sexta-feira, junho 01, 2007

O aluno exemplar


A talhe de foice

Por Machado da Graça

Durante muitos anos o nosso país foi  considerado, pela comunidade doadora, como exemplar em todos os aspectos.
Os elogios eram tantos que nós olhávamos para o espelho a ver se os merecíamos. E, se fôssemos honestos connosco próprios, víamos que não.
Os elogios que a anterior embaixadora americana fez à democracia moçambicana, no dia em que se despediu, fizeram-me ficar muito incomodado, por saber que aquilo não era verdade e, pior ainda, saber que ela também sabia isso.
Mas agora as coisas parecem estar a mudar.
Os primeiros sintomas chegaram-me em princípios de Maio, como reflexo da revisão conjunta, entre Moçambique e os principais doadores, em finais de Abril.
Uma pessoa que está, normalmente, presente nestes encontros disse-me que nunca tinha visto os doadores tão aborrecidos, tão críticos e tão impacientes.
Os comentários à actuação do Governo em áreas como o combate à corrupção, à legalidade, à agricultura, etc., foram contundentes e os doadores mostraram-se “preocupados” com isso, forma diplomática de dizer que estão a perder a paciência.
Os resultados dessa “preocupação” começamos agora a senti-los. Em vez de haver um aumento, que estava previsto, no apoio desses doadores aos programas do Governo, as verbas prometidas ficaram-se pelos níveis de 2006.
E os doadores foram claros sobre as razões para isso. Sem mais e melhores resultados naquelas áreas chave para o nosso desenvolvimento não abrem mais os cordões às respectivas bolsas.
A proliferação de organizações, leis, regulamentos e estratégias de luta contra a corrupção, de que a última invenção é o caricato Fórum Anti-corrupção, não chegam para esconder a verdade nua e crua que é a total falta de vontade política para combater os corruptos que estão a todos os níveis do nosso Aparelho de Estado.
Ao dizer que não vai praticar a caça às bruxas o Presidente Guebuza está a dizer aos corruptos que podem continuar a praticar livremente as suas malfeitorias porque ninguém os irá punir.
Se uma das exigências dos doadores era mais e melhores resultados na área da agricultura, o recente incêndio que devastou o respectivo ministério foi uma péssima resposta.
Em termos de legalidade e combate ao crime, basta ler os jornais todos os dias para se ficar a saber até que ponto as coisas andam mal, com esquadrões da morte e linchamentos a substituírem a Justiça que se não pratica.
Recentemente realizou-se em Maputo um encontro de parlamentares especializados no controlo das contas públicas nos países da SADC. E ouvimos discursos eloquentes sobre as virtudes dessa actividade.
Só que alguns desses discursos foram feitos por pessoas que, anualmente, aprovam as contas do Estado, apesar de todos os pareceres críticos do Tribunal Administrativo, que não se cansa de apontar erros, falhas, e outras incorrecções, muitas vezes ilegalidades. E, no entanto, esses e esses distintos oradores propõem a aprovação pelo plenário e, depois, votam a favor dessa aprovação.
É, mais uma vez, a aplicação do velho ditado: Bem prega Frei Tomás. Todos façam o que ele diz, ninguém faça o que ele faz!
Ora tudo isto, que os moçambicanos já conhecem por experiência própria, parece começar a entrar pelos olhos dos doadores dentro. Nos últimos anos começámos a assistir a exigências de devolução de dinheiros doados e mal utilizados, ao congelamento de doações e empréstimos até que se façam determinadas investigações e auditorias, enfim a pressões mais claras e incisivas para que se passe do paleio para inglês ver a coisas mais concretas.
E seria bom que o executivo percebesse bem esta mudança na direcção em que sopra o vento, para evitar que um dia destes passemos da fila onde se sentam os melhores da turma para uma carteira lá mais para o fundo da sala, onde chegam menos os sorrisos dos professores e chovem mais os carolos sobre as nossas cabeças.
Porque quem vive de cinto apertado, a contar as moedinhas que tem no bolso, não se pode dar ao luxo de contrariar aqueles senhores que nos fazem a esmola de nos permitir comer todos os dias.
Por muito que isso seja desagradável ao nosso sentido de soberania.

PS – Toda a gente tem direito a umas férias e eu resolvi conceder um mês de descanso a todos os que ficam aborrecidos ao ler as minhas crónicas. Espero que recuperem bem porque em Julho cá estarei de novo.
SAVANA – 01.06.2007

quarta-feira, maio 30, 2007

A Frelimo guebuziana vs o pluralismo político (3)

Concordo com a análise sobre as causas de abstenção nas últimas eleições. De facto, querendo eleicões democráticas e competitivas, é pertinente que cada partido, cada político analise em que ele contribuiu para as abstenções naquela ordem e qual foi a consequencia para o seu partido e para si mesmo. Infelizmente, são muitos senão todos que se recusam a fazer isto, mesmo sabendo que as abstencões lhes prejudicaram. O importante para muitos é apontar o dedo o outro que assumir a parte das suas culpas. Porém, eu penso que a Frelimo fez o tipo de análise sobre isso. Aliás, ela deve ter feito essa análise após as eleições autárquicas de 2003, pois até aquela altura ela sentia-se em apuros, acreditando em derrota. Sérgio Vieira já aparecia com artigos em que mostrava preocupação. E a Renamo foi mesmo “à praia” como o seu presidente dizia, na confiança de uma vitória. As abstenções criaram condições para a vitória da Frelimo nas eleições autárquica e, porquê não haveria ela de desejar que se repetisse o mesmo para vencer as legislativas e presidenciais? Infelizmente de novo a Renamo “foi” à Costa do Sol: muitos dos seus membros seniores não se viram nas ruas ou nos seus círculos eleitorais a fazer campanhas. O seu candidato presidencial ora que começou tarde a sua campanha e, mesmo assim fazia intervalos regressando a Maputo. Até a imprensa o altertava sobre isto de confiar tanto numa vitória fácil. Isto entre outros problemas.

A única arma eleitoral da Frelimo (refiro-me de alguns frelimistas anti-democráticos) é guerra psicológica para além da prática de fraudes suficiente que lhe dá vitória. Na prática de fraudes já ela conta fracassos do tipo Beira, onde a acção do Alburquerque não deu efeito. Então provocar abstenções, fazendo-se de quem decide sobre os resultado eleitoral, é a sua arma principal. Foi assim quando em violação à lei eleitoral, a Frelimo decide proibir a observação integral da eleições. Vejam que numa entrevista à Rádio Nacional de Angola Marcelino dos Santos declara satisfação pelas abstenções porque deram à Frelimo 160 assentos na Assembleia da República (ouvir aqui). Todavia, a Renamo e os outros partidos da oposição, parecem-me não ter ainda conhecido bem esta táctica ou assim se fingem. Também pode ser o facto de muitos dos que se dizem políticos, serem apenas oportunistas, desconhecedores das regras democráticas ou sem vontade para tal.

O conceito do darwinismo político tem razão de se aplicar nesto contexto que estamos a assistir. A única coisa que nos é estranho, são as declarações frequentemente públicas por membros seniores do partidão. Será que eles mesmos já não acreditam da sua acção e preferem a uma ofensiva psicológica a todo o custo? Vamos ver o que acontece em Zimbabwe para concluirmos que tudo pode valer. A pior barreira do processo democrático em Moçambique é de ele não se ter integrado no sistema de ensino. Essa devia ser a nossa luta (mas conscientes que deve haver muitos quadros no sector de educação que não gostam da influência dos seus alunos).

A Frelimo é um dos partidos mais organizados do mundo

Concordo muito com esta afirmação, entretanto, acho que precisamos de constantemente analisar o que está a acontecer ao nosso redor. Quando falamos da oposição por exemplo, penso que já precisamos de alterar o nosso pensamento sobre ela. Sei que muitos já vinham reflectindo desde há muito sobre os nossos políticos, o nosso processo democrático, etc. Eu reconheço que comecei tarde, nomeadamente depois das últimas eleições gerais, embora eu tivesse lido uma análise crítica da AWEPA há anos. Foi com certeza com ajuda de muitos companheiros em vários debates que eu fui aprofundando esta questão particular dos nossos partidos e políticos em Moçambique. Mas a principal razão da minha reflexão vem:

Primeiro, da atitude dos partidos da oposição e os seus líderes. Há resistência total à democracia interna dos partidos. Os líderes dos partidos são os mentores desta atitude.

Segundo, da atitude da Frelimo. A Frelimo, resiste à democracia e esforça-se pelo enfraquecemento da oposição excluindo económica, socialmente e da progressão nas carreiras profissionais os seus membros desta. Ela usa o Estado para este fim.

Terceiro, das ditas deserções à Frelimo. Quando membros seniores dum partido da oposição optam por deixar o seu partido com alegações (falta de democracia por exemplo) que também existem na Frelimo, menos “o saco azul” (dinheiro para roubar), fico a duvidar sobre o que é isso de ser político em Moçambique. Alguns dos desertores têm toda o poder e dever de organizar o partido.

Portanto, eu quando critico à Frelimo, o partido no poder que temos, estou consciente de tantos problemas da oposição que TEMOS. Também tenho certeza de existência de membros e simpatizantes da Frelimo que não se simpatizam com a linha do Marcelino dos Santos/Mariano Matsinhe. Quer dizer, na Frelimo há democratas mas que como na oposição, estes não têm voz. E, o que precisamos em Moçambique é, os pró- democracias ou simplesmente os democratas se unirem em defesa da democracia e isso não implica necessariamente a criação dum novo partido ou desertar dum para outro, salvo em casos imperativos. Eles (eu também) devem lutar a partir dos partidos a que pertencem. A democratização interna pode ser um meio essencial.

Não penso desde modo que haja dúvidas do nível organizacional da Frelimo. Ela é sim muito organizada. O que discutimos e deve-se discutir é o valor dessa alta organização para o país inteiro. Eu podia dar exemplos que mostram quão organizada ela é e como essa alta organização fere à nossa amada pátria, mas vou apenas dizer que o colonialiasmo português era muito organizado e até efectivo, mas muito nocivo; os nazis eram muito organizados, mas muito nocivos aos direitos do homem.

O problema da Frelimo é que ela usa a sua máxima organização para DESORGANIZAR o Estado moçambicano que é o espaço comum para todos. Desorganiza a economia, o tesouro nacional, o poder judicial, a administração, as eleições, etc. O mesmo é nos partidos da oposição. Nós dizemos que eles são desorganizados, mas isto referimo-nos da falta de organização em prol da democracia, do desenvolvimento do país, da contribuição para o combate ao crime organizado, do combate à corrupção, em suma da fiscalização ao poder da Frelimo. Na essência, estes partidos da oposição estão também muito organizados. Há lá pessoas (nem que sejam três, quatro ou cinco – em suma, em número menor) muito organizadas, e a alta organização é a arma deles para desorganizarem os partidos, desorganizarem toda a oposição. Até uma pergunta podia ser: porquê eles não se preocupam pela organização no sentido que queremos deles? Porquê eles não realizam congressos transparentes? Porquê eles não formam estruturas de base? Porquê eles não criam condições para comunicação com as bases, com eleitorado? Porquê eles se acordam apenas nos períodos eleitorais? A diferença é que a Frelimo tem o Estado como alvo a desorganizar enquanto que os partidos da oposição têm os seus próprios partidos para desorganizar.

terça-feira, maio 29, 2007

Reformas do sector público

Estou aprofundando a minha percepção sobre o conteúdo do programa da reforma do sector público. É antes para mim interessante que o programa na sua segunda fase vai de 2006-2011 quando se sabe que o mandato deste governo termina em 2009. Será que este governo mandará o povo esperá-lo até que cumpra este programa? Talvez eu não precisasse de fazer tal pergunta se eu tivesse conhecimento sobre se o programa é de consenso nacional e que qualquer governo a sair nas eleições de 2009 prosseguiria com ele... Mas levanto desde já algumas questões em resposta ao comentário do KualKePa no imensis.

O reconhecimento de falta de bons resultados das reformas do sector público pelo PR “concide” com que os doadores dizem. Isso veio também expresso no Jornal Notícias na sua edição de 28.05.2007. Antes foi KualKePa que levantou ainda neste tema em debate. Porém, interpelando mais uma vez o discurso do Presidente da República, fico ainda sem perceber a quem ele refere que tenham mentalidade retrógrada e que resistam à assimilação das mudanças. Ele conhece ou não esses que resistem às mudanças? Ele, o Presidente da República, tem ou não sido claro sobre o conteúdo das mudanças no SECTOR PÚBLICO, isto é ESTATAL?

Primeiro, conforme a minha opinião, o PR evita em dizer aos seus colaboradores que o Estado Moçambicano não é mesmo que o partido Frelimo.
Segundo, é com o seu governo onde não se é competente se não se é membro do partido no poder.
Terceiro, alguns dos seus membros têm vindo ao público a dizer que atrasam propositamente com as reformas para mostrar que são eles que mandam, uma atitude arrogante. Felício Zacarias disse isso publicamente e não teve consequências, pois as consequências irão para todos os moçambicanos. Pelo menos eu já começo desconfiar que a comunidade internacional (os nossos parceiros) está pouco a pouco nos abandonando em consequência da atitude deste governo, aliado aos discursos emocionais e arrogantes de alguns membros do partido no poder. Claro, também, por causa de recusa de democracia interna também por arrogância que reina no maior partido da oposição. Os pronunciamentos do embaixador norueguês de que o dinheiro se pode retirar de Moçambique porque há muitos países que o precisam, pode ser esse sinal.
Quarto, parece-me que as reformas atrasam muito ou nada se faz nos sectores chaves como o da Justiça e Ordem e Segurança Pública.
Quinto, porque em certos sectores as reformas são apenas uma aparência: a) porque não se capitalizam os recursos humanos que temos. A capitalização dos recursos humanos é possível quando há concursos públicos e, aí teriamos nas chefias em particular quadros profissionalmente bem qualificados e com sentido moral, mas o governo de Guebuza recusa-se de fazer isso; b) porque não há racionalização de todo o tipo de recursos (humanos, financeiros e materiais) algo que seria um bom investimento. Ao contrário assistimos estimulação de improdutividade criando-se sectores muito dispendiosos e desnecessários. Falo de administradores dos municípios, secretários permanentes, vice-ministros e mesmo alguns ministérios, sem falar. Alguns dos ministérios podiam apenas ser direcções nacionais.

Quanto aos psicólogos e sociólogos afectos nos ministérios concordo totalmente contigo, amigo KualKePa. Estas e outras especialidades das ciências sociais (antropólogos, etnólogos, pedagogos, especialistas em ciências políticas) são muito necessárias para um bom estado funcionar bem. Mas a pergunta pode ser se os nossos ministérios não têm este tipo de pessoal. E se tem, podemos analisar as razões de não produção de bons resultados. Penso que nos lembramos do caso do sociólogo Sueia do Hospital Central do Maputo que foi demitido
Segundo o meu ponto de vista, há pelo três questões: a) não encorajamento para os especialistas exibirem de méritos próprios; b) não há independência destes especialistas c) os nossos dirigentes não escutam, não têm espírito comunicativo ou de diálogo, não ponderam no que dizem e fazem, não têm respeito pelo indivíduo, não assumem que devem aprender constantemente, acham-se melhores de todos no sector que dirigem. Este, penso que é o nosso grande problema e desafio.

Note-se, quando eu levanto o problema das nossas lideranças como impacto da herança da governação colonial, há quem compreende-me mal. Contudo, refiro-me de dirigismo sempre vertical, onde o subordinado deve ser apenas um sim senhor chefe. Ora, vejamos, sempre admiro de como ministros mobilizam a televisão e jornais para dizerem algo que não tenham discutido com os quadros do sector. O resultado disto são revoltas que na sua maioria são pacíficas ou silenciosas. Não estou a dizer que não existam bons dirigentes sem as características da alínea c, mas tavez pelo facto de os mais superiores serem destas, eles acabam recrutando os do seu carácter.
O nosso desafio é fortalecer a sociedade civil atravez de debates muito sérios nos nossos sectores de trabalho, nas nossas organizações políticas, etc. Temos, penso eu, que levar os nossos dirigentes ao espírito de diálogo, responsabilidade e democrático.

segunda-feira, maio 28, 2007

Não será falta de seriedade?

Em 2002, Almeida Tambara abandou a Renamo para com Raul Domingos fundar o PDD. Às eleições gerais de 2004 Almeida Tambara foi cabeça de lista do PDD no círculo eleitoral de Manica. Hoje declara ele publicamente que filia-se à Frelimo. Não será falta de seriedade?

sábado, maio 26, 2007

A lideranca da Renamo está preparada para eleicões provinciais? (2)

Desde há meses que estou reflectindo sobre se a liderança do partido Renamo está ou preparada para as eleições provinciais programadas para este ano, segundo rege a Constituição da República em vigor desde Janeiro de 2005. O silêncio da liderança acompanhada da falta de um trabalho visível e até mesmo de reuniões do Conselho Nacional na preparação e marcação de data para o congresso foi para mim um dos sinais de que a liderança do partido não estava preparada nem preparava o partido para eleições provinciais competitivas.

É estranho para mim senão para todos, a acusação que a liderança da Renamo faz à Frelimo de não estar preparada para a realização de eleições provinciais, porque ela [a Frelimo] está desde ano passado numa clara movimentação ao nível nacional e mesmo internacional preparando os seus membros e simpatizantes para as três eleições: provinciais, autárquicas e legislativas em simultâneo com as presidenciais. A Frelimo realizou o seu congresso em Novembro passado (2006) por antecipação e ela disse publicamente que foi para se preparar particularmente para as eleições provinciais que teriam lugar este ano. Na preparação do congresso todos nós, sejamos ou não simpatizantes ou oponentes da Frelimo, assistímos membros seniores de todos escalões a movimentarem-se em todo o país. Vimos membros e simpatizantes da Frelimo a fazerem festas pelos convívios que iam tendo. Realizaram-se encontros ao nível da base para estruturação e eleição de delegados ao congresso. Não posso bem dizer de como foi o processo de eleição de delegados, mas pelo que me pareceu, muitos delegados foram eleitos pelas bases. Após o congresso, a Frelimo continuou a fazer marchas pelo país, pelo que chamou de divulgação das decisões saídas do congresso. O seu secretário-geral anda sempre pelas províncias.

A Renamo que por questões estatuais devia ter realizado o seu congresso no ano passado, não mostrou ainda alguma preparação para a realização do grande evento como congresso dum partido e um partido grande e de extensão nacional como ele. Na Renamo não se fala de elaboração de documentos como teses a constituirem seu manifesto para as eleições legislaturas vindouras ou programa para os próximos (estes) cinco anos. Não se lança o estudo dos estatutos do partido para que os membros reflictam sobre o que se pode revêr. Não há uma simples mobilização dos membros para contribuição em dinheiro ou em gêneros alimentícios ou hospetalidade, no casa dos residentes da Cidade de Nampula, o local escolhido para o congresso. A Frelimo com todos os meios e possibilidade de abusar ainda mais como ela quiser aos meios do Estado, mobilizou mesmo assim contribuições de seus membros. Daí se torna estranho que a Renamo não faça o mesmo e se limita a lamentar e adiar o congresso. Tenho dúvidas que os membros da Renamo neguem contribuir para a realização de congresso do partido se tomo em consideração daqueles com quem me encontrei ali em Namialo ou Nacala, por exemplo. A Renamo tem membros que se sacrificam e sabem se sacrificar, para quem os conhece. Em particular na Cidade de Nacala, conheço membros bem sacrificados, que nunca aceitarão a humilhação do partido no poder. Falo de quadros. Quando a Frelimo se sentia em apuros em realizar encontros para escolha de seus delegados ao congresso em Quelimane, era motivo de alegria...

Nota: continuarei a expôr os meus pontos de reflexão sobre este assunto que acho afectar o nosso processo democrático.

quinta-feira, maio 24, 2007

Linette Olofsson cria uma associação denominada "Nfuma Yatho" (A nossa riqueza)

Na edição do Jornal Notícias de hoje, 24-05-2007, apresenta uma entrevista com a Linette Olofsson, ex-deputada da Assembleia da República na II legislatura pela bancada da Renamo-UE e actualmente deputada suplente, falando sobre um projecto de desenvolvimento no distrito de Mopeia, província da Zambézia, seu círculo eleitoral.

É muitíssimo agradável saber dum projecto que está sendo implementando e em zonas abandonadas como Mopeia.

Parabéns Linette! Tenhas sucessos e espero e apoio necessário interna e externamente!

quarta-feira, maio 23, 2007

Daviz Simango ganha prémio de melhor presidente

O presidente do Conselho Municipal da Beira Daviz Simango foi recentemente premiado pela revista, Professional Managment Review-Africa (PRM), como o melhor presidente de todas as autarquias moçambicanas em 2006.

Simango será distinguido no próximo dia 27, com o prémio “Flecha de Diamante”, o Magazine sul-africano de negócios atribuiu igualmente ao município dirigido por Simango o premio, “Flecha de Prata”, na categoria “Cidades e Vilas que mais fizeram pela melhoria da vida Social em Moçambique.

De acordo com os organizadores do evento a premiacão de Simango e da vila que este dirige surge como resultado das auscultações de varias sensibilidades no país, entre Outubro e Novembro do ano passado.

Fonte: O País Online (23.05.2007)

A liderança da Renamo está preparada para eleições provinciais?

A Renamo acusa a Frelimo de não estar preparada para as eleições provinciais que segundo a constituição da da República em vigor desde Janeiro 2005, elas devem ser realizadas até Janeiro 2008. Entretanto, ela, a Renamo, adia o seu congresso.

Este é um tema a desenvolver neste blogue nos próximos tempos. Tenho algumas questões para reflexão ou de reflexão (minha), mas serei grato se alguém puder enriquecer-me com outros pontos de reflexão, fazendo e colocando comentários.

domingo, maio 20, 2007

TYISO SHIKULU SHIÑWE (Uma grande verdade)

Por João Craveirinha

A musicalidade de qualquer língua baNto de Moçambique é verdadeiramente fantástica. Eis um paradigma da nossa riqueza desprezada durante décadas e décadas. O problema não estará na dita etnia (do grego Etnos-Nação) mas na política totalmente anti-cultural de qualquer regime que desvalorize a sua própria origem. E foi o que aconteceu em Moçambique no pós-independência. Do sistema colonial manteve-se esse desprezo anti-natura.
Apesar do nosso S.M., gostar de cantar: “Não vamoos esqueceeer o tempoo que passooou”…Esqueceram-se totalmente e rapidamente.

A Frelimo perdeu a grande oportunidade histórica de fazer uma verdadeira e pacífica revolução cultural…o povo multicolor (arco-íris) de Moçambique estava receptivo às mudanças para uma afro-moçambicanização - moderna - mesmo usando a língua portuguesa como plataforma de união reforçada pela libertação das línguas nacionais…

(como dizia o grande homem de cultura– Eduardo Mondlane nas nossas conversas e com os quadros em 1967/68) da necessidade de termos de valorizar as nossas línguas moçambicanas para também desenvolvermos a capacidade de pensar em “africanês” e ia ao extremo de apoiar o êmákwa-padrão (Nampula cidade) como língua nacional em paralelo com o português (e inglês) sem esquecer as outras regionais…

Não se esqueçam que ele era Antropólogo e a Linguística ainda fazia parte da Antropologia naquele tempo.

Exempli gratia: (No principado de Andorra nos Pirinéus aonde vivi (1983/85) as crianças são tetra-lingues …a 1ª língua oficial obrigatória é o catalão e depois o espanhol + o francês e depois no ciclo + o inglês…

Na Suázilandia fiquei maravilhado ao ver crianças inglesas a estudar na primária o xisuáti e a falarem…

...nos acordos de Nkomati, em 1984 (salvo erro, cito de cor) , o ministro de negócios estrangeiro da RSA bóer Pik Botha corrigiu o changane de Samora Machel pois dominava melhor que o mesmo SM…este ficou profundamente admirado de um white/boer falar melhor a língua materna que ele próprio…é que mesmo com apartheid o ensino das línguas locais eram ensinadas em paralelo com o inglês e o afrikaans…chama-se a isso pragmatismo por cima do racismo... coisa que os portugueses em Moçambique não souberam fazer e a Frelimo continuou nessa cegueira político –cultural desta vez sem desculpas da “opressão colonialista”…houve oportunidade e deitou-se fora…

Hoje?? Uma tarefa que nem sei se será possível concretizar-se o sonho de Eduardo Mondlane…Em Moçambique a ambição pelo poder que o dinheiro dá materialmente cegou quase toda a gente. A cultura? Nem fazem ideia que é muito mais que o folclore do batuque e da churrasqueira e da cerveja e da intriga… o desenvolvimento geral da cultura é que nos ajuda a reflectir os problemas políticos e sociais…de uma Nação…PENSAR é CULTURA…e somente com o desnvolvimento desta o país poderá ter um futuro melhor ...pois cultura é que nos faz mudar as mentalidades para meçhor coisa que sem ela nada a fazer...é o retrocesso total. O estômago egoísta falará sempre mais alto pisando os outros.

Todavia, a Samora Machel, foi-lhe incutido o medo do golpe de estado a partir de seus colegas moçambicanos baNto vindos com ele do maquis (mato da guerilha). Daí ter-se isolado… culturalmente desnorteou-se…e foi vítima fácil dos oportunistas recém chegados ao poder que o rodearam…
Quando quis mudar o rumo das coisas...infelizmente já era tarde.

O medo do surgimento de um pseudo-tribalismo foi desculpa para não serem ensinadas as nossas línguas baNto em paralelo ao português e inglês. Não foram libertadas da repressão anterior colonial.

Nessa altura (1974/1975/76), com uma planificação adequada do embrionário MEC e do MINFO (imprensa/media)) poder-se-iam desenvolver a nível de cada região originária, com a obrigatoriedade desse ensino linguístico nas escolas primárias desde a aprendizagem da escrita, fala e leitura das tradições locais. Os portugueses poderiam ter ajudado com nova visão se houvesse vontade política e mais contenção da repressão do novo regime da Ponta Vermelha.

Mas os ódios estavam todos na rua com os grupos dinamizadores (ou será dinamitadores?). As condições para o surgimento de uma MNR /Renamo estavam lançadas apoiados pelos vizinhos "brancos" também eles aterrorizados pela independência dos "negros" de Moçambique. Foi como um tiro dado no pé. De tanto quererem controlar (os da Frelimo) descontrolaram Moçanmbique de alto a baixo, afugentando quadros preciosos.
Esses quadros, a única coisa que queriam era continuar suas vidas com segurança socioeconómica num país novo.
Os "maus da fita" tinham fugido via África do Sul em 1974. Os que resistiram e ficaram foram vitimizados de 1975/76 em diante. Os que conseguiram sobreviver tiveram também de procurar melhor vida fora da terra que os viu nascer ou por ela adoptados.

A partir de 1964 a 1974, no Moçambique colonial, mesmo entre os ditos jovens brancos, crescia o interesse geral pela cultura africana em Moçambique; nas artes, na dança, no teatro e nos espectáculos ao vivo, nas letras, incluindo pelas línguas maternas extensiva ao uso de expressões idiomáticas baNto nos jornais e revistas sobretudo nas capitais: LM, Beira, Nampula e mesmo Tete.

No Moçambique independente, e em relação ao ensino das línguas maternas estas deveriam serem ministradas independentemente de serem ou não da origem étnica dos alunos. Até um europeu ou asiático com filhos a estudarem em Moçambique numa escola moçambicana privada ou pública teriam de aprender as línguas locais onde se encontrassem.

A diacronia (evolução da língua na história) ajudaria na definição dos idiomas “matrix” de Moçambique.

Nota cito as regiões da terra sem mapa defornte de mim. Daí poder haver um lapso meu nas fronteiras actuais geo...

Exemplo: em Niassa – shiNyanja, Yaho e êmakwa (dependeria da região) …

Cabo Delgado: Quionga, Palma: Swahili; Plateau: ki Makonde;- Mocímboa, Ibo, Quirimbas: kiMuani (wa Ibo) – Montepuez, Pemba e Nampula (êmakwha)

…Zambézia: Lomwe; alto Molocué; Quelimane; Tchuabo, Milange – marendje: Luabo; podzo (variante de shinSena)…etc

…Beira; shinSena

e outras bolsas de Sofala e Manica –Chimoio- shiNdao…etc…

Tete: shiNyungwe; senga; nguni… etc

…Inhambane: shiNdao (Mambone); shitswa(Vilanculos, Massinga); cidade de Inhambane Cêu: guitonga: Zavala, shiLengue (vulgo chope)…etc

…Gaza: shi-tshangane e shilengue (vulgo chope – Mandlakazi, Chongoene, Quissico, Nyantumbo, Xai-Xai) …aliás era o nome do chefe muLengue (chope) iNtchai - iNtchai em 1895 nessa cidade de hoje.

Cidade de Maputo (nome errado) nunca existiu Maputo – foi inventado para rimar com o slogan do Rovuma ao Maputo…

caMpfumo é o nome histórico conhecido desde o século XV /XVI (1500) 1502/1544 Mapas na Sociedade de Geografia de Lisboa) pelo menos é conhecido por caMpfumo – terra dos reis e dos chefes…curioso que da Biblioteca do Congresso dos EUA em 1975 enviavam correspondência para a então cidade de Lourenço Marques desta forma:
“To ka Mpfumo (ex Lourenzo Marquez)” …mais ou menos assim…tive dois desses envelopes na mão em meados de 1976 ainda antes da infeliz mudança do nome para Maputo. (derivado do nome da bebida do Uputso - nome “rronga” dos Tembes (caTembe) numa região que ficaria conhecida por maPutso (Matutuíne) nas cerimónias tradicionais em Mandjóló (Bela Vista) que o grande compositor moçambicano da diáspora – Costa Neto - imortalizou na sua música recente...”Mandjóló…Ndya ka Mandjolo kembaku …hantlisa mupfana…uta ndy kuma ndlelene”…é o dialecto shin–din-din-din da matrix idomática do shi-ronga da caTembe…

E por isso pelo balanço a ver se consigo escrever em shi-ronga como tentei outras do centro – norte e sul de Moçambique…(eheheheehh tenho os meus truques…mas dá cá um trabalho de consulta e cruzamento de dados, memória e composição …mas vale sempre a pena …é um desafio em prol da cultura moçambicana tão maltratada)

Eis então, a ver se está conforme:
Namuhla na dyingisa ku tsala ni shironga sha khale ya kaMpfumo (hoje tento escrever em shi-ronga antigo de caMpfumo)…

A ku sungula kwanga i ku losa: ndyi li shawani ba makweru (ba nakulori) ya mousambike online... (para começar na saudação: digo olá aos irmãos (colegas) do moçambique online)...

Ndye he ni psa ku mi byela (tenho ainda a dizer-vos)-
Karingana wa Karingana (sem tradução):
Karingana (coro); shihitana sha shicuembo sha nambu…(conto dos espíritos do rio)…

A hina kambe eh: (Era uma vez:)
Yi NYOKA NI DYI BIMBI-NDYILO SHA KU PHATIMA
(a cobra e o pirilampo brilhante)

TYISO SHIKULU SHIÑWE
UMA GRANDE VERDADE!!

Era uma vez uma cobra que começou a perseguir um pirilampo.
Ele fugia com medo da feroz predadora, mas a cobra não desistia.
Um dia, já sem forças, o pirilampo parou e disse à cobra:
- Posso fazer três perguntas?
- Podes. Não costumo abrir esse precedente, mas já que te vou comer,
podes perguntar.
- Pertenço à tua cadeia alimentar?
- Não.
- Fiz-te alguma coisa?
- Não.
- Então porque é que me queres comer?
- PORQUE NÃO SUPORTO VER-TE BRILHAR!!!

E é assim...
Diariamente, tropeçamos em cobras!

HI BYONE BUGAMU (eis o fim)
Mutsale: Zoao ñwa kaMpfumo (mecunha orripa)
(João Craveirinha)

“Eu não matei meu pai”

- General de Exercito, Alberto Joaquim Chipande
“Alguns guerrilheiros têm culpa. Eles é que mataram o meu pai, por volta das 18/19 horas, do dia 9 de Dezembro de 1964. Na altura da sua morte, eu estava numa emboscada com Paulo Samuel Kankomba em Chipande, hoje Mueda e até tiveram medo de me informar porque eu era o comandante deles.”
Chipande deu o primeiro tiro, em Chai, no dia 25 de Setembro de 1964 que desencadeou a Luta Armada de Libertação Nacional. Três meses depois o seu pai foi morto.
A esse facto surgiu a alegação de que o Comandante Chipande teria abatido o seu progenitor. Mas não foi assim, o General explica ao media-FAX como foi, “quando voltei da Argélia foi o meu pai que me deu forças para continuar a lutar para termos a nossa própria independência. Só que houve um mal entendido por parte de um grupo de guerrilheiros da Frelimo que, nem sequer me consultaram. Eles viam nele (meu pai) um obstáculo, um alvo a abater por ser chefe da povoação. Esqueceram-se que ele, por diversas vezes, tentou sem sucesso abandonar o povoado para se juntar à Frelimo, e que os portugueses estavam de olho nele.
No dia da morte do meu pai eu estava numa emboscada onde era comandante juntamente com o falecido Paulo Samuel Kankomba e só tomei conhecimento dias depois, porque eles tinham medo de me informar já que eu era o chefe deles. Quando me informaram lamentei o sucedido e lhes deixei bem claro, e eles se arrependeram. É verdade que estávamos num estado de guerra e todos queriam libertar a terra do colonialismo. Cada dia que passava, vertia-se muito sangue e nós não podíamos olhar atrás, à frente era o caminho”.

Sou político

O General Chipande revelou ao media mediaFAX que possui acções em algumas empresas onde foi convidado pelos investidores dado o seu bom nome ,”eu não sou empresário, mas sim um político cujo clube é a Frelimo de onde seu Presidente é Guebuza”. O General nega se ter beneficiado do facto de ser político para ser empresário e explica:, “não concordo, sabe quando me torno político? Em 15 de Agosto de 1957, quando pela primeira vez, à convite do Padre Lazáro Kavandame que funda a Associação Algodoeira, ia lá, secretamente, discutirmos política.
“Meu pai teria morrido empresário e a família queria que eu tomasse conta dos destinos dos seus empreendimentos que se resumiam em duas lojas e dois camiões e eu não aceitei porque queria ver o meu país independente”.
Alberto Joaquim Chipande, de seu nome completo, nasceu a 10 de Outubro de 1939 no povoado de Chipande, onde seu pai era chefe.
Em 1947, foi baptizado e em 1950 foi levado para o internato, Missão de Santa Terezinha do Menino Jesus Imbuho, e em 1953 fez a 3ª classe elementar e rudimentar para em 1956 terminar a 4ª classe, depois, foi proibido continuar os estudos, porque aos negros o regime impunha limitações.
O primeiro emprego de General Chipande foi de professor, com um salário base de 50 escudos, que só davam para comprar uma calça e uma camisa.
O despertar político do General também se deveu às audições das Rádios Independentes de Tanganika, do Sudão e Gana, em Suahile .
O longo percurso do patriota e combatente pela independência, General Alberto Chipande não fica completo aqui é longo e profundo.
(M. S e Redacção) – MEDIA FAX – 15.05.2007


Nota: Retirado do
Macua de Mocambique

terça-feira, maio 15, 2007

Em África não basta seguir o líder

Há quase um ano e meio coloquei este artigo neste blog e achando-o sempre relevante faço a questão de recolocá-lo:

Por Simon Robinson(*),

Em termos de brutal honestidade sobre as causas do sofrimento africano, é difícil ir mais além que a obra do escritor Chinua Achebe, “Os problemas da Nigéria”.

Escrito durante a tumultuosa campanha eleitoral do país em 1983, o livro, com apenas 68 páginas, transpira frustração face aos problemas enfrentados pela Nigéria. Ler o seu conteúdo dá para perceber claramente a angústia de Achebe. O autor – bem conhecido pela obra Things Fall Apart, uma poderosa obra de ficção que, quase meio século depois da sua publicação, continua a estar no topo das listas de livros sobre África – usa uma prosa muito sincera para enviar a mensagem em Trouble. Os títulos dos capítulos telegrafam as suas opiniões: “falsa imagem sobre nós próprios”; “injustiça social e o culto da mediocridade”; “indisciplina”; “corrupção”. Achebe coloca o seu ponto de vista logo da primeira frase do livro: “o problema da Nigéria é simples e claramente um falhanço de liderança”.

Muitos nigerianos estão de acordo e africanos por todo o continente chegaram a conclusões similares sobre os seus próprios países. É por isso que, nos meados da década de 90, quando emergiu uma nova geração de líderes, os africanos tiveram a esperança que tudo podia finalmente mudar. Pessoas como Issaias Afewerki na Eritreia, Laurent Kabila na RDC, Paul Kagame no Ruanda, Yoweri Museveni no Uganda e Meles Zenawi na Etiópia prometiam um novo estilo de liderança centrado na construção económica e no desenvolvimento de nações democráticas, ao invés de impor o seu poder pela força e assegurar que os seus amigos se tornassem ricos. Quando o presidente Bill Clinton visitou o continente em 1998, ele referiu-se a esta nova geração como a grande esperança de África.

A realidade raramente iguala a hipérbole. Poucos meses depois da visita de Clinton, o Ruanda e o Uganda invadiram o Congo, a Eritreia e a Etiópia envolveram-se numa guerra entre ambos. Enquanto alguns líderes – nomeadamente Museveni e Zenawi – fizeram o suficiente para continuar a merecer as boas graças dos doadores ocidentais, mesmo eles entraram em derrapagem. Na Etiópia, Zenawi não hesitou em mandar o exército para a rua para enfrentar manifestantes da oposição protestando contra os resultados das eleições gerais realizadas em Maio.

No Uganda, um cada vez mais autoritário Museveni anunciou há duas semanas que vai de novo candidatar-se a eleições, depois do Parlamento ter eliminado as cláusulas que o forçariam a passar à reforma por limite de mandatos. O há muito esperado veredicto chegou dias depois de o seu principal opositor ter sido aprisionado, acusado de traição e violação, acusações que são negadas com veemência. As manifestações foram banidas temporariamente.

Quer isto dizer que os lamentos de Achebe continuam verdadeiros ? Nem por isso. Resolver os problemas africanos nunca foi apenas uma questão de mudança dos seus líderes. E é por isso que o desgaste de Museveni e Zenawi se venha a revelar positivo, mesmo que isso represente sofrimento a curto prazo para os seus próprios países.

É uma chamada de atenção - especialmente para os países ocidentais que tanto investiram nestes novos líderes - que instituições fortes são muito mais importantes que personalidades. Bons líderes podem tornar-se maus se permanecem no poder demasiado tempo: as falhas tornam-se óbvias; desenvolvem-se compromissos simplesmente para reter o poder; os apoiantes ficam frustados com o inevitável abrandar de ritmo das mudanças.

E não é apenas em África. Há muitos apoiantes de Tony Blair que o gostariam de ver pelas costas. O mesmo se passa com os apoiantes de Jacques Chirac e George Bush. Uma diferença fundamental é que as instituições nos países dirigidos por estes homens – o parlamento, o judiciário, a imprensa – são muito maiores que uma só personalidade e são um contra balanço contra os piores excessos. Isto ainda não é um dado adquirido em África.
Tomemos o exemplo do Zimbabwe. Há cinco anos atrás, este país tinha um dos melhores sistemas judiciários do continente. Os eleitores podiam fazer ouvir as suas vozes, como o fizeram em 2000 quando rejeitaram a proposta de Constituição apoiada por Robert Mugabe. A imprensa independente estava entre das mais destemidas de África. Nos últimos anos, contudo, Mugabe e os seus acólitos puseram a oposição de joelhos, falsificaram eleições, fecharam jornais independentes e forçaram a reforma da maioria dos melhores juizes do país. Mugabe, saudado no passado também ele como um exemplo de um grande novo líder africano, mostrou-se mais forte que as instituições do seu país.

Claro que há progresso. Os quenianos por exemplo rejeitaram a semana passada uma nova Constituição apoiada pelo presidente Mwai Kibaki – eleito há apenas três anos no meio de uma onda reformista – e que pretendia exactamente o reforço dos poderes presidenciais. (Kibaki tratou imediatamente de demitir o seu executivo). Eleitores no Gana, no Senegal e na Zâmbia elegeram partidos da oposição na viragem do século. Estas mudanças pacíficas provam que as instituições em alguns países são suficientemente fortes para sobreviver à mudança e não estão meramente dependentes, ou à mercê da personalidade que ocupa o palácio presidencial. A Etiópia e o Uganda estão muito melhor que antes de Zenawi e Museveni chegarem ao poder. A derrapagem não destruiu tudo o que de positivo fizeram estes homens. Mas o seu legado algo manchado é uma lição. “ A reputação e o feitio de um líder poderá induzir um clima favorável, mas para se atingirem mudanças duradouras, tem de haver um programa radical de reorganização social e económica”, escreve Achebe em “Os problemas da Nigéria”.

Por outras palavras, haver bons líderes é bom, mas instituições fortes é ainda melhor.

(*)In revista Time
Título adaptado

Os sete milhões de meticais para o distrito (3)

Na edição do Jornal Notícias de hoje aparece uma longa reportagem de discussão sobre a aplicação dos sete milhões alocados ao distrito. Há uma clara divergência entre os administradores distritais e governadores sobre se houve desvio ou não na sua aplicação. Leia aqui

Método de combate à corrupcão

Assim agiu um motorista

domingo, maio 13, 2007

Guebuza revisitado

Por Fernando Lima(*)

Cansado e chamuscado com os “dossiers” paiol e crime, o presidente abalou para um longo périplo pelas províncias, para o país mais ou menos real que pode perceber dos comícios e das reuniões com os seus chefes locais. Leia +

sábado, maio 12, 2007

Os sete milhões de meticais para o distrito (2)

Na última quarta-feira, dia 9 de Maio, publiquei minha opinião no meu blog sobre os sete milhões de meticais alocados ao distrito. Lá não quis eu concordar com os alegados desvios a que se atribuem aos governos distritais. Duvidei da legalidade em que se tirou este dinheiro dos cofres do estado e pior ainda sem uma definição clara da sua finalidade. Estavam inseridos no Orçamento Geral do Estado para 2006 e aprovado pela AR? Também interroguei-me do dever fiscalizador da Renamo-EU na Assembleia da República (AR) no que diz respeito aos sete milhões de meticais ao distrito.

Na AR, a Renamo-UE só fala de que este dinheiro compra membros dos partidos da oposição, mas esquecendo-se que bem planificado e usado e, ainda passando por vias legais, pode ser uma boa iniciativa para o desenvolvimento do país. Se a Renamo-UE tivesse prestado atenção nos conselhos ainda gratuitos como por exemplo o estudo de Tony Hodges e Roberto Tibana: The Political Economy of the Budget in Mozambique, até já teria vindo com crítica e opinião concretas sobre este fundo. Desta maneira evitar-se-ia o actual jogo de culpar o MAIS INFERIOR – o governo distrital.

Para a minha alegria, o director do Notícias , apareceu ontem com sua opinião que embora não seja idêntica à minha, se interroga em muito sobre o actual governo. De facto, se não quisermos desenvolvimentos continuaremos aquartelados nos nossos partidos a bajularmos os nossos líderes partidários e criticar outros. Mas se torcemos pelo desenvolvimento do país ou criação do bem-estar de todos os moçambicanos, passaremos a ser muito atenciosos.

quinta-feira, maio 10, 2007

Moçambique em referência na campanha eleitoral timonse

Na segunda ronda das eleições presidenciais de Timor-Leste houve uma referência a Moçambique. Porém, não sei se é a Moçambique que se devia referir ou a uma organização política moçambicana. Tudo se torna difícil quando os jornalistas que escrevem sobre uma notícia optam por desenvolver e talvez temperando a versão da parte a que se alinham – um dos estilos do notícias e a sua versão em inglês no allafrica. Imagino que os moçambicanos convidados pela FRETILIN para ajudar o partido na sua organização eleitoral não sejam quaisquer e muito menos com idoneidade, mérito moral e profissional se tomarmos em conta o nosso próprio processo eleitoral que tem sido fraudulento e desorganizado a favor desse mesmo grupo.

quarta-feira, maio 09, 2007

AR nomeia cinco membros à CNE

A Assembleia da República nomeou, hoje, cinco membros para a integrar à Comissão Nacional de Eleições. Trata-se de José Grajane, Rodrigues Timba, António Salomão Chipanga, Ezequiel Gusse e Amândio Sousa três da Frelimo e dois da Renamo-União Eleitoral, respectivamente. Depois, as nomeações serão homologadas em Boletim da República.

Uma vez empossados, os cinco membros da CME vão reunir-se para eleger o coordenador do grupo. Depois, vão convidar a sociedade civil a apresentar os seus oito membros propostos para totalizar os 13 preconizados pela Lei Eleitoral. Concluída esta fase os 13 membros vão escolher dentre eles, o novo Presidente da Comissão Nacional das Eleições.

Num prazo de 30 dias, o Presidente da República vai empossar os cinco membros hoje nomeados, a contar a partir desta quarta-feira.

Pais online O 09/05/2007

Os sete milhões de meticais para o distrito

Reporta-se quase em todo o lado que os sete milhões de meticais alocados ano passado ao distrito foram desviados de aplicação. Um dos distritos que mais desvios cometeu na execução é Machaze. Se se fala de desvio é porque deve ter havido antes uma finalidade definida e esta deve ter sido informada aos dirigentes distritais que os geriram. Se não houve uma definição clara da finalidade deste fundo então a palavra desvio não pode-se aplicar para este fundo, sobretudo se o dinheiro não foi aplicado para fins pessoais e ou partidários. Usando o dinheiro para fins pessoais e partidários é desvio porque à partida pensamos que qualquer dirigente público sabe que fundos públicos não se podem usar para fins pessoais e ou partidários. Mas alegar-se que foi desvio simplesmente porque o administrador distrital não sonhou o que o Presidente da República imaginava que o dinheiro fosse aplicado para, é imprudência.

A abertura de estradas por exemplo “pode ter gerado” emprego, estimulado a produção agrícola dependendo donde foi aberta essa estrada e beneficiado à maioria dos habitantes do distrito. Há casos que para mim foram visivelmente constituiram uma falta de iniciativa. No distrito de Memba, por exemplo, é sinal dessa falta de iniciativa pois o dinheiro serviu para encher de pedras a rua principal da vila quando uma estrada antiga que liga a capital do distrito a Nampucha/Mazua respectivamente à linda praia de Simuco é intransitável mesmo no tempo cego. mas pode não ter ido ao encontro do que o PR pensa. Mas isto eu considero apenas de falta de iniciativa do governo distrital e não de desvio do fundo. Talvez este tenha sido o problema do Presidente da República e que neste momento usa os governos distritais como bode expiátorio. Daí que não é estranho que ninguém é punido por ter “desviado este fundo”, porque na verdade não foi desviado. Um administrador ou secretário permanente pode ser despromovido por incompetência, falta de iniciativa ou racionalidade, é com razão, mas isso não é punição porque todos os que não o são, não estão punidos. Continuarmos com dirigentes deste tipo é não deveriamos continuar.

Obviamente, antes de sermos distraídos por estes discursos, deviamos procurar saber se os sete milhões de meticais alocados aos distritos haviam sido planificados ou obedeciam ao que continha no Orçamento Geral do Estado para 2006. Ao falar de OGE fica-nos fácil saber se foi um fundo aprovado pela Assembleia da República. E se este dinheiro estava fora do OGE/06 ou o PR entendeu e mandou tirá-lo dos cofres do Estado? O desembolso deste montante foi constitucional? Por outro lado, sabemos que na aprovação do OGE para 2006 a bancada minoritária o rejeitado precisamente por falta de definição concreta das acções. Então a Renamo-UE não tinha razão ou não ao rejeitar a aprovação deste orçamento? Enquanto banca de oposição com o dever de fiscalizar o governo do dia estas perguntas são mais para a Renamo-UE.

terça-feira, maio 01, 2007

Primeiro de Maio

Como um tema atrasado, tratarei dos oradores no nosso país no Primeiro de Maio, Dia Internacional dos Trabalhadores.

A Frelimo guebuziana vs o pluralismo político (2)

Movimentos independistas ou partidos libertadores

Antes de eu entrar na discussão sobre as DESVANTAGENS do monopartidarismo e da ideologia freliguebuziana vou em partes fazer comentários profundos e longos em resposta a um comentário muito curto do meu caro amigo cético.

Os teus discursos não deixam sombra de dúvida que és frelimiano e da ala dura ou extrema. Descupa-me, mas a verdade deve ser dita para além de que gosto de pessoas que assumem ou seu EU. Vejo em ti no grupo de Marcelino dos Santos. Não é problema por isso muito menos para quem não é frelimiano como eu. Gosto bastante em pôr-me a debater com pessoas honestas, pessoas que não tem medo de declaraem-se em que partido pertencem e muito mais em que EXTREMO desse partido eles são.

Concordo que tenham havido movimentos independistas, esses que conquistaram as independências das potências colonizadoras europeias, mas que estes nunca libertaram o homem africano da REPRESSÃO, pois que os seus líderes tornaram-se eles mesmos os novos opressores, chamboqueando, executando sumariamente, espiando, prisionando sem culpa os seus concidadãos. Mesmo quando movimentos e até muito antes a diversidade ideológica foi bem notável. No caso de Moçambique, haviam três movimentos bem conhecidos MANU, UNAMI e UDENAMO, como tu deves bem saber. Escrevo bem “conhecidos” porque não tenho muita certeza se os que não pertenciam a estes movimentos não tinham ideias ou mesmo grupos que pensavam em formas de tirar Moçambique do jugo colonial. Mas diversidade de opinião, ideias, pensamentos e até ideológia dentro da Frelimo não tardou de se notar. Isso não é dúvida alguma para quem gosta deste mosaico ou seja para quem não gosta que seja ele o único que sabe o que é bom para país ou para os cerca dos dezanove milhões de habitantes em Moçanbique.

Voltando à história de movimentos é que muitos foram os que sairam da Frelimo criando outros movimentos que tinham precisamente o mesmo obejectivo de libertar Moçambique, mas com uma ideologia diferente a do grupo Marcelino dos Santos/Matsinhe ou digamos do Samora Machel. Deixemos a propagandas destes mencionados. A maioria dos moçambicanos pensa que Eduardo Mondlane era diferente e provavelmente é verdade.

Nos últimos anos da guerra pela independência nacional houve um apoio massivo à Frelimo como movimento. Aí não há dúvidas. Em 1973 com a minha idade muito denra, assisti e engajei-me como podia, ainda que toda a informação e mobilização recebiamos (meus colegas e eu) de missionários combonianos. Não tenho receio nem vergonha de afirmar que fui “frelimiano” pelo menos até 1990. O que é um facto, é que a maioria dos membros e simpatizantes de boa idade foram membros ou simpatizantes da Frelimo como movimento. As simpatias à Frelimo foram baixando entre os mais informados a partir da altura em que a diversidade de opinião foi proibida pelos ideólogos da Frelimo.

A Frelimo como partido, não tem na essência algo a ver com ela como movimento, pois os constituintes dos partidos de oposição foram na sua maioria membros e simpatizantes da Frelimo como movimento ou os que se sacrificaram pela independência, enquanto que os membros da Frelimo como partido são na sua maioria pessoas que nem tinham nascido na altura da independência e se tinham é que não se tinham empenhado na luta contra o colonialismo. Faz o teu juiz, meu caro amigo cético.

Se alguém não gosta de duma Assembleia da República multipartidária deveria ter iniciativa de retirar o seu partido dela!

Também disponível no imensis

sábado, abril 28, 2007

A Frelimo guebuziana vs pluralismo político

Para desenvolver será uma análise minha sobre a Frelimo de Guebuza e o pluralismo político em Mocambique. Isto parte do recente discurso do Mariano Matsinhe na Academia de Ciências Policiais

quarta-feira, abril 25, 2007

Os Ministros que nos deram!!!!

Nao me lembro nunca antes de Moçambique ter tido um Governo com Ministros cujos actos são tão contestados como os do Governo actual. Ora se não vejamos o que a imprensa nos tem trazido e o cidadao tem observado:

1. Ministro da Saúde – Contestado pela classe medica pelas suas accoes populistas, sem mencionar os doadores que tambem juntaram-se a causa dos medicos.
2. Ministro do Interior – Criticado pela sociedade devido a inoperacionalidade da policia, e pelas sucessivas execucoes sumarias que por vezes o Ministro tentou justificar sem um conhecimento profundo dos factos ou com informações deturpadas.
3. Ministra do Trabalho – Contestada pela classe empresarial pela sua excessiva atitude paternalista em relacao a massa laboral, por vezes passando por cima dos instrumentos legais estabelecidos.
4. Ministro da Defesa – Contestado pela sociedade, e cujo pedido de demissao ja a tem barbas brancas, pela inoperancia do seu Ministerio, cujo pico atingiu com as explosoes dos paios.
5. Ministra dos Transportes e Comunicacoes – Contestado pela inoperancia do seu Ministerio em relacao aos problemas dos transportes ao nivel nacional. Na area das comunicacoes, apesar do desenvolvimento das empresas de telecomunicacoes camuflar a falta de visão e demissão do Ministro em relacao ao sector das comunicacoes, a falta de lideranca do Ministerio na direccao deste sector é mais do que visivel (razao pela qual comeca a ser aos poucos dominado pelo Ministro da Ciencia e Technologia).
6. Ministra da Mulher e Accao Social – Ofuscada pelo Gabinete da Primeira dama...mais palavras? O Ministerio deixa de ter necessidade de existencia.
7. Ex- Ministro da Agricultura – A sua demissao, nao aparece nada mais do que como resultado da incapacidade atribuida ao Ministro para desenvolver o sector da agricultura. Mas sera so problema do Ministro ou de um Governo no seu todo?
8. Ministro da energia – Contestado pelas sucessivas gafes em relacao a questao dos combustiveis, onde por vezes prestou falsas declarações, e as omissoes sobre a negligencia da HCB em na questao das cheias no centro do país.

Nao creio tanto que exista memoria de algum Governo com gente tao contestada como neste. Sera que esta contestacao deriva da incapacidade dos Ministros? Porque hoje tornou-se popular atribuir responsabilidades directas ao Ministro e nao uma responsabilidade colectiva, como por exemplo aos Ministerios? Sera tudo isto obra do acaso, caprichos da imprensa ou resultado de accoes da oposicao?

Na minha pobre consciencia, creio que a responsabilidade por essa contestacao está exclusivamente na pessoa do Presidente da Republica, não so por ter sido ele quem os escolheu para o seu Governo, mas tabem porque Guebuza errou na sua estrategia e no seu discurso tendo induzido os seus Ministros e tantos outros dirigentes a um dirigismo muito pouco fora do comun e desenquadrado com o actual momento social e politico. Por outras palavras, mal Guebuza tinha chegado e demostrado algo palpavel sobre a sua capacidade para mudar o país, o discurso da liderança centrava-se mais em denigrir a imagem do seu antecessor (que hoje goza de uma reputação invejavel no exterior) e nao dizer-nos como é que o seu Governo pretendia fazer melhor. O famoso discurso do deixa-andar enraizou-se de tal forma nos seus colaboradores que muitos se esqueceram de que todos somos humanos e faliveis. Resultado, ao terceiro ano de Governacao, nada diz que os Mocambicanos vivem melhor que no “Governo do deixa-andar”. Desperdiçaram-se energias a tentar convencer-nos que irião fazer melhor que os outros, ao invez de se concentrarem no essencial, que era fazer melhor em termos praticos. Alias, para bons observadores, facilmente nota-se que muito da Governacao deste governo nao passa mais do que colher louros do trabalho iniciado na anterior Governação. Quando Guebuza anda pelo país a dizer ao campones “ produzam mais..produzam mais”, Guebuza tem que saber que se os camponeses nao enriquecem ( como ele enriqueceu atraves dos patos que foi criando), é porque existem uma serie de factores socio-economicos que impedem o campones de aumentar a sua producao. Por outras palavras, Guebuza tem que enteder que o desenvolvimento da agricultura e um problema heterogeneo, no qual o Governos tem uma larga responsabilidade na solucao destes problemas de modo a aumentarem a sua produtividade. Mas pelos vistos, nem o Governo sabe como vai faze-lo, e como tal o discurso oco de revolucao verde vai servindo para nos entreter. Ja se falou tanto no credito a Agricultura...e nao vou eu aqui falar mais.

O discurso pouco elegante de Guebuza, sem duvida que assediou-se dos seus Ministros que interiorizaram em si uma cultura de autoritarismo, arrogancia e prepotencia. É aqui que ao meu ver estes Ministros falharam e continuam a falhar agora com o lema (que ao meu ver aparece com substituicao ao deixa-andar) “DECISAO TOMADA, DECISAO CUMPRIDA”.

Induzidos pelo discurso do PR, os Ministros esqueceram-se totalmente que numa sociedade civilizada o respeito pelo proximo é fundamental. Embuiram em si o conceito de poder absoluto e de sabedoria infalivel. Como resultado, vemos Ministros a humilharem funcionarios publicos fazendo crer que reside neles a razao de todos os problemas que aflijem o serviço publico. Vemos Ministros acordarem de manaha cedo e ir pregar partidas aos funcionarios publicos, ao invez de desenharem-se mecanismos duradoiros que incutam no funcionario o sentido de responsabilidade, profissionalismo e dedicacao. Para resolver a situacao, com o lema “decisao tomada, decisao cumprida”, o metodo de gestao do aparelho publico passa a ser mais do que baseado em cadeias de comando em que independentemente de quaisquer circunstancias as decisoes (ou melhor ORDENS) sao para ser cumpridas. Portanto, o funcionario publico passa a robot. Entretanto o problema da funcao publica comeca naqueles que dirigem a funcao publica sem capacidade para tal. Por outra, é ter-mos entregue a gestao do servico publico a maus gestores. Gestores sem nenhuma nocao de gestao, sem capacidade de lideranca cuja habilidade unica resume-se no facto de servirem como caixas de resonancia dos slogans do PR.

Sera que ainda vamos a tempo de mudar? Creio que nao, creio que ja é tarde demais. As feridas causadas sao profundas que estes Ministros de forma alguma irao conseguir cura-las, pra nao falar em sara-las, a vergonha da mudanca seria tanta que nao sei se os Ministros teriam coragem. Creio que o bom desta situacao toda, acaba sendo uma lição para os nosso futuros lideres. Trabalho antes, faladeira depois, pois que na praça...somos todos “kings” em alguma coisa.

NB: Retirado da net

Benjamim Pequenino, o pressago

Quando numa entrevista ao Canal de Moçambique, publicada a 26 de Dezembro de 2006, Benjamim Pequenino, presidente GDI (Instituto de Apoio à Governação e Desenvolvimento), descreveu a LINK com o seu projecto denominado Ofensiva Democrática e Organizacional da Sociedade Civil e os seus líderes era ainda difícil de acreditar nele, ou houve gente que não o compreendia. Segundo ele o objectivo desse projecto era e é de incutir as associações civis para trabalharem em prol dos interesses do partido Frelimo. Ora vejamos a LINK reclama o poder de coordenadora da escolha dos membros da sociadade civil para membros da Comissão eleitoral. E Viana não poupa a língua ao afirmar a LINK é que devia coordenar a escolha dos membros da sociedade civil a fazerem parte da CNE por ela ter sido criada pelo governo. Então, como será a composição real da CNE?

segunda-feira, abril 23, 2007

Parabéns ao Conselho Constitucional e Tribunal Administrativo


Estou satisfeiro em ver uns bons sinais dum país que muitos moçambicanos de bom-senso sonham. Sonhamos por um Estado de Direito onde cada cidadão se sinte protegido pelo poder judicial e realmente ninguém está acima da lei. A medida tomada pelo PGR de Montepuez em relação ao administrador do mesmo distrito, as últimas duas decisões ou acórdões do TA em relação à decisão da Ministra Taipo e outro em relação a atitude prejudicial e partidária do ex-reitor da UEM aos quadros daquela instituição e esta do CC contra uma decisão ditatorial e fascista – ditatorial porque pretende capturar Samora Machel com a sua fórmula: Unidade, Trabalho, Vigilância. Podemos analisar profundamente esta fórmula para apurarmos a que ela resultou. Isso de querer-se capturar Samora e pior de tudo não no seu lado positivo, fazem muitos muitos governantes e é muito perigoso. Decisão fascista porque é também a cópia da frase do fascista António de Oliveira Salazar: A Bem da Nação. Qual nação Salazar referia?

Agora que anarquia é esta de em plena democracia nem que essa seja aparente, de alguém aparecer com frases cunhadas num congresso dum partido para o Estado? Se essas pessoas até têm coragem de abusar palavras como será quanto ao material? Não podemos agora duvidar da competência profissional desta pessoa e a importância deste sector que acaba de ser criado? Este sector não terá sido criado apenas para dar melhores empregos aos membros da Frelimo? Talvez seja a altura de conhecermos os comissários e a sua relação com a “decisão tomada, decisão cumprida” isto é com a Frelimo.

Desde há muito eu disse no imensis que os oportunistas e bajuladores iriam dar cabo à própria Frelimo. Confundir partido do estado só mancha o partido e isso está-se provando pouco a pouco. Também eu tenho dito que o mal que a Frelimo como partido no poder faz constitue uma má lição para os partidos de oposição, pois que muitos com falta de reflexão só copiarão a letra o estilo de governação deste partido hoje no poder. Isso notamos mesmo agora que o estilo de muitos líderes dos partidos de oposição não difere da Frelimo, da mesma maneira que o estilo de governação da Frelimo não difere muito ao estilo colonial. Isto porque a ditadura colonial com um modelo extremamente vertical na relação “governantes” e cidadãos, foi uma má lição para os nossos líderes que até foram membros da mocidade portuguesa – continuo a provocar aqueles que me chamam saudosista, apesar de eu manifestar claramente a minha AVERSÃO à qualquer tipo de opressão, ainda que eu não tenha tido alguma relação com o poder colonial. A minha idade e o meu “background” não deram para eu ter essa relação.

O trabalho destas entidades judiciais, o Teibunal Administrativo e o Conselho Constitucional é de louvar. Isto é que é patriotismo. Isto é que é mostrar que ninguém está acima da lei. Esperamos que as outras instituições, a Procuradoria Geral da República e o Tribunal Supremo comecem a mostrar coragem, fazendo aquilo que é da espectativa do cidadão pacato aquele que pelo seu suor sustenta a existência destas instituções. Se não têm função como quase que o titular da pasta da PGR quis revelar no seu informe na AR, o melhor seria extinguí-las, pois o mundo do dinheiro que se gasta nelas podia servir para pelo menos uma escola de artes e ofícios.

Retropectiva Política de Moçambique

Talvez seja correcto eu afirmar que inspirado pelas análises que se fazem por Carlos Serra, Elísio Macamo e Egídio Vaz em relação ao presidente do PIMO, recordo aos meus caros compatriotas do vídeo publicado pelo Macua de Moçambique do Fernando Gil. Clique aqui

sexta-feira, abril 20, 2007

A Confusão Partido-Estado

O Conselho Constitucional anula a decisão da Victória Dias Diogo, na qual ela obrigava a toda Função Pública a terminar com a “fórmula”: Decisão Tomada, Decisão Cumprida.
Voltarei a este assunto.

quinta-feira, abril 19, 2007

O discurso do Presidente da República

Presidente da República fez um discurso inédito na província da Zambézia ao dizer que a causa da pobreza extrema no país era o problema da preguiça dum bom número de moçambicanos ou como para citar bem o que vem no Notícias “falta de hábito ao trabalho perpetua fome no país.”

O Presidente da República disse e com razão que não compreendia que: “... mais de 60 porcento dos moçambicanos mal se possam alimentar, e muito menos ter dinheiro com que possam resolver alguns dos problemas básicos como para comprar medicamentos, Guebuza disse “não ser possível que isso aconteça num país abençoado com uma vasta gama de terras férteis, ademais, serpenteadas por vários cursos de água”. Dados estatísticos indicam que apenas quatro (4) porcento dos 39 milhões de hectares com potencial agrícola estão sendo cultivados, o que quer dizer que há mais de 35 milhões onde não se faz nada”.

Porém, estranho bastante que ele faça este discurso a partir dos distritos e não do Conselho de Ministros alargado pela seguinte razão: a nossa pobreza se deve mesmo à preguiça de um bom número de moçambicanos? E se for, serão estes os camponeses como os de Mopeia, Pebane, etc? E se os camponeses forem de facto os ditos preguiçosos quem e o quê contribue para que eles sejam preguiçosos? Quantas vezes por exemplo, o Presidente da República esteve na província da Zambézia nos últimos seis meses? Quantas vezes o Presidente da República promoveu comícios com esses camponentes e vendedores e outros trabalhadores em pleno dia de trabalho? Sabe o Presidente que a Primeira-Ministra vai também para lá e faz comícios em dias de trabalho, sabendo que o camponês não tem domingo? Sabe que os governadores, o Secretário-Geral da Frelimo, os primeiros-secretários provinciais e distritais, os administradores distritais, dos postos e mesmo o Presidente da Renamo, SG da Renamo, os chefes comunitários fazem muitos comícios em pleno tempo de trabalho? Sabe o Presidente da República das várias tolerâncias de ponto que se promulgam pelo Ministério do Trabalho e governadores das províncias por ocasiões que só convém (show off) aos dirigentes do país? Sabe o Presidente da República dos custos da dita governação aberta e outras visitas. Falo dos custos de transporte de todo o pessoal (Salomão Moyana já havia feito umas continhas e isso não era pouco) que o acompanha, as ajudas de custo, alojamento, etc.

O Presidente da República fala da “Revolução Verde” e estou eu cá muito esperançado embora eu não saiba ainda se os chineses havia anunciado a vinda da sua revolução. O facto é que estamos acostumados com anúncios que nunca deram resultado. O anúncio da “Revolução Verde” pode até ser sinal do fracaço da luta contra a pobreza absoluta. Mas se o governo num entendimento com todas as forças políticas, fizesse em todo o país algo como o relançamento da produção na Moamba, penso estariamos a caminho do fim da fome. Os observadores que viesse dar o nome que entendessem e fosse adequado nessa altura de resultados plausível, mas nós já teriamos atingido o nosso objectivo principal.

Quero acreditar que precisamos de diminuir o número de discurso que podem até lesar o camponês de cabo curto que tanto trabalha hectares e hectares, mas menos produz, Deviamos é passarmos a debater os nossos problemas duma forma muito ampla, inclusiva e participativa para que sejamos capazes de alcançar os nossos objectivos. O problema pode não ser preguiça e sobretudo nas zonas rurais, mas as nossas políticas.

quarta-feira, abril 18, 2007

TA chumba decisão de Mazula


Em Fevereiro de 2005, o ex-reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Brazão Mazula, exonerou Ismael Mussá e Eduardo Namburete dos cargos de director dos Serviços Sociais e da Escola de Comunicação e Artes, respectivamente, alegando inconveniência de trabalho. Segundo os visados, esta decisão teve como motivação o facto de terem sido eleitos e tomado posse como deputados da Assembleia da República pela bancada da Renamo
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terça-feira, abril 17, 2007

Aprender da UNITA

Pelo que sei, na maior parte dos partidos mesmo na Europa ocidental o espírito democrático dentro dos partidos é exíquo na medida em que as eleições dos órgãos internos são raramente livres e transparentes. A proposta para os líderes ou presidentes partidários é muitas vezes feita por um grupo restrito por vezes por uma única pessoa, o líder cessante, servindo os congressos apenas para carimbar. A esta camaflugem se chama por eleição. Quanto aos secretários-gerais o processo é o mesmo ou simplesmente os presidentes os escolhem.

A excepção está a eleição de candaditos presidenciais nos Estados Unidos da América onde os simpatizantes e membros dos partidos são quem os elegem. Este é o aspecto que tenho gostado do modelo democrático dos EUA ainda que não se gastassem montes de dinheiros para bonés e camisetes. Da democracia, os cidadãos só se beneficiam de bons governantes capazes de resolver os problemas sociais e económicos que enfermam a nação.

Porém, a coisa inédita é o processo democrático dentro da UNITA, em Angola, a UNITA após Jonas Savimbi. No último congresso, o qual foi realizado em 2003, foram candidatos entre outros Paulo Lukamba Gato, na altura presidente interino, Isaias Samakuva e Eduardo Chingunji. Todos eram candidatos potenciais, isto é com possibilidades de serem eleitos, e, Samakuva foi eleito. Para eleições da UNITA a terem lugar ainda este ano, são candidatos o actual presidente, Isaias Samakuva, o deputado e antigo líder da UNITA- Renovada, Abel Chivukuvuku, esperando-se ainda que Paulo Lukamba Gato e Eduardo Chingunji venham participar na corrida à liderança do partido do Galo Negro .

Não será que deviamos aprender da UNITA se somos por um processo democrático transparente e livre?

Saturado

Actualização

O blog passará a ser actualizado permanentemente e peço a vossa contribuicão com comentários ou mesmo artigos que se possam publicar.

Um abraço

terça-feira, abril 10, 2007

Explosões

Fernando Lima(*)

Treze segundos foi quanto durou a implosão dos 28 andares de betão na marginal de Maputo. Três engenheiros moçambicanos, dois dos quais com formação na universidade pública da capital, mostraram sorrisos orelha a orelha nos vários canais televisivos que transmitiam o acontecimento.

Afinal estavam associados à implosão do maior edifício feita em África e à quarta estrutura de betão armado em termos mundiais. Em várias casas, com alguma descrição, a satisfação foi celebrada com ‘Moet et Chandon’.

Segundo os técnicos, tudo correu conforme o previsto e até o suspense das duas torres de escadas, que se precipitaram sobre o resto dos escombros, tinha sido planeado assim. Nove dias antes, os citadinos da capital viveram outras explosões. Horrorizados e impotentes assistiram ao deflagrar não planeado de milhares de engenhos militares obsoletos. Não houve engenheiros pirotécnicos a dar explicações. O único general a dar a cara foi empurrado para a frente das câmaras e confundiu mais do que explicou.

Quase trinta e dois anos depois da independência é este o país que temos. O que é capaz de entrar para o livro de recordes Guinness pelo melhor dos motivos e o que está exposto no horror das imagens do “You tube” com cogumelos de fogo e expressões áudio dos amadores que fizeram as filmagens e as mandaram para a internet. O que separa os engenheiros dos generais moçambicanos? O que separa a confiança e competência de uns e a manifesta incapacidade de outros?

Não são certamente códigos genéticos. O que fez com que um país que esteve em guerra até há 15 anos não tenha um escol militar que domine na perfeição as armas que lhes foram fornecidas pelos aliados de ocasião? O que aconteceu nos hospitais e nos caminhos de ferro de Moçambique desde 1975 e que possibilitou a emergência de uma escola de técnicos na tradição do que se vinha fazendo anteriormente? Porque será que nos quartéis não foi possível acompanhar a mesma dinâmica, mesmo quando se argumenta que o “movimento do 8 de Março de 1977” foi também para dar oxigénio aos recursos humanos da componente militar.

A favor dos caminhos-de-ferro argumenta-se que o que os moçambicanos fizeram foi continuar a gerir uma estrutura que já existia. No exército e na polícia o ocupante saiu. Os quartéis e as esquadras ficaram vazios. Foi preciso começar do zero. É argumento de peso mas não basta. Há opções políticas que se fizeram com juros elevados.

Samora, muitos anos depois, escalpelizou os recrutamentos para exército que deixava de fora os mais habilitados, os que mais tarde ou mais cedo acabariam por embaraçar os velhos comandantes herdados da luta armada. Mais tarde, os que sobraram das longas reuniões dos “comprometidos” no liceu Josina Machel permaneceram projecto adiado na formação de tropas especiais. Enquanto Angola investiu a sério em oficiais de academia, Moçambique mandava os seus generais para “cursos de refrescamento” em que a maior componente “de formação” era o curso de línguas.

Provavelmente esta estratégia manteve o exército que se dizia da aliança operário-camponesa e os “oficiais comunistas”, de que nalgum momento Samora teve genuíno orgulho. Provavelmente esta gestão militar permitiu a Moçambique passar ao lado das tentações golpistas que fervilham habitualmente nas cabeças dos generais africanos. Mas tudo tem um preço. Os resultados da implosão de 31 de Março e os estrondos fatídicos do dia 22 são um espelho das opções que se fizeram. Há muito tempo.

(*)Espinhos da Micaia

UA pediu que 10 por cento do orçamento dos Estados africanos fosse para agricultura

-Moçambique não cumpre
A República de Moçambique ainda está bastante longe de conseguir cumprir as recomendações saídas da II Cimeira da União Africana, realizada em Maputo em 2003, mais concretamente no que concerne à necessidade de alocar, pelo menos, 10 por cento do seu orçamento anual para a área da agricultura como forma de garantir a produção de alimentos para as suas populações.
Dados disponíveis indicam que dos 10 por cento pedidos pela União Africana, as autoridades moçambicanas apenas conseguem alocar cerca de 3.5 por cento, o que deixa claro as dificuldades do país em, pelo menos, tentar-se aproximar aos números desejados pela União Africana.
O orçamento de Estado para este ano (2007) está fixado em cerca de 70.896.6 milhões de Meticais, sendo 31.681.2 milhões para despesas correntes, 33.445.5 para despesas de investimento e 5.769.9 milhões para operações financeiras.
Críticos nesta matéria, referem que essa é uma realidade que advém da falta de políticas claras e coerentes em relação a agricultura, mesmo se sabendo que cerca de 90 por cento dos 19 milhões de moçambicanos buscam o seu sustento na área agro-pecuária.
O Ministério da Agricultura, embora reconhecendo esta situação, diz que estas dificuldades não se verificam só no país, pois é uma realidade em muitos países do continente africano.
"Na verdade ainda estamos muito longe de atingir essa meta. Até agora estamos abaixo dos 4 por cento e para 10, estamos ainda muito longe" - explicou Fernando Songane, porta voz do Ministério da Agricultura.
Entretanto, Songane defendeu, que "esta é a realidade da maior parte dos Estados africanos e não só de Moçambique. Aliás ao nível da Nova Parceria para o Desenvolvimento Africano, NEPAD está-se a tentar redefinir em que perspectiva devem ser alocados os 10 por cento à agricultura. Quer dizer
tem de se dizer claramente o que é isto de alocar 10 por cento à agricultura" - explicou.
Ao que se sabe, provavelmente até finais do corrente ano, a Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD) vai criar directivas concretas no sentido de aclarar esta que foi uma das grandes recomendações da II Cimeira da União Africana.
É que há quem defende que este orçamento devia ter em conta também os orçamentos gastos na comercialização que inclui igualmente os orçamentos usados na abertura de vias para o escoamento de produtos para a comercialização, bem como os fundos que vão para outras áreas conexas que, de uma ou de outra forma, participam no desempenho global da agricultura.
É nesta vertente que o Plano Social e Económico para 2007, refere que a agricultura vai induzir níveis de crescimento mais altos na indústria transformadora, impulsionado também pela continuação dos programas de promoção da produção nacional e pela implantação de infra estruturas básicas resultantes das obras em curso, tais como a reabilitação de estradas, a electrificação rural, a extensão da linha de fornecimento de energia eléctrica para os distritos e postos administrativos, e outras acções.
Para o presente ano, espera-se que o sector agrícola contribua, no crescimento do Produto Interno Bruto, com cerca de 1.8 por cento depois de ter registado a mesma cifra de Janeiro a Dezembro do ano transato. (Fernando Mbanze) - MEDIA FAX - 22.03.2007

Ditadores países Sul já desviaram mais 180 mil milhões dólares

Lisboa, 29 Mar (Lusa) - Os ditadores dos países do Sul desviaram, nas últimas décadas, entre 100 mil milhões e 180 mil milhões de dólares (75 mil milhões e 135 mil milhões de euros), refere hoje o Comité Católico Contra a Fome e Para o Desenvolvimento.
A organização não governamental francesa explica, no relatório hoje divulgado, que a estimativa "não tem em conta os desvios feitos pelos próximos dos ditadores", dando "apenas uma ideia da amplitude da
corrupção".
Para chegar ao referido número, a organização somou a fortuna provável dos principais ditadores de países como as Filipinas (Marcos), Nigéria (Abacha) ou Iraque (Hussein).
Só a fortuna acumulada por Mobutu, do antigo Zaire, equivale ao produto interno bruto do país, entre cinco mil milhões e seis milhões de dólares.
O Comité acusa os governos e as empresas dos países do Norte, nomeadamente Estados Unidos, França e Reino Unido, de serem cúmplices e mesmo promotores da "pilhagem das riquezas" do Sul.
Em particular, aponta os exemplos de Mobutu, apoiado pelos países ocidentais mesmo depois de um relatório do FMI afirmar que o país era "um poço sem fundo", e o apoio da França e da Elf ao regresso ao
poder de Denis Sassou Nguesso, na República do Congo.
Importante obstáculo à devolução das fortunas ilícitas acumuladas pelos ditadores, frisa o documento, é a existência de paraísos fiscais e legais, nas ilhas britânicas, Estados Unidos, Luxemburgo, Suíça, Mónaco ou Andorra.
A organização considera que nos últimos anos foi preparado um "arsenal legislativo" para combate ao fenómeno, no âmbito da União Europeia, União Africana, Conselho da Europa, entre outros organismos, mas que por agora não passam de "declarações de princípios".
O Comité lembra que o antigo director-geral do Fundo Monetário Internacional Michel Camdessus chegou a afirmar que o total de verbas desviadas nos países do Sul era superior a 1.000 milhões de dólares.
Em qualquer cenário, o total de verbas desviadas não tem comparação com o total de fundos restituídos (quatro mil milhões de dólares) ou congelados (2,7 mil milhões de dólares).
A corrupção, lê-se no relatório, "mina a democracia, mantém no poder regimes autoritários (compra de partidos da oposição, clientelismo, compra de armas), impõe-se no imaginário da população e tende a
erigir-se como sistema".
"Contrariando os esforços levados a cabo pelos cidadãos em prol da justiça e da verdade, [a corrupção] pode arruinar as mais temerárias esperanças de democratização", afirma a organização.

Em defesa de quê? Eis a questão!

Na quarta-feira da semana passada, dia 21 de Março, a África do Sul comemorou aquilo que, depois da sua libertação, em 1994, passou a ser chamado de Dia Nacional dos Direitos Humanos, com honras de feriado nacional.
Trata-se do dia em que, no ano de 1960, em Sharpeville, um subúrbio de Joanesburgo, 69 negros sul africanos foram brutalmente mortos pela Polícia do apartheid, quando manifestavam-se contra as leis do passe, uma relíquia do antigo sistema, que determinava os locais onde os negros podiam ou não podiam frequentar. Muitos dos que foram mortos foram apanhados pelas balas assassinas pelas costas, o que sugere que estavam em fuga, e, como tal, a Polícia não podia recorrer ao pretexto de que eles tenham representado qualquer tipo de ameaça.
O regime do apartheid na África do Sul nunca acreditou que as reivindicações dos negros sul-africanos por direitos iguais, incluindo o do sufrágio universal para todas as raças, partissem dos anseios do povo sul- africano pela implantação de um sistema de democracia multiracial no seu próprio país, como acontecia em países civilizados do Ocidente, onde os negros até constituíam a minoria.
Sistematicamente atribuiu essas convulsões populares a uma imaginária conspiração comunista inspirada a partir de Moscovo, na sua luta para subjugar a civilização ocidental, da qual a África do Sul do apartheid se considerava única retaguarda na região austral do continente africano, se não em toda a África a sul do Equador.
Para o regime do apartheid, os negros eram seres humanos de baixo intelecto, e que não poderiam por isso ter ideias próprias e capacidade de exigir que o Estado respeitasse os seus direitos mais elementares. E muito menos ainda, a capacidade de governar um país tão moderno e sofisticado como a África do Sul. Verwoerd, o arquitecto do apartheid, e os seus seguidores, tais como Vorster e Botha, devem estar a virar nos seus túmulos, ao saberem que há 13 anos que a África do Sul é governada por negros, e para sempre.
O massacre de Sharpeville captou a atenção da imprensa mundial, alertando o mundo para as barbaridades que estavam a ser cometidas contra civis indefesos. Quatro dias depois, o Governo baniu todas as organizações políticas negras, e muitos dos seus líderes foram presos ou partiram para o exílio.
A violação dos direitos humanos é isso mesmo. Não importa se praticada por brancos ou negros, castanhos ou amarelos. Há uma característica comum dos regimes que recorrem aos instrumentos de repressão ao seu dispor, financiados por fundos públicos, para reprimir vozes discordantes. Todos eles fazem-no em nome da necessidade de manutenção da segurança e tranquilidade públicas, mesmo quando a sua má governação está na origem da contestação de que são objecto.
Felizmente, durante a era colonial, o inimigo estava bem identificado, e não faltavam consensos quanto à natureza justa da luta dos povos pela liberdade.
Porém, hoje, aqueles que no passado estavam unidos na luta contra a repressão colonial, estão divididos porque de entre os combatentes da liberdade do passado, alguns passaram a assumir o papel de repressores, com uma claque de apoiantes que intelectualmente vão encontrando argumentos supostamente plausíveis para justificar (no interesse nacional) a brutalidade com que tratam elementos que lhes apresentam ideias alternativas de governação.
Geralmente, o “interesse nacional” é definido tratando-se de uma cruzada para impedir a “recolonização do país”.
Para que não haja dúvidas, estes opositores são tratados na imprensa de cortejo como detractores do “interesse nacional” e lacaios dos imaginários recolonizadores.
Só que para a infelicidade destas claques de oportunistas, bajuladores e engraxadores do poder, não há nada de neo-colonial nas reivindicações de um povo cuja única exigência é que tenha o direito de se pronunciar livremente sobre o destino do seu próprio país, e ser governado com o merecido respeito.
O Zimbabwe representa hoje esta triste ironia de revolucionários e libertadores da pátria que se revoltaram contra o seu próprio povo, arrastando--o para uma miséria sem precedentes. Por causa da repressão e do descalabro económico estima-se que, desde 2002, cerca de 4 milhões de zimbabweanos terão abandonado o seu país. Muitos destes são técnicos superiores especializados em várias áreas, cuja formação foi suportada pelo dinheiro do povo, nos primeiros anos da independência. Esse sacrifício todo tornou-se num subsídio para países que são até tão ricos que não precisam dessa generosidade.
A repressão, o espancamento das vozes discordantes, as prisões arbitrárias, e todo o tipo de sevícias contra civis inocentes, são feitos em nome da luta contra o imperialismo ocidental. Do mesmo modo que os agentes da Polícia do apartheid torturavam as suas vítimas negras em nome da preservação da civilização ocidental.
Só que das dezenas de líderes políticos, cívicos e religiosos que no dia 11 de Março foram presos no Zimbabwe e brutalmente torturados nas mãos da Polícia, não havia nem sequer um único branco. Eram todos pretos, incluindo Sekai Holland, uma avó de 64 anos de idade, antigamente membro da ZANU-PF, o partido no poder. A imagem dela deitada numa cama do hospital, com a coxa totalmente exposta e um dos braços engessado, provoca a estranha memória de que os seus agressores podem bem ter sido da idade dos seus próprios netos. Em defesa de quê? Eis a questão!
SAVANA - 31.03.2007

Moçambique vive uma paz fictícia

- considera Dom Francisco Silota, Bispo da Igreja Católica em Chimoio
(Chimoio) O Bispo da Igreja Católica em Chimoio, Dom Francisco Silota considerou, no último Domingo que a discriminação entre os partidos políticos, sobretudo, para com a oposição, está a constituir-se num verdadeiro embaraço para a construção de uma verdadeira Unidade Nacional; isto desde que foi possível alcançar a Independência Nacional em 1975 e a paz por via da assinatura dos Acordos Gerais de Paz(AGP)
em 1992, em Roma, capital Italiana.
De acordo com o Dom Francisco Sitola, “a discriminação contra os partidos políticos, particularmente, contra a oposição, têm vindo a quebrar os laços de amizade na sociedade moçambicana, dificultando assim, a constituição da Unidade Nacional”.
O prelado que falava nas celebrações do Domingo de Ramos, acto que teve lugar na Escola Secundária Samora Moisês Machel, na cidade de Chimoio, província de Manica, zona centro do país, acrescentou que enquanto persistir a discriminação partidária, “a Unidade Nacional de que tanto se fala no país poderá traduzir-se numa autêntica utopia”.
Dom Francisco Silota descreveu que para a materialização da propalada Unidade Nacional que pretende, “os partidos políticos, sobretudo, os da oposição, não devem ser assumidos como inimigos por parte dos governantes”, ou seja, “do partido no poder”, mas sim, “como um simples desafio”.
Na opinião do Bispo Silota, “a Unidade Nacional só poderá ser possível caso haja uma convivência harmoniosa entre os partidos políticos e, acima de tudo, a igualidade de direitos entre os homens na criação de oportunidades e do bem-estar para todos sem qualquer distição de raça, congregação religiosa e muito menos política”.
Conforme o prelado, “não se pode formar a Unidade Nacional na base da discriminção pois, a igualidade de direitos constitui, neste contexto, um elemento fundamental. As oportunidades devem ser proporcionadas a todos os cidadãos sem qualquer distinção; sobretudo, da raça, congregação religiosa e muito menos a filiação partidária”, ou melhor, “ tudo do melhor para todos e todos para tudo também do melhor”.
Por outro lado, o Dom Francisco Sitola apelou aos jovens na qualidade de futuros dirigentes da Nação moçambicana, a distanciarem-se de factores considerados nocivos ao desenvolvimento económico e social
do país, sublinhando que alguns partidos políticos da oposição por nós contactados, apontaram a falta de uma política de inclusão por parte da Frelimo no seu programa de governação, apesar do multipartidarismo
criado no país”.
Entretanto, ainda de acordo com o prelado, a Frelimo defende-se dizendo que a oposição tem falta de iniciativa e de um programa concreto, consubstanciado em acções conduncentes ao desenvolvimento e o bem-estar da sociedade moçambicana.
(Luís Fernandes) - VERTICAL - 04.04.2007

quinta-feira, abril 05, 2007

Em memória da Mãe

CELINA MUCHANGA SIMANGO

Mártir da Indepência Nacional e da Liberdade em Moçambique, Símbolo de todas as outras Mulheres Moçambicanas Mártires anónimas que perderam a vida durante e após o processo de Luta de Libertação Nacional para a edificação do Estado de Direito.

“ A necessidade mais premanente de um ser Humano ‘e tornar-se ser Humano”

A historia procura especificamente ver as transformações pelas quais passaram as sociedades humanas. As transformações são a essência da historia; e quem olhar para trás na história da sua própria vida compreendera isso facilmente. Nos mudamos constantemente e isso é valido para o indivíduo e também para a sociedade.
Não se passa pela vida sem deixar marcas. Um objecto, uma obra, uma carta, uma hipótese formulada. “Todo e qualquer vestígio do passado, de qualquer natureza” define o documento histórico.
Quantas vezes, porém, não foi tentada a falsificação de documentos históricos? Heróis fictícios, heroínas por conveniências, peças com atribuições alteradas de origem, tempo e uso?!... Informacoes sem fontes!...
A historia deve ser escrita como ela se passou na realidade, senão, corremos o risco de passar falsidades as gerações vindoras.
Quem foi a Mama Celina Simango? Muito difícil para mim escrever ou investigar algo sobre esta ilustre Senhora dotada de uma coragem incomparável até aos dias de hoje. A sua herocidade e coragem num momento conturbado da nossa história que custou a sua vida e a de muitas outras mulheres e homens que, já nessa altura, tinham a visão de um Moçambique de hoje, livre da ditadura após o facismo Português, ainda está por escrever.
Nos meus “vai e vens” a procura de informação sobre esta grande nacionalista notei que existe ainda muita verdade para ser contada, como também existem pessoas que viveram esses tempos e que não o fazem por medo! Medo de que? Infelizmente de serem mortos ou preteridos no banquete do bem estar reservado a alguns nos dias de hoje.
Não pretendo aqui e agora levantar essas questões, mas uma coisa é certa: há ainda muito para contar. É que aos que estão no banquete de hoje interessa-lhes escamotear á historia para perpectuar o seu bem estar. É como me dizia um amigo a respeito de um discurso que ouviu numa cerimónia literária recente: “até a idade das fontes históricas passou a ser o cavalo de batalha para a negação de factos vividos neste país!”. Afinal, – lamentava-se o dito amigo – “se a idade das fontes historicas é fundamental para não ferir susceptibilidades nos protagonistas da história recente de um povo, com que bases os historiadores moçambicanos escreveram a história oficial que vilipendea outros neste Moçambique?”.
Este reparo é interessante por partir de uma pessoa mediatizada pela sua frontalidade. E não interessa dizer quem é. O que interessa é que neste mês de Abril me veio à cabeça um nome: Celina Simango.
Segundo reza a história, a Clã Muchanga veio de muito longe, enfrentando várias guerras, vitorias e derrotas, até atingir o centro de Moçambique.
Da tribo guerreira dos Muchangas nasce a mama Celina Muchanga a 4 de Maio 1938 em Matire-Buzi, ‘e a segunda na família.
Foi aprimeira geracao das meninas a estudar na antiga Rhodesia, na Missao Monte Silinda, depois de ter concluído a quarta classe na cidade da Beira.
Esta missão protestante, gerou ideias Nacionalistas para a libertacao do Zimbabwe, e ‘e la onde conheceu Uria Simango, também estudante na altura.
Formou-se como Professora, passou a sua mocidade na Beira, Mutare e Salisburia (hoje Harare e capital do Zimbabwe.
Na Beira, antes de contrair o matrimónio pertenceu aos núcleos de contestacao ao regime colonial, tendo promovido a educacao das raparigas.
Mais tarde, torna-se esposa do Reverendo Uria Simango, Vice Presidente da FRELIMO, um dos mártires da revolução Moçambicana e do Nacionalismo Africano.
Faço a mesma pergunta como muitos outros o fizeram e que muitos mais outros o farão: que crime cometeu a mãe Celina Simango?
Mulher com ideais, mãe, esposa, guerrilheira até com outros bons atributos que não conchecemos, e que não nos deixam conhecer, foi vítima da luta de libertacao nacional.
Segundo testemunhas do seu tempo, a mama Celina Simango foi a Presidente do LIFEMO (Liga Femenina de Moçambique), precursora da hoje conhecida OMM (Organização da Mulher Moçambicana). Á pergunta que qualquer um faria é: Quantos membros dessa agremiação social estão a par desse dado histórico? Quantos dos nossos filhos nos dias que correm sabem disso? E se são poucos, como certamente o leitor imaginará, de quem é a culpa?
Discursando no preiodo das comunicacoes antes da ordem do dia no Parlamento, numa das celebrações do 7 de Abril na II legislatura multipartidária V para Assembleia da República, a deputada Margarida Talapa, reconhecia que a origem da OMM, criada a 16 de Março de 1973, partia da LIFEMO. E as perguntas renascem: até onde a primeira secretária geral da OMM, a senhora Deolinda Simango (de apelido Guezimane por casamento), ilucidou aos demais membros daquela organização sobre a história daquela organização? Terá ela algum dia ligado á LIFEMO à sua fundadora, Celina Simango? pois Margarida Talapa, “esqueceu-se” de mencionar também o nome da presidente Celina Simango na sua intrevencao. Não me causaria surpresa se este pequeno artigo criasse surpresa nos actuais dirigentes e membros da OMM de hoje.
Creio, sem duvida alguma, que um dia a História reconhecera o seu nome como uma das pioneiras na primeira organização politica feminina na luta anti-colonial em Moçambique e em Africa. Também, quero acreditar que haverá muitas outras Celinas, mártires em toda a África, ignoradas por conveniências políticas.
Segundo dados apurados, em 4 de Março de 1968, é extinta a LIFEMO e criado o D.E.F. (Destacamento Feminino da Frelimo) do qual, mais tarde Josina Muthemba Machel viria a participar como dirigente (?!...), vindo a falecer em 7 de Abril de 1971, em Dar-es-Salaam no Hospital Chinês de Kurassine.
O mais sentimental da passagem desta parte da nossa história, foi a coragem da mama Celina Simango ter acompanhado o seu esposo,cumprindo fielmente a jura celebrada no casamento cristão:
“Ate que a morte nos separe” juntamente com outros mártires a um destino que até hoje os Moçambicanos desconhecem oficialmente. Uma accao perpetrada pela Frelimo, anti defensor de um Estado pluralistas apos a queda do regime colonial Português em Mocambique.

No dia das Mulheres Moçambicanas, resgato a memória da mama Celina Simango, mãe humilhada, torturada e vilipendiada somente por não renegar o seu marido, Reverendo Uria Simango, então Presidente Interino da FRELIMO após a morte de Mondlane em 3 Fevereiro de 1969.
Faço minhas, as palavras do único sobrevivente do grupo de Nachingweia, meu amigo João Craveirinha, que tive a grande oportunidade de conhecer:
“Na figura dessa MULHER, Esposa, Mãe, Celina, se resgatam todas Mulheres Moçambicanas ou Mocambicanizadas que foram caluniadas, presas e enviadas a fatídicos campos da morte por Moçambique fora e em Niassa, nas diversas operações produção desde 1975. Mulheres violentadas na condição humana, e, outras na fuga, devoradas por leões ou mortas por metrelhadoras kalashnikovs”.
Exigimos a reposição da verdade da nossa Historia na condição de mulher que foi Celina Mulhanga Simango.

Dedico este pequeno artigo aos seus filhos, Lutero e Davis Simango, esposas e netos, como também as futuras geracoes.

Ps. Em muitas partes do Mundo onde existiu o totalitarismo politico, deixou-se vestígios, sequelas e mas recordacoes que são difíceis de se esquecer enquanto continuarmos vivos neste Mundo.
Moçambique, não foge desta regra.
Passados 32 anos apos o Pais ascender a Independência, existem muitos Mocambicanos, conhecidos e desconhecidos, que transportam dentro de si, as consequências das amarguras e sofrimento do então regime monopartidario stalinista.
Uma verdadeira reconciliacao, requer reconhecimento dos erros cometidos contra os direitos cívicos, políticos, e a vida.
Fazendo isto, permitira ao povo reencontrar com a verdadeira historia.
Papa João Paulo II foi um exemplo no Mundo ao pedir perdão dos erros cometidos pela Igreja Católica.
Perdoar não ‘e esquecer!
Mas perdoar ‘e a melhor forma de estar da espécie humana para o reencontro das famílias e convívio entre os Homens no Mundo.

Linette Olofsson
7 Abril 2007

O Homo Sibindycus

O presidente do Pademo, Wehia Ripua, era simplesmente fascinante quando, bom circense, aparecia na televisão com uma cana de pesca a dizer que estava a pescar a corrupção da Frelimo. Até que um dia decidiu que era melhor regressar à casa paterna e, como belamente dizemos, "prontos", Ripua começou a vituperar a oposição à qual pertenceu e da qual se cansou. E assim desapareceu da visibilidade o Homo Ripuensis.
Mas bem mais interessante do que Ripua é o turbantoso Yá-Qub Sibindy, expulso de Renamo em 2000, que, após ter mudado de nome e de religião, convertendo-se ao islamismo, fundou o PIMO, partido no qual quis inicialmente injectar um alma islâmica agressiva e um estatuto jurídico respeitável.leia +

Mugabe investido como candidato presidencial

Chefe de Estado zimbabweano, Robert Mugabe, foi sexta-feira investido pelo seu partido como candidato à eleição presidencial prevista para 2008, anunciou um porta-voz da ZANU-PF. Mugabe, 83 anos, está no poder desde a independência do país em 1980.leia +

quinta-feira, março 29, 2007

Os apoiantes do Mugabe

Não lamentável assistirmos mocambicanos que defendem com garras e dentes a brutalidade do Mugabe? leia +