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sexta-feira, setembro 21, 2012

Raptos: Detido suspeito de mandante

A polícia deteve ontem o empresário Bakir Ayoob, acusado de ser um dos supostos mandantes dos sequestros aque se vêm registando nas cidades de Maputo e Matola. Trata-se do primeiro caso no qual o detido é um presumível mandante desde que a vaga de sequestros eclodiu em finais do ano passado.

sábado, setembro 10, 2011

Mohamed Bachir já começou a pagar o que deve

Mohamed Bachir Sulemane já começou a pagar as dívidas detectadas recentemente pela Procuradoria-Geral da República.
De acordo com o jornal electrónico “Media Fax”, Bachir terá já pago cerca de metade do valor relativo a sonegação fiscal e aduaneira e fraude cambial.

sexta-feira, setembro 09, 2011

Onde estamos nós metidos?

Editorial

A PGR apareceu-nos na última sexta-feira a “absolver” quem a administração americana, com o aval do próprio presidente Barack Obama apelidou de “Barão de Drogas”. Mas o mesmo comunicado da PGR admite que Mahomed Bachir Sulemane e as suas empresas sonegavam dinheiro ao Estado. Di-lo com imensa naturalidade e acrescenta, quase em tom de que acaba de conquistar um troféu que o MBS já está a devolver. Di-lo com um descaramento assustador, é o que podemos pensar partindo a ousadia de quem parte. Ler mais

domingo, setembro 04, 2011

Mohamed Bachir Sulemane, "barão da droga" conforme USA Treasury recusa a...


A PROCURADORIA-GERAL da República (PGR) não apurou indícios suficientes da prática de actos que consubstanciem o tráfico de estupefacientes ou substâncias psicotrópicas por parte do empresário moçambicano e Presidente do Grupo MBS, Mohamed Bachir Suleman.

No entanto, refere ainda o comunicado, foram apurados indícios suficientes de factos que tornam necessária a acção do Ministério Público nos termos da lei, na sua função de controlo da legalidade, nomeadamente: violação dos procedimentos relativos ao desembaraço aduaneiro; reiterada violação da legislação cambial; prática de infracções aduaneiras e prática de infracções fiscais...

Fonte: Jornal Notícias. (03.09.2011)

Reflectindo: Recomendo à escuta das declarações de Bashir no vídeo retirado aqui

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Desenvolver Moçambique: “Pai Natal Veio de Helicóptero e Distribuíu Narcóticos”!!!

Por Jonathan McCharty

Com os eventos que abalaram a “Pérola” na parte final de 2010, veio-me aqui à memória, aquela imagem assídua de Paul Fauvet, todas as manhãs, quase uma década e meia atrás, acompanhando sua filhinha à escola, na parte mais “Polana” da Av. Eduardo Mondlane!! Aquela menininha, hoje deve ser já uma moça, se calhar até a frequentar o ensino superior!!

Faço esta observação, porque após a acusação de MBS como um “Barão da Droga”, Fauvet não deixou abalar as suas convicções sobre o assunto e publicou um artigo “sem espinhas”, revisitando a história e fazendo transpirar a inoperância e quiçá, conluio das nossas autoridades, pela forma como estamos impávida e serenamente a nos estabelecer como rota segura do narcotráfico!! “Rota segura”, porque não há e nunca houve consequências para os perpetradores!! Aliás, os defendemos, os acolhemos, lhes damos passaportes biométricos!! A atitude de Fauvet, que nada mais fez para além de reportar factos registados e nunca refutados, foi de louvar e enquadra-se naquilo que se considera “cidadania responsável”!! É por nós, nossos filhos e futuro da nossa Nação, que ninguém deve vacilar em denunciar questões cancerígenas como esta! E, ninguém pode acusar Fauvet de não ser pró-governamental, dos pés à ponta dos cabelos (apesar de muitos se terem já mandado a vida – falo de cabelos) na maioria dos seus escritos. Ler mais

sábado, dezembro 18, 2010

Uma leitura desapaixonada dos Wikileaks

EDITORIAL do Savana

Os documentos confidenciais da Embaixada dos Estados Unidos em Maputo, divulgados a semana passada sobre Moçambique, oferecem uma leitura interessante, mas ao mesmo tempo intrigante sobre a situação neste país.
Trata-se de memorandos diplomáticos de rotina, enviados pelo então Encarregado de Negócios Todd Chapman, que na ausência prolongada de um embaixador, assumia as funções de chefe de missão. Chapman é um espião de carreira, e o facto de o governo dos Estados Unidos o ter mantido por tão prolongado período à frente da sua missão diplomática mostra o nível da classificação atribuída por Washington nas suas relações com Moçambique. Significa, em termos práticos, que para os Estados Unidos, Moçambique passava a assumir a classificação de um assunto de segurança, extravasando o simbolismo do excelente relacionamento político entre estados, que representa a troca de embaixadores. Esta mensagem subtil talvez não tenha sido devidamente captada em Maputo, mas os desenvolvimentos dos últimos seis meses são muito reveladores do que se passava e se pensava em Foggy Bottom sobre Moçambique.

sexta-feira, junho 11, 2010

Departamento do Tesouro promete trabalhar com as autoridades moçambicanas

Para o esclarecimento do “Caso MBS”

- os americanos negam que, nalgum momento, tenha sido retirado nome de um traficante na lista de nível 1, onde consta actualmente Momad Bachir e mais 4 outros supostos traficantes mundiais - ao que parece, o governo moçambicano continua a fazer jogo de cintura em relação ao caso, o que sugere, para alguma opinião pública, a existência de guerra de opinião em relação ao posicionamento a tomar.

quinta-feira, junho 10, 2010

Tesouro Americano desafia MBS a defender-se na Justiça Americana

O Departamento de Tesouro Norte-Americano, através do seu Director do Escritório para o Controlo dos Fundos Estrangeiros (OFAC), Adam J. Szubin, não apresentou as provas por que clama parte da opinião pública nacional, que justifiquem a Designação Especial do empresário moçambicano Momade Bachir Suleiman (MBS) como Barão da Droga. Em vídeo-conferência de imprensa, esta semana, entre Washington DC e Maputo, Adam Szubin desafiou o Sr. MBS a defender-se na Justiça Americana, para que então apresentem as provas contra si.
Szubin deixou no ar um aviso que o processo apenas começou. Uma semana após Momade Bachir Suleiman convocar a imprensa para declarar a sua inocência face a medida da Administração Obama de o classificar como “Barão da Droga” internacional, o Departamento de Tesouro Norte-Americano deu o troco…pela mesma moeda.

Reflectindo sobre caso MBS e o narcotráfico

Por Domingos Alexandre Simbine

O arrolamento do patrão do Grupo MBS na lista dos barões do narcotráfico pelo governo norte-americano pode levar-nos a uma série de reflexões. Numa primeira fase, podemos considerar que o aparecimento deste compatriota naquela lista vem a confirmar as alegações ou interpretações diversas em relação à sua riqueza abrupta, as suas ligações com o tráfico de droga e influência política.
Mas, na minha forma de ver, isto resulta do facto de que não parece haver transparência no processo de enriquecimento em Moçambique. Por exemplo, é fácil encontrar informação sobre como Henry Ford, Toyoda, Honda, Bill Gates, entre outras personalidades do mundo dos negócios conseguiram sair do nada e tornaram-se ricos. Essa informação pode ser encontrada nos diferentes livros de economia, gestão, marketing, na Internet, em biografias e autobiografias, etc. Mas, os poucos homens bem sucedidos no mundo dos negócios que temos em Moçambique, vivem em seus mundos fechados, pouco ou nada sabemos sobre como é que conseguiram vencer na vida e se tornarem ricos – dando aso a uma série de especulações, por vezes acertadas, por vezes não, através dum sistema de comunicação expontânea.

Escrevendo as suas histórias de luta pelo sucesso, o País iria ganhar de várias formas, nomeadamente, no campo económico-pedagógico – mostrar aos outros cidadãos como as pessoas podem definir o seu próprio destino; decidir sobre o seu sucesso, com base no esforço próprio, objectividade e determinação; no campo espiritual – mostrar que para se ser rico não é preciso ter sorte, ir a um curandeiro ou dizimar membros da família – é só uma questão de pensar e agir como rico; no campo do direito, mostrar que é possível ser-se rico sem recorrer a práticas de corrupção e tráfico de influências, pagando/cumprindo com as suas obrigações para com o Estado; no campo político – demonstrar que não precisamos de recorrer ao lambebotismo político-partidário para vencermos.
Deixem-me abrir um parênteses para dizer que a tarefa de escrever as histórias dos nossos homens de sucesso no mundo dos negócios não é pura responsabilidade deles mesmos, mas também dos nossos escritores, cineastas, realizadores – já basta de miopia no seio da nossa literatura e cinema – com os autores a produzirem o que acham bonito e bom para eles, vendendo as suas obras basicamente dentro da sua classe e a queixarem-se de que o Estado não olha por eles – é preciso produzir para informar e formar os nossos cidadãos. Também gostaria que histórias de sucesso no mundo dos negócios aparecessem nos livros escolares, nos mídia, em documentários, filmes, etc., para inspirar as novas gerações – já basta de exemplos dos Fords, Hondas, Toyodas, Phillips, Bill Gates e companhia. Quero exemplos de meus compatriotas para que eu perceba que não só é possível enriquecer na América, Ásia e Europa, mas também no meu país e em África no geral.
Associado a isto está o preconceito, que os moçambicanos têm do dinheiro e da riqueza – associar a riqueza e o dinheiro à superstição, ao tráfico de droga e de órgãos humanos, à corrupção, ao crime, ao mal, etc. Aliás, isto não vem por acaso, em Moçambique são muito poucas as pessoas que conseguem ficar ricas honestamente, porque como deve ser do domínio público, o nosso país é um dos lugares mais difíceis de fazer negócio no mundo. O nosso sistema de licenciamento de actividades económicas, a banca, a nossa legislação fiscal e outros instrumentos de regulação parecem, quanto a mim, estarem mais próximos de dificultar a um cidadão comum de exercer a uma actividade económica/comercial do que facilitar.
Voltando ao assunto em questão, “Mohamed Bachir Suleman arrolado pelo Estado norte-americano como um dos barões do narcotráfico” – pessoalmente gostaria de saber se o MBS publica normalmente as suas contas em jornais ou no Boletim da República? Se o MBS estaria em condições de demonstrar o cumprimento normal das suas obrigações fiscais e alfandegárias? Ou seja, quanto paga de imposto e quanto é que devia pagar comparado com as outras empresas da mesma dimensão? Também gostaria de saber se o MBS estaria em condições de publicar a lista dos seus accionistas? Etc. Talvez isto venha a ajudar a esclarecer ou demonstrar a inocência ou não do nosso compatriota. Vir à imprensa declarar-se inocente é a coisa mais fácil de fazer para lavar a imagem. Mas não basta autodeclarar-se inocente, é preciso provar com factos.
Até aqui não vi nenhum pronunciamento do Procurador Geral da República sobre a matéria, seria bom que em nome do Estado Moçambicano esta entidade se pronunciasse e informasse que passos estão ou serão dados para esclarecer (o mal entendido) e limpar a imagem de Moçambique. Quero que o mundo saiba que em Moçambique é possível enriquecer honestamente. Quero que o mundo saiba que em Moçambique existem instituições sérias e comprometidas com a justiça e que não pactuam com o crime seja qual for o grau de influência económica, social ou política dos seus praticantes. É uma questão de soberania nacional – ou seja, trata-se da imagem do cidadão moçambicano Mohamed Bachir Suleman, mas também do bom nome de Moçambique.

Mais não disse, nem sequer quis dizer!

Fonte: Jornal Notícias - 08.06.2010

Acusações do Estado americano ao grupo MBS

A montanha pariu rato…

Maputo) O chefe do gabinete de controle de bens estrangeiros do Departamento do Tesouro norteamericano, Adam Szubin, não apresentou provas das acusações de narcotráfico imputadas ao empresário Mohomed Bachir Sulemane.
Numa videoconferência bastante concorrida pela imprensa nacional e estrangeira, mesmo perante a insistência dos jornalistas, em nenhum momento aquele alto funcionário do Estado norteamericano apresentou evidências concretas, tendo se limitado a referir que não é competência do Departamento do Tesouro apresentar provas nem evidências para aplicar sanções a “barões da droga estrangeiros” a fim de proteger o seu sistema financeiro.
Insistiu que as sanções aplicadas contra o empresário moçambicano decorrem de procedimentos administrativos e civis e não de um procedimento criminal, afirmando que o procedimento criminal, entretanto nunca instaurado contra Bachir, é da competência do Departamento de Justiça, se assim o entender.
“Não estamos a falar de um processo criminal, mas sim de um processo administrativo. O nível de prova não é levar a um processo judicial, mas informar aos bancos”, referiu.
Adam Szubin disse que não houve um procedimento jurídico na instauração do processo, mas, apesar de questionado pelos jornalistas, não explicou as razões de se aplicarem sanções a um indivíduo sem que tenha havido um procedimento jurídico.
Nas suas palavras, o governo norteamericano acredita na justeza dos seus procedimentos, tendo acrescentado que o nome de Bachir pode ser retirado da lista, desde que este accione mecanismos adequados e que prove a sua inocência. (R.Senda e A. Nenane)

Fonte: MediaFAX - 10.06.2010

quarta-feira, junho 09, 2010

Opinião de Jonathan McCharty

....Só um cidadão desatento é que não consegue perceber a embrulhada e a vulnerabilidade a que se expôs o Governo Moçambicano, da sua cabeça aos pés!! Quando o “melhor amigo” do partido no poder e do Governo do dia é acusado pela nação mais poderosa do mundo, de ser não apenas traficante, mas “Barão do Narcotráfico”, de forma explícita se está a afirmar categoricamente que o “Partido no poder” e o “Governo de Dia” de Moçambique estão de conluio com o tráfico de drogas!! Esta consequência directa é cristalina como a água!!
Foi de muito mau agoiro, a ideia do Ministro do Interior se apressar e vir a terreiro defender o seu “patrão”, alegando que “de acordo com o nosso sistema juridico-legal, o acusado de contrabando tem a ficha limpa”!! Um Alto Magistrado do calibre de um “Ministro do Interior” tem que ter cautela e ser prudente, quando se trata de matérias sensíveis e de âmbito internacional como estas, e que da noite para o dia, podem arrastar o Estado, o seu Governo e toda uma Nação para o descrédito!! Se as averiguações e investigações ora em curso ou a iniciar, não só por actores nacionais, mas também por organismos internacionais como a Interpol provarem que, de facto, Bachir é “heavy-weight champion do narcotráfico”, o que Pacheco quererá que nós o Povo Moçambicano e o comunidade internacional percebam do nosso “sistema jurídico-legal” e dos nossos mais altos governantes???
Outro precedente que esta situação insólita criou (e que poucos actores estão a equacionar neste momento), é que podemos ter já criado condições para a entrada no país de instituições que não virão aqui para salvaguardar os interesses dos Moçambicanos, mas dos seus próprios países
!!
E, esta não é situação para os nossos “Nacionalistus” padecendo de “Mentecaptitis” virem apontar o dedo à “mão ou interferência externa”,...

Nota: clique a parte azul do texto para ler todo o artigo no Desenvolver Moçambique.

terça-feira, junho 08, 2010

EUA forneceram «todas as informações necessárias» sobre o «caso Bachir»

As autoridades norte-americanas forneceram “todas as informações necessárias” ao governo de Moçambique para este poder agir no “caso Momade Bachir Sulemane”, empresário acusado pelos EUA de narcotráfico, assegurou hoje o executivo de Maputo.
O porta-voz do Conselho de Ministros de Moçambique, Vítor Borges, disse aos jornalistas que “as instituições relevantes terão tido todas as informações necessárias para poder agir” e que “a instituição apropriada (Procuradoria-Geral da República) está a trabalhar nisso”, no “caso Bachir”.
Na quarta-feira passada, o Departamento do Tesouro dos EUA colocou o empresário moçambicano na sua lista de “barões da droga” e ordenou o congelamento dos seus bens (que eventualmente tenha nos EUA), proibindo ainda negócios entre ele e cidadãos norte-americanos.
Reagindo, Momade Bachir Sulemane disse ser “inocente” e exigiu provas ao Departamento do Tesouro norte-americano, através d a embaixada na capital moçambicana.
Em comunicado hoje divulgado, a representação diplomática norte-americana em Maputo anunciou que Adam Szubin, director do Gabinete de Controlo de Bens Estrangeiros do Departamento do Tesouro (OFAC, sigla em inglês), fará quarta-feira um anúncio à imprensa, em vídeoconferência, “relativo à aplicação de sanções a entidades da propriedade do Barão da Droga, Momade Bachir Sulemane”.
Após a acusação, as autoridades norte-americanas e moçambicanas contradisseram-se nas informações sobre a tramitação dos documentos do suposto envolvimento do empresário no narcotráfico.
Os EUA garantiram ter comunicado oficialmente ao governo moçambicano sobre o processo, mas o ministro do Interior, José Pacheco, afirmou, de seguida, que o executivo de Maputo não foi notificado das acusações que pendem sobre Momade Bachir Sulemane.
“Não fomos notificados das acusações que pendem sobre ele. Não temos provas”, disse José Pacheco.
O Procurador-Geral da República (PGR), Augusto Paulino, “designou uma equipa de quadros” da Polícia de Investigação Criminal (PIC), “sob direcção, supervisão e orientação técnica” do Ministério Público, para averiguar o caso, com base “nas informações veiculadas pela imprensa”.
Hoje, o porta-voz do Conselho de Ministros garantiu que “as instituições apropriadas do país estão a tratar deste caso”.
“Julgo que deveríamos aguardar o trabalho que está a ser feito e, em devido momento, saberemos” os resultados, disse Vítor Borges, assinalando que o assunto “não foi abordado na 19ª sessão ordinária do Conselho de Ministros”.
“Moçambique é Estado de Direito, há instituições apropriadas que se ocupam de certas matérias, vamos deixar que se ocupem delas e, no devido momento, a informação será veiculada”, concluiu o governante.

Fonte: NOTÍCIAS LUSÓFONAS – 08.06.2010

segunda-feira, junho 07, 2010

Drugs - US Embassy Contradicts Interior Minister

The US embassy in Maputo has told reporters that the US government's decision to name Mozambican businessman Mohamed Bachir Suleman as a drugs "kingpin" was duly transmitted to the Mozambican authorities.
"The US government is in regular communication with the Mozambican government about this case", the embassy stated in a press release.
This contradicts a statement made on Friday by Mozambican Interior Minister Jose Pacheco that the government had not been notified of the accusations against Bachir.
The US press release makes no specific demands on the Mozambican government, merely saying that the US government "encourages all countries to take kingpin designations seriously and perform the investigations or other actions that they deem appropriate".
The release confirms that the embassy received a letter from Bachir protesting against the accusations. The embassy reacted by first contacting the US Treasury Department (the body responsible for keeping the list of drug barons), and then "responded to Mr Suleman, including encouraging him to be in direct contact with the Department of the Treasury to provide any information that he deems appropriate, and to obtain full details on the appeals process provided by the law".
It adds that the Treasury Department "has legal authority to deal directly with any individual or entity designated on the list, and has a clear and consistent policy and procedure for communication and appeals".
Meanwhile, the Mozambican Attorney-General's Office has announced the creation of a team from the Criminal Investigation Police who will investigate the accusations against Bachir. The team is working under the guidance of the Attorney-General's Office.
Pro-Bachir propaganda is now appearing in parts of the Mozambican press. Thus a the Sunday paper "Domingo" carried a full page editorial under the headline "Bachir case: what if Obama is wrong?"
It complains that the US government "did not hear the accused. It charged him and condemned him by administrative means". The paper claims this is a violation of the legal principle that an accused person is considered innocent until proven guilty.
"Domingo" seems not to understand that Bachir is not currently facing criminal charges in the United States or anywhere else. The US law concerned, the 1999 "Foreign Narcotics Kingpin Designation Act", is designed, not to haul the kingpins before the courts, for which a higher degree of proof would certainly be demanded, but to prevent suspected drug traffickers gaining access to the US financial system and to US assets.
On the lookout for a conspiracy, "Domingo" notes that Obama's announcement followed claims that the terrorist group Al-Qaeda has training camps in Mozambique (promptly denied by the Mozambican authorities).
The link between the Al-Qaeda claim and the Bachir case has been made in several quarters - some, like "Domingo", denying both claims, and others, such as Renamo leader Afonso Dhlakama, accepting them both.
In fact, the claims are completely different. The accusation against Bachir comes from the US government which, whether one likes it or loathes it, must be regarded as a serious source, whereas the chatter about Al-Qaeda came from the NEFA Foundation, a private anti-terrorist body with no obvious expertise on southern Africa, but which needs to keep alive the spectre of terrorism here, there and everywhere, in order to keep the money rolling in.
The weekly paper "Scorpiao" goes even further than "Domingo", carrying an opinion article under the headline "We are in solidarity with Bachir for the defence of Mozambican identity".
This article alleges that the US government is trying to destroy Bachir in order to perpetuate US dominance over Mozambique. "It is on the agenda of the Americans to denigrate the good image and good name of Mozambicans, and discredit the entire struggle against poverty that we are waging", it claims.
Elsewhere in the paper, its director Carlos Andre argues that drug barons are protected by private armies, and do not walk around freely in public. Since Bachir does appear in public and does not have a private army, he can't be a drug trafficker.
Slightly less absurd is Andre's claim that the Americans may have made a mistake. 141 names were removed from the list of drug barons in 2008 and 76 in 2009, and in some cases this was because of "mere coincidence in names".
Although it is entirely possible that there are other people in Mozambique's substantial Moslem community with the name Mohamed Bachir Sulemane, there is only one MBS Group, one Kayum Centre and one Maputo Shopping Centre, the companies named by the US Treasury Department.

Pf/ (751)

Fonte: Allafrica - 07.06.2010

Reflectindo: who are the pro-drug barons? We do know them.

EMBAIXADA DOS E.U.A.ESCLARECE CASO BACHIR SULEMAN

Em comunicado de imprensa enviado, hoje, à Redacção do nosso Jornal, a Embaixada dos Estados Unidos da América confirma a recepção de uma carta do Sr. Bachir Suleman, em resposta à designação da Casa Branca e do Departamento do Tesouro como um barão de droga. E refere que após a recepção de informações dos representantes do Departamento do Tesouro, a Embaixada respondeu ao Sr. Suleman, incentivando-o ao mesmo tempo a estar em contacto directo com o Departamento do Tesouro para prestar qualquer informação que julgar pertinente, e para obter detalhes completos sobre o processo de recurso previsto pela lei. Como a entidade do governo dos E.U.A., responsável pela aplicação da lei, o Departamento do Tesouro tem a autoridade legal para lidar directamente com qualquer pessoa ou entidade designada na lista, e tem uma política e um procedimento claro e consistente para a comunicação e recursos.
A mesma nota sublinha que o governo dos E.U.A. está em comunicação regular com o governo moçambicano sobre este caso, e encoraja todos os países a tomar a sério as designações dos barões de droga e realizar as investigações ou outras acções que considerarem adequadas.

Fonte: WAMPHULA FAX – 07.06.2010

Reflectindo: estamos a espera dessa data que a imprensa mocambicana poderá entrar em contacto com o DTA, mas como é do interesse público, a imprensa tem que fazer esforco para ter os detalhes junto ao Departamento do Tesouro dos EUA.

Governo moçambicano e Embaixada dos EUA contradizem-se sobre o “caso MBS”

“O Governo moçambicano não tem e nunca teve conhecimento sobre o narcotráfico praticado pelo empresário Mohamed Bachir Sulemane.” – vice-ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Henrique Banze “O Governo dos EUA está em comunicação regular com o Governo moçambicano sobre este caso, e encoraja todos os países a tomarem a sério as designações dos barões da droga e a realizarem as investigações ou outras acções que considerarem adequadas.” – comunicado da embaixada dos EUA

O Governo moçambicano abordou, pela primeira vez, o caso da designação do empresário moçambicano Mohamed Bachir Sulemane, como “barão da droga”, pelo Departamento do Tesouro dos EUA. Embora a ocasião não fosse para isso, o ministro do Interior, José Pacheco, e o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Henrique Banze, aceitaram responder às questões de jornalistas sobre o caso. Henrique Banze disse que o Governo nunca foi abordado pela sua congénere norte-americana sobre o assunto, e que tudo quanto sabe foi através da imprensa. Esta informação é contraditória com a que foi divulgada pela embaixada dos EUA em Maputo, segundo a qual, “o Governo dos EUA está em comunicação regular com o Governo moçambicano sobre este caso”.
Foi à margem da assinatura de um acordo de cooperação entre o Governo e representantes dos EUA que o assunto foi abordado pelos governantes. Henrique Banze considerou que a designação de Bachir como “barão da droga” é uma “acusação preocupante e grave” para Moçambique, alegando que “está em jogo a boa reputação do país no sistema internacional, dado que Moçambique assinou algumas convenções internacionais sobre combate ao tráfico de droga”.
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação disse que, neste momento, “Moçambique poderá ser mal visto pela comunidade internacional”, por isso há necessidade de investigar o caso com a maior urgência.

Já foi indicada uma equipa para investigação

Segundo um comunicado da Procuradoria-Geral da República, o Ministério Público já designou uma equipa da Polícia de Investigação Criminal (PIC) para iniciar a investigação do suposto envolvimento de Bachir no tráfico de droga e em lavagem de dinheiro. Esta é a hipótese que já tinha sido adiantada ao Canalmoz por uma fonte governamental, no mesmo dia em que o comunicado da Casa Branca começou a circular na imprensa nacional e estrangeira.

Pacheco diz que Bachir tem cadastro limpo

Por sua vez, o ministro do Interior, José Pacheco, disse, na mesma ocasião, que “não há incidências que indiquem envolvimentos do Bachir no mundo do crime”. Pacheco revelou que decorrem investigações internas para apurar a veracidade da informação posta a circular pela presidência norte-americana, sem precisar se a investigação em causa é feita em colaboração com o Governo dos EUA.

Embaixada dos EUA diz que o Governo está a par de tudo

Por sua vez, a Embaixada dos EUA emitiu um comunicado na mesma sexta-feira em que o Governo abordou o caso, informando sobre a recepção da carta de Bachir a requerer audiência com a embaixadora norte-americana em Moçambique, Leslie Rowe. “Após a recepção de informações dos representantes do Departamento do Tesouro, a Embaixada respondeu ao Sr. Sulemane, incentivando-o ao mesmo tempo a estar em contacto directo com o Departamento do Tesouro para prestar qualquer informação que julgar pertinente, e para obter detalhes completos sobre o processo de recurso previsto pela lei”, lê-se no comunicado, que, entretanto, diz que o Governo moçambicano está a par de tudo.
“O Governo dos EUA está em comunicação regular com o Governo moçambicano sobre este caso e encoraja todos os países a tomarem a sério as designações dos barões da droga e a realizarem as investigações ou outras acções que considerarem adequadas”.
Por outro lado, a Embaixada norte-americana em Maputo diz que “está a organizar uma oportunidade para os membros dos meios de comunicação poderem falar directamente com um representante do Departamento do Tesouro para mais esclarecimentos, que será anunciada oficialmente quando os detalhes forem finalizados”. (Borges Nhamirre e António Frades)

Fonte: CanalMoz - 07.06.2010

sábado, junho 05, 2010

A caridade de Bachir

Momade Bachir Sulemane compra objectos de dirigentes a valores astronómicos para depois oferecê-los às esposas dos donos dos objectos.
Por exemplo, comprou por mais de um bilião de meticais (antiga família) o cachimbo do actual Presidente da República, Armando Guebuza, o qual ofereceu, posteriormente, à sua esposa, Maria da Luz Guebuza, na altura em que o marido era secretário-geral da Frelimo e candidato à Presidência da República.
Nas vésperas do Nono Congresso da Frelimo, realizado em Quelimane, Zambézia, em 2006, Bachir tirou mais de um milhão de meticais para adquirir duas canetas do Presidente da Frelimo e da República, Armando Guebuza, tendo depois oferecido a sua esposa.
No último encontro do Comité Central, antes das eleições de 2009, Bachir voltou a libertar mais de um milhão de meticais para apoiar o partido Frelimo e o seu candidato.
Durante a campanha eleitoral de 2009, Bachir terá se responsabilizado pela colocação de painéis eléctricos e reclames de propaganda da Frelimo e Guebuza nas cidades de Maputo e Matola. Terá ainda oferecido ao partido no poder cerca de USD800 mil.
Bachir é apontado como uma pessoa que captura os partidos políticos, estendendo a sua influência política.
Para solucionar a falta de estacionamento no Maputo Shopping Centre, Momade Bachir ofereceu-se a comprar, mesmo de fronte do complexo, o bairro da Marinha, concebido para albergar oficiais da Marinha. O projecto teve um bom acolhimento no seio do Ministério da Defesa Nacional aparentemente graças aos valores envolvidos.

Fonte: SAVANA - 04.06.2010

sexta-feira, junho 04, 2010

MDM reage ao “caso MBS”

“Governo moçambicano deve agir com urgência e defender a verdade” – diz Lutero Simango, chefe da bancada do MDM, que exige uma declaração oficial do Governo, para que não pareça cúmplice de traficantes de droga.

As reacções em torno do alegado envolvimento do empresário moçambicano e presidente do grupo empresarial MBS, Mohamed Bachir Sulemane, no narcotráfico e branqueamento de capitais já começaram a surgir. O Movimento Democrático de Moçambique convocou, na manhã desta quarta-feira, uma conferência de imprensa na qual disse que o relatório do Departamento do Tesouro norte-americano carece de uma reacção urgente e séria do Governo, porque “não se trata de nenhuma brincadeira”.
Lutero Simango, chefe da bancada parlamentar daquele partido na Assembleia da República, disse que se trata de uma acusação “muito grave” e que o Governo moçambicano deve agir com “a maior urgência possível”, porque, neste momento, todos os moçambicanos querem saber o lado da verdade e, sobretudo, a responsabilidade do Governo.
O MDM considera que se trata de um assunto “muito sério”, porque a Casa Branca não só declara o cidadão moçambicano Mohamed Bachir Sulemane como “Barão da Droga”, assim como afirma que Moçambique está a tornar-se um corredor de tráfico de drogas, devido a fragilidades nas suas fronteiras, causadas pelo elevado nível de corrupção.
Lutero Simango concorda com a afirmação sobre fragilidades de segurança e elevado nível de corrupção, tendo apontado como exemplo o aparecimento da doca flutuante de origem incerta na praia de Vilankulos. “É verdade que temos sérios problemas de segurança nas nossas fronteiras. Como é que se explica o aparecimento da doca flutuante nas águas em Vilankulos? Alguma coisa está errada”, disse Simango.

Não está em causa um partido e um cidadão, mas sim o Estado

Visto que Mohamed Bachir tem relações muito próximas com o partido Frelimo e com o Presidente da República, Armando Guebuza, e consequentemente com o Governo, perguntámos ao chefe da bancada do MDM sobre o que se podia esperar como intervenção do Governo, tendo este respondido: “É preciso que o Governo tenha consciência de que está em causa um Estado, está em causa uma República e não estão em causa as relações que o partido Frelimo tem com o implicado”. E acrescentar que é aqui onde o MDM sempre defendeu que o partido é uma coisa, o Estado é outra, e a confusão destes termos é grave. Lutero Simango voltou a repisar que é preciso que o Governo trate este assunto com muita seriedade, por não se tratar de nenhuma brincadeira.
Lutero Simango disse que o Governo moçambicano deve, em nome da verdade e só da verdade, accionar mecanismos nacionais e internacionais para trazer aos cidadãos moçambicanos a verdadeira face da história, para não manchar o nome de toda uma República.
Para o MDM, se o Governo não accionar mecanismos urgentes poderá propiciar uma situação económico-financeira que considerou de “muito difícil” em função das medidas previstas contra os “Barões de Droga”. Disse que o facto de estar interdita a relação comercial com qualquer empresa norte-americana poderá afectar muitas empresas e, consequentemente, pessoas que sobrevivem graças ao MBS.
O MDM diz que não pretende fazer nenhum juízo neste momento e prefere deixar que se produzam provas suficientes que mostrem ou neguem o envolvimento de MBS no narcotráfico e na lavagem de dinheiro, tal como afirma o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos da América.
Entretanto, ao Canalmoz o porta-voz da Renamo, Fernando Mazanga, disse que o líder daquele partido, Afonso Dhlakama, vai reagir nesta sexta-feira, a partir de Nampula. (Matias Guente)

Fonte: CanalMoz - 04.06.2010

Reflectindo: estamos a espera das reacções de todos os partidos políticos. Também estamos a espera das reacções de todos aqueles que são activos nas questões políticas, jurídicas e mesmo económicas do nosso país. Afinal, está em causa o nosso Estado, a nossa soberania e não o ego individual ou de um grupo nem que esse grupo se chame de partidário.

quinta-feira, junho 03, 2010

A TribunaFax sobre o caso Bachir do Grupo MBS

Clique aqui e leia artigos do ATribunaFax edição n°1216, 3 de Jun ho de 2010, com os seguintes títutos:

  • Apoiante da Frelimo na lista negra do narcotráfico
  • Bachir Sulemane e as campanhas da Frelimo
  • Ninguém vai atrever-se em investigar Bachir Sulemane

quarta-feira, junho 02, 2010

MBS: a queda da máscara

Por CIP/Marcelo Mosse

A menção pela Casa Branca de que o proprietário do Maputo Shopping Center, Momed Bachir Suleman (MBS), está envolvido no narcotráfico, simboliza a queda de uma máscara que o Estado moçambicano andou a suportar há mais de duas décadas. MBS é um comerciante do norte de Moçambique que, em meados dos anos 90, no auge da liberalização da economia, começou a prosperar vendendo eletrodomésticos de ponta num mercado sempre sedento de artefactos electrónicos a preços de pechincha.

Bachir tinha um passado modesto, diz-se, de vendedores de capulanas em pequenas cantinas. Em meados de 90, Moçambique era um país completamente mergulhado nas malhas do crime organizado. Abertas as fronteiras e reduzido o poder represssivo e vigilante do Estado, irrompeu uma tentação por dinheiro fácil e o país passou a ser usado como rota de tráfico de droga. Em 1995, quarenta toneladas de haxixe foram encontradas em plena cidade de Maputo mas nunca houve condenados. De la para cá, foram vários os casos de drogas denunciados, ligações expostas, comerciantes que prosperaram nessa maré, mas nunca foram responsabilizados.
Numa democracia emergente e um Estado paupérimo, altos oficiais públicos optaram por viver das luvas da impunidade que ofereciam à grande corrupção e ao crime organizado. Em 2001, num artigo em conjunto com Peter Gastrow, descrevemos as principais formas de lavagem de dinheiro, corrupção e crime organizado em Moçambique, identificando a excessiva penetração que as redes criminosas tinham no Estado, nomeadamente na Polícia, nas Alfândegas e na Justiça. Na altura, até dissemos que Moçambique era um Estado criminalizado, devido a essa penetração criminosa nas suas estruturas dirigentes. E acrescentamos que estava a beira do chamado state capture. A mim, chamaram-me de anti-patriota e ao serviço de mão externa. Mas o assassinato de Siba Siba Macuacua pôs freio ao rol de acusações, pois, estava alí, trágica, revoltante, uma evidência sem disfarce de uma realidade que apenas ficou menos pugente porque o assassinato do editor Carlos Cardoso teve julgamento e condenações. Por pressão da comunidade internacional.
Os barões moçambicanos sempre cultivaram uma forte consciência de que, para triunfarem, tinham que aliar-se ao Partido no poder, que controla todo o aparato estatal. Desde os tempos de Joaquim Chissano que era normal ver comerciantes ligados a actividades sujas oferecerem enormes quantias de dinheiro ao Partido Frelimo em tempo de eleições, numa prática de financiamento político desarmado de regras, que era o mesmo que comprarem a sua impunidade ou a vista grossa do Estado em matéria fiscal e aduaneira. Lembram-se das jantaradas em que o antigo presidente recebia directamente dinheiros da chamada comunidade empresarial de Maputo? Existem fotos documentando Nini Satar em ofertórios generosos à nata do partidão.
MBS cultivou ferozmente esse desiderato. De pequeno cantineiro de venda de capulanas em Nampula, tornou-se em pouco tempo um importante agente económico em Moçambique, um grande contribuinte, como sói dizer-se. A sua Kayum Center, na Karl Marx, era, antes do Maputo Shopping Center, o principal mercado de electrodomésticos de Moçambique, ao mesmo tempo que mantinha algumas lojinhas de capulanas nos subúrbios para cumprir a tradição.
Nos corredores de Maputo, o crescimento pujante do seu negócio era algo que assustava e deixava incrédula toda a gente. Amigos na Polícia e nas Alfândegas sussuravam explicações óbvias, mas nunca ninguém ousou levá-las às últimas consequências: MBS triunfava não com negócios limpos, mas porque estava ligado à droga. Por isso, todo o moçambicano que ouviu hoje a bombástica notícia, respira um alívio cumplíce: já sabíamos!!! Todos sabíamos, mas quem ousaria meter a mão num homem que alimentava o partidão?
Aliás, esta relação de MBS com o Partido é reveladora da promiscuidade entre política e negócios em Moçambique. E MBS soube usar desse trunfo, da noção de que o Partido era o centro do poder e que para manter esse poder precisaria de dinheiro para aguentar campanhas eleitorais desgastantes e tão caras dada a dimensão do país. Por isso, quando Armando Guebuza emergiu como sucessor de Chissano, quase a contragosto deste, MBS alimentou o novo candidato, comprando os seus cachimbos a preços astronómicos, oferecendo canetas de luxo mas comprando-as logo a seguir, voltando a oferecer os mesmos cachimbos (que Guebuza aparentemente ja não usa), financiando o Congresso do Partido em Quelimane, tornando esta força política numa das suas lavandarias instrumentais para o funcionamento das redes agora desmascaradas.
Em 2004, na primeira corrida de Guebuza foi assim. Em 2009, também. Embora as chamadas alas honestas do partido soubessem das cavalgadas sujas de Bachir, nunca ninguém teve a coragem de sugerir que isso era perigoso para o país, para a economia, para a sociedade, para o nosso futuro colectivo. Houve sempre um silêncio cúmplice de todos, porque chefe é chefe.
MBS continuou a “progredir” por essa via. Com o partidão na mão, podia fazer sem que ninguém ousasse enfrentá-lo. Nos corredores das Alfândegas, ainda nos tempos em que a corporação aduaneira passava por uma reforma operacional e remoralizadora, os camiões de Bachir, cheios de importações, tinham luz verde para não serem revistados. Mais tarde, quando as Alfândegas regressaram para mãos moçambicanas, e, numa operação obscura em a introdução de scanners de inspecção não intrusiva foi confiada à Kudumba, uma firma de que a SPI (a holding do Partido) é sócia, MBS conseguiu que a sua mercadoria não passasse nesses instrumentos desenhados para impor maior controlo e ordem no comércio internacional, mas que no caso de Bachir nunca foram usados.
A impunidade e a evasão aduaneira já haviam sido compradas há tempo mas, ao longo dos anos, uma série de moçambicanos, figuras com cargos de chefia em departamentos do Estado (Alfândegas, Polícia, Finanças) aproveitaram-se da generosidade narcótica de MBS para construirem impérios de dinheiro, evidenciando enriquecimento ilícito e corrupção desenfreada, à qual o Estado não consegue controlar, mesmo depois de uma Lei (6/2004) e uma Estratégia Anti-Corrupção (2006) terem sido aprovadas sob o slogan da tolerância zero.
A menção pela Casa Branca do nome de MBS como sendo um dos mais influentes barões de tráfico de droga na África Austral é um golpe tremendo que Moçambique recebe por causa da sua relutância em lutar contra a corrupção e o crime organizado de cabeça erguida. Essa relutância não é inocente. Ela resulta da venda de impunidade que alimentou campanhas eleitorais e outras bizarrias de personalidade e imitações de grandeza. O mesmo lugar onde Barak Obama proíbe agora os cidadãos americanos de consumirem, é onde o Partido Frelimo abriu uma loja a custo zero – contra as centenas de USD/mês que custa o aluguer de um m2 para a prática comercial comum – para fazer merchandising dos seus símbolos e camisolas. E é onde, num acesso de provincianismo desmedido, foi instituída uma Guebuza Square, numa imitação insípida à famosa praça de Sandton City.
Esse lugar é o famoso Maputo Shoping Center, que abriu em 2007, depois de um investimento de 32 milhões de USD (segundo tem dito MBS a amigos), alegadamente financiados pela banca. E foi o Presidente Guebuza quem inaugurou o centro. Um dos incentivos dado a esse “grande investimento” foi MBS abastecer a mercearia do centro com produtos importados sem pagarem impostos, numa tremenda concorrência desleal.
Vivendo com salários de miséria, os moçambicanos adoram o Maputo Shopping, pelos baixos preços de mercearia, tal como adoravam o Kayum Center antes deste sofrer um incêndio no ano passado. Do incêndio, a polícia nunca revelou as causas, mas os bombeiros tiveram tremenda dificuldade em debelar o fogo e houve quem dissesse que isso tinha a ver com as “substâncias” que la estavam. Quando o fogo deflagrou, um das caras públicas que acorreu ao local foi o ministro Manuel Chang, das Finanças, pois era preciso consolar um “grande contribuinte”.
Há meses, antes desta grande relevação da Casa Branca, foi anunciado que MBS conseguiu que o Estado lhe trespassasse o recinto da Marinha de Guerra, que fica mesmo defronte ao Shopping na baixa de Maputo. Não houve hasta nem concurso público, e MBS conseguiu mexendo uns pequenos pauzinhos controlar uma valiosa porção de terra na baixa de Maputo.Tem sido assim em Moçambique. A Lei de Procurement (54/2005) ainda não serviu para impor decência nos negócios do Estado e a gestão do solo urbano é feita sem critérios, servindo apenas para enriquecer figuras bem colocadas num país onde a Constituição estabelece que a terra é do povo.
Agora, o Estado moçambicano deve agir para fazer justiça usando as leis nacionais. As autoridades judiciais moçambicanas devem urgentemente solicitar à Justiça americana as evidências que ela diz ter contra MBS e, a partir daí, tomar todas as medidas devidamente enquadradas no direito nacional e no direito internacional aplicável a Moçambique. É uma questão de honra para todos os cidadãos moçambicanos. E é o mínimo que o Presidente Guebuza pode fazer para proteger a nossa dignidade.

Fonte: @ VERDADE - 03.06.2010

MOZAMBIQUE 164 on drugs

1. Drug Kingpin

2. Drugs now biggest business (metical nº 1017 - June 28, 2001)

3. Treasury Sanctions Entities Owned By Drug Kingpin Mohamed Bachir Suleman

4. Letter from the President Regarding the Foreign Narcotics Kingpin Designation Act