Sábado, Março 06, 2010

Pacheco compra viatura por um milhão de randes

Trata-se de um luxuoso Mercedes ML63

O actual ministro do Interior, José Condugua António Pacheco, acaba de adquirir uma luxuosa viatura na África do Sul por cerca de um milhão de randes, o equivalente a pouco mais de 4.6 milhões de meticais.
Trata-se de um Mercedes-Benz, modelo ML63, caixa fechada e com capacidade para cinco lugares. Segundo a documentação na posse do SAVANA, pela viatura, Pacheco pagou um valor CIF- custo do carro, seguro e frete 1,102,316.79 randes, o equivalente a 4,640,753 meticais.
Não está claro se Pacheco recorreu ao dinheiro público para a aquisição da viatura ou aos fundos próprios, mas independentemente disso, alguns funcionários do Ministério do Interior classificam a compra de “imoral e condenável”, sobretudo para um membro de um Governo que diz, pelo menos nos discursos políticos, estar empenhado no combate à pobreza absoluta e perseguir uma política de contenção de gastos.
Ao que apurámos, a viatura deu entrada em Moçambique a 14 de Janeiro de 2010, data em que Armando Guebuza era investido para o seu segundo mandato na sequência da vitória obtida nas eleições de 28 de Outubro de 2008. Quatro dias depois, Pacheco era reconduzido ao cargo de Ministro do Interior. A aquisição desta luxuosa viatura, que promete animar acalorados debates, acontece numa altura em que nas instituições subordinadas ao Ministério do Interior há uma forte pressão por melhorias salariais e condições de trabalho.
A título ilustrativo, um polícia de protecção, vulgo cinzentinho, aufere mensalmente cerca de três mil meticais e a maioria das esquadras não é reabilitada e equipada passam muitos anos. A Polícia de Investigação Criminal funciona em condições deploráveis e muitas vezes os seus agentes fazem contribuições para comprar papel para instruir processos-crime.

Reacção de Pacheco

No fim da tarde desta terça-feira, o SAVANA, procurou obter os contornos que rodearam a aquisição desta luxuosa viatura junto de Pacheco, governante que nos últimos dias está no centro de uma acesa polémica por causa do processo dos Bilhetes de Identidade, Passaportes biométricos e DIRE,s. A produção destes documentos foi adjudicada a uma empresa denominada Semlex, num processo com contornos rocambolescos.
Num primeiro contacto telefónico no fim da tarde desta terça-feira, Pacheco disse-nos que estava numa cerimónia e gentilmente, prometeu retornar a chamada. Porém, uma hora mais tarde, o SAVANA recebeu uma chamada de um funcionário do Ministério do Interior que se identificou como Teófilo Nhampossa, assessor de imprensa de José Pacheco. Ao invés de atender a preocupação do jornal, Nhampossa, um antigo jornalista a soldo do Diário de Moçambique, limitou-se a dar-nos lições de ética e deontologia profissionais. Mesmo antes de colocarmos a questão que pretendíamos ver esclarecida, Nhampossa apressou-se a classificar de cabala engendrada por alguns elementos dentro do MINT que, segundo ele, não estão interessados na política de desmantelamento de redes mafiosas levadas a cabo por José Pacheco, desde que chegou àquela casa em Fevereiro de 2005.
Disse-nos que em vez de nos apressar em falar com o seu ministro, no âmbito do princípio do contraditório, o SAVANA devia mandar os seus informadores a provarem os seus depoimentos sob o risco de cairmos no ridículo.
“O ministro está a lutar contra a corrupção no MINT. Muitos não gostam e usam jornais para o desmoralizar”, acusou Nhampossa, sem, contudo, procurar primeiro se inteirar das causas que nos levaram a contactar o ministro Pacheco. Mais adiante, Nhampossa sugeriu ao jornal para que dirigisse uma carta ao Gabinete do Ministro a solicitar uma audiência.
Este tipo de declarações acontecem numa altura em que o Governo e a Assembleia da República pretendem trabalhar no projecto de lei de acesso às fontes de informação, que está a vegetar na chamada Casa do Povo há pelo menos cinco anos. O projecto de lei de acesso às fontes de informação foi submetida ao Parlamento em Outubro de 2005 pelo MISA-Moçambique.
(Redacção

Siga o debate sobre este caso no Diário de um sociólogo aqui.

Fonte: SAVANA - 05.03.2010

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