Por Gento Roque Chaleca Jr.
“A defesa da paz não é obra de soldados, mas apenas eles a podem assegurar”. Dag Hammarskjold.
Uma nota prévia: Não sou a favor da guerra. Sou pela paz. Ninguém neste “vale de lágrimas”, por maior santidade que tenha, pode advertir-me sobre as consequências da guerra. Muito antes do meu primeiro vagido, num daqueles troncos onde as anciãs de Chivule faziam de maternidade, a guerra semeava dor e luto na família Chaleca. Como muitos neste país, sofri na pele o incómodo das armas e a ausência da paz. Não faço estas afirmações para comover, dissuadir e promover-me a qualquer heroísmo, porque a dor não se translada, é de quem é. E para os que me criticam de atiçar discursos “contra a corrente”, só lhes posso oferecer a frase: “As dores da alma não deixam recados, imprimem uma sentença que perdura pelos anos.”
Tenho algumas dificuldades em perceber a cachimónia do senhor Presidente da República. Tanto fala do maravilhoso povo, mas nada faz para conter a hemorragia da guerra. É como se estivesse a apelar que não se faça fogo, tendo ele uma caixa de fósforo na algibeira.




