sábado, junho 06, 2009

“Somos um partido que aspira o poder”

Quase três meses depois da fundação do MDM (Movimento Democrático de Moçambique) e nas vésperas do primeiro Conselho Nacional - começa amanhã em Nampula - @ VERDADE revela, na primeira grande entrevista do seu líder, Daviz Mbepo Simango, à comunicação social moçambicana, os “segredos” que levaram à sua criação, a ruptura com a Renamo, o seu desejo de não retorno ao monopartidarismo, as suas aspirações para as eleições de Outubro próximo e os seus projectos quando o partido… assumir o poder. A escolha do secretário-geral,essa, continua no segredo dos deuses pelo menos até depois de amanhã quando o Conselho Nacional finalizar os seus trabalhos.


@ Verdade - Quando é que sentiu que devia avançar com a formação de um novo partido político?


Daviz Simango (DS) – No dia 19 de Novembro de 2008 ainda tínhamos esperança de poder criar um diálogo interno na Renamo. Pensámos que, embora tivéssemos concorrido como independents à autarquia da cidade da Beira, era importante que a família da Renamo se reencontrasse, que voltasse a estar junta, no sentido de encontrarmos uma plataforma comum para trabalharmos juntos. Todavia, não fomos bem-sucedidos nos nossos esforços. Enviámos vários emissários a Maputo mas estes nunca foram atendidos, tendo alguns deles sido recebidos pelos guarda- costas do presidente. Aí constatámos finalmente que não havia vontade nem espaço para o diálogo.

@ Verdade - Portanto, nenhum dos seus emissaries conseguiu chegar à fala com o presidente Dlakhama?

É verdade, nenhum conseguiu falar com ele. Isto demonstrou, claramente, que não havia simpatias para um possível diálogo. E, tendo em conta os resultados de 2008, ficou claro que a Frelimo ganhou tudo e a oposição moçambicana saiu extraordinariamente fragilizada. Então, ficámos apreensivos, preocupados, e pensámos que eventualmente os resultados nas eleições gerais não seriam muito diferentes. Com todos estes dados, chegámos à conclusão de que tínhamos de avançar com um partido político. Mas a pressão para a formação de uma nova força política começou exactamente nas províncias. Começaram a perguntar-nos o que é que estávamos a pensar fazer com tantos votos. Nós respondemos que tínhamos ganho na Beira e que estávamos satisfeitos. Mas eles insistiram que devíamos ir mais além. Quisemos auscultar no terreno e para isso criámos brigadas de 3 ou 4 homens que foram pelo país fora aferir da aceitação de um novo partido. No regresso, estes brigadistas disseram-nos que tinham sido bem aceites. Tudo isto fez com que avançássemos para um novo partido.

@ Verdade - Aquilo que me está a dizer vai um pouco contra a ideia generalizada de que o MDM é o partido regional.

(DS) - Até o próprio líder da Renamo disse que o MDM só existia como força política forte na Beira, mas nós conseguimos no dia 6 e 7 de Março juntar compatriotas de todo o país na cidade da Beira para a Assembleia Constitutiva. Agora estamos nas províncias todas e a prova disso é quando chegamos aos locais para fazer o nosso trabalho a polícia está sempre lá para o impedir, tentando intimidar os nossos militantes. Isto é um sinal claro de que afinal de contas nós existimos. É preciso compreender que essa propaganda não passa de uma forma de querer desacreditar um adversário forte. A Frelimo sabe que tem em nós um adversário inteligente que com o tempo poderá surpreender a própria Frelimo.

@ Verdade - A Frelimo tem dito que o MDM não passa de uma cisão da Renamo. Quer comentar?

DS - Se notar, temos vários membros, incluindo delegados provinciais, que nunca foram membros da Renamo, que nunca tiveram qualquer ligação com este partido, mas também temos casos, como um dos nossos delegados de Mutarara, de antigos militantes da Frelimo que agora estão connosco. O MDM acaba por congregar os moçambicanos leais e que entendem aquilo que são os princípios básicos.

@ Verdade - Diz-se igualmente que o nome do partido, MDM, não terá sido uma escolha feliz. Há muita gente que defende que as siglas dos partidos políticos africanos devem ter vogais pelo meio para serem correctamente entendidos por uma população pouco letrada. O que tem a dizer sobre isso?

(DS) - Aqui no Zimbabwe também temos o MDC! Chamámos Movimento por uma razão muito simples: é aglutinador de várias correntes de pensamento, de várias pessoas. O embrião foi um movimento de massas que quer ver o país crescer.

@ Verdade - Qual é a explicação para o galo como símbolo do partido?

(DS) - Depois de muito pensarmos chegámos à conclusão de que o galo ao amanhecer canta e a população desperta com ele. A nossa mensagem é essa. Quem fica a dormir perde, quem acorda vai trabalhar e ganha. A mensagem é: acordem que o galo já cantou.

@ Verdade - Não teme ser associado a uma formação política perdedora noutro país aqui bem perto?

(DS) - Está certamente a falar da UNITA?

@ Verdade - Sim, estou
DS - Não, de maneira nenhuma. E é a pensar na situação da UNITA e de outros partidos africanos que nós efectivamente decidimos avançar com o MDM. A Frelimo queria fazer o mesmo que o MPLA fez em Angola. Nós temos a obrigação de lutar para evitarmos essa situação. Queremos um governo forte, mas, para que haja um governo forte, tem de haver uma oposição forte. Por isso, o MDM quer criar essas condições para que em Moçambique exista uma oposição forte. E se um dia formos poder também gostaríamos de ter uma oposição forte.

@ Verdade - Que balanço faz do périplo europeu que efectuou em Fevereiro?

(DS) - Essa viagem tinha vários objectivos: o primeiro era dar conta da existência do MDM. Como deve saber, os fundos doados para o orçamento de Estado vêm, na sua maioria, de fundos europeus, por isso era necessário passar por lá e dizer que o MDM apelava à continuação do apoio ao Estado moçambicano por parte dos doadores, embora tivéssemos deixado bem claro que condenamos com veemência a corrupção instalada e a partidarização do Estado. Por outro lado, precisávamos de falar com figuras que nos permitem encontrar formas de parcerias e interacção no treinamento dos nossos quadros.

@ Verdade - Avistou-se concretamente com quem?

(DS) - Em Portugal com o PS e com o PSD. Aos primeiros dissemos que, como eles estão no poder, poderíamos aproveitar a sua experiência de governação. Passei também pelo Parlamento Europeu e pela Alemanha.

@ Verdade - Em Portugal, encontrou-se ou não com as filhas de Jorge Jardim como foi divulgado aqui por alguma imprensa?

(DS) - Não, por acaso não me encontrei. Mas se tivesse acontecido esse encontro não via mal nenhum nele. São pessoas que nasceram em Moçambique, que gostam deste país, que já o ajudaram numa determinada altura, por isso são bemvindas.

@ Verdade - O MDM vai concorrer às eleições em todo o país?

(DS) - Sim, vamos concorrer em todo o país, quer às legislativas quer às provinciais.

@ Verdade - Falemos agora um pouco das presidenciais. Vai avançar com a sua candidatura?

(DS) - Em primeiro lugar gosto de respeitar os estatutos do partido. Estes são claros e dizem que isso compete ao Conselho Nacional. Felizmente estamos a escassos dias da realização do Conselho Nacional e esperemos pela decisão deste órgão. Contudo, a nossa intenção é apresentar candidato. Se a minha candidatura beneficiar o MDM, vou avançar. Mas quero deixar claro que tenho grandes compromissos com a cidade da Beira, gosto muito daquela cidade, fui eleito há pouco tempo, e é preciso ter em conta que a minha candidatura à presidência não vai prejudicar a cidade da Beira. Vou fazer campanha a trabalhar normalmente na autarquia. Não há qualquer incompatibilidade nisso.

@ Verdade - Mas terá que arranjar um substituto se vencer as presidenciais.

(DS) - Sim. Já estamos a preparar pessoas para poderem tomar as rédeas da autarquia. Mas a minha intenção é ir preparando as coisas para os meus colegas tomarem conta da Beira.

@ Verdade - O candidato natural do MDM à presidência da República é o senhor?

(DS) - Sim, tudo leva a crer que sim.

@ Verdade - Sente-se preparado?

(DS) - Um homem quando entra para estas coisas da política tem de estar preparado para, a qualquer momento, assumir as funções para as quais se candidata.

@ Verdade - Como é que convence um simpatizante da Frelimo a votar no MDM?

(DS) - Às vezes pergunto a mim mesmo: que magia é que nós temos? Eventualmente é a nossa forma de lidar com as pessoas e, sobretudo, a nossa vontade de fazer coisas. Ao longo destes anos conseguimos demonstrar que a nossa governação não é discriminatória, trabalhamos com todos, Frelimo inclusive, entregamos cargos independentemente das filiações partidárias e por isso as pessoas confiam em nós. Há seriedade e isso é o que os moçambicanos hoje mais valorizam. Connosco as pessoas são promovidas consoante a sua competência profissional. O que não tem acontecido no outro lado. Se forem competentes nomearei directores-gerais de outros partidos e até mesmo ministros. Se forem competentes não há razão para os substituir. O que é preciso é que possam corresponder às expectativas dos cidadãos e que sejam leais ao programa do governo. Votam em nós porque reconhecem que nós temos capacidade de trabalho.

@ Verdade - O que será um bom resultado para o MDM nas legislativas?

(DS) - Pensamos que, como o MDM não está actualmente representado no Parlamento, se conseguir um lugar já é uma novidade, já é uma terceira força a entrar no parlamento. Mas nós esperamos alcançar entre os 50 e 100 deputados na próxima legislatura.

@ Verdade - Mas obter 50 ou obter 100 é muito diferente.

(DS) - Vamos ter, no mínimo, 50 deputados, e o máximo será para lá de 100. Se conseguirmos entre os 50 e os 100 já é um bom resultado, mas tudo depende dos eleitores, podemos atingir mais de 100 e até podemos obter a maioria, nestas coisas há muitas surpresas.

@ Verdade - A sua grande fasquia será talvez ultrapassar a Renamo em termos de número de deputados.

(DS) - Bem, nós não gostaríamos de falar nesses termos de ultrapassar a Renamo ou a Frelimo. Nós queremos entrar na AR e se conseguíssemos a maioria era excelente. Mas se conseguirmos ser uma voz influente nas grandes decisões da AR já é uma grande satisfação.

@ Verdade - Não tem então como ambição chegar ao poderjá nas próximas eleições?

(DS) - Nós constituímos um partido político para claramente atingir o poder. Agora em que momento o eleitorado nos irá endossar esse poder, isso já depende dos eleitores. Mas estamos ansiosos por esse momento.

@ Verdade - Há quem diga que a Comissão Política do MDM não tem nomes com grande experiência política, que é gente sem traquejo na política, que é fraco de figuras. Quer comentar?

(DS) - Já ouvi isso noutros tempos. Quando fui eleito pela primeira vez como autarca disseram que eu era um miúdo sem experiência e que por isso não ia fazer nada e fiz o que fiz. Quando concorri como independente, diziam que era impossível um independente vencer uma eleição em África, não havia registo disso, não tinha estrutura, não tinha apoio e ganhei. Portanto, penso que não são os nomes que ditam as vitórias ou as derrotas, são as qualidades e o contributo que cada membro da Comissão Política dá ao grupo de trabalho. Isso é que é o mais importante. O resultado do trabalho conjunto do grupo. Aqui em Moçambique temos dois grandes partidos politicos com nomes sonantes, mas na prática o que é que fazem?

@ Verdade - Mas o senhor, quando foi eleito presidente do Município da Beira como independente, tinha todo um nome feito ao lado do um grande partido político, sobretudo forte naquela zona. Não é o caso da maioria dos membros da CP do MDM.

(DS) - O que o MDM precisa é que os membros do secretariado, no fundo são eles a máquina político-partidária, funcionem bem no terreno. Na CP queremos elementos estratégicos. Podem até não ser pessoas com grande visibilidade pública mas internamente conhecem muito bem os meandros da política e mexem-se com facilidade. É disso que precisamos. E como pode ver, em pouco tempo o MDM espalhou-se pelo país, em pouco tempo conseguiu os meios para funcionar, e isto graças ao comportamento desta CP que está a trabalhar muito e bem.

@ Verdade - Falando de eleições legislativas, num cenário pós-eleitoral poderá haver uma coligação com a Renamo para inviabilizar uma maioria da Frelimo?

(DS) - Nunca faremos coligações só para inviabilizar um governo da Frelimo. Nós não queremos fazer coligações para demonstrar que temos força para inviabilizar um governo da Frelimo. Nós iremos fazer coligações se isso interessar ao povo, se o povo beneficiar com isso, elas têm de ser feitas com o fim de construir o país e não coligações com o objectivo de tramar qualquer formação política. Isso não é a nossa filosofia. Se eventualmente o partido que sair vencedor das próximas eleições apresentar um projecto que consideramos viável, a função do MDM é simpatizar com esse projecto, fazendo desse projecto um projecto nacional. Se o partido que estiver no poder apresentar um projecto que consideramos errado, de que não comungamos, logicamente que vamos apresentar uma contra-proposta com fundamento esperando que o partido que estiver no poder possa aproveitar dela algo positivo.

@ Verdade - Então poderá fazer coligações pontuais sobre determinadas matérias específicas. Não descarta essa hipótese?

(DS) - Não descartamos ninguém para fazermos essas coligações. O importante é que as nossas coligações sejam claras e objectivas contribuindo para o desenvolvimento do país.

@ Verdade - Há quem defenda que o MDM só devia apresentar candidatura à presidência em 2014, fundamentalmente por dois aspectos: o tempo de preparação seria muito maior e a Frelimo estaria fragilizada para encontrar um candidato para suceder a Armando Guebuza. Concorda?

(DS) - As candidaturas do MDM, não só à presidência como a qualquer lugar de eleição, não estão dependentes do partido Frelimo nem de nenhum outro. Estão, sim, dependentes daquilo a que nós chamamos o ambiente político e o comportamento do eleitorado. Este aconselhou-nos a criar um partido político, dissenos:
- Vocês são sérios podem avançar.- E nós avançámos.
Depois disseram-nos: - Concorram.- E nós vamos concorrer. Não trabalhamos em função dos nossos adversárias políticos.

@ Verdade - Mas concorda quando se diz que em 2014 seria mais viável um ataque, chamemos assim, ao poder?

(DS) - 2014, para nós, seria um ano óptimo por uma razão muito simples: queremos ter experiência de campanha eleitoral. Nessa altura estaríamos na segunda campanha eleitoral, os nossos já estariam familiarizados com as adversidades de campanha eleitoral e estaríamos numa posição privilegiada para não cometer erros.

@ Verdade - Uma das acusações que a Renamo tem feito sistematicamente no período pós-eleitoral é que o partido no poder vence com fraude, atribuindo sempre as suas derrotas à batota na contagem dos votos. O MDM irá dotar-se de mecanismos de vigilância eleitoral que permitam detectar eventuais fraudes?

(DS) - Já temos fiscais preparados, precisamos de formar mais, mas a nossa filosofia não é entrar neste barco da fraude. Temos que perguntar a nós próprios: Quando há fraude onde é que estávamos? Porque é que não tivemos capacidade de vigilância? Onde é que falhámos? Temos que nos responsabilizar pela nossa incapacidade, porque se alguém pratica fraude é porque tem oportunidade para isso. O MDM não vai lamentar de fraudes como matéria de insucesso. Temos que assumir as derrotas, as nossas fragilidades, porque afinal de contas quem concorre a um processo eleitoral subentende-se que esteja preparado para enfrentá-lo. O nosso tempo é muito curto, não é fácil a preparação em termos de fiscais, mas estamos a prepará-los e vamos tentar colocá-los em todos os postos. Se falharmos em algum sítio, então a culpa será nossa.

@ Verdade - Está, então, a dizer- me que não vai atribuir a uma eventual derrota a fraude eleitoral.

(DS) - Não, nunca. Haverá fraudes claras que toda a gente vai ver. Mas fraude porque não estamos na mesa a fiscalizar, isso garanto que não vai ocorrer. Poderá haver fraudes extra-assembleias de voto, mas se for nas assembleias de voto teremos de assumir as nossas fraquezas.

@ Verdade - Falou na possibilidade de ser poder. Se for poder quais as primeiras medidas que irá tomar?

(DS) - Há aspectos claros em relação à Agricultura, que é a base do sustento dos moçambicanos, que têm de ser muito corrigidos. Neste sector não há mecanização, não há assistência técnica aos agricultores, continuamos a não possuir reservas de sementes. Em relação à Função Pública temos de cessar com a obrigatoriedade de filiação partidária para conseguir um emprego ou para subir degraus lá dentro. Na Educação estamos muito preocupados porque no século XXI ainda temos os nossos alunos nas zonas urbanas sentados no chão, debaixo de uma árvore. Isto não pode ser mais tolerável! Tem de haver o mínimo de qualidade. Na Saúde vai-se ao hospital mas não há medicamentos, não há camas, a assistência é fraquíssima. Os moçambicanos têm de compreender que temos de investir na Educação e na Saúde para construirmos o país. Não podemos continuar a enviar os nossos filhos para fora quando estão doentes, não podemos continuar a enviá-los para colégios no exterior. Temos de começar a investir em qualidade cá dentro. O dirigente moçambicano tem de sentir que o hospital aqui é equivalente ao da África do Sul, que a escola aqui tem a mesma qualidade das da África do Sul.

@ Verdade - Qual é a receita mágica para isso?
(DS) - Se os nossos filhos estudam fora alguma vez vamos pensar na educação para os moçambicanos? Estamos, sim, preocupados com aquilo que os nossos filhos estão a estudar lá fora. E os que estão cá dentro como é que ficam? Se os filhos dos dirigentes não podem estudar cá dentro só vejo três motivos para isso: ou a educação é má, ou os professores não são bons ou a escolas não têm condições para os seus filhos estudarem nelas. Queremos que haja educação igual para todos.

@ Verdade - Mas o Governo anunciou que construiu este ano mais escolas do que o previsto...
(DS) - Mas fazer escolas sem professores, sem carteiras, com turmas de 70 alunos. Isso são escolas? O país tem enormes quantidades de madeira mas as crianças não têm carteiras. Algo está mal! Qual é a explicação para isso? Exportamos tanta madeira e as nossas crianças estudam no chão! Será que não pode ficar nada cá?

@ Verdade - O Estado tem recursos para isso?
(DS) - O dinheiro existe, o problema é que se confunde há muitos anos com o partido. As prioridades estão todas invertidas.

@ Verdade - Para terminar, em poucas palavras, dê-me uma razão para votar no MDM.
(DS) - O MDM é um partido que trabalha, que quer servir, e já provou que tem capacidade para isso e o povo sente a razão do seu voto através de resultados práticos. É um partido prático, não de teorias. É um partido que faz.


Fonte: @Verdade, 05/06/09

sexta-feira, junho 05, 2009

A Primeira grande entrevista de Daviz Simango

Quase três meses depois da fundação do MDM (Movimento Democrático de Moçambique) e nas vésperas do primeiro Conselho Nacional - começa amanhã em Nampula - @ VERDADE revela, na primeira grande entrevista do seu líder, Daviz Mbepo Simango, à comunicação social moçambicana, os “segredos” que levaram à sua criação, a ruptura com a Renamo, o seu desejo de não retorno ao monopartidarismo, as suas aspirações para as eleições de Outubro próximo e os seus projectos quando o partido… assumir o poder. A escolha do secretário-geral, essa, continua no segredo dos deuses pelo menos até depois de amanhã quando o Conselho Nacional finalizar os seus trabalhos.
Obs: Leia a entrevista @Verdade Online baixando onde vem a imagem de Daviz Simango à direita.

Mais dois deputados abandonam a “Perdiz”

João Colaço e Agostinho Ussore endereçaram uma carta ao líder da Renamo na quinta-feira, manifestando a vontade de sair do partido.

Mais dois deputados acabam de abandonar a Resistência Nacional de Moçambique, Renamo. Trata-se de João Colaço e Agostinho Ussore, que endereçam uma carta ao líder da Renamo na tarde de ontem, ma¬nifestando a vontade de deixar de fazer parte desta formação política.

Em contacto com “O País”, João Colaço aponta como razões para o seu afastamento da Renamo, a perda de confiança política e um ambiente hostil no seio do partido. “Depois de eu ter apresentado o pedido de demissão do cargo de assessor de Afonso Dhlakama para administração pública, instalou-se um ambiente de hostilidade, por isso, gostaria de fazer política numa perspectiva de esperança”, disse Colaço.

A fonte deu como exemplo o facto de a bancada da Renamo ter manifestado interesse de ver fora das comissões nomes de parlamentares que participaram na conferência constituinte do MDM.

Para Agostinho Ussore, outro parlamentar da Renamo, a alegada falta de uma estratégia política, e a perda de esperança foram os motivos para o abandono. “Não vejo coerência naquilo que são as estratégias apresentadas pelo líder da Renamo, Afonso Dhlakama. Vejo apenas um barco sem capitão prestes a afundar”.

MDM NOVO VOO POLíTICO

Apesar de não assumirem que pretendem se filiar ao recém criado Movimento Democrático de Moçambique, Os dois membros demissionários referem que nutrem simpatias pelo MDM e pelo seu líder.

“Os princípios defendidos pelo MDM fazem desta formação política uma alternativa ao poder”, refere Ussore.

Fonte: O País online
Comentário: este é o caminho certo para quem é sério. Muitos mocambicanos desejam mudancas, esperam por um Mocambique para todos.

A Terra, o Desenvolvimento Comunitário e os Projectos de Exploração Mineira

Por Virgílio Cambaza

O preâmbulo da Lei de Terras (Lei nº 19/97, de 1 de Outubro) estabelece que “a terra é um meio universal de criação de riqueza e do bem-estar social e por isso, o seu uso e aproveitamento tornam-se um direito de todo o povo moçambicano”.
O mesmo preâmbulo refere que a Lei procura adequar-se “ao desafio para o desenvolvimento que o país enfrenta e à nova conjuntura política, económica e social e conferir garantia de acesso e segurança de posse da terra, tanto aos camponeses moçambicanos, como aos investidores nacionais e estrangeiros”.
A fim de acomodar os interesses acima expostos, particularmente dos camponeses moçambicanos, a Lei tornou-se aberta à aplicação de normas e práticas costumeiras desde que as mesmas não contrariem a Constituição (nos seus artºs 12 e 2 ).
Os camponeses moçambicanos são agrupados numa categoria que a própria Lei designa por comunidades locais. Com efeito, no seu artº 1, a Lei indica que as comunidades locais são “agrupamentos de famílias e indivíduos, vivendo nos limites de uma circunscrição territorial de nível de localidade ou inferior, que visam a salvaguarda de interesses comuns, através da protecção de áreas habitacionais, áreas agrícolas, sejam cultivadas ou em pousio, florestas, sítios de importância cultural, pastagens, fontes de água e áreas de expansão”. Leia mais aqui: http://www.iese.ac.mz/lib/publication/outras/ideias/Ideias_14.pdf

Daviz falha primeiro comício na Mafalala

Retirado na íntegra do Savana

Escrito por Emídio Beúla

Uma gripe inviabilizou a primeira aparição pública de Daviz Simango no comício organizado na tarde de último sábado pelo seu partido no putativo campo da Mafalala, na cidade de Maputo. Isso depois de ter orientado na manhã do mesmo dia a inauguração da sede da delegação do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) ao nível da capital moçambicana na rua que dá acesso ao que se pode considerar de monumento da economia informal do país: o mercado de Xipamanine.

Em Maputo o nome do filho de Urias Simango (primeiro vice-presidente da Frelimo e mais tarde “traidor” da causa nacional) não arrastou as multidões que lhe são características em missões políticas na Beira. Mas foi um público razoável e suficiente para transformar em hipótese a curta esperança de vida que os opositores do MDM avançam como dado adquirido. No seio dos presentes, os membros e simpatizantes do movimento distinguiam-se dos curiosos pela sua indumentária: camisetes e capulanas com o timbre do MDM.
“Lamentamos informar que o presidente Daviz não pode estar aqui connosco por recomendações médicas. Ele está incomodado”, explicou um membro da comitiva posicionada em cima da plataforma de um camião cavalo que servia de palco. Gada Jorge Cassacussa disse que o presidente do MDM foi aconselhado a descansar e não se esforçar sob risco de piorar a sua saúde. “Ele (Daviz) chegou aqui na noite da quinta-feira para receber mais um prémio internacional sobre boa gestão da cidade da Beira”, indicou. Segundo Cassacussa, o partido, que em grande parte resultou da cisão no seio da Renamo, já conta com aproximadamente 15 mil membros na capital moçambicana. “Ainda há fichas de inscrição a circularem nos bairros”, disse, entusiasmado pela receptividade na cidade tradicionalmente dominada pelo partido no poder, a Frelimo.

Do discurso

Apesar da “baixa anunciada”, o público permaneceu no campo do histórico bairro da Mafalala para ouvir o projecto político que norteia o MDM.
Se o colonialismo português foi o inimigo comum idealizado pela Frelimo para promover a unidade nacional na luta pela independência e construção da nação moçambicana, a “pobreza” de que padece mais de metade da população do país parece ser a eleita do MDM para conquistar mais simpatias dos potenciais eleitores.
Com um discurso pouco acessível a massas, Bernabé Lucas Nkomo - o autor do controverso livro “Urias Simango: Um Homem uma causa” - repetia que o destino era fatal porque os homens cultivaram e cultivam a fatalidade. Mas era bastante aplaudido quando descia àquilo que se tornou lugares comuns no exercício da política em Moçambique: “Hoje temos de-semprego, as fábricas foram levadas à falência, a criminalidade subiu porque alguém criou condições para isso, somos obrigados a pagar salários aos guardas das escolas quando dizem que o ensino primário é gratuíto (…)”. Enquanto os presentes aplaudiam, Nkomo sublinhava que as pessoas estavam a aderir massivamente ao movimento. “Alguns membros pedem para não serem identificados porque têm medo de sofrer represálias no seu posto de trabalho”, apontou, acrescentando que “as pessoas vivem arregimentadas porque têm medo de perder o emprego”.
Quanto à corrida à Ponta Vermelha, Nkomo, que se identifica como “mobilizador do partido” disse ao SAVANA que ainda estava em análise a provável candidatura de Daviz Simango, actual presidente da autarquia da Beira, a segunda maior cidade de Moçambique. “Estamos mais empenhados na preparação de pessoas para participar na fiscalização das eleições”, indicou.

Moreno quer governar

“Não estou atrás de cargos”, respondeu Maria Moreno quando o SAVANA pediu-lhe para comentar a ligação do seu nome com o cargo de Secretário-Geral do MDM que circula nos media. Mas a ex-chefe da Bancada Parlamentar da Renamo na Assembleia da República abriu parênteses para sublinhar que qualquer nomeação que venha a acontecer será por mero acaso. Sobre a sua presença quase despercebida no campo da Mafalala, Moreno foi categórica: “Estou aqui atrás de esperança, estou cansada de estar na oposição que nunca chega ao poder. Quero um dia ser do Governo”, disse no meio de risos.
Lembre-se que Moreno escreveu semana passada uma carta a Afonso Dhlakama, o presidente do partido, a informar da sua retirada da Renamo. “Desvinculei-me da Renamo porque não concordava com o líder e ele sabe muito bem disso”, voltou a referir sábado último ao SAVANA
Fonte: Savana

quinta-feira, junho 04, 2009

O MDM forma fiscais

O MDM já está a executar uma das mais importantes acções do processo eleitoral em Moçambique – a formação de fiscais que acompanharão também o recenseamento eleitoral.

Segundo o O País online, O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) iniciou esta semana, na cidade da Beira, a formação de mil e quinhentos fiscais para o acompanhamento do recenseamento eleitoral na capital provincial de Sofala, um evento que vai decorrer em todo o país do dia 15 de Junho a 29 de Julho.

Daviz Simango, o Presidente do MDM, informou ao O País que o partido quer controlar o recenseamento eleitoral, que é crucial para um processo eleitoral, que se pretende justo e transparente no país. A formação de fiscais terá réplica em todo o país, sendo que Nampula e Niassa já formaram os membros do MDM que vão monitorar o censo eleitoral, e paralelamente a isso decorre a formação de formadores distri¬tais de fiscais.

Fonte: O País

Laude Guiry responde a Nuno Amorim


“Vantagens do multipartidarismo e a razão do cidadão exercer o seu direito de voto”
A opinião de Laude Guiry, propietário do blog África é o centro do conhecimento, neste debate aqui

Caro Nuno Amorim

Será que a revolução do MDM está sendo organizada a partir do exterior, tal como foi organizada a da Frelimo? Questão do Amorim

Quem me dera conhecer um lider politico aqui no blog. Até acho que seria positivo para lideres como o Afonso Macheta Dhlakama, Armando Emilio Guebuza, Deviz Simango, Maximo Dias, Yacub Sibindi escreverem constantemente em blogs ou paginas de internet pessoais, para que intelectuais como eu, tu e o reflectindo possamos defender com maior paixão o pensamento de lideres que pensam!!!

Mas para melhor responder ao seu comentário, deixa-me dizer que não pertenço a partido politico nenhum (ainda), e é errado conotar o pro-pluralismo com o anti-partidarismo.

Do MDM só sei o que vejo na mídia. Os lideres e membros do MDM (concluo) parecem vir de diversos polos de Moçambique e parecem oferecer soluções diversas e alternativas para Moçambique.

Amorim, estas a ver o efeito que a entrada da Vodacom teve para Moçambique? A Mcel começou a oferecer bonus e promoções para a esquerda e para a direita. Começou a pedir desculpas quando a rede falhava no final do ano, e melhorou a sua rede, tentou cobrir todo país e não só zonas francas. Começou a investir em programas sociais e culturais, malta financiar a escolas, ONGs, a Ziqo Maboazuda, Mc Roger e Sukuma. Foi benéfico para o consumidor, porque eu não sou daqueles de dar terceira chance, quando a Mcel meteu água pela terceira vez eu bazei pra vodacom. A Vodacom (MDM), mesmo que não levada a sério na sua fase embrionária trouxe beneficios para o país, directa e indirectamente, introduzindo sistemas modernos e forçando a Mcel (Frelimo) a responder imediatamente aos problemas reais da população. Mas olha a Mcel continua lider, e ninguém quer que não seja.

Agora caro Nuno, numa analogia contrária, veja o que aconteceu com o mercado da cerveja, quando a 2M foi autorizada a comprar a Laurentina. A Laurentina (Renamo) ficou menos agressiva, só ficou no mercado porque interessa a 2M (Frelimo) mostrar que ela é melhor que a Laurentina. Parou o desenvolvimento da Laurentina (Renamo), parou o desenvolvimento da 2M (Frelimo), e o consumidor perdeu. Eh ou não eh?

Eu não afirmei categoricamente em que a MDM não tem estrutura ... eu opinei criticamente uma hipotese “o partido parece tar com falta de estrutura a nivel nacional” ... e disse que qualquer partido com as ambições nutridas por este, tem que melhorar a sua paquera.

Disseste que “pensaram que o MDM fosse um partido sério” ... eu não sei se eles são sérios ou não ... A razão pela qual volto sempre ao blog do Reflectindo assenta-se no facto dele muitas vezes escrever de forma realista, idealista e factual. E o MDM parece oferecer o mesmo para o seu eleitorado. O MDM foi-me apresentado como um movimento de esperança. Tal como o Obama era criticado (e duvidado) pela falta de experiência, mas ele oferecia esperança.

Nuno, tu não passas a tua mensagem bem criticando a oposição mas apontado as suas qualidades, ao mesmo tempo que admitindo as suas deficiencias (desde que estas sejam comuns a todos).
Caro Nuno Amorim (pt 2)

A qualidade de um partido não assenta-se na capacidade de gerar discursos demagogos ou de mobilizar fantoches para comicios. A qualidade de um partido assenta-se nas promessas reais, idealisticas e baseadas em factos que este oferece.

Então, eu quero acreditar que o MDM, o IPADE, o partido verde, etc podem fazer a diferença em Moçambique, desde que sejam a Vodacom e não a Laurentina.

Entenda o que eu disse: eu não quero um parlamento sem a Frelimo, sem a Renamo ... eu disse que seria positivo um parlamento com o MDM. Talvez não serei eu a leva-los para lá, porque a Frelimo vai a tempo que conquistar o meu voto, mas talvez sejam. (Eu tenho a certeza que não voto pelo PIMO)

Agora, meu camarada de solo, mar, ar e sol, Nuno Amorim ... sabes porquê tu só mencionaste a Renamo quando defendeste o pluralismo. Porque tu achas que nós temos que ter opções de cerveja à beber, mas só temos que beber a 2M e a Laurentina. Vi um blog que considerou isso pluralismo bélico ou qualquer coisa parecida.

Enquanto Marringue continuar a norte do Save, lá pelas bandas do chiveve, a Renamo continuará mais um amigo do que inimigo. A Frelimo está garantida que nenhum intelectual que se preze irá associar-se a tal partido. A Renamo irá autodestruir-se mas a Frelimo irá previnir que esta declare falência ... irá financiar a sua sobrevivência.

Concordo consigo que a Renamo ainda é a principal oposição no país, mas Dhlakama?!!! Ele talvez representa a única opção mas não esperança.

Concordo consigo quando dizes, por linhas tortas, que em tempo de paz nenhum partido com ambições nacionais deve ser dirigido apartir do estrangeiro. Mas existe alguma evidência de tal. Nuno se provares que o MDM está sendo dirigido apartir de fora de Moçambique, o MDM perdeu o meu voto. Agora se disseres que a Frelimo é contra qualquer Moçambicano que vive fora do país e tem interesse na politica Moçambicana então a Frelimo perdeu o meu voto – mas espera ai, tu não determinas a politica da Frelimo, tu não és Frelimo, és apenas um simpatizante – a Frelimo não será punida pelas tuas palavras – serei objectivo e não subjectivo.

Reflectindo perdoe-me pelo tamanho do texto, olhe que é bem menor do que as ideias que diambulam pela minha cabeça.

A proposito do tema de direcção apartir do estrangeiro ... não terá sido a reacção do consulo americano, evidencia suficiente de que o partido da Maçaroca saiu da linha de comando?!!! Digo não respeitou as ordens da direcção histórica?!!!

Junho 04, 2009

quarta-feira, junho 03, 2009

Mobilização de jovens fundamental nas eleições de Outubro

Dos jovens depende o envolvimento popular nas eleições de Outubro.

O envolvimento popular nas eleições de 28 de Outubro em Moçambique dependerá da mobilização dos jovens, que representam cerca de 60 por cento da população do país, defendeu esta terça-feira em Maputo Barnett Rosenberg, especialista norte-americano em campanhas eleitorais.

Falando a jornalistas à margem de uma palestra dedicada ao tema “Cobertura Eleitoral - O Papel dos Media nas Eleições EUA 2008”, Barnett Rosenberg afirmou que o peso dos jovens na composição demográfica de Moçambique impõe uma maior incidência sobre este segmento da população nas acções de mobilização para as eleições gerais deste ano.

Moçambique terá a 28 de Outubro a escolha do Presidente da República, dos deputados da Assembleia da República e dos membros das assembleias provinciais.

“A maior ou menor afluência do eleitorado moçambicano às eleições será condicionada pelo interesse do eleitorado jovem pelo processo. Se poucos jovens acorrerem às urnas, é pouco provável que haja no geral uma forte participação, porque li que os jovens são cerca de 60 por cento da população aqui”, disse o perito norte-americano em campanhas eleitorais.

Barnett Rosenberg fez uma analogia entre as eleições presidenciais de 2008 nos EUA e o processo eleitoral moçambicano deste ano, apontando similaridades “no papel decisivo do eleitorado jovem” nos resultados das duas eleições.

“Barack Obama ganhou porque conseguiu cativar o eleitorado jovem norte-americano, normalmente alheio a estes exercícios. Aqui em Moçambique, a mobilização dos jovens será mais determinante ainda, porque eles são a maioria da população”, observou Barnett Rosenberg.

Propostas de debate sobre questões que afectam especificamente a população juvenil, como o emprego, habitação e educação, é uma das fórmulas indicadas pelo perito norte-americano para atrair os jovens ao processo eleitoral.

“Os problemas dos jovens não são necessariamente os mesmos de outros sectores da população”, sublinhou.

Barnett Rosenberg, que é também gestor de Ética de Grupos e da Conduta de Negócios na Meggit, PLC, uma companhia internacional de tecnologia aeroespacial, acompanhou as campanhas eleitorais de seis Presidentes norte-americanos, desde Dwight Eisenhower até Barack Obama.

Fonte: O País online

Presidência aberta

DIALOGANDO

Por Mouzinho de Albuquerque

NA procura da verdade e da justiça no seio do povo, é preciso que se valorize o diálogo permanente e sobretudo frontal como uma experiência onde se avalia a validade da existência das instituições no cumprimento das orientações que são dadas em prol do desenvolvimento do nosso país. Na realidade, torna-se necessário contrariar a ideia de que neste país não tem havido o acompanhamento e controlo das várias decisões tomadas e que tem por fim eliminar este ou aquele problema, com destaque para a pobreza absoluta, que faz com que haja muita gente em Moçambique sem recursos para uma refeição diária.

Do que se tem visto é que em algumas zonas do nosso país, há meios humanos e materiais, para a resolução de problemas, mas tem havido uma aparente falta de vontade política. Há decisões sérias tomadas, mas falta a sua implementação, por desleixo e incompetência de alguns dirigentes.

Talvez seja por isso que os nossos estadistas que são eleitos através do voto, realizam visitas a várias regiões do nosso país, onde dão a oportunidade de as pessoas dialogarem de forma aberta com eles, denunciando isto ou aquilo, que alguns governadores provinciais incluindo administradores distritais seriam capazes de solucioná-los, sem que fosse necessária a Presidência Aberta.

Porém, entendemos ser imperioso reflectir no carácter necessário ou desnecessário, ou melhor dizendo, das vantagens e desvantagens das visitas presidenciais ao país, vulgo “presidência aberta”, dado que elas constituem ou impõe, logo à partida, desafios acerca das perspectivas capazes de operarem modificações que conduzam à capacidade de se criar opções sérias e responsáveis no combate à corrupção, arrogância, espírito de “deixa-andar”, compadrio, o tribalismo e regionalismo que ainda constituem “joio” para a consolidação da moçambicanidade.

Claro que a presidência aberta é necessária, mas há muitas coisas que acontecem há bastante tempo os quais durante a sua realização têm sido muito contestadas. Já deveriam ter merecido uma consideração por quem de direito para se ultrapassarem, a bem da unidade nacional, da democracia e principalmente da criação de riqueza.

Não sei se o Presidente da República, Armando Guebuza, sabe ou não, mas o que se tem assistido de forma continuada, apesar de protestos, é que das várias vezes que já visitou alguns distritos de Nampula, incluindo a capital provincial, tudo ficou parado, incluindo mercados e outros locais de interesse público, só porque se quer obrigar as pessoas a irem recebê-lo no aeroporto ou estarem presentes nos comícios que orienta.

Aliás, não consigo e nunca consegui entender isso, porque me parece que com o passar do tempo, “condimentado” com o pluralismo político, certas coisas perdem o sentido de serem mantidas, porque já perdem a sua razão de ser. Para mim essas decisões entravam, pelo contrário, o combate à pobreza, que é o “slogan” nos discursos presidenciais.

Na recente visita do estadista moçambicano à província de Nampula, alguns pequenos e grandes comerciantes de um distrito considerado como um dos mais pobres da região e que por causa disso deveria desenvolver esforços para inverter o cenário, escalado pelo Chefe do Estado, ficaram revoltados devido ao facto de as suas barracas e lojas terem sido encerradas, porque alegadamente as pessoas tinham que ir obrigatoriamente ao comício.

Eles disseram que não estão contra que as pessoas afluam aos comícios da presidência aberta, mas, sim, a forma compulsiva com que elas são mobilizadas. Estou longe de ser analista desse tipo de visitas, mas tenho a sensação de que muita gente gostaria igualmente que os relatórios que são apresentados ao Presidente reflectissem a situação real de uma província ou distrito.

Em meu entender, dessa forma as visitas presidenciais fariam com que em certos casos não se concentrasse nas prioridades erradas, na execução de programas de governação. O Presidente da República, conhecendo com profundidade, pode ser um factor importante para que não se perca o prestígio social, não se desequilibrem os alicerces do Estado de Direito, não se criem frustrações do eleitorado. Acima de tudo, essas visitas fariam mais sentido.

Em algum momento incluo-me no grupo dos que consideram que a presidência aberta podia ser também um sinal de vitalidade da democracia no nosso país, sem que deixasse que se abrissem caminhos ao abuso do poder.

Contudo, elas mexem alguma coisa, na vida das populações, embora alguns dirigentes que deviam servir de exemplo na implementação de acções de combate à corrupção, pobreza e outros problemas que constituem grandes constrangimentos para o sucesso daquilo que tem sido decidido na “presidência aberta” continuem com cabeças “duras”, em parte por culpa do próprio poder político instituído.

Fonte: Jornal Notícias
Nota: O Sublinhado é meu, sobretudo para que o Nuno Amorim, frelo e que diz viver em Nampula, vê-lo e comentá-lo.

QUEM TEM MEDO DA PRAÇA ANDRÉ MATSANGAISSA?

Por Noé Nhantumbo

Será recusa à reconciliação?

Beira (Canal de Moçambique) - É preciso dizer de boca cheia que os que receiam o nome daquela praça na cidade da Beira são os mesmos que não conseguem ver heróis senão nas suas hostes.
O discurso de reconciliação nacional que não passa pelo respeito aos heróis dos outros, é algo que não tem sentido e reflecte uma teimosia que só prejudica Moçambique e os moçambicanos. O frequente sentido de Estado que alguns dizem possuir é factualmente desmentido pelo facto dessas mesmas pessoas não conseguirem entender e mostrar aos moçambicanos que a sua luta e preocupação são este país e seu povo. As horas que foram consumidas procurando deitar a baixo uma resolução da Assembleia Municipal da Beira sobre o nome de uma praça reflecte o que na essência são os partidos políticos que temos…
Querer reconciliar a família moçambicana jogando para a lata do lixo uma parte importante dos moçambicanos que contribuíram com o seu empenho, saber e até sangue é algo que não pode ser aplaudido nem aceite pois representa uma negação autêntica dos esforços tendentes a normalizar a vida do país e lançar os alicerces para o seu desenvolvimento multifacetado.
A teimosia de impor um modelo político unilateral e visando obliterar a contribuição de compatriotas na criação de condições para que o país conquistasse a sua independência vai continuar a ser a preocupação primordial de alguns dinossauros políticos nacionais que com estas atitudes ainda não perceberam o quanto começam hoje a cair no ridículo.
Há gente que não consegue conceber que os outros também são moçambicanos e que possuem igualmente direitos sobre o que o país pode oferecer aos seus.
O combate que se trava na Beira sobre o nome André Matsangaice deve ser visto como algo mais abrangente. Aceitar tal nome para uma praça faz ou provoca arrepios a alguns políticos porque no seu entender seria abrir um precedente. Se admitirem isso terão que algum dia admitir que Uria Simango, Joana Simeão sejam considerados heróis com direito a nome em ruas, avenidas e praças. É isso que alguns “camaradas” temem mais que a morte. Julgam que ceder na Beira seria abrir a “caixa da Pandora” ou a garrafa onde está aprisionado o espírito.
Esta situação que deveria ser tratada de maneira politicamente adulta através de um diálogo que envolvesse todos os moçambicanos, está sendo evitada a todo o custo porque existem pessoas no partido no poder (Frelimo) que não conseguem trazer elementos novos para tal diálogo.
Somos moçambicanos e não há que ter medo ou qualquer receio em abordar a questão dos heróis com a profundidade requerida.
Deixemos para trás as considerações dos tempos do monopartidarismo e conceitos estreitos. Mesmo na Rússia, o último Czar foi reabilitado.
Já não há lugar para algumas manifestações estalinistas como de algumas pessoas que continuam a supor-se especiais e únicas.
Julgo que também há algum jogo de bajulação e elogios infundados para algumas figuras da luta de libertação nacional promovidos por alguma comunicação social. Engorda o ego dessas pessoas quando afinal até a sua filosofia, marxismo-leninismo é contra tais cultos de personalidade…
Deixem André Matsangaice descansar em paz e reconheça-se que o seu papel foi instrumental para que agora Moçambique seja politicamente pluralista…
O que realmente interessa aos moçambicanos é uma reconciliação efectiva onde cada um respeite os outros.
Essa mania de que existem moçambicanos especiais e que é necessário a Assembleia da República ratificar a heroicidade segundo critérios determinados por uma Comissão Política do partido no poder, como alguém procurou fazer entender, não faz sentido pois o povo moçambicano sabe de facto quem são os seus heróis.
Não há departamento de informação e propaganda algum que possa criar ou produzir heróis duradouros na memória popular…

Fonte: Canal de Moçambique

terça-feira, junho 02, 2009

Oportunismo e oportunistas?

Depois da Maria Moreno e Ismael Mussá terem anunciado publicamente a sua resignação da Renamo e a Moreno manifestado a sua eventual filiação ao Movimento Democrático Moçambicano, mais vozes se levantam contra a aderência ao novo partido de membros vindos doutros partidos, considerando-os de oportunistas e nunca a mais valia para o MDM. Até antes da fundação do MDM não me recordo que quem abandonasse a Renamo, para um novo partido que se criasse, seria considerado oportunista. Pelo contrário, abandonar a Renamo, devido aos problemas de liderança para a criação dum partido da oposição credível e que constituisse alternativa governativa foi forte e amplamente manifestado em muitos fóruns de discussão. Aliás evocava-se nessa altura que qualquer político sério, tinha que abandonar a Renamo. Eu questionava sempre neste blog quanto a seriedade de quem saia da Renamo para a Frelimo depois de tanto espectáculo na Assembleia da República.

Não me recordo que alguém tenha manifestado desilusão quanto ao empenho político de Maria Moreno e Ismael Mussá na Assembleia da República, isso para não falar de nomes que não apareceram na imprensa. Sei é que muitos apreciavam-no positivamente. Uns ficaram surpreendidos que a Maria Moreno devia abandonar a chefia da bancada da Renamo-UE para se candidatar à presidência do Município de Cuamba. Muitos parabenizaram a Ismael Mussa e João Colaço por terem se demitido de assessores como reacção contra a pertição e expulsão de Daviz Simango da Renamo. Muitos elogiaram a postura da Maria Moreno por ter negado que cumprisse uma decisão ilegal de formar um conselho municipal paralelo em Cuamba. Mas parece-me que muitos esqueceram-se destes factos e estes são oportunistas no MDM? Já não são coerentes?

Mas quem os chama de oportunistas? É difícil saber se todos eles são simples agitadores, pessoas de má fé, sobretudo membros do partido Frelimo ou alguns são pessoas de boa fé e manifestam apenas a sua opinião. Admito que haja pessoas de boa fé, embora estas pessoas não discutam o problema abertamente. O Nelson Livingston levantou a questão no portal do MDM (vejaaqui) e no seu blog, O Meu Mundo, (veja aqui). Sou de opinião que se as pessoas são de boa fé, são por multipartidarismo, deviam prosseguir com o debate.

Mas como que considerar àquelas que se calaram ou bateram palmas quando Almeida Tambara, Raimundo Samuge ou Policarpo Matiquite foram a imprensa para se apresentarem como desertores da Renamo para a Frelimo? Por outro lado, é possível considerar um adversário político de conselheiro?

No geral, será que pensamos que seria possível que se fundasse em Moçambique um partido com membros que nunca foram membros de algum partido? Alguém já imaginou porquê é difícil formar um partido com pessoas que nunca se alinharam ou simpatizaram a um partido? Pensem em equipas de futebol.

No Cbox ao lado, Ndango diz que “quem saltita de um partido ao outro, nao é sério. Os sérios sao lutadores, insistem e persietem ate vencer”. Eu tenho dúvidas que se esta fosse a lógica, já teriamos a Frelimo e por conguinte um outro partido em Moçambique mesmo depois da Constituição da República de 1990? Duvido também, porque Ndango não nos/me fala dos métodos de luta que lhes permitiriam vencer, mas uma vitória ao serviço da pátria. Quais seriam se não fosse ao que chamo de oportunismo (calar-se para garantir o lugar elegível na próxima legislatura)? Não assistiriamos mortes?

Como vêm, não estou a fugir do debate, mas a querer que o assunto se debata de forma aberta. Tenho receios que haja membros do MDM que se convençam com estes novos termos de oportunismo e oportunistas, passando a desconfiar todo e qualquer que por via MDM queira contribuir para as reais mudanças políticas em Moçambique. As desconfianças por sua vez podem conduzir a lutas intestínais ao invés de se construir uma coesão; ainda, elas podem conduzir à desilusão. Os membros do MDM deviam entender que mais um membro é sempre a mais valia. Vamos, vamos debater, mas com honestidade!!!

segunda-feira, junho 01, 2009

Moreno aceita integrar o partido de Daviz Simango

Escrito por Eduardo Conzo

…e justifica dizendo que está farta de fazer parte de uma oposição que nunca mostra resultados

(Maputo) A antiga chefe da Bancada da Renamo na Assembleia da República, Maria Moreno, disse sábado último em Maputo que, caso seja convidada a fazer parte do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), irá aceitar sem receio e com bastante naturalidade. Esta é a primeira vez que Moreno mostra abertamente a sua disposição em integrar o movimento de Daviz Simango. Este pronunciamento acontece dois dias depois de ela e o deputado Ismael Mussa terem-se desvinculado da Renamo, conservando apenas os seus lugares na Assembleia da República como independentes.
A decisão de Maria Moreno, segundo a própria, resulta de uma sucessiva frustração em dar-se conta de fazer parte de um partido fracassado e sem rumo. Assim, avançou Moreno, não pode continuar numa oposição que não representa uma mais valia para o desenvolvimento democrático do país.
Presente no Comício Popular que teve lugar no último sábado na cidade de Maputo, e orientado por quadros do MDM, em vez do próprio Daviz Simango, Moreno disse que o país estava, pela primeira vez, a assistir ao surgimento de um partido da oposição com ideias claras, objectividade e competência para renovar esperanças de milhares de moçambicanos que se sentem excluídas da vida pública do país.
“Agora julgo ter nascido um partido com objectividade, capaz de trazer uma mudança neste país” disse a fonte.
Presente no comício, perguntamos-lhe em que posição ela marcava presença no evento, ao que, cautelosamente, respondeu: “ estou aqui como uma cidadã comum, mas quero deixar bem claro que adiro ao MDM, caso me façam convite para fazer parte. Aliás, não resistiria a uma oportunidade de tamanha magnitude” – referiu.
Entretanto, segundo ficamos a saber do delegado político do MDM na cidade de Maputo, Agostinho Macuacua, que Daviz Simango não particiopou no Comício de sábado por recomnendação médica, visto que anda gripado nos últimos dias.
Estatísticas que tem estado a ser avançadas pelo movimento indicam que o Movimento Democrático de Moçambique, criado há pouco tempo, já conta com cerca de 15 mil militantes.

Fonte: Savana

sábado, maio 30, 2009

Morreu Luís Cabral

O primeiro presidente da Guiné-Bissau, Luís Cabral, irmão de Amílcar Cabral, nascido a 10 de Abril de 1931, morreu hoje em Lisboa vítima de doença prolongada, disse à agência Lusa fonte da família.

Luís Cabral foi deposto num golpe de Estado em 1980 liderado por Nino Vieira, o qual foi assassinado no passado mês de Março. Luís de Almeida Cabral foi o presidente da Guiné-Bissau que precedeu João Bernardo Vieira antes de novembro de 1980. Era meio irmão de Amílcar Cabral, líder do PAIGC.

Fonte: RTP

sexta-feira, maio 29, 2009

Maria Moreno escreve a Afonso Dhlakama


CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA RENAMO

por Maria Moreno

Exmo. Senhor
Presidente do Partido RENAMO
Excelência.

Escrevo-lhe, Senhor Presidente, porque não é bom que eu me afaste sem uma palavra, uma explicação – depois de tantos anos de convívio, em que o senhor representou uma boa parte da nossa Esperança colectiva, depois de tantos anos juntos “na trincheira” pela liberdade, pela Democracia.
Os moçambicanos sonharam com a Independência, nutriram esse sonho, essa Esperança e alcançaram-na. Nós estávamos lá. Depois veio a guerra, por causa da Esperança (sempre por causa dela), essa Esperança que se recusa a morrer – dizia eu, veio a guerra. A guerra ainda tão recente, mas também e, felizmente, atirada para a história, para o passado, para uma gaveta que nunca mais quereremos reabrir – é bom que não queiramos reabrir.
Senhor Presidente, depois veio a guerra, qual filme de Akiro Kurosava, o Senhor Presidente era o senhor da guerra – majestoso, imparável. Dos relatos, contos e ditos, o senhor era o grande comandante.
Senhor Presidente, depois veio a PAZ – o abraço em Roma, depois de tantos avanços e recuos (espero que alguém um dia escreva a saga da assinatura do Acordo Geral de Paz – AGP – uma pequena sigla, não é?). Depois, Senhor Presidente, veio o AGP. Aí sim, o AGP foi para todos os moçambicanos e amigos de Moçambique um alívio, um renascer da Esperança (outra vez a Esperança!) Mas que Povo é este que precisa de esperança como de “pão para a boca”, como de ar para respirar? É o Povo Moçambicano do Rovuma ao Maputo que sabe que tem um enorme potencial, que sabe que este País é viável e que a sua fé e esperança não são vãs.
Depois veio, Senhor Presidente, a implementação do AGP – o tal da pequena sigla, mas de grandes repercussões em nossas vidas -, com pleitos eleitorais perdidos de forma difícil de entender, prisões e mortes. E fomos ficando parados no tempo, estáticos, ultrapassados.
Escrevo-lhe, Senhor Presidente, para lhe dizer que não conte mais comigo nas fileiras da RENAMO, me desligo do Partido. Por causa da Esperança que nunca perco, me desligo do Partido.
Agradeço-lhe o ter-me confiado a direcção da Bancada Parlamentar da RENAMO-União Eleitoral, onde dei o melhor de mim para que todos se sentissem com direito à visibilidade que é a arena dos politicos e para que o nome da RENAMO soasse alto.
Talvez o Senhor não saiba, mas contraí uma dívida na BRUE – trinta mil meticais - para preparar a campanha eleitoral das Autárquicas de Novembro de 2008, para acrescentar aos outros trinta mil que Vossa Excelência me enviou e a mais duas centenas de milhar de Metical que pude investir naquele esforço. Não gostaria de manter-me endividada por muito tempo, por isso, honrarei meu compromisso de devolver a quantia solicitada à Bancada.
Escrevo-lhe esta carta em memória da minha mãe que sempre me incentivou para a luta, em honra de meu pai que não desistiu de lutar e por respeito a tantos compatriotas que não perderam a Esperança.

Termino, desejando muita saúde para si e a Familia.

Maputo, aos 28 de Maio de 2009

Fonte: Canal de Mocambique

quinta-feira, maio 28, 2009

Ismael Mussa e Maria Moreno abandonam Renamo?

Segundo o O País online os deputados Maria Moreno e Ismael Mussa já não são membros da Renamo. A carta do seu afastamento foi endereçada hoje ao líder da Renamo, Afonso Dhlakama, esta manhã. Maria Moreno diz que está desiludida com Afonso Dhalakama e com o rumo que o partido está a tomar. Instada se iria se filiar a um novo partido Moreno disse que no momento esñcontra-se livre de se juntar ou não a um outro partido. Já Mussa diz que não esconde a sua simpatia pelo MDM (Movimento democrático de Moçambique) mas de momento vai manter-se na Assembleia da República como deputado independente.

Fonte: O País online

Coisa bizarra, toda ela

MARCO DO CORREIO

Por Machado da Graça

Olá amiga Lúcia

Como vais, minha amiga? E os teus filhos estão bem? Nós, cá em casa, estamos todos bons, felizmente.
Venho hoje falar-te desta estranha questão dos médicos americanos.
Médicos que podem nem ser médicos e, ao que parece, nem querem vir para cá praticar medicina.
Coisa bizarra, toda ela.

E o mais estranho é que tudo isto parece começar com umas declarações do Encarregado de Negócios americano, Todd Chapman, num tom que ultrapassou um pouco a delicada pressão diplomática para roçar o odor ácido da chantagem.

Dizia ele, mais coisa menos coisa, que havia muitos médicos americanos a querer vir trabalhar para Moçambique, mas o nosso Governo não lhes dava vistos e, portanto, a cooperação americana com Moçambique, nesta área, estava em risco de ter que ser anulada.

E não posso deixar de estranhar que Todd Chapman, habitualmente tão calmo e bem disposto, tenha chegado a termos tão fortes como estes, em termos de diplomacia.

Do nosso lado da barricada saltou a Ministra do Trabalho a afirmar que se os tais americanos queriam entrar em Moçambique tinham que provar que eram, de facto, médicos. Resposta que parecia pôr em causa a seriedade dos diplomas dos ditos clínicos americanos.

E o bate-boca tem continuado mais ou menos dentro destes parâmetros.
Entrou agora em cena um novo personagem. Trata-se do Ministro da Saúde, Dr. Ivo Garrido, que disse algumas coisas que parecem claras, mas não jogam bem com a polémica anterior. Disse ele que já foi autorizada a entrada de 11 americanos; que nem todos são médicos e que nenhum deles vem tratar um único moçambicano. Que vão ficar, se bem percebi as declarações de Ivo Garrido, na administração de projectos americanos na área da saúde.

Acrescentou o Ministro que tem uma carta em que as autoridades americanas dizem aceitar esta solução da vinda dos 11 americanos.
Ora, se os americanos tinham aceite esta solução, porquê veio agora Todd Chapman levantar, de novo, a questão, de forma vigorosa?
Ora, se os americanos não vão tratar doentes, mas apenas gerir projectos, por que razão fazemos tanta pressão em relação aos seus diplomas académicos?

Parece uma história mal contada. Não parece, Lúcia?
A sensação que me dá é que cada um destes personagens conta apenas uma parte da história, logicamente a que mais lhe interessa, mas nenhum deles nos dá a história completa para podermos perceber o que se está a passar.

Não seria melhor que todos eles colocassem as cartas na mesa? Todas as cartas, sem deixar nenhumas nas respectivas mangas.
Porque se é só aquilo que nos vai chegando, através das declarações de uns e de outros, trata-se de uma tempestade num copo de água.
Mas custa-me a acreditar que um Encarregado de Negócios e dois Ministros se dediquem a desencadear tempestades em copos de água assim sem mais nem menos.

O que estará por trás disto tudo?

E, já agora, aproveito para perguntar por que motivo a embaixada americana está há tanto tempo sem um Embaixador. Não que eu não aprecie a presença de Todd Chapman. Pelo contrário, é pessoa com quem tenho mantido um relacionamento bastante cordial. Mas não é estranho que, ao fim já de vários anos, os Estados Unidos não sejam capazes de nos enviar um Embaixador?

Ou será, Lúcia, que entre os americanos que esperam visto para entrar em Moçambique está também o futuro Embaixador? E a Ministra do Trabalho não o deixa entrar sem ver os seus diplomas escolares de diplomacia? E o Todd Chapman nunca mais vê chegar quem o vai aliviar das suas actuais tarefas?

Talvez um dia nos expliquem isto tudo muito bem explicado.

Entretanto, parece-me que não seria mau as diversas partes baixarem o tom de voz e procurarem resolver os problemas realmente existentes, sejam eles quais forem, sem intransigências despropositadas, de um dos lados, e sem chantagens e ameaças do outro.
Será que um bom jantar entre os três não seria bom terreno para as coisas se resolverem?
E já há tão bons restaurantes em Maputo...

Um beijo para ti, minha amiga, do

Machado da Graça

CORREIO DA MANHÃ - 28.05.2009

Retirado do Mocambique para todos
P:S. Tudo parado?

quarta-feira, maio 27, 2009

O Miradouro de volta

O Miradouro que desde há meses estava quase sem novas publicações, voltou esta semana com novos artigos. Bom regresso à bloguisfera, Miradouro.

Presidente do Niger dissolve parlamento

O presidente do Niger, Mamadu Tandja, dissolveu hoje por decreto o Parlamento, um dia depois de o Tribunal constitucional ter recusado a realização de um referendo que lhe permitiria manter-se no poder, afirmou a rádio privada Anfani.

Esta dissolução surgiu quando os 113 eleitos examinavam hoje uma carta enviada por Tandja para os informar que tinha decidido organizar um referendo para lhe permitir manter-se no poder depois do último mandato de cinco anos, que termina este ano.

Segunda-feira, o Tribunal constitucional, a mais alta jurisdição do país, tinha emitido um parecer desfavorável em relação à realização deste referendo, considerando que o artigo 49 da Constituição, sobre o qual Tandja se queria apoiar, “não podia servir como fundamento para uma mudança da Constituição”.

Este artigo 49 autoriza o presidente a convocar um referendo sobre vários assuntos.

“O presidente da República, tendo jurado respeitar e fazer respeitar a Constituição, não poderia comprometer ou modificar esta constituição sem violar o seu juramento”, referiu o Tribunal.

A assembleia nacional foi eleita em 2004 por um período de cinco anos.

Fonte: O País online

segunda-feira, maio 25, 2009

No círculo eleitoral da Zambézia : Sessenta mil membros filiam-se ao MDM

SESSENTA mil membros de vários estratos sociais acabam de filiar se ao Movimento Democrático de oçambique (MDM) de Daviz Simango no circulo eleitoral da Zambézia, esperançosos de uma governação transparente e inclusiva, onde todos tem lugar para contribuir para o desenvolvimento socioeconomico e cultural do pais.

O delegado Político do Movimento Democrático de Moçambique na Zambézia, Margarido Abrantes, disse há dias à nossa Reportagem que não constitui verdade as alegações segundo as quais o partido tem inserção apenas nos centros urbanos. O nosso entrevistado que acaba de regressar de uma périplo que o levou sucessivamente à vários distritos com a excepção de Chinde e Inhassunge disse que o partido está representado a nível dos distritos, não em termos de uma pessoas que coordenada as actividades, mas já tem sedes próprias, membros e recursos materiais e financeiros para funcionar.

A aderência dos membros ao partido é extremamente surpreendente. Abrantes afirmou que para além dos que vem da Renamo e Frelimo, a qualidade dos membros é igualmente boa, sobretudo, jovens academicos com visão e perspectivas de como o pais deve ser governado, pretendem usar o seu potencial intelectual para contribuir para o desenvolvimento do pais.

“Apesar disso ser extremamente bom, devo dizer igualmente as idéias que os membros trazem, independentemente de ter ou não escolas são muito importantes para definir a nossa estratégia eleitoral; por isso, eu disse que temos membros de todos os estratos sociais e profissionais; filiaram-se ao nosso partido porque vê o MDM como a única salvação e alternativa de governação do país; estão fartos de serem excluídos e marginalizados e querem uma oportunidade para provar as suas capacidades de pensar e saber fazer bem as coisas”, disse o nosso entrevistado para que o partido já está a trabalhar na mobilizar de mais membros nos Postos Administrativos e Localidades da província da Zambézia para também namorar os indecisos. Alias, a fonte disse igualmente que uma parte significativa desses membros que o partido angariou desde a sua apresentação pública há dois meses são os chamados indecisos que acham que agora chegou a altura de tomar uma decisão para sua participação da vida política como cidadãos conscientes.

“Os cidadãos perderam a esperança da Renamo e a alternativa para salvar o pais é o MDM que no seu programa apresentado publicamente traça as linhas mestras de um verdadeiro combate a pobreza; não combater pobreza de discursos políticos; é um programa pragmático”, disse Margarido Abrantes para depois acrescentar que a principal mensagem transmitida que está cativar as pessoas a filiarem se ao MDM é de um “Moçambique Para Todos” pelo facto de o partido no poder estar alegadamente a excluir muita gente da sua governação, a exemplo do que está acontecer com actual governação do partido Frelimo na Zambézia que ignorou todos os Zambezianos.

“A Frelimo em trinta e cinco anos não trouxe mudanças na política económica e só está a forçar os cidadãos, incluindo os funcionários públicos a acreditar todo quanto dizem quando na verdade está longe da realidade; a Renamo não conseguiu devolver aos cidadãos moçambicanos o bem estar social; então, nessa perspectiva o MDM aparece como o partido que vai salvar o país que está a beira do colapso”, disse.

Segundo Margarido Abrantes, a pobreza em moçambique só poder combatida com a alocação de infra-estruturas nos locais onde existem os recursos naturais por forma que esse potencial seja utilizado para dar emprego aos cidadãos. Apontou com exemplo, o ramo da madeira onde estão envolvidos muitos dirigentes políticos que ao invés de pagarem salários justos exploram os seus compatriotas para além de estarem a dizimar as florestas e a aumentar a pobreza absoluta que não se cansam de afirmar que estão a combatê-la. “Os chineses levam as quantidades de madeira que quiserem sem pagar impostos mas o governo continua impávido e sereno; um cidadão que quer tirar madeira para fazer um banco e vender e comprar pão para a sua família é preso; é um autentico contraste”, disse.

Todos esses males só podem ser combatidos por alguém que foi educado dentro de uma cultura de respeito e amor ao próximo. Segundo o delegado Político do MDM, essa pessoa só pode ser o Presidente do MDM o jovem engenheiro Daviz Simango que já tem créditos firmados na praça pública que é uma pessoa comprometida com o desenvolvimento do pais.

Entretanto, no dia da apresentação pública o campo de futebol da sagrada ficou lotado por completo e não havendo espaço para meter sequer uma agulha. Há muita expectativa em torno do movimento criado pelo Daviz Simango considerado pelos jovens como a única esperança para os seus múltiplos problemas, nomeadamente, falta de emprego, formação profissional, oportunidade de estabelecimento de negócios. Os financiamento para desenvolver negócios são para pessoas localizadas, escolhidas a dedos.

Entretanto, dentro de poucos dias arranca a capacitação dos fiscais e membros que irão trabalhar em Outubro nas Assembléias de Voto em matérias do pacote eleitoral.

Jocas Achar
´
Fonte: Jornal Notícias


Nota: Este é o artigo que sumiu poucos minutos depois de ter sido publicado no Notícias, segundo o que descrevi aqui. Qualquer pessoa pode testar e provar que a peça foi censurada. Pode-se ver como o Moçambique para todos testou. Eis o link do Notícias: http://www.jornalnoticias.co.mz/pls/notimz2/getxml/pt/contentx/753297

CARTA ABERTA A Dra Luisa Diogo, PRIMEIRA MINISTRA

Sua Excia Senhora Primeira Ministra

E com elevado sentido patriotico que tomamos a liberdade de lhe enderecar esta missiva, na esperanca de que encontre algum tempo disponivel na sua vasta agenda.

Excia,

O Governo da Republica de Moçambique tem entre os seus principais objectivos o combate a pobreza, o desenvolvimento e a redução das assimetrias regionais, segundo rezam os principais instrumentos de governacao tais como o Plano Quinquenal do Governo, O Plano Economico e Social, e o Plano de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta, PARPA 2001-2005 e 2006-2010.

Acompanhamos em varios discursos, de viva voz, a Primeira Ministra afirmar, inter alia, que um dos objectivos centrais o programa de governacao do seu executivo, era continua a ser o combate as assimetrias regionais.

No entanto, para nosso espanto, em nenhum documento oficial, existe de maneira explícita uma estratégia geral integrada para enfrentar a problemática das disparidades e ou assimetrias regionais. Pior ainda, em nenhum documento oficial, que seja do nosso conhecimento, existe uma tentativa mesmo que ténue para diagnosticar e equacionar o problema das assimetrias regionais. Mesmo os PARPAs I e II, que poderiam ser considerado como excepcao das excepcoes, quando muito, apresenta aquilo que considerariamos apenas como ‘uma simples contextualização das questões territoriais’.

Excia,

Para que nao nos acusem de preguica mental, como certos ‘oportunistas’ o fazem quando atacados por diarreias cronicas gostam de desqualificar o outro, sobretudo aqueles que ‘pensam antes de papaguear’, e sabendo de antemao que serei chamado ‘localista’, regionalista ou sei la oque, como certa vez V. Excia ousou chamar-me, permitam-nos que defendamos a nossa tese tendo como casos de estudo, para efeitos de ilustracao, as provincias da Zambezia e de Maputo.

Nao é novidade para ninguem que o grau das assimetrias regionais em Moçambique está entre os mais evidentes do mundo e tem vindo acentuar-se ao contrario dos discursos oficiais. Salvo dados recentes que nao estejam a nossa disposicao, permitam-nos citar o economista Cássio Rolim (2002) que afirma peremptoriamnte que ‘o PIB per capita de Maputo é cerca de 7 a 8 vezes superior ao da Zambézia e poderá facilmente ficar mais de 11 vezes superior por volta do ano 2010’. Alias, Vala (2008:4), na sua comunicacao a I Conferencia do IESE, afirma que ‘em termos de PIB real per capita, a Provincia de Maputo apresenta valores em media tres vezes superiores a media nacional e cinco a seis vezes o PIB pr capita d Niassa, Cabo Delgado, Zambezia e Tete (UNDP:2006:3 &19).

E como se nao bastasse, o Cassim (2002) faz uma constatacao ainda mais preocupante: ‘que para que essa disparidade seja eliminada a Zambézia precisaria crescer nos 10 anos seguintes a uma taxa média próxima de 33% ao ano!!! Que pelo actual modlo economico e tendo em conta os actuais indices de crescimento significaria, pura e simplesmente NUNCA!

Senhora Primeira Ministra,

Explique-nos, na sua qualidade de economista, PM, responsavel ao nivel da Comissao Politica do Partido no Poder para a Provincia da Zambezia, aos niveis actuais de crescimento, quantos anos levará o seu governo a tirar a nossa querida Zambezia da pobreza absoluta? Quantos anos levará o seu governo a eliminar as disparidades entre Zambezia e Maputo? 50, 60, 100 ou 1000 anos?

Lembre-se Excia, que a provincia da Zambezia ja foi considerada o celeiro do pais, contribuiu com mais de 60% para o PIB!

Paradoxalmente, fruto da incompetencia e de politicas falhada, hoje a Zambezia ate bolsas de fome regista! Chegamos ao cúmulo de ter regioes onde povoados inteiros sobrevivem de tuberculos, tendo que descer a mais de dois metros do leito do rio, tendo mesmo que disputar o espaco vital com crocodilos para adquirir o ‘nhica’! Que me digam as populacoes de Mopeia Vejam ate que ponto chegamos, caros compatriotas!
Ao inves de criar incentivos para a producao de culturas alimentícias e ou de rendimento com mercados minimamente assegurados e ue nao afectem nem a saude nem a economia rural, vemos um governo a promover a jatrofa em detrimento de culturas alimentares, sem que para tal algum estudo previo ou estrategia tenha sido definida.

Excia,

Como deve saber, na sua qualidade de conomista, a questão das disparidades regionais pode ser colocada a) como um problema de alocação de recursos mais eficiente; b) como um problema de distribuição inadequada de renda; ou entao c) como um problema político.
Como facilmente se pode ver, em Moçambique o agravamento da alocacao e disparidade na alocacao de recursos, associada ao problema da distribuicao inadequada da renda potencia o problema politico.

E mais, a ciencia economica ensina-nos que as estratégias para resolver a questao das assimetrias regionais implicam pelo menos duas linhas de actuação complementares: uma integração administrativa e/ou uma integração dos espaços econômicos.

A integração administrativa pode ser entendida como ‘a garantia da presença do Estado em todo o território nacional, implicando uma descentralização administrativa, em que o elemento fundamental está na a) determinação da unidade territorial administrativa de menor nível, b) na montagem de um sistema de representação local, e c) na devolução de algumas atribuições e/ou na repartição de poderes e capacidade de tributação para os menores níveis de governo. É uma tarefa difícil com certeza, mas possível de ser realizada uma vez que a maioria dos elementos necessários para a sua concretização está quase que exclusivamente nas mãos do Estado.

Estamos convictos que uma descentralização administrativa pujante e sem reticencias, pode contribuir sobremaneira para a redução das disparidades regionais. No entanto, tanto a teoria economica como a pratica em Mocambique nos ensinam que descentralização administrativa, enquanto elemento de racionalização da acção governamental, será insuficiente para reduzir as disparidades regionais se não for complementada por uma linha de actuação sobre as forças de mercado, constituindo deste modo uma estratégia territorial integrada para o desenvolvimento regional em Moçambique.

Esta segunda linha de actuação, a integração dos espaços econômicos, já é um problema muito mais complexo porque, embora o Estado possua importantes instrumentos de intervenção, não tem o controle das decisões de investimento tomadas em uma economia de mercado. O grande desafio é, portanto, como montar uma estratégia de integração dos espaços econômicos que leve à constituição de uma economia nacional.

Infelizmente, esta linha de pensamento não está presente, nem de forma explícita e muito menos implicita, em nenhum documento oficial do Governo. Nao conhecemos nenhum documento, seja no âmbito acadêmico, seja no âmbito técnico, que trate com a devida seriedade e coerencia destas questões em Moçambique. Sera por desconhecimento, ignorância, incompetência ou simplesmente ma vontade de quem detem a faca e o queijo na mão?

Excia,

Uma estratégia integrada de desenvolvimento regional, da maneira como está sendo pensada, é necessariamente uma estratégia cujos resultados virão apenas no médio e longo prazo, mas que exigem ações imediatas uma vez que os problemas agravam-se em proporções geométricas. As forças de mercado agem dentro da dialética concentração-desconcentração, no entanto o poder concentrador é inexorável e quanto maior for a resultante da sua actuação, maior terá de ser o impacto das ações contrárias a ele (Cassim 2002).

A elaboração de uma estratégia territorial integrada é necessária para que se possa ter uma maior clareza dos cenários alternativos que permitirão alcançar os objectivos almejados: a redução das assimetrias regionais.

Vista sob uma perspectiva reducionista pode-se dizer que diminuir as assimetrias regionais equivale a proporcionar acesso à educação, saúde e emprego a qualquer cidadão moçambicano, esteja ele onde estiver. Direitos estes que deveriam ser inalienáveis porque prescritos nao apenas na Constituição da República de Moçambique, como tambem na Declaração Universal dos Direitos humanos, que o ano passado completou 60 anos. Por outras palavras, equivale a dizer, como exemplo, que o cidadão da Zambézia teria a mesma oportunidade de frequentar uma escola, receber atendimento médico e conseguir um emprego que o cidadão de Maputo.

Quando duas crianças, uma nascida em Maputo outra nascida na Zambézia ou no Niassa nao tem as mesmas oportunidades, então o estado deve ser chamado a razão porque está privar a uma das crianças os direitos consagrdos na Constituição da República.
Quando o doente de malaria na Cidade de Quelimane não tem acesso a soro e o de Maputo o tem, ou quando o Ministro da Saúde emana uma directiva visando a extinção das clínicas especiais, e estas são efectivamente extintas nas províncias, continuando visivelmente a funcionar nas barbas do Ministro e do governo, então algo esta definitivamente errado!

A escola e o atendimento médico, por exemplo, podem ser obtidos com uma descentralização administrativa bem sucedida. A descentralização administrativa, no entanto, é insuficiente para proporcionar emprego ao cidadão da Zambézia. O máximo que ela conseguirá fazer é proporcionar-lhe melhores condições para vir procurar esse emprego em Maputo. E ai começa um ciclo vicioso em que os que mais poder político e económico têm e por essa via mais conhecimentos e mais capazes de tirar a província do abismo em que se encontra, são paradoxalmente os que mais meios e mais incentivos têm para sair da província a procura de pastos verdes! E Maputo ou Nampula acabam sendo os destinos favoritos!

Excia,

A estratégia de integração dos espaços económicos implica a existência de uma concentração urbana gerando economias de aglomeração que viabilize novos investimentos alternativamente a Maputo. No contexto actual do noso país, o único ponto em que existe maior condição económica de retorno dos investimentos é o aglomerado Maputo. Nas demais partes do país as dimensões dos mercados locais são muito pequenas e inviabilizam economicamente a produção. Os novos investimentos e as novas actividades surgidas nessas outras regiões são primordialmente aquelas ligadas as actividades primárias em que os factores localizacionais estão atados às fontes de matérias primas (Minas de Moiane ou Marripino, arreias pesadas de Moma, Carvão de Moatize, etc etc etc.). Dessa forma a existência de uma nova concentração urbana viria a ser um elemento de expansão do mercado interno em adição ao que está centralizado em Maputo.

Senhora Primeira Ministra.

Moçambique tem quadros com alta competência técnico-administrativa. Infelizmente a partidarização do estado e a promoção da mediocridade inibem a emergência de uma classe média patríota e nacionalista que possa levar o país para portos mais seguros.

Porque não seguir o modelo Sul-Africano onde temos em Tswane ou Pretória como a sede do governo e capital política, Cape Town como a sede legislativa e sede do Parlamento e natal como sede o Judicial? Ou seja que Nampula fosse transformada como Capital Política (Sede do Governo), Sofala-Beira (Sede do Parlamento) e Maputo Sede do Judicial?

Estas transformações criariam demandas em vários sectores que por sua vez rejuvenesceriam as economias locais bem como as adjacentes. Desta forma se bem hajam reforçaria a unidade nacional, criando uma economia menos dependente dos vizinhos!

Aos arrojados e corajosos filhos desta pátria, que ontem souberam desafiar desalojar o colonialismo, souberam desafiar desalojar a ditadura comunista e hoje lutam para consolidar a democracia e o progresso do país vao as nossas saudações patrióticas!

E mais não disse,

Manuel de Araujo