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quinta-feira, dezembro 06, 2018

Autárquicas 2018: Observação independente à votação parcial em Marromeu dá vitória à Renamo

Na sua observação à repetição do escrutínio em Marromeu, com o apoio do Instituto Eleitoral para a Democracia Sustentável em África (EISA), o Votar Moçambique – um consórcio formado por seis organizações da sociedades civil, nomeadamente: O MASC, o IESE, o CIP, o CESC, o FORCOM e a WLSA – denuncia uma suposta troca/viciação dos resultados do apuramento parcial.
Na mesa com o código 07127-01, na qual estavam inscritos 800 eleitores, no fim do sufrágio a urna continha 548 votos, dos quais 270 para a Renamo, 228 a favor da Frelimo, 27 do MDM, cinco em branco e 14 nulos.
Contudo, na mesma mesa, os resultados foram alterados, durante o apuramento intermédio, para 753 votos na urna, sendo 601 da Frelimo, 103 da Renamo, 42 do MDM, três em branco e quatro nulos.
Todos os cadernos eleitorais tinham um máximo de 800 votantes, conforme recomenda a lei. Mas na contagem, na mesa 07127-03, os votos na urna foram modificados de 438 para 811 e a distribuição pelos partidos políticos concorrentes deixou de ser favorável à Renamo, com 305 votos apurados na mesa, e passou a colocar a Frelimo em larga vantagem. Passou de 108 votos no apuramento parcial para 590 no apuramento intermédio.
As alterações, aparentemente deliberadas, aconteceram nas restantes assembleias de voto que funcionaram nas escolas 25 de Junho e Samora Machel, na vila de Marromeu, excepto na mesa 07127-06, onde a contagem do Votar Moçambique e da Comissão Distrital de Eleições (CDE) coincide, mas com a Renamo em larga vantagem.
No fim do processo, a “perdiz” tinha uma vitória folgada, com 67,52%, contra 19,25% do “batuque e maçaroca”. Ou seja, tendo em conta a diferença bastante reduzida de votos na eleição de 10 e Outubro último, a Renamo pode ter ganho a autarquia da vila de Marromeu.
Borges Nhamire, do CIP, considerou que, “volvidos 30 anos da opção pelo Estado de Direito Democrático e 24 anos do início da realização regular de eleições, os órgãos eleitorais [CNE/STAE], os órgãos de administração da justiça [tribunais e Conselho Constitucional] e a sociedade em geral devem assumir o compromisso de intolerância perante os comportamentos desviantes, no concernente à busca da dignidade, justeza e transparência das eleições.”
O Votar Moçambique confirma a ocorrência das várias irregularidades reportadas pelos órgãos de comunicação social e sublinha a necessidade de os indivíduos que criaram condições para o desvio de urnas, por exemplo, serem punidos severamente.
Para aquele organismo, não é necessário efectuar um trabalho aturado para encontrar os responsáveis, pois os códigos das mesas das assembleia de voto onde as anomalias foram verificadas “estão devidamente identificados.”
Ademais, a agremiação “apela a que de direito” para que controle o “poder discricionário dos presidentes das mesas de voto”, porquanto restringe o “exercício dos direitos dos observadores (...)” eleitorais.
Alerta ainda que, se o país não conferir qualidade às eleições, “ciclicamente fontes de discórdias que mantêm os conflitos” em estado latente (...), pode estar a perigar a sua “agenda de consolidação da democracia e do desenvolvimento sócio-económico.”
Refira-se que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) apresentou, semana finda, a “centralização nacional e do apuramento geral dos resultados da eleição” de 22 de Novembro em Marromeu. Disse que o processo foi limpo...
A Frelimo e a Renamo têm uma diferença de apenas 46 votos, de acordo com o edital da CNE. Ou seja, o partido no poder teve 8.395 (45,78%), contra 8.349 (45,53%) da “perdiz” e 1.594 (8.69%) do MDM.
Fonte: @Verdade – 04.12.2018

segunda-feira, fevereiro 05, 2018

Votar Moçambique: Declaração da Eleição Intercalar de Nampula

Principais constatações

A campanha eleitoral foi positiva sobretudo pela ausência de actos de violência entre os candidatos e seus apoiantes. Houve alguns casos de violação da lei, com o uso de meios do Estado e colagem de material de campanha em locais proibidos, mas apenas nos primeiros dias.
A votação iniciou num ambiente externo e interno calmo e sem violência. Entretanto, verificou-se atraso generalizado na abertura das mesas de votos. Estima-se que cerca de 47% das mesas não estavam abertas até às 9 horas.
Houve problemas generalizados com os cadernos eleitorais. Muitos eleitores reclamaram a ausência de nomes nos cadernos. Foram registados casos de eleitores que encontraram situações de alguém ter já votado em seu nome.
Ao longo do dia foi-se verificando alguma situação de agitação, com algumas pessoas a tentar invadir a barreira da polícia para supostamente “controlar o voto”. Nestes casos, houve a intervenção da polícia tendo a situação voltando à normalidade.

A contagem parcial de votos na maioria das assembleias de voto decorreu de forma ordeira. Houve, no entanto, problemas sérios de iluminação nos postos de votação sem energia eléctrica. As lanternas fornecidas pelo STAE revelaram-se de muito fraca intensidade pelo que em alguns locais os MMV tiveram que recorrer a telemóveis e a outras alternativas pessoais para reforçar a luminosidade na mesa de voto.

A participação que veio a confirmar-se abaixo de 25% pode ter sido influenciada pelos aspectos organizacionais, designadamente a abertura tardia das mesas e a confusão com os cadernos eleitorais.

Posição do Votar Moçambique

Apesar de reconhecer o esforço empreendido pelos órgãos da administração eleitoral na organização desta eleição, a plataforma Votar Moçambique pretende deixar claro que a forma como foi conduzida a eleição intercalar de Nampula é inaceitável. Houve certo grau de desleixo, que não pode acontecer e não pode ser permitido em eleições democráticas.

O porta-voz da Comissão Provincial de Eleições (CPE) de Nampula, Bernardino Luís, disse à Rádio Moçambique: “Podemo-nos considerar orgulhosos. É uma eleição exemplar”. Não é possível orgulhar-se da confusão com os cadernos eleitorais, que começou em Dezembro de 2017 e continuou até ao dia da votação. Não é exemplar que 47% das mesas tenham sido abertas com atraso de mais de duas horas.

Normalmente, no mês de Janeiro chove em Nampula. Ninguém considerou os possíveis distúrbios ocasionados pela chuva?
Mesmo o edital final do apuramento intermédio de resultados tem erro sobre os votos válidos e número total de votantes. Isto não exemplar.
A condução da eleição intercalar de Nampula não só não foi exemplar como também foi inaceitável no que se refere à sua organização e gestão.
Recomendações
Recordando que falta pouco tempo para a segunda volta em Nampula e haverá eleições municipais em Outubro próximo, a organização das próximas eleições e o nível de disciplina das direcções locais do Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE) e das Comissões Provinciais de Eleições (CPE) serão directamente influenciados pela resposta a ser dada à organização da eleição intercalar de Nampula.
Nestes termos, recomenda-se que:
A CNE envie uma mensagem clara a todos os que trabalham nas eleições, a todos os níveis, e publicamente, de que a organização da eleição intercalar de Nampula foi inaceitável.
A CNE deve transmitir uma mensagem clara de que o nível de negligência que se verificou em Nampula é inaceitável.
5 de fevereiro de 2018
Votar Moçambique
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