes nos campos de extermínio. Como esquecer as duas levas de gente, em meados dos anos 70, nas quais milhares de mulheres, incluindo mães de família e rapariguinhas, foram deportadas, acusadas injustamente de prostituição? Ou então a Operação Produção de 82 quando 70.000 pessoas do sul foram aviadas na Sibéria verde do norte onde mais de metade morreu de miséria? Muitos dos sobreviventes regressaram a casa, por obra especialmente da Caritas, mas muitíssimos vivem ainda no Niassa, desenraizados e mal tolerados.

Ora no País regressou a paz. O povo está seriamente empenhado na reconstrução, mas as feridas são tão difíceis de cicatrizar.

Queira o Céu que este povo não seja esquecido e encontre uma autêntica solidariedade, não aquela fingida que faz regressar à origem os bens, como várias vezes foi denunciado por missionários e por sérias organizações humanitárias. Mas aquela autêntica que ajuda o povo a ser protagonista do seu desenvolvimento, em plena harmonia e respeito pela própria cultura e tradições.

soror Dalmazia Colombo
Revista “andare”, de 03.03.1996

Retirado Mocambique para todos.