sábado, setembro 11, 2010

Manifestações: quando “o cimento” tapa o sol com a peneira

Escrito por Félix Filipe

Aquilo foi vandalismo. As pessoas do cimento são passivas demais. Tiveram medo de dar a cara. A protecção policial foi mais forte na cidade. Nós pautamos pelo civismo. Ao longo das avenidas e casas de pasto da zona urbana de Maputo perguntámos a vários indivíduos por que razão “o cimento” não aderiu às manifestações de 1 e 2 de Setembro. As expressões acima foram o denominador comum.
“Apesar do custo de vida ser implacável para todos, a maior parte das pessoas do cimento não quer protestar dando a cara”, afirma um cidadão com quem conversámos no Sindicato Nacional de Jornalistas e que falou na condição de anonimato para preservar a sua carreira profissional. “Não dou a minha identidade porque sou um funcionário do Estado, mas posso tecer alguma opinião sobre o assunto”, disse.

LDH presta assistência jurídica a 57 vítimas de manifestações de 1 e 2 de Setembro

NOS JULGAMENTOS QUE DECORREM NAS CIDADES DE MAPUTO E MATOLA

A Liga Moçambicana dos Direitos Humanos (LDH) está a prestar assistência jurídica a 57 cidadãos vítimas das atrocidades dos agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) cometidas durante as manifestações populares dos passados dias 1 e 2 de Setembro de 2010, nas cidades de Maputo e Matola, contra o agravamento dos preços de produtos alimentares, água, pão e energia eléctrica. A assistência está a ser dada durante os julgamentos que estão a ser feitos pelos tribunais judiciais daquelas cidades, segundo Ricardo Teixeira, da LDH, realçando que caso as vítimas queiram, a LDH poderá providenciar “assistência jurídica aos familiares dos perecidos e feridos graves e ligeiros quando abrirem processos crime contra o Estado moçambicano reclamando indemnizações pelas mesmas atrocidades, destruições e saques dos seus bens”.
Dados, entretanto, do Ministério da Saúde (MISAU) indicam que a actuação policial provocou a morte de, pelo menos, 14 pessoas durante as manifestações dos dias 1 e 2 de Setembro, em Maputo e Matola, mas outras informações em poder do Correio da manhã apontam que o número de óbitos ascende a 18, para além de centenas de feridos, entre graves e ligeiros.

Exigências do CIP

Enquanto isso, o Centro de Integridade Pública (CIP) exige a criação de uma comissão de inquérito parlamentar integrando elementos da sociedade civil moçambicana para apurar os “contornos da reacção brutal da Polícia e encontrar os principais responsáveis políticos e reais condições de operacionalidade da nossa Polícia”.
A mesma organização da sociedade civil moçambicana exige igualmente que o Estado moçambicano indemnize rapidamente as vítimas da actuação policial, tendo em atenção os factos danosos ocorridos, como perda de vidas humanas e ferimento em particulares que não estiveram envolvidos na desobediência civil e também ao facto de ter havido “vítimas devido à falta de preparação policial e emprego de meios letais”.
Por último, o CIP sugere às organizações da sociedade civil moçambicana que actuam na defesa dos direitos humanos para começarem a fazer um levantamento das vítimas da actuação policial e intentar contra o Estado uma acção de responsabilidade civil.

Fonte: Correio da Manhã in Diário de um sociólogo

Há uma luta entre os filhos e o "pai" Armando Guebuza

Escrito por Sofia Lorena

Houve "um sismo social" e, hoje, Carlos Serra quer ouvir o que os jovens universitários têm a dizer. O sociólogo moçambicano vai participar num debate na Faculdade de Medicina, dias depois de o Governo ter anunciado o congelamento dos preços cujos aumentos levaram milhares a manifestar-se em toda a periferia de Maputo e de Matola, cidade dormitório, aqui ao lado.

Politização de cargos públicos impede desenvolvimento

– afirma Manuel de Araújo, presidente do Centro de Estudos Moçambicanos e Internacionais (CEMO), que imputa responsabilidades ao elenco do presidente da República,
A nomeação de pessoas para cargos públicos com base na confiança política, e não na competência, impede o desenvolvimento do país e deixa muitos moçambicanos desmotivados na contribuição do crescimento do país. Quem o afirma é o académico e presidente do Centro de Estudos Moçambicanos e Internacionais (CEMO), Manuel de Araújo, para quem este problema foi trazido pela administração de Armando Guebuza.

sexta-feira, setembro 10, 2010

Os sem vergonha ainda se atrevem a chamar a isto desenvolvimento?

Por Noé Nhantumbo

É preciso conseguir olhar para o cenário nacional e determinar o que está sendo feito e como está sendo feito.
Não se pode pretender desenvolver um país quando tudo o que se faz nele resulta da pressão e imposição de agendas que na sua generalidade estão contra os genuínos interesses de um país.
O alinhamento total do governo nacional para com as pretensões dos investidores estrangeiros numa perspectiva de obtenção de um desenvolvimento económico rápido e centrado na implementação de mega-projectos tem conseguido apresentar resultados estatísticos impressionantes. Mas nada disso se traduziu numa melhoria da qualidade de vida e do poder aquisitivo da larga maioria dos moçambicanos.

Quando o Governo se distancia do povo!

Editatorial do Diário Independente

O que aconteceu no passado dia 1 de Setembro é, num outro ponto de vista, a cabal manifestação da distância social, económica e política que separa o povo moçambicano do seu Governo.
Por outras palavras, o gigantesco fosso entre os poucos moçambicanos que vivem demasiadamente bem, e os muitos moçambicanos que apenas sobrevivem, chegou a tal magnitude que os últimos nada têm a perder com o apedrejamento de tudo e todos aqueles que lhes parecem ser a razão da sua desgraça.

Como salvar a pátria da crise?

Por ser insustentável para um país em falência técnica, sugiro que o Governo renuncie a organização dos jogos africanos. Assim, evitaríamos gastos acima de 250 milhões de dólares pelos investimentos em infra-estruturas para o efeito.

Que o nosso país está em crise sem precedentes, ninguém duvida e nunca houve dúvidas. As medidas tomadas esta semana pelo Governo só vieram confirmar aquilo que ninguém ao nível do próprio Governo queria assumir, mesmo ao nível do Banco de Moçambique. O estado moçambicano entrou em crise muito antes da gente imaginar que a crise financeira internacional podia reflectir-se nocivamente sobre nós. A boa coisa é que tivemos um Governo tão bondoso quanto falso, que sempre veio, mesmo se apercebendo que o barco estava a afundar, tranquilizar- nos que nós somos um mundo à parte e que a conjuntura internacional não se reflectia sobre nós.

quinta-feira, setembro 09, 2010

Ao dizer que o governo não tinha ordenado o bloqueio do serviço de SMS,s Paulo Zucula mentiu!

- uma ordem do INCM, exigindo a interrupção temporária do serviço de SMS,s foi enviada às operadoras na segunda-feira, altura em que circulavam, com insistência, mensagens convocando a novos protestos contra o custo de vida
Afinal o ministro dos Transporte e Comunicações, Paulo Zucula, mentiu quando disse que o governo não tinha dado qualquer ordem no sentido de as duas operadoras móveis bloquearem os serviços de mensagens de texto (sms) como forma de evitar o retorno às manifestações populares contra o elevado custo de vida no território nacional.
É que, uma carta do Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM), órgão regular do sector de telecomunicações no país, enviada, na tarde desta segunda-feira, as duas operadoras, dá instruções claras no sentido de a mcel e a Vodacom suspenderem o serviço de SMS para todos os clientes.
O INCM é tutelado pelo Ministério dos Transportes e Comunicações.

Ao que o SAVANA/mediaFAX apurou, as duas operadoras aderiram à instrução na convicção de que a mesma havia sido tomada pelo Governo como uma decisão enquadrada na segurança do Estado. Na segunda e terça-feira, o serviço das sms estava bloqueado nas duas operadoras, deixando os clientes com os nervos à flor da pele. A Vodacom registava problemas no pré e pós pago.
A mCel tinha apenas problemas no prépago, pacote com maior número de clientes, sobretudo, os de renda baixa.
O SAVANA/mediaFAX soube que ao aperceber-se de que a mCel não havia suspendido o serviço das sms,s nos pós-pago, o concorrente da amarela protestou junto do regulador. Perante os protestos, o regulador concordou que a segunda operadora de telefonia móvel a entrar no mercado moçambicano também poderia facilitar o atendimento aos clientes pós-pagos.
Soubemos que a interrupção dos serviços da sms estava a provocar problemas e congestionamento graves, que poderia resultar na queda da rede e interrupção dos serviços de telecomunicações nas duas operadoras. Contudo, o regulador insistiu que os serviços de sms deviam continuar suspensos para a base de clientes pré-pagos de modo a não por em causa a segurança do Estado, num país em que oficialmente não foi declarado um Estado de sítio.
Dados do INCM apontam que em Moçambique mais de 27% da população tem telemóvel, com o pacote pré-pago a ocupar uma posição de peso. O último censo populacional indica que Moçambique possui cerca de 21 milhões de habitantes.
A maioria dos manifestantes que deram corpo aos protestos de 1 e 2 de Setembro são de renda baixa e usa os serviços de telefonia pré-pago. O telemóvel foi a principal arma usada para convocar os protestos, contra a galopante subida do custo de vida em Moçambique. Nesta quinta-feira, os serviços de sms,s nas duas operadoras estavam paulatinamente a regressar à normalidade, mas com alguma timidez.

MEDIA FAX – 10.09.2010 in Mocambique para todos

Reflectindo: 1) quanto prejuízo e quantos prejudicados nesta atitude de violação aos direitos humanos. Eu que tenho a minha mãe grave, preciso de sms desde domingo último o que minimizaria os gastos, a custa da vida. Porém a atitude do governo de Guebuza agravou ainda mais o custo da minha vida, dos meus familiares. Quantos moçambicanos se encontram na mesma situação que a minha? 2) governantes mentirosos? Pacheco diz que a polícia não usou balas verdadeiras, mas a saúde desmente-o. Zucula diz que o governo não mandou bloquear os serviços de sms, mas o Media Fax desmente-o. 3) Herminío dos Santos e Afonso Dhlakama cercados. Os servicos de SMS bloqueados. É num Estado de Direito Democrático.

Fidel Castro: "O modelo cubano não serve nem para nós"

O ex-presidente cubano Fidel Castro considera que o modelo económico de Cuba "deixou de servir", revelou ontem o jornalista Jeffrey Goldberg, da revista norte-americana "The Atlantic", no seu blogue .
"O modelo cubano não serve nem para nós", afirma Castro, que fez 84 anos a 13 de agosto e reapareceu na vida pública da ilha no início de julho, depois de quatro anos a convalescer de uma doença grave, que o obrigou a transmitir a presidência para o seu irmão, Raúl.
Ao ouvir agora aquela afirmação, Goldberg teve dúvidas sobre o que tinha escutado, pelo que consultou Julia Sweig, uma analista do Conselho de Relações Externas (um centro de reflexão norte-americano, que publica a revista "Foreign Affairs"), que o acompanhou na conversa com o ex-dirigente cubano.

Reformas a caminho?

Segundo Goldberg, Sweig matizou as declarações de Castro, dizendo que este "não estava a recusar as ideias da revolução", mas a reconhecer "que o Estado, sob 'o modelo cubano', tem um papel excessivo na vida económica do país".
O jornalista entende que um efeito possível desta leitura de Castro seria a criação de condições para o atual presidente e seu irmão, Raúl Castro, porem em marcha "as reformas necessárias face à resistência, que será certa, dos comunistas ortodoxos dentro do partido comunista e dos burocratas".
A 1 de agosto, Raúl Castro anunciou o alargamento do trabalho por conta própria e a redução progressiva das fábricas estatais, o que qualificou como sendo medidas de "mudança estrutural e de conceito">>>

Fonte: Expresso - 09.09.2010

Ainda sobre as manifestações: Estado deve indemnizar as vítimas da actuação brutal da Polícia

– considera o CIP em documento que produziu a reportar e condenar a forma como a Polícia reagiu às manifestações da semana passada em Maputo
A actuação da Polícia (PRM), durante as manifestações populares dos dias 01 e 02 de Setembro corrente, deve ser investigada por uma comissão parlamentar de inquérito, integrando membros da sociedade civil. As vítimas que sofreram com as atrocidades da Polícia devem ser indemnizadas pelo Estado. Esta é a recomendação do Centro de Integridade Pública, uma organização da sociedade civil moçambicana.

Cip Attacks Police Behaviour, Calls for Inquiry

The anti-corruption NGO, the Centre for Public Integrity (CIP), on Wednesday issued a damning report on the behaviour of the Mozambican police force during the riots against price rises that shook Maputo and Matola last week.
Describing the police as "unprepared, ill-trained and corrupt", the CIP report says that the police did not obey the basic rules for the use of anti-riot equipment such as tear gas and rubber bullets, and violated human rights when they used live ammunition against the crowds.

quarta-feira, setembro 08, 2010

Os “marginais” pressionaram e o Governo cedeu!

Por Lázaro Mabunda

O Governo não precisava de revolta popular para que tomasse as medidas ontem anunciadas, colocando a nu as suas fraquezas e abrindo um precedente perigoso para o futuro quanto aos possíveis reajustamentos dos preços.
O Governo anunciou, ontem, várias medidas visando minimizar a carestia de vida no país, das quais o congelamento dos preços de pão, água, electricidade, além de redução dos preços de arroz, das taxas de instalação de energia eléctrica, água, entre outras. São medidas que, de facto, irão minimizar o custo de vida no país. neste momento, não interessa se são as mais adequadas ou não. Eram medidas popularmente esperadas, ainda que tivessem sido tomadas tarde, além de terem sido antecedidas por declarações polémicas do ministro do Interior, que considerou os manifestantes como marginais e vândalos.

Polícia agride mulher em Moçambique !!!



Fonte: aqui

“É preciso aprofundar a democracia em Moçambique”

Pelo bem-estar do povo moçambicano

– Dom Jaime Gonçalves, falando no âmbito do 7 de Setembro em que se comemora o Acordo de Lusaka pela Independência Nacional
“Moçambique deve seguir a consciência profunda por que se pautam os africanos, alargando as liberdades e direitos humanos, por forma a que futuramente os moçambicanos usufruam dos progressos do Estado de direito”. São palavras do Arcebispo da Beira, Dom Jaime Pedro Gonçalves, no quadro das festividades de 7 de Setembro, assinalado ontem em todo o País.

Afinal, Cahora Bassa não é nossa, Senhor Presidente?

Por Lázaro Mabunda

O esclarecimento de Namburete transmite-nos a ideia de que: o Presidente da República desconhecia que a HCB só seria “verdadeiramente nossa quando fazermos um investimento de 1.8 bilião de dólares, para construir a linha de transporte Tete-Maputo...”

terça-feira, setembro 07, 2010

Depois das manifestações populares Governo congela aumentos de preços

No dia em que se comemoram os 36 anos da assinatura dos Acordos de Lusaka, entre a FRELIMO e o Governo colonial português, o Governo moçambicano, liderado pelo Presidente Armando Guebuza, decidiu em Conselho de Ministros extraordinário, congelar todos os últimos aumentos dos preços dos bens de primeira necessidade: nomeadamente do pão, na energia eléctrica e da água.
Falando em conferência de imprensa esta terça-feira em Maputo, o Ministro da Planificação e Desenvolvimento Aiuba Cuereneia, apresentou as medidas de impacto imediato na vida dos moçambicanos que o Governo tomou para fazer face ao elevado custo de vida:

Serviço de SMS´s fora de funcionamento em Moçambique

Os moçambicanos que são utilizadores das redes de telefonia móveis existentes no país foram confrontados esta segunda-feira com o não funcionamento do Serviço de Mensagens de texto, vulgo SMS. As operadores de telefonia móvel não confirmam a existência de nenhum problema relacionado com o serviço de mensagens porém o facto é que não se conseguiu enviar ou receber SMS´s entre a tarde de segunda-feira e as primeiras horas desta terça-feira. A nossa redação recebeu imensas reclamações de leitores que não conseguem enviar SMS´s.
Recorde-se que a cidade de Maputo esteve paralisada por manifestações populares contra o aumento do custo de vida, nos dias 1 e 2 de Setembro, que começaram com apelos anónimos a uma greve geral via SMS.
Com cerca de 6 milhões de utilizadores em Moçambique, os telemóveis, e particularmente as SMSs, foram a meio do povo mobilizar-se e manter-se informado sobre o que ia acontecendo pela cidade capital do país.

Fonte: @verdade - 07.09.2010

Reflectindo: o que isto pode significar?

“Presidências abertas”: Gastos em helicópteros por Guebuza devem ser repensados

– afirma Lutero Simango, chefe da bancada do MDM, na Assembleia da República
Os gastos do erário público com aluguer de helicópteros para suportar as “presidências abertas” do chefe do Estado ainda vão dar de falar. E já há quem diga que é hora de mostrar a tabela dos gastos para se poder ver quanto dinheiro o Estado drena para as “presidências abertas” de Armando Guebuza, que para além de ser o chefe de Estado é também presidente do Partido Frelimo. O chefe da bancada parlamentar do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), na Assembleia da República (AR), é dessa opinião.

Descobrir petróleo é uma boa nova?

Por Ricardo Reis*

Descobrir petróleo em Moçambique pode mudar a vida a uma elite. Mas o cidadão médio moçambicano terá ainda poucas razões para celebrar Esta semana foi descoberto petróleo no Norte de Moçambique. Num dos países mais pobres do mundo, a notícia foi recebida com óbvio agrado.
No entanto, se olharmos para um mapa, veremos que os países com petróleo abundante são tudo menos modelos a emular. O México, a Nigéria e a Venezuela são pobres, até em relação aos seus vizinhos que não têm petróleo. A Arábia Saudita tem um PIB per capita alto, mas muitos hesitariam em incluí-la na lista dos países desenvolvidos. A desigualdade de rendimentos é enorme, o que se reflecte num ambiente político e de respeito pelos direitos humanos difícil. Por fim, do Iraque nem vale a pena falar.