Como na FRELIMO nao ha lugar para criticas nem opinioes contrarias a corrente do chefe, torna-se o Partido cego e nao percebe que o seu futuro eh sombrio, ou seja, o seu fim estah a vista. Senao vejamos, a Renamo combate a FRELIMO pela via das armas e me parece que estah a levar vantagem sobre a FIR e as FADM, por um lado e por outro, o MDM estah a combater a FRELIMO do ponto de vista democratico e nao he surpresa para ninguem dizer que o MDM esta a levar vantagem sobre a FRELIMO: conrolara 3 das 4 cidades mais importantes do pais e tera assentos significativos nas outras cidades. De um so adversario, a FRELIMO tem agora 2 grandes adversarios, nomedamente a RENAMO e o MDM. Alias, tem agora 3 ou 4 adversarios, incluindo o povo e os seus militantes que a cada dia estao oferecer votos de confianca ao MDM e estao do lado da RENAMO quanto a crise politico militar.
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quarta-feira, dezembro 04, 2013
quinta-feira, junho 10, 2010
Reflectindo sobre caso MBS e o narcotráfico
Por Domingos Alexandre Simbine
O arrolamento do patrão do Grupo MBS na lista dos barões do narcotráfico pelo governo norte-americano pode levar-nos a uma série de reflexões. Numa primeira fase, podemos considerar que o aparecimento deste compatriota naquela lista vem a confirmar as alegações ou interpretações diversas em relação à sua riqueza abrupta, as suas ligações com o tráfico de droga e influência política.
Mas, na minha forma de ver, isto resulta do facto de que não parece haver transparência no processo de enriquecimento em Moçambique. Por exemplo, é fácil encontrar informação sobre como Henry Ford, Toyoda, Honda, Bill Gates, entre outras personalidades do mundo dos negócios conseguiram sair do nada e tornaram-se ricos. Essa informação pode ser encontrada nos diferentes livros de economia, gestão, marketing, na Internet, em biografias e autobiografias, etc. Mas, os poucos homens bem sucedidos no mundo dos negócios que temos em Moçambique, vivem em seus mundos fechados, pouco ou nada sabemos sobre como é que conseguiram vencer na vida e se tornarem ricos – dando aso a uma série de especulações, por vezes acertadas, por vezes não, através dum sistema de comunicação expontânea.
Escrevendo as suas histórias de luta pelo sucesso, o País iria ganhar de várias formas, nomeadamente, no campo económico-pedagógico – mostrar aos outros cidadãos como as pessoas podem definir o seu próprio destino; decidir sobre o seu sucesso, com base no esforço próprio, objectividade e determinação; no campo espiritual – mostrar que para se ser rico não é preciso ter sorte, ir a um curandeiro ou dizimar membros da família – é só uma questão de pensar e agir como rico; no campo do direito, mostrar que é possível ser-se rico sem recorrer a práticas de corrupção e tráfico de influências, pagando/cumprindo com as suas obrigações para com o Estado; no campo político – demonstrar que não precisamos de recorrer ao lambebotismo político-partidário para vencermos.
Deixem-me abrir um parênteses para dizer que a tarefa de escrever as histórias dos nossos homens de sucesso no mundo dos negócios não é pura responsabilidade deles mesmos, mas também dos nossos escritores, cineastas, realizadores – já basta de miopia no seio da nossa literatura e cinema – com os autores a produzirem o que acham bonito e bom para eles, vendendo as suas obras basicamente dentro da sua classe e a queixarem-se de que o Estado não olha por eles – é preciso produzir para informar e formar os nossos cidadãos. Também gostaria que histórias de sucesso no mundo dos negócios aparecessem nos livros escolares, nos mídia, em documentários, filmes, etc., para inspirar as novas gerações – já basta de exemplos dos Fords, Hondas, Toyodas, Phillips, Bill Gates e companhia. Quero exemplos de meus compatriotas para que eu perceba que não só é possível enriquecer na América, Ásia e Europa, mas também no meu país e em África no geral.
Associado a isto está o preconceito, que os moçambicanos têm do dinheiro e da riqueza – associar a riqueza e o dinheiro à superstição, ao tráfico de droga e de órgãos humanos, à corrupção, ao crime, ao mal, etc. Aliás, isto não vem por acaso, em Moçambique são muito poucas as pessoas que conseguem ficar ricas honestamente, porque como deve ser do domínio público, o nosso país é um dos lugares mais difíceis de fazer negócio no mundo. O nosso sistema de licenciamento de actividades económicas, a banca, a nossa legislação fiscal e outros instrumentos de regulação parecem, quanto a mim, estarem mais próximos de dificultar a um cidadão comum de exercer a uma actividade económica/comercial do que facilitar.
Voltando ao assunto em questão, “Mohamed Bachir Suleman arrolado pelo Estado norte-americano como um dos barões do narcotráfico” – pessoalmente gostaria de saber se o MBS publica normalmente as suas contas em jornais ou no Boletim da República? Se o MBS estaria em condições de demonstrar o cumprimento normal das suas obrigações fiscais e alfandegárias? Ou seja, quanto paga de imposto e quanto é que devia pagar comparado com as outras empresas da mesma dimensão? Também gostaria de saber se o MBS estaria em condições de publicar a lista dos seus accionistas? Etc. Talvez isto venha a ajudar a esclarecer ou demonstrar a inocência ou não do nosso compatriota. Vir à imprensa declarar-se inocente é a coisa mais fácil de fazer para lavar a imagem. Mas não basta autodeclarar-se inocente, é preciso provar com factos.
Até aqui não vi nenhum pronunciamento do Procurador Geral da República sobre a matéria, seria bom que em nome do Estado Moçambicano esta entidade se pronunciasse e informasse que passos estão ou serão dados para esclarecer (o mal entendido) e limpar a imagem de Moçambique. Quero que o mundo saiba que em Moçambique é possível enriquecer honestamente. Quero que o mundo saiba que em Moçambique existem instituições sérias e comprometidas com a justiça e que não pactuam com o crime seja qual for o grau de influência económica, social ou política dos seus praticantes. É uma questão de soberania nacional – ou seja, trata-se da imagem do cidadão moçambicano Mohamed Bachir Suleman, mas também do bom nome de Moçambique.
Mais não disse, nem sequer quis dizer!
Fonte: Jornal Notícias - 08.06.2010
segunda-feira, maio 11, 2009
Dirigentes que nós merecemos
Por Domingos Alexandre Simbine
Por vezes pergunto a mim mesmo, se vale a pena continuar a questionar as atitudes corruptas dos nossos dirigentes. Como que a não encontrar respostas, fico-me pela ideia de que, bom, Deus nos tem dado os dirigentes que merecemos. É-me difícil continuar a exigir que os nossos dirigentes sejam pessoas honestas e transparentes, quando como povo não temos cultura de honestidade nem de transparência. Quantos chefes de família partilham os seus rendimentos e despesas de forma aberta e transparente com as suas famílias?
Aliás, quantos filhos conhecem os salários de seus pais e a forma como os mesmos são distribuídos pelas despesas a cada fim do mês? Quantos homens constroem mansões ou compram viaturas para amantes por aí e à revelia das suas famílias? Quantos homens em Moçambique sabem que o que eles ganham não é somente propriedade sua, mas sim, propriedade dos seus lares. Quantos chefes de família estão preparados para prestar contas às suas famílias (lares) sobre o que fazem ou devem fazer com os rendimentos que auferem? Quantos de nós têm consciência de que a herança da viúva lhe pertence a si a seus dependentes e não aos familiares do defunto marido? Quantos homens estariam preparados para abdicar dum copo de cerveja com amigos e amantes, para garantir que seja acesa a fogueira em casa?
Portanto, sendo a família a célula básica da sociedade e onde é forjado o homem do amanhã, torna-se-me difícil compreender que, não havendo honestidade nem transparência na sua gestão, possa haver uma boa gestão da coisa pública por um governo constituído por homens e mulheres nela forjados. Olho para um governo como uma imagem da família e percebo que as coisas acontecem da mesmíssima forma. A família é um país em miniatura e se não conseguimos governar uma família, jamais seremos capazes de governar uma Nação. Ou seja, sendo os dirigentes oriundos destas familias, muitas vezes dominadas por esses vícios e desprovidas de valores morais, há-de sempre ser difícil que estes (os nossos merecidos dirigentes) ajam de forma diferente.
Até porque, poucos pais são capazes de medir a dimensão do impacto de dizer aos seus filhos, estudem para que amanhã sejam gente e ter uma vida melhor. Não que seja mau fazer isso, mas, na minha opinião, abre-se um precedente para que, muitos de nós ao ir à escola, pensemos no nosso bem-estar e quase nunca no bem-estar dos outros. Muitos de nós, estudamos para ter um bom emprego e uma vida melhor. A gente carrega isso nas cabeças e é algo que faz parte da gente. Se os pais dissessem aos seus filhos “estudem para ajudar Moçambique a vencer a pobreza”, por exemplo, não só estariam desta forma ajudar os filhos a lutar para construir a sua própria personalidade, mas também e sobretudo, a preparar cidadãos patriotas e comprometidos com as causas do seu povo. Estariam a preparar os dirigentes do futuro, preocupados em resolver os problemas do povo e não em ter um bom emprego e uma 4X4 para sair com a família no fim-de-semana, ou ainda uma mansão no Belo Horizonte, quando a maioria do povo chupa o dedo. É preciso que as famílias se preocupem em preparar dirigentes do futuro, sensíveis aos problemas do povo – dirigentes que não se conformam com a miséria e com a penúria a que a maioria do povo está sujeita.
Hoje em dia vivemos em uma sociedade do salve-se quem puder. As pessoas pouco se importam com o sofrimento da maioria da nossa população. Ninguém se importa com a qualidade dos serviços de Saúde, Educação ou com a segurança do povo, pois a maioria dos dirigentes quando está doente vai a uma clínica de luxo na África do Sul, Portugal, Brasil ou França. E se preferirem, os filhos da maioria dos nossos dirigentes frequentam os melhores colégios e universidades pelo mundo fora, porque o nosso ensino é de péssima qualidade, onde as crianças, mesmo com 7ª classe ainda não sabem ler nem escrever. E nós, o povo, assistimos a tudo isto e achamos normal.
Por vezes pergunto a mim mesmo, se vale a pena continuar a questionar as atitudes corruptas dos nossos dirigentes. Como que a não encontrar respostas, fico-me pela ideia de que, bom, Deus nos tem dado os dirigentes que merecemos. É-me difícil continuar a exigir que os nossos dirigentes sejam pessoas honestas e transparentes, quando como povo não temos cultura de honestidade nem de transparência. Quantos chefes de família partilham os seus rendimentos e despesas de forma aberta e transparente com as suas famílias?
Aliás, quantos filhos conhecem os salários de seus pais e a forma como os mesmos são distribuídos pelas despesas a cada fim do mês? Quantos homens constroem mansões ou compram viaturas para amantes por aí e à revelia das suas famílias? Quantos homens em Moçambique sabem que o que eles ganham não é somente propriedade sua, mas sim, propriedade dos seus lares. Quantos chefes de família estão preparados para prestar contas às suas famílias (lares) sobre o que fazem ou devem fazer com os rendimentos que auferem? Quantos de nós têm consciência de que a herança da viúva lhe pertence a si a seus dependentes e não aos familiares do defunto marido? Quantos homens estariam preparados para abdicar dum copo de cerveja com amigos e amantes, para garantir que seja acesa a fogueira em casa?
Portanto, sendo a família a célula básica da sociedade e onde é forjado o homem do amanhã, torna-se-me difícil compreender que, não havendo honestidade nem transparência na sua gestão, possa haver uma boa gestão da coisa pública por um governo constituído por homens e mulheres nela forjados. Olho para um governo como uma imagem da família e percebo que as coisas acontecem da mesmíssima forma. A família é um país em miniatura e se não conseguimos governar uma família, jamais seremos capazes de governar uma Nação. Ou seja, sendo os dirigentes oriundos destas familias, muitas vezes dominadas por esses vícios e desprovidas de valores morais, há-de sempre ser difícil que estes (os nossos merecidos dirigentes) ajam de forma diferente.
Até porque, poucos pais são capazes de medir a dimensão do impacto de dizer aos seus filhos, estudem para que amanhã sejam gente e ter uma vida melhor. Não que seja mau fazer isso, mas, na minha opinião, abre-se um precedente para que, muitos de nós ao ir à escola, pensemos no nosso bem-estar e quase nunca no bem-estar dos outros. Muitos de nós, estudamos para ter um bom emprego e uma vida melhor. A gente carrega isso nas cabeças e é algo que faz parte da gente. Se os pais dissessem aos seus filhos “estudem para ajudar Moçambique a vencer a pobreza”, por exemplo, não só estariam desta forma ajudar os filhos a lutar para construir a sua própria personalidade, mas também e sobretudo, a preparar cidadãos patriotas e comprometidos com as causas do seu povo. Estariam a preparar os dirigentes do futuro, preocupados em resolver os problemas do povo e não em ter um bom emprego e uma 4X4 para sair com a família no fim-de-semana, ou ainda uma mansão no Belo Horizonte, quando a maioria do povo chupa o dedo. É preciso que as famílias se preocupem em preparar dirigentes do futuro, sensíveis aos problemas do povo – dirigentes que não se conformam com a miséria e com a penúria a que a maioria do povo está sujeita.
Hoje em dia vivemos em uma sociedade do salve-se quem puder. As pessoas pouco se importam com o sofrimento da maioria da nossa população. Ninguém se importa com a qualidade dos serviços de Saúde, Educação ou com a segurança do povo, pois a maioria dos dirigentes quando está doente vai a uma clínica de luxo na África do Sul, Portugal, Brasil ou França. E se preferirem, os filhos da maioria dos nossos dirigentes frequentam os melhores colégios e universidades pelo mundo fora, porque o nosso ensino é de péssima qualidade, onde as crianças, mesmo com 7ª classe ainda não sabem ler nem escrever. E nós, o povo, assistimos a tudo isto e achamos normal.
Como se não bastasse, a cada eleição voltamos às urnas e legitimamos estas incongruências com o nosso voto inconsciente, pois eles são os dirigentes que Deus nos destinou.
Mais não disse, nem sequer quis dizer.
Fonte: Retirado do Jornal Notícias, ver aqui, e publico-o no Reflectindo sobre Mocambique com a devida vénia do autor do artigo de opinião.
Nota: Há dois meses atrás eu estava a falar com alguns políticos da praca e falei-lhe sobre isto que Domingos Simbine escreve: a questão da justica, por exemplo em país como Suécia. A crianca cresce sabendo distinguir justica e injustica. Ela clama textualmente pela justica em casa, se os paíises lhe trata mal, se nota que o tratamento entre irmãos é diferente. Por exemplo quando os paises compram doces têm o cuidado de dividir por igual para todos os filhos. Na cresce, no ensino básico, secundário a crianca ou adolescente fala de justica e injustica, o mesmo é quanto à democracia e influência tanto da crianca na vida da família como da escola, o direito à opinião. E por outro lado a exigência da sociedade em sim para honestidade como parte da cidadania está em fasquia alta.
Portanto, Domingos Simbine levanta aqui um problema que deviamos reflectir e discutir pensando no futuro da nossa sociedade.
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