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sábado, janeiro 06, 2024

Os Manteigas nos recordando os Mbararano (1)

 Caros compatriotas,

Com Manteigas a derreterem, vou continuar a reflectir e recordar a mim mesmo e a vocês, as minhas e as demais reflexões de 2008-2009.
Sem preguiça, leiam alguns postes de Maio de 2008 até finais de 2009 no blog Reflectindo sobre Mocambique, com publicações da minha autoria (Reflectindo) e de outros analistas (melhores).
Calha que quando fossem minhas próprias reflexões, não omiti o que os outros bons analistas diziam e eu criticava se fosse para tal.
Nota: 1) ando com dúvidas sobre o gosto de reflexão e leitura. Eu recomendo que corta-matos nunca foi o caminho certo. Leiamos os textos completos, pensand o na nação. Para mim, os textos longos são muitas vezes melhores porque deixam a opinião com alguma clareza. Textos curtos podem também ser muito bons, mas dependem do tipo de leitores e a capacidade dos seus autores.
Nota: 2) sobre o assunto actual, já estou escrevendo uma série que sempre estará publicada no blog que me garante arquivo e consulta rápida. Entretanto, um escolarizado tem que ser um leitor.

sexta-feira, março 11, 2011

Substituição de deputados falecidos

Segundo o Jornal Notícias, Rui Bulha, membro senior da Renamo, abandonou o seu partido por apesar de ser o primeiro na lista de suplentes da Renamo pelo círculo eleitoral de Sofala, foi preterito à favor de Manuel Bissopo em substituição do falecido Fernando Mbararano.
Afinal o que diz a lei da Assembleia da República quanto à substituição de deputados perecidos?

Reflectindo: 1) Tenho em mim que Rui Bulha precipitou-se na entrega do cartão da perdiz, pois que ele pode recorrer. Há uma chance de a Renamo e mesmo a direcção da Assembleia da República pedir-lhe desculpas e convidá-lo a tomar posse. 2) Espero que o MDM não faça algo igual quanto à substituição do falecido deputado Agostinho Macuácua. Quem tem o direito de o substituir é o primeiro na lista dos suplentes do MDM pelo círculo da Cidade de Maputo.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Fernando Mbararano: acusação ou publicitação

Conforme uma notícia divulgada no País online, o delegado político da Renamo em Sofala, Fernando Mbararano, acusou [leia-se as bases da Renamo – este é o meu sublinhado] numa conferência de imprensa os apoiantes de pressionarem Daviz Simango para formar um partido ou movimento político.

Até aqui tudo bem, embora não se saiba se isto foi para informar a chefia da Renamo em Maputo ou o público em geral. Informando a chefia, não se sabe se é para se lamentar pela inércia e apatia ou insensibilidade ou queixar-se. Mas se é queixa, é para a chefia ou seja a liderança fazer o quê? Pelos vistos, essa liderança é indiferente, senão teria reconhecido o erro grave que cometeu ao preterir Daviz e ainda teria aceite a realização de um congresso para a revitalização do partido.

Informando o público em geral é o que se pode chamar por publicitação ou o marketing político, numa clara percepção de Fernando Mbararano que o povo moçambicano precisa de um partido verdadeiramente do povo, um partido democrático no sentido verdadeiro. É em reconhecimento do inédito e espectacular acontecimento histórico que aquele quadro experimentou nos últimos cinco meses. Num país e até mesmo num continente onde estamos acostumados a ver partidos políticos a serem formados por uns indivíduos como se fossem uma empresa privada, estamos agora a experimentar uma agitação popular para a formação de um partido que responda os seus seios e possívelmente da maioria dos moçambicanos – essa maioria que por sinais [abstenções] já mostra desiludida com o actual quadro político. Aqui são cidadãos que agem para a formação de um partido político. É inédito na história moçambicana.

Apesar de certas pessoas optarem por o insultar ou dar nomes que lhes convém, talvez politicamente, Daviz Simango está apenas a responder o apelo de cidadãos que se sentem traídos pelos nossos políticos. No meu entender, este é um chamamento da patria. Quando a pátria chama por nós, não temos outra opção senão respondê-la mesmo que seja debaixo do fogo do inimigo camuflado.

Uma questão a observar no discurso de Mbararano, são os números que apresenta. Quando Mbararano diz que são menos que 5 (cinco) pessoas, pode-se entender que o máximo são quatro pessoas que pressionam Daviz Simango para a formação dum partido ou movimento político? Será que há razão para aceitarmos isso? Ou estamos perante uma matemática política moçambicana. Tenho certeza que mesmo ali onde Fernando Mbararano apresentou a sua conferência de imprensa havia mais que quatro pessoas que aderem ao grupo dos que acham que é o momento de criar-se um partido dirigido por aquele que já mostrou ter qualidades suficientes de um líder político. É uma questão de capitalização de quadros muito valiosos e úteis como é o Eng.º Daviz Simango.

Lembre-se que diziam vocês que era apenas um punhado de pessoas que apoiava a candidatura independente de Daviz Simango, mas no fim, ele arrecadou 75 984 contra 3 265 votos conquistado por Manuel Pereira (dados da AWEPA). Apenas uma hipótese, se considerarmos que os que votaram em DS e MP são todos renamistas, o último obteve apenas 4 % (quatro porccento) dos votos.

Organize mais conferências de imprensa, senhor Fernando Mbararano, divulgando a vontade dos moçambicanos marginalizados no actual quadro político.

quinta-feira, outubro 09, 2008

Papagaios sem penas ou «Perdizes» prestigiadas?

Editorial: Renamistas o que querem ser?

Afonso Dhlakama foi uma esperança para este país e pelo que deu da sua vida para que hoje todos possamos falar, escrever, reunir, empreender livremente, deve merecer o respeito de todos nós. Até aqueles que há umas décadas, embora sendo da Frelimo, isto é estando do lado certo do conflito, temiam ter propriedades ou ousar enriquecer, temiam os campos de reeducação, temiam os fuzilamentos de quem se arriscasse a contrariar um punhado de ditadores inconfessos ou de quem defendesse os “maus costumes capitalistas”, até esses da própria Frelimo que viviam de uma forma geral apavorados com a falta de liberdade, se forem sérios não têm como não estarem reconhecidos a Afonso Dhlakama e aos que o acompanharam na epopeia contra o regime déspota e absolutista que se instalou uns anos depois da Independência, pesem outros feitos.
Mas o facto dos moçambicanos já termos embarcado uma vez na senda dos libertadores que depois se apoderaram de tudo e começaram até a impedir os demais de usufruir de direitos fundamentais, obriga-nos a sermos exponencialmente mais severos e intolerantes para com aqueles que se julgam a certa altura omnipotentes.
Quando as coisas chegam a este ponto, os ingénuos geralmente pedem coerência, mas a coerência, ao ponto a que as coisas chegaram na Renamo, não pode servir para que se vacile um minuto que seja. Obriga antes a que se diga com todas as letras e publicamente o que já se tornou inevitável: Dhlakama deixou de ter condições para poder aspirar a presidir a República de Moçambique. A menos que tenha uma carta escondida – que não parece ser o caso – está visto que já é uma carta fora do baralho.
Ninguém no seu juízo perfeito pode continuar a crer que quem “fura os pés” dele e dos que o rodeiam com a sua própria AKM, tenha condições para governar um país. Mais a mais sabendo-se quão próximo está ele de o conseguir sempre que é ele próprio a fazer o que mais elementarmente se devia deixar de fazer para poder lá chegar.
Quanto a nós está já totalmente fora de hipótese Afonso Dhlakama poder chegar alguma vez a ser inquilino da Ponta Vermelha. À força, talvez, mas isso só confirmaria que ele perdeu a cabeça e já não sabe o que anda a fazer. Por via do voto, podemos apostar agora que não chegará lá nunca. Ou dá um golpe de mestre e faz uma revolução de quadros no partido e ainda pode ser que se salve deste descrédito em que caiu com o caso do Edil da Beira, ou está definitivamente perdido.
Quem pode acreditar num homem que hoje só está a ficar com bajuladores e incompetentes à sua volta?
Quem pode acreditar que um partido que está empenhado em construir a democracia não respeite os seus próprios estatutos?
Quem pode acreditar em boa governação a cargo de alguém que não sabe governar a sua própria organização?
Quem pode confiar e apoiar um homem que se junta a pessoas sem provas dadas, gente que nem é capaz de mostrar destreza na governação dos seus bens pessoais?
Quem pode admitir que uma Renamo “depenada” possa governar Moçambique?
Quem pode prometer higiene numa casa e, simultaneamente, quando quem está a ver chegar o dia da família crer que vai passar a viver numa casa limpa vê antes o próprio chefe da família a entornar propositadamente o penico em plena sala de visitas?
Quem pode querer ser visto como doido à semelhança de quem não se importa de por o seu clube na 3.ª divisão só para ele poder continuar a ser o boss da colectividade?
Estas perguntas são apenas alguns desabafos para evitarmos ir mais ao fundo da questão.
Poderíamos por exemplo perguntar ao delegado provincial da Renamo em Sofala, Fernando Mbararamo, se ele ou os seus antecessores alguma vez prestaram contas aos membros do seu partido dos dinheiros que consomem deles.
Poderíamos perguntar a Dhlakama se alguma vez apresentou contas aos membros do partido das avultadas verbas que recebe do Estado em contrapartida pelos 90 deputados que mantém nesta legislatura na Assembleia da República.
Preferimos antes perguntar ao Secretário Geral da Renamo se ele já terá feito algum esforço para que as contas do partido sejam apresentadas aos seus membros e ao seu presidente.
Preferimos perguntar aos soldados e oficiais que lutaram para que a Renamo se prestigiasse ao ponto de ser hoje um partido fortemente implantado no seu país, se foi para a Renamo chegar a este estado que eles lutaram.
Também não podemos concordar que a Renamo tenha chegado ao ponto de descrédito a que está a chegar, por culpa, apenas de Afonso Dhlakama.
Não concordaremos que amanhã se diga que as culpas todas da derrocada da Renamo cabem ao presidente Afonso Dhlakama. É preciso que todos assumam a sua quota parte de responsabilidade se nada começarem já a fazer. Fugir não é a solução. Ninguém poderá acreditar também nos que fogem da Renamo ao primeiro embate. Que estofo nos demonstrarão ter para governar Moçambique? A vida tem contrariedades. Tem altos e baixos. É preciso lutar para se estar sempre a subir.
A Renamo tem hoje muita gente que bem pode governar o país. O que sucede é que tem uma liderança imprevisível e estonteada – não se entenda apenas Dhlakama – que faz com que até os militantes e simpatizantes ferrenhos nos digam que têm medo que o Partido chegue ao poder nestas condições actuais.
Dhlakama tem de reflectir urgentemente e decidir de uma vez por todas se quer ir definitivamente para a sarjeta da História ou se quer reabilitar-se e permitir que o seu partido volte a trilhar caminhos que permitam que se veja na Renamo um partido responsável e capaz de governar Moçambique.
Os membros da Renamo em todo o País, também deveriam seguir o exemplo das “bases” na Beira que estão a dar sinais claros que a Renamo tem potencial para ir em frente pois está pejada de membros que sabem o que querem e sabem quem pode nesta fase levar o partido a novas glórias impedindo que se transforme num bando de papagaios de penas rapadas em vez de uma perdiz vistosa e prestigiada. (x)

Fonte: Canal de Moçambique2008-10-09 06:16:00

sexta-feira, outubro 03, 2008

Afinal para que servem os estatutos do Partido Renamo?


Mais uma vez o Debate e Devaneios levanta a questão de violação dos estatutos do Partido Renamo. A partir de um artigo do Jornal Notícias arquivado também neste blog e um artigo do allafrica, o debate e devaneios desmarcara que fora do que os estatutos da Renamo, no seu artigo 25, preconizam, os membros do Conselho Nacional são nomeados e não eleitos pelo Congresso. Rui de Sousa e Maria Inês Martins foram nomeados a membros do Conselho Nacional, em Agosto de 2007 enquanto que Fernando Mbararano, Faque Inacio e Moises Machava foram nomeados para o Conselho Nacional da Renamo como prémio por serem os melhores fofoqueiros. Pode-se concluir ainda que o número dos membros deste órgão e provávelmente dos outros órgãos não respeita o que é preconizado pelos estatutos. Não será tempo para o Ministério da Justiça investigar e controlar o respeito pela lei dos partidos? Ou o importante é apenas o registo e não o respeito pela lei?

Afinal para que servem os estatutos do Partido Renamo?